High Key

11 Parece que há oceanos entre você e eu


Notas iniciais
Briguem comigo pela demora, eu mereço. Em minha defesa, minha vida profissional virou um caos de tanto trabalho. Mas eu não esqueci vocês, até porque as meninas do grupo no whatsapp ficaram me cobrando o capítulo toda semana hahah Vamos ao que interessa... Esse capítulo ta cheio de emoções, mas tem SwanQueen ♥ A música do capítulo é "Oceans - Seafret" Boa leitura.

—Emma-

John F. Kennedy International Airport, New York – 4 de Janeiro9h00.

Era triste ter que partir agora, tendo tantos motivos para ficar. Mas eu ainda tinha que fazer meu trabalho, e eu o amava.

O ano novo, que passei em Paris com Regina e Henry, foi maravilhoso. Regina e eu estávamos mais íntimas e parecendo duas adolescentes apaixonadas. Claro que Henry ainda não sabia de nada exatamente, mas estava só alegria por ter sua mãe e sua melhor amiga se dando tão bem.

Estava empurrando meu carrinho de bagagens pelo aeroporto, com Henry sentado em uma das bagagens, em cima do carrinho e Regina ao meu lado com certa tristeza no olhar.

—Emma, promete que vai mandar cartas? — Henry pediu animado. — E vai trazer algo de lá para mim.

—Henry! — Regina repreendeu.

—Prometo que vou escrever e trazer presentes, garoto.

—E a gente promete escrever de volta. — Henry falou. — Num é mãe?

—Isso mesmo filho.

—Eu não entendo porque nós não podemos fazer Skype. — Reclamei. — Não é todo lugar que é desolado.

—Cartas são mais expressivas e emocionantes! — Henry.

—Mas podemos fazer Skype algumas noites, sim. — Regina bagunçou os cabelos do garoto com a mão.

-Podemos. — Concordei olhando-a nos olhos.

—Ei, querido, porque você não vai alí na loja de doces e compra algumas jujubas? — Regina entregou dinheiro ao garotinho.

Henry comemorou e correu para a loja de jujubas, deixando Regina e eu sozinhas. Ela olhou-me com tristeza.

—Vou sentir sua falta. — Lamentou.

—E eu vou sentir muito a sua também. — A puxei pela mão para um abraço apertado.

Capturei qualquer cheiro para criar uma memória bem longa da morena em meus pensamentos.

—Eu amo você. — Falei.

—Volte inteira pra mim. — Regina me beijou com calma, como se quisesse que eu guardasse a sensação do toque de seus lábios nos meus.

Nos separamos e eu ouvi anunciarem meu voo. Chamamos Henry, e eles dois me levaram até o portão de embarque e se despediram com abraços calorosos.

[...]

—Regina-

1 semana depois — New York.

Emma e eu vínhamos trocando pouquíssimas mensagens por celular durante a viagem dela. Algum locais por onde ela ia no Nepal não tinham sinal e isso fazia com que nossas conversas por sms se resumissem a: "Regina [6 de janeiro]: Estou com saudades" "Emma [9 de janeiro]: Também estou :("

Tenho tentado distrair da minha saudade através do trabalho e de Henry, que vem crescendo bastante e mudando muito sua personalidade. Parte dessa mudança se deve a Emma, que acendeu uma pequena faísca no coração de Henry, e vem a alimentando desde então.

Nós não recebemos nenhuma carta de Emma, mas ela havia me avisado que pelo Nepal ela teria muito trabalho a fazer. Enquanto ela desbravava o pais, aqui em NY, Henry e eu temos passado muito tempo com Mary e David. Todos os domingos almoçamos em família, cada semana em uma casa. Depois de muito tempo, consegui finalmente ter uma família.

—Sis, olha quem encontrei perdido lá embaixo. — Zelena entrou com Henry ao seu lado.

Depois que retornamos da França, Emma conversou comigo sobre perdoar Zelena. Segundo ela, o destino controla tudo, se isso ocorreu, foi por algum motivo que agora não podemos entender. Logo após essa conversa, a relação entre Zelena e eu melhorou muito.

—Oi meu príncipe. — Peguei meu garotinho no colo e o beijei.

—Mamãe, a carta de Emma chegou! — Ele levantou um envelope na mão.

—Vamos ler? — Perguntei.

"Queridos Henry e Regina,

Estou em Katmandu, a capital do Nepal. A cidade é incrível, mas é triste ver o que o último terremoto que os atingiu causou. Famílias perdidas e lares destruídos por onde passo vem destruído meu coração. Entrei como voluntária em um abrigo e aproveito para fazer as fotos da situação alarmante da capital para tentar conscientizar o resto do mundo, de que precisamos uns dos outros para acabar com toda essa tristeza, ou ao menos amenizá-la. Ainda irei passar um bom tempo por aqui ajudando e trabalhando. Há lugares maravilhosos para conhecer por aqui, a cidade tem muitos templos budistas e adivinhem... Eu me tornei monge por dois dias (há uma foto minha, meditando muito, dentro do envelope). Em uma manhã um monge que estava me ensinando um pouco da língua hindu, me levou para conhecer o parque de Langtang e nós fizemos uma trilha muito longa a qual ele chamava de 'caminho da purificação'. Espero estar bem purificada depois de andar tanto. Estou morrendo de saudades de vocês dois, estou contando os dias para voltar e passar uma semana inteirinha na casa dos Mills.

Com amor,

Emma"

Peguei a foto a qual Emma se referiu, dentro do envelope e mostrei a Henry. Emma estava vestindo um vestido azul marinho, longo e todo florido. Os cabelos estavam presos em um coque desajeitado, e seus pés estavam descalços. Ela estava sentada em uma pose de meditação ao lado de dois senhores de muita idade com barbas muito longas, que estavam na mesma pose que ela. Seus rostos, inclusive o de Emma, estavam pintados por uma tinta laranja e em suas testas uma pinta de tinta vermelha bem ao centro.

—Mamãe vamos escrever de volta para ela! — Henry correu para a estante pegar papel e caneta.

Peguei a caneta e o papel da mão do Henry e sentei-me junto com ele à mesa para escrever. Iniciei a carta com minha caligrafia elegante. Henry ia pontuando tudo o que deveria ser escrito da parte dele.

Contamos o quanto estávamos próximos aos Swan, como uma família, e isso me agradava muito. Escrevi também sobre como estávamos com saudades e não víamos a hora dela voltar.

Embrulhei a carta e enfiei em um envelope branco. Atrás escrevi o endereço de onde havia vindo a carta de Emma, selei e coloquei na caixa postal. Henry seguiu para a casa de Zelena, que também estava mais próxima ao sobrinho. Ela tomava conta dele quando eu fazia horas extras no trabalho.

[...]

00:50 – Editora Vogue.

Estava em minha sala estudando layouts para o editorial da próxima edição da revista. Foi quando recebi uma mensagem: "Zelena: Sis, veja o noticiário da BBC News agora!"

Obedeci, e liguei a tv com uma certa aflição. Foi quando vi um dos repórteres de campo em um lugar totalmente destruído, muita gritaria e poeira. Embaixo da tela aparecia: "Novo abalo sísmico no Nepal, de magnitude 7.0, mata milhares de pessoas."

Meu coração parou. O reflexo que eu tive, foi de pegar o celular e discar o número da Emma.

O primeiro silvo. O segundo silvo. Terceiro, quarto, quinto silvo, e nada de Emma.

Entrei em choque, só conseguia pensar no pior. O celular vibrou em cima da mesa.

"Alô? Emma?" — Atendi desesperada.

"Regina, é Mary. Você também viu? Eu estou desesperada, não consigo falar com Emma!"

"Eu também tentei e não consegui, Mary."

"Oh meu deus! Minha filhinha..."

"Calma, Mary. Emma é a pessoa mais forte que eu já conheci, ela vai voltar bem para nós." — Eu queria mesmo acreditar em minhas palavras.

—Emma-

Katmandu, após o terremoto.

O zunido de destruição ainda estava em meu ouvido. Tudo estava embaçado e havia poeira por todo lado. Tudo estada destruído. Por pouco, havia conseguido salvar a bolsa com as câmeras, mas o resto havia se perdido. Andei sem rumo escalando montanhas de escombros, ouvindo gritaria por todo canto. Horror, era a palavra que descrevia o que estava ao meu redor. Olhei a mim mesma para checar se eu estava ferida, mas no máximo estava bem suja e com a camisa rasgada.

Ouvi um grito abafado e corri até o local de onde vinha o som. Vi uma mulher gritando de dor, e ao olhar para sua perna, vi que ela havia perdido parte do músculo da perna. Olhei ao meu redor e não vi socorro.

—Calma senhora, vou te ajudar! — Arranquei minha camisa bege de botões, ficando somente de regata branca, e a amarrei um pouco acima do ferimento da mulher para tentar estancar o sangue.

—Ajuda! — Ela gritou apontando para os escombros.

—O que? Tem mais alguém lá?

—Ajuda! — Ela estava prestes a desmaiar.

—Calma, não se desgaste, eu vou ajudar. — Fui até o ponto o qual a mulher havia apontado e ouvi um choro abafado.

Uma criança estava soterrada. Usei o flash da câmera para vê-lo melhor debaixo de toda poeira, e percebi que era apenas um bebê com pouco mais de 2 anos, que por sorte estava em um espaço mínimo entre os escombros. Na mesma hora a imagem de Henry e Roland.

Comecei a retirar as pedras que me separavam do garotinho, eram muitos escombros mas eu não iria desistir dele. Mantinha o ritmo frenético de retirar as pedras do caminho.

—Senhora! — Uma voz abafada atrás de mim. — Senhora, nós somos do bombeiro, pode deixar!

Afastei-me, mesmo desnorteada. Olhei para a mãe do garotinho caída no chão. Haviam vários bombeiros ao redor dela e um dos paramédicos avisou sobre a morte da mulher. Levei as mãos até a cabeça em desespero. Tudo ao meu redor pareceu girar.

Olhei para o local onde os bombeiros tentavam tirar o garotinho e lá estava ele no colo dos bombeiros pedindo por sua mãe.

—Senhora, está tudo bem? — Um dos bombeiros perguntou.

—Sim. como ele está?

—Bem, ele praticamente nasceu de novo. —

—Mas e sem a mãe dele, o que vai acontecer com ele?

—Vamos mandá-lo para um orfanato.

—Eu quero ficar com ele até ele sair do hospital, então.

[...]

—Regina-

New York, 10h depois.

O quarto estava escuro e climatizado em meu quarto. Era só como eu conseguia ficar. Minhas mãos mesmo com o ambiente gelado, estava suando. A cada minuto eu olhava para o celular para ver se Emma havia dado algum sinal, mas nada havia. Era torturante ficar nesse estado sem fazer nada.

Eu iria até Emma. Pulei para fora da cama e comecei a fazer as malas.

—Regina? — Zelena entrou no quarto. — Mary ligou e disse que não teve notícias de Emma ainda, mas mandou dizer que Henry saiu com David. Ele estava perguntando muito sobre Emma, e eles acharam melhor distraí-lo mais... Regina, o que está fazendo?

—Arrumando as malas. — Fechei a mala e comecei a me vestir. — Ligue para o piloto do jatinho particular da Vogue, e diga que ele irá me levar ao Nepal.

—Regina, você está louca? A cidade em que Emma está ficou completamente destruída, os aeroportos de lá estão todos fechados.

—Mas ele poderá me levar a uma cidade vizinha e eu me viro para chegar em Katmandu.

—Ok, então irei com você. Tenho um amigo que trabalha nas forças armadas e está ajudando no Nepal, ele vai conseguir nos levar até Katmandu.

—Obrigada Zelena. — Abracei-a forte.

—Você a ama de verdade, você nunca amou assim desde Daniel. Não vou deixar minha irmãzinha perder o amor da sua vida de novo.

—Eu a amo demais.

—Vou avisar a Mary e ligar para o piloto.

[...]

Patan— Nepal.

Estávamos em um Jeep militar à caminho de Katmandu, junto com o tal amigo de Zelena.

—Então, o que trouxe a editora-chefe da Vogue até o Nepal, em meio a esse caos? — Ele perguntou.

—Minha irmã está atrás do amor da vida dela que estava trabalhando em Katmandu. — Zelena respondeu.

Minha cabeça estava muito focada em meus pensamentos para dar atenção ao fuzileiro.

—Que bela declaração de amor. Espero que ele esteja bem. — Foi sincero.

—Ele não. — Respondi seca. — Ela.

—Ah... — Ele ficou constrangido.

—Eu espero que ela esteja bem também, porque eu não tive tempo de dizer que a amo. — Rendi-me as lágrimas.

—Estamos chegando, segure suas lágrimas para o reencontro com ela, madame.

Entramos na cidade de Katmandu. Eu olhei ao redor e foi como um baque. Agora eu tive noção do que Emma tanto queria dizer sobre o trabalho dela. Havia muita coisa escondida dos olhos de muita gente. Só consegui sentir mais empatia e orgulho por Emma.

—Essa é a base militar e onde fizemos o hospital improvisado para ajudar as pessoas, já que a cidade foi inteiramente destruída. — Olhei ao redor e vi em uma área os corpos cobertos. — São os mortos.

Era a cena mais horrível que já tinha visto.

—Ela deve estar por aqui, bom, ou no hospital ou infelizmente no meio dos corpos.

Zelena deu uma cotovelada no homem.

—Quer dizer, ela deve estar bem! — Ele tentou se consertar.

Descemos do veículo e fui correndo até o hospital improvisado, procurar por Emma. O lugar era um tipo de acampamento, o tal hospital ficava em uma enorme tenda, mas eram tantos feridos que mal cabiam dentro da tenda, e alguns tinham que ficar em barracas do lado de fora. Era um cenário desesperador.

—Regina, vem, ele vai ver com um dos médicos se tem algum registro de Emma. — Assenti e segui Zelena e o militar.

—Ei, pode ver na sua lista se você encontra alguma... qual o nome dela? — O militar perguntou.

—Emma Swan. — Minha voz saiu quase inaudível.

—Desculpe, qual nome você disse? — O amigo de Zelena pareceu surpreso e confuso.

—Regina? — Meu coração acelerou e pude sentir um frio estranho na barriga.

Aquela voz...

—Emma... — Virei-me lentamente e deparei-me com a figura de Emma. Ela estava toda suja e um pouco ensanguentada. Estava usando uma regata branca, que agora estava cinza por conta da sujeira, e uma calça cargo, verde militar.

—Emma? — O amigo de Zelena estava com uma expressão desesperadora.

—Killian? O que está acontecendo aqui? — Emma estava sem reação.

Ignorei tudo o que estava me rodeando e corri até Emma, e pulei em seu colo, me entregando as lágrimas. Emma segurou-me pela cintura com seus braços fortes.

—Eu pensei o pior... por deus, Emma! — Beijei-a na boca como se tudo dependesse daquilo.

—Eu senti tanto a sua falta. — Ela olhava-me nos olhos com um sorriso lindo no rosto. — Só consegui pensar em você e Henry o tempo todo.

—Eu te amo, Emma Swan.

—Oi? — Ela gargalhou e ajeitou uma mecha de cabelo que caía em meu rosto. — Esperei tanto ouvir isso de você. Eu também te amo.

Ouvimos um pigarro.

—Então, eu posso entender o que é isso? — O tal Killian estava olhando com um pouco de raiva.

—O que você tá... — Emma estava com um semblante bem sério.

—Não sabia que agora você gostava de mulheres, agora.

—O tempo passa, as coisas mudam. — Ela respirou fundo e sorriu sem graça para mim.

Passou as costas da mão pelo meu rosto com carinho.

—Quem ele é? — Perguntei.

— Meu ex-marido.

[...]

Estávamos Emma e eu na tenda que ela havia armado para "morar". Havia somente uma cama de solteiro um pouco velha, uma mesa improvisada, com inúmeros documentos e suas câmeras em cima. Depois do encontro nada agradável com o homem que matou meu primeiro marido, emma procurou me tirar de perto dele o mais rápido o possível. Talvez tenha sido medo de que eu fizesse algo contra ele, ou que ela própria fizesse.

—Eu tentei ligar, mas nada funciona aqui. — Emma disse depois de muitos minutos em silêncio.

—Eu não consegui ficar lá sem fazer nada, e você aqui.

—Do melhor jeito Regina Mills de ser. — Ela riu. — Eu ia voltar hoje, mas não consegui deixar essas pessoas passarem por isso que estão passando, lá fora, sem fazer algo.

—Do melhor jeito Emma Swan de ser. — Olhei-a profundamente nos olhos.

Emma se aproximou lentamente e beijou-me com cuidado. Subi minhas mãos pelo seu pescoço até sua nuca, e a segurei firme para que ela não se afastasse. Emma me empurrou até a mesa de trabalho improvisada e me ergueu até que eu sentasse sobre ela, sem interromper o beijo. Desci minhas mãos ate a barra da blusa dela e a tirei. A loira iniciou um caminho de beijos pelo meu pescoço, fazendo minha cabeça cair levemente para o lado. Abri os olhos por um momento e acabei lendo um dos documentos em cima da mesa. "Declaro Emma Swan apta para tomar a guarda de Timo Khalil como seu filho até maiores avaliações."

—Regina, eu ia te contar quando voltasse...

Notas finais
Eita, e agora? Como Regina vai reagir a isso? E como será que vai ficar a história de Killian? Comentem que eu prometo que posto mais rápido! Hhahaha Mandem por comentário ou mensagem o número de quem quiser participar do grupo no wpp.