Hidden Life!
21 Mais perto do fim (II):
Notas iniciais
“Come to me in the night hours;
I will wait for you and I can’t sleep;
Cause my thoughts devor;
Toughts of you consume;
I can’t help but love you;
Even thought I try not to;
I know that I’d die without you...”
Ruelle
War Of Hearts
Vigésimo primeiro distrito (segunda,3/4 -10:00 a.m)
Hank Voight
—Está me dizendo que teremos de esperar para prender aquele assassino, é isso? – Erin questiona encarando o agente Spencer, furiosa.
—Estou dizendo que precisamos ter todo o cuidado para não darmos um passo em falso e abrirmos uma brecha para ele fugir ou para os advogados contestarem a validade de sua prisão – justifica-se e tenho que reconhecer que seus argumentos são validos – Não temos porque ter pressa detetive, podemos...
—Não ouviu uma palavra do que ela disse ouviu? – contesta, apontando para a sala de interrogatório, agora vazia – O reitor James vai sair do país na quarta-feira, vai fugir e ai sim não teremos mais o que fazer! – bufa.
—Escutei detetive. E este é mais um motivo para agirmos na hora certa – afirma o agente, tranquilo – Vamos montar o caso com cuidado, reunir provas incontestáveis e pega-lo no momento exato em que estiver se preparando para fugir – diz, voltando-se para mim.
— Pediremos a promotoria para providenciar mandados de busca para sua casa e escritório. Se guardou o anel, pode ter escondido mais coisas – começo dizer, desencostando-me de minha mesa, indo até o quadro de evidencias – Dawson, ligue para Ana Valdez. Peça-lhe que venha até aqui para mostrarmos o que temos. Jay e Alvin, grudem no nosso amigo reitor. Quero saber aonde ele vai, com quem fala, até a quarta-feira pela manhã. Ruzeck e Atwater, vigiem a Fifty, caso ele tente ir até lá buscar ajuda, quero saber. Agente Spencer, sugiro que o FBI esteja preparado para agir na quarta ou ficarão pra trás. Não vou deixar esse cretino fugir – alerto.
—Estaremos sargento, pode ter certeza disso – assegura – Mais até: este será o primeiro passo para destruirmos todo o esquema da boate. Tenho certeza de que a prisão de James irá desencadear uma reação em cadeia.
—É exatamente isto que me preocupa – admito – Tenho duas policiais lá dentro além de garotas inocentes que estarão na linha de fogo caso os homens que procuram se apavorem e comecem a queimar arquivos.
—Não seria melhor as retirarmos antes da prisão do reitor? – Ruzeck propõe, visivelmente tenso – Não teremos como protegê-las quando a bomba estourar.
—Adam tem razão Hank. Não me agrada a ideia de Burguess e Upton estarem na boate durante a prisão do reitor – All argumenta.
—Se qualquer uma delas sair agora, a exceção de Sarah Reese, ira levantar suspeitas – Spencer comenta, causando surpresa – Pedirei a nosso homem que fique ainda mais atento. Ele não está totalmente sozinho lá dentro – garante, me encarando.
—Opa, opa, opa! Quer dizer que temos agentes infiltrados, é isto? – Jay questiona.
—Agente, singular – Spencer o corrige – Sim há um único agente de campo infiltrado na Fifty. Ele conta com a ajuda de um dos funcionários não por saber quem ele é, mas por, digamos, gratidão. Essa pessoa irá ajudá-lo caso seja necessário – assegura, olhando o relógio – Agora acho que devemos começar a orquestrar essa prisão e os demais passos, pois como declarei, o fio da meada será puxado no momento em que tivermos Alexander James em nossas mãos. Garanto que ele não ira querer pagar por tudo sozinho.
—Por tudo o que? Em que mais está envolvido? – Antônio questiona.
—Pelo que o FBI sabe em tudo – respondo –Tráfico internacional de mulheres, venda de drogas...
—Lavagem de dinheiro dos vários negócios ilegais acobertados pela boate – Spencer completa.
—Por isto é tão importante não deixarmos furo para que possam escapar. Nem ele, nem os demais. E por tabela pegaremos o homem que ajudou a incriminar Connor Rhodes e fugiu do país – relembro – Portanto, senhores e senhoras, hora da ação. Vamos por a engrenagem para funcionar – comando, retendo Spencer um segundo – O que sabe sobre Reese? – questiono-o em voz baixa.
—Que é uma das principais dançarinas da boate e namorada de Connor Rhodes, o que o coloca em perigo iminente – avisa – Ambos na verdade. Travis chegou a cogitar se não teria sido melhor se livrar dele e dela- revela.
—E agora, o que ele pensa? – quero saber.
—Nenhum deles, Rhodes, Reese ou suas policiais e os demais inocentes envolvidos correm risco de morte no momento sargento – garante.
—Espero que continue assim – digo – E que estejam preparados para agir rapidamente caso precise – acrescento, dirigindo-lhe um olhar duro.
—Estaremos sargento. Estaremos.
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Apartamento Connor (algumas horas antes)
Connor
—Bom dia doutor Rhodes – Carlos, o novo porteiro me cumprimenta assim que adentro a portaria do prédio após terminar minha corrida diária – Sua correspondência – avisa, entregando-me uma pilha de envelopes, revistas e panfletos.
—Obrigado Carlos – agradeço, seguindo meu caminho, voltando ao lembrar-me de algo – Carlos, a partir desta semana minha namorada passou a morar comigo. Caso chegue algo com o nome dela, Sarah Reese, pode me entregar ou guardar para entrega-la quando a vir.
—Certo doutor – diz, acenando com a cabeça.
—Bom dia – desejo, retomando a caminhada, entrando no elevador.
Entro no apartamento atirando as chaves distraidamente sobre o aparador enquanto examino a correspondência.
Conforme suspeitava, a maioria era composta por contas, revistas médicas, esportivas e panfletos de restaurantes, farmácias e outros estabelecimentos próximos ao edifício onde moro. Um envelope pardo chama minha atenção não apenas pelo tamanho, mas por não ter remetente ou nada que desse uma pista do que tratava seu conteúdo. Tudo que estava escrito no papel era C. Rhodes em letra de imprensa.
Ponho o restante dos envelopes sobre o aparador ficando apenas com este nas mãos, abrindo-o, o conteúdo fazendo-me franzir o cenho intrigado.
—Tudo isto para pôr um pendrive!! – exclamo, girando o objeto entre os dedos imaginando do que poderia se tratar.
—Bom dia meu amor – a voz alegre de Sarah chama minha atenção e me volto, vendo-a caminha até mim usando apenas um camisão de algodão com a estampa do Garfield, espreguiçando-se – Acordou cedo. Senti sua falta na cama – resmunga, envolvendo meu pescoço com os braços, me dando um beijo molhado.
—Hummm, que recepção maravilhosa! – digo, pondo o dispositivo dentro de um dos enfeites sobre o aparador, deixando minhas mãos livres para apertá-la contra meu corpo – Gosto de correr no começo do dia, preferencialmente pela manhã, logo cedinho. Quando quiser me acompanhar será muito bem vinda – convido, deslizando minha boca por seu pescoço, detendo-me na curva do ombro, mordendo a clavícula por cima do tecido.
—Vou pensar a respeito com bastante carinho – diz, inclinando a cabeça levemente, me dando mais acesso – E agora, vai direto para o banho? – pergunta, enroscando os dedos em meu cabelo.
—Uhum – murmuro junto a sua pele – Me acompanha? – convido.
—Convite mais do que aceito – declara, beijando e mordendo meu queixo levemente – Mas devo avisar: não estou a fim de banho morno ou quente hoje. Quero água fria para despertar tudo! – exclama de forma maliciosa.
—Está insinuando que tem alguém ou algo dormindo por aqui? – questiono na mesma moeda, caminhando pelo apartamento, conduzindo-a de volta ao quarto.
—Eu não disse isso de forma alguma – rebate com fingida inocência – Até porque não sei como alguém ou algo fica após uma corrida matinal, então só posso dizer em que estado de ânimo se encontra depois que ...ver!! – provoca, passeando as mãos por minhas costas, detendo-se na cintura, pondo uma delas entre nossos corpos, descendo até tocar meu membro por sobre o short – Mas ao que parece estamos bem acordados!!
—Pode ter certeza disso – afirmo, prensando-a contra a parede no inicio do corredor, descendo uma mão até sua coxa, insinuando-a por baixo do camisão, sentindo sua umidade pulsante – E não sou o único – digo, tomando sua boca em um beijo ardente, continuando a estimulá-la, Sarah retribuindo, erguendo uma perna, me dando mais acesso enquanto suas mãos ávidas insinuavam-se por baixo de minha camiseta, erguendo-a, me obrigando interromper o beijo e as caricias para que a retirasse, despindo-se do camisão, retomando beijo e caricias.
Nunca fui de preliminares muito longas, admito. Gosto de tocar e ser tocado, de joguinhos e brincadeiras, mas sempre preferi as rápidas, que não demorasse chegarmos ao ato sexual igualmente rápido sob pena de perder o interesse. No entanto, com Sarah, era diferente. Com ela, não me importava o tempo gasto com as preliminares.
Meus pensamentos são cortados quando sinto sua mão dentro do short envolvendo meu membro, expondo-o ao mesmo tempo em que apoia a outra mão em meu ombro, tomando impulso, erguendo-se do chão, enroscando as pernas em minha cintura. Apoio seu movimento levando minhas mãos as suas coxas, segurando firme, pressionando-a contra a parede, ajudando-a a se posicionar sobre ele.
Sem pressa, começo a penetrá-la, escutando-a gemer rouco enquanto morde o lábio. Levo minha boca a curva do pescoço, sugando a pele com força (o que renderia uma marca roxa), mordiscando, voltando a mover-me, penetrando um pouco mais, parando, saindo e entrando outra vez sem ir fundo, rindo quando deixar escapar alguns palavrões, a pele arrepiando-se.
—Connor, não! Quero sentir você inteiro dentro de mim – reclama com voz rouca, cravando as unhas em meus ombros (o que me rendera marcas igualmente), jogando o quadril contra o meu – Agora! – ordena, cruzando as pernas, prendendo-me – Me fode gostoso! – sussurra junto a meu ouvido levando por terra o ultimo resquício de autocontrole que mantinha.
Solto um rosnado antes de penetrá-la em uma estocada vigorosa, fazendo-a gritar. Repito o movimento, saindo e entrando com vigor repetido, indo fundo dentro dela, não interrompendo as estocadas. Aumento o ritmo fazendo nossos corpos se chocarem com certa violência, dor e prazer mesclados fazendo-nos pronunciarmos coisas inteligíveis. Ganharíamos várias marcas pelo corpo, era certo, mas não estávamos nos importando.
Sinto seu corpo estremecer anunciando o orgasmo que se aproximava. Invisto mais algumas vezes até senti-la derramar-se em volta de meu membro, amolecendo em meus braços. Com mais uma investida me liberto em seu interior, recostando a cabeça em seu ombro, exausto, o suor escorrendo por nossos corpos.
—Eu te amo – sopro em seu pescoço, ainda ofegante.
—Também te amo – declara– Te amo muito, muito, muito! – reitera, distribuindo beijos por todo meu rosto até alcançar a boca, tomando-a, rebolando sensualmente, mas antes que recomecemos, saio dela, pondo-a no chão sob protestos.
—Melhor continuarmos no banho ou fatalmente iremos nos atrasar – aconselho, erguendo os pés um por vez, deixando short e cueca jogados ao lado das outras peças, segurando sua mão, conduzindo-a ao banheiro em nosso quarto onde nos amamos mais uma vez antes de finalmente nos banharmos, vestirmos, tomarmos nosso desjejum e irmos para o Med, trabalhar.
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Fifty Sades ( terça, 4/4 – 22:45 p.m)
Narrador
—Muito bem minhas futuras candidatas a deusas ninfas, já chega. Acho que já maltratei vocês demais.... Por hoje! – Erico declara, piscando para Brenno e Andrer quando as garotas começam a reclamar.
—Como assim por hoje? Quer dizer que amanhã tem mais é? – Kim Burguess questiona, puxando uma lufada de ar – Não sei se aguento isso não! – resmunga, sentando na ponta do palco, retirando a sapatilha, massageando os pés cansados.
—Pra que isso tudo mesmo? – uma jovem ruiva alguns centímetros mais alta do que a policial pergunta, sentando sobre as pernas cruzadas sobre o palco, tomando um generoso gole de água da garrafa ali perto.
—Porque muito em breve, duas semanas para ser exato, e para minha tristeza profunda mesmo sabendo que será por uma boa causa....
—O que Erico quer dizer é que em duas semanas Dione vai nos deixar para casar e abriremos uma vaga que será preenchida por uma de vocês, gatas – Jullyana o interrompe, levantando da cadeira onde observava o ensaio – E não se deixem intimidar por esta criatura angelical aqui. Ele pegou bem mais leve do que nós, Xanta, Erato, eu e as demais, pegaremos com vocês amanhã – declara, beijando a bochecha do coreógrafo – Boa noite lindinhas– despede-se, pegando sua bolsa, voltando-se para os dois seguranças, que observavam tudo a distancia – Qual dos dois me dá uma carona até em casa? Não to a fim de ir...- cala-se ao ver o grupo conduzido pelos dois sócios da boate adentrar o estabelecimento, reconhecendo um dos homens como sendo o reitor da universidade de Chicago, onde começaria a estudar no próximo mês – Ai merda! – xinga, girando nos calcanhares, sentando-se novamente de costas para eles.
—Boa noite — Giancarlo Travis cumprimenta – Ensaiando até mais tarde Erico? – questiona, parando ao lado do coreografo.
—Só um pouquinho chefinhos! – Erico responde, rindo amarelo – Como já sabem, dentro de duas semanas Dione nos deixara...
—A rainha das ninfas vai sair Giani? Por quê? – um dos homens que os acompanhava questiona de forma dura, Giancarlo respondendo em espanhol – Ahh! Esto – diz, massageando o queixo com uma mão, pensativo.
—Mejor que ella sala ahora, Jorge, para evitar mayores disabores em el futuro – Matteo Hayes declara também em espanhol, parando ao lado da cadeira onde Jullyana se encontrava, pondo uma mão em seu ombro – Onde estão as demais dançarinas do front? – pergunta.
—No-nosso ensaio é só amanhã à noite – gagueja a jovem, estremecendo ao senti-lo apertar o local.
—Não deveria estar em sua casa agora pequena? Chega de incidentes fatais envolvendo dançarinas do primeiro staff não acha? – cochicha junto a seu ouvido enquanto Giancarlo e Jorge conversam com Erico.
—Certamente senhor Hayes – concorda a garota, fazendo menção levantar-se, ele impedindo-a.
—Pedirei que um dos seguranças a leve. Não gostaríamos de irritar certo sargento da policia não e mesmo? – insinua fazendo o sangue da jovem gelar – Brenno – chama, o segurança aproximando-se rápido – Leve-a em casa e depois retorne. Talvez precise de seus serviços hoje à noite – avisa.
—Sim senhor – anui o segurança, segurando o braço da garota pelo cotovelo, erguendo-a – Vamos Jully – convida.
—Não precisa chamar duas vezes! – exclama a morena, levantando-se com cuidado para evitar o reitor, saindo sem esperar pelo segurança, que para, conversando algo com Andrer antes de segui-la.
—Muito bem. A garota que indicar deve postar-se do lado direito do palco – Giancarlo avisa, Matteo recostando-se a mesa, mãos nos bolsos do sobretudo observando a tudo em silencio – A ruivinha do canto, a morena ao centro, a outra ruiva e você loirinha – aponta Hailey fazendo Erico e Kim ficarem imediatamente tensos.
—Desculpe-me a intromissão chefinho querido, mas não seria melhor escolher outra menina, das mais antigas talvez. Esta é muito inexperiente ainda – pondera o coreografo, encolhendo-se ante o olhar fulminante que recebe.
—Quanto mais cedo ganhar experiência melhor – declara – Além do mais, não é como se fosse matá-la é? Fará exatamente o que está sendo paga para fazer – diz, voltando-se para Andrer – Conduza as jovens até a suíte senhor Vargas, ou também pretende contestar algo? – insinua ao ver o jovem abrir e fechar a boca.
—Não senhor – responde o loiro, sinalizando para as quatro o seguirem.
—O restante dispensado por hoje. Erico, vá para casa. Vemo-nos amanhã – ordena, dando-lhes as costas, subindo as escadas acompanhado pelos outros três.
—Sim senhor – o coreografo fala pausadamente, dirigindo um olhar preocupado a Hailey, que sorri minimamente antes de obedecer.
—Feche as portas quando sair Erico. E vocês recolham-se a seus quartos e não saiam de lá – Matteo avisa, encarando Burguess – Nenhuma de vocês – pontua, fazendo menção de retirar-se.
—Senhor Hayes, me desculpa a curiosidade, mas o que está acontecendo? Por que as quatro subiram com....
—Faz perguntas demais senhorita – corta-a o moreno, vencendo a distância que os separava em segundos, segurando-a pelo queixo – Não cometa este erro aqui ou pode pagar caro, entendeu? – pergunta, olhando dentro de seus olhos.
—Entendi – responde a detetive, massageando o local quando a solta.
—Bom. Siga meu conselho e tudo ficara bem – admoesta, virando-se, seguindo seu caminho sob o olhar espantado de Erico.
—Tudo bem?- quer saber, indo até ela tocando-lhe o braço.
—Tudo sim. Só meu orgulho saiu ferido... Por enquanto – rosna baixinho, acompanhando o moreno com o olhar – Tenho um mal pressentimento sobre isto Erico. Preciso ter acesso a essa suíte de algum jeito – pede, encarando-o.
—Meninas, vamos todos dormir. O clima está um pouco tenso aqui – ordena, passando por Kim, batendo palmas – Vamos, vamos, move everybody!!
—Você não vem Kimberly? – uma garota baixa de cabelos negros pergunta.
—Ela vai daqui a pouco. Vou fazer-lhe um chá para acalmar os nervos – diz o coreografo.
—Eu também quero chá! Por que só ela tem esse privilegio?– reclama outra garota.
—Pois é?- endossa a loira ao lado da baixinha levando as mãos a cintura.
—What!?? Isto é uma rebelião por acaso?? Mas ora vejam se posso com isso!! Tratem de ir para seus quartos rapidinho ou faço chá com óleo de rícino e dou a vocês – ameaça, tentando parecer mau, falhando – Andem, ouviram o que os chefões disseram já pro quarto. Kimberly ira em pouco – comanda, elas obedecendo desta vez.
—Então, tem como me levar até a suíte? – Kim repete ao se verem sozinhos.
—Posso te levar ao quarto do lado chérrie. A suíte em questão é o único aposento que não tem entrada secreta...ao menos não que eu saiba – frisa – E precisamos ser cuidadosos pois não sei se notou, três dos gorilas particulares de Hayes estavam com eles – lembra, esfregando os braços.
—Notei – afirma séria – Assim como notei o olhar estranho que nos dirigiu – comenta a detetive estreitando os olhos – Me leve até o tal quarto Erico, não posso deixar Upton sem cobertura – declara, enlaçando seu braço ao dele.
*** Hailey Upton ***
Sigo os homens escada acima tentando manter a calma.
Não era a primeira vez que trabalhava infiltrada, no entanto, algo na voz de Travis e na forma como o amigo espanhol dele me olhava, deixou-me temerosa.
—Sentem — ordena um dos guarda costas que acompanhava o grupo, indicando um sofá no meio da imensa suíte e obedecemos, as quatro, sem contestar.
Olho-as discretamente após sentarmos avaliando com quem poderia contar caso precisasse de apoio. Com a morena, Jasmine, até poderia tentar iniciar uma conversar e sondar essa possibilidade, mas as outras duas estavam fora de cogitação já que, por alguma razão que desconheço, me detestavam desde o primeiro momento em que nos vimos durante os testes. Acabo optando por manter a boca fechada, observando tudo atentamente.
A suíte era composta, visivelmente, por dois ambientes: a sala onde estávamos e o quarto, do qual tínhamos uma visão parcial pela porta entreaberta nos possibilitando enxergar o palco e parte do que parecia ser uma imensa cama de casal. Ao que tudo indicava, não tinha janelas. Noto algo parecido com outra porta ao fundo, parcialmente encoberta por uma cortina. Os quatro homens usando ternos italianos se encontravam em um canto, próximo a porta do quarto, conversando baixo, apontando em nossa direção vez ou outra, voltando-se, assim como nós, ao escutar a porta sendo aberta dando passagem a Matteo Hayes e Andrer, que parecia mais tenso que o normal, evitando me encarar, fato que me preocupou. Muito.
Após sua chegada, os cinco entram no quarto sinalizando para que Jasmine fosse levada até o mesmo, Andrer e outro segurança entrando com eles e fechando a porta enquanto os outros dois permaneciam do lado de fora, conosco.
Milhões de possibilidades giram em minha cabeça enquanto escuto a música tocar lá dentro, ora aumentando ora diminuindo, as sombras por baixo da fresta indicando que se movimentavam pelo ambiente.
Durante longos minutos aguardamos, sentadas, até a porta ser aberta mais uma vez, a primeira ruivinha que ele apontara, Brandy, sendo levada para o quarto sem que Jasmine saísse. Tento espiar enquanto entram, mas não consigo visualizar nada além de Hayes, que tirara o terno ficando apenas com a camisa social cujas mangas dobrara até o cotovelo. Nossos olhares se cruzam rapidamente e sinto um frio no estomago que me faz baixar os olhos.
—Pare de agir feito uma virgem medrosa Hailey – admoesto-me baixinho, sentindo uma vontade terrível de ir ao banheiro – Posso usar o banheiro? – pergunto, erguendo uma mão, o segurança me encarando com cara de poucos amigos – Por favor! – peço, dirigindo-lhe meu olhar mais doce e inocente.
Ele se aproxima, segurando-me pelo braço, me fazendo levantar.
—Deixe a porta entreaberta para que possa vê-la – ordena indicando uma porta sanfonada do lado esquerdo que passara-me desapercebida.
Aceno afirmativamente, a frustração me tomando, pois pensei que teria que sair do quarto, o que daria chance de saber onde Kim se posicionara. Tinha certeza que ela estava por perto.
Sem escolha, entro no ambiente apertado que fazia o banheiro de um avião parecer uma suíte!
Ergo a saia, abaixo a calcinha e sento no vaso de olho no movimento lá fora e no segurança, que me olhava de braços cruzados mantendo a cara fechada. Suspiro, desanimada, pensando no que faria quando fosse levada ao quarto. Havia conseguido aprender alguns passos que Erico e as garotas chamam de coringa por servirem para quase todos os estilos de música, portanto saberia me virar sem pedissem para dançar. O problema era se quisessem mais do que uma simples dança.
—Até onde está disposta a ir para manter seu disfarce Hailey? – pergunto olhando meu reflexo no espelho enquanto lavo as mãos, sentindo um calafrio ao ver através do mesmo a ruiva número dois levantar e se dirigir ao quarto sem que, mais uma vez, sua antecessora saísse. Detalhe: havia se passado bem menos tempo do que quando Jasmine entrara. Se isto era uma boa ou má noticia iria descobrir em breve já que seria a próxima – Kim, espero que esteja por perto. Não estou gostando nada do rumo que as coisas estão tomando – sussurro, mordendo meu lábio, tendo um sobressalto quando a sanfonada é aberta bruscamente.
—Sua vez loirinha – o segurança anuncia fazendo-me voltar em sua direção.
—Mas já? – espanto-me, sendo puxada sem muita delicadeza para fora e conduzida diretamente para dentro ao mesmo tempo em que Andrer sai (para meu desespero) com a ruiva dois (cujo nome simplesmente apagou de minha mente) em seus braços, desmaiava ao que tudo indicava.
Retenho o ar nos pulmões tanto por vê-la naquele estado quanto por ver Andrer deixar a suíte.... Estou por minha conta agora — penso, voltando meu rosto, encarando o grupo de homens lá dentro.
Sou levada até o mini palco de onde tenho uma visão total do local. Descubro tratar-se realmente de outra porta por detrás da cortina, o que explica as garotas entrarem e não saírem. Ao menos em parte.
—Mostre-nos o que sabe fazer docinho – a voz melosa de um dos homens chama minha atenção e baixo os olhos em sua direção. Já o vira antes, mas não lembro onde, porém meus olhos são atraídos para o homem imediatamente a suas costas.
Alguns passos atrás, braços cruzados, as mangas dobradas revelando a pele queimada pelo sol, uma expressão indecifrável no rosto, Matteo Hayes me observa atentamente. Sinto seus olhos percorrerem meu corpo, desnudando-me, causando uma onda de arrepios (nem todos por medo, devo reconhecer). Ele era um homem bonito. Perigosamente bonito. E sexy. Muito sexy. E tinha plena consciência disto.
—Vamos docinho, mexa-se – a mesma voz ordena, dando uma tapa em minha bunda. Só então noto que a música começara a tocar.
Meio sem jeito (em parte pelo olhar de Hayes), começo a me mexer acompanhando o ritmo da balada, rebolando de um lado para o outro, sem saber o que fazer com as mãos. Meu rosto esquenta sem que possa impedir ao notar o riso discreto que Hayes não se preocupa em disfarçar, este morrendo quando a ordem seguinte é dada por seu sócio.
—Tire a roupa – Travis ordena, entrelaçando os dedos e cruzando as pernas tranquilamente.
Respiro fundo começando a abrir os botões de minha blusa, tentando não parar de dançar. Quando chego ao último, viro de costas para o grupo (mais por vergonha do que por charme), despindo-a. A seguir dispo a saia deixando-a cair a meus pés, continuando a mover-me.
—Toda a roupa – congelo ante a nova ordem – E vire-se para nós meu bem. Se quiséssemos ver bunda iríamos à praia no final de semana – ironiza e ouço alguém rir.
Por mais que meu cérebro ordene que obedeça, meu corpo se nega a fazê-lo. Durante alguns minutos travo uma luta interna tentando convencer a mim mesma que isto faz parte do trabalho, que sadia do risco disto acontecer quando aceitei me infiltrar naquele lugar, mesmo assim continuo travada, imóvel.
Estou formulando uma desculpa valida e forte para não fazer o que fora ordenado, quando sinto duas mãos se fecharem em meu quadril como garras, rasgando minha calcinha, arrebentando o fecho do sutiã logo a seguir, puxando-o com brutalidade, obrigando-me a virar quando termina.
Uma torrente de palavras em espanhol invade meus ouvidos ao mesmo tempo em que as mãos do homem a minha frente apalpam meu corpo sem nenhuma gentileza, apertando, beliscando, os dedos insinuando-se em minha intimidade com rudeza. Meus olhos cruzam com os de Hayes no momento em que sou posta sobre os ombros do espanhol e carregada até a cama onde me atira sob os aplausos de Travis e dos outros dois presentes.
Quando sinto o corpo imenso prensar o meu sobre o colchão, saio do estado de letargia começando a me debater ciente do que estava por acontecer.
—Não! Não! Me solte! Eu não quero! – esbravejo, levando as mãos a seu peito, socando, empurrando o mais forte que consigo – NÃO! – grito, meu rosto sendo atingido por uma tapa violenta, deixando a pele vermelha e ardida. Lagrimas brotam sem que possa impedir – Por favor, eu não quero! – imploro, me contorcendo em busca de libertar meus pulsos, presos no alto da cabeça, uma nova torrente de palavras chegando aos meus ouvidos enquanto uma de suas pernas força as minhas, abrindo-as, a boca nojenta sugando meu seio, os dentes machucando-me – Por favor...NÃO....- grito novamente, àquela altura não conseguindo mais sufocar o choro, o que pareceu irritá-lo, fazendo-o erguer o tronco, preparando uma nova bofetada –Eu sou...
—Já chega! – a voz de Hayes sobressai – Agradeço se não danificar a mercadoria Jorge – diz, secamente, aproximando-se – Além do mais, já teve bastante diversão por hoje. Não acha que é hora de deixar os outros aproveitarem também?
—Tipo você Matt? – ouço Travis perguntar, parecendo divertir-se – Está de olho nela desde que a escolhi não está?
—Ora, ora, quem diria. Quer dizer que a pequena kukla com pele de porcelana conseguiu aquecer nosso homem de gelo! – o loiro que permanecia calado até aquele momento declara, rindo alto – Deixe-a para ele Jorge. Como cortesia. Terá muito tempo para desfrutar da companhia dela na Espanha.
—Abre mão dela então? – questiona, saindo de cima de mim e puxo o lençol tentando me cobrir.
—Levarei a morena fogosa – diz, sorrindo – O que acham de encerrarmos por hoje? Quero descansar antes continuar a escolha– sugere, levantando-se – Spokoinoi Nochi! – diz, fazendo uma mesura antes de sair.
—Aproveite sua noite mi amigo. Porque depois de amanhã ela será toda minha – declara o espanhol, deslizando a mão por minha perna, gargalhando quando a encolho – Lembre de tirá-la pela passagem. Não deve mais voltar....
—Não preciso que me diga o que fazer Jorge. Não sou nenhum novato – retruca Hayes de forma seca e dura, o homem dirigindo-lhe um olhar estranho antes de sair acompanhado pelo segurança.
—Não é boa tática irritar nossos sócios por uma putinha por mais gostosa que seja Matt – ouço o outro homem dizer ao passar por ele, retirando-se também.
—James tem razão. Tenha cuidado com o que diz – Travis alerta, me olhando – Deixarei o carro para que a leve quando terminar. E não se esqueça de nosso compromisso amanhã pela manhã.
—Acha uma boa ideia tentar fazer de Cornelius nosso sócio? – contesta e fico em alertar – Isto não me agrada em nada.
—Precisamos de um bode expiatório caso algo dê errado já que não conseguimos deter a investigação das mortes de Nick e Isabela. Quem melhor do que o pai do envolvido no caso? – rebater, rindo com o canto da boca – Divirta-se meu amigo – diz, tocando seu ombro antes de sair, fechando a porta atrás de si, deixando-me a sós com Hayes, que parece distraído, mergulhado em seus pensamentos, alheio a tudo ao seu redor. Pelo menos foi o que pensei. Descubro estar errada quando tento fugir após enrolar meu corpo com o lençol, pulando da cama, correndo em direção a porta.
Para minha surpresa (e terror) ele é mais rápido, me agarrando pelo cabelo, puxando-me contra seu corpo, me prendendo num abraço apertado.
—Me solte! Não sabe com quem está se metendo – rosno, fazendo uma careta de dor quando aumenta a pressão dos dedos que se enroscavam em meu cabelo, puxando-o forte, trazendo lágrimas a meus olhos outra vez.
—Sei muito bem com quem estou me metendo sweet heart– afirma junto a meu ouvido – E mesmo que quisesse, e não quero – declara, sugando a pele de meu pescoço – Não poderia deixá-la partir sem por minha vida em risco. Mas não se preocupe, prometo que vou ser gentil e cuidar bem de você – sussurra, mordendo o lóbulo de minha orelha – Relaxe sweet heart, está em boas mãos – é a última coisa que escuto antes de tudo ficar escuro.
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Apartamento Connor e Sarah (quarta, 5/4 – 08:35 a.m)
Connor
Estico o braço pegando meu celular que começara a tocar sem desviar os olhos da tela do computador, atendendo sem ver quem era.
—Alô – digo, um sorriso bobo formando-se em meu rosto.
< Bom dia meu amor! Te acordei? > Sarah pergunta, um coro de “owns” se fazendo ouvir ao fundo.
—Não, já estava acordado há algum tempo – digo, fechando o notebook – Como foi sua noite? – quero saber.
< Cansativa, porém produtiva > diz, entusiasmada < Ajudei os doutores Charles e Manning com uma paciente complicada. Bem, na verdade o caso dela que era complicado: gravidez tubária > relata < Ela é menor e não sabia que estava grávida porque o primo, com quem teve relações, garantiu que da forma como fizeram não corria risco de engravidar... >
—E ela acreditou? – interrompo sua narrativa, sinalizando para nossa diarista entrar.
< É uma menina Connor, só tem quatorze anos, os pais são bastante severos, o que só complicou quando descobrimos que estava grávida. Já está no final do quarto mês! > revela, me surpreendendo.
—Ninguém notou nada, em casa ou na escola? – questiono.
< Não. Ela é meio gordinha e tem intolerância a lactose, por isso nem a mãe nem os professores associaram os mal estares à gravidez. Além do mais não costuma sair para festinhas ou baladas, tem poucos amigos, na maioria meninas, então ninguém pensou que teria transado > despeja de um fôlego só, rindo ao final < Estou falando demais não estou?> pergunta.
—Na verdade estava para perguntar se está bem amor – admito, rindo de volta – Parece-me meio “pilhada”– comento, ficando sério a seguir – Sarah, não tomou nada para ficar acordada tomou? – preocupo-me.
Nós médicos temos o mau costume de fazer, algumas vezes, uso de estimulantes para aguentarmos dobrar o turno. Até onde sei, ela nunca precisou fazer isto.
< Não amor, fique tranquilo > assegura < Foram só uns grãos de café que Joyel e Noah trouxeram e distribuíram com o pessoal. A gente mastiga e ajuda a ficar acordado. Tudo natural. Apesar de serem meio amargos são bem gostosos! Só não dá pra exagerar porque a gente fica meio elétrica! >
—Então pare de mastigar agora porque a meu ver parece-me elétrica demais – ralho, escutando-a rir – Falo sério Sarah. Não coma mais nem um grãozinho sequer está me ouvindo? – interrogo.
< Sim senhor meu senhor! > brinca < Vou desligar porque chegou atendimento. Ah, liguei pra te avisar que vou sair um pouco mais tarde, por volta das dez, porque quero acompanhar a menina da qual falei com a mãe na consulta com a doutora Grant > avisa, suspirando < Vai estar em casa quando chegar? >.
—Vou. Pretendo aproveitar a folga para estudar um pouco mais alguns casos de David – afirmo – Sarah, faça o que pedi, não coma mais esse troço. Não está te fazendo bem, amor – reitero.
< Já parei > garante < Mas acho que vai sobrar um pouco de energia para gastar com você quando chegar em casa! > insinua, diminuindo o tom de voz.
— Só espero conseguir acompanhar seu pique! – digo, rindo junto com ela – Pensando bem, acho melhor ir buscá-la – decido – Me aguarde ok? – peço.
< Uhum. Ficarei quietinha aguardando meu poeta chegar para me buscar em seu corcel negro! > brinca outra vez < Até mais amor. Te amo, te amo, te amo. Beijos > despede-se.
—Também te amo minha ninfa – declaro, desligando após ela fazê-lo.
Aproveito para checar minhas mensagens. Doze no total. Seis de Sarah, todas durante a madrugada, duas de Claire, uma de Will, uma de doutor Charles (sobre David), uma de Miss Goodwin (também sobre ele) e uma do próprio assegurando-me estar bem, para não me preocupar e descansar porque teríamos dois procedimentos na quinta.
—Como se isto fosse possível! – resmungo, pondo o aparelho de lado, respirando fundo.
O susto que David nos dera na segunda à tarde ainda estava muito fresco em minha memória para que conseguisse relaxar. A imagem de seu corpo sumindo lentamente de meu campo de visão me perseguia cada vez que fechava os olhos. O incidente só não tivera consequências piores porque estávamos finalizando o procedimento e nosso anestesista, Martin, conseguiu segurá-lo a tempo de evitar que sua cabeça se chocasse com violência contra o solo. Depois disto, Miah me auxiliou a finalizar a cirurgia. O procurara assim que sai do centro cirúrgico, encarregando-a de falar com a família.
O encontrei realizando, a pedido (ordem, melhor dizendo) de Miss Goodwin, exames, que nos mostraram o quanto seu câncer havia avançado.
Tentamos convencê-lo a descansar uns dias, mas não houve acordo. O máximo que Goodwin conseguiu foi fazer com que ficasse em casa terça e quarta para que se recuperasse do acontecido.
—Doutor Rhodes, desculpa interrompe-lo – a voz da senhora Slone me tira do devaneio. Ergo os olhos para ela, que se encontrava parada a minha frente – Encontrei isto no chão. Como não sabia se podia, de fato, ir para o lixo, resolvi lhe perguntar – diz, estendendo-me o objeto.
—Obrigado senhora Slone – agradeço segurando o pendrive — Vou ficar no quarto enquanto limpa aqui – aviso, calçando as sandálias, pegando meu notebook e levantando – Quando puder voltar me avise –peço, ela acenando afirmativamente.
No quarto, deito recostado na cabeceira, ponho o fone de ouvido, conecto o pendrive ao computador, e o abro. A imagem de um sofá em uma sala surge, uma mulher aparecendo pouco depois. Apesar de não a ter conhecido pessoalmente, reconheço como sendo Nichole, a dançarina que Sarah substituíra.
“Olá meu amor. Se estiver assistindo isto, significa que algo muito grave aconteceu. Provavelmente estarei... morta”...— declara, fazendo uma pausa breve... — “Antes de qualquer coisa, quero que saiba que nada do que vivemos foi uma ilusão. Eu te amei com todas as minhas forças, de todo o coração! Te amei desde o primeiro momento em que pisou naquele stand pedindo informações sobre um carro que já possuía!... — nova pausa seguida de suspiro -... “Te amei quando retornou no dia seguinte, mesmo não tendo mais nada a fazer ali. Te amei quando me pediu, com a desculpa mais esfarrapada da terra, que lhe desse meu número. Ansiei por sua ligação cada segundo e quando finalmente o fez, te amei. E amei ainda mais quando me abri com você, quando contei-lhe toda verdade sobre minha vida e mesmo assim não me repeliu ou se afastou. Te amei, te amo e quero que saiba que jamais me afastaria de você a não ser obrigada. Por isso te peço: não acredite em nada do que digam caso eu desapareça misteriosamente. Não acredite se disserem que estava te enganando, que aceitei me tornar sua noiva por causa de seu sobrenome e fortuna. Sabe o que penso sobre isto. Já conversamos e deixei claro o que sinto e quero de nossa relação. Não se deixe enganar, meu amor. Irão te dizer que me aproveitei de seu amor por mim para obter vantagens de algum tipo. Essas pessoas, alguns que se dizem seus amigos, são mentirosas, falsas, não são o que dizem ser. Elas me chantagearam para que fizesse o que queriam. Um em especial tem me atormentado e perseguido nos últimos tempos: reitor Alexander James. Sei que ele diz ser seu amigo, mas não é, não confie nele. Se o pior me acontecer, ele será o responsável. Por isto e por outras coisas mais, estou te deixando essa mensagem junto com esta chave de um armário alugado onde guardei todas as provas que havia prometido aos federais reunir sobre o que acontece por detrás da Fifty e... — se cala ao escutar o que julgo ser o toque de uma campainha... — Meu tempo acabou. Deixarei esse vídeo e chave dentro de um envelope, com uma pessoa de minha confiança, com instruções para ser entregue pessoalmente a você o mais rápido possível caso algo me aconteça. Eu te amo Cornelius, nuca duvide disso e...
Arranco os fones antes do final da mensagem, o choque com o que acabara de ouvir fazendo meu coração bater acelerado.
Meu pai?? Meu pai era o namorado secreto da dançarina morta??— Não pode ser! Não pode! – exclamo, levantando rápido, quase derrubando o computador.
Deixo-o de lado tomando uma decisão, indo até o guarda roupa, retornando na metade do caminho, pegando-o novamente, fazendo uma cópia do vídeo antes de largá-lo e ir me vestir.
Rapidamente ponho calça jeans e camiseta enfiando os pés no primeiro par de sapatos que vejo, pegando carteira, celular e chaves, indo até o computador, verificando que finalizara o processo de copiar o arquivo. Retiro o pendrive pondo-o no bolso da calça antes de sair do quarto, enviando uma mensagem para Sarah enquanto saio do apartamento.
Ando de um lado para outro, nervoso, enquanto aguardo a chegada do elevador, entrando mal as portas abrem, recostando-me a um canto, olhos fixos no painel acompanhando os números apagarem um a um até parar na garagem, saltando para fora rapidamente, destravando meu carro enquanto caminho, entrando, cantando os pneus quando saio em alta velocidade rumo a casa de meu pai.
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Universidade de Chicago (08:45 a.m)
Reitoria
Hank Voight
—Policia de Chicago – All anuncia enquanto entramos no gabinete do reitor na universidade, interrompendo, ao que parece, uma reunião.
—Mas o que isto significa? – irrita-se o homem, ficando de pé, os outros dois imitando-o – Não têm o direito de invadir minha sala dessa maneira – bufa, olhando a volta enquanto All, Atwater, Ruzeck e Jay examinam o local, abrindo armários e gavetas.
—Temos um mandado não apenas para seu escritório mas para sua casa senhor James – aviso, entregando-o o papel.
—O que tem nesse armário? – Jay chama minha atenção – Abra – ordena a secretaria, que acompanhava tudo surpresa.
Não a havíamos avisado da batida para que não comprometesse a operação.
—Nem pense em obedecer senhorita Stwart – ameaça o reitor, visivelmente nervoso – Vou ligar para meu advogado e...
—Ligue para quem quiser. O mandato é valido portanto, abra a porta senhorita – ordeno.
—Apenas o reitor tem a chave oficial – entrega ela, apertando as mãos.
—Chaves – peço voltando-me para ele, que hesita – Abra Halstead – ordeno sem deixar de olha-lo, vendo o medo espalhar-se rapidamente por seu rosto.
—Hank, precisa ver isto – All chama e me volto, vendo-o segurar uma caixa com o que parecia ser o resto de algum traje – Aposto meu salário que isto era de Biasini – insinua, aproximando-se.
—Isto...Isto não...é o que parece – titubeia o homem, ainda mais pálido.
—A pericia nos dirá – afirmo, voltando-me ao escutar Halstead chamar, vendo-o exibir um saco com alguns objetos.
—Pertenciam a falecida Nichole Biasini. Estavam listados como desaparecidos – informa.
—Eu posso explicar – declara o reitor com voz tremula.
—E vai. Na delegacia. Alexandre James, está preso pelo assassinato de Nichole Biasini – anuncio, encarando-o – Leia os direitos deste verme detetive Olinsky – peço, me afastando para um canto, fazendo uma ligação – Feito. James está preso – aviso.
< Estamos a caminho da empresa de Jorge Vidall. Aviso quando sairmos de lá> James Spencer declara, desligando.
—Estamos prontos Hank – All chama e me volto, acenando afirmativamente, olhando através da janela o tempo começar a mudar, o céu escurecendo rapidamente.
—Parece que uma tempestade se aproxima – murmuro, voltando-me uma última vez, saindo do gabinete da reitoria.
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Residência de Cornelius Rhodes (09:29 a.m)
Narrador
—Desculpe-me vir tão cedo Cornelius, mas como irei viajar no final desta tarde, queria deixar as coisas encaminhadas com você – Giancarlo declara, seguindo o empresário até seu gabinete, sentando na poltrona indicada por ele.
—Sem problemas Giani. Ao contrário do que a maioria pensa não durmo até tarde – garante, sentando de frente para ele – Quanto a sua proposta, estive pensando, aconselhei-me com os advogados da Dolan e cheguei à conclusão que não seria prudente associar o nome da família ao tipo de negócio que você e Matteo gerenciam, sinto muito – afirma tranquilo – Também não quero ligar meu nome a uma boate, por mais bem frequentada que seja – completa.
—Mas seu nome não apareceria meu amigo. Assim como o meu e o de Matteo não aparecem – garante o outro – Ninguém, a não ser que permitisse, saberia que....- é interrompido pelo toque de seu celular – Me desculpe por isto. Preciso atender. Negócios – avisa, erguendo um dedo, levantando-se, indo até a varanda anexa ao gabinete enquanto o empresário permanece sentado tamborilando os dedos sobre o braço da poltrona, refletindo no quanto detestava ter que lidar com este tipo de situação, o som de uma freada brusca seguido do bater de portas, primeiro de carro segundo de casa, chamam sua atenção fazendo-o levantar-se rapidamente, franzindo o cenho, encaminhando-se para a porta do gabinete ao escutar a voz do filho.
Antes que a abrisse, a mesma é aberta por Connor, que adentra o local visivelmente nervoso.
—Que novidade é esta? A que devo a honra de receber a visita....
—Quando ia me contar pai? – corta-o o cirurgião, encarando-o.
—Quando ia lhe contar o que especificamente? – questiona o empresário sustentando o olhar do filho.
—Sobre você e a dançarina assassinada? Quando me contaria que estavam juntos, que era você o milionário com o qual pretendia se casar? – despeja de uma só vez.
—Em primeiro lugar, não lhe devo satisfação de minha vida Connor. Com quem me relaciono ou deixo de relacionar não lhe diz respeito – declara – Em segundo lugar, justamente você me aparece com cobranças e preconceito contra a mulher com quem pretendia me casar? Justo Você, que levou sua namorada também dançarina para morar debaixo do mesmo teto a poucos dias?
—Ela é médica e se fosse apenas uma dançarina não me importaria, sabe muito bem que não tenho preconceito nenhum em relação a isto – defende-se o cirurgião – Tampouco vim aqui lhe cobrar com quem leva para sua cama pai. É livre para viver com quem bem entender. O que me irritou foi o fato de ter escondido, especialmente de Claire, seu envolvimento com ela principalmente após saber que fora morta. Está ciente que esse fato te torna suspeito? Sabe do risco ao qual se expos e expos Claire? Essas pessoas são perigosas pai, viu o que fizeram comigo – argumenta, tenso.
—Só descobri o que aconteceu com Nick quando fui chamado a prestar esclarecimentos e sim, estou ciente que, mesmo depois de ter ido de livre e espontânea vontade prestar depoimento, ainda posso ser considerado suspeito de sua morte. Meu advogado advertiu-me. Não devo nada, sou inocente e me pus a disposição da polícia – avisa, encarando-o – Como soube sobre mim e Nick? Não comentei nada com sua irmã.
—Isto me foi entregue na segunda em um envelope sem remetente– exibe o pendrive – A princípio não dei importância, tanto que quase foi parar no lixo – diz, entregando-o ao pai – Era para você. Um vídeo dela se despedindo, pedindo que procurasse a polícia e entregasse a eles – comunica o cirurgião seguindo o pai até sua mesa, o empresário conectando o objeto ao computador – Ela acusa o reitor de uma universidade, Alexandre...
—James? Alexandre James matou Nick? – Cornelius espanta-se, voltando os olhos para a tela quando escuta a voz da garota, aumentando o volume para escutá-la.
—Ela diz claramente que ele seria o responsável caso algo lhe acontecesse, que tinha provas sobre o que estava acontecendo na boate e que trabalhava com os federais – Connor revela causando novo espanto no pai – Também pediu para não acreditar em nada que lhe contassem sobre ela e para ter cuidado com esse homem que a matou, que não era seu amigo – alerta, calando-se ao notar a emoção no rosto do pai enquanto este assistia o vídeo...
“....Eu te amo Cornelius, nunca duvide disso e mais uma vez te peço: não confie em ninguém! Especialmente em James, Matteo Hayes e Giancarlo Travis. Eles não são quem dizem muito menos são seus amigos meu amor...”
—Giani?? – interroga o empresário, erguendo a cabeça ao mesmo tempo em que Connor se volta, ambos escutando o som característico de uma arma sendo engatilhada – O que significa isto? – Cornelius questiona, erguendo as mãos.
—Significa que não deveria ter-se envolvido com ela Cornelius – declara o homem, sinalizando para que saísse de trás da mesa – Você não deveria meter-se em assuntos que não lhe dizem respeito – aponta para Connor – O pendrive por favor – pede, Cornelius atendendo-o – A chave, onde está a chave? – questiona, apontando para Connor mais uma vez.
—Não havia nenhuma chave, apenas o pendrive – garante o cirurgião, mantendo as mãos erguidas.
—Não é hora de bancar o herói, de novo, doutor! Me entregue a chave e talvez o deixe viver – ameaça.
—Já disse, não havia chave alguma – repete.
—Não acredito em você – rosna, ficando mais nervoso, a mão tremendo – Agora, me entregue a maldita chave ou....
—Ele já disse que não há chave alguma Giani, acredite, meu filho.... – Cornelius argumenta postando-se ao lado de Connor, sobressaltando-se com a reação do homem.
—MENTIRA! – grita o sócio da boate, chutando a mesa de centro, cerrando o pulso livre – Sabia que era má ideia deixa-lo vivo desde o começo. Devia ter seguido meus instintos – declara – Mas nunca é tarde para se corrigir um erro – afirma, atirando.
—NÃO! – Cornelius grita, pondo-se a frente do filho, sendo atingido.
—Pai!! – Connor exclama, amparando-o – Não! Não, não, não – repete, fazendo-o deitar-se, verificando o ferimento – Por que fez isso? – questiona, segurando as lágrimas.
—Porque é meu filho – responde o empresário fazendo uma careta de dor.
—Não fale ou tente mexer-se – Connor pede, pressionando o ferimento.
—Sinto por isto Cornelius, mas apenas adiantou o que teria que fazer de qualquer jeito, afinal, nada de testemunhas – declara Giancarlo, engatilhando a arma novamente.
—Que diabo está acontecendo aqui? – a voz de Matteo reverbera no ambiente – Me atraso um pouco e já mete os pés pelas mãos Giani? – pergunta, aproximando-se.
—Ela deixou provas Matt, provas contra nós – declara, exibindo o pendrive – Eles viram – revela, olhando o sócio de soslaio – Devia tê-lo matado quando tivemos chance – rosna, voltando o rosto, distraindo-se um segundo, assustando-se quando o recém chegado inclina-se rápido, golpeando Connor com a coronha do revolver fazendo-o desmaiar sobre o pai, tomando-lhe o celular das mãos, destruindo o aparelho com um pisão preciso – Vê o que digo?
—Vejo – Matteo concorda, agachando-se, olhando dentro dos olhos de Cornelius, recolhendo o que sobrara do celular– Vejo que mais uma vez terei que limpar a bagunça que aprontou – diz, erguendo-se – Escolheu uma péssima hora para fazer merda Gaini – declara, encarando o sócio.
—Como é? Resolvi um problema....
—E criou outro – corta-o, furioso – Agora terei que dar um jeito nos corpos e ainda nos empregados da casa ou pensa retirá-los num passe de mágica? – ironiza, fazendo o outro tremer – E temos mais um problema: James foi preso – anuncia.
—O que? Quando? -interroga, nervoso.
—Agora a pouco – avisa, passando a mão pelo cabelo, refletindo um segundo enquanto o outro inquieta-se.
—Isso não podia ter acontecido – bufa.
—Não Giani, Isto — aponta pai e filho caídos no chão – Não devia ter acontecido – reforça, suspirando – Vá para casa e fique lá até receber notícias minhas – ordena – Deixe a prova comigo. Cuidarei de tudo. De novo – garante.
—Tem certeza? Não quer que eu fique? – contesta, entregando-lhe o pendrive.
—Pra fazer mais cagada? Não, obrigado – ironiza novamente – Vá pra casa e tente não fazer mais merda nenhuma. Quando limpar tudo aqui vou ao seu encontro – avisa, o outro finalmente rendendo-se, batendo em retirada.
—Matt...Eu..Posso...pagar – Cornelius sussurra.
—Guarde seu dinheiro Cornelius – rebate, celular em punho – Sou eu. Preciso eu venham até a casa de Cornelius Rhodes. Temos uma limpeza a fazer. Urgente.....
“...Stay with me a little longer;
I will wait for you;
Shadows creep and want grows stronger;
Deeper than the truth...”

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