High Key

19 You'll sleep till May


Notas iniciais
Voltei com esse capítulo cheio de emoções. As músicas desse capítulo serão: para o início do capítulo "When it rains - Paramore" e para a segunda parte do capítulo "Worry - Jack Garratt". Quero agradecer a quem recomendou e comentou na fic, muito obrigada mesmo pelo carinho de vocês. Espero que gostem.

—Emma-

O Corpo sem vida de Regina estava envolto de sangue e eu sequer podia ir até ela. Quando aquele homem deu um soco na cara da morena, pude perceber quem ela era. Ver Regina ali, nos braços daqueles homens foi o meu fim. Senti segurarem meus ombros e me puxarem para longe dali, sem tirar os olhos da morena. Como eu ainda não conseguia ouvir, só pude ver quem havia me levado, quando ele ficou de frente para mim. August falava e gesticulava com as mãos, mas eu não o ouvia.

—Eu não consigo ouvir, August. — Consegui ouvir minha voz dentro de mim.

Ele parou de falar e começou a procurar algo em sua mochila. Tirou uma caderneta, uma caneta e escreveu algo na folha em branco.

"Você precisa ficar calma, iremos tirá-la de lá" ele escreveu.

Eu apenas assenti sem vida e continuei parada, sem forças para qualquer movimento. August foi a algum lugar, me deixando sentada no meio fio da rua. Senti uma gota de água cair no meu rosto.

—Chuva? — Estranhei.

Gotas mais fortes começaram a cair e lavar toda a destruição e sangue derramados pela rua. O céu, que antes estava limpo e azul, agora tinha o aspecto acinzentado e triste. Era como se o céu chorasse pela minha Regina.

—Regina... — Levantei-me e corri de volta para o local onde tudo havia ocorrido.

Encontrei August ajoelhado junto ao corpo da morena com as mãos pressionando o ferimento. Ao me ver, ele gritou algo que eu não consegui ouvir. Corri até eles e ajoelhei ao lado da morena.

Ela estava molhada por conta da chuva, completamente sem vida. Segurei sua cabeça nos braços e acariciei seu rosto. As gotas de chuva caiam sobre a pele pálida e fria, limpando qualquer rastro de sangue que havia ficado.

—Meu amor, por favor, aguenta firme. — O choro que antes fora interrompido, agora libertou-se. — Desculpa.

Logo a ambulância chegou para levar a morena ao hospital. Como eu também estava ferida, fui como paciente, e August era nosso acompanhante. Um dos atendentes insistia em me examinar, mas eu não queria aquilo.

—Não! — Pedi ao atendente. — Ela, por favor, dê atenção a ela.

August falou algo para o atendente, e o rapaz voltou-se a ajudar no socorro da morena. Assim que chegamos ao hospital, eles levaram a Regina correndo para tratamento, enquanto um médico cuidava de meu ouvido.

August não saia, em momento algum, do meu lado e se comunicava o tempo todo com o médico. O homem enfiou um tipo de pinça no meu ouvido e começou a puxar pedaços de destroços, bem pequenos de dentro do meu ouvido. Conforme ele ia tirando, minha audição ia voltando.

—Eu consigo ouvir! — Meu corpo foi tomado por um alívio indescritível.

—Ótimo Swan. — August sorriu alegre. -O médico disse que seus tímpanos foram perfurados e quando houve a explosão, entraram destroços menores nos seus ouvidos. Por conta disso, seu organismo entendeu que eram corpos estranhos e inflamaram, causando a surdez temporária.

—E Regina? — Perguntei enquanto me atentava ao médico fazendo um tipo de lavagem em meus ouvidos.

—Emma... as condições dela não são nada boas. — A expressão de August era de tristeza. — Pelo que informaram, a bala atingiu uma área frágil do abdômen dela e causou uma hemorragia descontrolada. Ela perdeu muito sangue e o corpo dela está muito fraco. Levaram ela para a cirurgia para retirada do projétil.

Senti um nó se formar em minha garganta e as lágrimas teimando em sair. A culpa era minha. Se eu não a tivesse deixado, ela não viria parar no meio dessa guerra.

—Ei Emma, não chore... — August ofereceu um abraço e eu o aceitei. — Ela vai ficar bem.

[...]

A espera parecia interminável. A cirurgia já passava de quatro horas e meia de duração e nenhuma notícia do estado da morena.

—A demora é uma coisa boa. — Disse meio desesperada.

—Acho que sim...

—Claro! Se está demorando é porque ela está resistindo firme. — Olhei para August com esperança. — Se eles não vieram até agora é porque ela não morreu. Não é?

August apenas afagou minhas costas e continuou em silêncio. Um médico aproximou-se e perguntou algo em árabe.

—Notícias sobre a Regina. — August me explicou e ficou de pé.

O médico conversou com August, já que o mesmo pareceu ser fluente na língua, deixei que ele resolvesse. Observei todos os movimentos e expressões do rapaz e do doutor, tentando captar algo de ruim mas nada identifiquei. O médico partiu e deixou August com um semblante preocupado.

—O que ele disse? — Perguntei ansiosa.

—Que a cirurgia ocorreu bem, mas o estado dela ainda é delicado. Eles tiveram que a colocar em coma induzido pois o corpo dela não estava reagindo. Ele disse também, que como somos de outro país, podemos conseguir a transferência dela para NY, mas precisamos ligar para alguém que consiga um helicóptero que a busque.

—Vou ligar para a irmã dela. — Tirei o aparelho do bolso e disquei com rapidez.

—Alô? — A voz forte da ruiva soou.

Zelena, é Emma.

—Emma, você é idiota? Regina foi atrás de você...

Zelena, Regina levou um tiro.

—Oi?

—Estamos em um hospital Líbio e eu preciso que consiga que um hospital daí venha buscar ela, para internarmos ela aí.

—O que você está dizendo, isso é serio? — A voz de Zelena estava embargada. — Oh meu deus! Como ela está?

—Ela passou por uma cirurgia mas está em coma. Sinto tanto por isso... Foi minha culpa. — Comecei a chorar.

—Calma, vamos dar um jeito, temos um médico da família. Vou ligar agora para ele e te aviso.

Zelena, avise a meus pais, mas deixe que eu falo com Henry quando chegarmos aí.

Finalizei a ligação e comecei a andar de um lado para o outro impaciente.

—Quando posso vê-la?

—Não sei, Swan.

[...]

Zelena havia retornado a ligação dizendo que conseguiu que um helicóptero militar buscasse Regina e levasse até o Bellevue Hospital Center, em New York. O hospital era um dos melhores, se não o melhor, em trauma do país.

—August, não tenho palavras para agradecer o que você fez pela Regina. — Abracei o homem.

—Que isso, Emma. Não precisa agradecer. — Ele me apertou forte. — Assim eu voltar para New York eu te ligo para ver como tudo está.

Estávamos no heliporto esperando a equipe médica trazer Regina para colocá-la no avião. Até então, não havia visto a morena. Estava sentindo um misto de ansiedade, preocupação e culpa. Quando a equipe apareceu empurrando a maca de ferro, vi o corpo da morena enrolado em um cobertor térmico, com vários aparelhos ligados a ela. Senti um forte aperto no coração ao vê-la daquela forma. A equipe nos posicionou dentro do helicóptero e decolamos. Um médico da equipe de trauma do exército americano nos acompanhou no voo, para o caso de alguma emergência durante a viagem.

Senti o cansaço começar a pesar e o sono chegar. Não havia dormido desde a manhã que iniciou-se o tiroteio.

—Pode dormir, Srta. Swan. — O médico disse, percebendo que eu lutava contra o sono. — Eu prometo que cuidarei dela.

Eu não queria dormir. Não conseguia imaginar tirar o olho da minha morena um minuto sequer. Olhei para seu corpo repousando sereno em minha frente. Seus lábios carnudos, que antes tinham uma tonalidade rosada, agora eram donos de uma palidez assustadora. O "bipe" das máquinas que respiravam por ela, era desesperador. Segurei sua mão que repousava na lateral de seu corpo e debrucei-me sobre seu corpo, fazendo com que meu rosto ficasse bem próximo do seu.

—Eu sei que você está ai e pode me ouvir. — Sussurrei próxima ao seu ouvido. — Perdoe-me. Eu sei que foi minha culpa você estar assim. Mas...

Fui interrompida pelo choro que me sufocava.

—Mas volte para mim. — Respirei fundo tentando controlar as lágrimas. — Henry precisa de você. Eu preciso de você.

Sua mão estava fria. O rosto que antes iluminava qualquer lugar por onde ela passava, agora estava sem vida.

Chegamos ao hospital em doze horas de voo. Rapidamente Regina foi levada para UTI, e mais tarde seria submetida a mais uma cirurgia para retirada dos estilhaços que se espalharam. Zelena, Mary, David, Ruby e Henry já estavam na recepção do hospital me esperando.

—Emma! — Henry correu até mim e pulou em meu colo. — O que houve com minha mãe?

—Ela acabou levando um tiro, garoto. — Falei desanimada. — Sinto muito, não pude protegê-la.

Abracei o garotinho e comecei a chorar descontrolada.

—Desculpa garoto.

—Emma... — Minha mãe abraçou-me junto a Henry. — Vai ficar tudo bem, querida. Venha Henry, vou —

Mamãe chamou Henry para comprar um lanche, enquanto eu me recompunha.

—Zelena. — Chamei pela mulher, que até o momento estava sentada ao lado de Ruby estática. — Zelena.

—Sai de perto de mim, Emma.

—Zel, não faz assim... — Ruby a consolava. — Não foi culpa dela, foi uma fatalidade.

—Se você não fosse uma egoísta que só olha para o seu próprio umbigo, ela não teria ido atrás de você! — A ruiva gritou, levando-me novamente as lágrimas. — Tudo gira ao seu redor Emma Swan. Será que nada vai ser o suficiente para te fazer feliz? Droga.

—Eu sei o que eu fiz. — Gritei aos prantos. — Como você acha que eu me senti vendo ela levar um tiro na minha frente? Como você acha que foi ver o amor da minha vida fria e sem vida, e não poder nem me aproximar dela. Acha que eu não queria que fosse eu lá, no lugar dela?

Zelena não aguentou e me abraçou. Ficamos as duas abraçadas e chorando por um longo tempo, compartilhando da dor que cada uma sentia. Nada precisávamos falar.

[...]

1 ano depois.

07 de março — 19h00 – New York.

A noite de New York soprava frio em minha pele. Caminhei a passos largos pelas ruas movimentadas e escuras com um buquê de flores nas mãos. A jaqueta de couro que eu usava não parecia ser o suficiente para me esquentar.

O ano passou lento e insuportável. Regina não tinha sinais de melhora e se mantinha em coma. Pedi licença do trabalho até que Regina melhorasse, pois eu não queria ir para longe e deixá-la mais uma vez. Mas seguimos com nossas vidas, nos adaptando. Henry foi muito forte e estava crescendo muito rápido. O garotinha se tornou um rapaz, estava começando a mudar corporalmente e já estava quase da minha altura. Henry e eu estávamos mais próximos que nunca, e o menino decidiu morar comigo, já que não tinha sua mãe o tempo todo em sua rotina. Ruby voltou para New York e fez sua estadia no apartamento vizinho ao meu. A morena conseguiu um emprego em uma empresa de publicidade e estava só alegria. Zelena e ela engataram em uma relação séria e estavam mais felizes que nunca. Zelena assumiu o cargo da morena da revista e estava fazendo jus a sua irmã trabalhando duro. O bêbê da ruiva nasceu na primavera e era uma menina com a pele branca como a neve, lindos olhos azuis e cabelos ruivos como os da mãe. Ruby acompanhou toda a gravidez, amando a criança como se fosse sua. Maia Lucas Mills, foi o nome que ela recebeu. Agora ela tinha 5 meses de vida e enquanto a mais velha dos Mills e Ruby trabalhavam, ela ficava comigo e com Henry. Cora veio para NY e ficou na casa de Regina. Graham, como não podia deixar a delegacia em Miami, vinha aos finais de semana ficar com a esposa. Minha rotina agora era cuidar das crianças e ir visitar a minha morena.

Parei em frente a enorme entrada do hospital, respirei fundo e entrei.

—Boa noite. — Com minha rotina de ir todos os dias ao hospital, acabei conhecendo maior parte dos funcionários do lugar. — Como está hoje?

—Estou ótima, e você Sra. Swan? — Uma das enfermeiras que ficava na recepção perguntou.

—Estou incrível. — Sorri verdadeiramente.

—Lírios? — A mulher perguntou sobre o buquê que eu carregava nas mãos.

—Isso! Hoje são Lírios para perfumar o quarto dela. — Girei meu calcanhares, andando de costas. — Quem sabe ela abra aqueles olhos lindos para mim hoje! Estou com pressentimentos bons.

Entrei no elevador e subi até o quarto em que Regina estava. Abri a porta lentamente e logo o barulho dos aparelhos que a mantinham se manifestou.

—Boa noite meu amor. — Disse indo até ela e dando-lhe um beijo na testa. — Trouxe Lírios hoje. Ah, Henry mandou umas fotos que ele tirou essa semana. Ele está cada dia mais interessado em fotografia e é um ótimo fotógrafo. Comprei uma câmera como a minha pra ele, e ele anda para todos os lados com ela.

Todos os dias eu levava uma flor diferente e deixava em um vaso, na mesa ao lado de sua cama. Era como se naquelas flores houvesse uma esperança de que ela acordasse logo. Troquei os girassóis do dia anterior pelos Lírios e sentei na poltrona que ficava próxima a cama. Segurei sua mão nas minhas. Quente. Ela estava mais quente.

—Quer saber como foi o dia hoje? Henry chegou do colégio dizendo que conheceu uma garota. — Toda vez que eu chegava, contava como havia sido o dia de todos. — Ele estava nervoso e me pediu ajuda para impressioná-la e eu o ajudei. Mas eu disse a ele que se você soubesse disso ia dar uma bronca em nós dois. — Ri. — Maia está comendo papinhas agora, e o a fralda está cada vez mais bem recheada, é um horror, você precisa sentir aquele cheiro. Zelena deve colocar carniça naquela papinha. Deixei Henry e ela com sua mãe para vir te ver. Ela adora quando eles passam a noite com ela.

Ouvi batidas e a porta foi aberta.

—Emma Swan.

—August!

August e eu viramos grandes amigos. Depois do que aconteceu na Líbia, mantivemos o contato durante o ano todo.

—Veja quem está de volta!

—É bom voltar, loira. — O homem abraçou-me com saudade.

—Por onde andou?

—Camboja.

—Adoro aquele lugar... — Sorri com a memória. — Senti sua falta.

—Eu também! — Ele olhou para Regina e sua face ganhou expressão de tristeza. — Como ela está, nada ainda?

Neguei com a cabeça.

—E o garotão? Onde está?

—Ficou com a avó essa noite. Ele insistiu para vir, mas amanhã ele tem prova, eu tive que ser responsável e mandá-lo estudar.

Ficamos um bom tempo conversando sobre nossas vidas, antes do médico de Regina entrar do quarto.

—Emma, posso conversar com você um instante?

—Claro! — Deixei August com Regina e sai do quarto, seguindo o médico.

Fomos até sua sala e ele pediu que eu sentasse.

—E então Dr. Whale?

—Emma, o assunto é um pouco delicado. — Ele se remexeu em sua cadeira. — Raramente temos algum paciente que sobrevive depois do prazo de um mês que damos, muito menos um ano em coma. Regina está instável e suportando firme, mas não podemos torturá-la mais. Na madrugada passada, tentei desligar os aparelhos para ver se a mesma reagiria, mas seu corpo não reagiu. Eu sei que é difícil Emma, mas não podemos mantê-la assim. Então eu sugiro que desliguemos as máquinas que a mantém viva.

—Não... Muita gente volta desse coma, eu sei que volta. Ela pode voltar!

—Muita gente volta, Emma, mas mostra uma melhora considerável em um mês. Regina se mantém estável desde que a trouxemos da Líbia, a um ano atrás. A atividade cerebral dela praticamente não existe mais. Ela hora ou outra terá morte cerebral e não poderemos fazer mais nada além de sustentar um corpo sem vida. Tirando que ela pode ter sequelas gravíssimas, nós não saberemos. Só um milagre pode salvá-la nesse estado Emma.

Whale deslizou os papéis de autorização para mim e olhou-me com seriedade. Peguei os papéis e assenti.

—Entregue para a mãe e a irmã dela, está bem?

—Uhum. Vamos pensar sobre isso.

—Pense, Emma. Seria muito sofrimento para Regina, mesmo se ela acordasse do coma.

Sai da sala do doutor e segui para o quarto de Regina. August estava com a câmera levantada como se mostrasse as imagens do visor para Regina.

—Veja essa, Regi. É um ótimo castelo, quem sabe se eu for rico um dia dou um desses de presente para você e Emma. — O homem falava empolgado.

—O que está fazendo, August?

—Mostrando a ela minhas fotos de Camboja.

Sorri com a atitude do rapaz. Ele parecia estar interagindo com sua alma, para que ela o entendesse.

—August, eu preciso ir, tenho que falar com a família de Regina.

—Tudo bem loira. Tenho mesmo que ir para a editora. — August levantou-se e olhou uma última vez para a morena. — Tchau Regina, volto em breve.

August saiu do quarto e eu fui até a morena. Deixei um beijo carinhoso em sua testa e a olhei uma última vez.

—Durma bem meu amor, eu volto amanhã.

Precisava explicar para Zel e Cora o que o doutor havia me explicado e mostrar os papéis. Claro que eu queria logo falar "não", mas estaria sendo egoísta novamente. E se ela tivesse uma nova chance? Eu poderia arriscar deixá-la ir? Mais uma vez eu perderia um amor e dessa vez eu que o deixei escapar de minhas mãos.

—Quer uma carona, Swan? — August ofereceu.

—Eu ia andando, o apartamento de Regina fica bem perto.

—Nesse frio? Vem logo. — Acabei aceitando a carona.

Não demorou mais que cinco minutos e já estávamos em frente ao prédio de Regina.

—Obrigada por ter vindo. Foi muito importante.

—Que isso, loira. — O homem depositou um beijo em meu rosto. — Te vejo amanhã?

—Vá lá em casa almoçar conosco. Henry vai adorar. — Convidei-o enquanto saia do carro.

—Pode ter certeza que irei. — Acenei e ele partiu.

Peguei o elevador e o barulho logo indicou que eu havia chegado no andar. Abri a porta do apartamento e ouvi a risadinha gostosa de Maia. Henry estava com a menina no colo fazendo um barulho estranho com a boca, que fazia a garotinha cair em uma gargalhada deliciosa.

—Ei mãe! — Henry havia começado a me chamar de mãe frequentemente desde que foi morar comigo. — Como a mamãe está?

—Ela está na mesma garoto. — Beijei sua cabeça. — E você garotinha, do que está rindo?

Peguei Maia no colo e beijei sua bochecha. Zelena apareceu na sala com uma mamadeira.

—Oi cunhada. — Pegou a menina do meu colo e sentou-se para dar mamadeira a ela. — Como está a Regina? Consegui uma folga amanhã pra ir ficar um pouco com ela.

—Eu preciso conversar com vocês. — Falei quando vi Cora entrar na sala junto com Ruby.

—O que houve, Emma? — Cora perguntou um tanto desesperada.

Comecei a explicar tudo que o médico havia me dito, sem tirar uma vírgula, e entreguei os papéis a elas.

—Vocês precisam decidir. Eu não quero me meter porque não sou da família, mas eu não quero desistir assim.

—Emma, você é sim da família e discutirá sobre isso junto de nós. — Cora.

—Ele disse que ela sofrerá mais se a mantivermos assim, mamãe. — Zelena.

—Eu não consigo deixá-la partir assim. E se ela voltar? Ela não desistiu de mim em momento algum, eu não quero desistir dela.

—O que faremos, então? — Cora perguntou.

Notas finais
Será que irão optar pela eutanásia? O que acharam da Emma seguindo essa rotina nova de vida dela? Comentem com suas teorias. Sempre bom ter o feedback pra estimular a escrever o próximo. Lembrando que tem o grupo no whatsapp onde eu solto vários spoilers.