Hexenbiest
3 Capítulo Três
Capítulo 3 — POV Marissa
Eu volto à mim mesma. Meu braço—assim que o pensamento me ocorre, minha primeira reação é correr para estacar o sangramento no meu braço.
Exceto que minha mão não se move. Exceto que não há mais sangramento algum. Foi feita uma bandagem caseira, mas que conseguiu estancar o fluxo de sangue. Meu outro braço está preso a um pé de mesa.
— Mas que inferno é esse? — eu falo para quem quiser ouvir. — Seth! Seth, eu sei que você tá aí!
Uma cabeça curiosa—a última que eu desejava ver nesse momento—aparece por uma porta.
— Embry, o quê você pensa que tá indo fazer aí? — alguém fala.
— A encrenca acordou.
Encrenca! Como é que esse idiota fala de mim desse jeito? Eu sou uma garota completamente normal. Encrenca é ele, que vai me procurando na escola, colocando gente pra me observar e acha que eu não vou fazer nada sobre isso!
— Encrenca é a sua mãe! SEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETH! — ele, junto com outros que eu não me dou o trabalho de prestar atenção em, aparecem. Devem ser uns 11, pra falar a verdade. — Vamos, Seth, fala logo pra esses caras que eu não sou do mal.
Uma garota escondida no canto da sala limpa a garganta, e caminha até o sofá.
— Okay, caras e... você. — Revirei os olhos. — Sam. Quem é Sam? É o líder, né?
Ninguém respondeu.
— Pelo amor de deus! Se eu quisesse matar ela, ela estava morta! Exatamente quão estúpido vocês todos são? Não se invocam os Deuses pra matar alguém, cabeças de bagres. Esse tipo de merda mexe com o equilíbrio da natureza! Você tem que lidar com magia negra pra fazer isso, e uma vez que você entra, não dá pra sair mais! E mesmo se eu conseguisse, eu nunca roubaria a vida de um ser humano. Seth, por favorrrrrr!
Sam—ou quem eu presumi que ele fosse—se aproximou. Embora eu soubesse que Seth tinha dezoito, ninguém ali tinha aparência de menos de vinte anos. Sam parecia ser o mais velho de todos, mas mesmo assim, ainda novo.
— Então não se importaria de explicar o que diabos estava fazendo com Adrienne ontem a noite?
Ontem? Eu olhei pela janela. O sol brilhava forte no horizonte. Era o amanhecer. Gabbe vai me matar.
— Dando um susto nela! Pregando uma peça. Deuses, senso de humor e chuva realmente não combinam, huh? A sua desculpa idiota de amigo ali no canto — gesticulei para a o motociclista imbecil que não parava de olhar para mim desde que tinha entrado na sala e me chamado de encrenca. — decidiu me fazer uma visita no meio da cafeteria, no almoço. E quando ele olhou pra mim a cara dele começou a se contorcer, pelo amor de deus, eu não sou burra. Eu curso todas as classes avançadas que aquela escola tem. Se eu quisesse já tinha acabado a escola há muito, muito tempo. Eu sei quando alguém sabe algo que não é da sua conta. Sei quando me conhecem.
— Então o que você esperava que eu fizesse? Ficar sentada enquanto vocês me expunham pra toda a pequena-porém-perigosa sociedade local? — continuei. — Eu tinha que descobrir qual seria o próximo passo de vocês. Eu não esperava que vocês fossem transmorfos!
— Lobisomens.
— Quê?
— Nós somos Lobisomens. Não Transmorfos, o que quer que seja isso.
— Acredite, — eu ri fria, sem humor. — Eu conheço um Filho da Lua quando vejo um. Agora, será que você pode, por favor, pegar um copo d'água para mim?
— O quê você quer dizer com expor você?
— Não colaboro com você enquanto você não colaborar comigo. Água, por favor. Minha garganta seca está me matando.
Ele olhou para os outros.
— Tudo bem.
— O quê! — disse alguém. — Tá, tanto faz. Mas a bruxa continua nas correntes.
— Sério, você é naturalmente estúpido assim ou você se esforça? Eu invoquei um Deus e você acha que esses pedaços de metal vão me segurar? — Eu os deformei, até me libertassem minha mão, enquanto falava. Alguns outros deles riram dessa vez, então tive que chutar naturalmente estúpido. Seth virou para o motoqueiro e cochicou alguma coisa pela qual ele levou um tapa na cabeça, então acho que não foi uma boa hora pras piadas de merda dele.
Sam finalmente voltou com meu copo d'água.
— Mas o que... — disse ao ver as correntes. — Bem, acho que elas não faziam diferença, de qualquer modo. Aqui, água.
— Obrigada.
— Então você vai falar?
— Sim. Vai em frente.
Uma mulher com uma cicatriz na cara se aproximou. Caramba. Em que tipos de briga esses lobos andam se metendo?
— Meu nome é Emily. Eu acredito que a pergunta que todos estão se fazendo é, bem... o quê exatamente é você?
Eu não consegui acreditar.
— É sério isso? — falei para Sam. — Você manda dois dos seus atrás de mim, sem saber o que você vai ter que lutar?
Ele parecia culpado. — Nós sempre conseguimos derrotar tudo com o que nos deparamos.
— É, tem uma primeira vez pra tudo — resmunguei.
A atmosfera tensa que tinha ido embora quando briguei com o Naturalmente Estúpido voltou em um segundo.
Sam começou:
— Tudo que sabíamos era que os Volturi queriam você. E se eles queriam você, tínhamos que chegar antes. Liguei para Jacob uma semana atrás e ele e os Cullen vêm assim que possível.
— Eu vou ser muito séria com você agora, Sam. Eu não sei que inferno é nenhum desses nomes que você acabou de me dizer. Nenhum deles faz sentido para mim. Não sei porquê me querem, nem para o quê. Mas eu vou te falar o que sei: se vocês tivesse pego outro do meu tipo, qualquer outro, vocês estariam todos mortos, com cem gerações futuras amaldiçoadas ou mais. Mas também isso soa improvável, porquê o meu tipo é bem raro e eu imagino que esta seja a razão pela qual estamos todos aqui.
Quando eu não ri, todos se calaram. Seth, que estivera calado desde o início, agora estava apreensivo.
— E o que, exatamente, você é, Marissa?
Suspirei.
— O grande mal, Sammy. O que você teme. O que todos temem. — Disse eu. — Agora, eu não tô falando que saio por aí assassinando pessoas. Eu nunca fiz isso, e minha mãe também não, mas eu não ignoro o que eu sou. Foi fazer isso que a matou. Eu entendo o que eu sou para que eu possa controlá-lo.
— O meu tipo predata o seu — falo. — Predata a palavra escrita. Por isso não se pode nomear. Mas, uma vez na velha Alemanha, eles nos chamaram de Hexenbiests.
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