Hiding a Secret
11 Capítulo 10 – Velhos reencontros
Notas iniciais
Stefan
*Flash Back*
E lá estava eu pegando os livros para a primeira aula de hoje, nem acredito que as aulas vão terminar em pouco mais de um mês, confesso que vou sentir saudades de vir todos os dias para a escola. Mas, por outro lado, também estou bem empolgado com a ideia de ir para a faculdade, vou morar sozinho em Londres e ter a minha independência, não poderia escolher nada melhor.
Caminhei pelo corredor e encontrei minha cunhada, Elena, que vinha no sentido oposto.
– Bom dia, Stefan! — me cumprimentou, totalmente animada, parecia estar de bom humor nessa manhã.
– Bom dia, Elena! — respondi – Aonde é que está a Caroline? — perguntei, me referindo a nossa melhor amiga, as duas sempre vinham juntas para o colégio e era raro vê-las separadas por aqui.
– Ela não vem a aula hoje, não sei exatamente por quê – deu de ombros – Antes de sair de casa hoje a mãe dela me ligou avisando, então não nos falamos hoje.
– Quando cheguei ao colégio ouvi um pessoal falando que a Car e o Tyler terminaram – expliquei – Acha que foi por isso que ela faltou hoje?
– Ela e o Ty terminaram? Não estava sabendo disso – seu olhar era de uma preocupação genuína – Coitada da minha amiga, eu sei o quanto eles se gostavam. A Car deve estar sofrendo.
– Acho que vou até lá fazer uma visita para ela quando acabar a aula – avisei – Por que não vem junto comigo?
– Infelizmente, hoje eu não posso, tenho reunião do jornal da escola – Lena é a editora do jornal, umas das coisas que decidiu fazer quando percebeu que queria estudar jornalismo na faculdade – Mas avisa para a Car que eu estou mandando um abraço e que estou apoiando ela no que precisar.
Foi nesse momento que o primeiro sinal das aulas da manhã tocou.
– Vamos para a aula então – comentei, em seguida – Tenho certeza de que você não quer chegar atrasada na aula de física.
– Já estou indo – respondeu – Preciso passar no meu armário para pegar o meu livro.
– Está bem! — concordei, seguindo em direção a sala, o caminho oposto ao que ela faria.
Durante o restante do dia os boatos de que Caroline e Tyler tinham terminado só aumentaram, o que só me fez concluir que era mesmo verdade. Assim que as aulas acabaram eu corri para o estacionamento e me dirigi para a casa da minha melhor amiga.
Toquei a campainha e não precisei esperar muito para ouvir o barulho de chave abrindo a porta. Car estava com um casaco de lã e com um cachecol em volta do pescoço, o que era bem estranho, pois estávamos quase do verão, o que significa que está bem quente.
– Stefan? — sua voz saiu totalmente roca – O que você está fazendo aqui?
– Você não foi a aula hoje e eu vim saber se estava tudo bem – expliquei – Todos na escola estão dizendo que você e o Tyler terminaram, isso é verdade? — ela balançou a cabeça afirmativamente – Eu sinto muito, Car, você deve estar bem triste.
– Na verdade, nem tanto – deu de ombros – Nosso relacionamento não estava essa maravilha toda e com a expectativa de nos separarmos na hora de ir para a faculdade, acho que foi melhor terminarmos logo.
– Entendo... — dei uma rápida olhada nos meus pés – Mas, se você não está triste com o seu termino com o Tyler, porque você não foi a aula hoje?
– Não reparou na minha voz? — revirou os olhos – Já estava com dor de garganta ontem o dia inteiro e hoje acordei assim, minha mãe achou melhor eu ficar em casa.
Mas é claro... Nem sei porque tinha feito aquela pergunta idiota, devia ter percebido que esse era o motivo quando ela abriu a porta e falou comigo.
– Você quer entrar um pouco? — perguntei – Não posso ficar muito aqui fora no vento, ou posso acabar piorando.
– Tem razão – concordei – Claro que eu quero entrar.
Eu a segui até a cozinha da sua casa. Em cima da mesa tinha uma xícara com alguma coisa fumegante.
– Acabei de fazer um chá para mim – explicou, enquanto se sentava e puxava a xícara para junto de si – Posso fazer um para você, se quiser.
– Não precisa – garanti – Só estou aqui para te fazer companhia.
Fiquei observando Caroline enquanto ela bebia o seu chá. Não pude deixar de pensar, agora que ela está solteira, será que esse é o momento de revelar meus sentimentos? Será que vale a pena arriscar a nossa amizade por causa disso?
– Só uma coisa, Car? — decidi perguntar, da maneira mais casual possível – Agora você terminou com o Tyler, com quem você vai ao baile de formatura?
– Sabe, não tinha parado para pensar nisso – colocou a mão no queixo, pensativa – Agora que estou solteira não tenho nenhum acompanhante para o baile, acho que vou precisar ir sozinha, ouvi dizer que está na moda.
– De jeito nenhum – respondi, na mesma hora – Se você quiser eu posso ir junto com você.
– Está falando sério, Stefan? — me olhou, totalmente chocada – Quero dizer, não quero te obrigar a nada, poso muito bem ir sozinha ao baile.
– Não é problema nenhum ir com você, Car – segurei uma das suas mãos, que estava em cima da mesa – Eu também pretendia ir ao baile sozinho, então fazemos companhia um ao outro – completei – Mas ainda temos um pouco mais de um mês para o baile, se quiser pensar na sua resposta.
– Eu não preciso pensar nada – disse, em seguida – É claro que aceito ir ao baile com você, Stefan.
Não pude deixar de dar um sorriso bobo. Claro que aquilo não era tudo que eu estava esperando para nós, mas já era um começo.
*Fim do Flash Back*
Um certo sentimento de arrependimento tomou conta de mim no momento em que aquelas lembranças invadiram a minha mente. Tudo bem, não tinha nenhum problema eu ir ao baile com a minha melhor amiga, mas não tinha que ter beijado ou até mesmo transado com ela, se tivesse guardado os meus sentimentos para mim, talvez as coisas fossem diferente agora.
Peguei meu celular e abri em uma foto em que estávamos eu e Caroline no primeiro dia de aula do último ano, a coloquei ali para poder olhar sempre e matar as saudades. Estávamos tão felizes naquele dia, mal podíamos saber que, em um ano, tudo entre nós iria mudar.
– Atenção, senhores passageiros, com destino a cidade de Richmond, nos Estados Unidos – uma voz ecoou pelo alto-falante do aeroporto – Convidamos os senhores para iniciar o processo de embarque imediato, pelo portão 10.
Finalmente anunciaram meu voo, até hoje não entendo o porquê de chegar duas horas de antecedência para voos internacionais se ficamos todo esse tempo esperando para poder embarcar. Me levantei e comecei a procurar a minha acompanhante, que tinha ido comprar uma revista; por sorte, não demorou muito para que eu a visse correndo na minha direção.
– Desculpa a demora! — disse, assim que se aproximou – Não estava achando nenhuma revista de que gostasse.
– Não tem problema, Kath – garanti – Acabaram de anunciar o nosso voo, vamos logo para a fila.
Ela sorriu e segurou a minha mão e me puxou na direção da fila, que já estava bem grande naquele pequeno momento. Katherine colocou a cabeça no meu ombro e eu dei um pequeno sorriso, claro que tive várias namoradas nos últimos nove anos e comecei a sair com ela há pouco mais de um mês, tenho certeza de que não vai durar muito mais, mas eu tento aproveitar o momento.
– A proposito, acho que eu não te agradeci o suficiente por estar indo comigo na minha reunião de turma – comentei, de repente – Seria meio deprimente ir sozinho.
Não era só por isso, no fundo eu queria provar para Caroline que tinha dado a volta por cima. Elena já tinha me confirmado que minha antiga melhor amiga estaria na reunião.
– Car... Não sei de muitas coisas sobre a sua vida nos últimos anos, eu mesmo não quis saber. Apenas que, atualmente, está vivendo em Los Angeles e que ela terminou com aquele namorado, o tal de Jesse, mas isso não significa que irá sozinha a reunião.
– Você não precisa agradecer – garantiu – Vai ser divertido ir para a cidade em que você cresceu.
– Acho que você vai gostar de Mystic Falls – falei – É uma cidade pequena, mas é um lugar muito aconchegante e bom de se morar, às vezes eu tenho saudades de morar lá.
Isso era mesmo verdade. Gosto muito de Londres e sou totalmente acostumado com a rotina da cidade, mas também sinto falta da calmaria de sempre de Mystic Falls.
– Estou ansiosa para chegarmos lá – admitiu.
Durante a maior parte do voo fiquei mexendo no meu tablet, enquanto Katherine folheava uma revista. Foi uma longa viagem até Richmond e chegamos a Mystic Falls na manhã seguinte bem cedo, o dia em que aconteceria a reunião de turma.
– Olá, meu filho! — meu pai me abraçou assim que entramos em casa – E você deve ser a Katherine, Stefan falou muito sobre você.
– É um prazer conhecê-lo também, senhor Salvatore – deu um sorriso simpático na direção dele.
– Ora, por favor, senhor Salvatore me faz parecer velho – reclamou – Por favor, me chame de Giuseppe.
– Pai, você se importa se a gente for deitar um pouco agora? — perguntei, em seguida – Foi uma viagem cansativa e se eu não dormir vou acabar não aproveitando nada da reunião de hoje a noite.
– Claro que podem ir, o seu antigo quarto já está arrumado para vocês – avisou – Infelizmente, seu irmão decidiu ficar na casa dos Gilberts, gostaria muito de ter os meus netos aqui.
– Ah, pai! Da mesma maneira que você sente falta do Luca e da Giane, os pais da Elena também sentem – lembrei – Mas, não se preocupe, vou falar com ele hoje a noite e, tenho certeza, vai vir trazer os dois para te verem.
– Fico feliz em ouvir isso, meu filho – completou antes de subirmos as escadas em direção ao andar de cima da casa.
Acabou que dormimos até a metade da tarde e foi só depois disso que Katherine foi ao salão para fazer o cabelo e pintar a unha. Já estava arrumado quando ela chegou, o que significou que ainda tive que esperá-la descer para, finalmente, podermos ir, a reunião já devia ter começado a mais de uma hora.
Meu pai deixou que eu levasse o carro dele, então não demoramos muito para chegar ao Mystic Falls High School. Assim que parei o veículo na vaga, peguei meu celular e mandei uma mensagem para o meu irmão mais velho.
Damon,
Acabei de chegar ao estacionamento do colégio e já estamos entrando no ginásio. Só para te avisar.
Stefan.
– Para quem você está mandando mensagem? — Katherine quis saber.
– Para o Damon – expliquei – Só avisando que já chegamos que já estamos entrando.
– Se você acha que tem necessidade disso – deu de ombros – Agora vamos, estou doida para conhecer seu irmão, sua cunhada e, é claro, todos os seus amigos de colégio.
Lugar estava lotado, deu para ver que todos os nossos antigos colegas de classe vieram hoje, mesmo assim, não demorou muito para encontrá-los; além do meu irmão e de Elena, estavam na mesa, Matt Donavan,Rebekah Mikaelson e Halley Petrova, cada um com seu respectivo parceiro e, é claro, Caroline, que parecia estar sozinha.
Não pude deixar de encarar minha antiga melhor amiga por um momento, ela estava simplesmente deslumbrante com aquele vestido verde e o cabelo verde, estava com um ar mais maduro, mesmo assim, ainda parecia aquela menina que eu conheço desde que criança. Claro que eu tinha que me lembrar que estava acompanhando, e foi nesse momento que segurei a mão de Katherine.
– Olá para todos, e desculpem a demora – fiz um aceno geral, cumprimentando a todos na mesa – Quero apresentar para vocês Katherine Pierce – Kath deu um sorriso tímido para todos e se sentou ao meu lado.
Confesso que aquela reunião estava sendo ótima, ficamos horas conversando sobre várias histórias da época do Ensino Médio e até quem não era da turma estava se divertindo. Por vários momentos eu peguei Car olhando na minha direção, mas ela desviava quando via que eu tinha percebido.
Perto de uma da manhã as pessoas começaram a ir embora. A primeira levantar da nossa turma foi Caroline, embora todos estivessem se preparando para fazer o mesmo, ela saiu correndo para o lado de fora do colégio e eu tive que conter o impulso de correr atrás dela.
– Stefan, eu preciso ir ao banheiro antes de irmos – Katherine me avisou.
– Tudo bem, vai lá então – concordei – Vou te esperar lá fora, se você não se importar. Preciso tomar um pouco de ar.
Ela concordou e eu me levantei e fui na direção do estacionamento, antes que qualquer um ali pudesse ficar alguma coisa.
– Car! — a chamei, fazendo com que se virasse – Acho que precisamos conversar.
– Tem que ser agora? — revirou os olhos, como sempre fazia quando queria reclamar de alguma coisa – Eu estou cansada, fiz uma viagem cansativa de Los Angeles até aqui e ainda não tive tempo para respirar direito, preciso muito da minha cama.
– Sim, precisamos conversar agora – afirmei, tentando parecer o mais firma possível – Aliás, era para termos conversado há dez anos quando tudo aconteceu e você foi embora para Sidney.
– Você sabe que eu estava indo fazer faculdade – ela deu de ombros, tentando perecer indiferente, mas sabia que tinha alguma coisa escondida ai.
– Mas achei que a ideia era continuarmos a nos falar – lembrei – Só que você não mandou nem mesmo um e-mail. Todas as notícias que eu tive suas, todo esse tempo, foram através da Elena, e só para confirmar que estava tudo bem e que você continuava viva.
Caroline abriu e fechou a boca várias vezes sem falar nada, agora eu tinha certeza mais que absoluta de que ela estava escondendo alguma coisa.
– Aqui estão vocês – Elena apareceu, interrompendo a nossa conversa – Estava conversando com o Damon, e quero vocês dois almoçando lá na casa dos meus pais. Hoje não foi o suficiente para colocarmos o papo em dia.
– Por mim tudo bem – respondi – Estou mesmo com saudade dos meus sobrinhos – a última vez que eu os vi foi nas férias de verão do ano passado e os dois devem ter crescido muito desde então.
– É bom a senhorita nem começar a pensar em uma desculpa, Caroline Forbes – começou a ameaçar a amiga – Não vou aceitar um não como resposta.
Revirou os olhos e soltou um suspiro de derrota, respondendo que sim, ela iria.
– Se você quiser pode levar a Katherine, Stef, embora eu ache que não deva me apegar muito a ela, como a todas as suas namoradas nos últimos dez anos – virou-se para mim novamente, minha cunhada me conhecia muito, sempre que eu ia visitá-los, estava com uma namorada diferente – E você, por favor, leve o Adrian. Luca e Giane vão adorar vê-lo – agora ela estava falando com Caroline.
– Adrian? — fiquei totalmente confuso, quem era Adrian? O novo namorado dela? Por que ele não veio hoje?
– É o meu filho – disse e não pude deixar de me sentir estranho ao ouvir isso, claro que Car sempre gostou de crianças e, com certeza, não perderia a oportunidade de ser mãe, mas acho que não imaginei que ela já fosse.
– Ora, Car, não sabia que você tinha tido um filho – continuei, tentando disfarçar o meu espanto – Ele tem, mais ou menos, a mesma idade do Luca?
– O Adrian é mais velho que o Luca – foi Elena quem disse – Está com nove, não é mesmo, Car? — tudo que minha antiga amiga pode fazer, depois disso, foi balançar a cabeça afirmativamente.
– Nove anos... — a olhei de cima a baixo, enquanto repetia – Então quer dizer que você engravidou um pouco depois de terminar o Ensino Médio?
– Sim, comecei a namorar o Jesse logo que cheguei a Sidney e acabei me descuidando e engravidei um pouco depois – explicou, embora essa resposta não tenha me convencido muito, ela parecia tensa.
Foi então que eu percebi o que estava errado... Caroline engravidou logo depois de terminar o Ensino Médio, eu a conheço muito bem, não teria sido descuidada com um novo namorado, mas comigo..., nós não usamos camisinha na única vez em que transamos. É uma pequena possibilidade, mas Adrian pode ser meu filho.
– Bom, agora eu tenho que ir mesmo – disse, me despertando dos meus devaneios – Não se preocupe, Elena, eu e Adrian estaremos lá.
– Acho bom mesmo – fingiu um tom de ameça – Ou eu mesma vou até a casa da sua mãe buscá-la.
– Tchau para você também, Stefan – acenou para mim antes de ir embora.
– Bom, eu vou procurar o Damon – minha cunhada avisou – Vejo você amanhã, Stefan.
Dei um pequeno sorriso quando ela entrou, novamente, no colégio. Várias coisas ainda passavam pela minha cabeça nesse momento, eu poderia ser pai há quase dez anos e não tinha a menor ideia disso, não acredito que Caroline pode mesmo ter escondido isso de mim todos esses anos.
– Oi, Stef, podemos ir embora – não demorou muito para Katherine aparecer – Podemos ir embora? Eu estou um pouco cansada.
– Claro, vamos! — concordei, tirando a chave do carro do bolso da minha calça.
– Está tudo bem? — quis saber, me encarando – Você parece preocupado com alguma coisa.
– Não é nada – menti, balançando a cabeça negativamente.
Não tenho ideia se o filho da Car é realmente meu ou é do ex-namorado dela, como afirmou antes. De qualquer maneira isso não é algo para eu ficar remoendo agora, vou conhecer Adrian amanhã e esclarecer todas as minhas dúvida.
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