Notas iniciais
Olá flores! de volta para atualizar (finalmente!) uma das duas que ainda estava em atraso. Agora só falta Survivors ser atualizada!!! O foco deste capitulo serão Sarah e Connor mas no final teremos novidades. Um pequeno alerta: estamos entrando na reta final! Sim, reta final. Quando comecei a escrever Hidden sabia que teria prazo certo para acabar. Mas não fiquem tristes, ainda faltam uns bons capítulos até o desfecho dessa trama que está apenas começando a desenrolar. Sem mais demora vamos ao que interessa. Grata por todas as rewiews passadas.... More rewiews, pleaseee...Boa leitura...Bjinhos flores. P.S: musica das antigas!! P.S 2: amanhã tem a super campeã de acompanhamentos e favoritos Perfect!

“Looking in yours I see a Paradise;

This world that I’ve found is too good to be true;

Standing here beside you want so much to give you;

This love in my heart that I’m feeling for you...”

Nothing’s Gonna Stop Us Now

Starship

Apartamento Connor (sábado, 1/4 – 09:30 a.m)

Sarah

Recostada na cabeceira da confortável (e imensa!) cama de casal de Connor (“Gosto de me espalhar”, fora a justificativa que dera quando o questionei), tendo-o deitado parcialmente sobre meu corpo, a cabeça repousando sobre meu abdômen, as mãos em meu quadril, afago seu cabelo enquanto o observo. Estava tão cansado que mal terminamos de nos amar adormecera profundamente.

Sua residência ao lado de doutor Downey o estava levando muito perto do limite, beirando a exaustão. Sei que o tempo que dispunha para passar um pouco do que sabia a Connor (algumas coisas só mesmo a experiência iria lhe proporcionar) era relativamente curto, mas se ainda quisesse ter um pupilo a quem ensinar teria que pegar mais leve e estava prestes a dizer-lhe isto.

Connor se mexe aconchegando-se mais a mim, as mãos envolvendo minha cintura possessivamente enquanto continua a dormir.

Sorrio minimamente deslizando minhas mãos por seus ombros, descendo, acompanhando a base de sua coluna, subindo novamente até enroscar meus dedos na cabeleira negra, “penteando-a”, pensativa.

Não fazia a menor ideia aonde esse sentimento nos levaria, mas uma coisa era certa: já não conseguia imaginar minha vida sem a presença de Connor. Minhas noites jamais seriam as mesmas sem seus beijos, suas caricias, meus dias não teriam mais o mesmo brilho sem seu sorriso, minhas manhãs não seriam tão luminosas quanto são agora. Ele foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida nos últimos tempos e gosto de pensar que posso ser o mesmo para ele mesmo com todos os problemas e confusões que marcaram o início de nosso relacionamento.

Por um segundo me deixo levar por meus pensamentos permitindo minha mente visualizar um futuro ao seu lado, dormindo e acordando juntos todos os dias, nos amando sempre que quiséssemos, sem medos ou restrições, lhe dando filhos... Filhos!?!? A meu Deus eu realmente pensei nisto??, questiono-me mentalmente, espantando-me o quão natural a possibilidade de ser mãe passara a ser para mim, que até então nunca sequer havia pensado, quanto mais cogitado que isto poderia acontecer comigo.

Certo que ainda não havíamos conversado sobre isto, mas tinha quase certeza de que Connor queria filhos (no plural mesmo). Certamente não agora, mas em um futuro não muito distante, depois que nós dois tivéssemos nossas carreiras estabilizadas e, evidente, quando toda esta loucura que minha vida se transformara acabasse. Nossas vidas na verdade.

Ergo os braços quando ele se move mais uma vez mudando de posição, ficando de lado, me liberando. Aproveito para levantar cuidadosamente, cobrindo-o com igual cuidado para não o acordar.

Visto uma de suas camisas que estava sobre a cadeira, observando-o enquanto a abotoo. Admito: às vezes sinto vontade de me beliscar para ver se não estava sonhando. Como era possível um homem como ele se interessar, se apaixonar por alguém como eu? O que ele viu em mim? Ou seria, como diria minha mãe, o que consegui despertar nele?

—Seja lá o que for, espero que dure anos! – respondo minhas próprias indagações enquanto dobro as mangas da camisa até os cotovelos, saindo do quarto após terminar de fazê-lo.

Sigo direto para a cozinha obedecendo meu estomago que começara a reclamar. Abro alguns armários a fim de ver o que tinha lá dentro.

Connor gostava de cozinhar e por isso além de bem equipada, sua cozinha e dispensa estavam sempre abastecidas, portanto só precisava decidir o que preparar para nós.

Apesar de não ser uma cozinheira de mão cheia, como se diz por aí, sei me virar muito bem (sem falsa modéstia).

Devido à vida corrida que ambos levamos refeições completas e adequadas que nos proporcionem não apenas os nutrientes que precisamos, mas que também nos dê prazer são raras, geralmente limitadas aos finais de semana que não estamos dando plantão. No meu caso ainda estava condicionada a não ter apresentação na boate.

Durante alguns minutos examino o interior dos armários decidindo o que fazer. Resistindo a tentação das massas pré-cozidas, opto por preparar um arroz de forno simples, macarrão com molho de tomate e uma das poucas coisas que sei fazer muitíssimo bem na cozinha: rocambole de frango. Para entrada decido fazer uma salada de alface, tomate e cebola.

Separo tudo que precisaria, organizo sobre a bancada da pia, ponho as panelas com água no fogo, lavo o arroz, o ponho para escorrer, faço o mesmo com as verduras que usaria na salada, me dedicando a picar, fatiar e ralhar os demais ingredientes.

Abro a geladeira à procura do queijo que me esquecera de pegar e não resisto me servir uma taça de vinho, que degusto devagar enquanto continuo preparando nosso almoço (e muito provavelmente o jantar que Connor não tivera noite passada). Pensando nisso, penso em uma sobremesa optando desta vez por algo pronto: sorvete.

Noto que ele tem alguns sabores bem diferentes. Escolho o que me pareceu mais, simples e saboroso: Tiramisu.

Pego meu celular procuro um aplicativo de músicas, ponho-o para tocar dançando no ritmo das baladas antigas enquanto cozinho, cantarolando uma ou outra quando reconheço a letra, indo de um lado para o outro na cozinha ampla do apartamento de Connor.

Tinha acabado de por o arroz no forno para finalizar o prato e me dedicava ao preparo da salada enquanto esperava o molho do macarrão ficar pronto quando sinto o cheiro gostoso da colônia pós barba de Connor ao mesmo tempo em que seus braços envolvem minha cintura.

—Se disser que estou me sentindo o próprio Christian Grey vou te assustar? – pergunta em meu ouvido, mordiscando a pele sensível próxima a orelha, e me arrepio inteira.

—Se disser que tem um quarto de brinquedos igual ao dele pode ser que me surpreenda – digo, girando para ficar de frente para ele – Mas com certeza não me poria medo – declaro, envolvendo seu pescoço, roubando um beijo demorado – Humm, menta! Adoro! – exclamo, mordendo seu queixo.

—Hum, então quer dizer que se tivesse um quarto para...brincadeiras, me acompanharia se te convidasse? – pergunta, suas mãos descendo até minha bunda, apertando-a, me trazendo para perto e sinto sua excitação.

—Dependendo da brincadeira, quem sabe – insinuo, erguendo uma perna, roçando nas dele enquanto mordo meu lábio de forma provocativa.

—A brincadeira que quisesse e gostasse. Não faria nada contra sua vontade ou que machucasse de alguma forma – assegura, inclinando a cabeça, sua boca deslizando por meu pescoço ora lambendo, ora mordiscando a pele até alcançar o decote da camisa, detendo-se ali.

Em resposta minhas mãos passeiam por suas costas descendo devagar, insinuando-se para dentro do short que usava imitando seu gesto, escutando-o gemer quando minhas unhas se cravam em sua carne, nosso pequeno joguinho sendo interrompido pelo cheiro de algo queimando.

—Que cheiro é esse? – escuto-o perguntar junto a minha pele.

—Ai, droga! – bufo, afastando-o tão bruscamente que quase o derrubo, indo até o fogão, olhando a panela, desolada – Mesmo que desse para aproveitar ia ficar com gosto estranho – lamento, sentindo seus braços me envolverem mais uma vez – A culpa é toda sua Connor. Me distraiu e estragou nosso almoço. Parte dele pelo menos – acuso, escutando-o rir.

—Refaço para você – promete – Eu te distraio? E quanto a você? – pergunta, as mãos saindo de minha cintura, passeando por meu corpo – Essa camisa nunca ficou tão sexy em mim! – elogia, tocando minha intimidade.

—Connor, se não parar agora vou pôr a perder o almoço que estou preparando para nós – reclamo, me esforçando para manter o autocontrole – Precisamos repor nossas forças meu amor – apelo, sentindo meu corpo fraquejar a medida que intensifica suas caricias – Connor!!

—Ok, ok, vou me comportar – rende-se, se afastando – Em que posso te ajudar? – pergunta, lavando as mãos na pia.

—Molho – peço, mostrando-lhe a panela queimada e sorri.

—Ok, molho então – concorda, abrindo a geladeira em busca do que precisava – Quer mais vinho? – pergunta, pegando a garrafa.

—Por favor – digo, pondo minha taça junto dele, abrindo o armário para pegar outra.

—Não precisa, dividimos esta – diz, enchendo-a um pouco mais, tomando o primeiro gole.

Retomo o preparo de nossa refeição dividindo a tarefa com Connor. Enquanto ele se dedica ao molho, preparo o rocambole voltando a dançar acompanhando as melodias, ganhando a companhia dele.

—Vou tomar um banho. Se quiser começar sem mim fique a vontade – aviso assim que terminamos de preparar tudo.

—Não, não, vou te esperar – diz.

—Não demoro – prometo, lhe dando um selinho antes de sair correndo de volta ao quarto, indo direto para o banheiro.

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“....Ooh, all that I need is you;

All that I ever need;

And all that I want to do;

Is hold you forever, ever and ever...”

Connor

Observo Sarah correr até nosso quarto sorrido feito um bobo.

Jamais pensei me sentir com alguém da forma que me sinto com ela.

Normalmente, em minhas relações anteriores, quando as coisas começavam a indicar que a garota com quem estava envolvido queria algo mais sério, mais definitivo, dava um jeito de me afastar ou de fazer com que se afastasse.

Com ela ocorrera justamente o contrário. Quanto mais tempo passávamos juntos, mais queria estar a seu lado, ouvi-la rir das observações que faço, mesmo quando não têm graça, sentir seu perfume, seu toque, seus carinhos. Com ela não apenas o sexo era agradável, o pós também era.

—Agradável?? A quem está querendo enganar Connor? O sexo é maravilhoso justamente porque não se trata apenas de sexo. É amor o que fazemos juntos — corrijo-me, tendo um sobressalto ao escutar o toque de meu celular.

Enxugo as mãos no pano de prato e vou até a sala pega-lo, fazendo uma careta de desagrado ao ver a foto de minha irmã na tela.

Desde que voltei ao país tento reconstruir alguns laços. Com minha irmã era um deles. E tudo começara a dar certo.... Até o incidente na boate.

_Bom dia Claire, como está? – pergunto polidamente.

< Poderia estar melhor se meu Único irmão me desse um pouco mais de atenção. Não precisa ser muita não, basta um pouco. Ou fazer coisas simples, tipo atender minhas ligações sempre que puder ou simplesmente retorna-las! > reclama, fazendo-me sentir culpado.

—Desculpe. Ando muito ocupado ultimamente. Ser pupilo de David Downey não é tarefa fácil – justifico-me, separando dois pratos e talheres, pondo-os sobre o balcão da cozinha – Como você está?

< Infeliz! > revela dando um longo e exagerado suspiro, o que por si só me diz que sua afirmação não é verdadeira < Meu namorado me abandona, meu pai me abandona, e quando pensei que finalmente teria meu irmão de volta, você também me abandona > dramatiza.

—Claire não te abandonei. Não faça drama por favor – peço, retendo o suspiro de impaciência que ameaçava escapar de meus lábios a fim de não irritá-la mais – Então, porque está me ligando? Algum motivo especial? – pergunto pedindo intimamente que não tenha nada a ver com o tal namorado ou pior, a filha dele.

< Nenhum além de estar sentindo sua falta. De verdade Connor > reitera, suspirando < Pensei que não iriamos nos afastar novamente, pelo menos foi o que me deu a entender. No entanto, cá estou eu tendo que praticamente correr atrás de você novamente > reclama.

—Me desculpe, não era minha intenção repetir esse erro – peço sincero – Reconheço que tenho te negligenciado, mas em parte é culpa sua – alerto, ela protestando de imediato.

< Minha??? Como assim minha? O que fiz de errado? > quer saber.

—Preciso realmente responder? – devolvo, terminando de arrumar a mesa para meu almoço com Sarah.

< Se está se referindo a minha tentativa de te aproximar da filha de Spencer, só o fiz pensando em seu bem. Ela é uma garota incrível Connor, deveria ao menos lhe dar uma chance, saírem algumas vezes antes de virar-lhe as costas > argumenta.

—Se fosse em outro momento, alguns meses atrás quem sabe, poderia até pensar em atender seu pedido – afirmo, sentando sobre o braço do sofá, ligando o aparelho de som – Mas sabe muito bem que meu coração já tem dona.

< A médica que foi responsável por quase ter sido morto, é ela? > pergunta não esperando minha resposta < Honestamente Connor, acha que essa relação tem futuro? Vocês me aparecem tão diferentes. Sabe que não sou preconceituosa, mas também não acredito naquele ditado que os opostos se atraem > discursa.

—Vou repetir para você o que acaba de me dizer: não a julgue antes de conhecê-la – digo – Sarah é mais do que aparenta. Ela é sensível, inteligente, companheira, e ao contrário do que pensa temos muita coisa em comum – asseguro, pondo meu palylist para tocar suavemente.

< Sei. Na horizontal especialmente! > solta, me irritando.

—Claire, se ligou para criticar minha relação vamos brigar pra valer – ameaço – Se você quer realmente evitar que voltemos a nos afastar, por favor respeite meinha decisão e acima de tudo respeite Sarah. O que disse foi de muito mal gosto.

< Me desculpa Connor, não quis ser grosseira ou desrespeitosa. É que toda essa situação com James trabalhando em sei lá o quê e você cada dia mais envolvido com Sarah mesmo depois de tudo pelo que ela te fez passar, ainda por cima papai todo estranho estou me sentindo sozinha, isolada > reclama, chorosa.

—O que há com nosso pai? – pergunto, voltando a cozinha, servindo-me mais uma taça de vinho.

< Não sei exatamente. Tentei fazê-lo falar mas ele se fechou em copas > diz, suspirando < Ficou estranho depois que foi chamado para depor naquele distrito onde você ficou preso por aquele policial, como é mesmo o nome dele??>

—Voight? – pergunto, surpreso.

< Isso, esse mesmo > confirma.

—Hank Voight chamou nosso pai para depor? Por qual motivo? – questiono, franzindo o cenho desconfiado.

< Não faço a mínima ideia. Como disse ele se fechou, não me falou nada por mais que insistisse > reafirma < Tudo que sei é que ficou bastante abalado. Sequer foi a Dolan após o depoimento e no dia seguinte > revela, me deixando preocupado pois nunca em toda minha vida o tinha visto perder um dia de trabalho na Dolan.

—Claire, por que não almoçamos juntos amanhã? – convido – Você, eu e Sarah. Assim aproveita para conhecê-la um pouco melhor. O que me diz? -pergunto, ela respondendo após alguns minutos.

< Aceito. Aonde vamos? > pergunta.

—No restaurante de um amigo meu. Te mando a localização mais tarde e Claire, desarme-se por favor – peço – O que aconteceu não foi culpa dela em hipótese alguma. O contrário. Ela tentou me afastar, fazer-me desistir dela. Sem falsa modéstia, se hoje estamos juntos isto se deve a minha persistência – asseguro e a escuto rir.

< Acredito nisso > diz < Me mande a localização e nos encontramos lá. Fique tranquilo, não vou chegar com nenhuma ideia pré-formada >

—Assim espero Claire, assim espero. Daqui a pouco te mando a localização – aviso, erguendo meus olhos ao ver Sarah entrar.

< Vou ficar aguardando. Beijos > despede-se.

—Até amanhã Claire – despeço-me, desligando enquanto acompanho Sarah com o olhar – Claire mandou lembranças – minto, ela rindo divertida.

—Lembranças recomendações para que você me mandasse embora? – pergunta direta, inclinando para me dar um selinho – Contou que estamos morando juntos? – quer saber, enroscando os dedos em meu cabelo.

—Na verdade ainda não contei-lhe – admito, envolvendo sua cintura – Farei isto amanhã enquanto almoçamos com ela – aviso, ela sobressaltando-se.

—Almoçarmos? Nós três? – pergunta e confirmo – Connor, não sei se é uma boa ideia. Sua irmã me culpa pelo que aconteceu e me detesta certamente – relembra, entristecendo – Em parte está certa.

—Não está não e sabe disso – rebato, levantando – Nada do que aconteceu foi culpa sua, minha ou de Isabela. Fomos, os três, vítimas daquele maluco e Claire terá que aceitar isso se quiser continuar a fazer parte de minha vida – afirmo.

—Não quero que rompa relações com ninguém de sua família por minha causa. Só faria com que me sentisse mais culpada além de uma intrusa em sua vida – pede, mordendo o lábio inferior.

—Meu amor, minha relação com meu pai e irmã é complicada desde sempre – lembro – Não seja convencida a ponto de pensar que é responsável por algo do gênero – brinco fazendo-a rir – Que tal almoçarmos? Estou varado de fome! – exagero, Sarah rindo mais.

—Vamos sim. Também estou com muita fome – admite, segurando minha mão.

Nos servirmos optando por comermos na varanda onde o clima ameno era um convite irrecusável para um “almoço fora”.

Durante a refeição conversamos sobre amenidades entrando depois no assunto boate, Sarah me contando como fora a estreia de Burguess e Upton, as duas policiais designadas por Hank Voight para trabalharem infiltradas. Quando terminamos, sirvo sorvete para nós dois sentando sobre o tapete da sala enquanto assistimos televisão.

Como dissera a Claire, aos poucos tenho descoberto que Sarah e eu temos algumas coisas em comum: ambos temos um gosto bem eclético quando se trata de música; temos o mesmo sabor de sorvete como favorito, creme com passas (com algumas variações ocasionais, como a de hoje por exemplo), amamos uma boa comedia seja ela rasgada ou romântica, gostamos de lê (suspense em especial), sem contar algumas coincidências relacionadas a vida pessoal: assim como meu pai, a mãe dela também duvidava de sua capacidade profissional chegando mesmo a rir quando lhe contara que pretendia fazer faculdade de Medicina. E evidente, como minha irmã grosseiramente lembrara, nos damos bem na cama. Muito bem.

—O que quer fazer a tarde? – pergunto enquanto limpamos e arrumamos a cozinha.

—Não sei. Honestamente pensei em ficarmos aqui, lendo, conversando....Namorando um pouco! – sugere, apoiando as mãos sobre o balcão, inclinando-se para frente a fim de me beijar.

—Programa mais do que aprovado – concordo, aceitando o beijo – Quer ver algum filme em especial?

—Uhum, uhum, nenhum. Pensou em algum? – pergunta, me seguindo de volta a sala.

—Não – admito, sentando no sofá – Vamos dar uma zapeada e ver o que encontramos – sugiro, fazendo-o assim que toma seu lugar a meu lado.

Acabamos optando por assistir um jogo de football da pré-temporada que estava sendo mostrado. Me divirto explicando-lhe as regras básicas na tentativa de fazê-la entender melhor.

Entre risos e reclamações (dela quando tiro saro de sua cara por não estar assimilando tão facilmente as regras do jogo), a tarde passa e quando menos esperamos já é noite.

Optamos por jantar em um dos restaurantes próximos ao qual poderíamos ir a pé, o que fazemos, caminhando abraçados tanto na ida quanto na volta.

Em casa, tomamos um banho demorado, fazendo amor durante e depois de termina-lo, adormecendo algum tempo depois lado a lado, sua cabeça descansando em meu peito.

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Hambold Park ( Domingo, 2/4 – 06: 30 a.m)

Narrador

Recostado em seu carro, Hank Voight aguarda a chegada do homem que ligara para ele ao final do dia anterior.

Não entendia o motivo de uma reunião tão cedo em pleno domingo ainda mais em um local como Hambold Park. Por segurança tomara suas precauções: deixara um aviso na forma de recado de voz para Alvin em sua caixa de mensagens comunicando para onde estava indo e por que além de estar com um minigravador que pegara com Greg antes do final do turno.

Estava curioso, não havia como negar, em saber o que o tal agente do FBI (para alguns ex) queria com ele. Qual seria a informação tão importante e secreta que tinha para me dar. Tão secreta que não poderia esperar até segunda-feira nem ser dita dentro do distrito.

Seus pensamentos são interrompidos pela chegada do carro escuro com vidros fumê, modelo tão característico usado pelos agentes da agência federal, que estaciona próximo ao seu, os dois ocupantes saltando após alguns minutos.

—O que significa isto? – questiona, surpreso, olhando de uma para outro.

—Abaixe as armas sargento, estamos em missão de paz – garante o homem loiro e alto usando terno preto (outra característica dos agentes), aproximando-se – Não sei se me conhece...

—Agente especial James Spencer – interrompe-o – Sei muito bem quem é. Só não entendo porque pediu essa reunião em plena manhã de domingo, neste local e ainda por cima com a presença dele – indica o outro homem com um gesto de cabeça.

—Como meu colega disse, abaixe as armas sargento, estamos do mesmo lado – revela deixando-o mais surpreso.

—Colega?? – interroga Voight, rindo com o canto da boca – Essa é nova para mim, o homem fazendo o mesmo.

—Imagino que seja – comenta.

—Ele é um dos motivos para ter-lhe pedido essa reunião sargento Voight – James Spencer começa dizer – O outro, ou melhor, outras são suas duas detetives trabalhando infiltradas na Fifty – revela.

—Como é? Não sei do que estão falando– Hank pergunta fingindo não saber do que falavam.

—Estamos falando das duas garotas recentemente contratadas para trabalharem na boate, a loira e a morena – especifica – Elas são boas, não se preocupe. Apenas eu sei quem são e não pretendo entrega-las. Mas alerto: se ameaçarem minha posição de alguma forma seremos obrigados a afasta-las.

—Isso é uma ameaça? – questiona o policial encarando-o.

—Entenda como quiser. Não vou permitir que duas novatas ponham todo o trabalho que tive nos últimos anos a perder. Já basta os dois imbecis na Espanha que quase estragam tudo – rebate.

—Há quanto tempo está trabalhando disfarçado? – Voight pergunta após um breve silencio.

—Cinco anos – revela o homem – Não foi um trabalho fácil ganhar a confiança dos sócios. Tive que me submeter e suportar coisas terríveis entre elas ver alguns agentes serem feridos gravemente, outros serem mortos além de informantes preciosos, como Nichole Biasini.

—Biasini era informante do FBI? – questiona, ambos confirmando com acenos – Então sabem quem a matou e porquê.

—O porque sim, o quem não temos prova – diz Spencer – Por isso é importante que seus detetives não atrapalhem sargento. Precisamos ter provas concretas para desmontar todo esquema por detrás da boate – avisa.

—Tráfico humano? – questiona fazendo os dois homens rirem.

—Disse que ele somaria dois mais dois não disse? – Spencer elogia.

—Suspeitamos depois que soubemos da rotatividade exagerada em algumas épocas do ano de algumas garotas – explica o policial – Biasini descobriu o esquema não foi? Por isso foi morta.

—Por isso também, mas porque ameaçou pessoas perigosas – Spencer confirma – Biasini me procurou cerca de um ano atrás alertando para o que acontecia nos bastidores dos bastidores, como ela dizia, da boate.

—Erico?? – quer saber.

—Ele não faz a mínima ideia do que se passa. Só sabe o que é permitido a ele saber, muito embora após a morte de Isabela esteja ficando indócil – o agente disfarçado comenta.

—Não conseguiu impedir que fosse morta? – interroga.

—Estávamos nos preparando para retirá-la quando simplesmente desapareceu. Infelizmente não houve tempo hábil para retirá-la em segurança – Spencer lamenta-se.

—Este é outro motivo de preocupação com seu pessoal. Não posso garantir que consiga protegê-las – avisa o homem.

—Elas sabem dos riscos e tenho motivos para mantê-las além da investigação sobre as mortes – afirma o policial.

—A namorada de Rhodes e as amigas – Spencer supõe – Também me preocupo com elas e com ele. Se o considerarem uma ameaça estará correndo risco de morte – alerta.

—Também sabemos disso. Todos foram alertados – assegura – A namorada de Rhodes está prestes a sair. As outras sairão algum tempo depois para não chamar muita atenção.

—Talvez seja melhor assim – pondera o agente disfarçado, massageando o queixo.

—Acho que podemos trabalhar juntos visto que temos o mesmo objetivo: pegar os assassinos – Hank sugere.

—Desde que não me atrapalhem – reitera o homem – Pensando bem, a presença de seu pessoal pode vir a calhar. Podemos aumentar um pouco a pressão e obriga-los a cometer um erro – pondera.

—Podemos – Spencer anui dando atenção a seu celular – Preciso ir. Marcaremos uma nova reunião em...uma semana? – sugere.

—Por mim está bom – Voight anui – Os manterei informados se fizerem o mesmo – avisa.

—Tentaremos sargento – Spencer garante, estendendo a mão – Entro em contato marcando o próximo local de encontro.

—Estarei aguardando – responde o policial, apertando-a – Confesso que estou surpreso – admite, apertando a mão do agente infiltrado.

—Imaginei que ficaria – diz, encarando-o – Darei apoio, dentro do possível, ao seu pessoal, mas é bom que fiquem muito alertas. Estas pessoas não brincam em serviço. Precisam estar atentas a tudo e todos e não se exporem desnecessariamente — recomenda.

—Passarei seu alerta a todos – Hank avisa, abrindo a porta do motorista.

—Mais uma coisa sargento: há mais coisa além do tráfico humano. Armas e drogas são duas delas. Trata-se de algo realmente grande – alerta o agente.

—Quanto maior a altura, maior o tombo! – exclama Voight – Já começaram a cometer erros. Só precisamos ficar atentos – afirma, despedindo-se mais uma vez, os três homens entrando em seus carros, seguindo em direções opostas.

“...And we can build this dream together;

Standing Strong forever;

Nothing’s gonna stop us now;

And if this world runs out of lovers;

We’ll still have eache other;

Nothing’s gonna stop us;

Nothing’s gonna stop us now!”

Notas finais
Bjinhos flores...