High Key

12 Deciding where to die and deciding where to fight


Notas iniciais
Voltei! E dessa vez nem demorou tanto né? Ok, vamos ao capítulo. Inspirado na música: "Eu não tenho um barco, disse a árvore! - Cícero." Dedico esse capítulo as meninas que me animam tanto a escrever: Lua, Thammy, Thais, Helena, Beatriz e Gi.

—Emma-

Katmandu – Nepal.

A expressão de Regina não era nada boa. Ela me empurrou para longe dela e desceu da mesa.

—Emma! Você adotou uma criança? O que você tem na cabeça?

—Regina, calma... A mãe dele morreu na minha frente eu eu...

—Emma, você vive sua vida louca viajando por um monte de lugares perigosos. Com quem você acha que essa criança vai ficar? — Ela estava histérica. — Porque eu não vou deixar você colocar a vida de uma criança em risco nessas suas viagens insanas.

—REGINA! — Eu gritei — EU NÃO POSSO DEIXAR ELE IR PARA UM ORFANATO EU SEI BEM O QUE É VIVER EM UM!

Regina suavizou a expressão.

—Como é? Você viveu em um? — Ela fez aquela expressão de pena que eu odiava. — Você é adotada...

—Sou, e odeio essa carinha de pena que todos fazem! — Virei o rosto para não encará-la. — Não preciso de pena. Eu não sou religiosa e nem sei se existe um deus. Prefiro acreditar em forças do universo, e essas forças me trouxeram a Mary e o David, então poupe a sua pena.

—Desculpa Emma... — Percebi que havia sido rude.

—Eu fui muito rude né? Desculpe.

—Eu não sabia... você se parece tanto com eles.

—Eu tive sorte! Você não sabe como é dura a vida dessas crianças em orfanatos, e eu não vou deixar acontecer isso com Timo. — Regina parecia muito assustada com tudo. Resolvi suavizar as palavras. — Ele só tem 2 anos, Regina... e se fosse o Henry.

Ela respirou fundo e sentou-se na pequena cama.

—Você... tem razão.

—Eu acabei me encantando por ele, Regina. — Senti minhas pernas bambearem. — Eu queria pedir que você dividisse seu sobrenome com ele.

—Espera! — Um nó na minha garganta se formou quando a morena disse isso. — Você está tentando me dar a guarda dele também?

—Sim, eu queria que ele tivesse uma pessoa forte e imponente, como você. E além do mais, você mesma disse que não ia me deixar colocar a vida de uma criança em risco. Eu preciso de você. Timo precisa de você.

—E eu não podia ser a tia Regina?

—Olha, deixa pra lá tá? Não precisa. — Peguei minha blusa que estava caída no chão ainda, e a coloquei.

—Emma... — Regina se aproximou de mim e me abraçou por trás.

Ficamos assim um bom tempo, sem sair da posição e em silêncio.

—Eu topo. — Regina quebrou o silêncio.

[...]

—Regina-

Hospital improvisado – Katmandu – Nepal.

Emma estava andando ao meu lado, com seus dedos entrelaçados aos meus, com um sorriso de orelha a orelha. Ela tagarelava sem parar, mas eu não conseguia ouvi-la, apenas a observava com muita admiração.

Chegamos a uma área onde estava o setor pediátrico.

—Ei, como está meu garotão? — Emma perguntou ao garotinho nepali, que estava deitado em uma maca.

O garotinho era lindo. Tinha um tom de pele pardo terroso, cabelos bem lisos e escuros, e olhos levemente puxados no canto.

—Timo, esta é Regina, ela também ajudará a cuidar de você.

—Vou cuidar para essa maluca não fazer nenhuma arte com você, Tim. — Emma sorriu encantadoramente.

—Tim, eu gosto desse apelido! — Emma tinha Tim no colo e parecia estar alegria pura. — Acha que Henry irá sentir ciúmes dele?

—Oh, com toda certeza...

O médico que estava cuidando do menino apareceu.

—Emma, podemos falar? — O médico pediu.

Emma assentiu e colocou o rapazinho novamente na cama. Ele parecia estar em um estado horrível, mas pelo que Emma havia contado, ele era um pequeno guerreiro. Sentei-me ao lado dele e tentei puxar algum papo.

—Você gosta de joguinhos? Eu tenho um filho que é louco por esses joguinhos. — Ele prestava atenção mas não respondia, devido ao respirador.

Emma voltou com uma carinha triste.

—Ei, garotão... tenho que ir para você poder descansar, tudo bem? — Emma o abraçou com carinho.

O mesmo abraço que dava em Henry toda vez que se viam. A loira beijou a testa do menino e deu boa noite. Apenas desejei boa noite de longe e segui Emma para fora.

—Está tudo bem?

—Ele piorou, Regina... — Ver ela naquele estado me destruiu.

—Emma, ele vai ficar bem. — Puxei-a para um abraço.

A loira chorou em meus braços como uma criança. Neste momento consegui enxergar onde Emma queria chegar com todos os seus ideais. Consegui entender o porquê da loira amar tanto o seu trabalho. Agora, tudo era real para mim. Todos os problemas do mundo, agora eu enxergava.

[...]

Acordei na cama de Emma, mas não vi sinal da loira na tenda.

Levantei, fiz minha higiene matinal e fui para fora procurá-la. Pude ver de longe, Emma conversando com Killian de forma um pouco agressiva. A cena me deixou furiosa! Coloquei minha melhor pose imponente e fui até eles.

—Bom dia para vocês dois – Falei seca.

—Bom dia meu amor. — Emma me cumprimentou com um sorriso enorme e depositou um beijo em minha testa.

—Bom dia. — Killian respondeu seco.

O homem me olhava com uma expressão mal humorada. Resolvi que seria legal provocá-lo um pouco.

Segurei o rosto de Emma e beijei-a com desejo. A loira correspondeu imediatamente ao beijo. Estava implícito o que eu queria dizer a ele com isso, Emma é somente minha.

—Preciso ir... Emma, depois continuamos nossa conversa. — O homem saiu batendo os pés.

Quando ele tomou uma distância considerável, olhei para Emma e cruzei os braços na frente do peito com uma expressão nada agradável.

—O que significou isso?

—Regina, ele me encurralou para falar sobre a culpa que eu lanço sobre ele e para perguntar sobre você e eu, relaxa!

—Esse bêbado imundo não tem que ficar te cobrando nada!

—Hmmm alguém está com ciuminho? — Emma sorria satisfeita.

—Claro que não Swan! — Fiz-me de desentendida.

—Oi pombinhas! — Zelena chegou animada. — Consegui fazer uma ligação, e adivinha quem está do outro lado da linha super preocupado.

—HENRY? — Arranquei o celular da mão de Zelena. — Henry meu filho?

—Mamãe? Como vocês estão? E Emma, como está?

—Estamos bem querido. Voltaremos para você logo.

—Me deixa falar com ele, Regina. — Emma pegou o celular da minha mão. — Garoto???

Henry respondeu algo e pude ver os olhos de Emma brilharem.

—Estou sim garoto! Também estou morrendo de saudades... — Vi as lágrimas descendo do rosto de Emma. -Eu te amo tanto garoto!

Emma ficou em silêncio e se entregou as lágrimas.

—Garoto? Alô? — A loira entregou o celular para Zelena. — Caiu...

O rosto de Emma ganhou uma expressão indecifrável, fiquei um pouco preocupada.

—Emma? — Zelena perguntou. — Está tudo bem?

—Ele me chamou de mamãe...

Senti um frio percorrer minha barriga. Eu estaria morrendo de ciúmes se não fosse a emoção que a loira estava sentindo. Entendi que ela sempre deveria sonhar em ouvir algo do tipo de seu filho.

—Emma... — Killian apareceu. -Recebi a notícia, agora, de que Timo...

—Ele melhorou? — Perguntei. — Desembucha Jones!

—Timo, faleceu durante a madrugada... Teve infecção generalizada por conta das condições insalubres da tenda. Sinto muito.

O choque tomou conta de mim, a única coisa que consegui fazer, foi olhar para a loira. Ela havia desabado. Não por fora, mas por dentro.

[...]

O estado em que Emma havia ficado, durou horas e eu estava extremamente preocupada com a loira. Nunca achei que veria Emma Swan deprimida, mas estava acontecendo.

—O que a gente faz Sis? — Zelena disse com preocupação.

Estávamos vendo Emma deitada sobre a cama sem nenhuma reação.

—Vamos levá-la para casa, manda prepararem o jatinho, vou dar um banho nela e levá-la desse lugar. — Zelena assentiu.

[...]

New York— Noite do dia 24 de Janeiro.

Levei Emma para minha casa, que era onde os Swan estavam por conta de Henry. Ao ver o estado da loira, meu filho ficou desolado, assim como os pais de Emma. Henry era o único que estava conseguindo conversar com ela, mas sempre evitando perguntar sobre o ocorrido a pedidos nossos. E o resto do dia todo foi assim. Já era noite quando Mary e David decidiram partir.

—Regina, tem certeza de que não precisa de ajuda? — Mary.

—Tenho Mary. Pode ficar tranquila, cuidarei bem de sua filha. — Disse abrindo a porta.

Mary e David se despediram de Henry, assim como Zelena o fez. O enorme apartamento ficou vazio, somente podia-se ouvir o barulho dos carros nas ruas de New York. Sentei-me no sofá ao lado de Henry e parei para observar meu apartamento. Os tons de preto e branco, a vidraça que separava a paisagem urbana da noite da cidade do interior do apartamento, aqueles móveis modernos e luxuosos. Nada mais fazia sentido... era como se a avareza e o luxo não importassem mais.

Olhei o relógio e vi que estava tarde para Henry permanecer acordado.

—Ei, garotão! Está na hora de dormir.

—Estou sem sono mamãe. — Ele fez biquinho. — Estou preocupado com Emma.

—Ela vai ficar bem, meu amor. — Beijei a testa do meu filho.

Henry levantou do sofá cabisbaixo e seguiu para o quarto. Levantei um tempo depois dele e fui colocá-lo para dormir. Quando cheguei próxima ao quarto dele, ouvi a voz de Emma. Abri devagar a porta, sem que eles percebessem minha presença, e fiquei os observando. Emma mal cabia na pequena cama de solteiro, mas estava dividindo ela com Henry. Os dois embaixo das cobertas, embrulhados como bebês. Sorri com a cena maravilhosa. Emma tinha um livro nas mão e lia atentamente para o garoto.

"Um dia, a rainha de um reino bem distante bordava perto da janela do castelo, uma grande janela com batentes de ébano, uma madeira escuríssima. Era inverno e nevava muito forte.
A certa altura, a rainha desviou o olhar para admirar os flocos de neve que dançavam no ar; mas com isso se distraiu e furou o dedo com a agulha.
Na neve que tinha caído no beiral da janela pingaram três gotinhas de sangue. O contraste foi tão lindo que a rainha murmurou:
— Pudesse eu ter uma menina branquinha como a neve, corada como sangue e com os cabelos negros como o ébano…
Alguns meses depois, o desejo da rainha foi atendido.
Ela deu à luz uma menina de cabelos bem pretos, pele branca e face rosada. O nome dado à princesinha foi Branca de Neve."— Percebi que Henry já havia ficado com as pálpebras pesadas.
"Mas quando nasceu a menina, a rainha morreu. Passado um ano, o rei se casou novamente. Sua esposa era lindíssima, mas muito vaidosa, invejosa e cruel.
Um certo feiticeiro lhe dera um espelho mágico, ao qual todos os dias ela perguntava, com vaidade:
— Espelho, espelho meu, diga-me se há no mundo mulher mais bela do que eu.
E o espelho respondia:
— Em todo o mundo, minha querida rainha, não existe beleza maior.
O tempo passou. Branca de Neve cresceu, a cada ano mais linda…
E um dia o espelho deu outra resposta à rainha.
— A sua enteada, Branca de Neve, é agora a mais bela."

Emma parou quando viu que o garotinho havia pegado no sono. Ela depositou um beijo carinhoso na cabeça dele, fechou os olhos e sorriu, como se memorizasse aquela cena. Foi impossível não sorrir vendo aquilo. Tive mais certeza ainda que era essa família que eu queria.

A loira olhou para mim, só então notando minha presença.

—Oi. — Falei baixinho.

—Oi. — Ela sorriu de lado. — A quanto tempo está ai?

—Pouco. — Ela levantou-se e veio até mim. — Quero tanto que você melhore logo, Emma. Eu sei que você se apegou ao menino, mas você tem Henry... ele te ama, te considera a segunda mãe dele. Eu também te amo, e nós precisamos de você.

Nunca havia sido tão sincera sobre meus sentimentos com alguém.

Emma deu um sorriso magnífico e me puxou pela cintura, para perto dela.

—Sabe o que me deixaria melhor?

—O que? — Emma me beijou calorosamente.

Nossas línguas dançando uma com a outra em nossas bocas. Faltava ar, mas eu nunca queria parar. Emma o fez.

—Regina, semana que vem eu irei para a Noruega. — Dei um soco no ombro dela. — Ai!

—Você não para? — Eu estava realmente brava.

Emma gargalhou baixinho.

—Eu quero que você vá comigo, sua boba! Você e Henry.

—Fazer o que?

—Quero que vocês conheçam meu trabalho. — Ela se afastou para me olhar. — De perto. Já que você não o aceita muito bem, quero que você viva como eu.

—EU NÃO VOU ARRISCAR A VIDA DO MEU FILHO, VOCÊ FICOU MALUCA?

—Regina, se o lugar fosse realmente perigoso, eu não os levaria. — Ela tomou meu rosto nas mãos. — Eu nunca deixaria nada acontecer a vocês dois.

Respirei fundo.

—O que me diz, amor? — Emma perguntou.

Notas finais
O que vocês acham? Regina vai topar passar um tempo como cigana ao lado de Emma? Comentem suas expectativas para o próximo capítulo. Lembrando que tem o grupo do wpp quem quiser entrar. Sempre rola spoiler la