Notas iniciais
Olar, olha eu aqui com outra fic hahaha
Espero que gostem dessa e deem muito amor a ela ♥
A música do capítulo é "Wake Up - Arcade Fire"

-Emma-

New York, segunda-feira — 6h35.

-Onde está a bendita mala? — Perguntei-me.

Minha mala de roupas havia desaparecido. Meu voo sairia às nove, e eu precisava estar no aeroporto com pelo menos uma hora de antecedência. Conhecendo o trânsito desta cidade, eu sabia que já deveria ter saído de casa há meia hora.

Depois de revirar praticamente todo o perímetro do pequeno apartamento, finalmente encontrei a enorme bolsa. Saí com pressa. Carregava nos ombros a bolsa de couro marrom com as poucas roupas que eu levava para minhas viagens, a enorme mochila de viagem que eu usava para minhas aventuras e a bolsa que levava a minha câmera e os equipamentos dela.

Chamei o primeiro táxi e parti em direção ao aeroporto.

[...]

Eu mexia em minha Canon EOS-1D X, sentada na poltrona do avião, analisando as fotos da minha última viagem. Havia voltado a menos de 3 dias da Colômbia e já tinha sido escalada para outro destino. Já tinha me acostumado com esta rotina, de nunca parar de fato na minha cidade ou na minha casa. Meu trabalho exigia desapego e coragem, tendo em vista que por algumas fotos eu me arriscava bastante. Desta vez eu iria para Nova Zelândia, com um roteiro bem exótico, mas não tão emocionante. Iria fotografar a Te Anau Glowworm Caves e faria o Tongariro Alpine Crossing. Geralmente eu passava muito tempo explorando os locais para tirar fotos, então sempre dispensei as regalias de ficar em hotéis caros, mas desta vez me rendi a um incrível resort em Hahei.

O piloto avisou que iríamos aterrissar e pediu que apertássemos os cintos e desligássemos os aparelhos eletrônicos. Eu odiava essa parte da viagem de avião. A aterrissagem era algo que me deixava extremamente nervosa. Sempre imaginava que algo poderia dar errado.

Sempre que podia, evitava as viagens de avião. Preferia viver a minha aventura de fato. Pedia carona por ai, dava longas caminhadas e juro que uma vez atravessei a Suíça de bicicleta (o que explicava meu ótimo condicionamento físico). Eu me divertia com meu trabalho. Óbvio que ele tinha suas desvantagens, como: eu não podia criar laços. Eu não podia ter família, amigos ou me apaixonar. Raramente eu via meus pais, e isso me deixava morrendo de saudade as vezes. Mas eu sempre dava um jeito de falar com eles por telefone, skype ou até mandava cartas (alguns lugares não tinham internet ou sinal de celular, tais como: o deserto do Saara, a Ilha de Socotra ou Ittoqqortoormiit na Groenlândia). Já estive em muitos lugares no mundo. Lugares que as pessoas nem sabiam que existiam, e isso é o que me faz amar mais ainda meu trabalho. Mas o maior dos motivos, é poder fazer algo que eu amo, fotografar, e ao mesmo tempo mostrar a realidade do mundo para as pessoas que não tem acesso a elas.

Desembarquei do avião, no aeroporto de Auckland. Peguei minhas bagagens e saí do aeroporto sem rumo. Caminhei alguns minutos pela estrada principal de Auckland e fiz sinal para os carros que passavam na esperança de algum parar e me oferecer carona.

Uma Kombi amarela parou e o motorista abriu a porta do carona para que eu entrasse. Ele carregava diversos pedaços de ferro velho no interior do automóvel.

-Para onde a senhorita está indo?

-Para Hahei.

-Você deu sorte, garota. Estou indo para lá! — Ele sorriu e passou a marcha, dando início à viagem de mais ou menos 2h de duração.

[...]

-Muito obrigada pela carona, senhor! — Eu acenava para a kombi do velho moço que havia me ajudado, que agora estava distante.

Tomei meu rumo, e entrei no saguão do resort. Era enorme e lindo. Ficava de frente para a praia próxima a Cathedral Cove. De olhos fechados, respirei fundo aquele ar puro e sorri.

-Boa tarde! Seja Bem-vinda a Hahei — Uma menina com aspecto jovial e praiano, vestindo o uniforme do resort me recebeu.

Sorri para ela com simpatia.

-Já tem reserva?

-Tenho sim. Me chamo Emma Swan.

-Vamos Emma. — Ela saiu andando em direção ao balcão e eu a segui. — Preciso que você assine uns papéis antes de entregar a chave do seu quarto.

Ela me entregou várias folhas de papéis. Li com calma e assinei.

-Vejamos, reservaram para você um Sea View Villa. - Ela me entregou uns folhetos com um cartão dentro. — Aqui está sua chave, mapas da região e valores do serviço de quarto.

Agradeci e fui para meu quarto.

Surpreendi-me quando cheguei ao local. Ele ficava no meio da praia, o que dava uma vista privilegiada da varanda.

-Dessa vez meu chefe acertou!

Joguei minha mala de roupas num canto, e pus a bolsa com os equipamentos da câmera na cama e a abri. Lá estavam meus bebês. Minhas duas Canon EOS-1D X, minha Canon EOS 6D. Minhas lentes Grande Angular, Normal, Macro, Zoom Telefoto, Telefoto, Super Telefoto e Tilf-Shift estava em suas devidas cases de proteção, e os outros acessórios também. Peguei a EOS 6D e coloquei a lente teleobjetiva nela. Iria sair e fotografar as pessoas se divertindo na praia, um pouco.

O dia estava ensolarado e lindo. Não resisti em dar um sorriso novamente. Eu me sentia bem naqueles lugares. Eu me conectava com a natureza e me sentia em casa.

Olhei pelo visor da câmera e comecei a capturar os momentos das pessoas na praia. Famílias e amigos se divertindo. Aquilo era lindo, e eu me sentia honrada por poder os capturar. Meus colegas de trabalho costumam dizer que o foto-documentarista deve penetrar na vida do elemento fotografado, ele deve conhecer o objeto a ser fotografado, ter uma certa intimidade com o que se vai fotografar. Virei a DSLR sentido horário, sem tirar o olho do visor, e avistei um menino de cabelos castanho escuro brincando na beirada do mar. Ele corria de encontro as ondas com um enorme sorriso. Senti-me atraída pela alegria do garoto. Sem perceber, acabei me aproximando cada vez mais dele, enquanto tirava diversas fotos.

Soltei uma gargalhada quando o garoto levou um "caixote" e saiu rolando pela areia. Ele riu de si mesmo. Nunca havia me conectado tanto a uma cena fotográfica, quanto havia feito com essa. E olha que já tinha vivido muitas.

Um vulto preto apareceu na frente do enquadramento bem na hora que eu ia bater uma foto do garoto sorrindo.

-Mas que porr... — Interrompi o que ia dizer ao ver a morena que havia estragado meu enquadramento.

Ela vestia uma camisa social de seda na cor branca e uma saia lápis azul marinho. Tinha os cabelos negros e lisos caídos nos ombros e uma maquiagem leve com a boca demarcada por um batom vermelho sedutor. Ela estava com cara de poucos amigos e tinha as mãos na cintura de forma imponente.

A única coisa que passava pela minha cabeça nesse momento era: "quem usa este tipo de roupa na praia?"

-Quem você pensa que é para fotografar meu filho assim? É algum tipo de pervertida? — Ela fez uma expressão de desespero, sem perder a postura de importância. — Vou chamar a polícia!

-Eu não sou pervertida nenhuma, Senhorita. Sou fotógrafa, e achei seu filho se divertindo uma cena maravilhosa.

-Que tipo de fotógrafa é você? Fotógrafos que eu conheço não se vestem tão.... — Ela fez cara de nojo.

Olhei para mim mesma, analisando as minhas roupas. Estava usando um vestido solto na cor verde militar, que ia até pouco acima do meu joelho, minhas inseparáveis botas Danner Jack II Dark Coffee, meu boné cinza para trás e meus óculos Ray-ban RB2180V de grau (sim, eu sou meio cegueta).

-Ora, deixe de ser mesquinha... — Falei não gostando nem um pouco do desaforo.

-Fique longe do meu filho com essa câmera, Senhorita.

-Me chamo Emma Swan.

-Pois bem, Senhorita Swan. — A morena virou-se com a intenção de se retirar. — Afaste-se do meu filho!

-Não vai me dizer o seu nome, madame? — Ela parou de andar, ainda de costas.

-Regina Mills.

A olhei se afastando com um sorriso de lado e balancei a cabeça negtivamente.

"Regina Mills" pensei.

Levei a câmera aos olhos e capturei a imagem daquela morena ainda de costas, mas que agora, corria em direção ao filho gargalhando junto com ele.

Notas finais
O que acharam? Digam-me suas opiniões e deem uma forcinha pra estimular a postar o próximo capítulo.