High Key
24 We're stars and we're beautiful.

—Regina-
Dr. Whale anotava algo em meu prontuário com um sorriso no rosto.
—É incrível a forma como você está se recuperando rápido, Regina. Nunca havia visto algo assim, antes... estou impressionado.
E eu estava contente. Era ótimo finalmente me lembrar de tudo e de todos.
A sensação que eu tinha antes, era como se estivesse presa em uma sala pequena e escura, onde o ar estava cada vez mais rarefeito.
Ainda tinha toda a situação de sentir e não entender o que eu estava sentindo.
—Acha que ela pode ir para casa hoje, doutor? — Emma que até então estava calada, se pronunciou.
Ela esfregava as mãos uma na outra como uma criança ansiosa e ao mesmo tempo temerosa.
—Eu darei alta a ela hoje mesmo, só preciso preparar os papéis e já volto.
Assim que o homem saiu do quarto, Emma deu um pulo da cadeira. Henry, que estava sentado ao seu lado, chegou a se assustar com a empolgação da loira.
—Hoje eu quero levar vocês dois a uma pizzaria, precisamos comemorar!
—Mas mãe, eu ia sair com a... — Lancei um olhar de ódio para meu filho. — Deixa, eu remarco com ela.
—Henry, quero saber por qual motivo eu ainda não conheci essa... essa...
—Putinha? — Emma completou com um sorriso debochado.
—Não xingue perto do nosso filho, Emma Swan! Ele é uma criança, não quero que aprenda essas coisas.
—Que criança o que... — Ela o abraçou de lado. — Criança não beija na boca.
—EMMA! — Henry e eu a repreendemos ao mesmo tempo.
Ela gargalhou e se jogou na poltrona de novo.
—Vocês só me fazem passar vergonha. — Henry cruzou os braços emburrado.
Finalmente eu estava no meu lugar.
[...]
1 semana depois...
[PLAY] ScarsToYourBeautiful – Alessia Cara.
Sede da Editora Vogue – 9h00.
—Ai Sis, nem acredito que você voltou, eu não estava aguentando mais esses papéis todos para preencher, todas as reuniões e decisões a tomar. — Zelena organizava diversos papéis em minha mesa. — Tem uma nova campanha de lingerie nova que eu consegui que vai ficar maravilhosa.
Peguei o papel com o conceito da campanha e li com atenção.
—Essa campanha ficaria ótima com modelos plussize, não acha?
—Você sabe que eu adoro qualquer ideia sua, mas o conselho é um nojo, irmãzinha.
—Vou marcar uma reunião com todos, hoje mesmo. — Coloquei o telefone no ouvido e disquei o número da minha assistente. — Aurora, marque uma reunião hoje a tarde com todo o conselho.
Iniciei uma pesquisa de fundamentação do conceito em cima da minha ideia, afinal, precisava ter uma base para propor ao conselho.
O mundo tem estado muito preocupado em lutar pelas minorias, mas há uma outra parte da minoria que ficou esquecida. Tal que é altamente discriminada e sequer é reconhecida como minoria. Os obesos mórbidos.
Diferente do que pensam, a obesidade é sim considerada uma doença para a comunidade médica e com ela os problemas mais sérios de saúde relacionados. A agressão verbal que os obesos sofrem, são tão comuns na sociedade que o próprio agredido não identifica tal agressão. E nas nossas leis não há sequer uma proteção legal ou qualquer mecanismo de defesa aos vexames pelos quais eles passam nas ruas diariamente.
Enquanto o preconceito racial não é muitas vezes explícito, a maioria das pessoas não se intimida em rir diante de um obeso. É como se ele fosse assim apenas porque é preguiçoso, relapso e comilão. Logo, merece ser motivo de todo tipo de piada.
"Se ela fosse mais magra, seria mais bonita."
"Até que de rosto é bonitinha, mas de corpo..."
Quantas vezes já ouvi tais frases pela rua, ou até mesmo na própria redação. Mal se dão conta de que tais palavras podem destruir uma pessoa por dentro.
A internet, a televisão e principalmente as revistas de moda, mostram aquele padrão de beleza empurrado goela a baixo para a sociedade. Quantas mulheres morrem e adoecem por causa desse estereótipo criado pela sociedade. Quantos já perdemos e quantos mais vamos perder por causa de mais um padrão.
E essa aflição em sempre querer parecer mais bonita tem atingido as pessoas cada vez mais cedo. De acordo com uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), o número de cirurgias plásticas realizadas em adolescentes entre 14 e 18 anos subiu de 37.740 procedimentos em 2008 para 91.100 em 2012, ou seja, mais que dobrou em quatro anos.
Muito magra, muito gorda, muito baixa, muito alta. Nada é o suficiente pras pessoas. Mas quer saber? Não tem que ser mesmo. Ninguém tem nada haver com a vida de ninguém.
E eu queria mostrar isso as pessoas, principalmente em uma revista de moda renomada no mundo todo. Era algo que precisava ser discutido e mais um padrão que deve ser quebrado.
Quantas mais cicatrizes precisaremos ter pela "beleza"?
Zelena e eu passamos aproximadamente três horas estudando tudo e criando os esboços da arte editorial. Seria uma apresentação completa.
Quando estava tudo pronto, corremos para a sala de reunião e preparamos tudo, até o pessoal do conselho chegar.
Após um longo tempo de reunião, quase ao fim do dia, terminei minha apresentação para a campanha.
—Senhores, iremos alcançar uma beleza verdadeira, e não uma beleza padronizada. — Tentei argumentar.
—Srta. Mills, imagine quantas mulheres vão deixar de ler nossa revista se formos abordar esse tema. Ninguém quer ser gorda.
—Você é um ignorante, isso sim! — Disse com raiva. — Eu vou fazer a campanha plus size.
—Você não vai, Regina. Nós não vamos disponibilizar a verba para isso e nem fotógrafo. Pegue as peças e use as modelos da Vogue, se não for assim, nem apareça no estúdio. — Todos os engravatados começaram a recolher seus documentos e a se retirar da sala.
Assim que todos haviam se retirado, e só restamos Zelena e eu na sala, reforcei minha expressão fechada e encarei minha irmã.
—Eu vou fazer essa campanha, e ninguém irá me impedir. — Levantei com raiva e recolhi o material, seguindo em direção a saída da editora.
—Sis, como você vai fazer, eles não vão disponibilizar verba, nem fotógrafo, nem nada. — Tentava argumentar a ruiva, me seguindo com pressa.
—Eu recebo o suficiente para pagar pelo menos três modelos para a campanha. — Disse convencida.
—E você iria usar seu salário para fazer uma campanha que dará milhões para uma empresa, sem sequer receber apoio ou gratificação. Ainda com a chance de impedirem o lançamento da revista?
—Isso é para eles aprenderem a não me contrariar. Você não vê que essa matéria pode mudar e conscientizar muitas mulheres?
—Tudo bem, mas e o cenário, o projeto fotográfico, o próprio fotógrafo? Tudo isso sai caro...
—E você não conhece nenhuma fotógrafa envolvida com causas sociais?
—Emma Swan...
—Emma Swan! — Acenei a cabeça positivamente.
[...]
—Boa noite família! — Emma entrou saltitante no apartamento, com seus equipamentos de fotografia.
—Boa noite mãe. — Henry respondeu, sem tirar os olhos do caderno em que estudava.
—Boa noite, meu amor. — A recebi com um beijo calmo.
Envolvi meus braços ao redor de seu pescoço e sorri com carinho para os olhos verdes intensos.
—O que passa pela sua cabecinha maligna? — Ela tocou minha testa com o dedo. — Eu conheço esse brilho nos seus olhos.
—Eu tive uma ideia para uma campanha incrível para a próxima edição da revista... Mas o conselho não aprovou por ser "fora dos padrões". Então eles não disponibilizaram nada para que eu a fizesse. Mas eu vou fazê-la mesmo assim, e preciso de uma fotógrafa visionária! — Expliquei empolgada.
—É ai que eu entro...
—Ai que você entra. — Afirmei.
—E o que eu recebo com isso? — Sorriu maliciosamente.
—Minha gratidão. — Ela bufou e eu gargalhei.
Selei meus lábios nos dela por alguns segundos e aprofundaria o beijo caso Henry não tivesse reclamado.
—Arrumem um quarto, por favor. — Pediu antes de fechar seu caderno, aquilo indicava que já era hora do jantar.
—Eu vou tomar um banho rápido e já volto para me juntar a vocês. — Emma disse sorridente e correu para nossa suíte. Não sem antes selar nossos lábios novamente.
Emma voltou em poucos minutos e todos jantamos. Henry jogou um pouco de vídeo game enquanto eu conversava com Emma sobre algumas de minhas ideias para a campanha, e o que já tinha discutido com Zelena. Fomos para o quarto quando Henry foi também.
[PLAY] Daddy Issues – The Neighbourhood
—Sabe, Emma? — Chamei sua atenção e ela olhou-me. Estávamos deitadas aproveitando o calor de nossos corpos, quase fundidos um ao outro. — Eu senti sua falta. — Completei.
Emma me beijou com paixão. Entreguei-me de forma calma ao beijo, que aos poucos ia me acostumando novamente. O gosto definitivamente não era desconhecido por mim, por meu corpo. A cada vez que meus lábios se fechavam aos seus, eu sentia como se uma força invisível dentro de nós se unisse.
Akai Ito ou fio vermelho do destino. Uma lenda de origem chinesa que diz que os deuses amarram uma corda vermelha invisível nos tornozelos de duas pessoas, no momento em que nascem, que estão predestinados a ser almas gêmeas. E aconteça o que acontecer, passe o tempo que passar, essas duas pessoas que estiverem interligadas fatalmente irão se encontrar!
“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se…
Independentemente do tempo, lugar ou circunstância…
O fio pode esticar ou emaranhar-se,
mas nunca irá partir.”
Cada coisa que aconteceu passou a fazer mais sentido. Como se fosse tudo programado para que nós duas sempre nos encontrássemos. Como se realmente um fio invisível estivesse amarrado em nós.
Deixei que Emma se deitasse sobre mim e após encaixar seu corpo ao meu ela me olhou. Eu sabia o que estava prestes a acontecer e além do amor puro que eu via através daqueles imensos olhos verdes, eu via um pedido, um pedido silencioso ao qual eu cedi.
Acariciei o rosto de Emma e ela fez o mesmo comigo enquanto alternava seu olhar entre meus olhos e minha boca. Desapareci com o espaço de sua dúvida e tomei seus lábios, podia sentir o receio em seus toques mais do o sentia em mim.
Findei nosso beijo no mesmo instante e enquanto Emma olhava-me num misto de confusão e medo, troquei nossas posições na cama. Me sentei em suas coxas e sem hesitar tirei a blusa do pijama que vestia. Seus olhos se fixaram em meus seios e mordi meu lábio inferior apreciando aquela vista.
Emma segurou forte em minha cintura e levei minhas mãos até as suas, guiando-as para cima, até meus seios.
Seu nervosismo desapareceu.
Deitei-me sobre ela e lambi a lateral de seu rosto antes de deixar marcas em seu pescoço com chupadas fortes. Ela arfou em busca de ar e sorri contra sua pele quando suas mãos alcançaram minha bunda e apertaram sem pudor, sem dúvidas, sem receio.
Mordisquei seu pescoço um pouco, antes de tirar a regata branca que usava. Seus seios também me hipnotizaram. Lentamente passei a mão sobre eles, acariciando-os. Os mamilos rosados gritavam por meus lábios e os obedeci.
Fechei-me em torno de um deles e o gemido baixo de Emma me incentivou a continuar. Após chupá-lo e mordiscá-lo o tanto que queria, passei para o do lado, nunca faltando atenção ao outro com minha mão massageando-o.
Emma se remexeu em baixo de mim e abandonei seus seios, subi até seus lábios deixando beijos molhados no caminho enquanto minha mão fazia o caminho contrário. Adentrei a calça de flanela xadrez que ela usava e alcancei a calcinha vermelha que a vi usando quando trocou de roupa.
Podia sentir Emma se arrepiar aos meus toques. Separei um pouco mais suas pernas com as minhas e com o olhar preso ao seu, serpenteei meu corpo para baixo. Tirei sua calça e a joguei em um canto qualquer do quarto. Quando me voltei para Emma, suas pernas abertas me esperavam.
Beijei a parte interna de sua coxa direita e trilhei vários beijos até sua virilha, repetindo a mesma coisa na coxa esquerda. Parada em frente seu sexo, olhando-a, via sua respiração se alterar aos poucos. Notando minha falta de movimentos, Emma me olhou e sorriu, trazendo seu quadril mais para frente, de encontro a minha boca.
Respirei fundo e encarei o que desejava. Aproximei-me mais dela e senti o cheiro que nem fazia ideia que meu corpo sentia falta. Beijei seu sexo por cima da calcinha e a coloquei de lado, aquele cheiro e a visão que eu tinha agora deixou meu corpo em chamas, só tinha vontade de fazer uma coisa e a fiz.
Emma gemeu alto quando passei a língua de sua entrada até seu clitóris. Brinquei um pouco com aquele ponto e ela se arqueou jogando a cabeça para trás, aproveitei para lhe deixar completamente nua. Fechei meus olhos quando a invadi com minha língua me deliciando com seu gosto e os gemidos de Emma se intensificaram, senti sua mão sobre meus fios negros e de leve ela me forçava para baixo.
Seus gemidos já tomavam conta do quarto quando passei a deixar beijos por todo seu corpo enquanto penetrava-a com meus dedos. Alcancei seu pescoço e me deitei sobre ela, roçando nossos corpos no ritmo em que meus dedos exploravam seu interior.
—Reg-Regina! — Gemeu meu nome fazendo-me pulsar. Eu já estava tão molhada quanto ela, meus gemidos morriam ao entrar em contato com sua pele marcada por meus dentes.
Levantei um pouco meu corpo e Emma levou suas mãos até minha cintura, ditando o ritmo que nossos corpos se moviam. Ver nossos seios se esfregando uns nos outros estava levando ambas a loucura. Emma movia o quadril em direção dos meus dedos e aumentei a velocidade deles quando uma mão de minha cintura passou a arranhar minhas costas. Ela estava direcionando grande parte de seu prazer ali e nossos gemidos se misturaram no ar.
Emma fechou os olhos e mordeu seu lábio inferior, seus movimentos foram ficando fora de controle e ela estava quase lá. Enquanto penetrava-a com dois dedos passei a massageá-la com um terceiro e envolvi um de seus mamilos com a boca enquanto ela massageava o outro. Não demorei a ouvir um gemido arrastado e sentir o corpo de Emma estremecer abaixo do meu. Ela abriu os olhos e logo encontrou os meus, ela tinha um sorriso pleno estampado no rosto. Retirei meus dedos de dentro dela e os chupei, fazendo-a babar na cena.
Me deitei de bruços ao lado de minha amante enquanto a mesma tentava normalizar sua respiração. Eu observava cada movimento seu e sorri ternamente quando ela se aproximou de mim, tirou meu cabelo do rosto e beijou-me na bochecha.
Ela estendeu os beijos até meu ombro e senti meu corpo se arrepiar quando ela passou as pontas do dedos por minhas costas. Fechei os olhos sentindo aqueles toques e quando pararam, senti Emma se movimentar na cama. Não demorei a sentir uma perna sua em cada lado do meu corpo.
Emma estava sentada nua em cima de mim quando começou a massagear meus ombros. Meu gemido abafado pelo travesseiro no qual estava deitada a incentivou a continuar. Lentamente ela foi deixando uma trilha de beijos molhados e arrepiantes da minha nuca ao cós do meu short de seda.
Olhei para trás quando ela começou a puxar meu short e me sorriu maliciosamente, retribui o sorriso mordendo meu lábio e facilitei para que ela me despisse. Suas mãos apertaram minha cintura e me puxaram para cima.
—Fica de quatro para mim, meu amor. — Pediu com um tom de voz que me fez obedecê-la de imediato.
Emma mordeu, beijou e mordiscou os dois lados de minha bunda enquanto puxava a calcinha preta para fora de meu corpo. Evitei olhá-la e gemi surpresa quando sua língua me tocou. Uma onda quente passou por cada centímetro do meu interior e me fez gemer sem pudor. Antes existia o receio, mas agora eu estava livre, estava completamente entregue a Emma.
A mulher que eu amava.
Os movimentos com a língua foram se intensificando assim como meus gemidos, Emma me chupava com vontade e me manter naquela posição estava ficando complicado. Emma segurava minhas coxas com firmeza para que eu não fugisse dela e rebolar em seu rosto, virou um vício. Não conseguia me conter. Enquanto ela alternava entre enfiar sua língua em mim e brincar com meu clitóris, eu chamava seu nome pedindo por mais.
Manter meus olhos abertos já era impossível, minhas mãos agarravam fortemente o lençol abaixo de nós e eu não tinha mais controle de nada. Meus joelhos fraquejaram, e ameacei cair mas Emma me segurou e seu rosto continuou perdido e enterrado entre minhas pernas. Meus gemidos começaram a ecoar pelo quarto e meu corpo a fazer movimentos involuntários, a língua de Emma trabalhava gostoso em mim. Ela sabia que eu estava quase e focou em meu clitóris, suas mãos me abandonaram e eu caí, ela veio junto e por um milésimo parou de me chupar.
Senti e ouvi o estalo em minha bunda antes de seus lábios se chocarem contra meu sexo novamente. Enquanto uma de suas mãos acariciava e apertava onde tinha batido, a outra explorava minha entrada e gritei de prazer quando seus dedos me penetraram. Suas estocadas foram ficando cada vez mais rápidas e fortes e poucos segundos depois eu me desmanchei nela. Emma parecia querer chupar cada resquício de meu orgasmo enquanto eu buscava o ar tentando controlar minha respiração.
Outra vez ela trilhou beijos molhados e delicados por minhas costas, findando a trilha em meus ombros antes de se jogar para o lado.
—Recuperamos o tempo perdido? — Perguntou.
—Definitivamente! — Respondi cansada.
Não demorou mais do que dez minutos para que pegássemos no sono com nossos corpos unidos. Enfim, eu estava em casa.
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