Notas iniciais
Olá! Voltei com mais um capítulo. E esse tá maravilhoso e tenso. Espero que gostem.

—Regina-

Antiga linha de trem de Paris – 10h00

Um enorme furgão cinza, chegou ao local combinado, no horário combinado. Emma, August, Henry e eu já estávamos lá apenas com nossas roupas do corpo e uma pequena mochila. Ao abrir a traseira da van, pudemos ver Papilon, com mais dois amigos que ele apresentou como Lorraine e Raul. Os três estavam preparados com mochilas de trilha e pegavam vários objetos de trilha e escalada na van, colocando-os nelas.

—Observem. — Pediu Papilon. — Em alguns trechos, teremos que enfrentar água até os joelhos. Peguem essas botas de borracha. — Jogou pares de botas de borracha.

—Eu não vou usar isso! — Disse com nojo. — Está com cheiro de chulé.

—Melhor o cheiro de chulé do que ficar com os pés e botas úmidas. — Respondeu August. — Vai causar feridas nada agradáveis nos seus pés.

Olhei com receio para Emma, que vestia sua bota. Ela deu apenas um sorriso de lado e assentiu com a cabeça, me estimulando. Resolvi usar mesmo a bota. Não iria querer feridas nos pés, e pensando melhor, era melhor uma bota cheia de chulé do que uma água nojenta e insalubre, cheia de resíduos de gente morta. Raul nos entregou, também, uma lanterna de cabeça para que iluminássemos o caminho pela cripta.

—O cheiro lá embaixo é pior do que chulé, acredite! — A mulher de cabelos negros e quilos de maquiagem escura, que respondia como Lorraine, dirigiu-se a mim com um sorriso debochado.

—Ótimo. — Murmurei para mim mesma. Emma que estava ao meu lado ouviu e deu uma risadinha. — Agora terei que aturar o fedor desses franceses abusados, chulé e cheiro de gente morta.

—Regina... — Emma enlaçou minha cintura com carinho e depositou um beijo casto em meus lábios. — Tente não pensar muito nessas coisas e pense na aventura.

—Ok, vou tentar. — Suavizei a expressão.

—Vamos pombinhas! — Gritou Papilon. — Estamos prontos. Sejam rápidos até a entrada das catacumbas para que não corra o risco da polícia nos pegar.

Cruzamos a rua correndo até um muro alto de uma linha de trem abandonada. Papilon foi o primeiro a pular, seguido de Lorraine, que subiu com a ajuda de Raul. August e Raul ajudaram Henry a subir, depois Emma e eu. Assim que o francês e nosso amigo pularam também, prosseguimos com pressa até um tipo de túnel de tijolos que estava aos pedaços e coberto de pixações. Papilon parou perto de uma delas e apontou para um símbolo pixado em amarelo, escrito: "Pap!"

—Deixo minha marca por toda área das catacumbas que eu passo, para saberem que o território é meu. — Sorria orgulhoso.

—Muito inteligente! — Retruquei. — Caso a polícia queira, é bem fácil ter provas para te prender.

Ele parecia me odiar, pelo fato de eu estar pegando em seu pé. Mas o que eu poderia fazer? Meu eu interior nunca mudaria, e eu continuaria sendo a Regina da Vogue.

—Por aqui... — Raul seguiu e parou próximo a um pequeno buraco no chão do túnel. — Essa é a entrada, precisamos passar um de cada vez, o mais depressa possível.

—Isso? — Arregalei os olhos. — No máximo Henry passa por ai! E eu não vou enfiar meu filho nessa cova.

—Swan, acho bom sua namoradinha parar de reclamar a cada passo que damos, e se apressar. Ou eu me nego a continuar o trajeto com vocês. — Papilon soltou.

—Amor... — A loira pediu com um olhar suplicante. — Por favor?

—Eu não vou entrar ai e nem submeter meu filho a isso Emma! — Disse com raiva.

Já estava ficando aflita só de imaginar a sensação de estar num lugar daquele. Mas como o mundo adorava me contrariar. Um barulho de apito veio de longe e um homem fardado corria na nossa direção.

POLICE! - Papilon gritou, empurrando todos nós para dentro do buraco.

[PLAY] Psycho – Muse.

Uma descarga de adrenalina correu por meu corpo e a única coisa que eu pensei foi em empurrar Henry para dentro. Assim como eu fiz com Henry, Emma fez comigo.

Seria eu uma péssima mãe por meter meu filho adolescente numa aventura desse tipo? Mãe modelo, eu não seria.

O túnel subterrâneo era coberto de poeira e estreito. Somente um de cada vez passava por ele. Henry na minha frente, e Emma atrás de mim, dizendo que tudo estava bem. Finalmente, pude ver uma passagem mais larga, que nos colocou dentro da parte proibida das catacumbas. Henry tossia por conta da poeira, e isso despertou meu lado materno ao extremo. Apalpei todo o corpo do garoto para checar se tudo estava bem, claro que com repreensões do mesmo. Tirei uma garrafinha de água da mochila e dei a ele, para aliviar a tosse.

Emma bagunçou os cabelos negros do menino e perguntou se estava tudo bem, recebendo a resposta positiva. Dirigiu o olhar a mim como se repassasse a pergunta. Respondi positivamente com a cabeça, recebendo um sorriso de alívio.

—Tudo bem com todos? Acho que nos livramos dele. — Afirmou La Taupe. — Vamos seguir, deixe-me ver o mapa de vocês.

Emma e August mostraram o lugar que queríamos chegar. Papilon mostrou os possíveis caminhos e os que ele conhecia e achava mais seguro.

—Vamos continuar. — Emma chamou, e deu passagem para que Henry e eu fossemos na frente dela.

Os lugares por onde íamos passando, eram completamente apertados e sujos. O mal cheiro era forte e haviam ratos por todos os lados. Vez ou outra, eu escorregava ou tropeçava em algum pedaço de osso no chão. Seguimos assim por meia hora, até chegar a uma passagem ainda menor, onde precisaríamos passar de lado.

—Que som é esse? — Perguntou August.

Todos pararam para prestar atenção no tal som. Era como um coro de mulheres uníssono.

—Parece algum tipo de adoração... — Comentou Emma. — em uma língua estranha.

Vi uma fresta bem fina em uma das paredes, por onde passava uma luz baixa e avermelhada. Aproximei-me lentamente e percebi que o som da cantoria ia aumentando.

—O que foi Regina? — Emma perguntou assustada.

—O som tá vindo daqui.

Quando olhei pela fresta, vi um grupo de mulheres vestidas de branco, paradas em posições aleatórias em uma câmara iluminada por velas e lotada de esculturas de demônios esculpidas nas paredes. Elas estavam em algum tipo de transe enquanto cantavam e encaravam o nada com o olhar vago. Senti um arrepio assustador percorrer toda a espinha quando uma delas girou lentamente a cabeça e me encarou, parando de cantar no mesmo instante. Uma sensação estranha se apossou de mim, antes de ouvir a mulher desconhecida pronunciar meu nome em um murmuro que só eu ouvi. Senti a mão de Emma me puxar dali, de encontro ao seu corpo.

—Você está pálida, meu amor. O que houve? O que viu? — Emma recebeu-me em seus braços, passando-me a segurança que eu precisava.

Eu não conseguia responder, apenas tremia como um bambu e a segurava como se algo fosse a tirar dali a qualquer momento. Foi a coisa mais assustadora que já presenciei. Não como uma cena forte de algum assassinato, era mais como uma presença fria e assustadora.

Papilon e August olharam pela mesma fresta.

—Aqui embaixo tem muita gente estranha mesmo. Não se assuste, Regina. — Papilon tentou me acalmar. — Vamos sair logo daqui.

Continuamos o trajeto, e dessa vez Emma não soltou minha mão. Algo em meu peito gritava que não deveríamos seguir ou uma coisa muito ruim iria acontecer, mas guardei o sentimento comigo. Andamos por certo tempo ainda, até chegar a um trecho mais espaçoso e sem saída.

—No mapa diz que atrás dessas pedras há um caminho. — Emma olhava o mapa.

—Não, por ai não. — Papilon disse. — Aqui, podemos subir por esse túnel e usar esses ossos para ajudar. Sempre viemos por aqui.

—Mas estamos em sete, vai ficar fácil tirar essas pedras do caminho.

—Não, Emma. Nós nunca passamos por ai, eu não conheço esse caminho. — Ele ficou descontrolado. — E vocês concordaram em seguir por onde eu guiasse.

—Mas por que nós vamos dar uma volta enorme em vão, se podemos ir pelo caminho mais rápido?

—Há lendas aqui. — Gritou o francês. — Esse não é um bom caminho.

—O irmão dele tentou usar esse caminho há 2 anos atrás e desapareceu. — Explicou Raul.

—Emma, por favor, vamos seguir pelo caminho que eles indicam, eu não estou com um bom pressentimento... — Pedi.

A loira ponderou por um momento mas aceitou seguir por onde os franceses indicaram. Começamos a escalar os ossos. Na frente foram os franceses, seguidos por August, Emma, Henry e eu.

—Senti algo se mexer no meio dos ossos. — Henry reclamou.

—Ratos. — Raul disse a ele.

No mesmo momento, Henry deu um gemido esguiniçado de dor, tirando suas mãos do meio dos ossos.

—O que houve Henry? — Perguntei desesperada.

—Acho que me cortei em alguma lasca de osso...

—Se você pegar alguma infeccção ou doença por conta disso, eu vou enfiar um de meus saltos na testa de Emma, pois a ideia de você vir, foi dela. — Reclamei.

Ouvimos um barulho abafado de algo oco desmontando, e logo um mar de ossos desabou em cima de todos nós.

—VOLTEM DEPRESSA! — Gritou Papilon mais a frente.

Comecei a impulsionar meu corpo para baixo, e logo os restos mortais me empurraram para baixo como uma correnteza. Cai sentada, com Henry em meu colo de qualquer jeito. Saímos o mais rápido possível do caminho para que os outros também saíssem.

—O que aconteceu? — Perguntei a Emma, quando a vi sair do túnel.

—Acho que o aglomerado de ossos não suportou o peso de todos nós juntos.

A loira pediu para ver o machucado do garoto moreno, e lavou com um pouco de água de sua garrafinha.

—Beba um bocado, também. — Pediu. — Você respirou muita poeira.

—E agora? Vamos por onde? — August batia em suas roupas, tentando minimizar a quantidade de sujeira. — A passagem foi obtruída pelo deslizamento dos ossos.

—O jeito é tirar as pedras do caminho e seguir pelo mais rápido. — Minha namorada sugeriu.

Percebi que Papilon e seus amigos ficaram um pouco inquietos e tensos.

—De acordo Papilon? — O francês apenas assentiu.

Começamos a desempilhar as pedras e abrir passagem. Assim que era possível passar, August e Emma atravessaram.

—Que brincadeira é essa? — A loira tinha os olhos arregalados e estava com muita raiva.

—Do que está falando? — Lorraine perguntou.

—Dessa porra aqui! — Ela apontou para a pixação idêntica a que Papilon fazia. — Vocês falaram que nunca vieram por aqui? Estavam tentando brincar conosco?

Além de raiva, havia medo nos olhos verdes.

—Mas...mas... — Papilon ficou sem fala. — Eu não estive aqui! Não fui eu que fiz isso.

—Quem fez então? — Emma avançou para cima do francês e o segurou pela gola da camisa surrada. — Você acha que tenho cara de otária? Responde!

—Emma, fica calma... — August tentava acalmá-la. — Ele parece realmente estar tão surpreso quanto nós.

A loira bufou e soltou o rapaz.

—Vamos continuar. — Caminhou na frente, em passos pesados.

—Emma, espera! — Apressei-me para a alcançar. — O que foi aquilo?

—Algo está estranho nisso.

—Então, por que não desistimos dessa história de pedra filosofal e vamos para nossa casa em NY?

—Por que essa é minha zona de conforto, Regina... — A aflição era visivel em sua expressão. — Isso é o que eu sei fazer. Me arriscar!

Uma voz rouca e sofrida foi ouvida, o que fez todos pararem.

[PLAY] Desire – Meg Myers (deixem repetindo até o final do capítulo).

—Ouviram isso? — August perguntou, apontando a lanterna para o túnel escuro à frente.

Novamente a voz foi ouvida, e dessa vez com mais clareza. Era uma voz masculina, e a pessoa parecia estar sofrendo de alguma forma.

—Jean? É MEU IRMÃO! — Papilon correu de encontro com a escuridão, desesperado. — JEAN!

—Ele não pode estar vivo, pode? — Raul tinha um olhar assustado. — Foram dois anos... como ele sobreviveu sem água e comida?

—Isso é possível, Emma? — Perguntei.

—Acho quase impossível...

Corremos pelo mesmo caminho feito por Papilon, a procura do mesmo. O encontramos alguns bons metros depois, em uma cripta sem saída.

—Eu o ouvi aqui! — O francês apontava para um buraco escuro no chão da cripta. — Ele está lá embaixo, tenho certeza. Precisamos descer...

Peguei uma pedra solta no chão e joguei dentro do buraco, esperando ouvir o barulho do choque da pedra com o fundo.

Nada foi ouvido.

—Podemos usar as cordas e descer de rapel. — Raul sugeriu.

—Mas não sabemos a profundidade, seria suicídio. — August.

Henry não estava mais se divertindo tanto. Meu filho me abraçava, buscando segurança e conforto, como nas noites em que ele acordava após um pesadelo.

—Eu vou tentar. — Papilon mal esperou, e já pegou todo o material para preparar.

Após uns bons minutos perdidos na preparação e checagem de todo o suporte de descida, Papilon foi colocado no buraco e começou a decida.

—Pap, está tudo bem ai embaixo, meu irmão? — Raul perguntou.

—Sim. Está bem escuro.

—Está vendo algo?

—Estou... Consegui! Desçam, é seguro!

Emma começou a montar o cinto de rapel para cada um. Checando o meu e de Henry umas cinco vezes.

—Henry vai preso junto com August, e Regina comigo. Raul e Lorraine ficam acima de nós.

Todos concordaram, e assim iniciamos a descida. August e Henry chegaram ao solo sem problemas, e minutos depois, Emma e eu fizemos o mesmo. Raul chegou à seguir, reclamando que o cinto estava prendendo e o fez queimar as mãos com o esforço na corda. Mas nada de Lorraine.

—Lo, você está bem? — Papilon perguntou.

—O cinto prendeu, não consigo soltar!

—Dê um bocado mais de corda. Ocorreu o mesmo com o meu e isso ajudou. — Raul.

—Não está funcionando. — A voz feminina se fez presente, novamente.

Um estalo metálico ecoou, e o grito da francesa preencheu nossos ouvidos. Um baque e seu corpo imóvel estava no chão.

—LORRAINE! — Raul e Papilon gritaram, aos prantos.

Henry começou a chorar, assustado e pedir para ir embora. Emma tentava o acalmar, mas meu filho começou a hiperventilar e ter uma crise de pânico.

—Nós vamos morrer, estamos presos aqui! Como vamos sair? A corda arrebentou e é muito alto. — Ele falava em desespero.

—Henry, presta atenção meu filho. — Segurei seu rostinho nas mãos e olhei nos olhos. — Vai ficar tudo bem, não vamos morrer... Emma e eu nunca deixaríamos nada te acontecer.

—Toma um pouco de água, garoto. Vamos ficar bem. Eu prometo. — Emma sorriu para ele, confiante.

Com Henry e os franceses um pouco mais calmos, o melhor que poderíamos fazer agora, era seguir até encontrar uma saída. E andamos bons metros por um túnel cheio de água suja e fedida. Henry andava bem próximo a Emma e a mim, com medo do que estava por vir. Ou do que não estava.

Confesso que só de pensar que não encontraríamos a saída, e desceríamos cada vez mais, me amedrontava demais. Mas meu papel era ficar bem e mostrar ao meu filho que tudo iria ficar bem.

—Uma porta! – Raul gritou.

Atravessamos a porta, e nos vimos em outra cripta sem saída. O lugar era muito apertado, como tudo lá embaixo, e tinha uma enorme pedra no centro, que ligava o solo ao teto. Em um dos lados desta pedra, vi um símbolo de um abutre esculpido.

—Emma! – Chamei. – Olha...

—“O abutre lidera o caminho, com a luz mais cintilante num dia sombrio.” – A loira repetiu a inscrição que encontramos na pedra sepulcral de Flamel. – O abutre dá a direção. Ele tá apontando para cá... – Andou ate o uma parede, que parecia ser feita de pedras empilhadas. Uma das pedras tinha um escaravelho esculpido. – Escaravelhos, egípcios, pirâmides e faraós.

—Faraós! – August. – Os faraós num tinham um jeito estranho de esconder as tumbas?

—Tinham! A dobra ptolomaica...

—Dobra o que? – Perguntei.

—Dobra ptolomaica. – Emma repetiu. – É como uma charada... um cadeado do antigo Egito, que você tem que pegar a pedra exata do local exato ou então...

—Ou então... – Henry.

—O teto desaba e te mata.

—Não toque nesta merda, Emma. – Gritei.

—Amor, mas a gente pode tentar pensar no que estava escrito na pedra. “Sob o céu do paraiso”.

—Esferas celestiais. O sol, a lua e os planetas. – August.

—Oito planetas... – Emma continuou.

—Seis! Dois ainda não tinham sido descobertos no antigo Egito. – Henry deu de ombros. – Aprendi na aula de astronomia.

—Ok, seis. Um, dois, três, quatro... – Emma contava as pedras.

—Emma, espera, não mexe em nada! – August pediu. – Isso foi feito antes ou depois de Copérnico?

—Antes.

—Tá, então ainda acreditavam que tudo girava em torno da terra.

—Então a terra não contava como planeta. Mas a lua sim...

—E o sol também.

—Sete planetas... um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete. – A loira pousou a mão na sétima pedra e pediu ajuda a August p tirar ela.

—Regina, se nós morrermos hoje... não esquece que eu te amo. Você também, Henry.

August e Emma puxaram a pedra.

Notas finais
E ai? O que será que vai rolar? Comentem!