High Key
13 Dear Love
Notas iniciais
—Emma-
Bergen Airport— 02 de Fevereiro – Noruega.
O carrinho de bagagem estava lotado, eu mal conseguia empurrá-lo.
—Regina, precisava disso tudo?
—Querida, eu ainda sou uma referência em moda.
—Mas a gente vai... — Ela me interrompeu.
—Sem "mas", Emma. — Ela olhou-me com uma sobrancelha arqueada. — Você precisa rever seus conceitos de moda querida.
—Minhas roupas estão adequadas a minha rotina de trabalho.
—Mamãe, nós vamos nos aventurar! Essa saia lápis não combina com aventura. — Henry riu.
—Que aventura? Irei ficar no hotel.
—Regina, que hotel?
—O hotel onde vamos ficar... — A olhei com um sorriso divertido no rosto. — OH! Não me diga que...
—Nós vamos fazer uma longa trilha, e teremos que acampar no caminho.
—EMMA SWAN, LEVE-ME PARA CASA AGORA! — A morena deu meia volta e insinuou que iria até o setor de embarque para retornar a NY.
Dei uma corridinha até alcançá-la e segurei seu braço.
—Ei, Regina... — Ela olhou-me nos olhos, furiosa. — Você precisa abrir a mente para isso, meu amor. Prometo que vai valer a pena no final.
Ela ficou um tempo em silêncio, sem desviar o olhar. Suas feições foram suavizando.
—Ok. Eu vou. — Achei que seria mais difícil.
Saímos do aeroporto e eu comecei a tirar as malas de Regina do carrinho. Só as malas da morena ocuparam todo o carrinho. Henry e eu nos contentávamos apenas com mochilas de mochileiro.
—Meu deus, como vamos carregar isso tudo durante a jornada? — Henry me perguntou.
—Vamos fingir que esquecemos aqui. — Dei a opção.
—Emma! — Ele riu. — E se a gente aproveitar que ela está distraída e colocássemos algumas roupas dela dentro da sua mochila extra e doar o resto para algum morador de rua por aqui.
—Aqui é a Noruega, Henry. Não tem moradores de rua. — Olhei a morena que gritava no telefone alguma coisa sobre o trabalho. — Mas podemos usar sua ideia garoto.
Peguei a mochila extra e tirei de algumas de suas malas as roupas que eu julguei serem mais apropriadas para o tipo de viagem, colocando-as dentro da mochila. Peguei os objetos pessoais que julguei serem de maior valor e os coloquei dentro, também. Paguei a um rapaz que trabalhava no aeroporto para que enviasse as malas de volta a New York e ele o fez.
Regina nem mesmo reparou a movimentação. Mentalmente agradeci, a quem quer que seja, que discutia com ela ao telefone.
A morena enfim desligou e só então reparou o sumiço de suas malas.
—Emma, onde estão minhas malas?
—Mandamos de volta para NY. — Joguei a mochila nos braços dela. — Pegamos somente o necessário.
—Eu não posso acreditar! Estou me arrependendo de ter topado esta loucura!
—Calma reclamona, já disse que vai valer a pena. Vamos.
Botamos as mochilas nas costas e seguimos até chegar á rodovia principal.
—Veja, vamos pegar uma carona naquele caminhão. — Apontei empolgada.
Fui até um caminhão de frutas que estava parado no acostamento, sendo seguida por Henry e Regina.
—Nós não precisamos ir de carona nessa lata velha, Emma! Você ganha muito dinheiro que eu sei, tem dinheiro para alugar um carro.
—Regina, maior parte do trajeto será à pé. Vamos pegar carona até um local próximo. — Ela estava prestes a falar algo em oposição, mas a impedi. — Vamos combinar uma coisa? Você para de reclamar de tudo e tenta curtir um pouco... confia em mim, por favor?
Ela finalmente pareceu ceder e relaxo.
—Tudo bem, mas é melhor que não ponha meu filho e eu em risco, está ouvindo bem Swan?
—Prometo. — Dei o meu mindinho insinuando que devíamos fazer promessa de dedinho.
—Quantos anos você tem mesmo? — A morena revirou os olhos mas juntou seu mindinho ao meu.
—Diz que promete!
—Prometo!
—Ótimo.
Fui até o senhor que vendia as frutas e perguntei e perguntei se ele poderia nos dar uma carona até o heliporto mais próximo, torcendo para que o homem entendesse minha língua. Para minha sorte ele falava inglês perfeitamente, e topou nos levar.
—Venha garoto. — Chamei o menino, que correu até mim.
Peguei-o no colo e o coloquei dentro da caçamba do caminhão. Regina se aproximou e me entregou sai mochila. Joguei-a lá dentro e a ajudei a subir, a seguindo.
[...]
Chegamos ao heliporto, e fui logo falar com um rapaz que havia entrado em contato um dia antes da viagem.
—Emma Swan? — Ele sorriu e estendeu a mão para mim. — Sou Edward. Vou levá-los até Jotunheimen National Park.
—Prazer! — Apertei sua mão. — Estes são Regina e Henry, meu pequeno aventureiro.
O homem acenou para eles com um simpático sorriso.
—Vamos! Subam no helicóptero.
Henry correu até o nosso meio de transporte. Regina caminhou lentamente até lá, e olhou-me feroz quando passou por mim.
—Só porque prometi não falar mais nada. — Confesso que esse tipo de atitude da morena me excitou, de certa forma.
Sorri de canto e subi no helicóptero.
[...]
—Regina-
Eu estava completamente encantada com a vista que estávamos tendo do alto. O piloto do helicóptero havia deixado Henry sentar-se no banco da frente, dizendo que ele iria ser seu copiloto. Olhei para Emma com um sorriso bobo. Ela sorriu de volta e levou sua câmera até a linha de seus olhos e tirou uma foto minha.
—Linda, como a primeira vez que a vi.
—Não seja boba. — Senti meu rosto corar.
—Acho incrível que a gente ainda não tenha transado. — Ela falou num tom que somente eu ouvi.
—EMMA! — Corei mais ainda. — O quão metida você é para achar que é tão irresistível assim?
—Não, não nesse sentido. Quis dizer que... geralmente só quero transar com as pessoas, e se demora muito eu acabo enjoando delas, mas com você é diferente.
—Então você não quer transar comigo? — Fingi-me de ofendida.
—Não, Regina... nada disso! Eu estou dizendo que a cada dia eu fico mais apaixonada por você. Mesmo com esse seu jeito mandão e elegante.
Não evitei sorrir com o que a loira havia acabado de dizer.
—Bom saber, Swan. -Voltei minha atenção, novamente, para a janela, mas ouvi o disparo de sua câmera para mim.
Acabei esquecendo de todas a regalias e estava verdadeiramente feliz com aquilo tudo. Eu iria sim me esforçar para continuar a aventura junto com Emma e Henry, menos chata.
O helicóptero pousou em uma área rochosa cercada de montanhas. A vegetação era rasteira e quase seca. O pouco verde que existia, eram os musgos nas pedras. O resto da paisagem se contrastava em tons terrosos, cinza e o azul do céu e dos lagos. Era maravilhoso. O ar era puro. Nenhuma sensação que eu estava sentindo agora, eu havia sentido antes.
Emma desceu do helicóptero com Henry no colo.
—Você sentiu, não é? — Ela me perguntou.
—O que exatamente eu senti?
—Eu não sei se isso tem um nome. Mas é uma sentimento que eu nunca sinto até pisar nesses lugares. É como se um peso saísse de mim. É como se minhas energias se misturassem a do lugar. Nada mais vale tão a pena do que estar aqui. — Ela olhou-me com os olhos esmeraldas cheios de um brilho que eu jamais vira.
—Nada mais. — Concordei.
—Porém... depois que eu encontrei vocês, percebi que em minhas viagens sempre estavam faltando algo. Esse sentimento... — Ela gesticulou para tentar demonstrar o sentimento. — não era mais o mesmo. Tinha sempre um pedaço dele em vocês, onde quer que vocês estivessem.
Pude sentir a verdade nos olhos dela, e o que ela havia sentido em cada palavra.
—Eu entendo agora porque é tão difícil para você deixar seu emprego.
—Agora com vocês aqui... tudo o que eu mais desejo é poder fazer isso todas os dias da minha vida ao lado de vocês. — Ela sorriu emocionada e abraçou Henry de lado. -Meu garoto... — Ela beijou o topo da cabeça de Henry como se tudo dependesse daquilo.
Percebi as lágrimas caindo de meus olhos e virei de costas para que nenhum dos dois reparassem. Por mais que eu tivesse certeza de que eu amo Emma Swan, ainda precisava manter minha pose de imponência.
—Bom.. — Emma limpou as lágrimas que desciam pelo rosto dela. — Vamos segui? Regina, sugiro que você coloque as roupas que estão em sua mochila antes de começarmos a trilha.
Emma e Henry viraram de costas para que eu me trocasse. Abri a mochila e vi que havia apenas uma calça de moletom cinza que eu usava para dormir no frio, uma camiseta branca, algumas calçinhas, uma casaco de couro preto e um par de tênis de corrida.
"Deus queira que minhas roupas da Channel estejam sãs e salvas." Pensei comigo.
Comecei a tirar minhas roupas elegantes e vestir as roupas despojadas. Reparei que Swan, volta e meia, tentava espiar com um sorriso sapeca no rosto. Com o intuito de provocá-la, comecei a me despir sensualmente. Pude ver o suor nervoso escorrendo pela testa da loira. Ri baixo e terminei de me trocar.
—Vamo! — Disse animada.
—Nossa, essa Regina está totalmente incrível. — Emma sorria.
—Você tá parecendo uma aventureira mesmo mãe!
—Vamos!- Emma puxou o garoto, e iniciamos a caminhada.
[...]
—8 horas depois-
Já estava ficando muito frio e estava anoitecendo. Caminhamos por longos quilômetros e eu estava exausta. Emma resolveu parar e começar armar acampamento. A loira, apesar do frio, suava muito pelo esforço que estava fazendo o dia todo.
—Preciso procurar água potável. A nossa está acabando. Enquanto isso... — Ela tirou latas de comida da mochila e jogou para Henry. — Quero que você e sua mãe esquentem essa comida para comermos.
Assentimos e a loira se afastou pela escuridão apenas com uma lanterna e um canivete pequeno.
Coloquei as comidas que haviam dentro das latas, dentro de uma vasilha de alumínio, e coloquei no fogo para esquentar. Estava um tanto nervosa em ficar afastada de Emma nessa escuridão. O barulho da vida selvagem era ensurdecedor. Comecei a imaginar os inúmeros animais exóticos que existiam nesse lugar.
—Emma está demorando, não acha, filho?
—Ela acabou de sair mãe... o lago deve estar longe.
A cada som meu desespero aumentava. Eram barulhinhos de galhos estalando, sibila de cobras, uivo de lobos e chirrear de corujas. Era completamente assustador.
—Henry, esse lugar é perigoso de noite. -Henry arqueou as sobrancelhas se divertido.
—Mamãe você está com medo?
—Claro que não, Henry. — Tentei manter a pose.
Ouvi um uivo próximo a nós. Agarrei Henry, porque eu poderia morrer, mas ninguém fará nada ao meu filho.
—Henry vamos entrar na barraca. — Puxei meu filho para dentro e fechei o zíper da barraca.
Os uivos ficaram mais próximos e havia uma movimentação estranha do lado de fora. De repente a barraca começou a balançar muito junto com um rugido. Só ai percebi que tudo se tratava de uma brincadeira de Emma. A loira abriu o zíper da barraca e colocou a cabeça para dentro soltando uma gargalhada.
—EMMA! — Taquei o travesseiro nela.
—Olha se não é a senhorita Mills morta de medo. — Ela brincou. — Vamos comer, a comida já está quente e achei água para ferver.
Saímos da barraca sendo caçoada por Henry.
[...]
Tive que aguentar as piadas dos dois durante a noite toda. Já era tarde e eu me virava em meu saco de dormir. Henry e eu estávamos dividindo uma barraca, enquanto Emma, estava em outra.
Resolvi sair e ver se Emma ainda estava acordada. Rastejei pela minha barraca até sair, sem que Henry acordasse. Abri o zíper da barraca da loira, que estava de frente para a nossa e pude vê-la dormindo como um anjo. Ela parecia muito confortável naquele chão duro e irregular.
—Emma... — Chamei baixinho.
—Hmmm. — Ela gemeu.
Respirei fundo.
"Dorminhoca" pensei.
Deitei ao lado da loira e me aconcheguei. Virei de forma que ficasse de frente para a loira, e fiquei a observando dormir. Ela remexeu-se um pouco e abriu os olhos, cruzando seu olhar com o meu. Aqueles olhos esmeralda seriam minha perdição. Senti seu lábio colar no meu com vontade.
—Ainda com medo? — Ela disse ao terminar o beijo.
—Não. Só não consegui dormir.
—Fecha os olhos. — Obedeci.
Senti seus lábios tocarem meu nariz, depois minha testa e assim minha boca. Esse gesto de carinho me fez sentir tão em casa e tão relaxada que não demorou muito e senti o sono pesar em mim.
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