Hidden Life!
22 Wednesday “Mourning”
Notas iniciais
“.... I can’t tell, but love you;
Even though I try not to;
I can’t tell, but want you;
I know that I’d die without you;
I can’t help but be wrong in the dark;
Cause I’m overcome in this war of hearts;
I can’t help but want oceans to apart;
Cause I’m overcome in this war of hearts...”
Ruelle
War Of Hearts
Chicago Med (quarta, 5/4 –09:55 a.m)
Sarah
Havia terminado o atendimento juntamente com doutor Charles e estava caminhando para a sala dos médicos após ter encerrado o plantão a fim de me aprontar para esperar Connor quando duas coisas acontecem quase que simultaneamente e que acabariam por impedir minha saída imediata do hospital.
A primeira vem através de meu celular. O aparelho, que havia desligado durante o atendimento para evitar distrações, vibra com o aviso de mensagem assim que o ligo fazendo-me estancar na metade do caminho, lendo-a. Era de Connor.
“Desculpe amor, surgiu uma coisa e não poderei te buscar. Venha de taxi, Uber, qualquer coisa excerto metrô. Explico assim que voltar. Te amo.”
Enrugo a testa tentando imaginar o que poderia ter sido essa tal “coisa” que surgira, distraindo-me, a voz de Noah Sexton me tirando do devaneio.
—April, não fiz nada demais! São apenas sementes de café, nada mais. Pergunte a doutora Reese aqui – pede, fazendo cara de inocente.
—Pode até serem apenas sementes, mas que nos deixaram ligados deixaram – contesto, retornando ao lado dos dois para a ilha de enfermagem da emergência ainda sentindo os efeitos das sementinhas mesmo depois de ter parado de mastigá-las pelo menos há duas horas – Não fazia ideia do quão estimulantes podiam ser – admito.
—Eu não fiquei tão ligada assim – Dóris comenta, fingindo estar com pequenos e engraçados tiques nervosos nos fazendo rir.
—A reação varia de pessoa para pessoa já que nenhum individuo é igual ao outro – Robin chata Charles comenta. Ela também havia dobrado plantão, para meu desgosto.
—E tomar Coca-Cola ou Pepsi depois de mastigá-las potencializa os efeitos, só pra constar – doutor Halstead avisa, recostando ao balcão, fechando seu turno (mais um que havia dobrado) – Maggie, Natalie está em algum atendimento? – questiona franzindo o cenho ante o silencio dela – Maggs?? – chama novamente conseguindo sua atenção – O que houve? – pergunta, tenso, assim como eu e os demais presentes ficamos diante da expressão assustada dela – Maggs?!? – insiste ao mesmo tempo em que escutamos as portas abrirem, o segundo motivo pelo qual atrasaria minha saída adentrando.
—Doutor Downey – diz de forma mecânica indicando a maca conduzida por Sylvie e Leslie trazendo sobre ela um abatido David Downey, mais pálido do que o normal, um corte na testa coberto por curativo por onde escorre um filete de sangue.
—O que houve? – doutor Choi, que se aproximara para iniciar o atendimento pergunta, dirigindo-se a Shay.
—A diarista o encontrou caído na sala ao chegar. Corte profundo na testa, pressão 90x60, batimentos 110, saturação em 38 – informa minha amiga, dirigindo-me um olhar triste juntamente com um gesto negativo de cabeça que faz meu coração apertar.
—Tratamento 3, Bagdá – Maggie indica, saindo da letargia, Will, April e eu mesma fazendo o mesmo.
Rapidamente seguimos a maca conduzida por elas e doutor Choi até a sala indicada enquanto Maggie liga para Miss Goodwin.
—Sharon, precisar vir a Bagdá. É doutor Downey – ouço-a avisar enquanto me posiciono para auxiliar no atendimento.
—Na minha contagem – doutor Choi pede – Em três, dois, um, transferir – comanda, fazendo-nos erguer Downey pondo-o sobre o leito – Obrigado, assumimos daqui – avisa, agradecendo minhas amigas, que recuam indo juntar-se a Maggie e Robin.
—Pressão caindo rápido, saturação também – April alerta.
—David?! – ouvimos Miss Goodwin chamar, a voz cheia de tensão – O que houve?
—Não sabemos ainda – doutor Halstead informa – April, quero hemograma completo e raio x do lado direito. Aplique 2mg de Midazolan e 5 mg de Morfina – ordena.
—Ele fez uma ARF ontem à tarde – Miss Goodwin avisa, observando-nos.
—O fígado pode estar sagrando – doutor Choi cogita, Will acenando afirmativamente.
—Pode ser. Afastem-se para o raio x – pede e todos obedecemos, retomando nossas posições ao termino do exame – Estava certo Ethan. O sangramento está comprimindo o peito. Precisamos aliviar a pressão e estabilizá-lo antes de mandar para a cirurgia – diz, calçando luvas estéreis – Vou drenar o sangue. Me auxilia?
—Estou com você – Ethan anui, voltando-se para mim – Reese, nos dê um acesso na perna – solicita, posicionando-se ao lado de Will.
—Sim – sopro, apressando-me a obedecê-lo enquanto minha mente voa até Connor, imaginando onde estaria e como se sentiria ao saber que seu mentor e amigo dera entrada neste estado.
—Quem é o cirurgião de plantão? Alguém tem que avisar Connor – doutor Halstead dá voz a meu pensamento enquanto realiza a incisão, doutor Choi o auxiliando a inserir o tubo a fim de drenar o sangue – Estou dentro – avisa.
Pelo canto do olho vejo Maggie ao telefone andando de um lado para outro.
—Pressão e batimentos estabilizando – April anuncia.
—Acesso feito – anuncio logo em seguida, erguendo as mãos e afastando-me para que assumissem.
—Precisamos de uma sala de cirurgia agora Maggie – Ethan ordena
—Avisei a cirurgia que estão subindo. Doutor Carter os aguarda –avisa abrindo espaço, assim como os demais que se encontravam a porta, para a maca passar – Não consegui contato com doutor Rhodes – diz, me dirigindo um olhar interrogativo.
—Avise ao médico de David, Maggie e continue tentando falar com doutor Rhodes – Miss Goodwin ordena, seguindo-os.
—Sarah ...
—Vou ligar para Connor – me antecipo a seu pedido, levando a mão ao bolso de meu jaleco, discando automaticamente o número dele.
< O número que discou está fora de área ou desligado>a mensagem automática soa em meu ouvido fazendo-me fechar os olhos... Por que diabo desligou seu telefone? , bufo, voltando a ligar, escutando a mesma mensagem, enquanto entro na ilha de enfermagem em busca de um lugar para sentar.
Sentia minha cabeça rodar, uma sensação de embrulho tomando conta de meu estômago trazendo consigo uma ânsia de vômito quase incontrolável. Respiro fundo, os sons a minha volta tornando-se distantes e por um segundo penso que iria desmaiar.
Puxo o ar fortemente mais uma vez erguendo a cabeça, surpresa, ao notar alguém me estendendo um copo com água.
—Obrigada – agradeço, aceitando.
—Por nada. Está sentindo-se bem? – Robin Charles pergunta parecendo genuinamente preocupada.
—Foi só uma tontura, nada de mais. Tensão acho – justifico.
—Ou falta de alimentação. Comeu alguma coisa hoje? – Maggie questiona, acenando para Sylvie e Leslie, que se aproximavam.
—Temos que ir andando. Dêem-nosnotícias dele, por favor – Leslie pede, me dirigindo um olhar preocupado – Tudo bem Sarah? – pergunta fazendo Sylvie esticar o pescoço para me ver.
—Estou bem. Só um pouco tensa demais – admito, mordendo meu lábio inferior, mexendo as pernas nervosamente, olhando a tela escura do celular.
—Ele vai retornar assim que vir suas chamadas, lindinha– Maggie garante pondo a mão em meu ombro e sorrio fracamente notando Robin afastar-se discretamente (ou tentar).
—Eu sei Maggs – digo, tentando mais uma vez.
—Dê um tempo antes de tentar novamente, e pelo amor de Deus vá comer alguma coisa. Já me basta estar preocupada com doutor Downey e doutor Rhodes, acrescentar você a lista vai ser dureza! – ralha, levando as mãos à cintura – Ande, vá até a cantina. Ou vá para casa – sugere.
—Não. Prefiro esperar mais um pouco. Connor virá direto para cá quando souber o que houve – argumento, levantando – Vou a cantina ver se tem algo para comer – aviso, despedindo-me delas, seguindo a passos largos para o local.
Durante a hora seguinte alterno comer meu sanduíche com suco a tentar contato com Connor, irritando-me a ponto de bater o celular contra a mesa ao escutar pela milésima vez a mesma mensagem, massageando a têmpora, cada vez mais tensa por não conseguir contatá-lo.
—Onde você está meu amor!? – interrogo baixinho sentindo-me frustrada.
—Nada ainda? – a voz afetada de Robin Charles soa junto a mim e ergo o rosto encontrando-a parada a meu lado, limitando-me acenar negativamente – Também tentei ligar para ele, mas escutei a mesma mensagem que deve estar ouvindo – informa, sentando (sem que a convidasse) a minha frente.
—Sarah, conseguiu falar com Connor? – Will chega perguntando, Nat e April a seu lado, Robin respondendo antes que o faça.
—Nada ainda. Também liguei e igualmente não tive sorte – conta.
—Por que pensou que Meu namorado iria atender uma ligação Sua e não Minha, posso saber? – questiono irritada.
Sei que não era hora nem lugar para crise de ciúmes, mas vê-la insinuar que Connor a atenderia e não a mim foi demais para meu estado de espírito.
—Só pensei que, talvez, ele pudesse estar chateado com você, por alguma razão, e preferisse falar com outra pessoa, só isso – diz com fingida inocência e preciso me controlar para não voar em seu pescoço – Afinal o mais importante aqui é conseguir contato com ele, ou estou enganada? – questiona.
—Certamente que sim, mas tenho certeza que mesmo que estivesse chateado com Sarah, Connor atenderia o celular ao ver as diversas chamadas – Nat afirma de forma educada, sentando-se a meu lado – Ele não te disse se pretendia sair e aonde iria?
—Não – respondo secamente, massageando mina têmpora mais uma vez – Desculpa Nat, não quis ser grossa – peço – Só estou preocupada porque quando nos falamos mais cedo ele garantiu que não iria sair de casa, que aproveitaria para estudar alguns casos que doutor Downey até perto da hora que combinamos que viria me buscar. Ai mandou uma mensagem que havia surgido algo, que não poderia vir, mas não disse o quê nem onde era esse algo – conto, sentindo certa satisfação ao ver a expressão de Robin. Só que isto dura apenas até o comentário de Will.
—Não seria o caso de tentar falar com a irmã dele? Talvez tenha ido procurá-la – cogita – Você tem o número dela? – pergunta e nego, sentindo a mesma vontade atroz de esganar a ex de Connor assim que abre a boca.
—Eu tenho – avisa, sorridente, já discando.
—Tudo bem – April sussurra pondo a mão sobre meu ombro solidaria ante minha expressão de desgosto.
Durante alguns minutos aguardamos, olhando-a atentamente enquanto faz caras e bocas.
—Chama até ir para a caixa postal – informa ela, desligando, não perdendo a chance de alfinetar – Estranho, porque Claire sempre me atendeu.
“Bem feito! Quem mandou querer tripudiar em cima de você!”, meu subconsciente comemora... Calado. O importante aqui é falar com ele. Seja quem for e através de quem quer que seja...
—Acabou a cirurgia – doutor Choi avisa, parando junto a nós e por sua expressão sei que não ouviremos boas notícias – Está estável agora – informa-nos.
— Por que estou sentindo que tem um “mas” a caminho? – doutor Halstead questiona.
—John acha que ele teve um derrame durante o procedimento – conta – Por isso deixou Abrams em alerta para uma avaliação caso retirem a sedação e demore a acordar – diz, apoiando uma mão sobre o encosto da cadeira onde me encontro.
—Mas ele acha que doutor Downey vai sobreviver? – interrogo, olhando o visor de meu telefone quando o sinto vibrar.
—Connor? – Will pergunta e nego com um meneio.
—Não, nossa diarista – digo, atendendo – Pois não senhora Slone.
< Desculpe-me importuná-la senhorita. Julguei melhor avisá-la que estou saindo já que o senhor Rhodes não está > avisa fazendo meu coração ficar mais apertado < Deixei almoço pronto para vocês quando chegarem...> começa dizer, mas a interrompo.
—Senhora Slone, Connor comentou com a senhora aonde iria? Estou tentando falar com ele – comento, mordendo o lábio outra vez.
< Não senhorita > informa < Apenas saiu sem me dizer nada depois de ter ido para o quarto para que eu pudesse limpar a sala onde ele estava estudando. Isso depois que lhe entreguei o pendrive > completa.
—Pendrive? – repito franzindo o cenho.
< Sim. Encontrei sobre o aparador > diz < Preciso ir agora senhorita. Semana que vem acertamos >
—Ok, obrigada – agradeço, desligando a seguir.
—Ele não comentou com ela aonde ia? – Will pergunta, franzindo o cenho quando confirmo – Só espero que retorne suas ligações assim que as vi.
—Eu também doutor Halstead – digo – Eu também – repito baixinho.
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Residência Cornelius Rhodes (10:35 a.m)
Claire
Estaciono em frente de casa batendo a porta com força ao descer, ignorando a chuva fina que caia irritada comigo mesma por ter esquecido os benditos papeis quando sai mais cedo.
Até tentara falar com meu pai (mesmo sabendo que levaria um sermão daqueles) para que os levasse quando fosse à loja, mas não atendeu a nenhuma de minhas chamadas.
Assim que adentro, algo chama minha atenção: o silencio.
Não que nossa casa (apesar de ter meu apartamento ainda passava boa parte do tempo lá) fosse um lugar barulhento, longe disso. Papai tinha verdadeira ojeriza a sons altos, falatório, etc. Mas sempre havia empregados indo e voltando de alguma parte da casa, cuidando do jardim, fazendo a limpeza, cuidando dos carros, portanto, este silencio total e absoluto era no mínimo estranho.
—Senhora Michaels?– chamo por nossa governanta enquanto caminho pela sala em direção a saleta que utilizávamos como escritório onde deixara a pasta após ter discutido os contratos com papai até altas horas – Senhora Michaels? – repito, olhando a volta enquanto levo a mão na maçaneta, abrindo a porta, estancando um segundo ao escutar meu celular tocar. Enfio a mão na bolsa, retirando-o, adentrando o ambiente de cenho franzido ao ver quem estava me ligando – O que a ex de Connor quer... — meu questionamento morre na boca ao me deparar com a imensa poça de sangue sobre o tapete junto a mesa de meu pai, um grito de horror escapando de meus lábios ao mesmo tempo em que o aparelho cai de minhas mãos trêmulas – Meu Deus! Meu Deus! – murmuro, agachando devagar, pegando-o de volta – Pai!? Pai!? – chamo, me obrigando a sair do lugar, voltando a sala de casa.
Assustada, subo as escadas correndo em busca de meu pai, procurando-o por todos os aposentos do andar superior, descendo novamente, indo a cozinha, garagem e de lá para a área da piscina, retornando ao gabinete pela porta lateral que se encontrava aberta, parando antes de adentrar totalmente o lugar.
Automaticamente busco o número de meu irmão, discando automaticamente, gemendo ao escutar a mensagem ao invés da voz dele. Tento mais duas vezes como se insistindo iria obter outro resultado. Decido então ligar para Spencer, este me atendendo ao segundo toque.
< Meu amor, poderia me ligar mais tarde? Estou em meio...>
—Aconteceu alguma coisa com meu pai Spencer – corto-o já começando a chorar.
< Como assim? > pergunta.
—Aconteceu algo a meu pai. Venha pra cá, por favor! – imploro, a esta altura chorando copiosamente.
< Claire, calma. Onde você está? Por que acha que houve algo com seu pai? > questiona e posso ouvir ao fundo o som de muitas vozes, todas alteradas, a dele sobressaindo-se ao ordenar silêncio repete.
—Em casa. Vim buscar... pasta com contratos... Tem sangue, James, muito sangue. Venha rápido – imploro, sentando-me no chão entre as portas de vidro que dão acesso do gabinete para o jardim.
< Onde estão os empregados da casa? > questiona e por sua respiração sei que está caminhando.
—Não sei, não vi nem ouvi ninguém desde que cheguei – conto, enxugando os olhos com o dorso da mão.
< Certo. Escute bem, minha querida: vá para seu quarto, ligue para a polícia, informe o que está acontecendo. Fique em seu quarto até que cheguemos entendeu? Não saia de lá por nada > ordena.
—Você vem? – pergunto, levantando, recomeçando a chorar ao passar pelo sangue sobre o tapete.
< Estarei ai assim que possível meu amor. Agora faça o que pedi >
—Farei. Não demore James, por favor – peço, subindo as escadas correndo.
< Tentarei querida, tentarei > promete, desligando.
Entro em meu quarto, tranco a porta e só então ligo para a polícia.
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Vigésimo primeiro distrito (10:45 a.m)
Hank Voight
Deixo a sala de interrogatório parcialmente satisfeito.
Alexandre James havia revelado mais do esperávamos, porém menos do que desejava.
Ainda precisava de provas concretas que ligasse os sócios da Fifty ao tráfico de mulheres, de drogas e armas. Com o que havia dito já conseguíamos ligar um deles, Giani Travis, ao assassinato de Nichole. Fora ele que providenciara os homens que juntamente com o reitor deram cabo da vida da dançarina. Mas eu queria mais. Precisava de mais.
—Voight – o chamado do agente Spencer me faz estancar, me voltando, vendo-o caminhar apressadamente em minha direção.
O FBI estava usando nosso distrito como base de sua operação já que nossos casos haviam se cruzado.
—Precisamos ir à casa dos Rhodes. Claire me ligou. Aconteceu algo a Cornelius – informa, tenso, mas antes que possa me pronunciar, Platt surge afogueada.
—Sargento, recebemos um chamado da residência dos Rhodes – avisa, entregando-me a folha de ocorrência.
—O que houve com os Rhodes? – Jay questiona, aproximando-se juntamente com Ruzeck, All e Erin.
—É o que pretendo descobrir. All, finalize o depoimento do reitor junto a promotora Valdez. Halstead, Erin e Ruzeck, comigo – comando, dando atenção ao agente – Virá conosco?
—Sim. Só preciso de um segundo – avisa, retornando à sala onde Jorge Vidall estava sendo interrogado, conversando com outro agente ao pé do ouvido, retornando até onde estamos em companhia do terceiro agente presente– Podemos ir. E Hank talvez seja melhor levar os forenses, ela disse que havia sangue – avisa.
—Ruzeck, desça até o laboratório e traga dois técnicos com você – ordeno, enquanto descemos as escadas – Nos encontre na residência de Cornelius Rhodes o mais rápido possível – defino ao nos separarmos.
Sigo na viatura com Halstead e Erin enquanto o agente Spencer nos segue em seu carro.
Estacionamos lado a lado em frente à entrada principal da mansão pertencente à família Rhodes, Ruzeck chegando segundos depois em companhia de dois CSIs.
—Halstead, Erin pela direita. Deem a volta na casa. Ruzeck, pela esquerda com o federal. Spencer, entrada principal. Vocês dois esperem aqui – oriento – Fiquem atentos a tudo – recomendo.
Separamo-nos conforme havia ordenado. Olho a volta, Spencer avisando que subiria para o andar de cima da casa. Anuo indicando a porta alguns metros a minha frente, cada um seguindo o caminho que escolhera.
Adentro o que parece ser um gabinete com cautela, certificando-me de que não havia realmente ninguém, notando a mancha de sangue sobre o carpete. Ergo os olhos ao notar a chegada de Erin pelas portas de vidro que davam acesso ao exterior da casa.
—Encontramos o jardineiro e o motorista desacordados em um quartinho na garagem – avisa, parando, assim como fiz, junto a mancha – Aparentemente não levaram nada – informa.
—Ok. Vá até o carro e traga os técnicos. Precisamos periciar o local o quanto antes – peço, ela anuindo, saindo pela porta por onde entrei ao mesmo tempo em que Spencer entra em companhia da filha de Cornelius – Tudo bem? – pergunto encarando o agente.
—Sim. Ela só está assustada – informa, mantendo-a sob seu abraço.
—Tocou em alguma coisa senhorita Rhodes? – quero saber, ela negando, o olhar fixo no chão – Conseguiu contato com seu pai?
—Não – responde de forma pouco audível – Nem com meu irmão – acrescenta.
—Certo – digo, acenando para que os técnicos entrassem – Coletem impressões e tudo o mais que precisarem. Quero saber exatamente o que aconteceu aqui, há quanto tempo aconteceu e principalmente de quem é esse sangue – ordeno, os dois calçando luvas, começando a coletar as evidencias.
—Hank, a governanta e outra garota estavam trancadas no banheiro em seus respectivos quartos – Ruzeck anuncia a porta.
—Ai meu Deus, elas estão bem? – Claire Rhodes preocupa-se.
—Assustadas, mas bem, sem nenhum ferimento. Precisa escutar isso sargento – Adam diz, sinalizando para que o seguisse.
—Agente – convido Spencer a me seguir ao passar pelo casal.
—Forneça suas impressões aos técnicos, minha querida. Precisam eliminar as da casa para identificar as estranhas – explica, calando o protesto que a garota ensaiava, seguindo-me.
—O que preciso escutar? – questiono quando estamos de frente com as duas mulheres, ambas de meia idade.
—Poderiam repetir o que nos contaram a pouco? – incentiva-as.
—Estava finalizando os preparativos para o desjejum do senhor Rhodes e seu convidado, quando escutei um carro parar bruscamente em frente à casa seguido do som de uma porta batendo forte – começa a contar – Logo a seguir, escutei vozes alteradas e vim até a sala. De lá, vi o senhor Cornelius discutindo com o filho dentro do gabinete.
—Connor estava aqui? – Spencer questiona, ela confirmando.
—Sim senhor. E parecia bem zangado -diz, prosseguindo – Retornei a cozinha a fim de terminar minha tarefa. Alguns minutos depois escutei um estampido abafado, mais vozes alteradas e depois o silencio absoluto. Quando pensei em sair para ver o que estava acontecendo, um homem moreno, alto, surgiu com uma arma na mão me mandando ir para meu quarto onde me trancou após tomar meu celular, avisando que não gritasse ou voltaria e acabaria comigo – conta, tremendo violentamente.
—Fizeram mesmo com ela – o agente trazido por Spencer comunicar apontando a outra mulher.
—James, meu irmão...- Claire Rhodes começa dizer, vindo ao encontro dele.
—Não se precipite minha querida, Connor pode ter saído antes que o tal homem chegasse – teoriza, abraçando-a, tentado acalmá-la.
—Desculpa senhor, mas acho que não deu tempo de ele ou o amigo que senhor o Rhodes recebeu mais cedo saírem – contesta a mulher.
—Que amigo era este, você sabe Claire? – Spencer pergunta, sendo preciso ele sacudi-la para que saísse da letargia que entrara – Claire, preciso que fique comigo – pede, conseguindo sua atenção – Quem era esse amigo que seu pai recebeu?
—Um velho amigo da época da universidade – conta entre lágrimas – Ele queria que papai se tornasse sócio em algum negócio – diz – Gianfrancesco....
—Travis. – completo por ela, encarando Spencer – Se encontrarmos digitais dele aqui....
—Fechamos o cerco – o agente conclui meu raciocínio.
—A qual cerco se referem? – Erin questiona.
—Nada que possa ser dito agora – explico, voltando-me quando escuto Halstead chamar.
—Encontramos este celular embaixo da poltrona – diz, me entregando o aparelho dentro de um saco – Está bem danificado, mas acho que Mouse pode conseguir recuperar os dados.
—Reconhece senhorita Rhodes? – questiono, ela negando – Tentaram ligar? – pergunto, apertando a lateral do aparelho, a luz lateral piscando.
—Ainda não – Halstead admite – O viso não acende, mas parece que ligou – comenta no exato momento em que sinto o aparelho vibrar.
—Luvas – peço, retirando-o assim que as recebo, tentando atender.
—Deslize o dedo sobre a tela com mais força. Mesmo que o touch screem esteja danificado pode ser que consiga atender – Spencer orienta e o faço, levando o aparelho ao ouvido.
—Alô – falo, a voz de Sarah soando ligeiramente distorcida do outro lado.
< Hank? > pergunta < Hank, é você? >
—Sim – respondo, dirigindo meu olhar ao casal a minha frente.
< Por que está com o celular de Connor? O que houve? Onde ele está? > bombardeia aflita, não me deixando responder < Oh, meu Deus! Aconteceu algo a...- antes que termine de falar o aparelho fica mudo.
—É do Connor, não é? – a jovem inquire, apoiando-se ao namorado – Meu irmão também... Ele foi – cala-se, o choro não a deixando falar.
—Claire, fique calma – Spencer pede, girando-a para que ficasse de frente para ele, erguendo seu rosto, fazendo-a encará-lo – Olhe pra mim. Vou encontrar seu pai e seu irmão e trazê-los em segurança, está me ouvindo? Prometo que não deixarei nada de mal acontecer a ambos.
—Já aconteceu James – contesta – O sangue...
—Podem estar feridos, nada mais – retruca – Vou trazer os dois de volta em segurança. Confie em mim -pede, lhe dando um beijo rápido – Você confia? – questiona, ela acenando afirmativamente – Era só o que precisava saber – diz ele, abraçando-a, olhando-me por cima de sua cabeça.
—Que faremos Hank? – Halstead questiona.
—Primeiro, retornaremos ao distrito com essas evidencias. Também quero ter uma nova conversa com nosso amigo reitor. Segundo, você e Erin vão ao apartamento do doutor Rhodes falar com Sarah. Descubram o que ele veio fazer na casa do pai – enumero, me voltando para James Spencer – Leve-a a um local seguro e me encontre no distrito agente Spencer. Vou conseguir um mandado com a promotoria. Faremos uma visitinha surpresa a Fifty ainda hoje.
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Chicago Med (13:05 p.m)
Sarah
Encaro meu celular, tremendo, lágrimas brotando sem que possa impedir.
—Sarah, o que aconteceu? Voight atendeu o celular de Connor, foi isso mesmo? – Will Halstead questiona, segurando-me pelos ombros, preocupado – Sarah?
—Sim – respondo num fio de voz – Aconteceu algo ao Connor, Will – comunico, chorosa – Tenho que ir ao distrito agora – decido, fazendo menção de sair, ele me impedindo.
—Espere, vou com você – se oferece, atendendo a seu celular que começara tocar – Jay, o que aconteceu? Por que Voight está com o telefone de Connor? – interroga, várias expressões cruzando seu rosto, nenhuma delas me agradando – Certo. Entendi. Farei isso – afirma, desligado em seguida, me encarando, temeroso, parecendo escolher as palavras que diria a seguir – Houve uma invasão na casa do pai de Connor – começa, cuidadoso – Tudo indica que ele estava lá no momento em que aconteceu. Ambos, Connor e o pai, estão desaparecidos – informa e sinto minha cabeça rodar, as pernas fraquejando a ponto de precisar me apoiar a ele para não cair – Venha, sente-se um pouco – pede, me conduzindo até o sofá, indo até a mesa pegar um copo com água, agachando-se de frente para mim– Jay e Erin estão a caminho de seu apartamento. Querem tentar descobrir alguma pista que explique o que fez Connor ir até a casa do pai – explica, nossa atenção se voltando para a porta ao ser aberta por Natalie, que estanca, nos encarando com lágrimas nos olhos e sinto meu peito ficar ainda mais oprimido.
—Vocês já souberam? – pergunta, enxugando os olhos.
—Soubemos do quê? – Will interroga, levantando, encarando-a de cenho franzido.
—John pediu para Abrams avaliar David para saber por que a demora em acordar da anestesia – começa a contar, sentando-se – Sam decidiu fazer uma tomografia e constatou que não havia derrame... Mas encontrou uma massa no cérebro... O câncer se espalhou até lá... Carcinoma Hepático Metastático – comunica e levo uma mão à boca contendo a interjeição de dor.
—Mas é operável não é? Quer dizer, ele não....Não vai... – Will questiona, ela negando.
—Ambos, Abrams e Carter bem como o oncologista que cuida de Downey não acham recomendável operar – diz, contendo o choro – Mesmo que o fizessem, terá sequelas irreversíveis – comunica e fecho os olhos sentindo uma dor imensa me sufocar – Pensei que soubessem. Quando entrei estavam...
—Connor e o pai estão desaparecidos – Will a corta, passando a mão pelo cabelo – A equipe de Voight está investigando.
—Minha nossa!! – Nat exclama – Sarah, conte comigo no que precisar – se oferece, segurando minha mão.
—Obrigada – agradeço, tentando me recuperar de mais este choque – David já sabe?
—Ainda não. Quando acordar irão falar com ele, mostrarão as opções....Mas acho pouco provável que queira operar – conta, entristecendo.
—Doutor Halstead, poderia me levar em casa? – peço, reunindo forças, levantando – Tenho que estar lá quando seu irmão chegar -lembro, fungando, pendurando minha bolsa no ombro.
—Claro – prontifica-se – Nat, caso David acorde antes que eu volte, por favor, me ligue – pede.
—Pode deixar. E Sarah, tente descansar um pouco – sugere, afagando meu braço e sorrio fracamente – Até mais tarde Will – despede-se com um beijo casto e rápido.
—Até – anui ele, abrindo a porta para mim.
Durante todo o trajeto mantemos silencio, ele concentrado no trânsito, complicado pela chuva forte que caia, eu olhando pela janela, distraída, tentando não me desesperar ao pensar que o sumiço do homem que amo e seu pai possa ter algo a ver comigo, sentindo-me antecipadamente culpada.
Quando chegamos, Jay e Erin já nos aguardavam em frente ao prédio. Entramos juntos, eu contando-lhes o que nossa diarista dissera enquanto subimos de elevador.
—Tem alguma ideia do que esse pendrive contém ou quem o enviou? – Erin cogita.
—Recordo-me de Connor ter comentado algo sobre ter sido entregue no meio de nossa correspondência, mas nem ele nem eu sabemos quem enviou ou seu conteúdo... Eu não sei – corrijo-me, saindo do elevador seguida de perto por eles, buscando a chave de casa em minha bolsa.
—E ele decidiu sair apenas depois de ter supostamente visto o tal dispositivo? -Jay conjectura, massageando o queixo e confirmo com um aceno abrindo a porta de casa, estancando, chocada, ao ver a sala revirada – Para trás, os dois – o irmão de Will comanda, ele e Erin pondo-se a nossa frente, armas em punho – Fora do apartamento, agora! – ordena em tom baixo.Obedecemos, assustados.
Durante o que me pareceu ser uma eternidade, aguardamos recostados a parede lateral, sobressaltando-nos ao escutar dois disparos seguidos pela voz de prisão dada pelos detetives.
—Podem entrar. É seguro agora – Erin chama, surgindo a porta.
Assim que entro a primeira coisa que vejo é um corpo estendido, inerte, na entrada do corredor que leva ao quarto, Jay Halstead prensando outro homem contra a parede, algemando-o enquanto Erin comunica o que houve ao distrito solicitando a vinda do legista.
—O que estavam procurando? – o irmão de Will interroga, prensando o homem novamente – Responda! – ordena em tom firme quando o sujeito fica em silencio.
—A cópia de um dispositivo – responde finalmente e sinto meu sangue gelar.
Então o tal pendrive tinha algo a ver com o sumiço de Connor!... Mas, por que ele foi até o pai? O que Cornelius tem a ver com esse objeto misterioso? -questiono-me mentalmente.
—Encontraram? –inquire, revistando o sujeito, que nega com um meneio de cabeça.
—Esse aqui também não tem nada – Erin avisa, levantando-se – A diarista disse que doutor Rhodes estava com o notebook não foi? – indaga ao passar por mim e confirmo com um aceno, seguindo-a com o olhar.
—O que tem nesse dispositivo de tão importante a ponto de darem a vida por ele? – ouço Will questionar encarando o homem que o irmão mantinha preso.
—Importante o suficiente para morremos.... Ou matarmos por ele – responde me encarando, fazendo um arrepio gelado percorrer minha espinha.
—Connor! – sopro baixinho sentindo o braço de Will envolver meus ombros transmitindo segurança.
—Ele está bem, tenho certeza – afirma tentando me acalmar.
—Aqui está – Erin retorna exibindo o note de Connor – Parece que nossos amigos não conseguiram ter acesso – comemora, atendendo seu celular – Hank, estamos no apartamento com doutor Halstead e Sarah...Sim, havia....Não, eles estão bem....Procuravam por um pen....- Erin se cala, olhando a volta – Espere, vou verificar – avisa, pondo o computador sobre a bancada, entrando na cozinha, indo até a área de serviço, retornando com o cesto de lixo e franzo o cenho confusa – Achei – diz, segurando o que parece ser os restos de um envelope, rasgando-o mais – Está aqui. Como você.... Certo. Vamos apenas aguardar o legista chegar e seguimos para o distrito...Ok. Tenham cuidado.... Sei disso, mas não posso deixar de me preocupar com elas…Ok...Até – despede-se, desligando.
—Cuidado com o que? – Jay questiona fazendo o sujeito sentar em uma cadeira, ela levando alguns minutos antes de responder.
—Estão se preparando para realizar uma batida na boate juntamente com os federais – informa e retenho o ar nos pulmões.... Estão fechando o cerco!
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Fifty Shades (18:45 p.m)
Narrador
—FBI!
—POLÍCIA DE CHICAGO! – Hank Voight e James Spencer anunciam juntos, entrando com suas equipes na boate, causando alvoroço entre as dançarinas e funcionários que se encontravam no lugar – Permaneçam em seus lugares, não se mexam e ninguém se machuca – Voight avisa, correndo os olhos pelo ambiente, detendo-se primeiro em Jullyana e depois em Kim, que lhe dirige um olhar tenso.
—Onde estão seus patrões? – James Spencer questiona encarando Erico enquanto seus homens e os de Voight espalham-se pelo local.
—Mas o que significa isto? – Gianfrancesco Travis pergunta, descendo a escada de acesso ao escritório seguido de perto pelos sócios e dois seguranças, um deles Philip Wortington, que regressara.
—Espero que tenham mandados, oficiais, ou nossos advogados cairão em cima de vocês como abelhas no mel! – Matteo Hayes ameaça, parando entre os dois agentes da lei, olhando de um para outro alternadamente.
—Divirta-se! – Spencer exclama, espetando os mandados no peito do homem, encarando os dois seguranças – Se intervirem serão presos por obstrução – alerta, ambos os homens parando a centímetros do agente, encarando-o desafiadoramente.
—Me deem motivo, por favor! – Hank pede, aproximando-se do trio.
—Hoje não sargento – Hayes afirma, devolvendo os mandados ao policial – Ninguém vai atrapalhar seu trabalho. Não te darei esse gostinho Voight – ironiza, piscando ao passar por ele indo sentar-se em uma mesa próxima – Me traga uma bebida – ordena, acenando ao barman, que prontamente o atende – Ofereceria aos senhores, mas estão trabalhando, logo...- ergue o copo em um brinde irônico, tomando o liquido de uma só vez.
—Revistem tudo, cada canto, recolham todos os computadores – Spencer comanda, sustentando o olhar dos seguranças, que continuavam a barrar seu caminho – Ouviram o que seu patrão disse. Saiam da frente! – rosna, os dois o fazendo após alguns segundos – Senhoritas, quero todas vocês reunidas em um canto a parte, longe de más influencias – alfineta, Travis e o russo o encarando irados enquanto Hayes se limita a sorrir tomando mais um drinque – Pode reunir todas por favor? – o agente pede, voltando-se para Erico, que anui com um aceno nervoso.
—Pode perguntar o que quiser a nossas garotas, agente. Não temos nada a esconder. Nosso negócio está completamente dentro da lei e tenho certeza que as senhoritas irão confirmar quão bem tratadas são aqui – Travis argumenta, dirigindo um olhar ameaçador às jovens, que não passa despercebido por ambos, Spencer e Voight.
Durante três horas e meia, interrogam as garotas em particular, uma a uma, longe dos olhos de Hayes e os demais sócios, todas negando terem recebido alguma proposta para viajar a “trabalho” ou que estivessem sendo mantidas em cárcere.
Kim aproveita a chance para alertar Voight acerca do sumiço de Hailey, este tentando fazê-la, em vão, deixar a boate.
—Não vou sair até encontrá-la – avisa a detetive, decidida – Estou bem, não se preocupe – garante a detetive, revelando que corria o boato internamente de que em breve uma grande carga seria levada para Espanha e Rússia. Só não havia descoberto o teor ou quando partiria a mesma, mas ao que tudo indicava seria ainda durante a semana que se encontravam.
Ao final, os agentes se retiram levando computadores, agendas e documentos deixando Travis e o russo furiosos.
—Tenho certeza de que o imbecil do reitor tem algo a ver com essa batida surpresa. Deve ter dado com a língua nos dentes – o russo rosna, observando os funcionários concentrados sobre o palco sob o olhar atento dos seguranças – Algum deles terá dito alguma coisa? – questiona, preocupado.
—Não – Travis afirma, servindo-se de um pouco da bebida que Hayes trouxera para a mesa – Mesmo que quisessem não teriam o que contar. Nenhuma das escolhidas está aqui e as que estão não sabem de nada, nem mesmo os funcionários mais antigos – garante, observando Hayes atentamente – Por que o silencio Matteo? No que está pensando?
—Quer adiantar a partida? – o russo questiona, arqueando a sobrancelha – Não acho que seja uma boa ideia. Não neste momento – aconselha.
—Não é – anui o empresário, girando seu copo sobre o tampo da mesa, olhando em direção aos funcionários, levantando-se bruscamente – Venham aqui. Todos – ordena, sinalizando para que se aproximassem, aguardando-os estarem a sua frente antes de começar a falar, deixando seus sócios estupefatos ante seu comunicado – A partir de hoje a Fifty está fechada por tempo indeterminado. Os que não vivem aqui estão oficialmente desligados da boate – anuncia causando alvoroço, todos falando ao mesmo tempo – Silêncio – pede, passando a mão pelo cabelo – Eu disse... SILÊNCIO! – grita, batendo o copo sobre a mesa com força, quebrando-o, cortando-se–Senhor Jenkins, seus serviços estão dispensados assim como as dançarinas do chamado front stage. Estão livres para procurarem outro local de trabalho – avisa, envolvendo a mão ferida em um lenço – Quanto às demais garotas que moram aqui e não tem para onde ir, não se preocupem, providenciaremos novas acomodações e empregos muito em breve – afirma, acrescentando – Aquelas que não estiverem interessadas ou julgarem que podem conseguir algo melhor, sintam-se a vontade para ir embora – sugere, encarando Kim por alguns segundos antes de voltar-se para Erico e Jullyana – Senhor Jenkins, está encarregado de avisar as demais dançarinas. O senhor e os demais funcionários que possuem contrato de trabalho conosco, procurem, a partir de amanhã, nosso contador para que possam receber seus direitos. Estão dispensados – avisa, retirando-se, os sócios o seguindo ainda abismados.
—Que diabo foi isso? Perdeu o juízo? – Travis esbraveja batendo a porta do escritório com força – Tem ideia do quanto gastamos para montar esse esquema?
—Tenho – diz, tranquilo, servindo-se de outro copo de uísque – E já recuperamos com folga cada centavo Giani – garante, sentando-se após servir-se novamente – Quanto ao que fiz, apenas separei o joio do trigo. Não vale a pena continuar com este lugar. Não agora que os federais estão de olho...
—E acha que fechando as portas irá afastá-los? – bufa o russo, encarando-o furioso, despejando uma torrente de palavrões em seu idioma contra o outro, que sorri, irritando-o ainda mais – Pode me dizer o que é tão engraçado?
—Ninguém vai estranhar justamente porque estamos sob investigação. Que louco manteria aberta uma casa noturna frequentada por juízes e policiais, entre outros, os quais certamente saberão o que está acontecendo? – argumenta fazendo os sócios se entreolharem – Fechamos a boate, liberamos os funcionários com vínculo empregatício, e ao mesmo tempo peneiramos quais garotas poderemos levar sem o risco de sermos acusados de tráfico...
—Já que acenou com uma oferta irrecusável de trabalho a qual dificilmente recusarão visto que não tem a quem recorrer, não importando onde e como seja! – Travis exclama, os olhos brilhando, provocando uma gargalhada no russo.
—Gênio! – exclama o homem – Você é um gênio meu amigo – elogia.
—Não, sou apenas prático e realista – contesta, levantando-se – Agora, se me dão licença, vou para casa relaxar um pouco. Amanhã pela manhã nos reuniremos em seu escritório para acertamos os detalhes, Dimitri – diz, abotoando o terno.
—E quanto a Jorge, que faremos? – indaga Travis, tenso – Se não o ajudarmos corremos risco de que nos delate – lembra.
—E se o ajudarmos nos comprometerá – Dimitri alerta – Não, Vidall está por conta própria. Se tivesse nos escutado nada teria acontecido. Onde já se viu levar parte de sua carga total para os galpões da própria empresa? Foi estupidez! – ressalta.
—Porém é melhor o deixarmos pensar que o ajudaremos. Pelo menos até partirmos. Mandem recado avisando que daremos suporte desde que segure a língua – Hayes sugere – Até amanhã senhores – abrindo a porta, estancando ante a observação feita por Travis.
—Espero que a loira o ajude a relaxar meu amigo – deseja.
—Ajudará – garante – Boa noite – deseja, saindo, descendo as escadas apressadamente, detendo-se alguns segundos ao lado de Brenno – Esteja pronto a atender quando o chamar – alerta, encarando Kim – E leve-a com você – ordena, o segurança acenando afirmativamente – Falta pouco agora. Falta muito pouco – murmura, olhando a volta antes de sair da boate pela última vez.
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Apartamento Matteo Hayes (início da madrugada)
Narrador
Exausta, Hailey aquieta-se optando por descansar alguns minutos, xingando mentalmente o homem que a trouxera para aquele lugar ante mais uma tentativa frustrada de libertar-se.
A policial acordara no meio da tarde, piscando diversas vezes até os olhos acostumarem-se a claridade, sentando-se assim que isto acontecera, olhando a volta confusa.
Encontrava-se presa a uma imensa cama de casal em um quarto luxuoso o qual julgou pertencer a algum hotel, descobrindo estar enganada ao gritar por socorro sem obter resultado, concluindo que deveria tratar-se de alguma casa isolada.
Seus pulsos e tornozelos estavam presos por correias de couro que lhe restringiam os movimentos. Podia sentar-se, porém não conseguia levar uma mão ao pulso da outra a fim de soltar as amarras. Trajava apenas uma camisa masculina que lhe chegava pouco abaixo do quadril.
Fizera, ao acordar, um autoexame, dentro do possível, notando algumas manchas nas pernas e braços, tremendo ao imaginar como as adquirira jurando a si mesma que acertaria o responsável assim que regressasse.
—Droga Hailey, como pôde se deixar capturar dessa forma? – admoesta-se, respirando profundamente, virando a cabeça de lado, dirigindo um olhar faminto a bandeja sobre a mesinha ao lado da cama, seu estomago protestando ruidosamente. Evitara comer ou beber temendo ser drogada mais uma vez – Merda! – xinga, esticando o braço direito, alcançando um prato descartável contendo pedaços de frutas protegidos por filme plástico – Só um pouquinho — diz para si mesma, retirando a proteção com dificuldade – Hummm! Que delícia! – exclama, enfiando vários pedaços na boca, acabando por comer todo o conteúdo, pegando outro prato, desta vez com fatias de bolo e pequenos sanduíches de queijo, devorando tudo rapidamente.
Havia tomado metade da garrafa de água quando escuta o barulho de portas abrindo, pondo-a em alerta.
Após alguns segundos, escuta o som de passos seguido do toque de um celular ecoando pelo aposento fazendo com que olhasse para a porta, vendo uma sombra projetar-se por baixo da fresta ao mesmo tempo em que a voz grave do homem que a mantinha prisioneira se faz ouvir, provocando-lhe um arrepio na coluna.
—Como é? Ele fez o quê? – questiona parecendo zangado – Está me dizendo que não são capazes de controlar um único homem, é isso? — interroga, a voz soando mais próxima.
Instintivamente, Hailey volta a deitar-se fechando os olhos, fingindo ainda estar desacordada, segundos antes de a porta ser aberta dando passagem a Hayes.
—Sei muito bem o que ordenei, não preciso que repita – esbraveja, olhando-a de soslaio enquanto despe o terno – Se vai sedá-lo, acorrentá-lo a parede, amarrá-lo a algo, pouco importa contanto que o detenha. Agora mais do que nunca é crucial que permaneça onde está, em segurança junto com o pai – declara fazendo-a abrir os olhos, fechando-os rapidamente ao perceber que se aproximava da cama novamente– Escute bem, se o deixar fugir e acontecer o pior, eu pessoalmente garantirei que não trabalhe sequer varrendo ruas! – ameaça o moreno, observando a jovem atentamente, rindo com o canto da boca – Faça isso – determina, desligando em seguida, observando-a um minuto antes de segura-la pelos tornozelos, puxando-a para si, a detetive reagindo de imediato, tentando acertar-lhe um chute – Precisa ser um pouco mais esperta se quiser me engana, preciosa – declara o moreno, rindo divertido, soltando-a – Vejo que se alimentou. Excelente! Tem que estar bem nutrida para enfrentar o que virá – avisa, despindo a camisa enquanto caminha até o banheiro sob o olhar enfurecido da policial – Não me olhe assim, bela mia, tive que deixá-la presa ou poderia pôr tudo a perde – justifica-se, retirando o lenço que protegia o ferimento na mão.
—Sou policial – anuncia loira, observando-o atentamente – Já devem estar a minha procura –diz, virando o rosto ao notar que despia a calça – Será uma questão de horas até me encontrarem e o prenderem – avisa, escutando-o rir ao mesmo tempo em que sente o colchão ceder.
—Jamais revele seu disfarce, carinõ, su vida puede depender de ello... sua vida pode depender disto – alerta, acariciando seu braço – Lição dois, bela mia – declara, beijando-lhe o ombro, suspirando – Después de que todo terminara, quiero encontrate carinõ...sin secretos....sin mentiras...sólo tú y yo – sussurra em seu ouvido, beijando a pele sensível abaixo do mesmo fazendo-a virar o rosto a fim de encará-lo – No comprendes no es mi carinõ? – interroga, rindo ante o olhar confuso da garota – Mira, vou te soltar, mas tem que prometer que não vai tentar fugir ou pior, me matar! – exclama, rindo novamente quando ela responde.
—Não tenho que prometer coisa nenhuma e pare de rir! – bufa a loira, conseguindo soca-lo – E fale minha língua!! Quem diabos é você? Está na cara que não é o que parece ser. Qual seu papel nesse esquema? Por que me trouxe para cá e o que fez comigo? — interroga, fazendo-o rir ainda mais – Não ria! – repete, aproveitando que estava distraído, inclinando a cabeça até alcançar-lhe o ombro, mordendo-o.
—Humm...No hace esto! – ralha, puxando uma mecha de cabelo, obrigando-a a parar, liberando-a novamente – Pero que gata brava por la cual fui enamorarme, Dios mío! – exclama defendendo-se dos socos desferidos por ela, que conseguira pôr-se sobre ele.
—Ainda não viu nada, desgraçado! – rosna a detetive, furiosa por ele continuar a rir – Me solte e verá do que sou capaz – ameaça.
—Basta! – Hayes declara, girando seus corpos, prendendo-a sob o seu – Vou responder suas perguntas e depois solta-la, mas antes – diz, inclinando-se, tomando sua boca em um beijo ávido, cessando apenas quando o ar lhes falta aguardando ambos recuperarem o fôlego antes de falar novamente – Um: te trouxe aqui para protege-la, e se a mantive presa foi para que não tentasse fugir expondo nós dois ao perigo; Dois: não fiz nada contigo. Prefiro que minhas mulheres correspondam a meus carinhos na cama – declara, fazendo-a corar involuntariamente – Por último, meu papel nisso tudo é o mesmo que o seu carinõ – afirma, libertando seus pulsos, sentando-se apoiado a cabeceira, prendendo mais firme a toalha que lhe envolvia a cintura, arrumando o cabelo com s mãos.
—Como assim? – questiona a detetive, sentando-se de frente para ele, estreitando os olhos – Quem é você?
—Alejandro Matteo Hayes – se apresenta, os olhos verdes brilhando, rindo divertido diante da expressão de espanto dela– Agente especial Alejandro Matteo Hayes...
“... I can’t help but be wrong in the dark;
Cause I’m overcome in this war of hearts;
I can’t help but want oceans to apart;
Cause I’m overcome in this war of hearts”
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