Herois do Olimpo - a Profecia.
7 VII. Passado.
Notas iniciais
Pois é... ISTO É UMA FANFIC - NÃO MAIS UMA SHORT-FIC. O Mateus me importunou tanto que resolvi colocar tudo nessa.
Espero que gostem!
Mateus Souza.
Eu estava indo para o pavilhão quando vi Annamar.
Ela estava encostada contra um dos pilares de braços cruzados. Seu rosto carregava uma expressão neutra. Os campistas ainda pareciam embasbacados com a presença da deusa no Acampamento. Não era muito comum os deuses visitarem seus filhos. Quanto mais deuses com um único filho.
Assim que me aproximei fiz uma reverencia, e percebi que ela ainda usava o vestido sujo de sangue. Ela apenas limitou-se a me analisar.
— O que queria comigo? – ela questionou, desencostando do pilar. Lá dentro, Quíron informava a todos sobre as missões.
— Eu não sei do que você está falando. – eu disse, e ela chegou mais perto. Embora ela fosse meia cabeça mais baixa, dei um passo para trás. Ela ainda sim era mais forte do que eu e bem mais poderosa – sendo deusa ou não.
— Você sabe do que eu estou falando. – ela começou a caminhar, dando-me as costas. Eu a segui. – Sobre sua missão. Contaram a você algo que não poderia.
— Circe disse que eu acabaria iniciando uma guerra. Que eu sempre fui assim, desde os tempos antigos. – contei. – O que ela quis dizer?
— Por que acha que eu te chamei para essa missão? – ela disse, ainda caminhando de costas para mim. Ela seguia para a Colina. – Deuses não podem desafiar um meio-sangue. Mas quando um meio-sangue desafia um deus...
— Podem atacar com força máxima, sem restrição alguma. – terminei. Ela acenou. – Mas... Eu não entendo. O que tenho haver com isso?
— Seja lá quem vamos enfrentar, eu preciso dos seus poderes. – ela ainda continuava andando. – Preciso saber quem está controlando Reia.
— O que? Como assim, controlando Reia? – perguntei. Ela parou de andar e se virou.
— Acha mesmo que Reia atacaria seus próprios filhos?
— Claro! Eu não sei se você estava naquela arena hoje, mas eu estava. Mesmo que por alguns minutos, eu estava. E definitivamente, ela quer Cronos de volta. – eu disse, apontando o dedo para a arena.
— E novamente, você esta errado. – ela me deu as costas de novo e decidiu continuar seu trajeto. – Por que Reia vingaria alguém que até milênios atrás a maltratava? Isso é filosofia Mateus.
— Talvez se ela o trouxer de volta, ele dará um pedaço do mundo para que ela governe. – eu disse. – Me parece bom o suficiente.
— Por quê? Se isso fosse com você e Thamires, era isso que faria? – ela se virou novamente e me encarou. Ela estava quase sorrindo.
— Eu não sei do que você está falando. – eu disse duramente.
— Certo, eu finjo que não sei que você ainda gosta da filha de Poseidon e todos seguiram em frente não é? – ela disse com uma pontada de raiva, o vestigio do sorriso sumindo.
— O que isso tem haver? – eu disse zangado. Minha voz subindo uma oitava. Ela não se deteve. Apenas me pareceu bastante neutra.
— Você vai errar de novo. – ela garantiu. – Você tem que descobrir quem é Mateus.
— Mas o que isso tem haver?
— Se você não descobrir quem é, e não tentar mudar isso, você acabará matando quem não deve por algo inútil. – ela disse entre dentes. – E irá começar outra guerra.
Então ela se aproximou e assoprou no meu rosto.
Eu não estava mais próximo a Colina Meio-Sangue. Eu não estava nem mesmo no Acampamento.
Tentei clarear minha mente quando abri os olhos e observei ao redor. Eu não estava em nenhum lugar dos quais eu já fora visitar ou exercer uma missão. A pequena cidade parecia ter milênios e mais milênios de existência. Mas mesmo assim, ela era encantadora.
Eu me levantei um pouco cansado, sentindo minha cabeça pesar como se tivesse ficado debaixo da água por mais tempo que o normal e me afogado. Eu encarei minhas mãos e meus braços, percebendo que estava mais moreno do realmente sou. Eu não usava roupas do século atual. Era alguma coisa como uma túnica ou algo assim.
Eu analisei mais algumas coisas ao redor, e caminhei até uma fonte. Eu estendi minhas mãos em direção a água e, pela primeira vez, vi o meu rosto nela. Eu não tinha mais pele pálida, nem marcas duras, nem olhos verdes e nem era mais loiro. Minhas feições eram mais leves e meus olhos eram escuros. Meu cabelo estava um pouco acima dos ombros e pareciam com algum ninho de rato. Eu deveria ter pelo menos uns 20 anos.
— Corram, corram, vai começar. – pessoas gritavam umas para as outras. A curiosidade se remoeu dentro de mim e eu as segui em direção ao uma larga rua.
Pessoas batiam e empurravam umas as outras para ver o que acontecia na rua. Eu fui jogado para frente, parando próximo a rua. Do outro lado, havia mais pessoas ansiosas para ver o que quer que fosse acontecer.
Ao longe, um som estranho soou, como se para anunciar a chegada de alguém ou algum desfile. E, enquanto os guardas de algum lugar começavam a aparecer, eu acordei.
Diferente de como eu pensei, eu não estava jogado no chão gramado da Colina. Eu estava no chalé 13, deitado em minha cama e com um pano molhado e quente em minha testa.
— Pelos deuses! Seu quarto é realmente desorganizado. – a voz de Annamar veio detrás de mim. Eu me levantei um pouco estressado pela falta de privacidade.
Ela estava parada próxima a minha estante de livros batendo na capa de alguns. Partículas de poeira voaram. Se ela parecia ciente que eu estava ali, não demonstrou. Ela apenas se virou e começou a mexer no meu armário empoeirado.
— Você já pensou em limpar isso aqui de vez em quando? – ela perguntou, mexendo em alguns papeis que eu não sabia o que eram.
— Às vezes eu penso, mas logo desisto. – admiti ainda irritado com a intromissão.
— Não fique irritado garoto. Os deuses são intrometidos assim mesmo. E eu sou pior ainda, porque sou assim por natureza. – ela disse enquanto movia aleatoriamente os papeis, os vendo.
— Certo. – eu disse. – E eu devo temê-la?
Ela se virou para mim, revelando os papeis que segurava. Eram alguns dos meus antigos desenhos. E então a raiva voltou. Ela disse:
— Mais do que você possa imaginar.
— Então tá. – eu disse sério.
Distraidamente, percebi que ela não usava mais o vestido de antes. Ela usava alguma coisa normal. Alguma coisa que eu geralmente via Tayla, Thamires ou as outras campistas usando. Era um short jeans curto, uma camisa preta do Green Day e um all star preto novinho.
— Por que não está mais usando aquele vestido? – eu disse, movendo meu dedo para cima e para baixo. Ela me olhou confuso e se analisou.
— Já ouviu falar de algo chamado banho? – ela perguntou, cruzando os braços. Eu a encarei, bravo. – Já é quase de manhã. Suponho que deveria fazer o mesmo Mateus. Logo vamos para a missão.
— O que? Missão? – perguntei. – Mas... O jantar não terminou agora?
— Se agora pra você quer dizer a 9 horas, então sim. – ela disse, virando-se novamente para meu armário. Seu cabelo preto estava solto e isso me fez pensar que horas ela sairia do meu quarto. Aquilo já estava ficando seriamente chato.
— Certo. Então, vou me arrumar. – eu disse apontando para o banheiro. Ela apenas balançou a cabeça e não fez menção alguma de sair.
Caminhei para o banheiro olhando de vez em quando para trás. Quando entrei, ela ainda estava lá, passando os papeis. Fechei a porta por alguns segundos e tornei a abri-la. Dessa vez, ela não estava lá.
Notas finais
Nos vemos semana que vem campistas! Beijos.
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