High Key
21 By the look on your face
Notas iniciais
—Emma-
Duas enfermeiras entraram correndo no quarto. O barulho do aparelho soava disparado. Logo atrás das enfermeiras vieram: Cora, Zelena, Ruby e Henry.
—Ela mexeu a mão! — Disse eufórica. — Eu senti, ela mexeu os dedos.
Dr. Whale entrou correndo no lugar e perguntou as enfermeiras o que estava acontecendo.
—Calma, Emma... — Zelena me segurou pelo ombro. -Vamos lá para fora.
—Vocês não podem desligar nada, ela reagiu... — Gritei me debatendo nos braços da ruiva.
—Emma, fica calma! — Ouvi a voz masculina que conhecia sendo a de August. — Deixe que eu pego ela Zelena.
Os braços fortes de August me envolveram e fui arrastada para fora, contra a minha vontade. E dessa vez não adiantou me debater pois o homem era bem mais forte que eu.
—August, por favor...
Todos que estavam dentro do quarto, inclusive o Dr. Whale, agora se encontravam do lado de fora.
—Emma fique calma, está tudo bem! — Cora pediu.
—Doutor, não vão desligar as máquinas né? Ela melhorou, ela mexeu a mão, eu senti. Eu não estou louca, estou?
—Não, Emma. Ao que parece, ela realmente respondeu. — Todos comemoraram. — Mas é uma situação delicada. Ela pode acordar com sequelas gravíssimas. E pode também ser uma resposta momentânea e ela voltar ao mesmo estado a qualquer momento.
—Não, eu sei que ela vai melhorar! — Disse determinada.
—Vamos mantê-la em observação. — O médico disse antes de se retirar.
[...]
12 de março — 18h00.
Bellevue Hospital Center, New York.
Haviam se passado três dias desde a primeira resposta da morena, e até então ela veio melhorando consideravelmente. Eu não saí do hospital em momento algum depois disso.
Em maior parte do tempo, éramos só Regina e eu. Henry ficava comigo depois que chegava do colégio, mas quando a noite chegava, sua avó vinha lhe buscar para ficar com ela.
O som que saía das máquinas eram como uma música de ninar. Talvez seja por eu não ter dormido nada esses dias. Minha aparência não estava nada agradável somado as noites de insônia e a preocupação. Meus olhos estavam ficando cada vez mais pesados, e depois de muito lutar para mantê-los abertos, se fecharam.
Senti meu corpo relaxar e começar a entrar em estado de sono profundo. Uma voz distante foi acordando-me aos poucos.
—Preciso que siga meu dedo com os olhos, tudo bem? — A voz do Dr. Whale era fraca.
Abri os olhos me acostumando com a luz e vi o doutor de frente para Regina com o indicador levantado de ou lado para o outro. Meu coração acelerou e dei um pulo da poltrona que me acolhia. Ela havia acordado.
—Regina? — Minha voz saiu grogue.
—Emma, preciso que você se sente. — Whale pediu, mas ignorei.
Aproximei-me da mulher com ansiedade de encontrar novamente aqueles olhos castanhos tão intensos que eu tanto amava.
—Regina, eu sabia que você ia conseguir! — Ela olhou-me com estranheza.
—Quem é você? — A voz da morena saiu baixa e com dificuldade.
—O que? — Meu coração disparou. — Sou eu meu amor...
—Emma, Regina não se lembra de nada. — Senti meu corpo inteiro travar e um nó amarrar minha garganta. — Só se lembra de quem é e de seus pais. Nem de Henry ela lembra.
—Mas...
—Eu disse que poderia ter sequelas e essa já era esperada.
—Mas é irreversível?
—Não tem como saber, Emma. — O homem respirou fundo. — Ela também não consegue se movimentar, mas isso pode ser trabalhado com fisioterapia. Como ela ficou muito tempo sem fazer qualquer tipo de movimento, foi como se voltasse a ser criança e tivesse que reaprender tudo novamente. O ideal agora Emma, seria que você continuasse dando suporte a ela, talvez ela se lembre de algo convivendo com você. Vamos fazer alguns exames para ver o estado dela e amanhã devemos começar com a fisioterapia.
O homem voltou-se a Regina, que nos observava calada.
—Regina, está sentindo alguma dor? — A morena negou com a cabeça. — Ótimo! Eu preciso ir, mas volto logo para te levar para os exames. Esta é Emma, ela é sua namorada.
A morena arqueou as sobrancelhas com um olhar confuso.
—Ela está aqui para te ajudar, por isso deixe-a dar este suporte. — O médico continuou. — Eu sei que agora é tudo muito confuso para você, mas iremos cuidar de tudo.
Ele despediu-se e se retirou com as enfermeiras no encalço. Aproximei-me do leito e a olhei com um sorriso tímido.
—Henry vai ficar louco quando souber. — Comentei. — Sabe quem é Henry?
A morena negou com a cabeça. Engoli seco.
—Henry é seu filho. — A mulher respirou fundo surpresa.
—Eu tenho um filho?
—Sim, e ele é lindo assim como você.
—Quantos anos ele tem?
—Ele tem 10 anos e está entrando naquela fase complicada da pré-adolescência, onde se sente um verdadeiro homem. Para mim continua sendo nosso garotinho de 8 anos, mas tenho que agir como se ele fosse um adulto, sabe? Para não chateá-lo. — Ela parecia bem atortoada. — Ok, você não precisa saber disso tudo agora, sei que é confuso.
—Onde está minha mãe?
—Ela está no seu apartamento com Henry e Graham. — Expliquei com calma. — Graham é o novo marido de sua mãe, ele chegou esta noite.
—E Zelena?
—Zel está na casa dela com Maia, sua sobrinha. — Passei as mãos pelos cabelos. — Sei que parece loucura uma completa estranha, que se diz sua namorada, estar com você aqui mas seus familiares não... mas eu prometi que não ia sair mas do seu lado.
—Pode pedir que elas venham? — Sua voz estava fraca e falha. Algumas vezes mal dava para ouvir.
—Posso, eu vou ligar para Zel. — Peguei o celular com um sorriso amarelo no rosto, para tentar passar confiança a ela.
Mandei uma mensagem para Zelena e pedi que avisasse a Cora.
—Pronto! Em breve elas estarão aqui.
—O que aconteceu com Daniel? — Senti uma pontada de dor em meu peito e o ar que tinha em meus pulmões desaparecer.
—Ele... faleceu fazem alguns anos. — As lágrimas desceram pelo rosto dela e em um choro descontrolado.
—Henry é filho de Daniel?
—É sim Regina, mas o garoto não chegou a conhecê-lo. — Senti como se alguém me estrangulasse com força. -Regi... — Tentei segurar sua mão mas a morena a puxou.
Ela pareceu perceber que sua reação causou-me uma tristeza repentina.
—Desculpe, não quero que fique magoada, mas eu não te conheço. — Ela soltou uma lufada de ar. — Apesar de terem dito que você é especial para mim.
—Costumava ser. — Disse com tristeza.
A dor que se instalara em meu peito era intensa. Não ser lembrada pelo amor de sua vida era como se diversas facadas fossem aplicadas por todo seu corpo. Repetidas vezes.
Ficamos em um desconfortável silêncio por minutos eternos. Vez ou outra eu abria a boca para tentar puxar algum assunto, mas desisti antes mesmo de sair qualquer palavra. A porta se abriu revelando a silhueta de três pessoas. Cora, Henry e Zelena.
—Mãe! — Henry gritou e correu até a morena para abraçá-la.
—Henry... — Tentei o impedir mas o corpo do menino já havia se chocado contra o de Regina.
Para a minha surpresa, Regina recebeu o garoto com um enorme carinho. Ela o segurou por um tempo dentro do abraço apertado e um sorriso emocionado nasceu em seu rosto.
—Senti tanto a sua falta, mãe. — Ele olhou-me emocionado. — Mamãe, ela acordou! Do jeito que você disse que ia acontecer.
Regina suspirou incomodada.
—Garoto, ela não lembra de nós. — Fiz uma expressão cansada.
—Como assim? — Zel perguntou.
—Ela só lembra de vocês duas e de... Daniel.
—Oh, merda! — A ruiva resmungou.
—Eu poderia ficar a sós com minha família? — Regina pediu olhando diretamente para mim.
Novamente as facas me atravessaram. Assenti tristemente, recebendo um abraço apertado de Henry e Cora. Retirei-me do quarto e corri para fora do hospital. Meus pulmões pareciam estar sendo espremidos dentro de mim, causando uma dolorosa falta de ar. Puxei o ar com desespero e não demorou muito até que eu começasse a chorar descontroladamente.
—Emma? — Ouvi a voz de Henry atrás de mim.
—Henry? — Tentei limpar as lágrimas, pois tinha que ser forte para meu garoto. — Por que não está com sua mãe?
—Porque você também é parte da família.
—Eu não sei se consigo voltar para dentro daquele quarto. Eu prometi que não iria sair do lado dela, e eu vou cumprir, mas não lá dentro. Doí tanto, garoto... ela não lembrar do amor que sente por mim.
—Mas a culpa não é dela.
—Eu sei que não.
—Bom, eu vou aproveitar que vocês estão com ela e vou para casa tomar um banho e descansar. — Puxei o menino e depositei um beijo carinhoso em sua testa. — Cuide dela enquanto não estiver, lembre que você é o homem da casa!
[...]
3 semanas depois.
—Henry pegue seu casaco no sofá! — Gritei.
O garoto moreno apareceu correndo, com sua mochila nas costas e ajudou-me com a minha mochila.
—Vamos logo antes que você se atrase e me atrase. — Seria o meu primeiro dia de trabalho depois do que aconteceu a Regina.
Entrei em meu fusca seguida por Henry, que tinha alongado bons centímetros, suas pernas mal cabiam dentro do carro.
Confesso que estava com saudade de toda a agitação do meu trabalho, e hoje eu voltaria aquela vida corrida. O motivo disso seria esquecer por hora a dor que a perda de memória de Regina estava me causando.
A morena havia iniciado a fisioterapia de reabilitação, e eu passei todo momento ao seu lado como prometi, mas a mesma negava a minha presença de todas as formas possíveis. Claro que eu não desisti dela apesar de sua relutância, mas resolvi acompanhar tudo de longe. Como trabalho sempre foi uma ótima terapia para minhas dores, resolvi aceitar o projeto enviado por Gold. Segundo ele, eu seria a única pessoa que conseguiria produzir as fotos desse projeto da forma que a revista precisava, nenhum outro fotógrafo conseguiria me substituir nisso, mas ele entenderia perfeitamente se eu não aceitasse.
Não custava nada tentar relaxar um pouco, não é?
Eu sabia que Regina estava bem cuidada, e não me manteria de todo longe. Gold prometeu que desta vez não me mandaria para uma viagem suicida, por conta disso, não vi problemas em aceitar.
—Vou te deixar no colégio e depois da aula quero que vá direto para o hospital ver sua mãe. Entendido? — Ele assentiu. — Irei ver para onde viajarei e ligo avisando antes de entrar no avião, mas não ficarei fora por tanto tempo quanto antes, ficarei no máximo uns 3 dias e volto. Irei ligar por Skype todo dia para saber como você e sua mãe estão. Combinado?
—Combinado, Emma. — O menino revirou os olhos e bufou.
—Ótimo! Você vai ficar com a sua avó e eu quero que se comporte bem, ouviu?
—Eu vou... — E a cada dia seus gestos ficavam cada vez mais parecidos com os de sua mãe.
Assim que paramos em frente ao seu colégio, alguns minutos depois de trânsito, sai do carro e puxei o garoto para um abraço apertado.
—Eu te amo demais Henry.
—Também te amo, Mãe. — Senti seus braços me apertarem com força, como se a qualquer momento eu pudesse desaparecer. — Prometa que vai voltar e bem. Nunca mais fuja de nós. Eu sei que minha mãe te ama muito ainda, eu vejo nos olhos dela. Ela só não entende.
—Eu prometo, Henry. — Beijei sua testa antes de me afastar completamente dele.
—Ligue assim que souber qual seu destino e mesmo que não pegue internet onde você estiver, dê seu jeito de me ligar por Skype. — Exigiu.
—Sim senhor! — Bati continência.
—E não esqueça das cartas! Eu sinto falta daquilo.
—Henry, quando as cartas chegarem, provavelmente eu já terei retornado. — Abri os braços. — Qual é a graça disso?
—Então mande e-mails em forma de carta! — Deu um último aceno antes de entrar no colégio.
Aspirei o ar profundamente antes de voltar para o meu carro e seguir em direção a editora. O prédio principal ficava próximo ao colégio de Henry, então não demorou mais do que meia hora com o trânsito para que eu chegasse.
Adentrei no prédio de arquitetura moderna que continha as iniciais da NatGeo e segui pelo saguão até chegar ao hall de elevadores. Entrei no mesmo elevador que continha uma certa quantidade de engravatados mau encarados.
Era um pouco incômoda a forma como eles me encaravam, mas eu pouco me importava. Provavelmente estariam julgando minha calça cargo verde musgo, minha regata preta e meus inseparáveis coturnos de viagem.
O toque indicador de andar soou e percebi que era o andar da sala de Gold. Dei um bom dia fraco antes de deixar o cubículo metálico e seguir para a sala do presidente. Sua secretária, Belle, me recebeu com seu maravilhoso sorriso e liberou minha entrada.
—Emma! Que bom que veio. — O homem veio até mim para um abraço terno. — Como Regina está?
—Está melhorando na medida do possível.
—E nada da memória? — Neguei com a cabeça. — Ela vai lembrar querida, tenha paciência. Agora vamos ao que interessa...
O homem foi até sua mesa, puxou alguns papéis e me entregou. Tratavam-se das passagens e documentação necessárias para assinar. Como era de praxe, assinei e o entreguei os documentos, mantendo comigo somente as passagens.
—Islândia? — Arqueei as sobrancelhas.
—Isso! Na próxima edição o tema será: A beleza indômita da Islândia. — Ele abriu os braços de forma teatral. — E como sei que você tem uma paixão secreta pela Islândia, não pude pensar em fotografo melhor para enxergar tal beleza.
Meu peito se aqueceu com a notícia.
—Muito obrigada! Meu Deus! — Gargalhei de felicidade.
[...]
—Regina-
—Não force tanto Regina. — Pediu o fisioterapeuta.
Estava segurando nas barras paralelas de ferro que sustentavam meu peso enquanto eu tentava dar passos em vão. Minhas pernas não respondiam e estavam tão raquíticas que sentia como se a cada esforço para dar um passo, poderiam vir a quebrar.
Isso me destruía psicologicamente.
Mamãe, Zelena e Henry acompanhavam tudo com um olhar e sorriso orgulhosos, o que me irritava extremamente.
—O que vocês estão olhando? — Ralhei mal criada. — Vocês não percebem que eu estou como uma aleijada!
—Regina, querida... — Cora tentou argumentar.
—Não! Cale a porra da boca, mamãe. Eu odeio isso tudo.
Empurrei o fisioterapeuta que me segurava para longe e senti meu corpo ir de encontro ao chão.
—Regina! — Minha irmã entregou Maia, que estava em seu colo, para Cora e correu até mim.
O fisioterapeuta se desculpou com minha irmã e comigo, enquanto ajudava a ruiva a me levantar.
—Eu não preciso de ajuda... — Resmunguei quase como um sussurro.
—CHEGA, REGINA! — Zel gritou. — Que saco! Você tem que parar de afastar as pessoas que querem o seu bem. Você já afastou a Emma, que passou todo o tempo em que você esteve em coma ao seu lado. Ela se ofereceu para pagar tudo do seu tratamento, inclusive essas suas sessões de fisioterapia de reabilitação, e você a afastou. Ela te ama, assim como nós.
—Ela só está pagando tudo pois se sente culpada pelo que aconteceu comigo. — Bufei. — E eu não a conheço.
—Você voltou a ser aquela imbecil de antes. — Zelena maneou a cabeça negativamente. — Emma não teve culpa, foi uma fatalidade.
Eu realmente estava sendo imbecil. O tempo em que Emma esteve no hospital acompanhando tudo, ela tinha se mostrado uma pessoa incrível e cuidadosa. Eu sentia algo em meu coração, um sentimento conhecido pela loira, mas ao mesmo tempo desconhecido. Eu realmente amava Emma a ponto de ir até o outro lado do mundo trazê-la de volta como a disseram? Sim, eu amava.
—Emma-
04 de abril
Cachoeira Öxarárfoss,Parque Nacional de þingvellir — Islândia — 8h00.
[PLAY] Empire— Of Monsters and Men.
O vento frio soprava de encontro ao meu corpo com força. Meus cabelos, mesmo presos em um rabo de cavalo justo, dançavam pela minha cabeça. Minha câmera enquadrava a bela imagem do círculo de ouro da cachoeira de Öxarárfoss capturando qualquer sinal de magia que aquele lugar libertava. O contraste entre o cinza escuro das pedras vulcânicas e o verde do musgo que grudava nelas era tão forte que doía os olhos. A água cristalina corria pelo irregular rochoso formado por magma endurecido de vulcão, o qual eu também tentava me equilibrar. Era lindo e tão mágico quanto eu esperava que fosse.
Por um momento pensei em Henry, que acreditava verdadeiramente nas lendas locais de cada país. Pendurei a câmera no ombro e peguei meu celular no bolso. Deslizei o dedo pela tela até encontrar o contato de Henry na agenda. A tela do Facetime apareceu mostrando meu rosto por vídeo, enquanto discava para o garoto moreno. Não demorou muito e pude ver o rostinho calmo do garoto na tela.
—Emma? — Sua voz cortou por um breve momento.
—Ei garoto! Tá me ouvindo?
—Estou sim, mas sua imagem está congelando toda hora.
—Desculpe por isso, o sinal aqui é péssimo. — Tentei subir em uma parte mais alta dos rochedos para tentar melhorar o sinal. — Como está tudo ai? Como sua mãe está se saindo?
—Agora sim parou de travar! — Ele sorriu animado. — Estamos bem, e a mamãe só está tendo problemas em se adaptar a fisioterapia. Como você está? Tem um barulho muito forte de vento, onde você está?
—O que houve com ela, Henry? — Respirei frustrada. — Estou no alto da cachoeira de Öxar... Öxarárf... Öxarárfoss! — Tive dificuldade em pronunciar o nome do local. — Islandês é uma língua difícil, garoto. Mas veja a vista! — Virei a câmera para mostrar toda a região.
—Wow! É incrível. — Disse o garoto animado.
—E você, onde está? — Voltei para a câmera frontal focando em meu rosto.
—Estou no Hospital com mamãe, convenci o Dr. Whale a me deixar dormir com ela aqui esta noite. Ela teve um dia duro e acho que amanhã ela volta para casa.
—Isso é incrível, Henry! — Meu coração palpitou de forma descompassada. — Ela está ai com você?
—Está sim. — O garoto virou o rosto e começou a conversar com a mãe. — Ei mãe, Emma está em uma cachoeira na Islândia.
A imagem do garoto entrou em movimento mostrando que ele estava andando até a mulher. Logo pude ver o rosto de Regina na tela. Ela estava com feições abatidas, mas parecia melhor do que a última vez que eu a vi. Continuava linda.
—Ei Emma. — A morena cumprimentou com um sorriso sem graça.
Estranhei a atitude da mulher, já que antes ela mal olhava para mim.
—Ei Regina... Está tudo bem?
—Sim. — Seu olhar entristeceu. — Estou frustrada, só.
—Henry se comportou bem?
—Ele é um ótimo garoto. — A mulher sorriu olhando para seu filho. — Como está a viagem?
—Oh... — Ok, agora eu estava mesmo surpreendida! — Está ótima, obrigada. Estou em um lugar mágico.
—Mostre-me. — Virei a câmera da mesma forma que fiz com Henry e mostrei tudo.
—Veja, aqui tem diversos vulcões. — Comentei com animação. — É realmente incrível que todo este solo em que eu estou pisando seja todo novo. Eu posso estar pisando em uma rocha que foi formada ontem pelo magma resfriado de uma erupção.
—É lindo. — E ela deu aquele sorriso. Sim, aquele pelo qual me apaixonei.
—Fico muito feliz que esteja bem.
—E eu fico feliz que esteja de volta a fazer o que gosta. — Seu semblante se tornou triste.
—Nada é igual, mas eu me sinto bem voltando ao trabalho. — Suspirei.
—Qual é a comida daí, Emma? — Henry se meteu na frente de sua mãe.
—Carne de baleia, cabeça de ovelha, fígado de cordeiro e patê de testículo de carneiro.
—Eca! — Henry fez a mesma expressão de nojo que eu.
—Henry, as vezes, parece mais ser seu filho do que meu. — Regina comentou enquanto analisava nossa expressão enojada. — A forma que ele age e as expressões que ele faz... Zelena sempre o chama de "cria de Emma".
—Ele passou bastante tempo comigo nesse tempo que você esteve...
—Obrigada. — Ela me interrompeu. — Por cuidar tão bem dele.
A imagem não era nítida, mas eu conseguia enxergar o brilho nos olhos de Regina. Ela ainda estava lá, a minha Regina... e me amava.
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