Hidden Life!
18 Contagem Regressiva(II)
Notas iniciais
“Mapeei a dedo tuas sardas;
Contornei sem jeito tuas linhas;
Que te entregam e desvendam o melhor de ti..”
Fica
Anavitória
Fifty Shades (quarta-feira, 29/3 – 15:10 a.m)
Narrador
—Um tempo? Aquela delícia de homem te pediu para dividir o mesmo teto, a mesma cama, coisa que já andam fazendo mesmo, com ele e você pediu um tempo? Pra quê? Por quê? – Carmenta questiona, sentada da beira do palco, as pernas apoiadas na mesa a sua frente, encarando Dione, incrédula – Está com febre? Descobriu que tem alguma doença terminal e não quer fazê-lo sofrer, se bem que faria do mesmo jeito!! – dramatiza a morena, fazendo a jovem sentada a sua frente rolar os olhos.
—Sa...Dione – Erato começa dizer, corrigindo-se de imediato – Tem noção de quantas mulheres na cidade de Chicago venderiam um rim, fígado, o que fosse, para ouvir uma proposta dessas da boca de Connor Rhodes? – pergunta – Até eu, alguns anos atrás, me candidataria a ocupar essa vaga sem pestanejar!
—Eu sairia correndo para meu apartamento, jogaria minhas roupas dentro de uma mala, meus artigos de toalete em uma sacola ou nécessaire...E volta em cima do rastro para junto dele – Héspera declara,apoiando os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos, cabeça sobre eles – Qual a dúvida minha rainha? – pergunta, imitando Erico.
—Não se trata de duvida – garante a médica, empertigando o corpo – Se já estamos, como Carmenta acabou de dizer, meio que morando juntos, pra que o convite? E justamente agora, depois que lhe disse que não iria mais ficar até o final do ano – indaga, enrugando a testa.
—Para tirar o Meio e por o Estamos nessa frase – Xanta responde, sentando sobre as pernas dobradas ao lado de Carmenta – Meio morando junto não é o mesmo que Estar morando junto. Estar significa que vai levar sua escova de dente para fazer companhia a dele. Significa estar a um passo do altar, ou juiz de paz, ou pastor, o que quer que seja! – diz, sua atenção sendo chamada por Andrer, que entrava – E ai, como estão as coisas lá dentro? – pergunta fazendo as demais voltarem-se para ele.
—Bem. Mais alguns minutos a acho que terminam – avisa, apoiando as mãos na cadeira onde Erato estava sentada, abaixando o tom de voz – Elas vão conseguir. São muito boas. Fez um trabalho muito bom Carmenta – elogia.
—Obrigada fofo, mas “muito boas” fica por sua conta – agradece – Erico e eu ensinamos o suficiente para serem escolhidas e só! Elas levam jeito mas tem que melhorar...
—Não têm que melhorar nada, ta maluca! – Xanta ralha – Vão ficar no clube apenas até a investigação terminar, esqueceu?
—Pior que esqueci mesmo – anui, batendo na testa com a mão – Acho que me empolguei com essa historia de bancar a professora.
—Não se empolgou apenas em bancar a professora pelo que soubemos! – Héspera insinua, piscando, fazendo a morena corar.
—Falando nisso, seus pais moram em Chicago? – Erato pergunta, completando ante a confirmação – Pensei que não eram locais.
—Não somos. Minha família é de Houston. Eu vim para Chicago depois que meu irmão foi assassinado e assim que consegui juntar dinheiro suficiente, o que aconteceu meados do ano passado, trouxe meus pais para cá – conta – Quanto a ter ficado empolgada com outras coisas, ou melhor, alguém – começa dizer, fazendo charme – Confesso que fiquei sim. Muitíssimo se querem saber! – exclama, sorridente.
—Hank? – Dione chuta, ela confirmando – Não disse que ele não é o bicho papão que pitam.
—Não meu amor, ele é sim...Com quem merece! – Héspera a corrigi, provocando risos.
—Quer dizer que o sargentão anda destruindo corações também é? – Xanta interroga – Uhum, quem diria.
—Destruindo corações também?? – Andrer questiona, abrindo os braços, confuso.
—Além de algumas cabeças, carreiras, cartéis, gangues – enumera a loira.
—Ah ta! – diz o segurança, rindo divertido.
—Pronto, quer um exemplo: se Hank Voight me pedisse para dividir o mesmo teto com ele....
—Você ia sem pestanejar! – dizem Xanta, Erato, Héspera, Dione e Andrer ao mesmo tempo – Já entendemos que se encantou pelo sargento linha dura – Xanta declara, rindo divertida.
—Eita que Erico vai surtar se desconfiar que corre o risco de perder outra dançarina desta vez para o departamento de policia! — brinca o segurança, fazendo-as rir.
—Não terminou sua explicação ainda senhorita. Qual a desculpa para não ter dito um grande e sonoro Sim ao doutor gatão? – Erato retoma.
—Não sei. Medo talvez – assume a médica, suspirando – E se ele começar a notar meus defeitos e não gostar deles? Se ver que não sou o que pensava? Agora é tudo muito bonito, romântico, tem toda essa situação de perigo que, querendo ou não, cria um clima de tensão excitante. E se eu começar a enxergar os defeitos dele e não gostar do que vir? Se descobrir que ele é o que pensei a principio: arrogante, prepotente, esnobe...E se....
—Ele é bom de cama? – Erato a interrompe, completando sem esperar resposta – Porque se for, o resto pode relevar, ajustar, suportar, apesar de que não vão passar todo o tempo transando...
—Tirou as palavras de minha boca! – Xanta exclama, cortando-a.
—Mesmo assim, se for apenas pelo sexo, o que eu duvido muito, ainda assim vale a pena arriscar. Eu arriscaria – garante.
—Isso quer dizer que se eu for aprovado na horizontal tenho chance? – Andrer insinua, acariciando o braço dela com as costas da mão.
—Quem te chamou na conversa pirralho? — devolve, estapeando-o.
—Quem desdenha quer comprar! – insinua o rapaz, desviando de uma nova tapa.
—Independente de tudo que foi dito – Xanta começa dizer, encarando Sarah – É você quem tem que decidir. O conselho que te dou é seguir seu coração, mesmo sabendo que ele certamente já deve estar gritando aceita, aceita! – brinca, provocando risos.
—Terminou – Diana, a novata, anuncia, sentando-se próximo a Erato, todos voltando-se ao escutarem a porta da sala de testes ser aberta dando passagem a Erico seguido por quatro mulheres, entre elas as detetives Burguess e Upton.
—Todos aqui por favor – Erico conclama, batendo palmas – Rápido, rápido que ainda temos um ensaio a fazer – alerta, aguardando as demais dançarinas juntarem-se ao grupo – Muito bem queridas, como já devem ter notado, tivemos algumas baixas nas últimas semanas. Algumas meninas tiveram a gentileza de me avisar que sairiam, outras nem tanto, o fato é que nunca estivemos com o quadro tão reduzido antes – comenta, dirigindo um olhar tenso a Xanta, respirando fundo antes de voltar a falar – Por conta disso, realizamos testes agora a pouco, como sabem, e estas quatro beldades irão se juntar a nós já a partir desta semana – aponta a garotas a suas costas – As apresentações ficam para depois pois quero recuperar o tempo perdido, por assim dizer, portanto vamos começar a ensaiar imediatamente – avisa, elas mexendo-se, subindo no palco – Ah, antes que esqueça – chama atenção para si novamente, segurando a mão de Dione – Dentro de alguns dias minha rainha ninfa nos deixara em definitivo partindo meu coração! – exclama, deitando a cabeça no ombro da médica – Brincadeira rainha. Sei que será muito feliz ao lado de seu amado – diz – Pensando no futuro – continua olhando de Héspera para Xanta – Neste final de semana, excepcionalmente, vocês estarão à frente donúmero de abertura – avisa, apontando para o grupo onde Kim e Haley ficariam – Pelo menos no começo.
—Como assim estar à frente donúmero de abertura? Não entendi – uma jovem ruiva pergunta, franzindo o cenho.
—Vocês vão ser as cortinas para minhas musas – explica o coreografo, bufando ao escutá-las protestarem – Relaxem, vou explicar exatamente o que quero e como faremos. Por enquanto formem um círculo aqui para assistirmos o vídeo da música que escolhi e ver quais passos usaremos – chama, pondo tablete sobre uma cadeira para que todas pudessem visualiza-lo.
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Chicago Med (19:10 p.m)
Connor
Entro na sala dos médicos depois de fechar meu turno, encontrando Will fazendo o mesmo.
—Hei, já está de saída? – pergunta, terminando de vestir seu casaco.
—Estou sim – respondo, guardando meu jaleco e estetoscópio, pegando minha bolsa e casaco.
—Por que a pressa? – pergunta me observando atentamente.
—Ainda vou pegar Sarah no clube e só depois vamos para casa – explico, vestindo meu casaco.
—Quer dizer que ela concordou em morarem juntos? – pergunta, me esperando perto da porta.
—Ainda não ...Quer dizer, mais ou menos. Ela me pediu um tempo para pensar – revelo ao passar por ele.
—Um tempo? Vocês brigaram de novo? – interroga, seguindo-me.
—Nops! Ela me pediu uns dias para pensar, ter certeza de que é isso que quer — -digo, parando ao escutar alguém me chamar.
—Boa noite Connor, Will – Robin nos cumprimenta – Queria confirmar sua presença...e dela, na reunião em meu apartamento próxima sexta-feira.
—Desculpe Robin mas não poderemos comparecer – peço, justificando-me antes que dissesse algo – Agradeço o convite, mas tanto eu quanto Sarah estaremos ocupados.
—Vão estar de plantão? – pergunta, desconfiada.
—Eu estarei, ela não – confirmo.
—E não poderia trocar com alguém? Doutro Halstead, por exemplo – sugere – Pelo menos você iria, se ela não se importar, lógico – completa.
—Não porque estarei com David, não na emergência. E mesmo que não fosse dobrar o turno, estria ocupado ajudando Sarah na mudança – informo.
—Mudança? Sarah vai se mudar? – pergunta, chamando-a pelo nome (finalmente).
—Sim. Vamos morar juntos – minto, em parte, decidindo por fim a suas esperanças, se é que ainda as tinha – Agora, se não se me dá licença, marquei com Sarah no Molly’s e já estou atrasado. Vai querer carona Will? – pergunto, ele acenando afirmativamente – Então vamos indo. Boa noite Robin – despeço-me, seguindo em direção a saída, cumprimentando Maggie e April ao passarmos.
—Por que mentiu para Robin sobre a mudança da Sarah? – Will questiona assim que estamos do lado de fora.
—Não menti, omiti – corrijo-o, jogando minha bolsa no banco de trás, pondo o cinto de segurança – Além do mais, tenho esperança que até o final de semana ela já tenha tomado sua decisão – confidencio, dando partida no veículo.
Deixo Will em frente ao prédio onde mora e sigo para a esquina uma quadra depois da boate.
Conforme prometera a Sarah, não iria até lá nem mesmo para buscá-la após os ensaios ou apresentações. Ela por sua vez me prometera não sair desacompanhada em hipótese alguma, o que cumpre chegando ao meu encontro em companhia de Andrer, Aline, Jullyana, Shay e Brett.
Cumprimento o grupo, conversamos durante alguns minutos após os quais nos despedimos, eles combinando levarem Sarah até o apartamento (o meu espero) no sábado de madrugada ao saírem da boate já que não poderia busca-la (iria realmente dobrar o turno na cardiologia).
Sigo direto para meu apartamento. Ao chegarmos, vamos juntos para a cozinha preparar nosso jantar, ela aproveitando para me contar que as detetives haviam conseguido se infiltrar, o que me deixou mais aliviado.
Após terminarmos, deixo-a na sala assistindo televisão enquanto vou tomar um banho rápido (ela já tomara na boate) antes de jantarmos. Retorno cerca de vinte minutos depois a encontrando usando apenas camiseta e calcinha, sentada sobre as pernas cruzadas comendo petiscos enquanto assiste a um filme.
—Vai perder o apetite senhorita – ralho, lhe dando um selinho, indo para a cozinha.
—Uhum, uhum, foram só algumas torradinhas – defende-se, me seguindo – E estou com tanta fome que nada vai me tirar o apetite! – garante me fazendo sorrir.
—Então vamos matar essa fome de uma vez – convido, servindo-a para depois me servir.
Durante o jantar conversamos mais um pouco, ela me pergunta sobre meu dia no hospital, faço o mesmo perguntando como aproveitara seu dia de folga antes de ter que ir a boate. Ao terminarmos, arrumamos juntos mais uma vez, a cozinha pondo a louça suja na lavadora. Antes de voltarmos para a sala pego um pote de sorvete e duas colheres levando-o conosco.
Devoramos todo o conteúdo enquanto assistimos mais filmes, fazendo uma pequena lambança ao imitarmos a guerra de comida (sorvete em nosso caso) de um deles o que nos obrigou um novo banho, juntos desta vez, fazendo amor antes de terminarmos, indo para a cama logo em seguida onde dormimos abraçados, desfrutando da companhia um do outro.
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Fifty Shades (sexta, 31/3 – 23:10 p.m)
Sarah
—Não vai dar certo! Não consigo fazer isso! Vou tropeçar e cair em cima de alguma mesa e machucar algum cliente, pior: vou cair para trás, derrubar todas vocês e o Erico vai me matar, ali mesmo no palco! – Kim desata falar enquanto caminha de um lado para o outro sacudindo as mãos, nervosa – E esse vestido não ficou legal. Não estou sexy, to parecendo uma daquelas bonecas bailarinas da caixa de musica de minha avó! – exclama olhando-se no espelho, chorosa.
—Tália, está linda, não vai cair em cima de ninguém e vai dar um show,tenho certeza absoluta – discurso segurando-a pelos ombros, tentando acalmá-la, rindo por dentro ao pensar como Erico realmente acertara na escolha de seu nome: comédia! – Ensaiamos bastante, está preparada, todas estão – digo, me voltando para o restante do grupo notando que , a exceção de Hailey Upton, também estavam bastante nervosas – Não estou certa Erato, Xanta !? – peço auxilio a minhas amigas, que limitavam-se observar tudo tranquilamente – Uma ajuda seria muito bem vinda aqui! – falo entre dentes.
—Escutem sua rainha ninfas! – Xanta diz, batendo palmas forte, fazendo Upton despertar de seu transe dando um pulo, ficando de pé tão rápido que se choca com Carmenta e só então percebo que estava com fones de ouvidos – Ta ouvindo o quê Quione? – ganhara esse nome por causa de sua pele muito clara, até mais do que a minha, fazendo nosso coreografo/babá lembrar-se da única ninfa da neve. Na verdade ficara indeciso entre ela e Kim, mas depois que esta cometera uma trapalhada que rendera uma crise de riso generalizada, Hailey o herdara – Então novata, ta ouvindo o quê? – Xanta repete, impaciente (se tem uma coisa que minha amiga sabe fazer com maestria é tocar o terror nas dançarinas novatas e com elas não seria diferente. Até para não dar na vista).
—Um texto de auto-ajuda para acalmar os nervos – revela finalmente.
—E está funcionando? – a ruivinha que avisara-nos do final dos testes pergunta, apertando as mãos.
—Não muito! – responde, exibindo as mãos trêmulas – Na verdade estava pensando se ainda dá tempo fugir! – exclama, rindo amarelo, nos fazendo rir.
—Não maia, minha querida ninfa do frio – Erico adentra os camarins com Andrer a seu lado trazendo mascaras em suas mãos – A casa está cheia, pra variar – começa dizer, distribuindo-as – Mas sei que não haverá problemas sabem por quê? – pergunta, elas balançando a cabeça negativamente – Um: estão preparadas; Dois: são divas e divas sempre se saem bem independente do que aconteça e três: depois que puserem as mascaras não serão mais Rita, Maria, Tereza ou qualquer que seja seu nome fora das portas dessa boate! Serão ninfas sedutoras sob a proteção de sua rainha e demais membros da corte além de contarem com a ajuda e proteção da deusa Cher! – finaliza, fazendo uma pose dramática, provocando risos em todas nós –Agora vamos porque o tempo urge, vamos, vamos – comanda, batendo palmas rápidas – Por segurança estejam atentas e prontas para assumirem o comando minhas divas poderosas – cochicha junto a mim, Héspera e as demais mais experientes, piscando – Vamos senhoritas, hora de aumentar o rimo de alguns corações!- convida, passando a frente do grupo todo, animado.
—Ele realmente adora o que faz! – Tália comenta, ajustando a mascara a seu rosto, as mãos ainda trêmulas.
—Adora sim. Será uma pena se tiverem que fechar as portas desse lugar – Erato afirma, suspirando.
—Tália, seja lá o que estiver acontecendo aqui, Erico não tem conhecimento, fique certa disso. Ele jamais faria mal a qualquer garota daqui. Jamais – me apresso dizer.
—Sabemos disso Dione, fique tranqüila – responde, levando uma mão a boca – Ih, não é que já me acostumei com seu e meu nome de guerra! – exclama, rindo enquanto nos encaminhamos para o palco – Seja o que Deus quiser!- exclama, fazendo o sinal da cruz quando nos posicionamos atrás da cortina.
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Fifty Shades ( 23:45 p.m)
Narrador
—Senhoras e senhores, boa noite. Sejam bem vindos a Fifty Shades, lugar escolhido pelas ninfas para ser sua morada entre nós, pobres mortais – anuncia o coreografo e mestre de cerimônia da boate – Esqueçam o cansaço, aborrecimentos e tudo o mais que possa ter tornado essa semana infernal e deixem-se encantar pelas mais doces e belas ninfas da mitologia Greco-Romana mergulhando no universo místico da natureza!– convida, as luzes do lugar apagando-se ao seu sinal, liberando o gelo seco, luzes multicores acendendo-se a volta do palco enquanto as cortinas são lentamente abertas....
Play Naughty Girl – Destiny’s Child
Assim que a introdução da canção ecoa pelo ambiente, o grupo onde Kim e Hailey se encontravam, as duas posicionadas lado a lado no centro do palco de costas para a platéia, todas usando o mesmo mini vestido em tecido diáfano na cor rosa com alças tiras brilhantes, abraçadas formando uma corrente, começa a se mover mexendo apenas o quadril inicialmente, soltando-se umas das outras, voltando-se e caminhando sensualmente em direção a platéia.....
“I Love to love you baby ;
I love to love you baby;
Uhuh….uhuh…uhuhh;
I’m feeling sexy;
I wanna hear you say my name boy;
If you can reach me;
You can feel my burning flame;
Feeling kind of n-a-s-t-y, I might just take you home with me;
Baby the minute I feel your energy;
Your vibe is just taken over me;
Start feelin so crazy babe lately;
I feel the funk coming over me;
I don’t know what’s gotten into me;
The rhythm’s got me feeling so crazy babe…”
Parando no limite do palco, o grupo rebola, serpenteando corpo e braços no ritmo da melodia, repetindo os movimentos até a chegada do refrão quando se põem de lado, deslizando para trás, dando passagem a Xanta, Dione, Erato, Carmenta, Diana e Héspera....
“...Tonight;
I’ll be your naughty girl;
I’m callin all my girls;
We gon turn this part out;
I know you want my body;
Tonight;
I’ll be your naughty girl;
I’m callin all my girls;
I see you look me up and down;
And I came to part…”
Dividindo-se em três duplas, Xanta e Dione permanecem no centro do palco enquanto Erato e Carmeta, Diana e Héspera ocupam as laterais esquerda e direita respectivamente, o grupo que abrira o número aproximando-se, repetindo como se fossem espelhos os movimentos das duplas a sua frente,descendo devagar até o chão, subindo em zigue -zague , rodopiando, esticando um braço no ar, uma ficando de frente para a platéia enquanto a outra ficava de costas...
...You're so sexy, tonight I am all yours boy;
The way your body moves across the floor;
Feelin n-a-s-t-y;
I might just take you home with me…”
Parte do grupo vai até o chão apoiando mãos e pés, subindo e descendo o quadril, chutando o ar antes de girar, levantado para que aquelas que haviam permanecido de pé agachassem, braços erguidos, rebolando enquanto ficam de pé novamente, as seis caminhando de novo para frente do palco, parando ali, repetindo os movimentos que haviam feito anteriormente, aguardando as demais aproximarem-se para juntas finalizarem o número com os movimentos com os quais iniciaram...
"....I love to love you baby;
I love to love you baby;
I love to love you baby..."
As luzes são apagadas permitindo-as saírem rapidamente indo para os camarins a fim de reorganizarem-se para as performances individuais.
—Viram como não é nenhum bicho de sete cabeças? – Carmenta diz para Tália e Quione fazendo-as sorrir acenando afirmativamente, esticando-se sobre Dione, que sentara no divã, pensativa — Um dólar por seus pensamentos! – exclama, acenando para Xanta, que se encaminhava para o palco novamente.
—Me paga porque sei muito bem em quem ela está pensando – Erato pede, esticando uma mão.
—Como se fosse a missão mais difícil do planeta adivinhar! – Erico diz, batendo palmas – O que estão esperando senhoritas? Vamos trocar esses vestidos ai e voltar para o palco – ordena, encarando Tália e Quione.
—Oi? É com a gente? – Quione indaga, olhando a volta.
—Com certeza minha flor! Vão entrar assim que Xanta sair enquanto Erato se prepara para...
—Mas já! Tão rápido assim. E o que vamos fazer? Dançar o que, como? – Tália questiona, tropeçando ao levantar rápido, quase caindo, provocando risos em quase todas.
—Relaxe minha ninfa comediante –pede, segurando suas mãos – Agora farão apenas figuração para as divas aqui...Algumas pelo menos! – exclama, olhando Dione por cima dos óculos coloridos – Vão se trocar que já, já instruo o que devem fazer – comanda, dando atenção a médica assim que saem – O que acha de ir embora minha rainha? – sugere, sorrindo ao vê-la praticamente pular, quase derrubando Carmenta.
—Hei, eu to aqui ta lembrada? – reclama a morena, massageando a cabeça.
—Desculpa Jully – pede, lhe dirigindo um sorriso franco, voltando-se para Erico- Posso ir mesmo? Sem problema? – questiona.
—E de que adianta ficar se sua mente está a quilômetros minha rainha? Vai acabar tropeçando. Não, vá resolver sua vida já que, pelo que vejo nesses olhinhos brilhantes, decidiu o que fazer a respeito do pedido de um certo cardiologista! – afirma, piscando.
—Decidiu? Sério? – Héspera pergunta, ela confirmando.
—Sim ...E se não for pedir muito pode me emprestar Andrer por umas horas? – pede, fazendo charme.
—Seu pedido é uma ordem musa! — diz – ANDRER! –grita, assustando-as, o guarda costas chegando rapidamente, igualmente assustado – acompanhe Dione até em casa. Ela vai precisar de ajuda.
—Só isso? Porra Erico, pensei que estava pegando fogo em alguma coisa! – reclama o loiro, fechando a cara.
—Queria ter certeza que viria voando baby, agora pare de reclamar e pegue a chave de meu carro – ordena, segurando-o pelo braço antes que saísse – Se fizer um aranhãozinho que seja não terá a chance de conquistar sua musa estamos entendidos?
—Aff, até parece que sou um demente! Eu hein! – resmunga, saindo.
—Obrigada Erico. Prometo que compenso na semana que vem – dia, pondo um sobretudo por cima do vestido que usava, pegando sua bolsa – Até mais meninas – despede-se, jogando beijos ao sair.
—Ai, o amor é lindo! – suspira o coreografo.
—Por falar em amor...- Carmeta começa dizer, ele erguendo uma mão, silenciando-a.
—Só consigo processar Uma perda por vez minha musa, por favor! – pede, levando as mãos ao peito, dramático – Pela deusa Cher, vou matar Cesar por apresentar minhas musas ao departamento de policia de Chicago, ah se vou! – gira nos calcanhares pisando firme ao sair, bufando ao escutar as risadas de Héspera, Erato, Diana e Carmenta.
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“...Me perdi no céu de suas pintas;
Me encontrei no céu da tua boca;
Tu labirinto, rua sem saída;
Me rendi na tua alma nua, vem cá...”
Chicago Med (manhã de sábado, 1/4 – 07:10 a.m)
Connor
Fecho meu plantão caminhando apressado até meu carro no estacionamento, esticando os braços e pernas antes de entrar para espantar parte do cansaço.
Não havia sido um plantão nada fácil. Três cirurgias complicadas sendo uma delas inesperada e que nos fizera permanecer acordados durante toda a madrugada.
Já esperava uma noite longa quando David dissera que pretendia me passar sua notas e históricos de pacientes antigos e novos para que revisasse e estudasse em casa e no hospital, a seu lado.... – Sinto que meu tempo está se esgotando e quero passar o máximo de conhecimento para você antes que tenha de me afastar definitivamente – dissera, trazendo um nó a minha garganta.
Durante esses meses em que temos convivido, me acostumei a tê-lo perto, a ouvir suas piadas (algumas sem graça), escutar seus discos (detesta cds!), fazer seu chá, enfim, à sua companhia. Mesmo quando me repreende seu tom lembrar mais um pai do que um professor.
Na verdade era assim que o via: um pai.
David me apóia, incentiva, elogia e corrige quando necessário sem depreciar meu trabalho, algo que meu pai nunca fez e provavelmente nunca ira fazer. Saber que posso perdê-lo a qualquer momento causa uma dor absurda em meu peito. Dor que terei que aprender a processar e assimilar quando a hora chegar.
Respiro fundo olhando o nada a minha frente, pegando meu celular para verificar minhas mensagens. Havia dez. Nenhuma de Sarah.Suspiro, desanimado.
Desde a manhã de sexta, quando viemos trabalhar juntos, não nos falamos. Tinha tentado ligar para dar um oi antes da apresentação, mas não consegui.
Ligo o carro, saindo lentamente (o transito estava complicado já aquela hora da manhã indicando que talvez algum acidente havia acontecido (o que confirmo algumas quadras depois que deixo o estacionamento do Med.
Meu instinto fala mais alto e paro, oferecendo ajuda enquanto as ambulâncias não chegavam, resistindo a tentação de seguir uma garotinha em estado mais grave (por mais que me negasse admitir, estava exausto e precisando desesperadamente de algumas horas de sono!), retomando meu caminho para casa após a saída das equipes de resgate.
Assim que entro em meu apartamento sinto o cheiro do perfume de Sarah no ar, um sorriso iluminando meu rosto ao ver, tal qual na noite de meu aniversario, a trilha, esta de corações de papel, corredor afora.
Jogo minha bolsa sobre o sofá, despindo a jaqueta enquanto caminho seguindo a trilha até meu quarto, encontrando a porta aberta, parando no batente, franzindo o cenho.
—Sarah? – chamo, entrando devagar, olhando a volta, notando as portas do armário abertas atraindo minha atenção para seu interior, voltando-me rápido ao escutar a porta do banheiro ser aberta.
—Bom dia – diz, recostada ao batente, enrolada em uma toalha de banho, o cabelo ainda molhado, escova de dente nas mãos – Minha escova quer saber qual lado a sua prefere! – exclama, mordendo o lábio da forma que amo.
—Isso quer dizer que você...
—Sim – me interrompe, abrindo os braços para me receber nos seus, rindo alto quando a ergo girando no ar – Só espero que não se arrependa Connor – diz, insegura.
—Não vou meu amor, não vou – asseguro, tomando seus lábios em um beijo.
“...Congela o teu olhar no meu;
Esconde que já percebeu;
Que todo meu amor é teu;
Então vem cá;
Que nós até "Caio" escreveu;
Parece que nos conheceu;
E mel e girassóis te peço, só te peço;
Fica;
Me queira e queira ficar;
Fica."

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