High Key

14 That's the beauty of a secret


Notas iniciais
Voltei com mais um capítulo. Queria agradecer aos comentários, fico muito feliz em ler todos, só é complicado responde-los, mas continuem mandando por favor! Para este capítulo tenho duas músicas para cada momento. Uma delas é enquanto elas trilham os caminhos da Noruega, que vai ser "Empire - Of Monsters and Men" e para a viagem delas a Miami "Traffic - Denim Blue & Miclain Keith" Boa leitura galera.

—Regina-

Acordei com o cheiro de ovos fritos. Estava um pouco frio essa manhã. Reparei que estava enrolada por uma coberta bem quente e que estava na barraca de Emma. A loira já não estava mais ao meu lado. Saí da barraca e vi Emma e Henry já preparados e fazendo ovos na fogueira.

—Bom dia dorminhoca! — Emma sorriu.

Aquele sorriso fazia meu dia. Ter Emma por perto era viciante, como se ela fosse um tipo de droga forte e sem ela minha vida estava em total abstinência. E ai eu tive certeza de que aquele era o melhor lugar em que eu poderia estar. Emma e Henry estavam sentados em posição de monges enquanto esperavam os ovos fritarem.

—Mamãe, bom dia... estamos meditando. — Henry estava animado. — Emma me ensinou, que sempre que estivermos envoltos da natureza temos que nos conectar a ela e pedir a ela permissão para gozarmos dela.

Percebi que Henry e Emma estavam com um pontinho vermelho na testa, entre as sobrancelhas.

—Venha Regina, vamos meditar. — Emma chamou.

Sentei-me ao lado deles e imitei a posição que eles faziam. Emma sujou o dedo em uma mistura vermelha e colocou em minha testa assim como eles tinham.

—Isso se chama Tilak, é feito de pasta de sândalo. Os indianos usam isso nas cerimônias dele. O significado dele depende do material que é feito, no caso, o nosso é de sândalo que significa calma, tranquilidade e pureza... — Emma explicava com calma. — Aprendi isso com um monge hindu quando fui para índia. A gente coloca ele nesse ponto da testa porque é onde se localiza o terceiro olho, segundo os hinduístas.

Fechei os olhos imitando os movimentos de mãos deles dois e o barulho que saia de suas bocas.

"Om Shanti Om" Era o som que fazíamos.

—Esse é o mantra de paz no Hinduísmo, quando repetido varias vezes nos induz a um estado de relaxamento profundo, calma interior e bem-estar... — Emma já parecia estar anestesiada, falava de forma calma e pausada.

Ficamos assim por um tempo e eu consegui me sentir flutuando de tão relaxada. Tudo começou a se misturar e entrar em harmonia. A aura da natureza ao nosso redor e as nossas auras pareciam dançar umas com as outras.

—Agora vamos voltar a nossa rotina normal, podemos prosseguir com leveza e energia. — Emma pegou os ovos, que já estavam prontos e dividiu nas nossas cambucas, cada qual com seu pedaço.

Nunca comi um ovo com tanta vontade. Não estava adepta a comer o tipo de coisa que estávamos comendo e em tão pouca quantidade. Conseguia entender agora como a loira tinha aquele corpo.

—Alguém está com muita fome! — Henry.

—Está tão bom...

—Ah que bom que gostou, achei que ia odiar, já que peguei de um ninho de águia que encontrei. — Emma disse naturalmente.

—O QUE???? — Cuspi tudo no chão.

Eles riram em coro.

Parece que ficarei com fome.

—Conseguiu dormir bem, Regina?

—Consegui. — Corei um pouco. — Na verdade a minha intenção era voltar para a minha barraca para não deixar Henry sozinho, mas acabei pegando no sono.

—Não se preocupe, Henry também foi para nossa barraca de madrugada, dormimos todos juntos e apertados. — A loira riu.

Confesso que nem havia percebido que Henry dormira lá.

—Emma você deve aprender muito de cada cultura em suas viagens , né? — Henry.

—Oh, um pouco... quando o lugar é no mínimo povoado. — Emma riu. — Eu converso com as pessoas que fotografo, preciso entender elas e sentir elas nas fotos.

Ela cada vez mais ficava encantadora.

—Vamos, terminem logo, temos muito à caminhar. — Emma.

[...]

—Emma-

Andamos por um longo caminho até finalmente chegar ao local onde eu fotografaria. Um pico de uma montanha de pedras que dava a perfeita visão do local todo ao nosso redor. Era lindo.

Peguei a câmera e comecei a fotografar. Olhei para o lado e vi Henry e Regina parados, de olhos fechados, sentindo a brisa. Os cabelos de Regina voavam com o vento. Ela e Henry estavam em poses tão parecidas que não tinha como dizer que não eram mãe e filho. Aproveitei e tirar uma foto dos dois. Regina virou o rosto para mim e sorriu o sorriso mais sedutor do mundo. Meu corpo todo arrepiou.

Desci escorregando pelas rochas até a depressão que ficava no centro das montanhas rochosas. Corri até um lago que tinha próximo e fui me despindo pelo caminho, até ficar de calcinha e sutiã, e me joguei dentro da água. Fiquei um tempo submersa com a sensação de choque térmico, pois a água estava muito fria. Senti uma movimentação na água e vi o pequeno garotinho de cabelos negros mergulhando no lago. Emergi e dei de cara com Regina na beira do lago se despindo lentamente. Aquilo foi minha loucura. O corpo maravilhoso da morena me fez morder o lábio de desejo. Mergulhei novamente para tentar controlar o calor que começava a se formar.

Senti a água chacoalhar e abri os olhos ainda submersa. A silhueta com curvas perfeitas se movia como perfeição em minha frente. Senti o pulmão apertar em falta de ar e subi até a superfície novamente. A morena emergiu junto comigo, quando nossos olhares se cruzaram, ela sorriu. Nadei até ela com calma e quando estavam bem próxima, tentei a beijar, mas a morena jogou água no meu rosto.

—Henry está nós observando, Srta. Swan. — Regina falou baixo com sua melhor voz rouca e sexy.

Minha vontade era agarrar a morena sem pudor, mas tínhamos que ser razoáveis por Henry.

—Está ficando mais frio, vamos sair. — Senti o sopro gelado me tocar e percorrer minha pele em forma de arrepios.

—Henry, saia vai pegar um resfriado. — Regina saiu do lago rebolando.

Óbvio que era para me provocar. Ela estava com peças de renda preta, que contrastava perfeitamente com a pele dela. Balancei a cabeça negativamente para espantar qualquer ideia maliciosa que eu estava tendo.

[...]

Estava anoitecendo. Estávamos os três sentados ao redor de uma fogueira que foi acesa à muito custo por conta do vento. Henry estava contando uma de suas histórias de terror inventadas, mas foi interrompido pelo toque estridente do celular de sua mãe.

—Ué! — Regina ficou confusa. — Tem sinal aqui?

—Aproveite sua sorte.

Ela fez uma careta para a tela e respirou fundo antes de atender.

—Alô, mamãe... Não, estou viajando. — Ela massageou a têmpora. — Tudo bem, eu vou. Tchau mamãe.

—Era a vovó? — Henry ficou animado.

—Sim. — Ela olhou-me séria. — Ela quer que eu vá em seu casamento.

—Vovó vai casar? — Henry parecia muito feliz pela mais velha. — Nós vamos?

—Vamos querido... ela quer que você leve as alianças no altar.

—UHUL EU VOU ARRASAR! — Henry pulou de alegria.

Ri da dança comemorativa do garoto.

—Sossega garoto! — Brinquei.

—Emma pode ir com a gente mamãe?

—Henry! — O repreendi.

—Você vai conosco? — Regina perguntou esperançosa.

—Eu não sei...

—Por favor, eu não me dou muito bem com minha mãe. Será legal ter alguém para me ajudar com isso lá. — Pela cara de tristeza da morena, não teve como negar.

—Então eu vou.

—EBAAAA! — Henry.

—E quando vamos?

—Temos que ir amanha, no caso, daqui a algumas horas... mas se for te atrapalhar... — A interrompi.

—Empresta aqui seu celular que a gente aproveita o sinal e posso ligar para o piloto do helicóptero para ele vir nos buscar pela manhã. — Peguei o celular e disquei.

[...]

—Regina-

Miami International Airport— Miami – 06 de Fevereiro.

Só deu tempo de parar em NY para pegar nossas bagagens (dessa vez as bagagens decentes). Logo estávamos de volta no aeroporto comprando as passagens para Miami e decolando. Aterrissamos em Miami já eram 14h da tarde, e Emma já começou a reclamar de fome.

—Tô morrendo. — Emma.

—Que morrendo o que Swan, pare de ser fresca!

—Regina, ouve meu estômago... — Ela ficou em silêncio para que eu ouvisse e estufou a barriga para frente. — Viu, ele fica dizendo "me alimenta, mãe!"

Henry morreu de rir e eu tive a impressão de que estava cuidando de duas crianças. Emma estava vestindo uma calça jeans rasgada, uma blusa listrada branca e azul marinho e um Vans vermelho. Seu cabelo estava preso em um coque desengonçado e seu rosto vestia um óculos de grau Ray-Ban RX5311 preto, que a deixava mais linda ainda.

Aluguei um carro no aeroporto mesmo e seguimos em direção a Coral Gables, onde minha mãe vivia com meu padrasto. Rever Cora Mills seria demais para minha cabeça. Desde nova, minha mãe e eu não tínhamos uma boa relação, mas ela era uma boa mulher. Olhei pelo retrovisor e vi Henry dormindo no banco de trás, e confesso que tudo o que eu queria no momento era dormir. A viagem havia sido muito cansativa. Olhei para a loira, que observava a paisagem lá fora com feições serenas. Ela realmente era uma mulher guerreira, e eu havia sentido na pele a vontade dela de mostrar o mundo com seus olhos.

—Acredita que eu já viajei pelo mundo todo mas nunca vim a Miami? — Emma falou ainda distraída com a paisagem.

—Sério?

—Uhum. — A loira olhou-me com interesse. — O que fez sua mãe vir para cá? É bem quente aqui...

—Nós vivemos nossa vida toda aqui. Eu nasci e cresci aqui.

—Então porque foi embora?

—Bem, eu era muito ligada ao meu pai, Henry Mills, e quando ele morreu não vi mais motivos para ficar.

—E sua mãe? Desculpe se estou me intrometendo, eu só queria te conhecer melhor.

—Tudo bem. — Respirei fundo. — Cora Mills e eu não nos dávamos muito bem, e eu queria ter minha chance na vida sem depender do dinheiro dos meus pais. Sabe? Caminhar com meus próprios pés. E depois que me formei na minha universidade, fiz uma viagem a New York e me encantei pelo lugar. Conheci gente influente que conseguiram um lugar para mim na Vogue e assim fui crescendo.

—Mas você sente falta daqui?

—Sinto. — Sorri – Lembro-me da minha infância.

—Seus pais também são daqui?

—Meu pai nasceu em Cuba. Os pais deles eram americanos e quando ele nasceu eles moravam em Cuba, mas ainda com ele pequeno, vieram para Miami viver aqui, na parte latina.

—Little Havana? — Assenti. — Quer dizer que sabe falar espanhol?

—Nasci e cresci em Little Havana, apesar de termos muito dinheiro, meu pai sempre foi humilde. E sim, Swan. Sei falar espanhol.

—Ele trabalhava com o que?

—Ele era dono de uma rede de restaurantes cubanos bem famosos por aqui. Quando ele morreu, em testamento, Zelena ficaria responsável por administrar os restaurantes e eu ficaria cuidando da parte financeira. Mamãe acabou ficando responsável por tudo, já que Zelena e eu preferimos seguir adiante.

—Gostaria de visitar um de seus restaurantes. — A loira sorriu sincera.

—Não são meus. — Virei à esquina da rua onde minha mãe morava com meu padrasto. — Chegamos.

—Wow! Coral Gables, a área nobre de Miami.

Paramos em frente a casa branca, com estilo moderno e requintado. Ao redor da casa, observava-se um jardim invejável. Descemos do carro, e mamãe logo saiu da casa de braços abertos para nos receber.

—Minha garotinha! — Cora me abraçou ternamente. — Senti tanto a sua falta.

Não podia negar que havia sentido falta da mais velha. Apesar das nossas brigas, ela era uma boa mãe e uma boa pessoa. Emma estava com Henry, ainda dormindo em seu colo. Sorri para ela com ternura.

—Onde está Robin? — Cora perguntou, notando o meu olhar para Emma.

Zelena apareceu saindo da casa e logo atrás dela vinha Graham, o noivo de mamãe. O rapaz deveria ter a nossa idade, mas a amava verdadeiramente. Ele é detetive de homicídios da polícia de Miami, e apesar da idade, é bem respeitado na região.

—Mamãe, Robin e eu não estamos mais juntos.

—Como assim? — Ela arregalou os olhos. — O que houve? E quem é ela?

—Não seja indelicada, meu amor. — Graham se pronunciou.

Zelena olhou-me com medo. Vi nos olhos dela a súplica para que eu não contasse.

—Emma Swan. — A loira, ainda com o garotinho no colo, estendeu a mão livre para mamãe. — Sou amig...

—Namorada. — A interrompi.

—Sou? — Emma perguntou incrédula.

—Namorada? — Cora fez expressão de desentendida. — Não sabia que você era... gay.

—Sou bi mamãe. Mas podemos por favor entrar? Emma e eu viemos direto da Noruega e estamos mortas das viagens.

—Na verdade, se não for muito indelicado... Estou morrendo de fome, Sra. Mills. — Emma fez careta.

Henry dormia calmamente no colo de Emma. Aproximei-me deles dois e acariciei os cabelos do meu garotinho, deixando um beijo carinhoso em sua bochecha.

—Oh, entrem... — Cora gargalhou e seguiu para dentro. — Henry deve estar muito pesado também!

—Quer que eu o leve, Emma?

—Tudo bem, pode deixar que eu o levo.

Graham e Zelena tiraram as malas do carro e as levaram para dentro. Na casa, Cora botava a mesa com animação.

—Zelena, mostre a Emma o quartinho de Henry. — Zelena obedeceu e a loira a seguiu.

—Quer ajuda mamãe?

—Por favor, querida. — Ela pigarreou. — Conte-me que história é essa de namorada.

—Não comece com sua mania de querer decidir o que eu faço ou não com minha vida. Eu a amo, mamãe.

—Oh querida, eu não ia repreendê-la, queria apenas entender tudo isso. — Cora parou o que fazia e segurou meu rosto nas mãos. — Eu aprendi com meu erro do passado, querida. Quero me redimir. Fico feliz que você tenha encontrado a felicidade, mas quero entender o que aconteceu com Robin.

—Ele me traiu. — A mais velha levou as mãos à boca em surpresa. — Com uma colega de trabalho, muito próxima a mim.

—Que coisa horrível.

Zelena se juntou a nós.

—Onde está Emma? — Perguntei.

—Ela quis tomar um banho antes de almoçar. — Zelena parecia nervosa. — Sis posso falar com você um minuto?

Segui Zelena até o quarto que seria dela, na casa. Ela sentou-se e ficou em silêncio por um bom tempo.

—E então?

—Eu... eu estou grávida. — A ruiva desabou em choro.

—Como assim? Quem é o pai?

—Robin.

Notas finais
Como Regina irá reagir a essa notícia de Zelena? E como será os dias de Emma com a família da morena? Será que Regina irá desvendar alguns segredos pessoais a Emma? E esse "namorada" que ficou no ar? Comentem! Lembrem que tem o grupo no whatsapp, quem quiser participar mandem o número. Sempre rola uuns spoilerzinhos lá.