Notas iniciais
Demorei mas voltei. Nem vo falar muito aqui não porque vocês querem logo o capítulo que eu sei. Música do capítulo: "Falling - The Civil Wars"

–Emma-

New York

Lá estavam eles, parados naquela enorme janela de vidro, olhando para mim. As duas pessoas que eu contei os dias e as horas para reencontrar, que foram responsáveis por rodear meus pensamentos por meses, agora estavam lá, do outro lado da calçada me olhando cada um com um enorme sorriso no rosto. Claro que Regina mantinha sua pose, mas eu conseguia enxergar que no fundo, ela estava sorrido.

Henry foi o primeiro a correr para longe das janelas de vidro. A morena seguiu o garoto com toda sua elegância. Atravessei a rua para esperá-los na portaria do prédio. O garotinho de cabelos negros veio correndo de dentro do elevador ao meu encontro.

–EMMA! — Ele agarrou minha perna como se a qualquer momento pudesse me perder. — Senti tanto a sua falta.

–Eu também, garoto. — Abaixei até sua altura e o abracei forte. — Veja como você cresceu alguns centímetros!

Coloquei-me de pé e baguncei seus cabelos. Olhei para Regina, que até então estava imóvel atrás do filho, nos olhando com ternura e um fraco sorriso. Sorri para ela como se minha vida dependesse daquilo e ela abriu os braços.

–Eu também recebo um abraço? — Ok, eu não esperava tal coisa dela.

Aquele pedido fez uma ressaca de emoções iniciar dentro de mim. Uma alegria insana percorreu meu corpo, e eu percebi que o que eu havia sentido durante todos os meus dias longe dela e de seu filho, fossem nada perto do que eu realmente sentia.

Mergulhei em seu abraço como se nada do restante importasse, e a apertei firme em meus braços.

–Eu senti tanto a sua falta, também. — Deixei escapar.

Obvio que eu sentia saudade dos meus pais e do meu irmão pentelho, Neal. Mas o que eu estava sentindo sobre Henry e Regina era de forma tão intensa, que era como se nossas almas fossem interligadas, e uma precisasse da outra. O meu sentimento de amizade por eles dois era, de fato, algo muito grande.

Regina me soltou do abraço e voltou com sua pose de importância. Era incrível como em um minuto ela parecia descer e subir suas barreiras emocionais.

–Emma, eu adorei os presentes que você mandou! — O garotinho pulava como uma pipoca, de alegria.

–Gostou, é? — Peguei minha mochila e abri. — Olha o que eu trouxe do Irã, para você.

Tirei uma carcaça de granada e entreguei a Henry. Percebi que Regina arregalou os olhos.

–SRTA. SWAN, VOCÊ VOLTOU INSANA DE LÁ? ELES COM CERTEZA EXPLODIRAM SEU CÉREBRO! — Ela tirou a granada da mão do filho, que fez beicinho.

–Regina, essa granada não funciona, ela já explodiu e sobraram esses frangalhos ai. — Ela pareceu ficar aliviada, mas eu estava completamente enganada.

–Ainda assim você está incentivando o meu filho de 8 anos a ser violento.

–Olha, isso é só um objeto que conta histórias. — Olhei para Henry. — Se eu te der isso você vai querer explodir alguém, garoto?

Ele balançou a cabeça negativamente. Regina respirou fundo e acabou cedendo.

–Eu trouxe algo para você também, Regina... — Ela pareceu surpresa.

Tirei da mochila um embrulho pequeno, feito de tecido e corda, e a entreguei.

–Espero que goste. — Ela abriu o embrulho surrado e logo conseguimos ver a pequena caixinha de madeira toda ornamentada e colorida.

Ela olhou o objeto com encanto. Realmente era tão belo que encantava a qualquer um.

–É lindo, Swan. — Novamente suas defesas pareceram cair.

–Se chama Khatam. É uma caixinha de jóias.

–Obrigada. — Ela sorriu sincera.

[...]

Estávamos como a alguns meses atrás, sentados em uma mesa de restaurante, almoçando juntos, os três.

–E então, como foram as viagens, Emma? — Henry.

–Ah garoto, foram incríveis, mas... eu senti que faltava algo. — Olhei para Regina, tentando fazer com que ela me entendesse. — Queria que você tivesse ido comigo a todas.

–Eu poderia ir com você algum dia? Qual sua próxima viagem?

–Mas é claro, garoto! Vou para Provence na França. — Sorri maliciosa com uma ideia que tive. — See sua mãe deixar, você pode ir comigo.

Olhamos os dois para Regina, que estava mexendo no celular distraída.

–Como? — Ela arqueou uma sobrancelha.

–Mamãe, você me deixa ir viajar com a Emma?

–Como assim? Claro que não, eu não vou deixar que você viaje com uma estranha.

–Emma não é uma estranha!

Henry e eu fizemos beicinho e cara de cachorrinho pidão.

–Regina, eu prometo que cuido bem dele. E eu vou levar meus pais também, porque iremos na semana de natal e eu odiaria passar o natal sozinha novamente. — Lembrei-me de todos os natais que passei viajando para países distantes, contentando-me apenas com o stream por Skype com meus pais.

Esse era um dos pontos ruins do meu trabalho. Sempre tive o costume de passar os natais em família e curtir aquele clima e a troca de presentes, mas o trabalho acabava sempre tirando de mim essa tradição.

–E deixar meu filho passar o natal com uma família estranha, e meu marido e eu passarmos sozinhos? Nem pensar, e não haverá discussões!

Acabamos desistindo de insistir. A morena era uma mulher de personalidade muito forte para ser persuadida tão fácil.

Ficamos um tempo comendo em silêncio e Henry fez questão de deixar nítida a insatisfação dele com a decisão da mãe sobre a viagem.

–Emma, depois de amanhã será meu último dia de aula e terá o dia da profissão na minha escola... Eu queria muito que você fosse para falar da sua profissão. — Fiquei surpresa.

Aquilo era um convite muito importante, tanto para mim quanto para o garoto. Regina, percebendo que eu fiquei muito tempo calada.

–Henry te admira muito, Emma... — Ela olhou-me nos olhos. — Você é como uma heroína para ele.

Ninguém nunca havia me admirado, ninguém nunca havia sequer se importado comigo, além de minha mãe e meu pai. Eu nunca pensei que seria mãe ou coisa do tipo, e nem que esse sentimento materno iria surgir em mim. Mas Henry causava isso em mim.

–Eu vou. — Sorri para eles.

–SÉRIO? — Ele perguntou animado.

–Sim, eu quero muito falar sobre minhas aventuras para os seus amigos.

–OBRIGADA EMMA! — Ele me abraçou muito apertado.

Eu senti como se meu coração tivesse vida novamente. Era como se algo, esses anos todos, tivesse faltando em mim e agora estava preenchido. Aquele garoto era como um filho para mim.

–Bom, vamos voltar Henry, você precisa ir para casa e eu preciso voltar ao trabalho. — Regina interrompeu nosso abraço.

–Ei, eu posso passar o dia com o garoto e depois levo ele em casa, o que acha? — Perguntei a Regina.

Ela respirou fundo como se estivesse exausta.

–Tudo bem, mas esteja em casa antes do jantar, mocinho. — Ela depositou um beijo na testa do menino e cochichou que o amava. — Cuide dele Swan!

Ela se aproximou perigosamente do meu ouvido e cochichou.

–Obrigada. — Depois se afastou e saiu do restaurante.

Respirei fundo e olhei para Henry que me olhava animado.

–O que você acha de conhecer meu irmão mais novo, hein?

–Você tem um irmão mais novo? — Ele abriu a boca surpreso.

–Tenho, e ele tem quase a sua idade! Vamos lá, garoto.

–Regina-

Prédio da Vogue, 16h00.

Estava concentrada em minha mesa de trabalho, onde eu organizava com a vice editora chefe, que por acaso era minha irmã Zelena, como iria ser o layout das páginas da revista Vogue do próximo mês. É um processo que requer paciência e criatividade.

–Veja, podemos colocar essa coluna de texto abaixo da imagem. — Eu organizava os pedaços de papel a minha frente.

–Acho que poderíamos colocar um texto maior em cima da imagem da página seguinte. — Zelena opinou.

Fomos interrompidas por Robin, que entrou como um furacão na sala.

–Você deixou Henry passar o dia com uma estranha???? — Ele falava exaltado.

–Pare de show Robin! Estou no trabalho, me respeite. — Falei com imponência. — Henry gosta de Emma, e ela é boa para ele.

Ele andava de um lado para o outro, mostrando toda a raiva que sentia.

–Eu ligo para o meu filho pensando em pegá-lo na escola para fazermos algo juntos, e ele diz que está no Central Park com "Emma" tirando fotos. — Ele pronunciou o nome dela com voz de deboche.

Eu amava Robin, mas não me conformava em deixá-lo chamar Henry de filho. Ele sempre tratou Henry bem e fez de tudo por ele, mas nunca tentou conquistar o garoto e criar uma ligação afetiva com ele. Emma o fez, e isso o deixou possesso.

–ELE NÃO É SEU FILHO! — Gritei, apontando o dedo para seu rosto.

–Então, gente... a empresa toda está ouvindo e olhando vocês, porque não deixam para resolver isso em casa. — Zelena tentou mas foi em vão.

–TENTEI IGNORAR QUE ELE PREFERIU AQUELA CIGANA A MIM, MAS AI PERGUNTEI A ELE SOBRE O DIA DA PROFISSÃO E ELE ME RESPONDEU "NÃO SE PREOCUPE ROBIN, EMMA IRÁ" — Ele gritava cada vez mais alto.

–PARA DE GRITAR! — Tentei tapar sua boca, mas ele tirava minhas mãos.

Robin estar agindo daquela forma me descontrolou e comecei a falar tudo o que estava me incomodando esse tempo todo.

–Você mal passa tempo comigo e com Henry. Emma, mesmo que por carta está mais presente do que você tem estado. — Tentei manter a todo momento a imponência. — Eu chego do trabalho e você não está, e só entra em casa novamente de madrugada. E não venha me dizer que é trabalho porque nenhuma agência faz fotos de madrugada.

–O que você está insinuando, Regina?

–Não estou insinuando nada, eu só quero explicações. — Passei as mãos pelos cabelos. — Eu sinto falta do meu marido!

–Você me afastou, Regina. — Ele falava, agora, mais calmo. — Você só pensa em trabalho e em Henry... eu que senti a sua falta.

O silêncio tomou conta da sala. Zelena percebeu que estava atrapalhando e se retirou. Robin respirou fundo como se tomasse coragem e quebrou o silêncio.

–Eu te amava tanto.

–Amava?

–Eu estou tendo um caso Regina...

–Como é? — Senti meu rosto esquentar e minhas mãos suarem frio.

Fiquei sem chão. Robin sempre foi um homem honesto e carinhoso. Não era do tipo que trairia sua esposa, mas o fez. Com a cara mais lavada possível, ele ficou parado olhando-me com cara de superioridade.

Respirei fundo e peguei o primeiro objeto que estava por perto, que no caso foi um objeto decorativo de cerâmica, e taquei em Robin. O homem desviou por pouco e o objeto se estraçalhou na parede.

Aproximei-me majestosamente do homem, até nossos rostos ficarem bem próximos.

–Você tem até as 19h para tirar todas as suas coisas da minha casa e sair. — Proferi um tapa em seu rosto. — Eu tenho nojo de você.

Saí de minha própria sala e caminhei pela editora em passos rápidos, até a saída do prédio. O único som estridente era o dos meus saltos batendo no porcelanato. Os funcionários olhavam-me atônitos. Com toda certeza os burburinhos sobre o que aconteceu ia se espalhar e chegaria a imprensa.

Eu conseguia manter minha vida bem privada, apesar de ser uma pessoa pública. Mas vez ou outra rolava alguma fofoca com meu nome no meio. Era algo de se esperar, e eu sempre contornava bem tais situações.

[...]

Dirigia sem rumo e minha cabeça estava vazia. Chorei sem sentir. Novamente eu estava quebrando a cara e meu coração havia sido destruído. Meu celular vibrou no bolso, vi o nome "Zelena" na tela e ignorei a chamada. Novamente o celular vibrou, mas dessa vez atendi, para pedir a minha irmã que me deixasse sozinha.

–Zelena eu não...

–Mamãe? — A voz de Henry soou preocupada. — Você está chorando?

–Filho, não! A mamãe está bem... — Tentei mentir. — Você e Emma estão bem?

Ouvi Henry falando ao fundo com Emma.

"Emma, minha mãe não tá legal..." "Deixa eu falar com ela, garoto."

Tudo o que eu queria! Dar satisfação da minha vida para Swan.

–Regina? — Seu tom de voz mostrava preocupação. — O que aconteceu?

–Não te interessa Swan.

–Estamos indo te buscar, onde você está?

Parei para reparar onde estava e vi meu prédio do outro lado da rua.

–Estou em frente ao meu prédio. — E desliguei.

Fiquei estática por uma hora, que foi o tempo que Emma e Henry levaram para chegar lá. Vi um fusca amarelo parar em frente ao meu prédio e Emma sair de dentro dele com Henry. Sai do meu carro, tranquei e fui até eles.

–Mamãe... — Henry estava assustado.

Abracei meu filho e não contive a vontade de chorar. Chorei nos braços do único homem que não havia me decepcionado na vida.

–Está tudo bem, meu amor. — Tentei tranquilizá-lo, mas o choro não ajudava.

Soltei meu garoto, enxuguei as lágrimas e olhei para Emma. Ela demonstrava a preocupação e não desviava o seu olhar do meu por nada. Senti como se aqueles olhos verdes enxergassem minha alma e desvendassem todos os meus medos e segredos. O verde intenso e profundo encantou-me de forma que me fazia parar de pensar com clareza.

Respirei fundo e desviei o olhar.

–Emma, Henry pode viajar com você para passar o natal, mas com uma condição...

–Qual seria?

–Que eu vá com vocês.

Notas finais
Eita, como vocês acham que vai ser Emma falando de sua profissão no colegio do Henry? Será que isso vai despertar algo mais em Regina? E o que vocês esperam dessa viagem um tanto quanto romântica? Comentem! Lembrando mais uma vez, que tem o grupo no wpp, pra quem quiser e so mandar o número.