Notas iniciais
Hey semideuses! Como vocês estão?
Capitulo seis totalmente da Rachel.

Annamar Grace.

Entrei na Casa Grande com Quíron e as crianças ao meu encalço. Coloquei Jennifer rapidamente na mesa de – piquenique – reuniões e me virei para Mateus, que observava a cena como à coisa mais normal do mundo.

— O que houve? – ele disse entediado.

— Vá à enfermaria e me traga néctar, ambrosia e esparadrapos. – pedi. Ele continuou parado, me olhando. – AGORA! – gritei e ele saiu nervoso.

— Annamar... – Quíron começou, mas o ignorei. Jennifer gemia de dor de vez em quando. Seu sangue manchando meu vestido. – Rachel quer falar com você.

— Ela pode esperar! – disse entre dentes. – Pelos deuses, será que alguém pode chamar algum filho de Apollo?

Andrew levantou-se prontamente e saiu.

— Gabriella, convoque os lideres de chalé e os instrutores de atividades. Vamos fazer uma reunião. – Quíron pediu.

— Certo. – e ela saiu, deixando a porta bater em suas costas.

— Você não vai agüentar isso sozinha. – Quíron tornou a dizer. Eu não entendi o que ele quis dizer com isso, mas tornei a ignorá-lo. Ele descansou sua mão em meu ombro e eu senti o peso do mundo sobre minhas costas. – Uma hora você vai ter que aprender a confiar nas pessoas.

— O que quer dizer com isso?

— Um dia você descobrirá. – e então dobrou suas patas, para que logo eu o visse sentado em uma cadeira de rodas motorizada.

— Chegamos! Pode deixar que assumiremos por agora Lady Annamar. – Kimberly e Daniel Summer, os gêmeos de Apollo, disseram. Eu olhei novamente para Quíron e depois para o lance de escada acima.


Não se passava das 3 horas.

Atravessei o quarto lentamente. Rachel fitava atrás da janela, porem, sem prestar atenção no que se passava do outro lado do vidro. Seu corpo contraiu. Ela moveu-se duramente, encontrando meus olhos.

— Senti sua falta! – ela veio ao meu encontro com passos pesados. Seu corpo contraiu novamente, sua boca abriu-se lentamente e uma fumaça verde escorregou para fora dela.

Antes que eu pudesse tomar fôlego e esperar, a fumaça ganhou forma. Não era quem ou o que eu esperava ver. Diante de mim, estava minha mãe. Seus olhos estavam entreabertos e seu rosto carregava uma expressão vazia. Ela abriu a boca e recitou a profecia.


“Em sete anos, os cinco heróis lutarão

Contra aquele que o Olimpo deseja,

E contra aquela

Que a vingança acha justa.

Mesmo com todas as forças

Um risco terão que correr.

Aquele que é renegado

Será o único que os poderá socorrer.

Da mão da aventureira e do valioso poder,

Um verdadeiro herói padecerá.

E somente o sacrifício da única filha,

O Olimpo enfim, salvará”.


— Você sabe o que deve fazer agora, não sabe Annamar? – minha mãe disse alguns minutos depois, movendo os lábios verdes enfumaçados. Eu encarei seus orbes totalmente verdes.

— Não. Eu não sei o que fazer! – admiti, mas a duvida começou a crescer dentro de mim.

— É claro que sabe. Você é minha filha. Você é uma Grace! A inteligência e a força correm em suas veias, Annamar. Você sabe como resgatar a garota. Você sabe o que deve oferecer a Reia. Uma alma por outra. Uma prêmio por um desejo. – ela disse como se estivesse somando dois mais dois.

— Como vou saber se estou fazendo certo? Como vou manter todos em segurança, mãe? – disse exasperada. Ela me deu um sorriso confiante e levantou um braço como se quisesse me abraçar. Mas ele passou através do meu corpo e se dissolveu. Rapidamente se refez.

— Você tem muitos amigos não é? São um grande exercito, eu acredito. – ela disse brevemente, fazendo com que novas idéias começassem a surgir. – E eu gosto de arco e flecha. – ela disse.

— O que? – questionei confusa.

— Isso mesmo! Eu gosto de arco e flecha. São fáceis de manipular e quase nunca são vistos. – ela sorriu. – Eles nem vão saber o que os acertaram. – ela disse docemente. Acabei me lembrando de onde ouvirá essa frase. Thalia. Há alguns anos atrás, na Guerra contra os Titãs. Ela acabará por usar essa frase quando nos ajudará. – Exatamente! Agora, eu tenho que ir. Eu não pertenço mais ao mundo dos vivos. Eu espero que entenda o que eu quis dizer. E, Annamar, eu amo vocês. Amo Thalia, amo você e amo Jason. – ela sorriu e se desfez em nevoa.


Rachel estava sentada em sua cama, balançando suas pernas para lá e para cá. Ela não parecia ter mais de 18 anos, embora ela tivesse, realmente, 34 anos. Seus olhos ficaram confusos quando eu disse que minha mãe havia incorporado pela fumaça.

— Isso é estranho! Mas, você sabe o que ela quis dizer com “exercito”? – Rachel perguntou fazendo aspas com os dedos. Eu pensei um pouco antes de responder. Eu ainda estava encarado as paredes amarelas do quarto de Rachel. Elas tinham alguns desenhos estranhos, mas não me ocupei em saber. Era coisa de Oráculo.

— Creio que sim! – admiti.

— Qual é o plano? – ela perguntou, aproximando-se ainda mais, completamente alegre.

— Temos que nos dividir. – eu disse e ela parou de balançar as pernas, pasma.

— O que? – ela quase gritou. – Quer dizer, vamos lá Annamar. Se dividir nunca é uma boa idéia. – ela disse mais baixo.

— Eu sei, mas... Somos um exercito. Às vezes é preciso. Tudo agora está indefeso. – eu disse, me levantando. – O Acampamento não está não seguro. Atlântida não está. O Mundo Inferior não está. Nem mesmo o Olimpo está. – eu terminei, atirando minhas mãos para o alto.

— Annabeth, Percy, Nico, Storm, Luke e você. – ela recitou. Eu a encarei.

— O que quer dizer? – cruzei os braços.

— Vocês devem liderar as equipes. – ela disse como se fosse a coisa mais normal do mundo.

— Não podemos! Deuses não interferem nas missões, Rachel. – eu disse entediada.

— Mas você não foram sempre deuses. – ela explicou, deitando-se na cama de barriga para baixo e balançando os pés no ar.

— Mas... – eu dizia, mas ela me interrompeu, apontando para o lugar onde fica o coração. – A alma não muda.

— Exato! – ela sorriu e cruzou os tornozelos no ar. – Vocês até já sabe quem deve levar e o que deve fazer. Agora, se eu fosse você, resolvia isso logo. – ela disse em um tom de voz baixo. – Então, por que não chama sua filha aqui para começarmos? Nesses dois meses, eu estive em uma longa viagem. Eu adoraria conhecê-la.


Manuela encarava Rachel como se ela fosse de outro mundo – o que era bastante considerável. Rachel balançava as pernas ainda encarando Manuela. Ela estendeu a mão e disse:

— Bem, muito prazer, eu sou Rachel Elizabeth Dare. Portadora do Oráculo dos Delfos, de Lorde Apollo que... – eu ergui a mão e a interrompi.

— Já sabemos disso, Rachel. – aleguei completamente entediada. Manuela me encarou, esperando que dissesse a ela o que fazer agora. – Vamos, faça a pergunta querida. Do jeito que Rachel te ensinou.

Manuela engoliu em seco e com dificuldade, desviou os olhos de mim para Rachel. Ela suspirou e disse:

— Oráculo dos Delfos, o que tem para me dizer?

O corpo de Rachel contraiu, e isso fez Manuela dar um passo em falso para trás. Ela caiu sentada no chão enquanto o Oráculo se manifestava e deslizava a fumaça verde para fora. Ela se enrolou pelo corpo de Rachel e a fez flutuar alguns centímetros do chão. Seus olhos desceram até encontrar o de Manuela, que ainda estava sentada no chão, completamente imóvel. Então proferiu.

“Em meio a brigas e discussões

Partirão para a cidade proibida.

Obstáculos e diferenças deverão quebrar

Para que ao fim da missão possam chegar.

Terão enfim, um destino a cumprir:

A benção receber,

O ingênuo matar,

E na morte confiar”.


O corpo de Rachel tremeu novamente e ela caiu sentada no chão. Andei até ela e estendi-lhe a mão. Manuela continuou lá, sentada, encarando-nos como se fossemos estranhos. Eu queria me desculpar, mas eu não tinha palavras e muito menos coragem.

— O que quer dizer? – ela perguntou, voltando a vida.

— Não sabemos. É uma profecia. Ela vai ser revelada com o tempo. – garanti, oferecendo-lhe a mão. Ela aceitou facilmente.

— Eu disse algo empolgante ou foi tipo como se eu pisasse na sua esperança? – Rachel perguntou com um sorriso. Eu ri.

— Talvez um pouco dos dois. – eu disse apenas para aliviá-la, mas eu estava tremendo por dentro. – Precisamos descer. Acho que talvez seja hora da Tayla saber a profecia. – eu disse e olhei para Rachel. Ela ergueu as sobrancelhas. Olhei para Manuela. – Vamos?


Tayla subiu assim que apontei para ela o lance de escadas.

Tão rápido quanto eu poderia achar que fosse, ela voltou. Talvez tenha passado apenas quatro ou cinco minutos.

Eu a olhei com expectativa, mas seus olhos varreram toda a sala, observando a todos.

Primeiro seus olhos pararam em Vinicius, que representava o chalé de Zeus, logo olhou para Rodrigo de Atena, Jennifer e Andrew de Hestia, Mateus de Hades, Daniel e Kimberly de Apollo, Karina de Hefesto, Eva de Demeter e todos os outros que eu desconhecia. Então eles se moveram para antigos campistas, que agora instruíam o Acampamento. Entre eles havia Clarisse e Chris, Clovis, os gêmeos Stoll, Polux, Nyssa, e os espíritos conselheiros de Will, Silena e Charlie. Havia instrutores que foram resgatados logo depois da Grande Guerra. Eu não me recordava o nome de todos, mas assim que bati os olhos em Jacob, um filho de Ares que resgatamos, soube que o destino de todos naquela sala, estavam ligados.

— Tayla, – Quíron a chamou. Relutante, ela se virou. – Gostaria de nos dizer a profecia?

Nós inclinamos em expectativa quando ela suspirou e entreabriu a boca.

“Quatro meios-sangues deverão partir,

Guiados pela luz e pela sabedoria.

No ‘templo’ esquecido encontrão

O inicio da sua missão.

A morta, o passado e a obrigação

Serão, no fim, a salvação.

Um amigo morrerá

Para que outro regresse”.

A sala foi tomada por um silencio perturbador. Eu poderia dizer que as engrenagens de Rodrigo estavam funcionando, mas nem ele poderia nos dizer o que aquilo significava.

— Quíron, – eu o chamei. – Devemos nos dividir.

— O que? – ele disse perplexo.

— Rachel disse que eu devo participar da missão. Mas, eu não posso simplesmente deixar tudo desprotegido. – aleguei.

— Eu não entendo. – ele disse enquanto coçava a barba desgrenhada.

— Não temos que entender. – eu disse. – Temos que fazer. É uma profecia Quíron. Nunca deu certo mudarmos ou entende-la. Apenas temos que começar.

— Mas, estamos falando de nos dividir. Para onde quer mandar os campistas? – Quíron perguntou.

— Thamires de Poseidon, Bryan de Clarisse e Chris, Andrew de Hestia e Kimberly de Apollo irão para Atlântida. – eu disse. Quíron analisou e aceitou. – Poseidon e Atena precisarão de vocês lá. Devemos ficar olho em Oceanos. Nunca se sabe quando eles poderão voltar. – terminei e os quatro saíram da Casa Grande, rumando os chalés.

— O que devemos fazer por aqui? – Clarisse questionou, cruzando os braços e flexionando os músculos. Eu sorri.

— Você e todos os instrutores ficaram aqui de olho. – eu disse. Clarisse e Chris me lançaram um sorriso de lado e saíram.

— Dorothy irá para o Mundo Inferior. Não precisaremos de tantos campistas lá. – eu disse. – Hades não gosta muito. – acrescentei. Quíron concordou.

— Vinicius, Tayla, Rodrigo e Mateus irão comigo e Annabeth atrás do Símbolo de Reia. – eu disse apontando para cada um deles. Eles concordaram.

A sala ficou em silencio.

— Alexander, Lendon, Manuela e Gabriella. Vocês irão com Perseu e Nico atrás de Isabella. – terminei. Virei-me e encarei os outros representantes. – O resto de vocês deverá ficar entre o Acampamento e o Olimpo. Se for preciso, vocês deverão dividir-se em chalés e irem até lá. Por hoje é só. – encarei. – Agora, arrumem-se. O jantar já vai ser servido.


Quíron andava de um lado para o outro, sua cadeira motorizada fazia um barulhinho estranho que já estava começando a me irritar. Tentei não parecer zangada com sua demora, mas eu era impaciente e, vindo de anos atrás, eu ainda tinha déficit de atenção.

Por fim, ele disse:

— O que você entenderia por “Templo Esquecido”?

— Eu não sei. Os deuses tinham algum templo paralelo ao qual eu não fui informada? – quis saber.

— Não que eu me lembre. – ele esfregou o queixo. – Chamamos de Templo tudo aquilo que nos mantém ligado a algum sentimento mortal. Aquilo que nos transformou no que somos hoje. – ele disse cruzando os braços. – Como Ares gostar de tanques e ter seu templo em um Museu de aeronaves. Tudo isso nos liga com nosso passado e o que nos elegeu esse cargo.

— Isso não faz sentido. A profecia foi para Tayla. Mas ela descobriu o que é aqui no Acampamento. Poseidon a guiou até aqui.

— Talvez... – ele disse e estreitou os olhos. – Talvez a profecia não seja para ela. Talvez Tayla seja apenas uma informante. – e então ele me olhou. – Sua informante.

— Mas nesse caso, Rachel deveria ter dito a mim, e não a ela. – disse zangada.

— Você prestou atenção no que eu disse? – ele disse calmamente, enquanto soltava um longo suspiro. – Ela pode ser uma informante, Annamar. Deuses não recebem profecias de missões. Recebem apenas Grandes Profecias.

— Certo, certo. – eu disse enquanto procurava um modo de mudar o assunto. Felizmente, a concha soou ao longe anunciando o jantar.

Quando Quíron abriu a porta, mudando rapidamente para a forma de centauro, eu vi o céu claro, começando a ganhar um tom azul marinho. Ao longe, eu conseguia ver o pico do sol desaparecendo. Lá estava Apollo cumprindo com suas obrigações. E rapidamente lembrei-me qual era a minha missão nesse exato momento.


Notas finais
Sério, eu amo demais o Quíron. Ele é o tipo de professor que eu queria ter. Não é a toa que ainda estou na esperança de que um sátiro apareça na porta de casa. Nem que eu seja apenas uma filha de Íris, mas eu já estaria feliz. Mas bem que eu queria ser uma filha de Zeus.
De qualquer forma, eu espero que tenham gostado!
Beijos meios-sangues.