Notas iniciais
Venho com um capítulo mais tenso. Só isso que tenho a dizer por hora. A música desse capítulo é "Heavydirtysoul - Twenty One Pilots". Espero que gostem!

—Regina-

Coral Gables— Casa dos Mills.

—Regina você não pode me impedir de sair ou falar com as pessoas por causa do seu ciúmes bobo. — Emma falava nervosa.

Estávamos em nosso quarto, ainda com os vestidos do casamento, discutindo por causa de Ruby estar muito próxima e Emma dar confiança para a morena.

—Emma, só você não vê que ela está se jogando em cima de você. — Falei mais alto que o normal.

—Regina, por favor! Ela é minha amiga, só o que tem feito é conversar. — Ela elevou mais o tom de voz. — Você está ficando cega de ciúmes. Nem percebeu que ela está mesmo interessada na sua irmã.

Gargalhei.

—Ela atira para todos os lados. — Fui rude.

—Você está chamando minha amiga de puta? — Emma, agora, gritava descontrolada. — Você não tem esse direito, Regina. Quem você pensa que é? Acha que eu sou como seus escravos da editora, que você manda e todo mundo abaixa a cabeça e obedece? Você sequer perguntou se eu queria ser sua namorada! Eu não sou um objeto que você controla e faz o que bem entende... — Ela apontou o dedo para meu rosto. — Não tente me controlar, Regina. Minha vida não vai girar ao seu redor.

Emma gritou mais alto a última parte e saiu do quarto batendo a porta. Fiquei sem reação. A única coisa que consegui fazer, foi chorar. Essa não era a Emma que eu havia conhecido.

Era?

Nunca a vi tão fria e egoísta. Era isso que ela estava sendo... egoísta.

Sai daquele quarto como um foguete e fui até o quintal, onde Emma lançava a bola de baseball de Henry com muita violência na parede repetidamente.

—Você acha que pode entrar na minha vida e fazer isso? Essa bagunça? Acha que eu pedi por alguém que vem e vai o tempo todo sem se importar com nada além dela mesma? Eu não pedi por isso, Emma! — Eu gritava e gesticulava com as mãos.

Nosso show ganhou platéia, quando todos da casa apareceram no quintal. Inclusive Henry. Zelena segurou a mão do garotinho e tentou levá-lo para dentro, mas o mesmo não quis ir.

—O que está acontecendo aqui? — Cora perguntou com seu tom de autoridade.

—Sua filha está descontrolada, Cora. — Emma parecia um iceberg.

Aquilo me revoltou. Parti para cima dela com raiva, e a empurrei com força.

—Eu não pedi para me apaixonar por você. Sua idiota! — Gritei. — Eu deixei você entrar na minha vida e na de meu filho e você prometeu que não ia torná-la uma bagunça.

—Eu sou uma bagunça, Regina. — Ela gritou com todo ar que tinha. — Eu sou uma bagunça. Minha vida é uma bagunça.

A loira levou as mãos ao rosto, sentou-se na grama e começou a chorar descontrolada. Era como uma criança que havia acabado de ter um pesadelo e não tinha forças para encarar o medo.

—Ok, pessoal. Vamos todos pra dentro. — Graham pediu.

Olhei de relance para Henry que estava apavorado vendo a nossa briga, e senti meu coração apertar. Vi Ruby pegar sua mão e falar algo em seu ouvido. Ela sorriu para ele e ele assentiu. Com isso, todos que estavam ali desapareceram e só ficamos aquela Emma destruída e eu, aos pedaços.

Respirei fundo e sentei-me ao lado da loira, que parecia estar perdida em seu poço de tristeza.

—Emma... — Falei de forma serena. — Vem aqui.

A puxei para um abraço apertado e a mulher aceitou o gesto, desabando mais em meus braços.

—Desculpe se eu tentei te controlar, Emma. — Tentei segurar o choro que estava prestes a sair. — Eu só não consigo pensar em te perder.

—Eu não queria que sua vida virasse uma bagunça como a minha. — Ela soluçou. — Desculpa.

—Eu quero seu pacotinho completo, Emma. Você e toda essa bagunça. — Depositei um beijo carinhoso em sua cabeça. — Você só não pode me afastar. Eu nunca pedi que você largasse sua vida para viver a minha. Nunca pedi para que seu mundo girasse ao meu redor. Eu só preciso saber se você está tão nessa quanto eu. Se está tão disposta a enfrentar a sua bagunça junto comigo. Porque eu quero te ajudar a curar essa ferida aberta em seu coração, Emma. Mas eu não posso te ajudar se você ficar abrindo essa ferida toda vez que eu conseguir fechá-la um pouquinho.

Ficamos ali, em silêncio, por um longo tempo. Emma foi se acalmando cada vez mais em meus braços. Quando ela sentiu a força retornar a si, nós levantamos e seguimos para dentro da casa. Todos estavam na sala em um clima bem tenso.

—Olha elas! — Zelena sorriu. — Viu Henry, eu disse que elas iam ficar bem!

Henry correu até nós e abraçou nossas pernas com força. Emma, pegou o garotinho de cabelos negros no colo e o abraçou com vontade.

—Eu te amo tanto Henry.

—Eu também te amo, Emma.

[...]

Manhã do dia 08 de Fevereiro.

Estávamos tomando café em família, todos bem felizes. Depois da briga que Emma e eu tivemos na noite de ontem, tudo voltou ao normal. Eu, inclusive, estava me afeiçoando a Ruby e agora reparava nos olhares intensos entre ela e minha irmã. Claro que ainda sentia um nó na garganta e um aperto no peito quando Emma e Ruby iniciavam algum tipo de papo, mas eu estava tentando deixar o ciúmes de lado.

Emma estava agindo estranha, como se algo a incomodasse. A loira nada falou durante a manhã toda, apenas sorria sem vontade quando mencionavam algo para ela.

—Zelena. — Chamei minha irmã, que estava sentada ao meu lado. — Você não acha que a Emma está estranha?

—Acho que ela só está com sono, Gina.

—Ela com sono, definitivamente não fica assim.

—Quem sabe ela ainda esteja um pouco sentida com a briga de ontem.

—É... pode ser. — Engoli aquilo como motivo.

Terminamos o café da manhã e finalmente Cora e Graham iam para a lua de mel. Como Graham teve uma emergência na delegacia, eles tiveram que mudar o horário do voo. Mamãe e meu novo padrasto iriam passar a noite de núpcias em Curação, uma ilha do Caribe.

—Vá com cuidado mamãe. — Zelena a abraçou e beijou com carinho.

—Obrigada, minhas filhas. — Cora estava emocionada. — Mesmo depois de tudo vocês estão aqui, nesse momento tão especial, cuidando de mim.

Emma também se despediu da mais velha com o carinho de uma filha.

—Emma, minha querida. — Cora acariciou a lateral do rosto da loira com as costas da mão. — Fico feliz que você esteja com minha filha, ela realmente merece a mulher incrível que você é. Eu admiro muito você, Emma.

Graham chamou-a e os dois entraram no taxi que os esperavam. O carro partiu e eu pude sentir que estava renovada por dentro. Ver que Cora estava verdadeiramente querendo ser uma pessoa melhor, começando por suas filhas, emocionou-me.

—Regina. — Emma praticamente sussurrou. — Vamos dar um passeio pela Jungle Island com Henry? Estive contando a ele sobre quando estive na Savana africana e ele ficou bem animado. Sei que não é a mesma coisa, mas ele vai gostar de fotografar e estar com os animais lá.

—Eu concordo. — Sorri para a loira.

Ela apenas deu um sorriso sem vontade e entrou na casa. Algo estava errado com ela. Emma costumava ser falante e divertida. Nem havia sentado à mesa para o café reclamando que estava morrendo de fome.

—Algo está muito errado. — Falei para mim mesma.

[...]

—Emma-

Os pensamentos ruins estavam me atormentando. Era como se minha mente estivesse contra mim e quisesse tomar meu controle. A todo momento eu me questionava se eu seria mesmo boa o suficiente para Regina. Tudo em mim era uma enorme bagunça e finalmente eu entendi porque sempre afastei todos de mim para viver sozinha. Porque tudo a que me apegava, eu decepcionava, destruía. Eu não queria destruir os Mills. Regina e Henry eram bons demais para mim.

—Emma ouvi falar que lá tem tigres, será que eu poderia fazer carinho em um? — Henry perguntou animado, no banco de trás do carro.

Regina, que estava dirigindo, logo o repreendeu.

—Claro que não, Henry. Nada que possa te por em risco.

—Ah mãe!

Apenas fiquei em silêncio, observando a interação dos dois.

—Emma? — Regina chamou com o tom de voz carregado de preocupação.

—Oi, desculpe. — Balancei a cabeça para espantar os pensamentos que me atormentavam. — Eu acho uma boa o garoto fazer carinho no tigre.

—Nem pensar. — Regina riu debochada.

Chegamos a Jungle Island e Henry saiu em disparado para fora do carro. Ele tinha a câmera que eu havia dado a ele pendurada no ombro, da mesma forma que eu usava. Suas roupas eram de um verdadeiro aventureiro. Ver Henry me idolatrando tanto, fazia meu orgulho ir longe. Abracei meu garoto de lado e entramos no parque, depois de uma discussão com Regina para ver quem pagaria a entrada de todos, e eu venci.

Conforme íamos adentrando no caminho da mata, o garotinho ia se empolgando mais e fotografando tudo o que via. Regina e eu vínhamos logo atrás.

—O que há com você? — A morena perguntou serena.

—Comigo? Nada?

—Não se faça de desentendida, Swan. Você está estranha desde o café da manhã. Foi por causa da nossa briga?

—Não, eu estou bem, Regina. Só... estou um pouco cansada. — Menti. — Fizemos uma viagem atrás da outra e não tive tempo de descansar direito.

—Se você preferir, podemos ficar em casa hoje a noite.

—Nada disso, vamos no show. Quero aproveitar o máximo de tempo que tenho ao seu lado.

—Não fale assim, parece uma despedida. — Ela riu.

Talvez fosse uma despedida.

—Mamãe, Emma! — Henry chamou de longe. — Vejam! Pipoca e algodão doce.

—Henry, você sabe o que eu acho sobre comer doce, não sabe?

—Que estraga os dentes. — Ele abaixou a cabeça, triste.

—Regina, só um docinho não faz mal, vai! — Fiz meu famoso olhar pidão para ela.

—Tudo bem. — A morena bufou. — Só uma pipoca.

Henry comemorou, pegou o dinheiro com Regina e correu até o pipoqueiro.

—Você o mima tanto.

—Ele merece. É um ótimo garoto. – Olhei em seus olhos profundamente. – Você é uma ótima mãe, Regina.

—Obrigada. – A morena ficou um tanto emocionada.

Regina segurou uma de minhas mãos e entrelaçou nossos dedos. Senti um aperto no peito com aquele gesto. Puxei a morena para junto de mim e beijei sua testa por um longo tempo. De olhos fechados, tentei lembrar de tudo, cada momento, cada toque, cada palavra de amor.

—Amo vocês dois. — Disse com a voz embargada.

—Emma, está chorando? O que houve?

—Caiu um cisco no meu olho.

Regina soltou aquela risada gostosa que só ela sabia dar.

—Que desculpa esfarrapada. — Regina segurou meu rosto entre as mãos e com o polegar secou as lágrimas que desciam. — O que está acontecendo?

—Eu não consigo ficar longe de vocês.

—Mas estamos bem aqui, Emma. — Ela estava confusa. — Do que está falando?

—Eu quero que saiba que eu nunca menti para você.

—Emma...

Henry gritou por nós, interrompendo a conversa. Fiquei aliviada por isso, pois eu estava perdendo o controle emocional. Regina ia saber sobre o que estava se passando dentro de mim, mas eu preciso estar com a cabeça no lugar para não a magoar tanto.

[...]

—Regina-

A tarde foi agradável. Henry tinha adorado o passeio. Ele conseguiu fazer o tão desejado carinho no tigre, e é claro que eu quase desmaiei do lado de fora da jaula. Depois que ele e Emma saíram da jaula eu gritei com a loira o resto do passeio todo, dizendo que ela era uma irresponsável. O mesmo de sempre.

A noite já estava chegando quando voltamos para a casa. Apenas Zelena se encontrava no lugar, e estava com um ótimo humor.

—Que cara é essa ruiva? — Emma perguntou. — Transou?

—EMMA! — Repreendi-a, tapando os ouvidos do Henry.

—Desculpe, garoto. — A loira deu de ombros. — Onde está Ruby?

—Adoro seu bom humor, cunhada. — Zelena revirou os olhos. — Queria, mas não. Ruby saiu para correr.

Emma jogou-se no sofá ao lado de Zelena.

—Henry, querido, vá tomar banho antes que durma. — Percebi que meu filho estava extremamente cansado pelos olhinhos caídos dele. — Depois vá para cama.

Ele assentiu coçando o olhinho, e abraçou minha perna. Beijei sua testa, e ele logo correu para o colo de Emma. A loira beijou o rosto do menino e ficou por longos minutos dando um forte abraço nele. Assim que Emma o soltou, ele fez o mesmo com a tia e correu para o quarto.

—Emma, vamos. — Chamei-a animada. — Temos que nos arrumar para o show.

—Zelena, você fica com o Henry? — Emma pediu a ruiva.

—Claro! — Zelena abriu um sorriso malicioso. — Divirtam-se, fiquem a noite toda lá, se quiserem!

—Ainda pretende transar? — Emma perguntou sem pudor.

Zelena tacou a almofada em Emma.

—Como você aguenta beijar essa boca, Sis? Só sai merda daí.

—Pense, ruiva. — Emma fez uma expressão de "óbvio". — Ela saiu para correr, pra ficar gostosa e suadinha pra você!

—EMMA! — Nós duas falamos ao mesmo tempo.

—Ok, vou tomar banho suas sem graça. — Emma foi para o quarto.

—Viu, ela já voltou ao humor original. — Zelena.

—Vou tomar banho, Sis. — Virei-me e comecei a ir em direção ao quarto.

—Lembrem-se de que só tem um banheiro em seu quarto e que ele fica ao lado do quarto de Henry.

—TCHAU ZELENA!

Entrei no quarto, e Emma já havia entrado no banho. A loira havia deixado a porta entreaberta e o barulho da água caindo ecoava pelo quarto. Ela havia mexido no notebook antes, pois o mesmo estava ligado. Passei pelo aparelho com a finalidade de ir escolher minhas roupas, mas acabei lendo de relance o assunto de um e-mail que estava na caixa de entrada de Emma, que me chamou a atenção.

—Regina, isso não é da sua conta.

Abri o tal e-mail que tinha como assunto "próximo destino". Não faria mal saber para qual lugar Emma ia em sua próxima viagem, faria? Droga de curiosidade!

"Ei Emma,

Espero que tenha gostado do seu último passeio pela Noruega. Tenho mais uma missão para você, e essa é daquelas! Recebi um telefonema de um amigo que mora na Líbia, dizendo que está havendo um confronto entre um forte grupo islâmico e o exército libanês em Tripoli, capital da Líbia. Seu papel lá, será um tanto complicado. Preciso que você se misture no exército libanês e fotografe o confronto, para que possamos mostrar na revista, um dos países mais violentos do mundo. Tome muito cuidado, Emma.

Confiamos em você,

Mr. Gold"

Confronto na Líbia?

Ouvi a porta do banheiro se abrindo e afastei-me rápido do notebook. Emma saiu do banheiro completamente nua, enxugando os cabelos com a toalha.

—Acha que devo ir de short ou calça?

—Não sou capaz de opinar. — Olhei com desejo para todo aquele corpo nu a minha frente. — Você está tirando todos os pensamentos de minha cabeça, assim.

—Hmm. — Emma sorriu maliciosa e veio se aproximando de mim.

—Emma, não! — Disse em tom autoritário. — Precisamos ir ou vamos ficar em um lugar ruim.

Esquivei-me a loira e corri para o banheiro. Como uma mulher conseguia ser tão bipolar? Uma hora ela estava cabisbaixa e na outra já estava pensando em sexo.

[...]

—Emma-

American Airlines Arena – Abertura do show.

Regina estava alegria pura. Ficamos no centro da pista, com uma ótima visão do palco.

—Acha que daqui dá pra jogar uma calcinha no palco? — Brinquei.

—Oi? — Regina olhou-me assustada. — Você vai jogar a sua calcinha para eles?

—Não, vou jogar a sua. — Ela cerrou os olhos. — Imagina sua calcinha na mão do seu ídolo.

Só ai ela percebeu que eu estava brincando.

—Cala a boca. — Ela riu.

As luzes do palco se apagaram e a única coisa que iluminava o local eram fracas luzes vermelhas. A intro da primeira música começou e o público começou a gritar. Regina olhou-me com um brilho que poderia iluminar uma cidade. Em seus olhos pude ver o quanto ela estava agradecida, e aquilo foi tão gratificante quanto ajudar o mundo com minhas fotos.

Os dois integrantes da "banda" entraram no palco e o vocalista começou a cuspir a letra de sua música com muita velocidade. A música era realmente muito boa. Era uma mistura de estilos. Regina pulava e cantava a música exatamente como era.

Era estranho conhecer esse lado da minha morena tão de perto. Ali não existia mais a Regina mãe super protetora que eu havia conhecido na Nova Zelândia, nem a Regina imponente que governava a Vogue. Não existia mais a Regina caliente da noite em Little Havana, nem a doce Regina que estava no casamento de Cora Mills. Era uma nova Regina, que eu havia acabado de conhecer, e pensava em deixar.

A mulher que antes era um completo mistério, agora estava em tons mais claros. Uma fotografia estilo High key.

Notas finais
O próximo capítulo vai esclarecer tudo e vai ser bombástico. Alguém tem alguma teoria para compartilhar? Comentem por favor, porque estimula mais a escrever. Obrigada a quem ta acompanhando. Lembrando do grupo no whatsapp pra quem quer spoilers!