Heroic Wish
7 Capítulo 7
O luar reluzia o quanto podia pelos imensos jardins da mansão Wayne, e seu dono permanecia sentado em um dos bancos que existiam pelo cemitério da família, encarando intensamente o epitáfio dos pais. A dor da perda não passava com o avançar dos anos, nem ao menos diminuía. O acontecimento que traumatizou sua infância e marcou sua vida vagava por sua mente sempre que não estava ocupada com os afazeres de herdeiro da família e como o cavaleiro das trevas. Confessava que por várias vezes a convivência com Alfred e os prodígios rendia momentos agradáveis, quiçá divertidos, mesmo Jason tendo o temperamento que tem, sendo tão diferente dos outros rapazes. As diferenças entre eles fazia com que tudo parecesse com uma família de verdade. Mas era de fato uma família, não era?
– É difícil te ver distraído, Bruce...
Nem se deu ao trabalho de se virar para o visitante, reconhecia aquela voz de longe.
– Distraído, talvez, mas nunca despreparado.
– O que quer dizer? Por acaso você está com aquele anel de kryptonita que tanto falam? – riu.
O Wayne encarou Clark Kent, que flutuava ao seu lado, reparando que o mesmo estava com seu uniforme usual de Superman, e ignorou a pergunta do mesmo (Porque era verdade).
– Está aqui à trabalho? — Perguntou, voltando a olhar o local onde os pais foram enterrados.
– Não, na verdade eu queria...
– Pouse.
Bruce comandou, claramente incomodado. Clark interrompeu sua fala e fez o que fora pedido, apesar de ter soado mais como uma ordem. Bruce sempre deixou claro o quanto desconfiava de sua condição alienígena. E mesmo com o convívio na Liga da Justiça, Batman fazia questão de demonstrar que não confiava em nada e nem ninguém que não estivesse sob seu controle.
Por isso não se incomodava mais com o gênio forte do bilionário, já até se acostumara com o mau humor de Bruce, tanto que era o único dentro da Liga que conseguia lidar com o morcego sem iniciar uma discussão. E admitia que, naquele momento, estava ali por sentir falta dele.
– Assim está melhor?
– O que você quer, Clark?
O jornalista fez menção de sentar ao lado de Bruce, mas este colocou uma mão no assento ao lado, impedindo tal aproximação. Clark suspirou.
– É alguma data especial para seus pais? – Perguntou.
– Não.
– Então por que está triste?
– Não estou triste.
– Não é o que parece.
– O que você quer, Clark?
Perguntou novamente, dessa vez transparecendo ainda mais incômodo.
–... Vim aqui porque queria te ver, Bruce.
O silêncio se mostrou presente de forma intensa entre os dois durante alguns minutos. Em algum momento, teve permissão de sentar ao lado de Bruce, quando este retirou o braço do assento ao lado, e então o silêncio perdurou por mais algum momento.
– Quer beber alguma coisa? – Bruce cortou aquele clima pesado, mas longe de ser desagradável.
– Adoraria.
Respondeu, logo seguindo o herdeiro, que já se encaminhava para a mansão.
–----x-----
Ouviu vozes no escritório de Bruce e passou direto pelo local, torcendo para não Bruce não cruzar seu caminho. Ao invés disso, Alfred saiu do local com uma bandeja vazia, estranhando o andar sorrateiro de Tim pelo local.
– Algum problema, patrão Timothy?
– Não, Alfred... – Falou baixo. – Temos visitas?
– O senhor Kent, veio fazer uma visita formal, pelo visto.
O coração de Tim deu três saltos e seu sangue gelou ante o que fora dito.
– O que Conner está fazendo com Bruce aí dentro??? – Falou mais alto, demonstrando toda sua surpresa.
–... Clark Kent veio visitar o mestre Bruce.
Tocou a testa e a tontura começava a passar. Não entendia por que havia se assustado tanto por achar que era Conner tendo uma conversa privada com Bruce, e preferiu nem pensar mais afundo no assunto. Suspirou e deu leves batidas no ombro de Alfred.
– Estou voltando para a Torre, Alfie, até a próxima! – Correu a caminho da caverna, ansioso para reencontrar seu clone, quando o mordomo se pronunciou.
– Conversou com o patrão Richard?
–... Conversei. Ele vai passar um tempo fora. Mas continua operante, como sempre.
– Timothy, isso é...
– Eu sei, Alfred... Mas foi uma decisão dele e ele sabe as consequências disso. – Abaixou o olhar e desejou poder ter invertido a situação e convencido Richard a ficar. – Ele está com Jason.
–... Isso deveria me reconfortar?
– Não foi a intenção. – Sorriu. – Só avisando, pode ser que eles demorem a voltar... – Retomou os passos para a caverna. – Nos vemos durante a semana, Alfred!
– Certo, até mais, patrão Timothy. – Despediu-se do jovem e seguiu para seus aposentos, já que Bruce o havia dispensado.
–----x-----
Pegou emprestado o batplano novamente e partiu para a Torre, preocupado por ter passado tanto tempo longe (algumas horas) de Conner sem ter dado qualquer satisfação. Conhecia seu clone e esclarecimentos seriam cobrados da forma mais infantil imaginada. Admitia internamente que adorava esse lado meigo e um tanto carente em Kon-El, e a vontade que tinha era de mimá-lo como se não houvesse amanhã, por mais pegajoso e brega que isso soe a qualquer um que ouça.
Passou a viagem inteira pensando em encontrá-lo, mas quando finalmente chegou à Torre...
– Ele não está?
– Disse que tinha uns assuntos pra resolver em Smallville, então voltou mais cedo pra casa. – Mutano conversava com o amigo, encostado à porta de seu quarto, segurando sua escova de dente e uma toalha pendurada no ombro. – Ele não parecia bem desde de manhã, tentamos conversar, mas você sabe como ele é retraído, não é?
Robin não sabia do que o transmorfo estava falando. Conner falava muito bem de seus sentimentos para si. Imaginava se era o único que reconhecia tal característica no clone.
– Achamos que era por causa do que rolou ontem, mas ele não nos deu chance de falar nada e se mandou.
– Bom... Ele realmente devia ter assuntos a tratar... – Disse secamente. – Obrigado, Gar.
– Não por isso. – Via o companheiro caminhar tristemente pelos corredores da Torre. — Quem diria, esses dois... — Garfield voltou a escovar os dentes e travou a porta de seu aposento.
Subiu para o Terraço da Torre Titã, admirando a visão privilegiada e boa localização que a base possuía. As luzes da cidade refletidas no mar causava um contraste bonito de se assimilar, mesmo que o expectador em questão não esteja se sentindo muito interessado naquele tipo de beleza. O vento frio foi cortado por seu hálito quente quando sussurrou o nome de Conner, em um chamado doce por aquele que ama. Suspirou derrotado e decidiu se preparar para dormir sozinho e abandonado em seu quarto frio da Torre, quando viu uma sombra atrás de si. Virou-se assustado, mas logo sorriu ao constatar que se tratava de Conner.
– Kon! – Sorriu, deixando demonstrar sua alegria em encontrá-lo. – Me disseram que tinha voltado pra Smallville.
– Você acabou de me chamar, então voltei.
Tim arregalou os olhos, um tanto impressionado.
– Eu sussurrei seu nome... – Corou. – Você conseguiu escutar lá de Smallville??
– Na verdade, estava na esquina da rua...
– Ah... – Ainda assim sentia-se um tanto chocado com as capacidades de Conner.
Encarou o mais alto, mas este desviou o olhar, parecendo um tanto irritado. Logo adivinhou o motivo.
– Surgiu um problema em Gotham. Tive que me ausentar por umas horas. Voltei o mais rápido que pude. Desculpe.
– Tudo bem. – Disse secamente.
Quase recebeu aquela resposta como um descaso da parte de Conner, mas ignorou essa sensação.
– Você está bem?
– Aham.
– Certo... O que tinha para resolver em Smallville? Precisa de ajuda em alguma missão?
Conner virou-se de costas para o menino prodígio e caminhou até a borda do terraço, sentando-se ali.
– Kon, o que foi? – Colocou-se de pé ao lado dele.
– Por que não me chamou enquanto estava em Gotham? Podia ter me ligado, ou coisa parecida, não é?
Robin suspirou, quase aliviado. Aquele era o Conner que conhecia, afinal.
– Me desculpe, era um assunto familiar... – Colocou as mãos nos ombros de Kon-El. – Queria ter ligado, mas não pude na hora. – Sentiu como se estivesse contando uma pequena mentira. Inocente, mas mentira.
– Familiar... – Sussurrou. — Você se encontrou com Asa Noturna... Se encontrou com ele e sequer se deu ao trabalho de me avisar. Fui obrigado a saber sobre você através da Cassie, e não gosto disso. Não gosto nada disso... – Disse de cabeça baixa, com um tom de voz claramente magoado.
Jogou para fora tudo o que tanto queria dizer e fazê-lo de forma tão direta assustou Robin, por assim dizer. Ele soltou os ombros do clone e perguntou:
– O que Cassandra disse?
– Eu tentei levar numa boa, você já me disse que continuariam trabalhando juntos, mas eu...
– Kon, o que Cassandra disse pra você? – Insistiu, elevando o tom da voz.
–... Que ia encontrar ele...
Imaginou que a loira usara a maneira errada de dar a notícia para seu clone, já que ele se encontrava tão longe de ser aquele que era na noite anterior. Registrou o ocorrido com a Moça Maravilha e iria tomar providências no futuro, mas agora deveria cuidar das consequências. Sentir que ela havia feito Conner desconfiar de si o deixava nervoso e inquieto, e cuidou de contar toda a verdade para o rapaz.
– Alfred havia me ligado, avisou que Dick estava indo embora da mansão. Fiquei preocupado com ele e fui tentar impedir isso. Precisamos dele em Gotham. – Ouviu Conner soltar um “tsc” e continuou falando. – Ele se foi junto com Jason, mas disse que voltaria. – Pousou as mãos de volta nos ombros de Conner, apertando-os um pouco. – E então vim correndo te ver... Não me aguentava de saudade.
–... Não aconteceu mais nada?
O mimo começava a surtir efeito e então Robin sorriu, agachando-se e o abraçando pelo pescoço, por trás.
– Você me ouviu dizer que não me aguentava de saudade? Assim que tudo se resolveu, caí fora de Gotham... Claro que não aconteceu mais nada.
Conner fechou os olhos e apreciou o abraço, sorrindo envergonhado pela ceninha que havia armado. Puxou Robin para seu colo, carregando-o enquanto iniciava um voo.
–... Está me sequestrando? – Perguntou, divertindo-se com a ideia.
– Você é só meu até eu esquecer essa história...
– Teimoso do jeito que é, não vai esquecer nunca, Kon. – Brincou.
– Que seja então...
Beijou seu menino prodígio docemente, mordendo de leve seu lábio inferior antes de sair em disparada para seu destino.
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Continua...
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