Notas iniciais
Olá!! Gostaria de dizer que amei os comentários e pedir desculpas por não conseguir respondê-los. Quero agradecer imensamente a recomendação da Claudia, muito obrigada ♥ Agora eu to repondo o tempo que demorei pra postar o último capítulo. Música que eu indico "Waiting - City and Colour"

–Emma-

Trinity School New York, Dia da profissão.

–Será que eles vão gostar de mim, Regina? — Minhas mão suavam frio.

Estávamos sentadas no canto da sala de Henry, enquanto o pai de um colega de Henry falava sobre sua tediosa profissão como contador. Algumas crianças até dormiam, claramente eles o estavam odiando.

–Claro que vão, são só crianças! — A morena estava um pouco grosseira e não tirava os olhos do celular.

Regina parecia estar ocupando a mente com o trabalho. Depois do pedido dela para a levar na viagem comigo e com Henry, ela passou o resto do dia conosco quieta e com uma expressão vazia, só abriu a boca para reclamar da "lata de sardinha" que eu dirigia, e que a qualquer momento poderia passar tétano para alguém. Depois que os deixei em casa, Regina mandou Henry para o banho, e como se ignorasse totalmente minha presença, ela caiu em um choro compulsivo. Deixei-a chorar sozinha por um tempinho e depois me aproximei com cuidado, toquei seu ombro e com um apertão, tentei passar conforto. Perguntei o que havia acontecido e ela me contou o que Robin a fez. Uma raiva insana tomou conta de mim, mas consegui esconder bem e evitei muito contato para que ela não notasse meu incomodo. Acabei por deixar Regina ter um tempo sozinha e fui para minha casa.

–Mas eles podem me odiar... Veja como eles estão odiando esse cara. — Apontei para o contador que ainda falava animado.

–Não vão te odiar, Swan. — Ela fez pouco caso e continuou olhando para o celular.

Juntei as mãos e coloquei entre as pernas como um gesto de uma criança acuada.

–Mas se eles me odiarem, Henry vai me odiar. Isso é importante para o garoto, eu não quero decepcioná-lo. — Pela primeira vez, ela tirou os olhos do celular e olhou-me com ternura.

–Emma, você é incrível. — Ela tomou minha mão mais próxima.

Quando notou o que fez, a soltou, pigarreou e voltou a olhar para o celular. Continuei olhando-a com um sorriso bobo. Deus, o que estava acontecendo comigo?

O contador finalmente terminou e a professora tomou a palavra.

–Agora vamos chamar Henry Daniel Mills para apresentar a sua convidada.

Henry levantou-se bem animado e foi para frente.

–Hoje eu trouxe minha melhor amiga, Emma para falar da profissão dela.

Levantei nervosa quando o garoto apontou para mim. Olhei para Regina com desespero e ela murmurou "vai ficar tudo bem". Parei de frente para todas aquelas crianças exigentes e senti que ia desabar de nervoso.

–Oi... — Um sorriso nervoso apareceu em meu rosto.

Os alunos ignoraram meu oi e continuaram entediados. Droga!

–Me chamo Emma Swan, eu sou fotógrafa documentarista da revista NatGeo. — Uma das criancinhas levantou a mão pedindo a palavra.

Assenti para que ela falasse.

–O que é fotógrafa documentarista?

–É quando você viaja o mundo todo tirando fotos de coisas, pessoas e momentos que contam uma história importante. Coisas que nem sempre podemos enxergar diariamente, e eu tento mostrar isso para todos, até os que não enxergam.

Alguns alunos agora pareceram se interessar e começaram a prestar atenção.

–Eu viajo para muitos lugares. — Continuei. — Conheço culturas diferentes e as vezes passo por situações muito complicadas, por isso a fotografia documentarista é considerada uma das profissões mais perigosas.

Todos os coleguinhas de Henry me olhavam com espanto. A professora colocou para passar no projetor algumas fotos que eu havia levado. A primeira foi uma foto de crianças etiopes bem pobrezinhas brincando com uma bola feita de palha e corda de sisal. Eles sorriam e pareciam bem felizes

–Essas são umas crianças etiopes que estavam jogando futebol na hora que eu estava passando por Omorate, uma cidade na Etiópia. — Eles olhavam impressionados. — Reparem como é a bola e as roupas que eles estavam usando. Lá é uma região bem simples e eles não tem acesso aos mesmos tipos de brinquedos que a maioria de vocês tem. Tudo o que eles usam são feitos a mão por eles mesmos, usando recursos que o próprio ambiente dá a eles.

Eles estavam concentrados em tudo o que eu falava. Olhei de relance para Regina e ela estava olhando-me também com interesse. A professora mudou para uma imagem onde partes de uma cidade antiga estava submersa.

–Ah, eu adoro essa foto. — Sorri lembrando-me da minha aventura submarina. — Esta é a cidade de Shi Cheng na China. Ela foi construída no século 1 d.C., foi inundada em 1959 por causa da criação, que deu errado, de um lago artificial para uma barragem do rio Xin. Agora ela tipo uma Atlântica Chinesa e está submersa a 40 metros de profundidade. Ela é linda.

Um dos alunos levantou o dedo querendo falar.

–Você mergulhou até lá só para tirar fotos? — Um ruivinho com sardas perguntou.

–Sim, e foi uma das minhas aventuras preferidas. — Assenti para que a professora mudasse a imagem. — Ah, essa é uma das fotos que eu mais gosto.

Era a foto de um urso polar deitado com seus filhotes por baixo de seu corpo.

–Essa foto foi tirada no Alasca. Eu fui só para tirar foto deles e tive que passar quase um dia inteiro escondida na neve, a espera dessa mãe sair da caverna com seus filhotes. Passei muito frio, foi horrível. Mas no final, valeu a pena. — Sorri lembrando.

–Bom é isso, pessoal. — A professora falou. — Obrigada Emma.

Voltei para meu lugar ao lado de Regina. Ela sorria largamente.

–Viu, não foi tão ruim no final. — A morena tinha uma sobrancelha erguida.

–Não foi...

Fomos interrompidas pela professora que perguntou aos alunos qual profissão eles gostariam de seguir depois de todos que assaram por ali. A maioria respondeu que queria ser fotografo documentarista. Mas a única criança que realmente importava para mim era Henry Mills.

[...]

Na volta para casa, paramos no Central Park para tomar um sorvete. Sentamos os três em um banco olhando a paisagem, em silêncio. Minha cabeça dava voltas. Eu finalmente estava me sentindo em casa, meu lar era Henry e Regina.

–Eu amo você, garoto! — Deixei escapar.

Henry olhou para mim e sorriu com um brilho nos olhos. Sorri de volta e o abracei de lado. Regina nos observava em silêncio. Uma vontade insana de tocar aquela mulher, tomou conta de mim. Eu precisava senti-la.

–Você é minha melhor amiga do mundo, Emma. — Aquele menininho de cabelos castanhos havia conquistado meu coração.

–Henry, vamos para casa... Eu preciso resolver uns assuntos com meu advogado e sua tia Zelena quer conversar comigo. Ela já está nos esperando no apartamento. — Regina levantou-se e puxou o filho. — Passe bem Swan.

Ela deu as costas e saiu andando com o filho. Antes que eles tomassem distância, Regina parou e virou-se para mim.

–Obrigada, Swan. Por tudo. — Ela foi sincera.

–Regina-

–Zelena, fala logo o que você tem para falar.

Havíamos chegado no apartamento e Zelena estava a nossa espera dizendo ter algo para me contar. Ela parecia estar bem nervosa. Mandei Henry tomar banho e ir jogar videogame no quarto dele, para podermos conversar a sós. Mesmo assim Zelena estava enrolando.

–Sis, eu sinto muito que Robin tenha feito aquilo com você. Eu estou me sentindo tão mal...

–Não se preocupe. — Estava com uma taça de vinho na mão fazendo movimentos circulares com o líquido. — Eu vou superar bem rápido... Não sou tão idiota de ficar sofrendo por um homem que foi um grande cafajeste.

–Eu... Regina se você soubesse com que foi que ele te traiu, o que você faria?

–Não sei... acho que nada. O que quer que eu faça? Arranque o coração dela? — Zelena suava frio e demonstrava que estava nervosa. — Sis, o que foi que aconteceu que você está assim?

–Regina, você vai me odiar pelo que vou te falar mas eu estou me sentindo tão mal que...

–Fale logo, mulher!

–Era comigo que Robin estava tendo um caso.

–O QUE?

–Desculpa, Sis, me perdoa. — Ela tentou pegar minha mão mas eu a puxei. — Eu juro que não foi por mal. Acabei me apaixonando por ele e ele foi dando entrada e eu me deixei levar... depois ele disse que me amava mas não podia terminar com você ainda e eu me vi presa a ele.

–Saia da minha casa... — Ouvir aquilo de minha irmã doeu.

Muito mais horrível do que ouvir que meu marido estava tendo uma caso, foi ouvir de minha própria irmã, que ela era a amante dele.

–Sis, me perdoa por favor... eu terminei tudo com Robin.

–VÁ EMBORA. — Dessa vez eu gritei.

Ela se assustou com meu grito e ficou um pouco surpresa. Sem dizer nada, ela seguiu em direção a porta. Percebi que ela estava chorando baixo quando ela passou por mim, mas a raiva estava tão grande que pouco me importei.

Será que minha vida poderia piorar mais, em menos de 72 horas?

O meu celular tocou, eu não queria atender mas acabou sendo por reflexo.

–Regina?

–Swan?

–Regina, desculpe ligar essa hora mas... Henry está em meu apartamento.

–Como? Eu acabei de deixá-lo no quarto jogando videogame.

–Pelo que ele me contou, parece que ele ouviu sua conversa com sua irmã e fugiu pela janela... ele chegou aqui pedindo ajuda para bater no Robin.

–Oh Henry...

–Eu até o levaria de volta para casa, mas ele nem sabe que eu te liguei, ele acha que vamos mesmo bater em Robin. — Gargalhei fraco.

–Ok, estou indo. Obrigada por ligar, Swan.

–Ahn, Regina?

–Sim?

–Eu também amo você... — Gargalhei.

–Como é?

–Quer dizer, como amiga... Assim como Henry. — Ela soltou uma gargalhada nervosa.

–Ok..

–Ok.

–Tchau, Swan.

–Até logo, Regina.

Notas finais
Eita e essa declaraçãozinha da Emma? Como será que Regina vai reagir a isso a partir de agora?