Notas iniciais
Voltei galera! Música desse capítulo "Someday - Two Door Cinema Club"

–Emma-

Apartamento de Emma, Nova York.

–Ei garoto, vou fazer um chocolate quente com canela para nós. — Segurei o ombro do garoto. — O que acha?

–Achei que nós fossemos bater em Robin...

Ok, agora eu tinha que distraí-lo até Regina chegar. Sentei-me ao seu lado e respirei fundo.

–Sabe, garoto... Os adultos são bem confusos, você não acha melhor deixar que sua mãe resolva isso por ela mesma?

–Mas ela está sofrendo Emma! Não é você que tem a visto chorar antes de dormir. Ela se mostra forte na frente de mim e das pessoas, mas quando ninguém está vendo ela desaba sozinha. E agora eu sei de quem é a culpa...

Ouvir Henry falar aquilo acabou comigo. Pensar em uma Regina frágil e despedaçada era quase um tiro no coração. Agora, a ideia de ir bater em Robin não era tão idiota.

–Ela perdeu praticamente todos que amava, Emma. Ela perdeu meu avô Henry, a minha avó, Cora, nunca a deu valor... — Ele respirou fundo e soltou um ar pesado. — Ela perdeu meu pai. Só resta eu. E agora, eu te peço que não desista dela, Emma. Ela precisa e uma amiga como você. Ela ganha vida quando falam seu nome.

Aquilo me pegou de surpresa. Abaixei até a altura do garotinho e olhei no fundo de seus olhos.

–Henry, eu prometo que não vou desistir dela. Sua mãe é tão importante, para mim, quanto você. Mas você tem que me prometer não se meter nessa história e deixar que sua mãe resolva. Eu prometo que estarei ao lado dela caso ela precise. — Toquei o narizinho dele carinhosamente.

–OK, prometo.

–Beleza! — Levantei e comecei a preparar o chocolate. — Porque eu liguei para sua mãe e ela está vindo.

–Sua traidora! — Ele brincou com um sorriso sapeca.

Cai na risada junto com ele.

–Emma... eu percebi que tem umas fotos suas com um garotinho pela casa toda. Quem ele é?

As batidas do meu coração aceleraram e minhas pernas e braços ficaram fracos. Deixei a leiteira que segurava cair. Nesse momento a campainha tocou.

–Deve ser sua mãe... — Corri para a porta com esperança de fugir daquele assunto.

Abri a porta e Regina estava impecável parada na porta. Seus olhos estavam inchados de um recém choro. Sorri para ela e dei passagem para que ela entrasse.

–Henry? — Ela chamou.

O menininho correu para seus braços.

–Oh meu amor, me desculpe... — Ela tornou a chorar.

–Desculpe ter fugido, mamãe.

–Está tudo bem agora. — Ela beijou o alto de sua cabeça.

Regina secou as lágrimas e retomou sua postura.

–Obrigada Emma.

–Não precisa agradecer...

Regina olhou ao redor do apartamento e quando olhou na direção da cozinha, reparou na leiteira caída no chão.

–Está tudo bem por aqui? — Perguntou desconfiada.

–Esta si... — Henry me interrompeu.

–Eu perguntei a Emma sobre o garotinho que está com ela nas fotos e ela derrubou tudo.

Regina pousou seu olhar penetrante nos meus. Engoli o nó que se formou em minha garganta.

–Henry, querido, eu já lhe pedi que não fizesse perguntas indiscretas às pessoas.

–Mas pensei que já que Emma é minha amiga ela poderia me contar... — Ele abaixou a cabecinha, claramente decepcionado.

Aquilo cortou meu coração. Sem nem ao menos pensar acabei falando.

–É meu filho... nas fotos.

–Você tem um filho? — O garoto estava boquiaberta.

Olhei para sua mãe e vi que ela também estava chocada.

–Tinha. — Sorri sem vontade. — Ele morreu.

–Sinto muito, Emma. — Regina.

–Quantos anos ele tinha e qual era o nome dele? — Henry ainda curioso, continuou.

–Henry, já chega!

–Não, tudo bem Regina... — Sentei na poltrona mais próxima. — Ele se chamava Roland. Tinha 2 aninhos quando morreu.

–E como ele morreu?

–O... pai dele. — Pigarreei. — Ele o matou.

–Como é?? — Dessa vez Regina se manifestou.

–O pai dele bebia muito, e um dia ele resolveu sair bêbado com nosso filho no banco de trás. Ele perdeu a direção e o carro derrapou, colidiu com outro carro que vinha na pista. O homem que dirigia o outro carro morreu na hora, e meu filho também. Só o infeliz do Killian viveu. Nunca o perdoei. — Senti como se um peso de anos saísse de mim.

Não costumava comentar sobre isso, muito menos contar sobre o que ocorreu com ninguém. Senti as lágrimas escorrerem por meu rosto.

–Eu sinto muito, Emma. Desculpa te perguntar mais sobre, mas um fato me deixou curiosa... O nome de seu ex marido era Killian Jones?

–Sim, como você sabe? — Regina levantou-se inquieta.

A morena pegou as coisas e puxou o filho.

–Vamos Henry.

–Espere, o que aconteceu? — Perguntei confusa.

–O homem que seu ex marido matou, foi Daniel. Pai de Henry.

[...]

Os primeiros raios de sol passavam pela janela do meu quarto e eu continuava acordada, na mesma posição que havia deitado na noite anterior. As palavras de Regina ainda ecoavam na minha cabeça. Killian havia conseguido me destruir duas vezes. A primeira foi quando ele matou nosso menino, a segunda foi ontem, quando descobri que ele havia destruído a vida das duas pessoas que eu mais amava.

A forma como Regina olhou-me antes de sair ainda passava pela minha memória. Senti toda a dor daquele olhar.

O grito estridente do despertador tirou-me de meus pensamentos. Peguei o aparelho celular na mesa lateral e olhei o visor. As finas linhas brancas do tipo enfeitavam a tela marcando oito da manhã. Resolvi levantar e fazer minha higiene para dar uma passada na editora e ver como anda a nova edição da revista que viria com as fotos do Irã.

–Regina-

Editora Vogue – 8h30.

Cheguei na empresa cedo como fazia quando algo atormentava minha mente. O silêncio estava instalado na minha sala, o que facilitou para que minha mente borbulhasse em pensamentos passados. A raiva que eu havia sentido a muito tempo voltou com força. Minha vontade era descontar tudo o que eu passei e sofri com a morte de Daniel, em Emma. Mas ela não tinha culpa, afinal, ela também era uma vítima. O remorso por ter saído daquele jeito do apartamento da loira na noite anterior começou a surgir.

Uma batida na porta tirou-me dos devaneios. A figura de Zelena surgiu.

–Sis, podemos conversar?

–Não é um bom momento. — Fechei a cara. — Pode se retirar, por favor.

–Regina, em algum momento nós temos que conversar. — Ela sentou-se na cadeira a frente da minha mesa. — Eu já pedi desculpas mil vezes, eu não controlo o meu coração, e acabei me apaixonando por Robin. Eu sei que deveria ter falado sobre isso com você antes de te trair desta forma... Regina?

O choro incontrolável se iniciou. Não era sobre Robin e Zelena, agora isso pouco importava, era sobre as nódoas do passado voltando a aparecer.

–Regina, não chora, me perdoa irmã. — Zelena me abraçou e eu aceitei o carinho. — Eu me sinto péssima Sis.

–Não é sobre você e Robin... É sobre Daniel.

–Daniel? O que houve?

Respirei fundo tentando me acalmar e iniciei a história superficial que Emma havia contado.

[...]

Eram duas da tarde e eu ainda não havia saído para almoçar. Conversei com Zelena por um bom tempo e acabei a perdoando. Claro que a nossa relação não seria a mesma de sempre. A confiança foi quebrada e se recuperaria aos poucos.

A porta foi aberta e minha assistente, Ruby, entrou.

–Srta. Mills, tem uma mulher querendo falar com a senhorita. — Estranhei.

–Mulher? Quem?

–Ela disse que se chama Swan. — Senti um frio engraçado na barriga.

–Mande-a entrar, por favor.

Ruby assentiu e saiu. Olhei o meu reflexo pela tela do celular, para checar se a imagem de choro havia se apagado completamente do meu rosto. Swan deu duas batidinhas à porta e entrou.

–Ei. — Fechou a porta atrás de si. — Desculpe chegar aqui assim...

Apontei para a cadeira de frente para a minha.

–Não será necessário. — Ela negou. — Obrigada, mas eu só vim me desculpar.

–Desculpar-se pelo que, Swan?

–Pelo que Killian fez a você e Henry. — Ela foi sincera e pude ver sua feição de culpa.

Emma escondeu o rosto para que eu não a visse chorar, mas foi em vão.

–Ei, Emma... — Levantei e fui até ela.

Agachei ate alcançar sua altura e tomei seu rosto nas mãos, puxando-o para que ela me olhasse.

–A culpa não foi sua. — Essa Emma vulnerável eu ainda não conhecia.

A Emma que estava sempre em vista para mim era a destemida, aventureira, sensível e corajosa. Mas agora, eu estava de frente para a Emma despedaçada. Todas as suas feridas estavam ali, abertas e entregues a mim.

Senti sua respiração pesada se misturar com a minha. Nossos rostos estavam muito próximos, e ela se aproximava cada vez mais. Escolhi ficar parada e me entregar ao q eu imaginei que estava por vir. Cada partícula dentro de mim estava em agitação. Era como se aquele momento estivesse sendo esperado por mim a muito tempo. O tempo que levou até que a boca de Emma ficasse a centímetros da minha, parecia uma eternidade.

Uma batia brusca à porta fez com que nos afastássemos com um susto. Ficamos um tempo olhando nos olhos uma da outra, com ambas as respirações descompassadas.

–Eu preciso ir... — Emma não esperou minha resposta, e saiu como um furacão.

Zelena que já estava pronta para bater novamente à porta, ficou olhando Emma se afastar sem entender nada.

–O que houve? — Ela perguntou.

–Eu, eu... — Deixei o meu corpo cair em minha cadeira com um baque. — Quase a beijei!

–OI? — Zelena sentou da mesma forma que eu.

–O que deu em mim? — tapei o rosto com as mãos.

–Mas é claro! Como não percebi antes...

–Do que está falando?

–Você está apaixonada pela cosmopolita.

–Está louca? — Arregalei os olhos.

–Sis, você está negando tanto a si mesma esse sentimento, que acha absurdo quando digo. — Ela se levantou e seguiu para a porta. — Pense bem, veja os sinais.

Zelena saiu da sala satisfeita, e eu permaneci com certo desespero.

Será que Zelena tinha razão? Não, é impossível...

–E Emma nem deve gostar de garotas. — Falei para mim mesma.

[...]

Passei a chave na fechadura do meu apartamento e abri a porta. Tudo o que eu precisava era de um descanso decente. Adentrei no apartamento e vi Robin sentado no sofá.

–Robin?

–Regina. — Ele se levantou e veio até mim. — Eu vim pegar umas roupas minhas que ficaram por aqui, mas resolvi te esperar voltar para conversarmos. Onde está Henry? Estou com saudades dele.

Hoje, com toda certeza, não era meu dia.

–Não quero conversar, Robin. Henry está com Emma.

–Regina, me desculpa... eu pirei quando vi aquela loira enxerida roubar minha família de mim.

–Você mesmo perdeu sua família. — O interrompi com frieza.

–Regina, por favor, eu sei que errei mas eu prometo que vou fazer de tudo para tentar reparar meu erro.

–Não Robin... — Abri a porta para ele. — Saia!

–Regina...

–VOCÊ NÃO ME FAÇA DE TROUXA, ESTÁ OUVINDO? — Apontei-lhe o dedo. — SAIA!

Ele obedeceu e seguiu para fora.

–Eu não vou desistir... Vou te reconquistar, Regina. — Disse antes de sair.

–Boa sorte. — Bati a porta e respirei fundo.

Notas finais
Será que Robin vai convencer Regina a voltar para ele? E sobre os sentimentos de Regina por Emma? Comentem!