Hidden Life!
17 Contagem Regressiva!
Notas iniciais
"A gente se conheceu a pouco tempo;
Mas a gente já está falando em casamento;
Tô correndo um risco sério de viver pra sempre com você..."
Pra Sempre Com Você
Jorge e Mateus
Chicago Med (segunda, 27/3 – 11:00 a.m)
Connor
—Está falando sério? Vai mesmo fazer isso? – Will questiona-me, tão surpreso quanto Ethan, ambos sentados a mesma mesa que eu.
—Sabe que corre o risco real de levar um belo pé na bunda não sabe? – Ethan insinua.
—Que tipo de amigos são vocês?? – questiono, olhando-os incrédulo.
—Do tipo realista...- Ethan começa dizer.
—Que sabe e avisa quando algum amigo está prestes a fazer uma grande, imensa, colossal, Homérica...Burrada! – Will completa, exagerando.
—No que, exatamente, pedir Sarah em casamento consiste ser tudo isso que falou? — reclamo, não dando tempo ou espaço para que responda – Vou pedir a ela que aceite ser minha noiva e não arrastá-la pelos cabelos até a igreja, capela, ou seja lá que lugar, mais próxima e obrigá-la a casar comigo! Só quero formalizar as coisas entre nós, deixar claro que não a vejo como um passatempo ou... – tento argumentar, Ethan me interrompendo.
—De onde raio tirou a ideia de que ela pensa isso? Andou dizendo ou insinuando algo que possa sugerir a ela que não leva a relação de vocês a sério? – interroga, cruzando os braços, a sobrancelha arqueada.
—Não,mas...
—Então por que essa pressa toda? – é a vez de Will me cortar – Connor, vocês ainda estão se conhecendo, mal sabem detalhes da vida um do outro, começaram a compartilhar o mesmo teto quase diariamente, note o Quase na frase – frisa, sublinhando o ar – Estão começando a saber o que cada um gosta de fazer em sua folga...
—Não vai por esse caminho não porque sabemos muito bem o que os dois fazem quando estão de folga, digo, fazemos uma ideia do que fazem! – corrige-se rápido.
—E o que isso tem a ver? – questiono, encarando-os.
—Nada – declaram juntos – Só queria te encher mesmo – Choi acrescenta, rindo junto com Will – Falando sério Connor, porá tudo a perder se pedi-la em casamento quando parar de dançar. Vai parecer que está querendo comprar a liberdade dela ou no mínimo oferecer algum tipo de compensação– diz, fazendo aspas no ar.
Havia decidido contar a Ethan o que estava acontecendo (tudo) entre mim e Sarah a fim de ter uma visão neutra... Resultado: ganhei mais um “grilo falante” na minha vida!
—Mas não é isso que quero – afirmo –Só quero que ela saiba que vou estar ao seu lado, que pode contar comigo para tudo que precisar...
—Porque eu tenho grana suficiente para bancar nós dois sem que precise trabalhar! – Will me corta novamente, tentando imitar minha voz, me irritando – Olha só, tenta ver as coisas pelo prisma da Sarah: mesmo sendo para evitar que se meta em encrenca por causa dela, está alterando seus planos e não terá mais o tempo que pensava para juntar o dinheiro que pretendia. Isso, apesar de tudo, deve ser meio frustrante. Pra mim seria – argumenta – Se você me sair com uma proposta de casamento as chances de ser mal interpretado são imensas devido a tudo que Ethan citou a pouco – alerta.
—Por que não a convida, com jeito, a morarem juntos? Já estão meio que fazendo isso mesmo. Será mais fácil ela aceitar– Ethan sugere de repente.
— Pedir em casamento não pode, mas convidar pra morar junto pode? Qual a diferença? – pergunto confuso.
—Basicamente, se ela quiser pular fora a qualquer momento o fará sem o constrangimento de devolver um anel, ou ter que dar uma justificativa àqueles que por ventura vierem a saber do compromisso de vocês, a menos que pretenda manter segredo – exemplifica.
—Evidente que não! – rebato de imediato.
—Então sossega! – Will aconselha, pegando uma castanha que atirara ao ar com a boca – Dê um tempo. Deixe as coisas se resolverem, essa investigação terminar, não force a barra ou pode estragar o que conseguiu até agora.
—Mas faça o convite, de uma forma não intimidadora, casual, romântica se preferir, só faça –Ethan aconselha.
—Talvez estejam certos – pondero, inseguro – A verdade é que fiquei tão feliz em saber que sairia antes do que havia dito que acabei me empolgando- admito.
—Quer dizer que não pretende casar com ela? – Will interroga, não me deixando responder – Que decepção! Já estava me preparando para ser seu padrinho! – dramatiza, levando uma mão ao peito.
—Há, há ,há, engraçado você! – ironizo, meu paiger tocando neste exato momento – É Downey – aviso, levantando – Valeu pelos conselhos – agradeço.
—Disponha. Só não esqueça os convites! – Will brinca, desviando-se da garrafinha de água que atiro contra ele – Hei, cuidado aí. Lembre que meu irmão é policial! – provoca e respondo com um gesto pouco, ou melhor, nada educado, fazendo-os rirem alto.
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Vigésimo primeiro distrito
Sala da inteligência (11:20a.m)
Narrador
—Podem me chamar de gênio, eu deixo! – Mouse se vangloria sorridente, voltando-se para os colegas, que erguem as cabeças de suas atividades prestando atenção ao técnico.
—E por que faríamos isto? – Jay questiona, sentando na ponta da mesa ocupada por Erin.
—Por que enquanto, as donzelas esquentam as cabeças, o papai aqui conseguiu uma pista no caso da dançarina morta! – afirma, girando a cadeira de um lado para o outro, confiante.
—Qual delas? Ou o grande gênio esqueceu que temos duas dançarinas mortas? – Ruzek questiona, cruzando os braços.
—Falando no assunto, o que acharam de a Sarah dançar na boate? – Burguess pergunta, tamborilando a caneta na mesa – Confesso que jamais me passaria pela cabeça uma coisa dessas!
—Nem ela nem as outras duas – Erin acrescenta, cutucando o noivo – Você já sabia não era? Por isso aquele papo de não julgar as garotas que dançam quando estávamos lá na universidade – relembra a loira.
—Hã!!.Não sabia não – garante o detetive, arqueando a sobrancelha – Disse aquilo porque é o que penso. Não dá para sair por ai pré-julgando alguém pelo que faz para sobreviver ou ter uma renda extra.
—Quer dizer que toparia dançar em algum clube para faturar um extra? – questiona ela, estreitando os olhos.
—Cuidado com o que vai dizer! Sinto cheiro de D.R Halstead! – Ruzek alerta.
—Não preciso ter cuidado porque não faria – garante o policial.
—Porque não? – Atwater pergunta, recostando-se na cadeira, apontando o detetive com o pirulito que segurava – Aposto que faria sucesso! — provoca, pondo o pirulito na boca, sorrindo.
—Duvido. Danço igual a um albatroz pousando em terra firme! – compara, provocando risos.
—Ué, pelo que o pessoal falou a Sarah também não era muito de dançar... No entanto... – Ruzek comenta, massageando o queixo pensativo, apoiando o ombro na parede ao lado do quadro de evidências – Quem vocês acham que ela é? Erato, Héspera, Carmenta, Dione!?? – questiona, olhando de Jay para Atwater e Mouse alternadamente, fazendo o segundo e o terceiro encolherem-se em suas cadeiras, o primeiro sinalizar, passando a mão no pescoço imitando uma faca, para que parasse de falar.
—Que nomes são estes e como o senhor sabe deles? – Kim pergunta intrigada.
—Pois é também quero saber – Lindsay endossa, encarando o namorado.
—Ai, ninguém vai perguntar qual a pista que consegui não? – Mouse reclama, abrindo os braços.
—Daqui a pouco Mouse – Kim declara, imitando Erin – Estamos esperando! – diz, instigando os dois a falarem.
—São nomes que as dançarinas usam – elucida Jay – Nós estivemos no clube, junto com os caras do Med e do 51, para comemorara o aniversário do Clark – explica.
—Uhum, sei! – dizem as duas ao mesmo tempo – Só neste dia ou em outros também? – quer saber Kim.
—Oi, bom dia – Hailey Upton interrompe, entrando na sala acompanhada por Roman – Nos disseram para vir até aqui – diz, ambos parando junto à mesa de Lindsay
—Quem disse? – Atwater pergunta.
—Hank – Antônio responde por eles, chegando acompanhado por Erico e Jullyana– Ele quer que os dois aqui avaliem a Upton para trabalhar infiltrada na Fifty – explica, apontando seus acompanhantes.
—Upton dançando na Fifty? – Ruzek questiona – Essa eu quero ver! – diz animado, corrigindo-se ante o olhar mortal que recebe da namorada – Digo...Como parte da investigação... Eh!...Mouse, não disse que tinha uma pista sobre uma das dançarinas? – desconversa.
—Disse, mas pode esperar. Isso aqui está mais divertido! – exclama o técnico, observando tudo, divertido.
—Não pode não. Fala logo o que descobriu espertalhão! – Jay declara, atirando uma ponta de giz contra ele.
—Mouse? Que tipo de apelido é esse? – Jullyana questiona, sentando na cadeira que Antônio indicava Erico sentando em outra a seu lado.
—Do tipo que se põe em alguém que adora brincar no porão! – Atwater responde usando um tom malicioso de propósito.
—OI???? – um coro indaga – Fui só eu que achei ou isso soou pervertido? – Roman pergunta – E afinal de contas o que viemos fazer aqui? – pergunta.
—Ok, uma coisa de cada vez! – Antônio decreta, erguendo as mãos – Primeiro, que pista descobriu Mouse? – pergunta recostando-se a mesa de Burguess.
—Então, estava reexaminando as coisas que trouxeram do apartamento da senhorita Biasini, anotações, celular, note – enumera, exibindo uma folha de papel – E encontrei um único número não identificado...
—E dai? Qual a grande descoberta? – Ruzek interrompe-o.
—Ela estava namorando quando sumiu não é isso? – interroga o técnico olhando diretamente para Erico e Jullyana, ignorando o comentário do colega.
—Estava sim – confirma a dançarina – Vivia se gabando que iria casar com um mega milionário, que teria muito dinheiro, enfim ...- suspira a morena, entristecendo – E pensar que fiquei com raiva dela!!
—Minha querida, todas ficaram já que andava exagerado na esnobação – Erico tranqüiliza, segurando suas mãos.
—Vocês sabiam quem era esse homem? – Erin pergunta, ambos negando com um aceno.
—Eles não se conheceram na boate, mas em um evento do qual ela participou. Era modelo profissional – explica o coreógrafo – Ela estava apaixonada, certeza que estava – garante.
—Então ninguém sabia nome, telefone, nada dele correto? – quer saber Mouse, sorrindo satisfeito ante a confirmação de ambos – Neste caso, só posso presumir que este seja o número do misterioso senhor X já que é o único sem qualquer identificação além de um singelo coração! – exclama.
—Ela deveria estar querendo manter segredo sobre seu segundo emprego para o namorado rico com medo de ele terminar – teoriza Upton.
—Não mesmo! – Jullyana intervém
– Nos garantiu que ele sabia toda a verdade sobre ela inclusive o fato de dançar na boate – Erico informa, evitando olhar o quadro a sua esquerda.
—Será que sabia mesmo? – questiona Erin.
—Vamos descobrir assim que conseguirmos falar com o tal sujeito... – Jay diz, Mouse o interrompendo.
—O que vai acontecer quando ele atender ao telefone... Se atender! – corrige-se Mouse sinalizando para fazerem silencio, pois colocara na viva voz.
Após o quarto toque, a ligação é atendida.
< Rhodes >a voz arrogante pronuncia, causando um sobressalto nos presentes < Alô? >
—Hã...Alô, quem está falando? – Jay pergunta.
< Me diga você, já que foi Você quem me ligou!> devolve o homem, impaciente.
—Senhor Rhodes? – indaga o detetive por mera formalidade, fazendo uma careta contrafeita, aproximando-se da mesa do técnico.
< Sim. Quem está falando? Como conseguiu esse número? > quer saber o empresário.
—Aqui é o detetive Halstead – identifica-se indo contra a sinalização dos colegas – Desculpe-nos o engano. Nosso técnico deve ter discado errado. Estávamos fazendo uma verificação de rotina em uma...
< Entendi > corta-o o empresário, desligando.
—Essa criatura simpática ai é o pai do Connor por acaso? – Jullyana pergunta curiosa.
—O próprio! – Erin confirma, indo até a mesa de Mouse, pegando a folha com o número, ela mesma fazendo a ligação, encarando-o irônica.
—O quê? Eu disquei certo! – defende-se ele, erguendo os braços.
< Enganou-se novamente detetive Halstead!? > a pergunta irônica faz o grupo retesar-se, trocando olhares entre si, um breve silencio dominando o lugar.
—Infelizmente parece que não houve engano senhor Rhodes – Jay declara – O número está correto – afirma, coçando a barba rala.
< Como assim está correto? Que tipo de piada é essa? > pergunta não escondendo a irritação < Do que se trata afinal? Estou sendo investigado, é isso? > questiona.
—Senhor Rhodes, por acaso conhece uma jovem chamada Nichole Biasini? – interroga Erin, um prolongado silencio acompanhando o questionamento.
< O que houve com Nick? > a pergunta feita em tom amistoso os surpreende.
—Conhece então? – reitera a policial.
< Sim > confirma < O que houve com ela? > repete.
—Melhor vir até o vigésimo primeiro distrito. Precisaremos que preste alguns esclarecimentos senhor Rhodes – Jay convida.
< Quando? > quer saber Cornelius.
—Hoje à tarde seria o ideal – sugere, aguardando-o responder.
< Estarei ai > avisa o empresário, desligando logo em seguida.
Durante alguns minutos ninguém diz nada.
—Deixa ver se entendi – Jullyana é a primeira a quebrar o silencio – Cornelius Rhodes, pai do Connor, namorado da Sarah, era o tal namorado secreto? O ricaço com quem a Nick iria casar??? – questiona, assustada.
—Ao que tudo indica! – Jay diz, sentando sobre a mesa de Mouse.
—Me corrijam se estiver enganado: isto faz dele um suspeito não faz? – Roman indaga.
—Faz – Antônio confirma, deslizando a mão pelo rosto.
—Para o mundo que eu quero descer!! – Erico dramatiza, levando as duas mãos ao peito – O pai do gostosão era o misterioso namorado da Nick e agora é suspeito da morte dela??? Pela deusa Cher!
—Só pode ser brincadeira!! – Atwater exclama, apertando o queixo, estupefato.
—O que é brincadeira? – Olinsky pergunta, entrando na sala ao lado de Hank – Então, o que é brincadeira? – reitera diante do silencio do grupo.
—O que está acontecendo aqui? – Voight interroga, cruzando os braços, olhando seus detetives atentamente – Ninguém vai dizer nada?? – questiona ante o silencio persistente de seus comandados – Mouse? – intima, encarando o técnico.
—Jay acabou de intimar Cornelius Rhodes a depor! – revela, apontando o detetive.
—Com base na pista que Mouse conseguiu entre as coisas de Nichole Biasini – diz – Hank, tudo indica que ele é o tal namorado misterioso com o qual ela dizia que iria casar – completa, entregando a folha com o número de telefone anotado ao chefe.
—O que Rhodes disse? – pergunta ele, pondo o papel de lado.
—Depois de ter desligado na nossa cara em um primeiro momento – Atwater começa contar – Concordou em vir até aqui conversar – avisa, tomando para si a responsabilidade de atualizar o chefe sobre os acontecimentos e descobertas recentes.
—O que acha Hank? – Olinsky pergunta ao final da narrativa.
—Vamos ouvir o que o senhor Rhodes tem a dizer. Partindo daí vemos o que muda no rumo das investigações – decide, voltando-se para Upton e Roman –O que acha dela? – pergunta, voltando-se para Erico.
—Tem potencial – diz o coreografo, recuperando-se, levantando, indo até a policial – Vai ser só ela? – quer saber, segurando uma mão de Hailey, fazendo-a girar no próprio eixo.
—Sim – afirma o sargento recostando-se a mesa de Mouse.
—Querido, vou perder três de minhas principais dançarinas. Tenho que ter pelo menos duas novas dançarinas, já que a pequena aqui vai ficar no grupo de trás, não é isso? – indaga, Voight confirmando com um aceno – Então baby boy, não posso ter meu staff tão desfalcado assim!
—Nos interessa por uma policial apenas no grupo de trás e até onde sei não irá perder as três ao mesmo tempo – argumenta o policial.
—Duas e não se fala mais isso! – insiste ele, olhando de Kim para Erin de forma avaliadora – Olha, vou te dizer que qualquer uma das três pode fazer parte do front tranquilamente viu!–elogia – Não concorda minha musa!? – pergunta olhando Jullyana com o canto do olho.
—Com certeza – anui ela, brincando com uma mecha de cabelo.
—Você era a garota que dançava no grupo de trás e depois passou para o da frente não é isso? – Olinsky interroga, ela confirmando com um aceno – Como foi parar lá? Digo, como começou a dançar na boate? Alguém te indicou?
—Uma garota com quem dividi o apartamento logo que vim morar em Chicago, Ylana. Nos conhecemos na rodoviária porque a amiga que ficara de me buscar deu cano – conta – Ela tinha ido se despedir de alguém, viu minha aflição e se ofereceu para ajudar.
—Essa Ylana ainda está por lá? – Hank quer saber.
—Não. Ela casou uns seis meses depois, com o barman que trabalhava na Fifty na época. Ambos saíram – Erico informa.
—Estão vivos? – Ruzek solta, recebendo um olhar de censura do chefe – Desculpe.
—Estão bonitinho – Erico garante, piscando para o detetive– Vivos e felizes. Só mudaram de Estado. Voltaram para Ohio, onde a família dela morava. O que sabe fazer lindinha?
—Quem, eu? – Upton pergunta, encolhendo-se na medida em que ele se aproxima – Em que sentido?
—Sabe dançar? – pergunta direto.
—Sei. Como todo mundo – diz, desconfiada.
—Me mostre – pede Erico, juntando as mãos.
—O que? Como assim me mostre? Aqui? Agora? – questiona – E sem música?
—Resolvo isso agora – Mouse diz, abrindo um aplicativo em seu celular – Qual coloco? Rápida, romântica, balada...
—Qualquer uma fofo. Só quero ver o movimento do corpo dela – declara o coreografo.
—Não vou dançar aqui, na frente... Deles! – afirma, indicando os colegas.
—Fofa, se não tem coragem de dançar em frente seus amigos, não conseguira se mexer no teste e não terei como selecioná-la. Está entre amigos aqui. Não fará nada além de mexer seu corpinho acompanhando a melodia – simplifica – Alias, as duas beldades podiam acompanhá-la não acham? – sugere, suspirando exasperado ao notar que nenhuma das três se mexia– Querido, faça alguma coisa, por favor! – exclama, voltando-se para Voight.
—Por que não tentam? – Hank indaga, olhando as três policiais alternadamente.
—Estou fora! Não foi para isso que entrei para a polícia – Lindsay protesta.
—Pensei que o lema era servir e proteger mesmo que isso significasse se passar por alguém que não é ou fazer algo que não faria normalmente. E não estou pedindo que tirem a roupa, ou estou? – Erico se adianta, fazendo-as ficarem sem graça.
—Ai! – Ruzek, Jay e Atwater sussurram baixinho, Antônio baixando a cabeça, rindo discretamente.
—Certo. Não é nada demais. Só dançar – Kim fala, respirando fundo, levantando, alisando a roupa, acompanhando o ritmo da balada que tocava, Upton fazendo o mesmo enquanto Erin rola os olhos, sentando pesadamente atrás de sua mesa , ambas mexendo-se timidamente dentro do espaço restrito entre as mesas, ficando estáticas ao escutarem o comentário proferido pela sargento Trudy Platt.
—Que diabos é isto? – espanta-se a mulher, observando-as boquiaberta.
—Sabe que estava me perguntando a mesma coisa! – Jullyana exclama, levantando – Por que desse jeito só vão entrar na Fifty se doparem os chefões.
—Acontece meu bem, que não fazem isso diariamente – Erin rebate, zangada.
—Graças a Deus ou espantariam qualquer pretendente a namorado, porque se dançarem assim na balada... – a jovem faz uma careta – E se fossem depender disto para ganhar a vida, esqueçam!! – diz, completando antes que a loira pudesse rebater – Não precisa ser nenhuma dançarina profissional para saber se mexer em uma pista quando se quer conquistar um gato, por exemplo – exemplifica, piscando para Jay ao passar por ele, sinalizando para Mouse recomeçar a música e aumentar o som – Basta seguir o ritmo – fala, começando a se mover lentamente, ocupando cada espaço disponível no ambiente...- “I’m so into you, I can barely breathe..And all I wanna do is to fall in deep, so name a game to play, and I’ll role the dice, hey...” – cantarola ela, acompanhando a melodia, girando, ficando de frente para Hank – O básico para depois evoluir – declara, estendendo a mão para o sargento, que a segura, ficando de lado quando a jovem apóia o pé no assento da cadeira, usando-a como escada, subindo na mesa, usando-a como palco, aumentando a sensualidade de seus movimentos – “... So baby, come light me up and mabe I’ll let your on it; A little bit dangerous, but baby, that’s how I want it, A little less conversation, and a little more touch my body, cause I’m so into you, into you, into you...— finaliza sua pequena performance descendo da mesa sensualmente, Voight ajudando-a novamente – Não é tão difícil é? – questiona a morena, prendendo o policial em seu olhar, os demais observando boquiabertos.
—Não – responde ele, um sorriso discreto, sustentando o olhar dela.
— Eu to velha demais pra isso! – Trudy declara, entregando a pasta que trazia a Antônio sem muita gentileza, girando nos calcanhares, retirando-se.
—Mais alguma dica? – Erin pergunta, quebrando a magia que envolvia os dois.
—Para?? – Jullyana indaga, segurando o ar nos pulmões ao sentir a carícia discreta na mão que Hank segurava.
—Nós, quem mais! – Kim pergunta.
—Hã...Não...Digo, sim....Sim – balbucia, sacudindo a cabeça, voltando-se para elas – Quando forem entrevistadas, contem uma história sofrida, do tipo sou nova na cidade, preciso de grana extra para me sustentar, não tenho ninguém para me ajudar, coisas assim. Normalmente funciona. Comigo e com a Isa funcionou – declara, fazendo Hank despertar.
—Entrevista? – pergunta, voltando-se para Erico.
—Todas as candidatas a dançarinas passam por uma entrevista além dos testes de dança. Normalmente sou eu mesmo que faço durante o teste de dança mesmo, sempre sob a supervisão dos sócios – informa o coreografo – Já tínhamos dito isso, não lembra?
—E todas contam histórias como a que você sugeriu? – pergunta o sargento, voltando a encarar Jullyana.
—Geralmente sim. Só para garantir que vão ter dó e...
—Você e Isabela foram as únicas até hoje que subiram do back para o front, não é isso? – relembra o policial, cortando-a, voltando sua atenção para Erico quando ela confirma com um aceno – As dançarinas do front têm raízes em Chicago ou outra cidade qualquer? Têm parentes? Você tem? – questiona, dando atenção à morena novamente.
—Meus pais moram Carnyville – relata a jovem.
—E as do back não tem família? – Antônio questiona, começando a entender a linha de raciocínio do chefe.
_Algumas sim, outras não, a maioria saiu de casa por alguma razão, estão brigadas ou romperam relações com suas famílias, isto as que decidem nos contar um pouco de suas vidas– relata Erico.
—No que está pensando boss? – Mouse pergunta.
—Que essas meninas são pessoas das quais ninguém sentiria falta de imediato – Antônio se adianta, Voight confirmando com um meneio de cabeça.
—Eu sinto falta de cada uma delas quando resolvem ir embora sem se despedir – Erico rebate, emburrado.
—O que o detetive Dawson quis dizer é que as famílias não prestam queixa do desaparecimento quando não dão mais notícias – Olinsky explica.
—Se não prestam queixa, não há porque investigar, se não investigamos....
—Não temos como saber se aconteceu algo bom ou ruim a elas – Erin complementa a fala do namorado.
—Ai gente, vocês acham que está acontecendo alguma coisa ruim nos bastidores da Fifty? – Jullyana pergunta assustada.
—Infelizmente pode estar acontecendo sim, mas por hora não sabemos nem temos como provar nada – Hank diz, encarando-a, tranqüilizando a garota ante seu olhar temeroso – Não se preocupe, de agora em diante estaremos cada vez mais presentes e de olhos aberto para o que acontece na boate – afirma, levando a mão que segurava aos lábios – Upton, Burguess, vão com os dois para uma das salas ensaiar, não temos muito tempo para infiltrá-las na Fifty. Roman, irá trabalhar conosco até o final dessa investigação já que teremos dois membros a menos. Enterre-se sobre o caso com Antônio e os demais. All, na minha sala, precisamos conversar – ordena, repetindo o gesto novamente, surpreendendo a todos, parando a porta– Bom trabalho Mouse – elogia, fechando-a após entrar juntamente com Olinsky.
—Pergunta – Mouse chama atenção antes que o grupo dispersasse – Quem vai contar ao Rhodes filho que o Rhodes pai está encrencado? – questiona, olhando-os.
—Não faz parte de minhas atribuições, graças a Deus! – Erico exclama, erguendo as mãos.
—Me inclua fora dessa! – Jullyana, declara.
—Eu que não vou! – Kim fala, chamando Upton, Erico e Jullyana com o indicador, retirando-se para uma sala anexa a fim de fazer o que o sargento ordenara.
_No momento todos os nossos atendentes estão ocupados. Tente mais tarde! – Atwater diz, tapando a boca com uma mão, imitando a voz das mensagens de telemarketing provocando risos.
—Vamos deixar essa tarefa para depois que o Rhodes pai vir aqui depor – Antônio sugere – Por hora, foco em fazer o que Hank pediu – orienta, pegando as pastas, começando a atualizar Roman sobre as investigações, os demais ajudando.
Passava das duas da tarde quando Erico e Jullyana finalmente deixam o distrito após realizarem vários ensaios com Burguess e Upton, marcando para o dia seguinte uma nova sessão bem como a preparação para a entrevista, os dois cruzando com Cornelius Rhodes, que chegava para prestar depoimento acompanhado pelo advogado da família, o empresário cumprimentando-os rapidamente.
—Simpático! – Erico exclama.
—Pois é, igualzinho ao filho...Só que não!! – Jullyana diz, ambos rindo, saindo de braços dados.
Na inteligência, Hank e Olinsky recebem Cornelius e seu advogado.
—Obrigado por comparecer de livre e espontânea vontade senhor Rhodes — agradece, indicando as cadeiras a frente dos dois homens, sinalizando para que sentassem – Quero deixar claro que não está sendo acusado de nada – garante.
—E como poderia se sequer sei do que se trata – rebate o empresário, entrelaçando os dedos – O que está acontecendo sargento? Pensei que estavam investigando o assassinato daquela jovem e a tentativa de estupro que meu filho impediu – questiona.
—Ainda estamos, mas esbarramos, por assim dizer, em outro caso durante outra investigação que nos levou a Fifty novamente – revela, fazendo uma breve pausa – Encontramos o corpo de uma mulher em Hambold Park. Foi morta há pelo menos seis meses – fala, abrindo a pasta a sua frente – Reconhece? – pergunta indicando a foto com um dedo, o rosto do empresário empalidecendo visivelmente.
—Sim – sopra, chocado – Como aconteceu? – quer saber.
—Tiro na nuca – Olinsky informa – Após ser surrada – acrescenta.
—Por quê? Por quem? – questiona o empresário, ainda mais chocado.
—É o que estamos tentando descobrir – diz o detetive.
—Como conheceu a senhorita Biasini? – Voight pergunta.
—Em um evento do automóvel clube de Chicago. Ela era uma das modelos contratada para ficar repassando panfletos e informações no stand da Mercedes – revela – Conversamos quando fui até o local.
—Quando começaram a sair? – Voight quer saber.
—Uma semana depois. Havíamos trocado telefones e resolvi ligar – revela, mexendo-se na cadeira, incomodado – Nichole é....Era uma mulher inteligente, com uma conversa agradável além de muito bonita. Não era difícil de apaixonar-se por ela – reconhece, uma sombra de tristeza cruzando seu rosto.
—Ela afirmava que iriam casar-se. Isto é verdade? – questiona-o.
—Sim – admite – Em parte – acrescenta – Depois de todos estes anos solitários senti vontade de me envolver, de dormir e acordar com alguém a meu lado todos os dias novamente. Nick, como já disse, era uma mulher esplendida além de apresentável ...
—Mesmo sendo uma dançarina de boate? – Voight questiona, estreitando os olhos ao observá-lo.
—Não era segredo para mim, se foi isso que quis insinuar sargento – responde Cornelius, encarando-o – Sobre este, digamos, segundo emprego dela. Mas já havíamos acertado tudo. Ela sairia imediatamente da boate a partir do momento em que oficializássemos nosso compromisso, o que fiz alguns dias antes de seu sumiço – relata.
—E não prestou queixa? – Olinsky pergunta, surpreso.
—Prestei – garante Cornelius, sinalizando para o advogado, que entrega o boletim de ocorrência diretamente a Voight – Nenhuma informação me foi passada até hoje – reclama.
—Vou entrar em contato com o capitão do distrito onde prestou queixa – informa o policial, repassando o documento para Olinsky – O que mais poderia nos dizer sobre a senhorita Biasini? Qual o grau de intimidade entre vocês? Como estavam quando ela sumiu? – interroga.
—Intimidade suficiente para saber qual lado da cama preferia dormir e que ela tinha uma filha de uma relação anterior– declara – Estávamos muito bem, não havíamos discutido ou nos desentendido e mesmo que o tivéssemos não seria motivo suficiente para matá-la, se é o que está insinuando – acrescenta, tranqüilo – Não matei minha noiva sargento. Fiquei surpreso, triste, com seu desaparecimento, mas não seria a primeira vez que um homem mais velho é enganado por uma mulher mais nova mesmo eu julgando que Nick era diferente – completa, entristecendo.
— Estava certo em sua suposição senhor Rhodes. Não foi enganado– Hank observa, encarando-o por alguns segundos – Por enquanto é só. Obrigado mais uma vez por sua colaboração. Caso lembre-se de algo, peço que entre em contato conosco – recomenda, entregando um cartão ao advogado, os três levantando.
—Espero que descubram quem foi o responsável e o punam severamente – diz, abotoando seu terno, dirigindo-se a porta, parando – Acha que pode ter sido um caso de latrocínio? – pergunta, o cenho franzido.
—Por que a pergunta? – questiona Hank.
—Quando encontram corpos entregam seus pertences aos parentes, ou dizem o que encontraram caso não possam entregá-los de imediato, está correto? – indaga, o policial confirmando com um aceno – Como nenhum dos senhores me informou ou apresentou nada, suponho que a pessoa que matou Nick tenha tomado para si o anel de noivado que lhe dei – informa, estendendo a mão para o advogado, que lhe entrega uma pequena pasta de papelão, ele repassando para Alvin.
_Anel de noivado? – Olinsky questiona, recebendo-a – Isto é...
—Um solitário de dez quilates – identifica – Espero que não tenha sido a causa da morte de Nichole ou jamais irei me perdoar! – exclama – Até mais ver sargento, detetive – despede-se, saindo em companhia do advogado, deixando os dois policiais estáticos.
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Apartamento Connor (segunda, 27/3 – 22:00 p.m)
Sarah
Encaro Connor , surpresa, meu cérebro tentando processar tudo que me dissera minutos atrás, repassando cada frase, cada palavra a fim de ter certeza de não estar enganada, estática sentada sobre minhas pernas no confortável sofá em seu apartamento, de frente para ele.
Depois de um jantar maravilhoso, havíamos decidido sentar ali zapeando por alguns canais antes de desistirmos de procurar algo que agradasse e prendesse a atenção de nós dois.
Como ele estava deitado com a cabeça em meu colo, comecei a afagar seus cabelos, rindo de suas observações sarcásticas a cada programa rejeitado, inclinando-me para beijá-lo de vez em quando.
Fora em um destes momentos que me surpreendera, levantando-se abruptamente, sentado de frente para mim, começando a dizer o quanto estava feliz por me ter em sua casa, em sua vida, o quanto me amava, fazendo-me ficar em alerta, meu corpo inteiro retesando-se ante a perspectiva do que viria a seguir. Prendi o ar em meus pulmões quando finalmente revelara o que estava querendo.
—Então, não vai me dizer nada? – ouço-o questiona, me encarando, ansioso, me prendendo em seu olhar, aguardando uma resposta – Você aceita vir morar comigo? .....
Continua
"...Entre um em um milhão nasce um Adão e Eva;
Um Romeu e Julieta em meio a tantas guerras;
Mas quando se vale a pena o amor supera;
Não sou anjo da guarda mas vou te proteger;
Esse seu sorriso é o combustível pra eu viver, yeah, yeah,yeah;
Se você me pedir pra ficar pra sempre com você;
Nem vou pensar duas vezes pra te responder;
Cê sabe que eu vou, vou, vou;
Pego minhas coisas e vou ficar pra sempre com você;
Se você me pedir pra ficar pra sempre com você;
Nem vou te responder você sabe por que;
Eu simplesmente vou, vou, vou;
Eu largo tudo e vou;
Ficar pra sempre, sempre com você.."

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