Hidden Life!
12 My baby tell me your secret! (Start over III)
Notas iniciais
Quinze dias depois, 9/5 – 6:30 a.m)
Connor
Distraído em meus pensamentos, sobressalto-me ao escutar o som da buzina acionada fortemente pelo motorista imediatamente atrás de meu carro, demonstrando sua irritação por ainda estar parado depois que o semáforo abrira.
Ergo a mão para fora num pedido de desculpas, pondo meu carro em movimento.
Andava muito tenso e disperso nos últimos dias.
A saúde de David piorara consideravelmente fazendo-o ser internado duas vezes seguidas. Os exames indicavam que o câncer havia retornado com uma força perturbadora. A todo o momento ele pedia que me preparasse para o pior, mas me negava a aceitar.
Tê-lo conhecido, ter caído em suas graças, por assim dizer, ter-me tornado seu pupilo e conseqüentemente amigo, fora a melhor e a pior coisa que me acontecera nos últimos tempos.
A melhor por ter tido a chance de conhecer, conviver e aprender tanto com um profissional e ser humano fantástico!
David Downey era muito mais do que o profissional extremamente capaz, bem-sucedido, cheio de manias que as pessoas enxergavam. Ele era uma, ou melhor, é uma criatura incrível, de um coração maior do que ele próprio admite. Seu jeito bonachão, despachado, às vezes parecendo desleixado e displicente que tanto me incomodavam no começo de nossa relação, mostraram ser o balsamo de que eu precisava para curar boa parte dos ferimentos emocionais que me afligiam por anos. David, aos poucos, ocupara um lugar há muito anos vago em minha vida: o de meu pai.
Vê-lo definhar, sendo vencido gradativamente pela doença, estava me matando! Nisso residia o pior lado em tê-lo conhecido: pensar que poderia perdê-lo a qualquer momento.
Outra fonte de estresse e tensão para mim residia em meu relacionamento com Sarah. Não que tivéssemos brigado mais uma vez. O contrário. Tinha a cada dia mais certeza de que me amava, mesmo ela não tendo declarado isto abertamente, quer em público, para todos saberem, quer em particular, apenas para mim.
Diariamente convivia com os olhares intrigados daqueles mais próximos a nós que não entendiam o porquê de não assumirmos para todos o que estávamos vivendo. As exceções eram Miah e Robin, uma insistindo em tentar reatar nosso namoro, outra em chamar minha atenção para si. Todo o restante da equipe do Med parecia aguardar o momento em que assumiríamos publicamente o que apenas poucos (Will, Sylvie e Leslie) já sabiam estar acontecendo entre nós.
O próprio David me questionara dias atrás, quando ao sair do elevador cruzamos com Sarah, ela me cumprimentou friamente, o que diabos estava acontecendo conosco e porque fazíamos tanta questão de perdemos um tempo precioso com essa brincadeira de gato e rato (palavras dele!). Maggie, April, Daniel e Ethan fizeram o mesmo questionamento, só mudando as palavras. Até Noah havia me procurado perguntando se havia de fato algo entre nós ou se o caminho estava livre para ele tentar “a sorte” com Sarah. Tive que me controlar para não o esmurrar. Por sorte, um atendimento chegara e fui chamado, deixando-o falando sozinho.
A verdade é que, apesar de sentir que era correspondido, o fato de Sarah continuar a me esconder ser Dione estava começando a me irritar!
Não apenas por não admitir, mas por mentir para mim cada vez que precisava ir à boate, o que ocorreu diversas vezes nos últimos quinze dias.
Fora até lá pelo menos seis vezes depois do final de semana em que reabrira (no qual eu menti sobre ter viajado). Em três delas se apresentara em plena semana no dia em que estava de folga por ter dobrado plantão. Duas vezes fui até lá, mas não deixei que me visse. A outra soube pelo segurança amigo de Severide com qual havia feito amizade a fim de que ele a protegesse quando eu não estivesse por perto.
Por mais que o ambiente fosse requintado, por mais que existissem regras de conduta lá dentro, ainda era uma boate que oferecia diversos “serviços” aos seus clientes inclusive sexo!
Havia também algo mais que não sabia identificar e que me fazia ficar alerta, com um pé atrás cada vez que ia àquele lugar antes mesmo de saber que Sarah trabalhava lá.
Por conta de todos estes fatos mais os turnos dobrados geralmente separadamente, ficamos juntos apenas quatro nos últimos quinze dias e mesmo assim em dois deles nos encontramos por algumas horas em seu apartamento.
Tenho um novo sobressalto ao escutar o toque de meu celular. Deslizo o dedo pelo visor, atendendo-o, pondo no viva voz.
—Oi Will, bom dia – cumprimento.
< Connor, onde está? Já chegou ao Med? > pergunta, a voz tensa.
—Não. Estou a cerca de um quarteirão. Por quê?
< Poderia mudar o caminho e vir até Ohio Street? > pede, explicando-se < Jay estava me dando uma carona para o trabalho quando um garoto fez sinal pedindo que parássemos. Ele e mais três amigos estavam brincado em um prédio abandonado e acabaram caindo em uma espécie de poço, pelo que nos contou. Ele conseguiu sair por ser o menos ferido> relata < Vamos entrar no prédio agora e muito provavelmente vamos perder o sinal. Se puder...>
—Estou indo – aviso, já mudando o percurso – O carro de Jay está visível?
< Está. Paramos bem a frente do prédio. Já acionei os bombeiros > avisa.
—Ok. Estou a caminho – desligo, concentrando-me no novo trajeto, aumentando um pouco a velocidade, deixando de lado momentaneamente meus problemas e questionamentos.
Alguns minutos depois avisto o carro do irmão de Will parando imediatamente ao lado do mesmo, descendo de meu carro com minha bolsa.
Corro até a entrada do lugar, parcialmente fechada por tabuas... Um convite aos aventureiros de plantão! – penso, relembrando quantas vezes seu mesmo fizera este tipo de estripulia para chamar atenção de meu pai após a morte de minha mãe.
—WILL! JAY! – grito, assim que entro no lugar, o som das sirenes ainda distantes chegando a meus ouvidos.
—AQUI! – escuto a voz de Jay seguindo na direção do som, vendo-o deitado no solo na borda do que me parece ser, a princípio, um buraco pequeno, assustando-me com a grandiosidade da coisa quando me ajoelho a seu lado – Bom dia! – declara ele, voltando o rosto para mim, mantendo a lanterna voltada para dentro da imensa cratera, focalizando um ponto fixo – Will desceu até lá para poder atender os garotos – informa – Aquele lá – indica um garoto de uns oito anos sentado em um canto, encolhido e assustado – Está bem. Só tem ferimentos superficiais. Ele conseguiu segurar-se nas bordas – indica o local onde o garoto se agarrara com um gesto de cabeça.
—Connor – escuto Will chamar – Consegue descer? Preciso de ajuda aqui — indaga.
—Consigo...espero – digo, baixando a voz no final da frase, fazendo Jay rir discretamente com minha observação seguinte – Só espero não ter perdido o jeito de quando era criança! – exclamo, me posicionando de costas para o imenso buraco, apoiando pés e mãos nas saliências, começando uma escalada inversa, alcançando o solo segundos depois.
—Uma vez moleque! –ouço Jay dizer.
—Ainda bem que não perdi a agilidade – declaro, unindo-me a Will – O que temos aqui?
—Aquele ali fraturou o tornozelo, esse daqui o pulso e pelo que pude perceber no mínimo duas costelas – relata, indicando os dois garotos deitados a poucos metros de nós – Mas este não deu a mesma sorte – chama minha atenção para o garoto, ao que tudo indicava o mais velho do grupo, com diversas lacerações nas pernas, braços, uma costela visível em seu flanco direito além de uma fratura exposta na perna esquerda – Está sentindo falta de alguma coisa? – me interroga.
—Sangue – digo, movendo-me em direção aos pés do garoto – Pouco sangue para tantos ferimentos. Hemorragia interna? – indago, notando os rastros no chão – Ele foi arrastado? – pergunto, Will confirmando com um meneio de cabeça.
—Will, Connor, estamos descendo. Leslie e Sylvie vão conosco – Matt Casey anuncia.
—Ok – respondo no automático, concentrado em examinar as lesões do garoto junto com Will.
Pedimos para Shay e Brett cuidarem dos garotos menos feridos – Andrew e Josh – enquanto, com o material de que dispúnhamos nos concentramos em Jonas – o garoto lá em cima com Jay forneceu, após se recuperar do choque, os nomes e idade de todos.
Jonas era de fato o mais velho do grupo. Tinha dez anos enquanto Eloi, o mais novo que conseguira sair para pedir socorro, tinha oito. Os outros dois tinham nove.
Após conseguirmos estabilizar Jonas, o liberamos para que fosse retirado por Matt e sua equipe, nós mesmos saindo pouco depois com a ajuda de Kelly.
—É mais fácil entrar! – brinca o bombeiro tentando aliviar um pouco da tensão.
—Sem duvida. Ainda mais quando não se é mais um garoto – Will diz, apoiando as mãos nos joelhos.
—Fale por você! – provoco-o, recebendo suas luvas em minhas costas – Vamos indo. Aquele garoto precisa de uma cirurgia urgente e mesmo assim não há garantias que sobreviva – comento, entristecendo-me, um pensamento egoísta de que começar o dia de meu aniversario com uma morte como esta não era nada agradável.
—Ao menos terá uma chance – Kelly diz, tocando meu ombro.
—Vem comigo vovô? – convido, Will me estendendo o dedo do meio em resposta, alcançando-me pouco depois, entrando em meu carro.
Seguimos as ambulâncias chegando ao Med praticamente juntos.
—Maggie...
—A equipe já está lhe esperando – avisa – Podem seguir direto para a sala de operações.
—Por isso que te amo! – exclamo, piscando para ela na passagem.
—Uhummm... Sei...- diz, rindo minimamente.
Quando as portas do elevador estão fechando, vejo Sarah chegar, Noah em sua cola. Respiro fundo, abrindo e fechando as mãos.
—Até quando vou agüentar isso não sei! – resmungo.
—O que disse doutor Rhodes? – Dóris, uma das enfermeiras que me acompanhava indaga.
—Falava comigo mesmo – respondo, sorrindo sem graça.
A cirurgia é demorada, complicada e ao final estou exausto física e emocionalmente.
Apesar de todos os nossos esforços, o estado do garoto ainda era critico, nos deixando sem muitas esperanças.
—Fez o que pode doutor Rhodes – Miah afirma, a mão em meu ombro, solidaria.
—O que não me faz sentir melhor – respondo, olhando-a de soslaio, me encaminhando para a sala de espera a fim de falar com os pais.
Quando termino de lhes explicar tudo que havíamos feito, deixando claro que as próximas horas determinariam os procedimentos que deveríamos seguir caso ele se recuperasse, desço até a cantina a fim de comer alguma coisa.
Quando entro, vejo Sarah, Maggie, April, Nat, Will, Noah e Ethan em uma mesa no canto falando baixo.
—O que está acontecendo aqui? – questiono ao notar os sinais nada discretos que o irmão de April faz para que o grupo ficasse em silencio quando me aproxime.
—Nada – Will diz, não me dando espaço para falar – E o garoto? Vai sobreviver?
—Honestamente não tenho muita esperança – admito, dirigindo um olhar furtivo a Sarah – Tinha aquele enorme sangramento interno, tivemos que usar várias bolsas de sangue e plasma durante o procedimento, vários órgãos foram comprometidos, na verdade já é um milagre não ter morrido no caminho até aqui e ter resistido a cirurgia.
—Que pena! – escuto-a dizer, mordendo o lábio, olhando para April, que por sua vez olha os demais.
—E os outros? – quero saber, fingindo não notar a troca de olhares entre eles.
—Eloi, o que nos pediu ajuda, já foi liberado. Os outros dois vão ficar em observação, mas o quadro geral é bom – Will elucida, não me dando espaço para falar mais uma vez – Estava vindo comer alguma coisa? Quer almoçar lá fora em dos food truck? Melhor que só lanchar. Eu pago! – se oferece.
—Ok...O que está acontecendo aqui? E nem tentem dizer nada porque vi muito bem os gestos do Noah quando me aproximei – digo, olhando-os atentamente – E não é muito cedo para almoçar!?
—Cedo? Connor são quase três horas da tarde! – Ethan exclama – Passou tanto tempo na sala de operações que perdeu a noção do tempo ou seu relógio parou? – questiona
—Não eu só....
—Decidido, vamos almoçar! Ethan vem também? – Will determina, me interrompendo,segurando meu braço, me guiando para fora da cantina, Ethan a nosso lado enquanto Sarah sumia de minha vista tão rapidamente que sequer noto a direção que tomara.
Durante o famigerado almoço (ao qual Davi e Daniel se juntaram a nós) insistem em dizer que nada estava acontecendo, mas aquela altura estava mais do que evidente que mentiam descaradamente.
—Ok, você venceu Connor! – David declara sob os olhares temerosos dos demais – Estavam, a meu pedido, tentando esconder de você, mas não vai ter jeito. Terá que saber mais cedo ou mais tarde – começa dizer, calando-se, girando o copo sobre a mesa.
—Saber o que David!? – interrogo, encarando meu mentor e amigo.
—Eu e Robin estamos juntos!
—OI?? – um coro de quatro vozes ecoa no pátio onde nos encontrávamos.
—É isso meu caro – sustenta, claramente segurando o riso – Sabe como é: estou sozinho e deprimido com a volta de meu câncer, ela está triste por terem terminado...
—Pare de brincar David! – me irrito – Não sou idiota! Sei que não é isto e se não estão querendo me falar...- me calo ao escutar nossos paigers, meu e de David, tocarem.
—Certo. Está certo. Estava brincando. Vamos atender nosso paciente e depois, prometo, te conto a verdade mesmo contra a vontade dos demais – promete meu mentor, levantando-se.
Respiro fundo, seguindo-o de volta ao bloco cirúrgico onde, após uma breve conversa com a família explicando o procedimento que seria realizado, entramos em uma nova cirurgia que termina quase no final do turno.
—Quer conversar agora? – David pergunta após falarmos com a família novamente, avisando que tudo correra bem e quais seriam os procedimentos de agora em diante.
—Esqueça, não quero saber! – afirmo, mal humorado – Vou dar uma olhada no garoto e ir embora para casa – declaro, saindo sem esperar sua resposta.
Depois de verificar Jonas, conversando um tempo com seus pais, me dirijo para nossa sala a fim de pegar minhas coisas e ir embora.
Enquanto me arrumo, tento, em vão, falar com Sarah, me irritando a ponto de bater a porta de meu armário com força demasiada.
—Ai,coitado, ele não tem culpa de nada! – escuto Will debochar.
—O que está acontecendo por aqui hoje Will? Tem alguma coisa a ver com meu aniversario, é isso? – pergunto direto.
—Hoje é seu aniversario? Sério? Meus parabéns Connor! – vem em minha direção com a mão estendida, parando ante meu olhar assassino – Sério cara, não estava sabendo de...
—Não mesmo? – ironizo, vestindo meu casaco – Quer me convencer agora que todos os cochichos e segredinhos não tinham nada a ver com alguma... – nesse momento Noah abre a porta, me interrompendo sacudindo um papel nas mãos.
—Consegui doutor Halstead! Consegui! – exclama, sorridente – E o melhor: doutor Sthol não vai desconfiar de nada!
—Sthol??? – indago , confuso.
—O troll andou aprontando das suas com os residentes e decidimos dar uma lição nele – Will diz, apoiando a mão no armário, me encarando, sério – Daniel e David eram contra e tentaram nos dissuadir. Sarah não estava à vontade também, mas April acabou convencendo ela a pelo menos não nos entregar... E sabíamos que você também não aprovaria por isso nos calamos quando se aproximou na cantina.
—Isso – Noah anui – Eu dei bandeira porque estava nervoso – explica-se.
—E o que pretendem fazer? – pergunto, ainda desconfiado.
—Melhor que não saiba Connor. Nada contra, não acho que vá nos delatar, mas prefiro que fique de fora ok? – afirma, vestindo seu casaco – Agora, como forma de te pedir desculpas duplamente, que tal tomarmos umas cervejas no Molly’s para comemorar seu aniversario? – sugere – Noah paga! – brinca, me fazendo rir.
—Posso até pagar se for um chopp pra cada! – diz, olhando de mim para Will.
—Se o aniversariante não reclamar! – Will fala, me encarando com um sorriso travesso no rosto.
—Pode ser – digo, distraindo-me ao ver Sarah passar acompanhada de Natalie e April, seguindo uma maca.
—Terá que nos dar carona também – acrescenta Will, tocando meu ombro – Vamos?
—Vamos – concordo, pegando meu celular, que vibrava com uma mensagem: “Vou dobrar o turno! Nos falamos amanhã.Beijos!” – Droga! Meu dia agora ficou perfeito! –resmungo, passando entre os dois.
Sigo o caminho até o Molly’s em silencio, escutando Will e Noah falando sobre o trote que aplicariam no Sthol amanhã, pensando em uma boa desculpa para deixá-los no bar e ir embora. Meu dia já havia sido suficientemente cansativo e chato para ter que aturar Noah falando bobagens por uma ou duas horas. Na verdade, os últimos quinze dias haviam sido assim.
Estaciono o carro ainda sem conseguir pensar em nada que pudesse justificar uma fuga.
—Anda Connor. Não temos a noite toda – Will chama, animado, ele e Noah entrando no bar antes de mim.
Preciso reunir todas as forças a fim de não dar as costa e sumir dali.
Paro na entrada, respirando fundo antes de abri-la.
—Você consegue Connor. Serão só alguns...
—SURPRESA! – o grito uníssono me assusta, fazendo-me recuar dois passos, olhando a minha volta, estupefato, lendo a enorme faixa pendurada no meio do bar: Feliz Aniversario doutor Rhodes!
—Certo pessoal, vamos dar espaço para ele respirar! – a voz de Maggie sobressai ao mar de mãos e rostos que me olhavam, sorridentes, apalpando, tocando meu ombro – Parabéns doutor Rhodes! – me deseja ela, envolvendo-me em um abraço carinhoso – Desculpe o dia de hoje! – pede, afastando-se, dando espaço para April fazer o mesmo.
Um a um meus colegas e amigos do Med, o pessoal do 51 e alguns detetives do 21º (Hank Voight não sendo um deles), me cumprimentam a medida que adentro mais ao bar.
Por fim a vejo, quieta em um canto, esperando pacientemente sua vez de me cumprimentar, aproximando-se com um sorriso doce nos lábios.
Sinto meu coração falhar quando para a minha frente, apertando as mãos nervosamente.
Não sei se foi impressão minha ou se aconteceu mesmo, o fato é que parecia que tudo a nosso redor silenciara como que aguardando o que aconteceria a seguir.
Vejo Sarah respirar fundo, retendo o ar nos pulmões, olhando dentro de meus olhos antes de falar.
—Feliz aniversario..... Meu amor! – declara, envolvendo meu pescoço com os braços, tomando minha boca em um beijo doce.
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Molly’s (20:00 p.m)
Sarah
Chego ao Molly’s acompanhada por April e Nat poucos minutos antes de Connor , entrando rapidamente a fim de evitar que nos visse ao chegar já que mandara uma mensagem mentindo que dobraria o turno.
Lá dentro, deixo as duas com Maggie e vou a procura de Les e Sylvie, que acenam de um canto.
—Então, deu tudo certo? Conseguiram enganar ele? – Sylvie pergunta, ansiosa.
—Ao que parece sim – digo, nervosa, tomando um pouco da bebida no copo de Les, sentindo o liquido deslizar goela abaixo, “queimando”.
—Opa, calma ai ou vai ficar tonta antes de seu crusch chegar – me provoca.
—Ele não é meu crusch! – reclamo, tomando mais um pouco do liquido avermelhado – Quer raios é isso? Fogo liquido? – reclamo, tomando um copo da água de Sylvie.
—Mais ou menos! – responde ela, rindo – E ai, como vai ser? Vai chegar e pedir ele em namoro na frente de todos? Vai chegar junto? Como vai ser? – bombardeia ,mas antes que eu tenha chance de responder, escuto a voz de Will Halstead anunciar que Connor estava vindo.
Seguro o ar nos pulmões ao vê-lo entrar, a cabeça baixa, triste, assustando-se com o grito de surpresa, ficando boquiaberto ao olhar em volta.
Um a um, o pessoal do hospital tomando a frente, vão até ele cumprimentando, pedindo desculpas, parabenizando-o, os demais fazendo o mesmo.
—Não vai desejar feliz niver pro seu Love Sarinha!? – Les cochicha em meu ouvido ao passar – Eu vou! – pisca, me dando as costas.
—Também vou!- Sylvie avisa, seguindo-a.
Observo, de meu canto, esperando o movimento a sua volta reduzir, caminhando a passos lentos até onde estava, parando a sua frente, mergulhando naquele mar intenso, respirando fundo, tomando coragem para fazer o que planejara por dias a fio.
—Feliz aniversario... Meu amor! – declaro, envolvendo seu pescoço com meus braços, beijando-o.
—Até que enfim!! – é a primeira coisa que escuto quando abro meus olhos, meus lábios ainda colados aos de Connor.
Sorrimos ao mesmo tempo, separando nossas bocas lentamente, ele me dando um beijo rápido antes de colar sua testa a minha.
—Repete, por favor! Acho que não ouvi direito! –pede, rindo mais quando o atendo.
—Meu amor! – repito, lhe dando um selinho – Te amo Connor!
—Também te amo Sarah! – falamos baixinho, um para o outro.
—Só pra constar – a voz de Noah soa junto a nossos rostos, fazendo-nos voltar para ele – Eu já sabia ta. Estava só sacaneando vocês com aquela historia de te pedir em namoro- assegura.
—Eu sei Noah. É um rapaz inteligente – Connor responde, dando duas tapinhas leves no rosto do irmão de April.
—Cara, você é o maior estraga prazeres que existe! – doutor Halstead ralha, parando a nosso lado com duas cervejas – Nós nos esforçando para fazer uma surpresa, tentando ser legais e você dificultando as coisas para nós. Fala sério!
—Vai ver era a falta que os beijos da Sarah estavam fazendo!- Kelly provoca, me fazendo corar.
—Bem lembrado! – Will anui, voltando-se para mim – Sarah, para nosso bem, faz isso mais não! Esse aqui fica num mau humor terrível quando ficam longe por muito tempo! – insiste em provocar Connor.
—Me entendo com você depois Halstead – ameça, voltando-se para doutor Charles, Doutor Downey, Doutor Choi, April e Maggie – Com todos na verdade!
—Eu deveria estar com medo!? – Maggie o encara, desafiadora, provocando risos.
Passo mais algum tempo a seu lado, ouvindo as brincadeiras e comentários de como todos já sabiam sobre nosso envolvimento, que não conseguíamos enganar nem mesmo um cego e coisas do gênero.
A certa altura, olho em meu relógio, fazendo um sinal para Les, que responde afirmativamente.
—Connor, desculpe amor, mas preciso ir andando. Fiquei de acompanhar Leslie em um exame amanhã cedo antes de ir trabalhar – minto, pela ultima vez, para ele.
—Não podem ficar só mais um pouco? – pergunta, olhando de mim para Les, não escondendo que ficara chateado.
—Desculpa Connor, mas não. Tenho que estar logo cedo no hospital. Endoscopia sabe- Les inventa.
—Se não tem jeito – diz, soltando minha cintura bruscamente.
—Desculpe meu amor – peço, beijando seu rosto próximo ao ouvido – Prometo que vou te compensar! – sussurro, deixando mais um beijo ali, mordendo de leve a pele, vendo o brilho em seu olhar.
—Quero a formula para ontem! – Les cochicha em meu ouvido quando nos afastamos.
—Formula de que? – questiono.
—Que usou para encantar aquele homem! Bastou um sussurro e um beijinho para toda a raiva se esvair! – diz, abrindo a porta para mim – Impressionante! – exclama, quando passo por ela, saindo logo depois de mim, Sylvie nos aguardando junto ao carro dela.
—Erico já está nos esperando em frente ao prédio do Connor – avisa, entrando no banco de trás – Ai, Sarah, filma nem que seja um pouquinho assim! – implora, juntando o indicador e o polegar – Tenho que ver a cara do Connor quando te ver vestida de Dione no apartamento dele!
—Temos meu bem, temos! – Les a corrige, me olhando com o canto do olho, não desviando a atenção da rua – Mas, como sabemos muito bem o que vai rolar, prefiro ficar só na imaginação mesmo! – exclama, me fazendo rir.
Seguimos até o prédio onde ele mora, encontrando, para minha surpresa, além de Erico, Aline e Jully.
—Eu não perderia a chance de armar essa para o doutor gostosão nem a pau!-Jully declara.
Como tenho dormido varias noites no apartamento, o pessoal da segurança já me conhecia. Tive apenas que justificar a presença de meus amigos bem como as coisas que trazíamos pedindo que não comentasse nada quando Connor chegasse.
Subimos o mais rápido possível. Abro o apartamento usando a chave que em dera, e começamos a arrumar tudo rapidamente cientes que tínhamos pouco tempo.
Por ultimo, Erico e Aline ajudam a me arrumar.
—Boa sorte minha rainha! – deseja ele – E pelo amor da deusa Cher, não vá me matar o bonitão! Vocês têm é que reproduzir, povoar o mundo com vários pequenos clones do bonitão para garantirem a alegria das gerações futuras! – diz, me fazendo corar até a raiz do cabelo.
—Meu filho, se Sarah engravida dele agora, sendo um menino, me congelo na hora só pra esperar o guri crescer! – Jully exclama, fazendo-nos revirar os olhos.
—Querem, por favor, parar com essa historia de gravidez! Não acham que já estou tensa o suficiente não?! – ralho – Agora vão que logo ele chega! – peço, garantindo-lhes que avisaria ao segurança para liberá-los.
Depois que saem, olho tudo a minha volta para ver se não esquecera nada, fazendo o caminho até seu quarto lentamente, borrifando meu perfume pelo ambiente, fechando a porta ao entrar, aguardando-o ansiosamente.
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Apartamento Connor (23:50 p.m)
Narrador
—Finalmente! – Connor exclama, recostando-se a parede do elevador, os olhos fechados, respirando lentamente.
Depois que Sarah fora embora, tivera que se esforçar para não fazer o mesmo, especialmente depois que sua irmã, o namorado e os filhos apareceram de surpresa no bar para cumprimentá-lo, a irmã passando a implicar ao saber que assumira seu envolvimento com Sarah.
Na primeira oportunidade, pedira ajuda a Will e fugira de sua festa, dizendo ao amigo que pedisse desculpas a todos, justificando que estava extremamente cansado pelo dia difícil no Med, sendo prontamente atendido.
—Agora só falta vocês se entenderem no que diz respeito a boate –Will dissera ao acompanhá-lo até a porta dos fundos do bar.
—Agora é só uma questão de tempo! – fala para si mesmo, saindo assim que as portas do elevador abrem, caminhando lentamente, girando as chaves na mão, notando, logo que abre o apartamento, algo de estranho.
—O que houve por aqui? – interroga, acendendo a luz da sala, largando as chaves devagar sobre o aparador após ter fechado a porta atrás de si, seguindo com o olhar a trilha de pétalas e folhas pelo corredor que leva até seu quarto enquanto despe a jaqueta, aspirando o ar, fechando os olhos ao sentir o perfume.
_Sarah!! – sopra, abrindo um sorriso luminoso, descalçando os tênis , caminhando devagar por sobre as pétalas e folhas espalhadas no chão,os primeiros acordes da canção chegando a seus ouvidos a medida que se aproxima do quarto, abrindo a porta do quarto devagar ....

Play – Secret – Madonna
“Things haven’t been the same since you came to my life;
You found a way to touch my soul;
And I’m never ever ever gonna let it go…”
Surpreso, para, segurando o ar nos pulmões ao vê-la dançar sensualmente sobre o pequeno palco montado no meio do aposento, recostando-se a porta ao fechá-la, admirando-a, seguindo os movimentos sinuosos com o olhar....
“... Hapinness lies in your own hand;
It took me much too long to understand;
How it could be;
Until you shared your secret with me…”
Sem perder o contato visual, Connor se aproxima lentamente, tão encantado quanto da primeira vez que a vira, usando a mesma roupa que agora, dançando no palco maior, depois apenas para o grupo (a pedido dele) com qual estava, parando a poucos metros do mini palco, erguendo os olhos, prendendo-a aos seus....
“... Something’s comin’ over;
Mm-mm, something’s comin’ over;
MM-mm, something’s comin’ over me;
My baby got a secret…”
Assim como ele, Sarah não desvia o olhar um minuto sequer de seu rosto, observando cada reação do cirurgião, sentindo uma pontada de insegurança ao ser assolada pela duvida mais uma vez: É Sarah ou Dione que ele está desejando ? — pensa, descendo o corpo lentamente, as mãos movendo-se em ondas, chamando-o para mais perto, aceitando a mão que lhe estendia, descendo para dançar junto a Connor....
“....You gave me back the paradise that I thought I lost for good;
You helped me find the reasons why;
You took me by surprise that you understood;
You knew all along what I never wanted to say;
Until I learned to love myself;
I was never ever lovin’ anybody else…”
“Acaba com essa duvida logo criatura! Tira essa bendita mascara!” – seu subconsciente grita.
Parando de dançar , ela fecha os olhos, levando as mãos a lateral do rosto a fim de retirar a mascara, sentindo as mãos de Connor cobrirem as suas, abrindo seus olhos, encontrando os dele.
_Não preciso que tire essa mascara para saber que é você... Sarah! – declara, tirando-a ele próprio, deixando-a cair ao chão, passando as mãos por seus cabelos, um sorriso iluminando o rosto de ambos – Não imagina o quanto esperei por esse momento meu amor – sussurra, acariciando seu rosto – Agora sei que confia plenamente no que sinto por você Sarah... Não confia!? – indaga, inseguro.
—Sim – sopra, ofegante – Completamente – diz, envolvendo os braços em seu pescoço – Eu te amo Connor Rhodes!
— Também te amo Sarah “Dione” Reese! – brinca, selando a declaração com um beijo...
“... Hapinness lies in your own hand;
It took me much too long to understand;
How it could be;
Until you shared your secret with me;
Something’s comin’ over;
Mm-mm, something’s comin’ over;
MM-mm, something’s comin’ over me;
My baby got a secret…”
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Humboldt Park ( 9/5 – 22:50)
Hank Voight
Desço da viatura aspirando o ar frio da noite, olhando a minha volta, All e Ruzek acenando.
Ponho minhas mãos dentro dos bolsos do casaco, caminhando a passos largos até onde estavam.
—O que temos aqui? – pergunto, parando ao lado de All.
—Dois corpos , garotos ao que parece, não mais que vinte, vinte e um anos, hispânicos – acrescenta fazendo um gesto em direção a Antonio, que xeretava a área próxima ao carro abandonado.
—Alguma identificação ? – quero saber, nossa atenção sendo chamada para outra direção ao escutarmos os latidos dos cachorros – O que está havendo ai!?
—Não sei sargento. Os cães ficaram malucos quando passei por aqui – diz o policial encarregado de fazer uma varredura nas proximidades em busca de armas, drogas ou mais corpos – Sargento, melhor verem isso aqui! – chama, tirando um pedaço de tecido da boca de um dos cães, afastando-os.
—O que é isto!?- Antonio pergunta, segurando o tecido com uma pinça – Parece um tipo de lenço.
—Tem mais aqui – indica o policial.
Nos agachamos, iluminando o local com nossas lanternas, remexendo a terra com nossas mãos até descobrirmos os ossos do que já foi um dia uma mão humana, puxando mais tecidos finos como o primeiro.
—Não parece aqueles trajes de dança do ventre!? – Ruzek indaga, erguendo um pedaço maior que retirara.
—Não mexam em mais nada – ordeno, levantando – Chamem uma equipe, quero esse trecho inteiro – faço um circulo com meus braços – Vasculhado. Quero saber quantos, como e principalmente quem está enterrado aqui!
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