Hidden Life!
5 Jealous! Part. II Bad Dreams!
Notas iniciais
Play Demons — Imagine Dragons
" When the day are cold and the cards all fold;
And the saints we see are all made of gold;
When your dreams all fail and the ones we hail;
Are the worst of all and the blood's run stale..."

Três semanas depois (1/4/ 17)
Chicago Med (10:15 a.m)
Narrador
—Onde ela está? – Hank Voight pergunta ao entrar no hospital.
—Sala 6, doutor Halstead e doutora Mannig estão com ela – Maggie informa, seguindo-o – Hank, ela está bem, não corre risco de morte – avisa, parando ao lado policial juntamente com Alvin Olinsky, que saíra de seu posto de observação ao ver o chefe aproximar-se.
—Maggie está falando a verdade – reitera – Está ferida, mas não corre nenhum risco – reforça, seguindo o olhar do chefe e amigo.
—Vou pegar o desgraçado que fez isso! Seja ele quem for! –ameaça olhando de All para Maggie – Como ela está? – questiona mal Will se aproxima.
—O quadro geral é bom. Não possui nenhum ferimento severo, apenas escoriações e alguns cortes além de diversos hematomas – comunica o médico.
—Ele a estuprou? – pergunta direto.
—Não. Tentou com certeza, mas não conseguiu– é Natalie quem fala.
—Escute sargento, sobre o que disseram quando foi trazida... — Will começa dizer, mas ele o interrompe.
—Sobre ela estar repetindo um nome sem parar? –indaga, estreitando os olhos, encarando os dois médicos, que trocam olhares antes de falar.
—Não sabemos o que aconteceu, mas...
—Os exames nos dirão o que realmente aconteceu doutor Halstead – Voight o interrompe mais uma vez – Contra evidências não há o que se contestar há? – questiona, fazendo Will baixar os olhos – Em quanto tempo teremos os resultados?
—Em breve, meia hora, um pouco mais – Maggie avisa – Pedimos máxima urgência.
—Jay, Erin e Adam foram até o apartamento. Vão levá-lo para uma conversa informal no distrito – All avisa – Não seria melhor afastar-se do caso? – sugere cuidadoso.
—Acha que não serei imparcial? – questiona-o, trincando o maxilar – Fiquem tranquilos. Todos vocês. Não vou perseguir ou acusar ninguém sem provas – assegura, encarando Miss Goodwin, que se aproximava.
—Assim espero sargento – anui a administradora – O hospital irá tomar as providencias necessárias tanto para a segurança e tratamento da doutora Reese, quanto suspendendo e, se for o caso, demitindo o doutor Rhodes!
—Se ficar provado que foi ele o responsável pela morte da outra garota e por isto – aponta a médica – Perder o emprego será a menor das preocupações que Connor Rhodes terá!
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Apartamento de Connor(10:27 a.m)
Connor
Abro os olhos, levantando-me rápido, a dor em minha cabeça provocando tontura, me fazendo cair sobre o colchão novamente, fechando os olhos, respirando fundo, sentindo não apenas a cabeça latejar terrivelmente como também meu corpo inteiro doer.
Abro e fecho os olhos repetidamente até sentir-me confiante em levantar e caminhar até o banheiro.
A imagem que vejo refletida no espelho me assusta: meu olho direito está inchado e com um hematoma; meu lábio inferior está cortado em dois lugares; meu pescoço arranhado no lado esquerdo, outras tantas escoriações menores espalhadas por minha face.
Meu corpo não está muito melhor: mais escoriações e hematomas e minhas roupas estão sujas de terra e manchadas de sangue.
Uma sensação de pânico começa a me atingir principalmente por não recordar absolutamente nada da noite passada, nem mesmo de como cheguei em casa!
—O que diabos aconteceu comigo? – questiono-me diante do espelho, sobressaltando-me ao escutar o som da campainha ecoar absurdamente alta pelo apartamento.
Respiro fundo mais uma vez, caminhando aos tropeços até aporta.
—Um minuto! – peço ao escutar o segundo toque, abrindo a porta sem antes olhar pelo olho mágico – Jay? – surpreendo-me ao ver o irmão de Will.
—Connor... Será que podemos entrar? – pergunta e só então percebo a presença de duas outras pessoas, uma delas Erin, sua namorada.
—Claro – assinto, afastando-me para dar-lhes passagem.
—Está sozinho? – questiona, olhando ao redor.
—Sim. Por quê? – questiono de volta, sentando-me sobre o encosto do sofá ao sentir a cabeça girar – Algum problema? –pergunto ao notar Erin e o outro policial começarem a andar por meu apartamento como se procurassem algo.
—Seu quarto é pra lá? – o policial pergunta e aceno afirmativamente vendo-o encaminhar-se para o mesmo, Jay chamando minha atenção antes que pudesse protestar.
—Onde foi ontem depois que saiu do Molly’s doutor? – pergunta e por seu tom pressinto que algo de ruim aconteceu.
—Estava me fazendo a mesma pergunta agora a pouco – admito – Na verdade, sequer lembrava de ter ido ao bar ontem!
—As roupas de cama estão sujas de terra e sangue – o tal policial retorna trazendo o que julgo ser meu travesseiro e lençóis. Também noto que está usando luvas.
—O que está acontecendo Jay? Por que estão usando luvas e revistando eu apartamento? – questiono, ficando em alerta.
—Doutor Rhodes, poderia nos acompanhar até a delegacia para uma conversa informal? – pergunta.
—Sobre o que? – indago, mas antes que responda Erin, que havia se afastado a fim de atender uma ligação, se adianta.
—Infelizmente não é mais informal – avisa, aproximando-se com as algemas em mãos – Connor Rhodes, está preso pelo assassinato de Isabela Rossi e tentativa de estupro de Sarah Reese – informa, segurando meu braço a fim de por a algema.
—Como é?? –pergunto confuso.
—Não precisamos algemá-lo, Connor não vai oferecer resistência – aceno afirmativamente ainda processando o que havia escutado.
—Sinto muito, mas o fato de ser um amigo não dá imunidade ou privilégios ao Rhodes – afirma, fechando-as em meus pulsos.
—Sarah está ferida? – questiono, olhando-os, cada vez mais confuso.
—Melhor conversarmos no distrito – Erin intervém mais uma vez, me conduzindo pelo braço para fora do apartamento, Jay pondo sua jaqueta cobrindo as algemas.
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21° Distrito – Sala de interrogatório (18:55 p.m)
Narrador
Através da janela de vidro Voight observa Connor sentado aguardando ser interrogado.
O cirurgião havia sido levado para o local após realizarem o exame de corpo de delito. Suas mãos estão sobre as pernas, a testa sobre a mesa, os olhos fechados, a respiração tão lenta que por um momento o policial questiona-se se ainda respirava.
—Sargento, a pasta do caso –Jay anuncia, entrando juntamente com All, ambos seguindo o olhar de seu superior – Hank, eu sei que tudo, até agora, o incrimina, mas honestamente não acredito que Connor tenha sido capaz de matar a garota muito menos tentar violentar Sarah – argumenta o loiro, recebendo um olhar duro em resposta.
—Tenho a mesma opinião – All anui.
—O que diz o relatório do legista? — pergunta, ignorando os comentários de ambos.
—A causa da morte foi asfixia por estrangulamento – informa o detetive – A boa notícia é que Isabela tinha uma dosagem tão alta de Rohypnol no sangue além de um medicamento para tratamento de insônia, Zolpiden, que não sentiu praticamente nada – completa, voltando a olhar o cirurgião.
—Ela foi morta enquanto era estuprada. Foi pessoal Hank. Quem fez estava com muita raiva — All argumenta.
—E até agora não encontramos nenhuma ligação entre Rhodes e Isabela... Além da Sarah – Jay completa, cuidadoso.
—Ok — começa dizer o policial, voltando-se para os dois – E como me explicam o sêmen dele ter sido encontrado nas roupas e coxas da garota e ser sua pele sob as unhas de ambas, Isabela e Sarah? – questiona fazendo os dois trocarem olhares – Não me agrada a ideia de Rhodes ser culpado, por mais que pensem o contrário, mas no momento é o único suspeito que temos. Precisamos descobrir a ligação entre ele, Sarah e Isabela bem como se teria motivos para atacar as duas. Ele é médico, tem acesso a drogas, portanto não seria difícil conseguir as mesmas! – enumera – Não vou julgá-lo, mas não vou, em hipótese alguma, liberá-lo sem uma investigação minuciosa — avisa, saindo, os dois detetives o seguindo até a sala onde o cirurgião se encontrava, o mesmo empertigando-se na cadeira, fitando-os, os olhos vermelhos e inchados.
—Sarah, como está? – questiona-os.
—Sedada – Voight informa, sentando na ponta da mesa, próximo a ele, examinando-o minuciosamente – O que fazia em South Shore noite passado doutor Rhodes?
—Eu... Não me lembro de ter ido até lá noite passada – diz, sustentado o olhar do policial – Não lembrava sequer de ter ido ao Molly’s.
—Qual sua última lembrança da noite passada? –All interroga.
—De sair do hospital... Will e Jeff me chamarem para ir ao Molly’s, mas não me lembro de ter aceitado...
—Esteve no bar – Voight informa, aponto de si para o cirurgião – Nos falamos lá. Vi quando se despediu dos doutores Halstead e Clarke pouco depois das onze.... Para onde foi? – questiona, vendo-o olhar o nada, confuso – Doutor Rhodes, onde foi após deixar o bar?
—Eu... Não lembro! – exclama.
—Para algum outro bar que costuma frequentar? Uma casa de massagem? Bar de stripper? Boate... – sugere, notando a reação do médico ao ouvir a última palavra – Quais boates existem naquela área? – volta-se para Jay e All.
—Três: Amazon, Dallas e Fifty Shades – All enumera – Foi até a Fifty? – questiona ao ver Connor empertigar o corpo novamente.
—Acho... Acho que sim – balbucia.
—Sim ou não? – Hank insiste.
—Não sei... Não tenho certeza – vacila o cirurgião, assustando-se com o soco que o sargento desfere sobre a mesa.
—Foi ou não foi? – insiste.
—Eu não sei, não lembro! – repete, erguendo o rosto, encarando-o.
—Não lembra!? Ele não lembra! – Hank ironiza, levantando-se, fazendo Jay e All ficarem em alerta – Ele não lembra – repete, abrindo a pasta, retirando as fotos – E dela, lembra? –põe a foto da garota morta a frente de Connor, que franze o cenho – Talvez assim... Ou assim... Ou assim – a cada frase uma nova foto, desta vez do corpo da garota, é posta à frente do cirurgião – Dela com certeza vai lembrar – a foto de Sarah é colocada a sua frente – Ou do que fez com ela! – exclama, pondo as fotos dos ferimentos da médica a sua frente, fazendo-o levantar-se, assustado.
—Não! – Connor geme alto – Não fiz isso! Não fiz! – afirma, as lágrimas correndo livres.
—Agora se lembra? – questiona Voight – Sente-se doutor! – ordena – SENTE-SE! — grita, batendo na mesa com a mão espalmada.
—Hank, calma! – All pede.
—Eu jamais a machucaria! – assegura.
—Hank! – All chama, vencendo a distancia que os separava na tentativa de impedi-lo prensar o cirurgião contra a parede, falhando.
—Como explica sua pele sob as unhas dela, esses arranhões em seu pescoço, sua jaqueta ter sido encontrada com ela... Além do fato de ela ficar repetindo seu nome sem parar? – questiona, o antebraço no pescoço do médico, sufocando-o.
—EU NÃO SEI! – grita – Não me lembro de nada depois que sai do hospital! — repete – De ter ido ao Molly’s, de ter falado com você, de ter ido a qualquer outro lugar nem mesmo como cheguei em casa! – enumera, a voz ainda alterada – O que sei é que jamais faria mal a uma mulher especialmente Sarah!
—Não diga mais nada doutor Rhodes – uma voz ordena, fazendo Jay e All voltarem-se para aporta – Esta conversa termina agora sargento e, por favor, afaste-se de meu cliente!
—Advogado – Erin anuncia – O pai e irmã estão aqui também – completa a detetive, dando passagem a ambos.
—Espero que esteja dizendo a verdade... Porque nem todo dinheiro de seu pai vai tirá-lo dessa se for culpado! – ameaça Hank , soltando-o, voltando-se para os recém chegados – Tem quinze minutos para falar com seu cliente – avisa, saindo da sala seguido por sua equipe.
—Jay – ouvem o chamado assim que saem da sala.
—O que está fazendo aqui Will? – questiona o detetive.
—O laboratório liberou o resultado do teste de estupro da garota morta, Isabela – avisa, entregando-o ao irmão – Eles refizeram por achar que havia ocorrido algum tipo de contaminação. Mas não houve. O sêmen encontrado fora é do Connor, mas no interior dela não! – revela, surpreendendo a todos – Algo está errado aqui! – exclama.
—Muito errado- Erin anui – Estava vindo trazer os resultados do exame de sangue do doutor Rhodes... Ele também tem uma quantidade estranhamente alta de Rohypinol no sangue, como Isabela Rossi.
—Sarah não tem praticamente nada! Como pode isso? – indaga Will.
—É o que vamos descobrir – Voight afirma, fechando a pasta entregue por Will – Vamos refazer todo percurso, desde o local onde Sarah foi resgatada até onde o corpo de Isabela foi encontrado e dali até o local de onde possam ter vindo. Quero saber onde, como e em que momento os três se cruzaram. Não vamos deixar passar nada. Absolutamente nada – pontua, caminhando acompanhado pelos demais, parando a frente da televisão na entrada do distrito, uma reportagem sobre o caso chamando sua atenção – Platt, dez minutos e Rhodes volta para a cela. Quero-o isolado. Ninguém além da equipe pode vê-lo – ordena, saindo.
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Connor
—Como você está? Aquele bruto te machucou? – Claire pergunta, tentando afagar meu cabelo.
—O que estão fazendo aqui? – indago, afastando suas mãos.
—Salvando sua pele, ao que me parece – meu pai responde, apoiando as mãos sobre a mesa – Como conseguiu se meter nesta confusão?
—Confusão? Pai, uma mulher está morta e outra ferida em um leito de hospital! –bufo – E ao que tudo indica, eu posso ter sido responsável...
—Não diga isso Connor! Jamais faria mal a alguém! – Claire ralha, voltando-se ao escutar batidas na porta, que se abre em seguida dando passagem a sargento Platt e Will – O sargento Voight disse que teríamos quinze minutos – Claire protesta, mas minha atenção está voltada para meu amigo.
—E Sarah, como ela está Will? – interrogo-o, pondo-me de pé.
—Deveria preocupar-se com sua vida e não com uma qualquer! – meu pai admoesta e algo em sua fala provoca um estalo em minha mente, deixando-me estático.
—O que você lembrou? — Will questiona – Connor!! – segura meus ombros, sacudindo-me – O que lembrou? – repete.
—Eu.... Um homem.... Havia um homem... Nós brigamos – balbucio, as lembranças vindo em ondas confusas.
—Por que estavam brigando? Onde estavam? Na boate? – meu amigo interroga, fazendo-me sentar.
—Não. Eu fui à boate... Precisava vê-la! – afirmo, advertindo-o com olhar para não citar Dione.
—Ver quem? – Claire indaga.
—Esperei até que a boate fechasse, mas não consegui falar com ela então fui embora – continuo, ignorando o questionamento feito por minha irmã – Estacionei longe por não haver vagas próximas... Tinha acabado de abrir meu carro quando escutei gritos... Segui-os até um terreno baldio... Foi quando o vi. Estava em cima de uma mulher, rasgando suas roupas, batendo.... Suas calças estavam arriadas... Havia outra mulher ao lado, quieta, os olhos vidrados, sem vida, como os de uma boneca... Gritei chamando sua atenção... – silencio sentindo o ar me faltar, os gritos de Sarah ecoando em minha mente, meu nome, seu nome saindo de minha boca – Sarah! – sussurro, sem forças para continuar.
—Espero que tenha escutado o que meu cliente acabou de contar sargento – escuto o advogado dizer.
—Cada palavra! – Platt afirma, ligando para alguém – Me dêem licença – pede, saindo.
—Ok, agora só preciso que me conte em detalhes o que... — o advogado começa, mas o interrompo.
—Will, chame a sargento Platt, por favor... Eu quero, preciso de um tempo – peço, levantando.
—Como assim um tempo? Precisa falar com o advogado, preparar sua defesa – meu pai começa dizer.
—Não, eu preciso de um tempo, sozinho! – pontuo, saindo assim que a sargento entra, ela me seguindo, levando-me a cela onde deveria ficar até Voight e sua equipe retornarem... Com boas ou más notícias.
—Quer alguma coisa para comer ou beber? – Platt oferece e nego com um meneio de cabeça, deitando-me na cama, levando um braço a meus olhos, protegendo-os – Tudo bem. Volto mais tarde, e doutor – chama me fazendo virar a cabeça em sua direção – Não se preocupe, a inteligência vai provar sua inocência – diz confiante.
—Obrigado – agradeço, sorrindo-lhe minimamente.
Quando fico sozinho, me concentro em tentar lembrar e entender como em menos de vinte e quatro horas minha vida tinha virado de ponta cabeça.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨Flash Back On ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
—Então vocês passaram a noite juntos? – escuto April pergunta e estanco segurando a porta entreaberta.
Estava prestes a entrar em um dos almoxarifados em busca de um comprimido para minhas costas visto que havia dado um jeito nelas ao ajudar erguer um lutador de sumo que desmaiara na triagem junto com Will, Ethan, Jeff e mais três seguranças.
—Não da forma como está pensando – Sarah responde – Quer dizer, até começamos algo mais, não consegui continuar – escuto-a dizer sentindo-me ao mesmo tempo irritado e aliviado.
—Como assim não conseguiu? O que houve? – April questiona e estico o pescoço tentando ver ambas, em especial o rosto de Sarah.
—Não conseguindo April! – explica, franzindo o cenho de uma maneira que a deixa ainda mais encantadora – As coisas estão indo rápido demais. Não gosto disto. Não me sinto preparada para me envolver tão seriamente com alguém. Especialmente como ele. Hank é encantador, mas também assustador às vezes. Isso me incomoda – afirma, deixando cair um pacote de gaze, abaixando-se para pega-lo rapidamente e ao fazê-lo algo em seu movimento me lembra Dione.
Balanço a cabeça, fechando a porta com cuidado, afastando-me devagar, me recriminando por ter ficado ouvindo atrás da porta.
—Que diabos está acontecendo com você Connor? – questiono-me, caminhando a passos largos para a sala de repouso.
As últimas três semanas tem sido um verdadeiro tormento no que se refere a minha vida particular. Primeiro, aquela dança, explicitamente para mim, que me fez tomar vários banhos gelados ao chegar em casa e mesmo assim mal consegui dormir!
Pela primeira vez voltei ao clube tanto no sábado quanto no domingo a fim não apenas de vê-la, mas de tentar falar, ou dançar com Dione mas desde a sexta ela estava “indisponível”, segundo o tal cara que agendava as danças particulares. Não sabia o porquê, mas era claro que estava me evitando e depois daquele final de semana decidira fazer o mesmo.
Em segundo lugar, a aproximação de Hank Voight e Sarah estava me incomodando mais do que queria admitir.
Cada comentário, cada elogio, cada incentivo por parte da equipe para que Sarah investisse nessa relação me irritava profundamente.
Tentei, com todas as minhas forças, bloquear o sentimento que começava a surgir em meu peito usando desculpas esfarrapadas como me preocupar pela reputação do Voight, que ele não faria bem a ela, etc.. Até mesmo a ridícula desculpa de que ele teria idade para ser pai dela... Mas a verdade era uma só: estava me apaixonando por Reese!
—A quem estou tentando enganar: Já estou apaixonado por ela! – me rendo, caindo no sofá – Então por que ainda pensa ir atrás de Dione seu estúpido? – xingo baixinho – As duas são tão parecidas! – pondero, fechando meus olhos, tirando um breve cochilo, sobressaltando-me ao ouvir chamarem.
—Doutor Rhodes, a doutora Reese quer que avalie um paciente no trauma cinco – Doris (presidente do fã clube Voight) avisa.
—Um segundo – peço, sentando, massageando o pescoço dolorido, olhando o relógio em meu pulso. Passa das seis, mas que me importa se iria dobrar o plantão!
Suspiro, levantando-me, seguindo direto para a sala indicada, ficando de mau humor ao ver Hank Voight despedindo-se, ao que tudo indicava, de Sarah com um beijo rápido.
—Doutor Rhodes – cumprimenta ele a me ver chegar.
—Sargento – respondo, sem vontade, virando o rosto a fim de não ver mais um beijo – O que temos aqui? – pergunto assim que ele vai embora.
—Jim Kessler, 58 anos, enfartou ao pular no lago para salvar o garoto na sala três, com Natalie – informa Sarah, entregando-me o tablete, nossos dedos roçando ao fazê-lo –O EGG estava alterado quando chegou, ritmo sinusal, pressão 12x8, ativei o protocolo STEMI – conclui.
—Ok – digo, lendo toda ficha do paciente. Peço mais alguns exames descobrindo que ela também dobraria plantão, deixando-a encarregada de realizar os mesmos.
Assim que recebo os resultados, volto até o paciente, Sarah a meu lado.
—Senhor Kessler, eu sou doutor Rhodes, minha colega, doutora Reese pediu-me para fazer uma avaliação do seu caso – começo dizer, entregando-lhe o tablete com sua ficha aberta – O senhor tem uma doença coronária tri arterial moderada – informo — Dado o fato que já teve um infarto, minha recomendação é que façamos uma revascularização do miocárdio com bypass.
—Uau! – exclama o homem – É uma cirurgia grande não é?
—É sim, mas você é um excelente candidato – asseguro – Quero dar um dia de descanso para seu coração então podemos te agendar para amanhã.
—Se você diz, vamos em frente – concorda.
—Ok. A propósito, prazer em conhecê-lo! Soube que é um herói! – exclamo, vendo-a sorrir discretamente, provocando a sensação de borboletas em meu estomago.
—Ah, não foi nada. Só vi o garotinho em apuros e pulei para ajudar – minimiza.
—De qualquer forma é um prazer atender um herói de verdade! – reitero, saindo acompanhado por Sarah – Providencie um quarto para ele enquanto vou até o bloco cirúrgico agendar sua cirurgia – ordeno, seco, mal a olhando.
—Sim senhor – ouço-a dizer no mesmo tom e fecho os olhos sentindo uma pontada em meu peito.
Vinte minutos depois retorno a emergência a fim de ver como estava o senhor Kessler, encontrando Sarah sentada de frente para o homem, observando-o atentamente.
—Hey, obrigado por conseguir um quarto tão rápido – agradeço assim que paro a seu lado e assente com um gesto de cabeça, ainda observando-o – Algo errado Reese? – pergunto, fazendo-a voltar-se para mim.
—Ele podia ter morrido! – exclama, e franzo o cenho sem entender – O que fez foi lindo, mas poderia ter morrido. Poderia ter tido um choque térmico, fibrilação ventricular, coagulopatia…- abre os braços, confusa – Ele fez algo heróico porem louco! Pôs a própria vida em risco.
—Ele provavelmente não pensou nisso na hora. Como disse, viu um garotinho em apuros e apenas reagiu ao que via – digo, sorrindo ao vê-la enrugar o nariz em uma careta – Doutor Charles possivelmente lhe responderia melhor, mas o que posso lhe dizer é que se visse alguém em apuros e pudesse ajudar faria o mesmo... Se fosse alguém conhecido, que amo, então, não pensaria um segundo sequer! – exclamo, olhando-a nos olhos, prendendo seu olhar ao meu..
—Doutor Rhodes, melhor vir aqui! – Doris chama, quebrando a magia do momento, os sons de alerta nos monitores fazendo a mim e Reese reagirmos imediatamente.
—Pressão arterial caindo, elevação do segmento ST....
—Mal tem pulso – Reese completa minha informação.
—Choque cardiogênico. Deve ser outro enfarto. Vamos por o balão intra-aórtico – decido, reclinando o leito – Bolus de heparina, inicie dopamina, dobutamina, O² de alto fluxo – instruo Doris enquanto calço as luvas.
—Vou avisar a hemodinâmica que estamos indo – Sarah diz, fazendo menção de sair mas a impeço.
—Sem tempo. Vamos fazer aqui – aviso, sinalizando para trazerem a mesa com o material.
—Nós? Eu e você? – indaga e aceno afirmativamente – Como vamos saber se está no lugar certo? – questiona, tão próxima que sinto seu perfume.
—Se houver hemorragia, saberemos que perfuramos a ilíaca; Se parar de respirar, perfuramos o mediastino... Mas se não recuperarmos a pressão arterial agora, nada disso terá importância – afirmo, enquanto recebo o material necessário, ela a meu lado, ajudando-me – Agüente firme Jim- peço – avise-me quando vir ...
—Quase lá...Consegui – Sarah avisa, passando-me o tubo através do qual passo o balão.
—Um pouco...... Só mais um pouco .... Pronto! Consegui. Ligue – ordeno, aguardando, ansioso, a reação do paciente – Vamos, vamos...
—Pressão arterial subindo. 70x35... 80x40 – Sarah avisa, sorrindo para mim.
—Ok. Vamos subir – ordeno sorrindo de volta para ela – Somos um bom time! – exclamo, erguendo a mão no ar, esperando a seu toque e quando penso que iria fazê-lo, retira a mão no ultimo segundo, deixando-me “no vácuo”!
—Estava louca para fazer isso! – brinca, juntando as mãos a frente do corpo, erguendo os ombros, um sorriso travesso no rosto, o pescoço de lado enquanto caminha para a estação de enfermagem.
Balanço a cabeça negativamente, rindo, acompanhando a maca com Kessler.
—Pilantra! – cochicho em seu ouvido ao passar por ela, fazendo-a rir mais.
Depois do procedimento (que tomara um rumo inesperado porem de sucesso), vou até ao terraço respirar um pouco aproveitando a calmaria.
Uma chuva fina começara a cair, aliviando um pouco o calor do dia, trazendo um fresco.
Encosto-me em um canto abrigado, fechando os olhos, aspirando o ar da madrugada, respirando lenta e profundamente.
—Dione? – abro os olhos, rápido, ao sentir seu perfume, surpreendendo-me ao ver que se tratava de Sarah.
—Desculpe, não quis incomodá-lo – pede, sem graça – Só queria saber o que houve na cirurgia do senhor Kessler. Disseram-me que não era um enfarto! – quer saber.
Levo algum tempo até responder, meu cérebro demorando a desassociá-la de Dione.
—Não era – confirmo, recostando-me novamente.
—O que?? – interroga diante de meu silêncio.
—Defeito no septo ventricular causado por necrose– informo, ouvindo seu “O” de espanto – A falta de sangue durante o enfarte no rio causou a morte de um pedaço do músculo.
—Como soube o que procurar? É praticamente impossível de achar! – admira-se e sorrio.
—É que sou incrível! – brinco, vendo-a erguer a sobrancelha, um riso no canto da boca... “Gozado, não tinha notado como sua boca é bonita! Bem desenhada, o lábio inferior levemente mais grosso que o superior...Convidativa!” ... Suspiro antes de responder, sério – A descoloração. Perdi um paciente assim uma vez. Eu não vi. O cara morreu antes de tirá-lo da mesa. Aprendi com meu erro – concluo, sem conseguir desviar os olhos de sua boca.
—Sorte do senhor Kessler que seja incrível! – exclama, sorrindo.
—Não está mesmo levando a sério esse romance com o Voight está? – falo sem pensar, vendo seu sorriso desaparecer.
—Não acho que seja da sua conta! – rebate, me fuzilando com o olhar.
—Qual é Sarah, ele tem idade para ser seu pai! – digo, me arrependendo imediatamente.
—Como disse, isto não lhe diz respeito doutor Rhodes – reitera – E, caso não tenha percebido ainda, não sou nenhuma adolescente ingênua a mercê do lobo mal! – exclama, me dando as costas, parando, voltando-se para mim mais uma vez – Mais uma coisinha: pode não ter idade para ser mau pai, como Hank.. Mas certamente a de um irmão mais velho o Senhor tem! – rebate, tencionando dar-me as costas novamente, mas não permito.
_Irmão mais velho? – questiono, segurando-a firme pelo braço – Não creio! — afirmo – A não ser que incesto deixe de ser crime já que, desde que chegou aqui, meu único pensamento é este... – puxo-a de encontro a mim, chocando nossos corpos, tomando seus lábios em um beijo selvagem, girando-nos, prensando-a contra a parede, aumentando intensidade e força do beijo, obrigando-a abrir os lábios para receber minha língua enquanto minhas mãos exploram seu corpo por sob o jaleco, apalpando-a por cima da roupa.
Sinto suas mãos em meu peito, empurrando-me fracamente, tentando resistir, cedendo lentamente, passando a corresponder com a mesma intensidade.
Cesso o beijo quando o ar nos falta, sentindo meu rosto se atingido por um forte tapa, deixando-o meu rosto marcado e ardendo.
Nos encaramos por um breve momento antes que me desse as costas de novo, saindo sem dizer uma palavra, deixando-me sem ação.
Durante o resto do plantão não nos vemos ou nos falamos mais. Tento vê-la antes de sairmos mas descubro que saíra alguns minutos antes do final do plantão.
Sigo para casa me sentindo extremamente confuso. Como não conseguia relaxar, no meio da tarde retorno ao hospital com a desculpa de querer acompanhar a recuperação do senhor Kessler, permanecendo até o final do turno, saindo com Will e Jeff....
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨Flash Back Off ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
—Doutor Rhodes – retiro o braço com o qual cobria meus olhos, encarando a sargento Platt – Precisa me acompanhar até a sala da capitã Crowley para que o escrivão tome nota de seu depoimento – informa, abrindo a cela, posicionando-se de lado para me dar passagem.
Levanto-me, seguindo-a pelos corredores.
—A propósito, sua irmã trará roupas limpas daqui a pouco– avisa, abrindo a porta da sala, entrando comigo.
—Sente-se doutor Rhodes – a capitã Crowley ordena, indicando uma cadeira ao lado do meu advogado, que também se encontrava na sala – Pode começar – pede e lentamente começo a relatar tudo que havia conseguido lembrar da noite passada.
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Chicago Med (23:30 p.m)
Sarah
Abro os olhos lentamente, umedecendo meus lábios com a língua, sentindo minha garganta seca, a cabeça e o corpo doloridos, não entendendo de imediato onde estava nem o que havia acontecido.
Aos poucos capto o som de vozes próximas a mim. Fecho os tentando reconhece-las, voltando a abri-los ao sentir uma mão afagando meu cabelo.
—Hey! Bem-vinda de volta! – a voz suave contrasta com o semblante carregado de Leslie, que sorri mas seus olhos vermelhos e inchados contradizem a alegria que tenta passar.
De súbito, a lembrança do que acontecera me atinge como uma flecha: os gemidos horrorosos de Cesar, as mãos apertando o pescoço de Isa, o ar de espanto ao me ver seguido pela reação violenta.... Num segundo estava debruçado sobre Isabela, estuprando-a, no seguinte sobre mim, rasgando minhas roupas, dando-me bofetadas, enfiando comprimidos em minha garganta... E quando começava a me desesperar, a voz e o rosto de Connor surgem, arrancando-o de cima de mim.
As lembranças me fazem arfar, e sento-me rápido sobre a cama.
—Calma, está tudo bem! Está em segurança agora. Fique calma – é Sylvie quem fala com voz doce, abraçando-me juntamente com Leslie e ao sentir-me envolvida por minhas amigas me entrego as lágrimas, dando vazão a toda angustia que sentia chorando copiosamente, os soluços sacudindo meu corpo.
—Tudo bem linda! Está tudo bem agora – Leslie repete.
—Não Les, não está nada bem! – exclamo, afastando meu rosto a fim de ver o dela – Ele a matou! Matou Egle! – digo, recostando a cabeça em seu ombro.
—Egle? Pensei que o nome da garota era Isabela – ouço a voz de Natalie Manning e só então me dou conta de que estou no hospital.
—Devia ser algum apelido – Sylve justifica
—Graças a Deus acordou flor! – Maggie exclama, substituindo Leslie, me abraçando forte – Estávamos tão preocupados.
—Maggie! – é tudo que consigo dizer antes de começar a chorar novamente sob o calor de seu abraço.
Após alguns minutos, me controlo, afastando-me, olhando ao redor.
No quarto se encontravam, além de Leslie e Sylvie, Natalie, Maggie, April e Miss Goodwin um pouco mais afastada conversando com Kim Burgess, ambas se aproximando ao notarem que me sentara.
—Doutora Reese, eu sinto muito pelo que passou – Kim começa e por seu tom formal sei que está ali a serviço – Ah, droga! Que se dane! – xinga, abraçando-me por alguns segundos antes de voltar a sua postura de trabalho – Sinto muito Sarah, mas preciso que me diga o que houve – pede, sem graça – Seria capaz de reconhecer quem fez isso com você? – questiona.
—Sim – respondo, segurando as lágrimas – Ele ...Ele estuprou e matou Isa! – gaguejo, sentindo as garotas apertarem minhas mãos – Depois tentou fazer o mesmo comigo! – afirmo, enxugando meu rosto com o dorso de minha mão – Não fosse Connor teria conseguido! – desabafo, deixando as lágrimas correrem livres, notando a estranha troca de olhares entre todas as presentes.
—Então o doutor Rhodes o impediu de violenta-la!? – Kim questiona, me olhando duvidosa.
—Sim – reafirmo – Connor apareceu e o tirou de cima…- fecho os olhos e as mãos, controlando-me antes de prosseguir – Eles brigaram.... Eu fui até Isa mas ela já estava morta ...- soluço, parando novamente, aceitando a água que April me oferecia – Estava examinando ela, tentando ver se respirava quando senti alguém tocar meu ombro e me virei, lutando, até perceber que era Connor... Ele me abraçou, pôs sua jaqueta sobre mim, cobrindo-me... Então outro homem apareceu... Eu gritei... Ele acertou Connor com um soco, depois avançou para mim, mas Connor não permitiu...Ele...Ele o segurou e me mandou fugir... e eu fugi! – tento, em vão, conter as lágrimas – Eu fugi e o deixei sozinho com dois assassinos!... Eu fugi! ...Ele me ajudou e eu não fiz...- não consigo mais falar, apenas chorar e soluçar.
—Tudo bem florzinha! Tudo bem! – Maggie me conforta, embalando-me como a uma criança.
—Detetive Burgess, poderia ligar para o sargento Voight, por favor! Ele precisa saber que doutor Rhodes é inocente!
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Vigésimo primeiro distrito (00:05 a.m)
Connor
De volta a cela depois de prestar depoimento por mais de duas horas, me deito na cama mais uma vez.
Me sentia exausto física e emocionalmente. Minha cabeça doía, meu corpo inteiro doía, minhas roupas fediam visto que Claire ainda não retornara com uma muda limpa, meus olhos e garganta ardiam terrivelmente, me sentia enjoado, minha mente mal conseguindo articular um pensamento coerente.
Em meio a tudo isto, não conseguia parar de pensar em Sarah.
Não tinha tido mais notícias, ninguém me falava absolutamente nada, não sabia se a equipe comandada por Voight retornara e o que haviam descoberto.
Grande parte da noite e madrugada da sexta para o sábado (passava da meia noite agora!) ainda era um imenso e confuso borrão para mim, mas uma coisa, agora, tinha certeza absoluta: não matara Isabela Rossi nem tentara violentar Sarah.
Abraço a mim mesmo, encolhendo meu corpo, ficando em posição fetal de frente para a parede, fechando os olhos, tentando dormir, voltando a abri-los ao escutar a cela ser aberta.
—Trouxe comida – uma voz de homem avisa antes que me volta-se para ver quem era.
—Leve de volta. Não estou com fome! – digo.
—Mesmo sendo sua última refeição!? – indaga e sinto o travesseiro fino ser puxado, fazendo minha cabeça bater contra a firmeza do colchão igualmente fino, sendo colocado sobre meu rosto quando me volto para tentar ver quem era.
O homem pressiona meu rosto com o travesseiro, sufocando-me, ao mesmo tempo em que se posiciona sobre meu corpo, os joelhos prendendo meus braços.
Me debato desesperadamente em busca de ar, tentando acerta-lo de alguma froma a fim de me libertar, ele aumentando a pressão sobre meu rosto. Começo a sentir minhas forças se esvaindo rapidamente.
Estou quase perdendo os sentidos quando tudo de repente cessa: o peso e pressão sobre mim são retirados e consigo respirar.
Atiro o travesseiro longe, sentando-me rápido, encostando-me a um canto de parede como um animal acuado.
—Calma doutor Rhodes. Nós o pegamos. Está tudo bem – Hank Voigt assegura, a mão espalmada a minha frente – Calma, está tudo bem!
Olho ao redor vendo Antônio Dawson e Jay Halstead, um de pé, arma em punho, o outro prensando um homem contra o chão, seu rosto voltado para mim.
—Você??? – surpreendo-me – Desgraçado! – a raiva dá lugar a dor e avanço sobre o homem que atacara Sarah, Voight impedindo-me de acerta-lo.
—Nem pense nisso! – exclama, me segurando enquanto os detetives levam-no embora.
—Foi esse desgraçado quem atacou Sarah! – bravejo, tentando segui-lo.
—Já desconfiava – Voight diz, me contendo mais uma vez – Acalme-se doutro, não vá estragar as coisas! Quer continuar preso por agressão, é isso!?
—Mas ele...
—Eu sei – repete, me encarando – Sabemos que é inocente. ... Sarah acordou – revela – E o inocentou de tudo – sento-me, sentindo a cabeça rodar – Vou leva-lo em casa...
Continua...
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