Hidden Life!
6 Dangerously! (I)
Notas iniciais
Play Dangerously – Charlie Puth
"oh, oh, oh;
This is gonna hurt but I blame myself first;
Cause I ignored the truth drunk off that love;
It fucked my head up there's no forgetting you;
You've worken me, but you're choking me;
I was so obesessed, gave you all of me;
And now honestly, I got nothing left..."
Chicago Med madrugada sábado
(quarto Sarah, 02:45 a.m)
Sarah
Viro meu rosto de lado contemplado a figura adormecida de Leslie. Ela e Sylvie haviam insistido em dormir no hospital mesmo após eu ter dito que não precisavam.
Sylvie havia acordado alguns minutos atrás e levantara-se, saindo (certamente em busca de suprir um de seus vícios: café!), não sem antes verificar se estava dormindo.
Fosse pelo cansaço evidente em seu rosto, fosse pela falta da cafeína em seu organismo (ela simplesmente “não funcionava direito” quando passava muito tempo acordada a menos que tomasse várias xícaras do liquido, preferencialmente quente) consegui enganá-la fingindo dormir.
Sozinha, observando a respiração tranquila de minha amiga, sinto meu peito oprimido pelos últimos acontecimentos. Sentia-me tão culpada! Tão miseravelmente culpada que mal conseguia respirar.
Culpada por não ter saído em companhia de Isa quando me chamou, por não ter sido rápida suficiente para salvá-la, pois tinha quase certeza que ainda estava viva quando cheguei ao terreno, culpada por não ter conseguido lutar contra aquele homem asqueroso, culpada por ter envolvido Connor...
—Connor! – sussurro fechando os olhos, uma lágrima teimosa escorrendo sem que pudesse impedir.
As coisas andavam estranhamente tensas entre nós e só fiz piorar ao instigá-lo dançando daquela maneira. Deixei-me levar por meu ego inflado (e quem poderia me culpar afinal de contas não é todo dia que um homem como Connor Rhodes demonstra não apenas interesse como também sentir ciúmes de você!), decidindo, meio que inconscientemente, provocá-lo e não apenas no clube.
Agora vejo que o principal motivo que me fez aceitar o convite de Hank fora, de fato, querer saber (testar mesmo) até que ponto aquela impressão que passara não apenas para mim, mas a todos os presentes, era verdadeira ou apenas uma ilusão. E com o passar dos dias, tive a certeza de que não era ilusão coisa nenhuma! Connor estava com ciúmes de Hank sim e não fazia a menor questão de esconder mesmo não tendo dito abertamente ter interesse em mim.
E aí residia todo o problema: ele tinha ciúmes de Sarah, mas continuava a tentar aproximar-se de Dione!
Isto estava me deixando louca!...
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Apartamento Sarah (três semanas atrás)
—Droga! – bufo, virando-me na cama mais uma vez, empurrando os lençóis com os pés, suspirando alto – Maldito Connor! Por que tinha que complicar as coisas? Por que tinha que ir justamente ao Fifty? E com tantas outras, por que justamente eu!? – resmungo, xingando-o mentalmente.
Sento sobre o colchão, dobrando e abraçando minhas pernas.
Há meia hora revirava-me como um bife na chapa, tentando, em vão relaxar e dormir um pouco.
Depois que terminara meu número, conseguira evitá-lo, pedindo a Erico que lhe dissesse, caso tentasse solicitar uma dança particular, que alguém já havia feito isto (o que de fato acabou acontecendo) e que de forma alguma me deixasse a sós com ele aquela noite.... Na verdade pedi-lhe, no dia seguinte, que não o fizesse por um bom tempo!
Precisava de tempo para me recuperar e quanto menos o visse sozinha melhor.
No hospital isto não seria tão difícil visto que estava cada vez mais envolvido em sua especialização, a segunda, que mal nos falavamos.
—Tudo bem minha rainha. Mas se quer minha opinião não vai adiantar nada! Aquele homem está maluco por você! – comentara – E me atrevo a dizer que também está por ele... Mas como não sei qual babado forte está por detrás de seu pedido... Quando e se precisar desabafar com mais alguém além de suas migas, pode contar comigo minha linda – dissera, saindo.
Erico era um doce e super protetor com todas nós. Outro dia, quando havíamos encontrado Egle chorando escondida, fizera de um tudo para tentar descobrir o que se passava, mas ela se fechou em copas e não disse nada a ninguém. Nem mesmo a Carmenta, de quem era mais próxima.
Suspiro novamente, pulando para fora da cama, decidindo fazer algo que estava negligenciando nos últimos dias: estudar. O que acabou se mostrando uma decisão acertada por dois motivos: consegui me concentrar por um tempo, adiantando parte do assunto que estava estudando, conseguindo esquecer Connor Rhodes por tempo suficiente para relaxar; E finalmente consegui dormir.
Acordo cerca de três horas depois, relaxada e aliviada visto que não seria nada bom chegar a meu encontro com inexplicáveis olheiras.
Olho a hora em meu relógio verificando que ainda dispunha de bastante tempo o que me permitiria organizar as coisas sem pressa.
Levanto-me, tomo um banho, sigo para a cozinha, preparo meu café/almoço (já passava das uma da tarde), verifico minhas mensagens respondendo as de Leslie e Sylvie (ambas bravas e estressadas questionando-me o motivo para ter aceitado jantar com Hank Voight!
—Por que todo mundo resolveu pegar no meu pé por conta de um bendito jantar? – questionei via MSN, tendo a resposta quase que imediatamente: “Porque está gostando de um e vai sair com outro, o que já seria pra lá de errado, e este outro se tratando de Hank Voigth não é apenas errado .É pedir pra ver sangue correr!!” – Exageradas! – respondo, acabando por ter uma crise de riso diante do vídeo que me mandam em resposta.
Após terminar de organizar e arrumar tudo, escolho a roupa que usaria no jantar e só então me dou conta do quão pouco empolgada estava com o encontro.
De repente o desanimo cai sobre mim e sento no chão de frente para as portas abertas de meu armário, olhando cada vez menos animada as peças penduradas lá dentro... “Se fosse encontrar o Rhodes seria capaz de ir até a loja chique que pertence à família dele e gastar todo seu salário em uma única peça! ”- meu subconsciente acusa e desta vez tenho que lhe dar razão!
Por fim, acabo escolhendo uma jardineira de viscose com estampa floral, alegre, simples e elegante, que uma prima me presenteara no natal, um casaco no mesmo tecido porem de cor neutra para acompanhar visto que não tinha mangas.
Distraída, me assusto ao escutar o toque de meu aparelho.
—Oi Leslie – atendo.
< Última chance! Ainda tem uma hora e meia para ligar e desmarcar esse equívoco que chama de encontro! > aconselha e só então me dou conta que passava das seis da tarde!
—Não vou desmarcar nada e parem de se preocupar. É só a droga de um jantar, nada mais! – bufo, atirando as sandálias que escolhera sobre a cama, começando a ficar realmente irritada.
< Pra você é sim. Mas, e para o sargento linha dura? Já pensou que o Voight pode estar querendo dar início a algo mais sério? > questiona-me e sinto um frio no estomago.
—Não vou tirar conclusões precipitadas – digo, respirando fundo – Vou esperar esse jantar e depois decido o que fazer.
< Ok, você que sabe. Só seja honesta com ele ok? Diga que existe alguém ocupando seu coração > pede.
— Connor não está ocupando meu coração...
< Ah, ta! Está querendo enganar quem mesmo!?> provoca-me < Sarah, só tenha cuidado ok!? Não queremos que se machuque>
—Pode deixar mamãe, eu terei! – tranquilizo-a – Até mais tarde. Beijos. Ahh, lembra o Erico que, caso o Rhodes apareça...
< Você não está disponível! Já sei, pode deixar. Beijos e juízo! > recomenda, desligando.
Suspiro, começando a me questionar se não estaria certa. Será que estou fazendo besteira indo a esse jantar? De fato, não estava me sentindo muito bem em ter aceitado apenas por ter gostado de ver Connor com ciúmes, porque foi isto que fiz.
—Droga Sarah, agora você meteu os pés pelas mãos legal! – ralho comigo mesma, sentando-me sobre a cama ,suspirando, deixando-me cair, desanimada – Seria tão mais simples se Connor não tivesse chegado primeiro! Por que tinha que ser ele, justo ele? Por que não doutor Choi, doutor Halstead, se bem que esse arrasta um transatlântico pela Natalie Manning!! – pondero, rindo ao pensar que Will Halstead deve pensar o mesmo em relação ao que sente por ela: por que justo ela?
Fecho os olhos, relaxando e acabo por adormecer, acordando com o toque de alerta de meu celular que havia programado para meia hora antes do horário do encontro.
Levanto-me, tomo um banho rápido, me visto, faço uma maquiagem leve, pego minha bolsa, calço as sandálias e saio ao encontro do sargento Voight.
Ele queria vir buscar-me mas preferi ir de taxi.
Encontro-o pontualmente às oito da noite na recepção do restaurante que escolhera: Volare, cuja cozinha italiana era famosa na cidade.
O jantar é surpreendentemente agradável. Hank está descontraído, alegre, em nada fazendo lembrar o policial linha dura e mal-humorado cuja fama o precede. O clima está tão bom que por pouco não perco a hora.
Para evitar suspeitas, deixo-o me levar até em casa. Despedimo-nos com um beijo no rosto, marcando um novo encontro para a segunda à noite (sabia que Leslie e Sylvie iriam me matar, principalmente por não ter feito o que me pediram!), espero que vá embora, chamo um taxi e sigo para o clube onde, como previra, as duas me dão uma senhora bronca!
—Como assim vão se encontrar de novo? – Sylvie admira-se, voltando-se para mim depois de terminar a maquiagem.
—Encontrando, oras! – exclamo, arrumando meu cabelo, ajustando a máscara em meu rosto.
—Pelo menos fez o que dissemos? Falou para ele sobre, você sabe quem?? – questiona, abrindo a boca diante de minha negativa – Sa...Dione – corrige-se rápido – Como não falou nada? Então ele não sabe que é carta fora do baralho?
—Quem disse que ele é? – devolvo, vendo-a ficar ainda mais surpresa – Ele tão diferente de tudo que dizem! Tão doce e gentil, e educado... E aquela voz!! Nossa! É tudo de bom! – digo.
—E Você está tão ferrada que nem tem noção mulher!! – Xanta afirma, me encarando com as mãos na cintura – Ta, vamos dizer que, com você, já que não é uma criminosa, ele foi tudo isso ai...E reconheço que aquela voz rouca arrepia até os pelos que não cresceram ainda...Mas você Está apaixonada pelo R e Sabe disso!
—Desapaixono! – afirmo, dando de ombros e antes que rebata, Erico a chama, deixando-me me companhia de Sylvie – Não posso simplesmente dar as costas a um homem que demonstra claramente interesse em mim e não em uma dançarina mascarada! Em Mim, entende Héspera!?
—Está ligada que você, seja lá qual for seu nome verdadeiro, e Dione são a mesma pessoa não está? – Carmenta, que observava tudo deitada no divã, descansando, pergunta – Sem querer me meter já metendo meu bedelho onde não fui chamada, se começar a separar Você de seu alter ego vai acabar em um sanatório minha linda... Ou na melhor das hipóteses em um divã psiquiátrico... – se cala, sentando rápido – Será que foi por isso que trocaram o sofá por um divã???
—Se foi por isso não sei, mas que ela está certa está – Héspera anui, segurando minhas mãos, olhando dentro de meus olhos – Ele, R, também está apaixonado por Você! Foram seus olhos, seu corpo, seu jeito que o atraíram aqui e fora daqui também, mesmo que ele ainda não saiba, e veja bem, digo ainda por que ele não me parece ser o tipo de homem que desiste de algo que quer!
—E não desiste mesmo! – ouço a voz de Erico dizer – Advinha quem está na primeira fila lá fora e certamente vai querer uma dança só para ele?
—Pois vai ficar querendo! – asseguro, levantando-me, arrumando minha roupa – Estou indisponível para ele por tempo indeterminado!
—Isso só vai atiçar ainda mais o cara! – é o comentário que escuto Carmenta dizer ao me afastar.
Ela estava meio certa. Connor realmente pareceu mais interessado visto que, pela primeira vez desde que passara a frequentar o clube, esteve lá todas as noites naquele final de semana... Mas não apareceu nos dois seguintes!
Já no hospital, no dia a dia, mal nos falávamos excerto quando era preciso por conta de algum paciente. Não que estivesse me evitando, mas também não procurava se aproximar... E nas poucas vezes que pareceu tentar, Robyn em uma e Hank em outra, haviam aparecido e atrapalhado a conversa que iniciáramos.
Quanto a mim e Hank, não apenas voltei a vê-lo outras vezes como não repeli sua aproximação.
Voight é um homem experiente e saber que se sentia atraído por mim enchia, não nego, meu ego. E como beijava bem!
—As coisas estão indo rápido demais. Não gosto disso. Não me sinto preparada para me envolver tão seriamente com alguém. Especialmente como ele. Hank é encantador, mas também assustador às vezes. Isso me incomoda – confidencio pra April, abaixando-me para pegar um pacote de gaze que deixo cair e ao fazê-lo tenho a impressão de ver a porta do almoxarifado onde nos encontrávamos ser fechada cuidadosamente.
—Mas vai tentar de novo não vai? – questiona, chamando minha atenção – Quer dizer, sei que desta vez, sei lá porque razão não rolou, mas vai dar uma nova chance a ele, a vocês não vai?
—Honestamente não sei April – respondo, saindo a seu lado, ajudando-a a organizar tudo no armário.
—Por quê? – quer saber.
—Porque comecei a sair com ele por motivos errados! – justico e antes que tenha chance de me questionar algo, sou chamada para um atendimento, um senhor que pulara no lago gelado a fim de salvar um garotinho que se afogava.
Depois de receber as informações dos paramédicos, devido seu quadro, peço a Doris que chame Connor para fazer uma avaliação.
Apesar de o inicio do atendimento ao lado dele ter sido tenso (até porque me vira com Hank), acabamos por relaxar e até brincar depois que o ajudo em um procedimento.
De madrugada, quando as coisas estavam mais calmas, procurei por notícias do paciente e descobri que a cirurgia havia mudado. Curiosa, procurei por Connor, encontrando-o recostado a uma das paredes no terraço, abrigando-se da chuva fina.
Me aproximo devagar, aproveitando sua distração para observá-lo, meu coração dando um salto ao ouvi-lo me chamar por meu alter ego.
Nossa conversa, mais uma vez, estava leve até que me questiona sobre o relacionamento com Hank.
Acabamos por nos desentendermos, ele insinuando que Voigth tinha idade para ser meu pai, eu que ele para ser meu irmão... E foi aí que as coisas fugiram do controle. Em um segundo Connor estava segurando-me firme pelo braço; No seguinte, me prensando contra a parede em um beijo selvagem que me tirou o chão e o ar.
Me pego correspondendo na mesma intensidade, assustando-me a tal ponto que aproveito quando cessa o beijo para ambos respirarmos e o acerto com uma bofetada forte, deixando a nós dois sem ação por um tempo, mergulhados em nossos olhos, raiva, surpresa e desejo juntos em ambos olhares.
Me recupero antes que e lhe dou as costa, saindo rápido, correndo assim que saio de seu raio de visão, me refugiando em um dos banheiros femininos a fim de recuperar-me, sentindo os lábios doerem devido a força que usara.
Depois desse incidente, evitei-o pelo restante do plantão, conseguindo ser liberada cinco minutos antes do final do turno.
Em casa, me permito chorar de raiva e frustração. Se havia alguma dúvida em minha mente, aquele beijo, mesmo bruto, botara todas por terra: Eu estava apaixonada por Connor..
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—Sarah!? – a voz rouca e já familiar de Hank me traz de volta a realidade fazendo-me abrir os olhos – Como está? – pergunta, beijando minha testa.
—Bem – respondo simplesmente, sentindo um nó na garganta.
Desde a quarta não nos falávamos. Depois que Kim tomara meu depoimento, apenas minhas amigas e o pessoal do hospital haviam permanecido ao meu lado. Sabia, através de Natalie, que Hank e sua equipe estavam em campo colhendo provas, analisando a cena do crime.
—Desculpe não ter vindo antes. Estávamos coletando provas para o julgamento – justifica e sinto meu estomago revirar.
—Connor vai ser julgado? – a simples ideia de que o prejudicaria me fazia passar mal.
—Não. Agora ele passou a ser testemunha – diz, sorrindo com o canto da boca – E herói! – brinca, fazendo-me rir minimamente.
—Hank, ele está...bem? – pergunto com cuidado.
—Alguns hematomas, aranhões, um olho roxo, meio desorientado, mas creio que isto se deva as drogas que ainda circulam em seu sangue – revela – Deixei-o em seu apartamento em companhia da irmã e do doutor Halstead... O que foi fazer naquela boate Sarah? – pergunta após alguns minutos.
—Trabalhei lá por um tempo, servindo mesas – minto, em parte, repetindo a história que contara a Kim – Me ligaram avisando que havia um saldo a receber. Como estava cansada por conta do turno duplo, deixei para ir a noite. Acabei me distraindo, conversando com o pessoal e quando dei por mim já era tarde – puxo o ar, contendo as lagrimas – Ela me chamou para irmos juntas Hank. E eu não fui! Deixei-a ir com aquele monstro!
—Quer, por favor, dizer a ela que se tivesse ido seriam duas a estarem no necrotério agora?! – Leslie ralha, aproximando-se – Sarah, não tinha como adivinhar. Eles estavam, pelo que disse, namorando. Não quis atrapalhar os dois.
—Mas devia ter entendido a mensagem Les! Ela queria que eu fosse junto! – insisto, enxugando meu rosto.
—Shay está certa – Hank afirma, segurando minha mão – Se tivesse ido com ela estaria morta também – beija-a, me olhando com carinho – Quem era o outro homem? Saberia dizer? –pergunta, e aceno negativamente, vendo-o contrair os lábios.
—Doutor Rhodes não disse se o conhecia? – Les quer saber.
—Não. Ele não se lembra de muita coisa ainda... E algumas com certeza vai querer esquecer! – frisa.
—Tipo? – Les insiste.
Antes de responder, Hank olha de mim para ela, como se decidisse se deveria ou não nos contar.
—Como sabe Shay, havia sêmen e pele do Rhodes sob as unhas e o corpo de Isabela – informa, me surpreendendo.
—Sêmen? Mas ele não... –indago, calando-me, confusa. Não era possível que estivesse enganada!
—Antes que pense que seu herói é um vilão – Hank começa dizer – Saiba que isto nos perturbou também... Até encontrarmos o vídeo.
—Que vídeo? – perguntamos juntas.
—A casa que dá com os fundos para o terreno, atrás da qual Rhodes havia estacionado, tem uma câmera de segurança – revela – As imagens não são lá essas coisas, Mouse vai tentar melhoraras ao máximo principalmente para vermos o rosto do outro agressor, mas já deu para esclarecer alguns pontos, este em especial – faz uma pausa, tempo que Sylvie retorna com duas xícaras de café – Foi este segundo homem que drogou o doutor Rhodes e junto com o assassino armou para incriminá-lo – completa.
—Por que? – Les questiona.
—Acredito que para proteger o verdadeiro assassino, que por sinal já está preso – avisa.
—Que ótima notícia! – Sylvie comemora, mordendo o lábio – Pelo menos o assassino vai pagar…Acha que o outro cara pode vir atrás de Sarah ou de Connor? – dá voz a minha dúvida.
—Infelizmente esse risco existe, muito embora acredito que a parte inconstante da dupla está presa – diz, fazendo-nos franzir o cenho, confusas – O assassino, Cesar, que era segurança da boate, como deve saber – me olha e anuo com um aceno – Era o que chamamos de elo fraco. Ele foi preso tão rápido porque não soube esperar – faz uma pausa, segurando minha mão – Tentou matar Rhodes na cela – revela, assustando-me – Ele está bem, como disse quando cheguei. Rhodes o reconheceu de imediato e mesmo que não o tivesse feito, o simples fato de tentar mata-lo já seria suficiente para prendê-lo.
—Uma ameaça a menos – é Les quem comemora – E quanto ao outro? Vão esperar ele agir?
—Não. Vamos tentar identifica-lo através do vídeo já que tanto Rhodes quanto você não lembram dele – afirma, me olhando fixamente – Vou destacar viaturas para vigiar o hospital bem como o apartamento dos dois – avisa, fazendo trocar um olhar rápido com minhas amigas.
—Mas que significa isso? – a voz de Maggie chama nossa atenção – Deveria estar descansando senhorita – ralha – Vocês, só ficaram porque prometeram não atrapalhar! Você – aponta para Hank – Fora! Agora! – ordena.
—Acho melhor obedecer ou terei problemas! – Hank brinca, sorrindo minimamente.
—Pode ter certeza disso! – exclama Maggie, fazendo sinal para que saísse.
—Descanse. Amanhã passo para vê-la – diz, beijando minha testa, saindo acompanhado por Maggie depois que ela recomenda (ordena na verdade) que Leslie e Sylvie descansassem e me deixassem fazer o mesmo.
—Você vai ter que passar um tempo longe mesmo – Sylvie pondera assim que sai – Se é que pretende voltar.
—Preciso voltar. Ainda não posso me dar ao luxo de parar de dançar por enquanto – afirmo.
—Além do mais o que aconteceu não teve nada a ver com o fato dela dançar – Leslie acrescenta – Cesar tinha fixação na Egle não é de hoje. Todos já tinham notado. O que ninguém pensou é que chegaria aonde chegou.
— Verdade – concordo.
—Não lembra quem era o outro homem? Se era algum outro segurança, barman, garçom? – Les pergunta-me.
—Honestamente não. Sei que seu rosto não me é estranho mas não sei de onde – digo, mordendo meu lábio – Cesar tentou matar Connor!
—Como podia ter tentado te matar também – Sylvie pondera – Não sinta-se culpada por isso Sarah. Da mesma forma que foi em seu socorro, Connor teria feito o mesmo se tivesse saído antes de você e visto-o atacando Isa, sabe disso. E até onde sei, se esse outro sujeito não tivesse aparecido, vocês dois teriam ficado bem visto que ele já tinha derrubado o Cesar – relembra.
—Eu sei mas não consigo não me sentir culpada! – exclamo – Ele foi até lá pra me ver. Ficou até fechar pra tentar falar comigo! Se não o tivesse instigado e depois evitado nada disso teria acontecido!
—Isso você não pode afirmar – Leslie diz, completando – Escute Sarah, não adianta ficar fazendo conjecturas. Connor foi até a boate, se interessou por você, voltou e certamente voltara quantas vezes for preciso para te conquistar...Isso se já não conquistou! – exclama, prosseguindo sem me dar chance falar – E desencana dessa história de separa Dione de você. Você é Dione! Ele se apaixonou por você como um todo. Só te viu separadamente. Mas se tivesse interessado apenas na dançarina mascarada, como disse, por que sentiria ciúmes de você? – questiona – Na minha opinião ele deve estar a um passo de matar essa charada. Se é que, bem lá no fundo, já não tenha matado!
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"...I loved you dangerously; More than the air that I breathe;
Knew we would crash at the speed thatwe were going;
Didn't care if the explosion ruined me babay;
I loved you dangerously...mmm,mmmm;
I loved you dangerously..."
Connor
Sentado na beirada de minha cama, olho através da janela a madrugada avançar.
Minha cabeça está pesada, meus olhos e garganta ardem terrivelmente, meu corpo inteiro dói, sinto um misto de fraqueza e adrenalina correndo por meu sangue me deixando em um estado entre torpor e alerta.
—Connor, precisa tomar um banho e trocar essa roupa – a voz de minha irmã surge, distante – Connor, está me ouvindo? – pergunta, agachando-se a minha frente, as mãos apoiadas em minhas pernas.
—Tomar um banho – repito mecanicamente, levantando-me.
—Te ajudo – prontifica-se mas recuso, abrindo a mão espalmada para ela.
—Eu me viro – digo, abrindo os botões de minha camisa enquanto entro no banheiro.
—Claire, arranje uma sacola por favor. Precisamos pôr as roupas dele dentro, lacra-la e entregar a polícia para serem periciadas – escuto Will dizer.
—Ok. Vou procurar uma na cozinha. Aproveito para ver se tem algo para ele comer – escuto minha irmã dizer pouco antes de fechar a porta do banheiro.
Termino de me despir lentamente, cada movimento parecendo durar uma eternidade. Jogo-as sobre a tampa do bidê, entro no box, abro o chuveiro e deixo a água levar embora parte de tudo que havia acontecido, esvaziando minha mente.
Durante um bom tempo permaneço na mesma posição, as mãos apoiadas na parede, minha cabeça baixa, o jato forte batendo em meus ombros, até que sinto um gosto amargo em minha boca seguido por uma contração forte que me faz curva o corpo, vomitando logo em seguida.
Sento no chão depois que a água leva a sujeira embora, sentindo a dor na cabeça aumentar, me deixando tonto.
Com dificuldade me ergo, desligo o chuveiro, enrolo uma toalha a cintura e tento sair, quase tropeçando.
—Will! – chamo, ouvindo a porta ser aberta quase que imediatamente – Me ajude! – peço, sendo prontamente atendido.
Com seu apoio caminho até minha cama, desabando literalmente sobre ela, ouvindo-o cada vez mais distante... Até finalmente não ouvir mais nada.
Vinte e quatro horas depois (segunda, 06:10 a.m)
Abro meus olhos mirando o teto branco, demorando alguns minutos para entender onde me encontrava.
Suspiro, virando meu rosto de lado, encontrando Will dormindo sobre duas cadeiras enquanto Jay ocupava uma terceira, a cabeça apoiada nas mãos, as mesmas sobre os joelhos.
—Connor? – uma voz feminina chama, despertando os irmãos – Hey, como está se sentindo?
—Como se um caminhão cegonha carregado de carros tivesse passado por cima de mim! – exclamo.
—Que bom! – Will exclama, já de pé a meu lado, segurando meu pulso.
—Bom?? Sério?
—Por um tempo pensamos que poderia ter entrado em coma ou algo assim – revela, mantendo uma postura séria.
—O que houve? – quero saber.
—Você apagou pouco depois de sair do banho – informa-me – Seu pulso estava fraco. Lembrei que não havia se alimentado nas ultimas doze horas e que só havia ingerido bebidas alcoólicas, o que certamente potencializou o efeito do Rohypinol em seu organismo – relembra – Liguei para Nat pedindo-lhe que trouxesse soro glicosado além de algum antagonista para a droga.
—Quanto tempo estive apagado? – quero saber, sentindo e ouvindo minha barriga reclamar.
—Um dia inteiro – informa, sorrindo de minha cara de espanto.
—Seu corpo estava exaurido por todo esforço e tensão – Natalie diz, pondo uma bandeja com sucos, frutas e pães sobre meu colchão – Sua irmã mandou entregar agora a pouco visto que sua dispensa está praticamente vazia.
—Não fiz as compras do mês – suspiro, sentando-me apoiado na cabeceira, fechando os olhos ao sentir uma leve tontura.
—Coma devagar e preferencialmente frutas – recomenda como quem fala com uma criança – Vou indo. Ainda tenho que pegar Owen na Helen. Fique bem Connor – despede-se com um sorriso.
—Nat, obrigado – agradeço antes que saia.
—Também vou indo. Quero ver com Hank a questão das patrulhas – Jay levanta-se, espreguiçando-se – Até mais Connor.
—Até Jay...E obrigado – agradeço, recebendo um aceno afirmativo em resposta – Parece que ficamos só nós amor! – brinco, conseguindo fazer meu amigo sorrir.
—Parece – diz, voltando a ficar sério –Nos deu um susto sabia? Um não, dois! Três.... Na verdade perdi a conta! – exagera, trazendo a cadeira para mais perto – O que foi fazer no clube aquela noite Connor? Pensei que havia dito que desistiria de saber sobre a tal mascarada já que pretendia conquistar Sarah. Por que mudou de ideia?
—Não mudei – asseguro, limpando minhas mãos antes de explicar-lhe – Beijei Sarah na quinta, algumas horas antes de terminar nosso turno – revelo- Por impulso, meio que a força mas beijei. E ela correspondeu Will! – vibro.
—Espera, agora que não estou entendendo mais nada! – exclama, sacudindo as mãos – Você a beijou a força, ela correspondeu e mesmo assim foi atrás da mascarada!? Quer as duas por acaso? – questiona.
—Não...Mas vou ter! – afirmo.
—Connor, acho que alguma coisa deixou de funcionar ai dentro – diz, tocando minha testa com o indicador – Se for atrás da mascarada, Sarah não vai querer nada com você e vice versa...Acho!... Como pode dizer que vai ter as duas?
—Porque vou ter! – reafirmo, não dando tempo a ele de contestar – Sarah É Dione!.....
Continua..

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