Heroic Wish

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Capítulo gigante #milagredenatal

– Como assim acabou a pizza???

Falava consigo mesmo, com a cabeça dentro da geladeira, tirando as coisas do lugar, deveras indignado. Usou a hipervelocidade e tirou tudo de dentro do refrigerador e fingiu estar em um filme dramático, agarrando os próprios cabelos e gritando de forma falsa:

– NÃO TEM PIZZAAAAaaaa...!!! – Caiu no chão, estirando-se desanimado, logo se levantando e iniciando a preparação do seu café da manhã, como se nada tivesse acontecido.

Mutano estava na entrada da cozinha há algum tempo, com uma mão na boca, tentando controlar a gargalhada por ter presenciado a brincadeira de Bart. Aquele garoto era maluco, isso não tinha como negar. Não negava também a alegria que brotava em seu coração ao cruzar o olhar com o do velocista.

– E aí. – Acenou a cabeça. – Quer café?

– É, eu ajudo.

Caminhou sorridente até a bancada da cozinha onde Bart havia colocado todo o conteúdo da geladeira e separou alguns ingredientes para fazer omeletes e café.

– Dormiu bem?

Kid Flash perguntou inocente, parecendo não se lembrar de que haviam divido a cama para algumas poucas horas de sono.

– É... – Respondeu simplesmente, ocupado demais com seus pensamentos para elaborar qualquer resposta mais sofisticada.

O mais novo olhou arteiro para Mutano enquanto o rapaz batia distraidamente claras de ovo.

– Você faz uns barulhos estranhos enquanto dorme, sabia?

O verde do rosto de Garfield tomou um tom avermelhado e deixou o batedor de ovos cair em meio às claras. Riu sem graça, Bart realmente recordava da noite que passaram juntos...

A face não tinha como ficar mais rubra e pegou o utensilio de volta, continuando o afazer.

– Eu estava transformado, não é como se eu conseguisse controlar os ruídos que faço enquanto durmo.

– É como roncar, então.

– É... É igual, mas é diferente...

Riam e brincavam enquanto tornavam a bagunça na cozinha coletiva da Torre Titã um pouco mais visível. Gar sorria docemente para o amigo e outro sorriso largo e cheio de dentes lhe era dado de presente e aquela situação, até então, lhe parecia muito mais do que perfeita.

Era o paraíso.

–----x-----

Os propulsores foram desativados e assim a aproximação de uma aeronave era alertada pelas mediações da batcaverna. Atravessaram uma das várias entradas secretas para a caverna e pousaram o transporte em seu lugar de origem. O piloto rodou o olhar pelo local, checando se conseguiria destacar o paradeiro do mentor. Desligou todas as funções do batplano e desativou-o, destravando o cinto de segurança e escorando as costas na poltrona de piloto, suspirando e conferindo se todos os passos para o manuseio do veículo foram encerrados.

– Anos me pendurando em trapézios, mais alguns anos balançando pelos prédios da cidade, amparado só por uma corda. Cara, eu já vi o Batman comendo milho da espiga... E meia hora de voo, com você pilotando, consegue me deixar enjoado...

Asa Noturna desprendeu-se do cinto de segurança e desabou pela poltrona do copiloto, secando o suor da testa e respirando pesadamente ao acariciar o estômago.

– Não ligaria a mínima se tivesse vindo pilotando... – Capuz Vermelho respondeu ao comentário julgador de Richard, ainda rodando os olhos pela batcaverna.

– Claro, para o Batman me ver pilotando um batplano todo arrebentado, não é?

Jason revirou os olhos e abriu a porta para sair da aeronave negra.

– Se realmente acha que o Batman nos chamou aqui por causa do batplano, você é mais idiota do que aparenta...

Pulou para fora o veículo, deixando Dick Grayson pensativo, tentando repensar todas as possíveis “pisadas de bola” para com o herdeiro Wayne. Não conseguiu pensar em nada além de sua “fuga” da mansão com Jason. Tentou calcular o quanto isso realmente importava para Batman e quase se assustou quando Jason apareceu pendurado na janela do seu lado do plano, batendo no vidro e fazendo sinal para que a porta fosse aberta, sendo atendido.

– Não vejo Bruce em lugar nenhum.

Richard estranhou o comentário e os motivos que levaram Jason a informá-lo sobre, e se aprontou para sair da aeronave. Caíram no chão juntos e rodearam o olhar pela caverna úmida e escura, com ouvidos e olhos atentos a qualquer sinal do mentor. Apenas o som dos pingos de água e morcegos passando de um lado para o outro da parte superior do local eram percebidos e Richard entendeu o comentário de Jason.

Estavam em meio a um dos inúmeros testes do Batman.

– Devíamos ter vindo com os uniformes... – Asa Noturna comentou e recebeu um olhar furioso de Capuz Vermelho.

– Por isso não saio mais como civil, quando dou por mim sou atacado por batarangues e bombas de fumaça... – Suspirou nervosamente e pulou para fora da área das aeronaves.

– Não é por isso que não sai mais como civil. – Provocou o mais novo, seguindo-o para os tubos com os uniformes reservas.

Ignorou o comentário do mais velho, não daria mais nenhuma explicação sobre aquele assunto e achou por bem manter-se calado, focando os sentidos para aquele teste. Sentia-se velho demais para aquele tipo de provação e tinha consciência do motivo daquilo. Haviam contrariado a vontade do Batman “fugindo” da mansão daquela forma e tinha certeza que Bruce o culpava por aquela afronta.

– A culpa sempre é minha... – Sussurrou enquanto tentava colocar sua fantasia noturna o mais rápido possível.

– O q- -

Asa Noturna aprontou-se primeiro e antes que pudesse perguntar do que o rapaz mais novo falava, uma bomba de fumaça fora lançada em meio aos tubos com os uniformes, interrompendo Jason em sua ação, não lhe dando tempo para colocar a máscara vermelha do Capuz Vermelho e casaco preto com todos os seus equipamentos de combate, fazendo um pensamento lhe ocorrer pela milésima vez:

“Realmente preciso de uma roupa mais prática...”.

Ouviu que uma corda de voo havia sido disparada e a mão fora puxada, sendo arrastado para fora daquela cortina de fumaça armada por Batman. Dick segurava-lhe forte enquanto a corda se enrolava e os puxava para o alto da caverna, fazendo morcegos se dispersarem do local de aterrisagem.

– O que você tem aí? – Richard perguntou secamente, atento ao movimento e barulhos ao seu redor.

– Uma faca de combate e muita, muita astúcia... – Respondeu com algum sarcasmo, esperando ser julgado a qualquer momento.

Richard o encarou sério e teceu o seu melhor comentário sobre aquela situação:

– Você precisa mesmo de um uniforme mais prático...

– Não me diga...

Fizeram silêncio para compreender o movimento do local e sair daquela condição de caça, e então ouviram o morcego se movimentar acima e envolta de si.

– Ele está brincando com a gente. – Jason disse, sorrindo.

– Vamos brincar também.

Ficou em pé e estendeu a mão para Jason agir do mesmo jeito, e já sabiam o que fazer sem nem ao menos trocarem informações sobre a estratégia. Aquele treinamento foi executado muitas vezes, mas nunca tiveram a chance de colocá-lo em prática, e estavam visivelmente excitados com tal oportunidade.

Esperou até ouvir um movimento acima de si e Jason saltou sem qualquer proteção para o centro da caverna, esticando-se em queda livre com braços abertos e confiantes. Richard tinha alguns poucos segundos para evitar que o rapaz se chocasse contra os rochedos do fundo da caverna, caso o plano não desse certo e não chamasse a atenção do caçador para o que estava acontecendo. Resolveu que era hora de dramatizar um pouco mais a cena.

– JASON, NÃO!!! – Asa Noturna gritou a plenos pulmões e Jason gargalhou ao pensar no quão bom ator o mais velho era.

E então sorriu ao finalmente viu Batman saltando atrás do rapaz, preparando-se para aparar o “irresponsável” Capuz Vermelho com uma de suas cordas de voo e deixá-lo em segurança na área do bacomputador. Atingiu-o com a corda, enrolando-a nos tornozelos de Jason, que não esperou para ficar preso em definitivo. Inclinou-se em pleno ar e cortou a corda especial com sua única arma disponível, a faca de combate. Agarrou-se na corda que salvara sua vida e enrolou-a em um pulso, forçando o balanço para o nível mais próximo da batcaverna. O cavaleiro das trevas calculava as intenções do rapaz abaixo de si e quase não conseguiu desviar de dois batarangues lançados pelo primeiro Robin, que ainda jogou boleadeiras em sua direção. Os braços do Batman foram envolvidos belo equipamento e uma defesa foi acionada em sua armadura, fazendo lâminas serem colocadas à mostra e o livrar daquela armadilha.

O Capuz Vermelho fez sinal e Asa Noturna jogou um projétil com estrepes no piso onde Batman aterrissaria, tentando dificultar um pouco mais sua situação. Contudo, o vigilante veterano, assim que se livrou das boleadeiras, girou em uma cambalhota, ativando uma corda propulsora para evitar mais aquela distração. Dick Grayson agarrou a corda onde Jason estava pendurado e balançou-o para fora do alcance dos estrepes no chão, saltando na mesma direção quando viu que tudo havia saído conforme treinado.

Batman, Asa Noturna e Capuz Vermelho chegavam ao chão ao mesmo tempo, todos em suas próprias posições de defesa.

Os três pareciam bem concentrados nos próximos passos para se ultrapassar aquele nível, e então Batman saiu de sua posição de luta, fazendo com que as lâminas de defesa de sua armadura negra retraíssem e soltassem os restos das boleadeiras que ousaram tentar lhe conter.

– Vocês estão atrasados. – Disse simplesmente, deixando-os para trás enquanto tomava seu rumo até o batcomputador.

Suspirou pesadamente e quis sentar-se no chão gelado daquele nível da caverna, onde alguns souvenires de grandes batalhas travadas por Batman eram mantidos por um Alfred colecionador.

– Temos que repensar essa estratégia... – Jason confessou para o companheiro, chamando-lhe a atenção. -... Não sei se me atirar para a morte é a melhor forma de chamar a atenção dele. – Colocou as mãos na cintura e esticou o corpo, estalando alguns ossos.

– A chance de você morrer sempre vai chamar a atenção dele, Jason...

Enrugou o cenho e mirou o chão, achando que aquela resposta de Dick havia feito alusão a um acontecimento terrível em sua vida, chegando a ser inconveniente. Caminhou com certa pressa, seguindo Bruce, não esperando que Richard notasse o quanto suas palavras o feriam.

– Estou tentando entrar em contato com vocês a, pelo menos, três dias.

Entreolharam-se e Jason deixou claro que não se importaria em abrir a boca para explicações, revirando os olhos.

– Estivemos na Torre Titã... – Sentiu Jason lhe olhar de canto de olho ao ouvir aquela meia mentira. -... Cortamos o sinal dos comunicadores por puro capricho, desculpe.

– Precisou da gente? – Jason resolveu perguntar, realmente curioso por conta daquela cobrança.

– Não. – Respondeu com a usual antipatia e Jason sorriu balançando a cabeça negativamente.

O mentor sentou-se enfrente ao batcomputador, ativando-o e pesquisando por alguns arquivos específicos para as missões as quais estava inserido.

– Mas fizeram um juramento para com esta cidade, não quero que se ausentem por mais tempo do que o final de semana. – Encarou Jason Todd, que desviou o olhar. – E gostaria de ter sido informado antecipadamente sobre sua inserção nos Titãs, Jason.

Richard entendeu o constrangimento inicial do rapaz e o viu abaixar o olhar para o mentor.

– Na verdade, isso aconteceu meio que de surpresa.

Batman levantou-se da grande poltrona e caminhou até a frente de Jason, esperando que o rapaz erguesse o olhar para si, tirando a máscara do uniforme quando o fez.

– Eu quero estar ciente antecipadamente sobre tudo o que fizer. – Olhou sério para o rapaz, mas com alguma empatia. – Entendido, Todd?

–... Sim senhor. – Concordou pesadamente.

– E Asa Noturna, por favor, pare de encorajá-lo.

Acompanhou boquiaberto o caminho que o mentor fazia, deixando os dois novamente para trás, e estava pronto para retrucar aquela fala se Jason não o tivesse segurado um ombro, deixando implícito que não haveria necessidade de algum comentário sobre.

– Vocês possuem um ótimo trabalho em equipe, não desperdicem isso. Depois conversaremos sobre o plano danificado que tiraram de Gotham sem a minha permissão.

Bruce disse antes de sumir pela escadaria que dava acesso à mansão Wayne. Richard parecia ainda mais confuso com toda aquela conversa e afastou-se um tanto nervosamente do toque de Jason.

– Por que deixa ele falar assim com você? — Separou-se alguns passos do rapaz cabisbaixo e viu que ele não parecia ter a intenção de lhe responder. – Qual é o seu problema, cara???

Forçou CV a lhe encarar, virando-o para si, agarrando-lhe os ombros e então fora empurrado pelo rapaz com certa violência.

– Você sabe qual é meu maldito problema, seu idiota! – Jason esbravejou para Richard.

– Resolvam isso de uma vez, vocês incomodam todo mundo com esse drama todo!

Respondeu no mesmo tom e desviou cambaleante de um soco veloz de Jason. Olhou-o incrédulo e ofegante, não parando para pensar antes de tentar acertar um chute no rosto do outro, sendo defendido e atacado logo em seguida. Iniciaram aquela luta sem sentido, com ambos tentando se acertar violentamente, mas obtendo êxito apenas em acertar ao ar. Jason lhe gritava xingamentos por entre movimentos furiosos que logo se tornaram sem qualquer técnica, indo ao chão quando Asa Noturna finalmente conseguiu lhe acertar um golpe, prendendo-lhe as pernas e fazendo com que o mais novo caísse no piso. Subiu em cima do rapaz, prendendo seus braços com os joelhos, tentando fazer com que aquela loucura chegasse ao fim quando repensou seus atos violentos. Ainda chegou a defender um golpe que Jason improvisara com as pernas, não obtendo êxito, o que o encorajou a gritar mais palavras de baixo calão para o mais velho.

– Se acalme!!! – Viu que lágrimas se formavam nos olhos raivosos de Jason e suspirou contrariado.

Tirou os joelhos de cima dos braços de jovem vigilante, e imediatamente fora atingido por um de seus socos às cegas.

Aquilo pareceu dar fim aos ânimos exaltados de Jason, que ofegou descontente com as reações do homem sentado no chão.

– Estúpido... – Ofendeu-o com um tom de voz mais calmo e rouco. – Se deixar acertar assim é ridículo...

– Você parecia precisar muito disso. – Remexeu o maxilar e revirou os olhos tediosos quando o sentiu dolorido. – Mão pesada do caramba... – Sussurrou para si mesmo.

– Não revire o passado, Dick... – Estendeu a mão para o companheiro, querendo lhe ajudar a levantar daquele lugar. -... “Nós somos o que somos”, as pessoas em Gotham gostam de dizer isso, não é?

O agredido olhou para a mão e afastou-a de sua frente.

– É uma desculpa de vilões...

Levantou-se sozinho e encarou o rapaz que ria descontente e cabisbaixo.

– Vocês têm que parar de distribuir socos em mim só para se sentirem melhor...

Referiu-se a Timothy e Jason, o fazendo rir um pouco mais alegremente com a lembrança de receber a notícia da agressão de Robin.

– É sempre um prazer te ver apanhando, Dick.

Disse em meio a um pensamento brincalhão, que chegou aos ouvidos de Richard com certo tom perverso. Percebeu um olhar mais profundo do maior e derreteu-se por dentro em culpa. Quis desculpar-se pela agressão, mas ainda sentia-se dono da razão e com todo o direito de impor suas vontades. A superproteção de Batman o afligia desde sempre, e aprendera a lidar com tal situação de forma passiva para evitar ter que se separar completamente daquela família. Tinha consciência de que não conseguiria manter-se são por si só, e o próprio Batman o havia alertado de tal condição. Talvez ele tenha sido condicionado a ter tal pensamento; e talvez tenha deixado o Batman acreditar em tal passividade por pura preguiça de lidar com um possível ressurgimento de temas que não queria reviver.

O passado pertencia à história e não tinha a menor intenção de encará-lo novamente.

Ouviram uma moto derrapar pela entrada de veículos terrestres da batcaverna e Timothy fazia-se presente naquela reunião de prodígios. Capuz Vermelho mostrou-se aborrecido com tal intromissão.

– Vocês podiam ter me avisado que viriam com o plano, não é? Quando cheguei ao hangar da Torre, ele não estava lá e foi a maior aflição até o Vic me dizer que vocês já haviam ido embora com ele. Ainda bem que tinha ido para lá de moto, senão eu estava preso em São Francisco até agora... – Mostrou-se ofendido com a falta de consideração dos parceiros.

Richard e Jason trocaram olhares novamente, e perceberam que nem precisavam mais falar para sintonizarem os pensamentos.

– Eu peguei esse plano e voltei com ele, nada mais justo. – Passou os dedos pelo cabelo e jogou a franja branca para trás, falando com descaso. – Agora você vai lá em cima e vai explicar direitinho para o Batman que foi VOCÊ que destruiu a lataria do plano.

O mais novo Robin arregalou os olhos diante daquela acusação e mostrou-se preocupado, porém altivo.

– Foi um acidente... – Limitou-se àquela verdade, nunca confessaria que aquela culpa era do amigo Bart. -... Já vim com a intenção de me explicar com ele. – Caminhou até a área dos uniformes e jogou a mochila com a sua vestimenta em uma mesa com protótipos de batarangues e outros equipamentos. – Espero que ele não tenha reclamado com vocês sobre isso...

Jason sorriu, divertindo-se com a expressão orgulhosa do prodígio, sendo acompanhado por Richard na brincadeira.

– Ele quase nos deixou de castigo.

Os dois gargalharam e Tim ergueu uma sobrancelha, estranhando o comportamento dos veteranos.

– Estão de bom humor? – Perguntou enquanto encaminhava-se para a escadaria.

– Tim! – Jason o chamou e correu até Robin. – Escute... – Coçou a cabeça, parecendo estar sem graça. -... Obrigado pela ajuda ontem com os Titãs. Eu realmente não queria causar nenhum problema ali, só precisava de um ar menos carregado...

O jovem prodígio estranhou aquela reação e procurou o olhar de Richard, vendo que este estava tão surpreso com aquilo quanto ele. Desconsiderou estar sendo vítima de outra peça do par e afagou um ombro do mais velho, sorrindo de leve e dizendo com voz mais suave aos sentidos do Capuz.

– Está tudo bem, Jason... A Torre é um refúgio para muitos jovens heróis. Considere-a sua nova casa. – Pareceu encantador aos olhos de Jason e fechou o cenho novamente. – Mas Dick continua seu tutor até a última ordem.

–... Entendido.

Robin despediu-se dos dois veteranos e tomou seu rumo até a mansão, a fim de resolver todas as pendências com Batman e concluir suas tarefas diárias para com os treinamentos e escola, para enfim sentir-se livre para viver seu amor com Conner. Deixou Jason com uma expressão um tanto abobalhada na face, como se tivesse acabado de conhecer um lado de Tim que nunca havia percebido.

– Agora eu sei por que todo mundo se apaixona por esse cara...

Antes que conseguisse voltar a atenção novamente para Richard, fora puxado pelo mesmo para um abraço apertado, sendo empurrado inconscientemente para uma parede de rochas em algum canto da caverna. Correspondeu silenciosamente ao abraço, mesmo que ainda não entendesse o motivo para tal carinho. Fez que ia soltar o mais velho e sentiu-se ainda mais apertado.

– Cara, então...

– Já transou dentro do batplano? – Perguntou indecentemente, fechando os olhos ao sentir o cheiro do pescoço do rapaz abraçado.

Jason piscou perdidamente e viu como aquele abraço havia se tornado algo indecente de uma hora para outra.

– Claro, sempre uso o plano pra caçar parceiros pelas ruas da cidade... – Brincou e deixou-se levar pelo clima sensual que Dick armara, repuxando suavemente alguns fios da cabeleira negra de Asa Noturna.

– É nossa chance... Ninguém vai descer por aqui por pelo menos duas horas... – Passou os lábios levemente pelo pescoço do outro, sussurrando em seu ouvido aquela ideia.

Sentiu uma perna de Richard esfregar-se contra seu corpo, em meio às suas pernas e o acompanhou naquela brincadeira, fazendo com que ambos tremessem ante a troca de carícias.

– O que o deixou excitado assim? Ver Robin fazer aquela carinha de príncipe honroso o deixou tão ligado a esse ponto, Asa?

Richard agarrou-lhe os cabelos com alguma violência e empurrou a testa contra a testa do Capuz Vermelho.

– Uma vez você me disse para desencanar dele e te procurar... – Disse com visível raiva entredentes. – Por que acha que estou com você agora, Jason? – Perguntou e esperou por uma resposta que não veio, repetindo a pergunta com um tom mais elevado.

–... Porque você me quer? – Jason respondeu com o rosto vermelho em um misto de excitação e vergonha.

– Isso... – Atacou-lhe a boca em um beijo forte e possessivo, agarrando-o as ancas energicamente. – Eu te quero mais a cada dia, Jay... Por que não entende isso de uma vez?

Jason se fez a mesma pergunta.

Entreolharam-se por poucos segundos até perderem-se entre toques e carícias mais exaltadas, e gemidos começavam a ecoar sem pudor pela caverna.

Aguardariam outro momento para avaliar aquela relação.

E Alfred aguardaria outro momento para polir os seus valiosos suvenires, já que os jovens mestres resolveram que a batcaverna era o melhor lugar para aquele tipo de relação.

–----x-----

O clima em Smallville estava ameno e fechou os olhos sentindo a luz do sol recarregar as forças, não obtendo êxito na recarga de um tipo específico de força:

A força de vontade.

Voava em direção ao colégio, pousando em um beco afastado o suficiente para que ninguém testemunhasse seus poderes em ação. Caminhou por uma rua cheia de pequenas lojas, mercadinhos e cafés e apressou o passo quando percebeu que perdera o segundo horário de aula. Não prestou atenção no tráfego ao atravessar a rua e um carro quase se chocou contra si, se não tivesse se desviado no último momento. Certamente teria sido uma dor de cabeça aquele acidente, já que o veículo teria ficado deveras amassado ao se chocar com o corpo meio kryptoniano de Conner. Soltou um suspiro de alívio e ignorou a tomada de atenção do motorista, voltando a correr em direção a escola pública da cidadezinha.

Não teria como entrar pelo portão principal, pois já estaria fechado há pelo menos duas horas, e checou seus horários de aula para averiguar suas chances. Achou-se com alguma sorte quando viu que a sala de aula referente à sua próxima matéria seria ministrada em uma sala do primeiro andar, e encaminhou-se até lá pelo lado de fora da escola, abaixando-se sempre que passava por alguma janela, fugindo dos olhares curiosos dos alunos e professores. Levantou o rosto o suficiente para ter certeza de que seu professor de língua inglesa estava escrevendo algo no quadro, de costas para o restante da classe, confirmando a distração. Encontrou o olhar divertido de uma colega sentada próximo da janela e fez sinal para que a mesma fizesse silêncio, encostando o indicador nos lábios crispados. Tomou todo o cuidado para abrir a janela e o restante da turma virou o rosto para acompanhar o andamento daquela missão. Caminhou lentamente na ponta dos pés, atento aos movimentos distraídos do professor, encaminhando-se para um assento vazio no fundo da sala de aula. Sentou e ergueu os braços vitorioso, fazendo os colegas sorrirem uns para os outros, em silêncio, admirando sua audácia e coragem.

– Bom dia, senhor Kent.

Toda a sala pareceu engasgar com a fala do professor, que ainda permanecia virado para o quadro, mas mostrando-se completamente ciente da movimentação dentro de sua sala.

– Talvez algumas horas na detenção faça você finalmente aprender qual é a hora de entrada nesta escola, não é?

Ouviu os colegas de turma rir de sua desgraça e cruzou os braços, jogando-se desajeitadamente naquela cadeira desconfortável. Em tempos de menos paciência teria saído bufando da sala, como um rebelde sem causa, mas apenas assentiu com a cabeça e abriu seu livro de inglês na página solicitada, tentando focar-se naqueles estudos.

Pensou que tal ação madura seria de algum motivo de orgulho para o menino prodígio e sorriu ao pensar que o encontraria no final daquele dia. O sorriso morreu em seus lábios ao lembrar-se da detenção e suspirou em tédio. Ainda precisaria voltar para casa e ajudar a tia Martha com os afazeres da fazenda Kent. Deu-se por vencido e carregou as responsabilidades que iam surgindo em seus pensamentos.

Seria um longo dia.

–----x------

Timothy saiu da biblioteca depois de uma longa conversa com Bruce e chegou a encostar-se à porta quando a fechou, soltando um ar de angústia diante todos os afazeres que teria que executar a mando do mentor. Tudo fazia parte de uma espécie de castigo pelo acontecido com o batplano e achou que dos mares, aquela punição era a menor. Precisaria fazer a manutenção de quase todos os veículos de transporte da caverna, testar os novos equipamentos do cinto de utilidade do Batman e revisar todos os relatórios da semana no batcomputador. Isso tudo depois de concluir seus afazeres diários usuais, como o acompanhamento das aulas particulares, que começariam no primeiro período do turno vespertino, tarefas escolares que elas gerariam, e treinos de combate como Robin. Olhou para cima e fechou os olhos, desejando que um raio atravessasse o teto da mansão Wayne e o liberasse de tanta dor de cabeça. Quase rezou para que Batman não o solicitasse para nenhuma missão, agradecendo mentalmente por Asa Noturna e Capuz Vermelho estarem em Gotham para lhe dar essa cobertura.

Fugiria o quanto pudesse da vista do cavaleiro das trevas, o foco daquele dia era finalizar todos os afazeres e ligar para que Conner o encontrasse o mais rápido possível.

Lembrou de ter esquecido de avisar ao dono da mansão que receberia visitas e franziu tristemente o cenho. Faria com que o clone entrasse pela janela de seu quarto, somente para evitar maiores conversas e riu ao imaginar a cena de Superboy entrando sorrateiramente em seu quarto ao pular a janela. Pensou mais um pouco naquilo e chegou a se excitar levemente com a saudade que sentia do namorado. Esfregou o rosto e recompôs-se, precisaria de muito ânimo para qualquer ação além da concretização de suas fantasias sexuais.

Desencostou-se tristemente daquela porta talhada de madeira ao ouvir Alfred lhe chamar no outro canto do salão principal da mansão e foi desanimado ao encontro do mordomo.

– Gostaria de uma xícara de café, mestre Drake?

Os olhos de Robin chegaram a brilhar em emoção e sorriu derrotado para aquele homem gentil a sua frente.

– Sim, Alfred, eu aceito...

Andou lado a lado com o mais velho, dando leves tapas amigáveis nas costas do amigo.

Era muito gratificante saber que Alfred sempre estaria presente quando precisasse de amparo emocional e uma revigorante xícara de café.

O dia seria longo demais para enfrenta-lo sem cafeína.

–----x-----

Olhava apaticamente para o relógio da sala de detenção. Achava exagero ter que passar uma hora ali só por causa de seu atraso, mas aceitou a punição sem qualquer reclamação sair de sua boca. Mesmo quando um antigo professor daquela escola fazia questão de sempre se lembrar do quanto o clone era diferente do “primo”, Clark Kent, sempre tão dedicado e bom aluno. Todos pareciam prontos a lhe comparar com o super-herói, mesmo os que não faziam ideia de que Superman e Clark Kent eram a mesma pessoa. Além de ser um exemplo para os heróis do mundo, era um exemplo até mesmo dentro daquela escolinha perdido no mapa americano, e aquilo sempre o deixava incomodado.

Fora liberado do seu castigo, sendo mais uma vez confrontado pelo diretor em relação às notas. Prometeu melhorias, como sempre, notando que suas promessas tornaram-se vazias para qualquer um em Smallville. Queria sair o mais depressa possível daquele lugar, mas todos o cumprimentavam ou paravam para falar consigo enquanto passava pelos corredores do colégio. Por alguma razão, que não sabia muito bem qual, era popular entre os alunos dali. Principalmente os alunos encrenqueiros, que eram os que se encontravam na escola por aqueles horários. Deu de ombros com o pensamento e ajeitou a mochila nos ombros, livrando-se de um grupo de garotas que conversavam animadas sobre bailes de formatura e o quanto o time de futebol americano de Smallville precisava de alguém com o porte físico de Conner Kent.

Correu pelas ruas da cidade, dessa vez prestando atenção nos sinais de trânsito e evitando causar mais tumulto no seu dia. Usou seu poder de voo quando saiu da parte movimentada da cidadezinha, não se demorando muito para chegar até a fazenda Kent.

– Cheguei!! – Correu para a cozinha, jogou sua mochila em cima do sofá da pequena sala e tirou a camiseta, colocando-a no ombro. – Tia Martha!!! – Chamou a dona da casa e logo a senhora Kent apareceu, descendo as escadas e olhando-o interrogativamente. – Estou aqui!! – Ergueu os braços, sorridente, como se estar em casa fosse a conclusão de mais uma etapa do seu dia.

–... Parabéns. – Fez com que Conner soltasse a garrafa de água antes que ele pudesse colocar a boca em seu gargalo. – Use um copo. – Foi atendida e olhou o rapaz de cima a baixo. — Estava no colégio até agora?

O clone pigarreou e parou de beber água, tentando achar outra desculpa para ter ficado novamente em detenção.

– Fui da Torre direto para o colégio, cheguei atrasado...

Acabou por dizer a verdade e pareceu convencer a mãe de Clark, que se virou para a pia e começou a lavar a louça. Conner a fez parar com o afazer e disse que a ajudaria com os afazeres de casa e na fazenda durante o dia. Martha o olhou sorridente e curiosa. Não negaria a ajuda do rapaz, mas sabia que algo o havia feito mudar de atitude e tornar-se tão prestativo. Aceitou o conselho do rapaz, quando este lhe disse para relaxar no sofá e ver televisão, sem o questionar sobre aquela repentina transformação. Emocionou-se a perceber o quanto Conner lembrava o pequeno Clark, sempre tão preocupado com seu bem estar e o da casa. Queria poder compartilhar tal momento com o falecido esposo, e evitou mais pensamentos melancólicos.

– Você poderia passar a colheita no celeiro? Contratei um rapaz para dirigir a máquina de colheita, mas ele deixou tudo pelo campo.

– Pode deixar, faço isso em um minuto. – Terminou de lavar os pratos e pulou para a sala, pegando sua mochila, pronto para subir ao seu quarto. – Vou só trocar de roupa.

– Obrigada. – Sorriu. – Como está o Tim? – Perguntou antes que perdesse o rapaz de vista.

Conner estagnou os passos e sorriu sem graça. Era claro que subestimava o poder de observação dos humanos normais. Desceu alguns degraus da escada de madeira, o bastante para olhar para aquela senhora tão amável e responder-lhe a pergunta.

– Ele está bem, tia. Está em Gotham agora. Irei encontrá-lo mais tarde.

Viu o semblante de Martha Kent entender algum enigma antes declarado. Agradecia mentalmente a boa influência que aquele rapaz adorável sempre exercia sobre Conner.

– Que bom, querido... – Sorriu-lhe verdadeiramente. – Mande um beijo para ele por mim

.

– Certo...

Gesticulou em vergonha e correu para trocar-se em seu quarto, logo saindo voando pela janela do seu quarto para concluir o afazer imposto. O pensamento de que Clark era muito sortudo por ter sido criado em um ambiente tão acolhedor e compreensivo lhe passou pela cabeça, mesmo que não tivesse conhecido o tio Jonathan. Sabia que também deveria ter sido uma boa pessoa, somente pelo brilho nos olhares do Super e tia Martha ao falar sobre ele. Chegou a desejar ter despertado de sua condição de clone quando ainda era criança, e achou-se estúpido pelo pensamento.

Fora criado para ser uma arma, não um ser humano comum.

Enterrou o pensamento negativo e concentrou-se nas próximas missões que concluiriam sua segunda feira. Focou o pensamento no namorado e tudo lhe parecia fazer um enorme sentido.

Tudo valeria a pena se fosse se encontrar com Tim no final de todo dia.

–----x-----

Estava sentado em frente a uma mesa repleta dos mais diversos equipamentos de ataque e defesa de todos os vigilantes daquela família, com um óculos que possuía diversas lentes de aumento, atento ao trabalho de lixamento que fazia em um batarangue. O barulho da lixadeira ecoava pela caverna e colocou os óculos na cabeça para averiguar a qualidade daquele trabalho. Passou os dedos pelos cantos da arma e aceitou aquele resultado, passando a conferir o estado das bombas de fumaça de todos. Balançou a cabeça negativamente ao deparar-se com o compartimento de armas do Capuz Vermelho, completamente desorganizado e sem manutenção.

– Ei, ei, EI!!! – Saiu correndo da área de treinamento e pulou para seu lado, impedindo-o de continuar a vasculhar seus pertences. – Não precisa se incomodar com minhas coisas. – Jason puxou o casaco com seus equipamentos das mãos de Tim, percebendo que o mais novo se negava a largá-los. – Solta, cara!!!

– Só estou fazendo isso porque o Batman mandou, caramba!! – Tim esbravejou frustrado.

Jason o olhou sério diante tamanha petulância e deixou que Robin concluísse seu serviço.

– Você está de castigo, é?

Seu comentário de zombaria foi devidamente ignorado pelo menino prodígio, que olhou de canto de olho para Jason, o vendo se sentar ao lado, começando a desembolar as cordas dos harpeis.

– Não presi- -

– Não tenho nada pra fazer mesmo... – Interrompeu Robin e continuou com aquele trabalho. – Um dos batplanos mais velhos está fora de ação há algum tempo, você pode usar as peças sobressalentes para dar um jeito naqueles amassados da outra aeronave.

–... É, eu pensei sobre isso e acho que daria certo. – Robin respondeu, um pouco mais relaxado.

Fizeram silêncio por alguns minutos, mais por conta da ocupação que desempenhavam. Tim terminou a manutenção e organização dos equipamentos do casaco de Capuz Vermelho e iniciou a checagem do cinto de Batman, olhando de soslaio para Jason mexendo nos compartimentos das luvas de Asa Noturna, parecendo estar um pouco confuso com o funcionamento daquele uniforme.

– Posso dar uma opinião sincera e totalmente atrelada aos fatos inegáveis que envolvem nosso dia a dia?

Jason gesticulou em tédio, revirando os orbes azuis diante tamanha formalidade do mais novo.

– Nossa, cara, fala de uma vez...

– Você precisa de um uniforme novo.

Encarou contrariado o menino prodígio, que lhe oferecia de volta o casaco de couro preto que compunha o uniforme que todos decidiram odiar naquele dia.

– Talvez eu arranje meu próprio cinto de utilidades. – Jason disse brincando, mas viu que Tim balançava a cabeça, parecendo ter gostado da ideia.

– Tem alguns protótipos nos armários atrás dos tubos com os uniformes. Eles têm travas de segurança e se alguém forçar a retirada, vai levar um choque de 10 mil volts. É mais seguro do que essa jaqueta, com certeza. Depois eu mostro uns modelos pra você.

O Capuz Vermelho o olhou com curiosidade, quase estranhando o comportamento amigável do prodígio. Em outros tempos estariam trocando farpas e evitando a presença um do outro, e por pouco não achou aquela mudança incômoda.

–... Ok, obrigado.

Ouviram passos pela escadaria e Richard mostrou-se presente, rodando o olhar pela caverna e chamando a atenção dos rapazes.

– Seu professor está te esperando na biblioteca, Tim.

Timothy pareceu se assustar com a notícia, olhando ansiosamente para o relógio. Guardou os equipamentos que já haviam sido testados e olhou com alguma súplica para Jason.

–... Tudo bem, eu termino... – Disse vencido.

– Muito obrigado!!! – Jogou-lhe os óculos-lupa e correu para a mansão. – Vou ficar te devendo.

Passou por Richard e o deixou confabulando sobre aquela cena inédita entre o Robin 2 e 3. Fez um som de chiado com a boca, o que obrigou Jason Todd a lhe dirigir o olhar. Trocaram sorrisos e alguns olhares de cumplicidade antes do mais velho se pronunciar.

– Vou esquentar alguma comida para a gente. Alfred está ocupado chefiando os empregados na faxina, nem sequer se preocupou com nosso almoço. – Brincou, pois sabia que a mansão era grande demais para uma única pessoa ministrar. – Quer algo em especial?

Jason achou fofa aquela cena e piscou para Richard de forma sacana.

– Quero, mas vamos deixar para mais tarde. – Gargalhou, voltando sua atenção para o afazer lhe imposto.

– É sério... – Dick tentou permanecer sério, mas acabou rindo junto com a ideia.

– Sei lá, cara, o que você for comer ta bom pra mim. – Confessou sua ignorância ou falta de interesse na culinária.

– Que seja, então. – Iniciou a subir as escadas de volta à mansão. – Almoço em 20 minutos, mocinho!! – Gritou.

– Certo, papai!! – Gritou em resposta, risonho.

O silêncio assolou seus ouvidos e uma paz de espírito se fez presente. Algo que há muito não sentia.

Não entendia de onde aquilo vinha, mas nunca se deixava levar por momentos felizes, apesar de vivê-los intensamente até chegarem ao fim. Só desejava que aquilo durasse por mais algum tempo.

–----x-----

O último punhado de milho da colheita foi depositado no celeiro, tomando um grande espaço daquele lugar. Tentou organizar tudo de um jeito que não atrapalhasse a passagem para o segundo andar, e deu por encerrada mais aquela etapa da missão diária. Passou as mãos pelo rosto e viu-se com calor depois do afazer simples, mas que levou mais tempo que achou que levaria. Caminhou até a caixa d’água atrás do celeiro e jogou um balde de água fria no corpo, arrepiando-se quando ela escorreu pelo torso nu e para dentro da sua bermuda. Deu alguns pulos e revigorou-se, passando as mãos pelos cabelos molhados. Voou até um cata-vento próximo à fazenda Kent, em meio a uma das diversas plantações de trigo. Gostava de se sentar ali e dar adeus ao sol que tanto o enchia de energia durante o dia, sentindo certo pesar com aquela despedida.

– Eu também costumava vir aqui no final da tarde.

Teve o vislumbre de Superman voando acima de si, ao seu lado, e a surpresa se mostrou em seu olhar. Admirou o movimento que a capa vermelha fazia ao acompanhar o vento e baixou o olhar de admiração quando percebeu ser analisado pelo mentor.

– A mamãe disse que você a ajudou bastante hoje. – Comentou com algum tom de orgulho.

– É, eu acho... – Sorriu parecendo sem graça, mas estava mesmo era com preguiça. – Só levei a colheita para o celeiro.

– É uma plantação grande, Conner. – Sentou ao lado do rapaz. – Não tem ideia do quanto a mamãe vai economizar com isso. Sabe que os dias de fartura não são os mesmos, não é?

O sol se pôs, fazendo os dois homens naquele cata-vento prestarem atenção no show no céu límpido de Smallville.

– Todos sentem sua falta por aqui.

– Eu também sinto falta de todos. – Sorriu docemente para o nada. – Como está indo com o colégio?

Conner fez careta e remexeu-se incomodado no lugar, fazendo o líder da Liga da Justiça achar graça daquela reação.

– Está tão mal assim? – Riu.

– Ainda não me adaptei muito bem, Clark...

– Precisa de ajuda?

– Não, eu... – Ofegou, tentando achar as palavras certas para expressar suas frustrações sobre a escola. -... Eu só preciso de mais tempo mesmo.

– Bom, é seu último ano, espero que aproveite bastante.

Superman buscou o olhar do seu clone e entreolharam-se por alguns segundos até o rapaz sentir-se envergonhado.

– Você está a cada dia mais parecido comigo. – Afagou a cabeça do jovem meio humano, referindo-se à sua aparência. – Está fazendo um bom trabalho por aqui, rapaz.

Superboy surpreendeu-se com aquele comentário e olhou com admiração e emoção o herói que lhe inspirava. Sempre esperava algum reconhecimento vindo daquele homem, e descobriu um orgulho já antigo no olhar de Superman para si.

–... Obrigado, Clark... – Sorriu abertamente para o mais velho. – Vai ficar para o jantar? Tia Martha disse que faria lasanha.

– Passei em casa e falei com ela, mas não poderei ficar por mais tempo. – Disse um tanto cabisbaixo. – Preciso voltar para a Torre de Vigilância.

– Entendo...

– Obrigado por cuidar de tudo por aqui, Conner. – Apertou-lhe os ombros e flutuou. – A mamãe está feliz com você. Smallville está em boas mãos.

O herói usou sua supervelocidade em voo e sumiu por entre o céu alaranjado do final da tarde de cidadezinha de Smallville. Conner mirou maravilhado o horizonte e entusiasmou-se, gritou de alegria, saltando pelas plantações de milho e trigo até chegar às mediações da fazenda Kent. Deixou-se cair rolando pelo feno, sorridente e com o rosto vermelho de alegria, estirando-se no chão e fechando os olhos quando se lembrou do quanto era preguiçoso.

– Conner?

Viu dona Martha de cabeça para baixo quando a virou o rosto para ela, atrás de si.

– O jantar está pronto, venha.

– Sim senhora!

Levantou-se empolgado e acompanhou a tia até a casa, rindo quando a senhora comentou o quanto ele estava sujo e saiu correndo, espantando-o com o pano de prato, quando brincou que a abraçaria.

Achou incrível que estivesse sentindo tamanha alegria estando tão longe de Tim.

–----x-----

Estava exausto. Passou o dia trabalhando a mente, músculos e cumprindo tarefas lhe impostas como uma punição, e tudo o que precisava naquele momento era tomar um banho quente e relaxar os músculos ficando de molho em uma banheira. Afundou-se naquele tubo cheio de água e quase adormeceu quando suspirou em cansaço e o silêncio do seu aposento tornou-se acolhedor para um descanso merecido.

Sorriu levemente entre um suspiro e outro, o dia fora cansativo, mas alegre, de certa forma. Jason e Richard o ajudaram o quanto podiam, principalmente com os afazeres na caverna. Juntos montaram a nova lataria do batplano, colocando a ideia inicial de Jason em prática, concluindo o serviço com 100% de aproveitamento. Fora questionado em meio a risadas incoerentes sobre como havia conseguido destruir a frente da aeronave daquele jeito, mas deixou a razão por alto para não afetar sua boa reputação. Fazia tempo que não interagia com Richard sem estarem em meio a um turbilhão de drama, e percebeu que a relação dele com Jason evoluíra visivelmente para outro patamar. Não que os dois estivessem escondendo tão condição, estavam claramente felizes com aquilo e não tinha o direito moral de julgá-los.

Mas Batman certamente o faria.

Ligou uma ducha e lavou os cabelos negros, fechando os olhos em apreciação aos movimentos circulares que fazia no couro cabeludo. Mergulhou, enxaguou-se e sentiu-se novamente revigorado, enrolando uma toalha na cintura e indo para o quarto, em busca do seu comunicador Titã. Finalmente havia chegado àquela hora a qual esperou o dia inteiro, o motivo de ter se empenhado tanto para finalizar com êxito todas suas tarefas:

Ligaria para Conner, o chamaria para uma visita e o amaria até o dia raiar.

–----x-----

Estava jogado no sofá da pequena sala da sua casa em Smallville, vendo algum programa confuso de auditório na televisão, acompanhando a tia naquele lazer duvidoso, mas que seu espírito indolente agradecia. Fora obrigado a tomar um banho antes de se esparramar ali e trajou apenas uma calça de malha e meias brancas para aquele momento de preguiça. Pulou quando ouviu o comunicador soar em seu quarto, correndo até ele, fazendo a tia estranhar tal comportamento, voltando sua atenção para o programa que via todo dia, desviando o olhar quando ouviu barulhos no piso superior. Conner sempre revirava o guarda-roupa em busca de alguma coisa diferente para vestir, mas quase sempre trajava a mesma combinação de jeans e camiseta preta, tanto que achou intrigante quando o rapaz desceu novamente as escadarias vestindo uma calça jeans mais clara que a usual, uma camiseta azul-turquesa e uma blusa vermelha, que quase tinha certeza de pertencer a Clark.

– Seja sincera. – Abriu os braços, exibindo o traje para a dona da fazenda Kent.

– Você está muito bonito. – Abaixou o óculos e analisou-o de cima a baixo.

– Fala sério! – Conner enrubesceu.

– É sério, rapaz. – Cruzou os braços. – Está indo para Gotham?

– Sim... – Sentou novamente no sofá para calçar uma bota marrom de cano curto. – Tudo bem?

– Claro, mas tome cuidado, aquela é uma cidade perigosa.

Conner sorriu divertindo-se com a preocupação daquela mulher. Às vezes achava que ela se esquecia de que ele se tratava de Superboy, clone meio humano do Superman. Se alguém precisava ter cuidado, seria quem se atrevesse a se meter em seu caminho. Pensou no quanto era arrogante e deu de ombros, ficando em pé e dando um beijo estalado na bochecha da tia.

– Nos vemos amanhã, ok? Não comece a trabalhar sem mim.

A senhora Kent riu e assentiu com a cabeça.

– Não se esqueça do beijo para Timothy.

O jovem sorriu ao fechar a porta. Não teria como se esquecer de tal coisa.

–----x-----

A noite em Gotham era gelada não importava a época do ano, e achava incrível aquela verdade. Não sentia frio como as outras pessoas, mas os pelos da nuca e braços se arrepiavam em contato com aquele ar. Pousou de seu voo a alguns quarteirões da mansão Wayne, como Tim havia alertado, em uma área florestada que lhe parecia familiar. Caminhou a passos apressados e logo via os portões de entrada dos jardins da mansão, admirado com um chafariz de gosto duvidoso ordenado com corujas, passando por uma área com bancos e algumas flores e árvores antes de chegar à pequena escadaria que dava acesso à enorme porta de entrada da casa do namorado.

– Puxa vida... – Pareceu nervoso ao bater na tranca daquela porta ornamentada, já que não achava em lugar nenhum uma campainha para apertar. – Devia ter ligado para o Tim, ele viria me buscar aqui...

Chamou-se mentalmente de caipira e procurou esquentar as mãos nos bolsos do casaco vermelho que tanto lhe caía bem. O sangue gelou quando ouviu a porta ser destrancada e congelou quando viu que era Bruce Wayne que atendia ao seu chamado. Era observado pelo olhar sério de Batman e atrapalhou-se nos pensamentos.

– B- boa noite, senhor Wayne... – Gaguejou e xingou-se novamente em sua cabeça.

Bruce andou para frente do rapaz, passando o olhar atento pelo jardim da sua mansão.

– Você chegou voando?

– Não, senhor... – Batman o encarou. – Tim pediu para pousar a uma distância segura.

– Hm.

O cavaleiro das trevas deu espaço para o clone passar e Tim surgiu com um sorriso amarelo na base de uma das escadarias que levavam ao piso superior daquele lugar. Viu que Batman se retirava dali sem qualquer cerimonia e pode ouvir alguém gargalhar em outro aposento, reconhecendo as vozes de Jason e Dick, rindo entre comentários sobre a cara que fizera ao se deparar com Batman atendendo a porta.

– Oi, Conner. – Tim recebeu-o com um sorriso sem graça. – Já pode respirar.

Ofegou nervosamente e quase teve que colocar as mãos nos joelhos. Olhou com algum julgamento para o menino prodígio e esse prendeu um riso, abraçando-o antes que pudesse dizer alguma coisa.

– Jason estava ouvindo quando avisei que você veria aqui hoje e deu essa ideia idiota. – Disse entre o abraço. – Acredita que o Batman aceitou participar de uma das brincadeiras dele?

– Não. – Colocou a mão na testa, recuperando o fôlego. – Caramba, achei que ele fosse me fritar com raios laser saindo dos olhos, ou coisa parecida...

Robin sorriu e Conner deu-se por vencido. Alfred passou pelos dois com o usual profissionalismo e curvou-se em um cumprimento ao rapaz, fazendo-o acenar com a cabeça. O clima ali dentro estava mais descontraído do que esperava e sentiu-se puxado por Tim, para iniciarem a subir aquelas escadarias. Subia as escadas de costas enquanto admirava o semblante de Conner e não pode deixar de expressar aquela verdade:

– Você está lindo, Conner...

O clone sorriu envergonhado daquele jeito meigo que Tim adorava.

– Valeu... – Olhou para os pés firmes do menor ao subir as escadas de costas. – Você vai tropeçar assim.

– Não me lembro da última vez em que tropecei. – Disse orgulhoso de suas capacidades, afinal, era o Robin.

Encontravam-se em um grande corredor com tapetes beges, com alguns quadros aparentemente caros ao tato de Conner e portas até onde podia ver. A grandeza daquele lugar estava fora dos limites de sua imaginação e não conseguiu se imaginar viver naquele lugar. Vivia tão bem em uma casa minúscula no meio do nada... Timothy olhava sorridente para o clone, vendo o quanto ele analisava a casa em que morava.

Finalmente pararam enfrente a uma porta e sentiu o cheiro do seu namorado impregnado naquele cômodo. Apertou a mão de Tim quando adentraram o lugar e algo como uma tontura o assolou, fazendo-o encostar-se à porta recém fechada, chamando a atenção do menor.

– Qual o problema, Kon?

Conner o admirou por alguns segundos antes de atacá-lo com um beijo e abraço apaixonados, caminhando cegamente pelo quarto, parando quando a mesa de escrivaninha se fez de obstáculo naquela ação. Puxou-o forte com as mãos pelas nádegas, suspirando e derretendo-se ao ter o corpo do namorado só para si novamente. Foi correspondido na mesma potência, tendo a bunda apertada pelas mãos do menor, em seguida pegando seu rosto e afastando-o do beijo, para enfim voltar a respirar normalmente.

– Nossa... – Ofegou. – O que foi isso? – Gargalhou baixo para Conner, passando as mãos pelo torso do rapaz, percebendo que o mesmo respirava pesadamente.

– É seu cheiro... – Passou os lábios pela orelha do rapaz e suspirou, fazendo arrepiar-se. -... Está por toda parte. – Tentou explicar-se e sentiu vergonha de suas ações. – Desculpe, não consigo me controlar. – Encostou-se à testa do mais baixo, tentando manter-se com a mente sã.

Ouviu Timothy sorrir novamente e puxar-lhe os cabelos para mais um beijo recheado de volúpia, deslizando a língua pelos lábios do rapaz quando fez que se separaria do seu corpo.

– Não se atreva a se desculpar por isso. – Mordeu de leve seu pescoço e lóbulo da orelha. – Hoje o dia é nosso, e só nosso.

Sorriu maliciosamente para o clone, guiando-o para se sentar em sua cama, colocando-se entre suas pernas e acariciando os cabelos do rapaz, admirando seu olhar de entrega e desejo sobre si. Conner o devorava em meio àquela contemplação, tendo a blusa e camiseta tiradas pelo namorado. Fez que ia abrir o botão de sua calça jeans, mas Tim o impediu, fazendo-o se apoiar com as mãos na cama e observar seus movimentos leves ao tirar a blusa preta e grossa de algodão. Deixou que o clone passasse a mão pelo seu tronco quando jogou a blusa cegamente pelo quarto, mostrando-se sem qualquer vergonha em uma aproximação sensual. Abriu as pernas, fazendo com que Conner afastasse as suas, e guiou a mão que acariciava o seu abdômen com cicatrizes para o membro excitado ainda dentro da calça jeans preta. Foi apertado ali e contemplou Kon desafivelar seu cinto e abrir sua vestimenta com alguma pressa, abaixando-a o suficiente para ter acesso à cueca boxer branca de Tim (amava quando Tim vestia tais cuecas, achava que o deixava ainda mais sexy) e livrar o pênis do namorado daquela prisão.

– Olhe para mim. – Tim exigiu, sendo prontamente atendido. — Quero que me engula inteiro, Conner...

Disse sem pudor, ofegando quando o maior o empurrou, se levantou e o fez deitar-se na cama. Engatinhou sobre ela sem tirar os olhos dos do menino prodígio, ajoelhando-se diante do membro do jovem vigilante de Gotham, masturbando-o em uma carícia antes de colocá-lo na sua boca. Fez o que fora pedido, sentiu o pênis de Timothy inteiro em sua boca e deslizou-o para fora dela, repetindo a ação da forma que dava prazer ao namorado, vez ou outra lambendo sua extensão e glande, demorando-se na carícia entre beijos e lambidas.

Tim colocou uma mão no pescoço, e levou a outra até a cabeleira negra de Conner, acariciando-o e repuxando os fios, impondo um ritmo àquele sexo oral ao movimentar a cintura e quadril repetitivamente, perdendo-se na quentura da boca do clone, que não tirava o olhar predador de cima de si.

– Eu amo você.

Movimentou os lábios em uma declaração silenciosa que Conner havia entendido muito bem. Lambuzou-o generosamente com saliva e levantou-se da cama, retirando sua calça jeans por cima das botas e encaminhando-se ajoelhado para o rosto de Tim, que ainda permanecia deitado. Mirou seu sexo para a boca de Robin, que se apoiou nos cotovelos e guiou o pênis do amante para ser chupado. Ouviu Conner engasgar um gemido e cortar o contato visual ao apertar os olhos ante tamanha luxúria, tateando o corpo do menor em busca de seu membro, masturbando-o enquanto era sugado por aquela boca faminta.

Sentiu Tim acariciar seus testículos, sugando-os ao mesmo tempo em que era masturbado, e sorriu em meio a um gemido reprimido ao perceber os dedos do namorado brincar envolta de sua entrada. Abriu um pouco mais as pernas, dando mais liberdade para Tim naquela brincadeira, controlando-se para não acabar com aquela delícia tão cedo. Robin levou os dedos que brincavam em Conner para a boca e lambuzou os com saliva e os fluidos corporais que se misturavam nela, voltando a chupá-lo enquanto introduzia um dos dedos no corpo do rapaz.

Não precisou dizer para o clone relaxar, pois ele parecia deliciar-se naquele ato tanto quanto si mesmo. Seu pênis fora largado por Conner, mas aquela expressão que ele fazia ao ser penetrado por um dedo o deixava curioso e sedento por mais. O fez ficar com o tronco ereto e tirou o sexo do clone da boca, falando de forma rouca e lenta enquanto o rapaz maior reprimia gemidos:

– Está tudo bem?

Conner o olhou entre olhos semicerrados, inclinando-se novamente para beijar apaixonadamente seu namorado e responder aquela pergunta com ações. Tim riu entre o beijo e deixou que o namorado tomasse o controle do próximo passo, vendo que o rapaz subia em cima de si e deslizava pelo seu corpo. Sentou no abdômen de Robin e lhe mordiscou o lábio inferior, mordendo a própria boca ao sentir que o parceiro esfregava o pênis lambuzado de saliva em uma de suas nádegas. Delirou com a antecipação daquele ato há muito lhe prometido, e ergueu o corpo para facilitar o acesso de Tim ao seu corpo.

Conner era um homem relativamente grande, se comparado ao porte físico de Tim, e precisava manter-se suspenso para o rapaz ter passagem confortável e uma vista tão divina, quanto perfeita. A visão daquele homem suculento e desejoso sentando-se em seu pênis com vigor o fez gemer e agarrar-lhe a cintura para controlar o impulso de se enterrar mais fundo naquele corpo que sempre o deixava à beira do delírio. E então percebeu que Conner movimentava-se com vigor em seu pênis, rebolando daquele jeito que sempre o deixava maluco e com tesão.

Apertou-lhe as coxas e interrompeu a cópula por alguns segundos até conseguir sentar-se na cama sem ter que sair de dentro do clone, beijando-lhe com saudade e desejo, perdendo-se naquela dança sensual de Kon-El em si.

– Pode gemer, amor... – Viu que o namorado reprimia seus gemidos mais uma vez. – A mansão é grande, ninguém vai ouvir... – Disse em um sussurro seguido de um gemido alto. – Eu sei o quanto isso é gostoso...

Agarrou os cabelos de Tim e mirou-o predatoriamente nos olhos azuis, deixando que sua voz saísse intercalada com as investidas no pênis de Robin.

– É gostoso... – Gemeu alto e teve o pescoço preenchido por beijos, mordidas e lambidas. – É muito gostoso, Timmy...

Gemeu em uma súplica que Tim entendia bem qual era.

Saiu de dentro do clone, gemendo com o abandono. Fez com que deitasse de costas na cama, trocando as posições, se posicionando entre suas pernas.

– Segure as pernas. – Conner atendeu a exigência e mostrou-se abertamente para o amante, que voltava a lhe penetrar, demorando-se nos movimentos de ida e vinda quando sentiu o ventre dar uma fisgada. – D-droga...

Diminuiu o ritmo do sexo e deixou-se afundar mais no corpo do clone ao buscar seus lábios para outro beijo de cumplicidade, cessando os movimentos.

– Eu vou gozar logo se continuar assim... – Confessou para Conner, beijando-o novamente.

Kon-El levou os braços para os ombros de Timothy, lhe acariciando o pescoço de forma lenta.

– Não vou a lugar nenhum, Tim... – Suspirou e lambeu seus lábios. – Você pode me comer até não aguentar mais...

Mostrou-se com aquele tom de perversidade que somente Timothy conhecia e amava. Sorriu para o seu clone querido e o viu voltar a segurar as pernas para facilitar aquele sexo maravilhoso que compartilhavam. Saiu completamente de seu corpo e enfiou-se com força novamente, fazendo o namorado gemer e revirar os olhos quando se sentiu pressionado no ponto especial. Ofegou fortemente, balançando a cabeça de um lado para o outro com a descoberta daquela nova sensação que fazia seu peito explodir em êxtase. Apertou os olhos e levou uma mão à boca, mordendo-a com certa violência, impedindo-se de gritar e pedir por mais daquela loucura.

Tim impôs o seu ritmo acelerado e agarrou a perna do clone quando previu seu orgasmo, beijando desajeitadamente aquela perna do namorado, gemendo forte quando viu que seu amante se masturbava e o sentiu apertar sua bunda, cerrando os olhos ao chegar ao clímax.

Os espasmos de Conner em meio ao orgasmo sempre o fascinaram, e apoiou as mãos na cama para admirá-lo de cima. Como ele fechava os olhos com força, engasgava com a própria saliva e suspirava para evitar gritar de prazer... Tantas pequenas doces reações que o fazia se excitar só com a lembrança e gozar em meio às masturbações de saudades do namorado. Sorriu abertamente ao encontrar seu típico olhar preguiçoso, recebendo outra risadinha cansada de volta.

Deixou as pernas sobre a cama e sentiu o pênis do namorado sair de si, relaxando-se entre o abraço terno que iniciavam. O menino prodígio aconchegou-se no peitoral de Superboy, beijando o tórax de leve, abraçando-o e fazendo-se abraçar pelos braços acolhedores daquele homem que tanto amava. Ficaram em silêncio por alguns minutos indolentes até que os sentidos voltassem completamente ao normal.

– Isso foi fantástico...

Conner tomou fôlego para confessar, fazendo Tim rir em resposta.

– Eu sei, é o paraíso. – Levantou a cabeça e deu um selinho nos lábios do namorado. – Mas não te incomodou em nenhum momento?

Viu que o clone estranhara aquela pergunta.

– Foi gostoso demais, não me incomodou... – Sorriu e então pensou melhor. – Por quê? Você sentiu algum incômodo?

Tim o encarou e quis perguntar se aquela era realmente a primeira vez do clone sendo passivo em uma relação homossexual, mas avaliou melhor a situação. Conner não era inteiramente humano e talvez a seu sangue kryptoniano anulasse as dores mesmo em atos sexuais. Pensou se aquilo era bom ou ruim, e concluiu que em se tratando de Superboy, talvez fosse melhor que permanecesse sem conhecer verdadeiramente a dor. Sabia que o clone se machucava em meio às lutas com seres superpoderosos, mas em um embate físico com um ser humano, ele sempre sairia intacto.

Acariciou seu rosto e sorriu de leve.

– Nada além de prazer... – Beijou-lhe as bochechas, saindo de cima do clone e deitando-se ao seu lado, chamando-o para deitar em seus braços. – Só consegui pensar em você o dia inteiro, e foi isso que me ajudou a fazer tudo direito... – Confessou ao ser abraçado pela cintura.

– Idem comigo. Tudo parecia fazer tanto sentido enquanto pensava que iria te encontrar... – Riu ao lembrar-se de casa e da visita de Superman. – Aliás, tia Martha mandou beijos.

– Agradeça e mande outros. – Riu. – Ela já deve saber sobre a gente.

– Ah, sim... Acho que todos sabem.

Gargalharam baixo em meio àquele descanso.

– Eu não me importo que todos saibam. – Tim disse, calculando se aquilo era inteiramente verdade.

– Eu também não, Tim... – Conner disse sinceramente, não entendia por que teria que esconder uma relação tão maravilhosa da família e amigos. – Não que precisemos confessar nada. Mas também não precisamos nos preocupar tanto em esconder.

– Concordo... – Riu ao pensar no quanto seu namorado, sempre tão preguiçoso e calado em público, possuía tamanha sabedoria.

– Podemos fazer de novo? – Perguntou passando as mãos pelo membro ainda relaxado de Tim, fazendo-o gargalhar ao sentir cócegas.

– Me dê mais alguns minutos, por favor. – Abaixou a cabeça, beijando-lhe a orelha. – Pode ser a sua vez, se quiser...

Tim sussurrou sensualmente para Conner, que o olhou alegre, mas ainda assim preocupado.

– Você já...?

– Já. Estou ótimo.

Viu seu amante nitidamente confuso diante tais verdades.

– Você faria em mim de novo? – Perguntou quase que inocentemente, fazendo Tim gargalhar e abraçar o clone fortemente.

– Com muito prazer.

Brincavam um com o outro em meio a carícias e risadas, até tornarem a brincadeira novamente sexual e acalmarem os ânimos em mais uma rodada daqueles jogos prazerosos.

Cumprir uma promessa nunca foi tão gratificante.

–----x-----

Continua

Notas finais
A ideia era postar esse capítulo no dia 25 de dezembro, de preferência à tarde, mas cá estou eu, criatura noturna, postando presente de natal no dia 26... Enfim, gente, FELIZ NATAL!!! Capítulo gigante, eu sei, mas é para compensar a demora para postar os capítulos anteriores. Eu venho perguntando se capítulos grandes incomodam vocês há algum tempo e eis o motivo >.< Pensei em postar uma parte em um dia e outra parte no outro, mas depois achei que alguém poderia se perder na leitura e acabar pulando um capítulo... Eu já fiz muito disso xD Enfim, queridos leitores que acompanham essa fic desde seu início: Que barra ein? KKKK Obrigada aos leitores antigos e novos por me aturar durante mais esse ano, espero ter conseguido entreter vocês o mínimo esperado. Ano que vem caminhamos para a reta final, provavelmente (minha nossa... ), mas não pensemos nisso ainda... Muita coisa boa tem que acontecer até eu me sentir satisfeita com esses rapazes