Hexenbiest

2 Capítulo Dois


Notas iniciais
O mesmo de sempre... Espero que gostem.

Capítulo Dois — POV Marissa

— Qual o problema dele? — murmurei para a garota que estava falando com ele antes. E possivelmente me espionando na aula de matemática.

O resto do dia passou rapido e lentamente. Rápido porque a minha próxima aula foi de Física, e o professor parece me amar por achar que eu sou algum tipo de gênio. A única adolescente em quase todas as classes avançadas. Mas pra falar a verdade, as classes que eu assistia na minha outra escola era mais difíceis que essa. E porque na minha condição, digamos que física é essencial.

E foi lento porque eu não conseguia tirar ele da minha cabeça. O bastardo do motociclista gostoso-pra-caralho que tinha dores de cabeça (que mais pareciam aneurismas) impulsionados por nada mais, nada menos que eu.
Se eu tivesse demorado mais um instante pra olhar nos olhos dele, eu podia ter achado que ele era só um retardado. Que era só um cara falando com a novata pra arrancar umas piadas dos amigos. Ou até que estava usando drogas. Mas eu olhei para ele—para os seus olhos— apenas um momento antes dos olhos dele mudarem para algo com o que eu estava familiarizada. Medo. E na minha experiência, pessoas olhando para mim com medo queriam dizer que eles sabiam demais.

Suspirei. Logo quando eu achava que eu estava feliz e em paz, BOOM! Alguém descobria minha... anomalia... e um apocalipse vinha desenfreado na minha direção.

O pior era que eu me sentia completamente impotente. Inútil. Eu tinha conseguido dar uma boa olhada no rosto dele, mas aqui em La Push todos pareciam iguais. Procurar por um cara moreno e alto de olhos marrons seria como procurar por uma agulha no palheiro. Ainda assim, eu sentia como se fosse capaz de reconhecê-lo numa multidão.

Se eu pelo menos soubesse o nome dele, eu daria um jeito para encontrá-lo...

Foi quando eu percebi.

Não, eu não tinha como encontrar o misterioso/galante/bastardado da motocicleta.

Mas eu tinha como encontrar ela.

...

Adrienne. Adrienne Ateara.

Achei Tessa na saída, e por sorte a minha stalkerzinha ainda estava por perto e foi fácil identificá-la. Não parecia que o misterioso/galante/bastardo tinha falado muita coisa com ela, mas de alguma coisa ela sabia. Ninguém banca o stalker ao comando de um sr. Alto e Moreno por nada.

Tessa disse que ela e os amigos faziam parte da "Gangue de La Push". As vezes eu via Seth com eles, mas o menino era certinho demais para mexer com drogas sérias ou algo assim. Talvez anabolizantes. Não que ele parecesse ter algum complexo narcisístico mas, fala sério, você já viu o tamanho daqueles garotos?

Bem...

Gangue ou não, já estava na hora de eu me divertir um pouco.

...

Estava escuro quando eu a encontrei.

— É Adrienne, não é?

A casa dela era completamente cercada pela floresta. A maioria das casas aqui é, pra falar a verdade, mas tinha algo sobre essa que a tornava especial. Parecia maior, mas ao mesmo tempo igual. Haviam vozes vindo de dentro; estava lotada.

— Vá embora. — Ela tropeçou ao ouvir a minha voz. Sem fingimentos, então.

— Sabe, eu não gosto quando as pessoas falam do que não lhes faz respeito. Eu gosto desse lugar. É o meu lar, querendo ou não. Mas quando as pessoas começam a falar, eu sempre acabo tendo que ir embora... — rodeando-a, roçei meus dedos no seu pescoço nu. — Eu não quero ir embora. Você vai me falar qual é o nome do nosso amigo que sofreu de dores de cabeça nervosas hoje.

Ela bateu no meu braço, afastando-o, e assumiu uma posição de ataque.

— Sam quer você viva, mas ele não foi muito específico em se aquilo era uma ordem ou não. Mas o que os olhos não veem, o coração não sente, certo?

— Sam... É esse o nome dele? — disse eu. Ele não tinha uma cara de Sam.

— Eu consigo escutar seus batimentos, então você não pode ser uma sanguessuga, mas o que quer que você seja, você não sabe com o quê está mexendo. E tem muito mais de onde eu saí — ela olhou para as luzes acesas na casa.

— Eu acredito que esta fala seja minha. Você vai morrer, e nenhum deles vai te escutar. — Segurei-a pelo braço. — Ou você pode responder as minhas perguntas, e ter uma vida longa e saudável.

— Nunca!

— Tá bom. A gente vai fazer isso do jeito difícil, então. Deus, como eu odeio quando vocês me fazem perder tempo — revirei os olhos. — Deusa Hécate, eu te invoco!

A expressão corajosa dela mudou quando meu globo ocular inteiro enegreceu.

— Oh meu Deus — ao que ela disse isso, Seth e outro três apareceram correndo pela porta.

Se eu tivesse piscado por um instante, perderia todo o show. Não foi como nada que eu tivesse visto antes. E eu já vi bastante.

— Marissa, não! — gritou Seth, apenas um segundo antes.

A pele deles explodiu, mas antes que pudesse terminar assumiu outra forma.

A Gangue de La Push não era gangue alguma. Eram metamorfos. Assim como a pele de Adrienne, foi estraçalhado o meu braço que a segurava. E última coisa que eu vi foi uma mancha de loiro pálido escondido na floresta, emoldurando um par de olhos escarlate.