High Key
30 Devil in me
Notas iniciais

—Regina—
—Eu tenho um amigo que vai ajudar vocês, ele é conhecido como La Taupe (Toupeira), que sabe seguir por toda área proibida das catacumbas. — O amigo baixinho e engraçado de Emma explicava, com os mapas de Paris e das catacumbas abertos na mesa de nossa casa.
Emma, Henry, August e eu, também analisávamos as possíveis rotas para usar lá embaixo.
—Ele vai saber os melhores caminhos? — Emma perguntou desconfiada.
—Sim, tome... — Entregou-a um papel. — Vá até esse local de noite, e procure por Papilon.
—Papilon... entendi! — Emma virou para August. — Preciso que vá fazer um passeio turístico pela parte acessível das catacumbas, e procure aonde ficam as ossadas do CemitieredesInnocents de Abril de 1786. Segundo o mapa, a parede de frente para a dessas ossadas, esconde uma câmara secreta.
O homem concordou com a cabeça.
—Henry e Regina, vocês vão com August. Henry fotografe tudo, e Regina, anote tudo o que puder. — Assenti positivamente.
Claro que meu inconsciente estava gritando que aquela aventura era demais para mim, mas eu realmente havia determinado que essa revista tinha que dar certo e que eu teria que sair da minha zona de conforto.
Obviamente, ninguém muda da noite para o dia, e eu sabia que ainda teria chão pela frente. Mas um recomeço era tudo o que eu precisava, e o meu estava nessa loucura de pedra filosofal.
Meu visual passou a mudar durante essa viagem. O que eram saias tubinho e terninhos, passaram a ser calças cargo, como as de Emma, regatas e bota de trilha. Confesso que eram roupas muito mais confortáveis e facilitava toda a locomoção que a gente precisaria.
August pegou todo o material dele, assim como Henry e eu, e seguimos para as Catacumbas.
[...]
1 AvenueduColonel Henri Rol-Tanguy — Paris – 15h46.
Enquanto a guia turística do grupo contava suas histórias sobre a origem das catacumbas, Henry fotografava e filmava tudo, conforme Emma e August pediram. Assim, poderíamos ver qualquer possível entrada para a área proíbida. E eu anotava qualquer informação nova que a guia nos dava.
Bem na entrada dos túneis subterrâneos, havia uma placa de pedra com a seguinte inscrição: "Arrète! C'esticil'empire de lamort."
—"Pare! Este éo império dos mortos." — August passou por Henry e eu, que ainda estávamos parados, lendo a inscrição. — É o que diz ai. — Apontou para a pedra e entrou.
Era assustador. Todas aquelas ossadas e crânios nos encarando, formando desenhos de cruzes pelas paredes. Tirando o cheiro estranho que tinha.
—Seis milhões de corpos, quase o triplo da população de Paris! — Henry comentou enquanto tocava as ossadas nas paredes. — É a maior cripta do mundo!
—Não toque nisso, Henry. — Bati em sua mão, fazendo cara de nojo. — Sério, August... isso tá realmente me assustando.
—Filme isso Henry! — Pediu August. — "Auson de latrompette, lesmortsressusciteront."
Senti um calafrio que me arrepiou inteira.
—"Ao som datrombeta, os mortos ressuscitarão." — Ele sorria animado.
—August! — Henry chamou animado, mais à frente. — CemitieredesInnocents, Avril 1786.
—Boa, Henry. Seu francês não está nada mal. — O homem pegou o mapa que Emma deu a ele, e começou a analisar. — Segundo o mapa, nessa parede de frente, cerca de 800 metros depois dela, tem uma câmara secreta.
—E como vamos passar por 800 metros atrás desse muro? — Perguntei receosa pela resposta.
—Pela área proibida, oras! — Henry disse como se fosse óbvio.
Resolvemos continuar o tour junto com o grupo, até o fim. Logo que saímos de lá, fomos direto encontrar com a Emma em um bar do centro da cidade. O suposto lugar que encontraríamos o tal Papilon.
[...]
La Showcase Bar – Paris – 18h15.
Entramos no bar e já estava lotado. Vários grupos de jovens bebendo, jogando sinuca e conversando alto. Emma foi até o balcão e perguntou por Papilon, o barman apenas apontou para uma mesa, em um canto mais reservado.
—Bonnenuit.Jem'appelle Emma Swan. — Ofereceu a mão para o rapaz que estava sentado com alguns amigos, e ele aceitou. -NoussommesAméricains, parleranglais?
(Boa noite. Me chamo Emma Swan. Nóssomos americanos, falainglês?)
—Boa noite Emma. — Mostrou seu inglês carregado de sotaque. — Em que posso ajudá-los?
—Estamos procurando um... tesouro. E ele fica escondido em uma câmara secreta na parte proibida das catacumbas, e me disseram que você é a melhor pessoa para nos guiar lá embaixo.
—Tesouro? Câmara secreta? — Ele riu debochado. — Sem chance! Eu conheço cada túnel das catacumbas, e não há câmara secreta. Se houvesse uma, eu saberia.
—Se você soubesse, ela não seria secreta. — Disse com desdém, arqueando uma das sobrancelhas e o encarando com deboche.
Ele bufou e riu sem graça, desviando seu olhar do meu. Não havia perdido meu poder intimidante.
—Tudo bem, e o que vamos ganhar levando vocês até lá?
—Vamos? — Perguntei.
—Eu tenho uma equipe, mademoiselle...
—Mills, Regina Mills.
—Podem ficar como todo o tesouro. Nós só queremos encontrar a câmara. — Emma.
Papilon pensou por um tempo mas concordou. Marcamos com ele e a equipe dele no dia seguinte às 10h da manhã, próximo a entrada da antiga linha de trem de Paris. Segundo ele, lá havia um acesso secreto para a parte proibida das catacumbas.
Assim, seguimos para casa. August iria dormir aquela noite conosco por insistência de Henry, já que ele se apegou muito ao homem. Era até algo muito bom, pela falta de uma figura masculina na vida do meu filho. Na idade que ele estava, Emma e ei entendíamos que nem tudo que ele precisaria conversar, duas mulheres iriam o fazer sentir confortável.
[PLAY] Fetish – Selena Gomez
Assim que entrei no quarto que estava dividindo com Emma, a mulher acabava de abrir a toalha que enrolava o corpo, pós banho. Ela estava de costas para mim e sua pele alva sendo tocada por gotas transparentes, que hora ou outra deslizavam por toda sua extensão. Puxei o ar com dificuldade.
Eu nunca iria me cansar daquele corpo. Era minha droga.
Aproximei-me lentamente, para que ela não notasse minha presença enquanto se enxugava. Senti o cheiro doce e fresco de sabonete, misturado ao cheiro que só ela tinha.
Eu era viciada.
Toquei suas costas com as mãos, o que a fez se contorcer de leve, mas não ousou se afastar. Colei meu corpo ao dela, e deslizei minhas mãos para o abdômen definido dela. Encaixei meu rosto no vão de seu pescoço e novamente aspirei seu cheiro. A loira apenas olhou-me com um sorriso carinhoso e entrelaçou suas mãos por cima das minhas. Beijei seu pescoço com malícia, deixando mordidinhas ao final de cada beijo. Senti sua pele se arrepiar por inteiro.
Era meu efeito sobre ela.
Imediatamente, suas mãos passaram a guiar as minhas por seu corpo, subindo de forma lenta até seus seios. Dando-me a oportunidade de memorizar cada textura, antes de encher minha palma com eles.
Virou seu rosto nos possibilitando iniciar um beijo e cravou suas unhas em minha nuca, a arranhando a cada estímulo. Aproveitei para descer as mãos, novamente, passando a unha de leve por seu tronco, sentindo-a tremer por inteiro.
Hoje eu não a queria como nas outras noites. Hoje eu a queria como uma estranha dominando meu corpo. Hoje eu a queria como um demônio quer uma alma para devorar.
—Fica de quatro pra mim. — Empurrei, sem violência, seu corpo de encontro à cama.
Ela me encarou curiosa, mas obedeceu, empinando-se de forma sensual. Soltei o ar que esmagava meus pulmões e desferi um tapa em sua bunda, beijando o local em seguida. Meus lábios ganharam vida própria, assim como todo meu corpo, e foram criando caminhos de beijos de sua bunda até sua nuca. Emma gemeu baixo e roçou sua bunda em mim.
Um frenesi dominou meu corpo, queimando minha pele como brasa. Desfiz de minha blusa e meu sutiã, procurando aliviar o calor que se instalara em mim. Desci pela sua coluna com chupões, até chegar em sua entrada já encharcada. Deslizei a língua por toda sua extensão e mordisquei seu clitóris rígido.
Tê-la era minha necessidade.
Eu me sentia como uma obra de Van Gogh. Todos aqueles sentimentos misturando-se nas pinceladas leves e rápidas. As cores se alterando constantemente, de acordo com a intensidade da luz que incidia. A forma se distinguindo do espaço pela cor, ou pela mancha de luz projetada. Tudo isso causando um mar de sentimentos, como se minha alma fosse uma tela. Era tudo o que Emma me causava. Era como meu interior reagia a ela.
Penetrei minha língua em seu interior, sentindo o gosto agridoce dominar meu paladar. Emma começou a rebolar em minha boca e gemer baixinho a cada dança que minha língua fazia dentro dela. Era como uma dança quente, em que seus gemidos eram a melodia e seus quadris acompanhavam o ritmo. Após a deixar bem molhada, dei-lhe uma última chupada e deixei que minhas mãos explorassem qualquer resquício de pele em meu caminho. Corri por suas costas, agora, molhadas de suor, e tomei seus cabelos. Emaranhei-o em minha mão esquerda, o puxando levemente para minha direção, o que fez a loira se empinar mais para mim. Um tapa forte acertou a lateral da sua coxa direita. Era como se meu corpo tivesse vida própria e meus gestos fossem uma surpresa até para mim.
A mesma mão que atingiu sua coxa, agora escorregou até seu ponto de prazer. Meus movimentos se igualavam aos dela com uma harmonia nunca vista. Estávamos conectadas muito além do carnal. Eram âmagos se encontrando e almas se entrelaçando.
Penetrei-a, primeiro um, depois outro dedo, sentindo suas paredes contraírem em mim. Estoquei a primeira vez com força, e fui cada vez intensificando mais as estocadas. Rápidas e violentas. Quente e úmido. Intensifiquei o puxão em seus cabelos, querendo trazê-la cada vez mais para mim, de modo que minha boca ficasse bem perto do seu ouvido.
—Geme para mim, Emma... bem alto. — Pedi com a voz rouca.
Seus gemidos se fizeram presentes novamente, cada vez mais alto, enquanto ela cavalgava em meus dedos. Iniciei uma brincadeira com a língua em seu pescoço, que ia até seu lóbulo e voltava, a provocando. Sua mão direita alcançou minha nuca, agarrando-a e puxando-me para ela.
—Acabate en mi. — Murmurei em seu ouvido.
(Goza em mim)
Um gemido manhoso foi sua resposta. Senti-a pressionar meus dedos dentro de si e o calor que emanava aumentar. Uma última cavalgada forte, antes de diminuir o ritmo, e apenas um rebolar lento marcar nossa dança. As respirações completamente desreguladas e o coração prestes a sair pelo peito, com violência. Havíamos tido um orgasmo diferente de qualquer orgasmo que já tivemos antes. Sem sequer ser tocada, eu havia tido um prazer intenso.
Deixei meu corpo cair por cima do dela, de forma desengonçada. Não importava a forma, era confortável apenas por ser junto dela.
—Uau! — Emma apenas pronunciou cansada.
Eu havia sido seu demônio essa noite.
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