Hes Lost Control
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Beijos, minhas lindas;*
“Amanhã era um novo dia, uma nova chance de tentar de novo.”
Helena me acordou na manhã seguinte abrindo as cortinas. A luz do sol fez meus olhos doerem. “Bom dia, Senhor Way. Espero que esteja bem, sei que foi difícil pra você dizer adeus pro seu amigo ontem.” Aquelas palavras fizeram meu coração dar uma cambalhota em meu peito, minha ficha ainda não tinha caído completamente, ela tinha partido, eu estava sozinho agora.
“Estou bem.” Menti. Era uma das minhas especialidades, mentir. Na verdade toda a minha vida era uma grande mentira.
“Espero mesmo que esteja, eu tenho fé de que o senhor irá se recuperar logo”. Helena disse sorrindo. Ela sempre sorria, mesmo trabalhando num lugar onde a maioria das pessoas era depressiva ou suicida. Acho que aquilo não a afetava. “Levante-se e se apronte, o café da manhã já será servido”.
“Já estou indo”. Na verdade eu não estava ‘indo’, eu só queria que ela saísse logo dali, eu não queria comer ou ver aquele bando de loucos, eu queria ficar sozinho, mesmo não sabendo se isso adiantaria alguma coisa além de me deixar mais deprimido ainda.
“Certo então”. Ela disse saindo e fechando a porta.
Meu corpo todo doía, parecia que eu tinha levado uma surra daquelas, me levantei com certa dificuldade e fui até o banheiro, parei em frente ao espelho, meus olhos estavam rodeados de grandes e fundas olheiras, parece que os resultados do choro de ontem a noite estavam começando a parecer permanentes, mas também o que eu esperava? Eu nunca havia chorando tanto na minha vida.
“Veja a que ponto você chegou, Gerard! Chorar por um cara, que ridículo, aposto que ele está lá agora todo feliz e nem se lembra que você existe” eu ouvi uma voz dizer, mas uma voz qualquer, era a minha voz. “Ele nunca te amou, só dizia aquilo pra te iludir, seu idiota! Aceite, ninguém te ama.” O que estava acontecendo comigo? Eu nunca pensaria uma coisa dessas do meu baixinho, ele me ama, disso eu tenho certeza. Aqueles pensamentos eram involuntários. “Você vai morrer aqui, Gerard. E adivinha? Seus pais não se importam, seu irmão está ocupado demais estudando, ninguém tem tempo pra você. Ninguém se importa com a sua vida insignificante.” Lágrimas começaram a brotar do meu rosto. Por que eu estava fazendo aquilo comigo mesmo? Minha mente estava fora de controle. “Você vai morrer aqui, vai morrer se amor, sem amigos.” PORRA, COMO EU FAZIA PARA AQUILO PARAR? Era como se eu estivesse trancado num quarto escuro com a pessoa que mais me odeia na face da terra, e essa pessoa era eu mesmo.
Sai da frente do espelho, liguei o chuveiro e deixei a água quente se espalhar por meu corpo, cada pingo de água que caía em mim doía como se estivessen caindo pedras ao invés de água, meu estado era horrível. Mas eu realmente esperava que meu Frank estivesse bem, ele sim merece ser feliz.
“Você acha que ele te ama? Ele deve estar com outro agora, ou outra, rindo da sua cara, seu idiota.” Os pensamentos começaram a me assombrar outra vez. “Por que você acha que ele te amaria? Você é um viciado, uma nada. O dinheiro do seu papai e da sua mamãe não te comprou vergonha na cara não é?” Comecei a chorar novamente, dessa vez com mais intensidade, as lágrimas que desciam eram como facas riscando meu rosto, a dor que eu estava sentindo era tão grande, tão real.
Naquele momento a voz de Frank me veio a mente, aquela doce voz. Ah, o que eu daria para ouvi-la outra vez.
Frank’s POV
Eu estava feliz por estar finalmente em casa depois de tanto tempo, mas Gerard não me saia do pensamento, o desejo de que ele estivesse aqui do meu lado era enorme.
Meus pais haviam se mudado da nossa antiga casa, o que me deixou feliz porque eu realmente não queria dormir naquele velho quarto onde eu costumava me cortar. Não quero ter que reviver aquelas memórias.
“O que achou da nova casa, filho?” minha mãe perguntou com uma enorme sorriso no rosto.
“É linda, mãe.” Respondi. Seria mais linda ainda ser Gerard estivesse aqui comigo.
Minha mãe estava um pouco sem graça em falar comigo, acho que era por cause do beijo em mim e Gerard que ela havia visto. Mas eu não me importava, eu o amava e não tinha vergonha de dizer isso pra quem quisesse ouvir, na verdade minha vontade era de gritar até meus pulmões explodirem “EU AMO GERARD WAY!”. Sorri ao imaginar a cara que Gerard iria fazer se eu fizesse isso. Eu não conseguia parar de sorrir, e me sentia um pouco culpado por isso, eu deveria (queria) estar triste por causa de Gerard, mas eu não conseguia. Não que eu não o amasse, mas a idéia de começar uma vida nova me deixava extremamente confiante e feliz.
Minha mãe me levou até meu quarto, era perfeito, tinha várias prateleiras cheias de livros e uma cama gigante (que eu desejei poder dividir com meu Gerard). Desfiz minhas malas o mais rápido que pude, eu mal podia esperar para explorar cada canto do jardim da nova casa, poder finalmente me sentir livre, sem muros, sem enfermeiras por todo lado.
Gerard’s POV
Eu estava me esforçando ao máximo para manter aqueles maus pensamentos longe, estava funcionando na maior parte do tempo, mas algumas vezes minha cabeça se tornava um verdadeiro inferno. Precisei de uma dose extra de calmantes, que me fizeram ficar meio grogue.
“Olá, Gee! Como está indo?” Demi veio saltitando até o banco onde eu estava no jardim. E o mais surpreendente é que ela estava sorrindo. Porra, eu pensei que ela tinha ficado mal pela partida do Frank. Mas não a culpo, deve ser a quantidade de remédios que ela toma. Eu sentia pena dela, tão nova e tão fodida na vida. Assim como eu.
“Terrivelmente terrível” Respondi tentando sorrir. “E você?”
“Eu também, Fronkeh faz muita falta.” Ela disse ainda com o mesmo sorriso. Parecia uma competição de ‘quem se fingia melhor’.
Depois de longos minutos conversando, fomos para a sala de recreação onde tava tento algum tipo de aula de música ou algo assim, o que me fez lembrar de Frank mais uma vez. Das longas horas que passamos ouvindo discos juntos, das nossas musicas preferidas.
E assim o dia se arrastou, assim como as duas semanas seguintes. Eu estava morrendo aos poucos. Frank ainda não havia me ligado nenhuma vez se quer, comecei a pensar que a voz em minha cabeça estivesse certa. Talvez ele não me amasse de verdade.
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