Heroic Wish
10 Capítulo 10
Perambulava sem rumo pelos corredores gelados da Torre Titã, pensando que aquele era realmente um gigantesco desperdício de espaço, já que poucos vigilantes costumavam frequentar o lugar durante a semana. Subitamente, a lembrança da época em que fez parte de uma das primeiras formações de Titãs o assolou e o fez perceber que a situação não havia mudado tanto. Tirando o fato de que todos agiam como uma família, onde o ambiente era embalado por certas ondas de dramas adolescentes, os jovens vigilantes sempre foram ocupados demais em seus afazeres rotineiros durante a semana para poderem se encontrar com todos na Torre. Como ele, existiam os que moravam na Torre e lhe faziam companhia, mas os tempos realmente haviam mudado. Na sua época de caçula do grupo, podia usufruir da presença da filha de Trigon. Ravena era um tanto complicada de lidar, mas com o tempo, tornaram-se tão próximos quanto irmãos. Talvez até mais, se não fosse tão imaturo e insensível. A garota sempre foi sensitiva demais, a sua empatia extrema quase sempre o sufocava e o impedia de bancar o brincalhão sempre que as missões tornavam-se demasiadamente perigosas.
Era certo que tinha o gênio descontraído e zombeteiro, mas não era tão irresponsável quanto transmitiam suas palavras e ações imaturas. Aprendeu cedo que alguém tinha que ter a missão de acalmar os ânimos de todos na equipe. E riu ao pensar que Dick, como líder de sua formação Titã, até cumpria bem o papel, mas sempre fora muito preocupado em deixar Batman orgulhoso para agir descontraidamente durante as missões. Às vezes, sentia-se quase deprimido por não possuir um mentor, como a maioria dos amigos. Às vezes. Quase.
Assobiou uma melodia aleatória. Pensou em virar um passarinho qualquer e passear pela cidade, mas tudo o que queria era alguém que lhe fizesse companhia. Mutano só podia contar com a presença de Bart àquela altura, e, inconscientemente, dirigia-se aos aposentos do velocista.
Encontrou o Titã caçula sentado num dos cantos de seu quarto, um aposento tão desorganizado quanto já se esperava de Bart Allen. Estava com a cabeça baixa e logo considerou que deveria consolá-lo, seja lá o que perturbasse a cabeça, mas então ouviu uns breves barulhos característicos, e reparou que estava com um videogame portátil em mãos. Garfield sentou ao lado de Bart e conferiu o passatempo que tanto o ocupava.
– Realmente se diverte com isso? – Perguntou, reparando que o outro não parecia muito animado com o rumo que o jogo eletrônico estava tomando.
– É o mais próximo que posso chegar dos jogos da minha época... – Respondeu sem muita emoção, implicitamente deixando claro que aquilo não era nada divertido.
– Na minha época os jovens se divertiam brincando de pega-pega e esconde-esconde na rua...
– O que??
O silêncio marcou o fim daquela pequena conversa que Mutano tentara iniciar com o jovem velocista. O transmorfo confessava para si mesmo que pegava demais no pé do menino do futuro, mas só porque sabia como era difícil ser o caçula de uma equipe de jovens heróis. Tinha receio que a incessante busca por atenção e o incontrolável impulso por querer provar seu valor para os companheiros estivesse estressando Bart. Mas ele vinha do século XXXI, talvez toda aquela era o estivesse saturando aos poucos. Encarou o rosto concentrado, mas retraído, do pequeno rapaz e não conseguia perceber sequer um sinal de preocupação além da necessidade de terminar aquela tortura que as pessoas teimavam em chamar de videogame.
Aquela expressão chamou a atenção de Garfield. Ele sabia que Bart Allen já havia passado por provações o suficiente desde que chegara do futuro, e não se passando tanto tempo desde que deixara o nome “Impulso” para trás, para se tornar o novo Kid Flash, novos desafios ainda aguardavam pelo rapaz. Ele poderia até se sentir de alguma forma ameaçado pela presença de novos membros nos Novos Titãs. Não conseguia evitar enumerar uma lista de desafios que o menor provavelmente enfrentaria, e não queria que ele pensasse que estava sozinho no meio disso tudo.
– Sinto falta da realidade virtual...
Bart falou, finalmente colocando um fim àquele silêncio que não chegava a ser incômodo, mas era, no mínimo, estranho em meio a dois rapazes tão exaltados. E então Mutano reparou que o moreninho já havia desistido de apertar aqueles botões do tal PSP Vita que tanto enchia de emoção os olhos das pessoas. Provavelmente ficou desconfortável com a presença do rapaz de tonalidade esverdeada e resolvera tomar seu rumo na Torre, mas permaneceu ali, sentado ao seu lado.
– É algum tipo de jogo? – Mutano perguntou um tanto confuso, pensando se a realidade virtual a qual o rapaz se referia era a mesma que estava imaginando.
– Mais ou menos... – Bart tomou ar, como se o que estava para dizer fosse realmente algo muito interessante, colocando um sorriso tímido nos lábios. – Você entra em uma câmara de realidade virtual, aciona alguns dispositivos e escolhe o que quer fazer. Eu passei parte da minha vida numa dessas coisas.
– E o que você fazia?
– Bom... No geral, eu jogava mesmo... Corria ao redor do mundo, conhecia lugares bem maneiros. Mas no final das contas, servia como treinamento. Aprendi a controlar meus poderes assim.
– Aposto que não era tão divertido como são os treinamentos dos Titãs.
Mutano riu, mas não fora seguido por Bart na brincadeira.
– O treinamento com todos é muito divertido sim...
–... Por que eu tenho a impressão que vem um “mas” agora? – Disse Mutano.
– “Mas” – Enfatizou. – Ninguém aqui me leva à sério. Robin, Superboy e Moça Maravilha estão mais distantes do que nunca e os veteranos sequer me notam nessa equipe. Eu não faço diferença aqui.
E Garfield o encarou não muito surpreso com tal revelação. Era como estar se vendo quando mais novo e confessando suas frustrações para o Robin da época. Dick havia rido da sua cara em resposta, e decidiu que faria o mesmo com Bart. Soltou um sonoro “ppppfff”, como se estivesse prendendo o riso e então gargalhou, segurando a testa, fazendo de conta que ouvira a mais engraçada das piadas. Kid Flash o encarou desacreditado e, como Mutano já havia imaginado, saiu do seu lado, bufando xingamentos e maldições para o veterano.
– Não dá pra acreditar... – Jogou o PSP dentro de uma mochila pendurada na cadeira de sua escrivaninha, logo a colocando nas costas.
– Aaah, ligeirinho... – Foi atrás do mais novo, puxando-o por um braço, recebendo logo uma recusa.
– Eu sabia que não devia ter te falado nada. Você é exatamente como eles. Só que ainda pior, porque você não leva NADA à sério. – Mostrou-se ainda mais magoado para Mutano, que desfez o riso e tornou a segurá-lo.
– É isso que pensa de mim? – Mutano perguntou ressentido. – Eu estou aqui, não estou? Porque estaria, se não me importasse?
Encararam-se por alguns segundos intermináveis e então Bart abaixou a cabeça, sem graça.
– Eu disse que não levava nada à sério... Não que não se importava...
Mutano o soltou, mais sem graça ainda. Não era nada bom com interpretações, sempre entrava em discussões por conta de sua incapacidade de ler as entrelinhas das conversas.
– Bom, então saiba que eu levo à sério, sim... Escute. Eu não imagino como é ter um guardião, mas você já conversou sobre isso com o Barry? Ou mesmo com o Wally?
Kid Flash revirou os olhos, largou a mochila e jogou-se em uma pilha de roupas em cima de sua cama.
– O Flash sequer aprovou minha inclusão nos Novos Titãs. Por que acha que eu falaria algo do tipo com ele?
–... Ele com certeza tem seus motivos, Bart...
– Pois eu sei de um: o Flash não confia em mim. Se não fosse pelo Jay*, ele nunca teria deixado eu me tornar Kid Flash... Não que eu tenha pedido permissão pra isso...
– Normalmente você não é assim tão dramático, aconteceu alguma coisa?
O colega perguntou, cortando o desabafo do velocista, sentando-se ao lado de seu corpo jogado em meio àquela cama bagunçada. Bart suspirou derrotado e bagunçou os cabelos quando coçou a cabeça, sentando com as pernas cruzadas em lótus.
– Eu só sinto falta dos meus amigos, Gar... – Confessou. – Era tão legal quando era só eu, o Tim, Conner e a Cassie. A gente se divertia e eu esquecia um pouco da saudade de casa. Não me entenda mal, eu curto você pra caramba. Curto todos os veteranos. Mas desde que nos unimos aos Titãs que os problemas começaram a ficar frequentes. Viu o que aconteceu na última reunião?
–... Vi.
– Pois é, o que foi aquilo? Robin dá um soco no Asa Noturna sem mais nem menos, Superboy saiu da Torre parecendo que ia matar alguém... Sei lá o que ta rolando, mas o clima entre Robin e Superboy ficou meio gelado, não ficou?
Mutano pigarreou e desviou o olhar. Quantos anos Bart tinha, afinal? Era tão inocente a ponto de não ter entendido tal cena de ciúmes? Seria possível que ele nunca se deu conta do que acontecia entre Conner e Timothy dentro daquela Torre?
– “Não que eu saiba o que eles fazem, só consigo imaginar...” – O transmorfo corou e esfregou o rosto nervosamente, querendo saber de onde surgia tal pensamento.
– Você ta legal?
Bart perguntou quando viu que o mais velho estava perdido em suas reflexões. O outro o encarou e sorriu de forma doce e afetiva, pousando uma mão na cabeça do mais novo, bagunçando um pouco mais os cabelos castanhos do jovem herói.
– Não tem que se preocupar com nada disso, entendeu? – Riu, ainda um tanto sem graça. – Não tem nada a ver com você, Kid Bobão. Sobre seus dramas à respeito de fazer parte dessa equipe, você só não está se encaixando ainda. Eu sei como é isso, vai ver como tudo é só impressão sua. Tenho certeza que se conversar com o Tim, ele vai dizer coisa do tipo, mas vá falar com ele. É o líder da galera, ele vai entender e te explicar tudo.
– Mas o Tim...
– Sem “mas”, rapaz! – Deu um tapa sonoro na testa de Kid Flash, fazendo-o balançar a cabeça para trás. – Não fique se remoendo sozinho com seus problemas. Os Titãs sempre foram uma família e eles sempre irão te ajudar. Veteranos ou novatos.
Aliviou-se quando Bart pareceu relaxar um pouco diante do que disse.
– Certo, Mutano. – Sorriu para o amigo. – Até que você presta pra alguma coisa além de encher o meu saco. – Tirou a mão do rapaz de sua cabeça e levantou, tirando a parte do rosto de seu uniforme amarelo. – Vou procurá-lo assim que tomar um banho...
– Eu não queria comentar, mas realmente você está fedendo... – Brincou, abanando o ar, como se estivesse sentindo um fedor vindo de Bart.
– Ha. Ha. – Virou para Mutano, jogando-lhe a parte do uniforme que havia tirado e entrando em seu banheiro.
E lá estavam as sardas que faziam Mutano viajar. O rosto de Bart realmente possuía toda uma constelação de sardas que entretia o jovem transmorfo. Poderia contá-las por dias e não chegariam ao fim. Viu que Bart estava saindo de sua linha de visão e por pouco não virou algum inseto para poder continuar contando tais marcas. E novamente esfregou o rosto, nervoso com a ideia imbecil que tivera. Levantou da cama, ouviu o barulho do chuveiro ligar e mexeu aleatoriamente nas folhas jogadas em cima da escrivaninha do velocista, reparando em alguns exercícios de matemática que sequer ousava adivinhar do que se tratava.
– Dever de casa...? – Pensou consigo mesmo e uma dúvida o assolou novamente. – Bart? – Ouviu a voz do rapaz abafada pelo chuveiro lhe respondendo ao chamado. – Qual a sua idade?
– O que?
– Quantos anos você tem, ligeirinho? – Perguntou novamente, impaciente, não entendo porque precisava de tal informação.
– Tinha 12 anos quando saí da minha era. Se for fazer as contas, devo ter uns 14 anos. – Realmente não sabia ao certo sua idade. Perguntava-se se as viagens no tempo afetariam o desenvolvimento do seu corpo, mas era uma questão que estava longe de lhe importunar a cabeça. – Por quê?
– Ah, por nada... – Analisou por mais alguns segundos a coleção de bagunça que Bart havia juntado naquele quarto e acrescentou: — Quer ir ao cinema antes de ir falar com o Robin?
– Falou e disse... – Bart terminou o banho e saiu descalço, somente com a calça de seu uniforme, secando de qualquer jeito os cabelos castanhos e jogando a toalha molhada em cima da cama.
– Beleza então. – Virou-se em direção à porta automática do aposento. – Dê um jeito nesse quarto, ta parecendo um chiqueiro...
Mutano fugiu do quarto, em forma de cachorro, pois Bart havia lhe jogado uma caixa de pizza com um conteúdo suspeito demais para ser digerido, e ser pego de surpresa afetava sua criatividade na hora de escolher qual o melhor animal para a ocasião. Riu e saiu correndo e arfando animado, tendo pensamentos divertidos sobre a visita ao cinema até que...
– “Ele não tem corpo de alguém que tem 14 anos...” – Pensou e tropeçou nas próprias patinhas, rolando pelo corredor escuro da Torre.
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O Radar da Torre acusou aproximação de algum veículo aéreo e Victor Stone, o Ciborgue, confirmou abismado o dono do peculiar e extravagante planador. O veterano conferiu a localização de todos os Novos Titãs pelos monitores que mostravam a vista dos corredores do Q.G. titã, temendo por mais uma cena dramática para alvoroçar os ânimos frágeis dos jovens vigilantes. Resolveu que deveria entrar em contato com o piloto do batplano antes de decidir se deveria intervir.
– Não vou mentir, é uma surpresa te ver por aqui.
– Não se anime tanto... E não precisa vir me receber, eu sei o caminho para a sala de comando.
Pousou a aeronave e desceu da mesma, esticando-se e estalando alguns ossos do pescoço, retirando sua máscara, jogando-a com descaso dentro do planador e fechando a porta do transporte com certa violência. Andou apressadamente ao encontro de Victor e o encontrou na porta da sala de comando.
– Acredita que quase me perdi?
Victor sorriu sem graça ante a fala e estendeu a mão para o visitante, em um cumprimento quase forçado.
– É bom te ver de volta à Torre, Jason.
– Não precisa mentir tão descaradamente, cara. – Mesmo fazendo-se de ofendido, o Capuz Vermelho respondeu o aperto de mão, por puro respeito pelo homem à frente. – Cadê o menino prodígio? – Vasculhou as câmeras em busca do seu sucessor no manto de Robin. – Qual é o quarto dele?
– Jason, você sabe que...
– Eu realmente preciso falar com o carinha.
Ciborgue então postou-se frente ao afobado Jason e colocou as mãos nos ombros tensos do rapaz.
– Combinamos que você não viria mais aqui, não combinamos?
O mais novo estalou entre dentes e desabafou:
– Aquilo foi há tanto tempo... Até quando pretendem guardar rancor?
Jason Todd havia passado por uma fase conturbada, onde não conseguia aceitar Timothy Drake como seu sucessor e novo parceiro do Batman. Fora uma época de descobertas, em todos os sentidos, incluindo a total incompatibilidade em relação aos ensinamentos do Batman. O rapaz possuía um censo frágil de justiça e considerou injusto ser tão prontamente trocado como parceiro. Então, logo nos primeiros dias em que Tim, como Robin, assumiu o papel de líder dos Novos Titãs, Jason concluiu que era muito justo acertar as contas com o novo prodígio, atacando-o e incitando-o a lutar pela detenção do manto.
Fora estúpido ao ponto de subestimar o garoto. Burlou todo o sistema de segurança da Torre, estudou todo o desempenho do rapaz, o pegou desprevenido, mas mesmo assim, não fora capaz de derrotar. No fim, tudo o que conseguiu foi que Batman lhe expulsasse da mansão.
Na verdade, ele apenas havia levado um sermão sobre como era impulsivo e inconsequente e que fora por esta razão que o havia destituído do posto de Robin. Quando Bruce foi atrás de seu segundo protegido, ele já havia saído da mansão por conta própria.
Os ânimos com a família pareciam ter se controlado com o passar do tempo, mesmo que a relação com Timothy não seja das mais amigáveis. Respeitavam-se, mas não precisavam se esbarrar, e evitavam tal casualidade ao máximo. Mas parecia que a cicatriz que o Capuz Vermelho havia deixado na equipe fora mais profunda.
– Eu achei que esse fosse um lugar para jovens heróis se reunirem.
– Nem vou entrar na discussão sobre a definição de “herói” para você, Todd.
– Que bom, já basta o Batman semp...
– Você não é bem vindo aqui, Jason...
Tal frase de efeito quase teria machucado os sentimentos de Jason, se o mesmo não tivesse visto Tobin andando apressadamente por um dos corredores que levavam ao salão de treinamento. Saiu correndo ao seu encontro, impedindo Victor de continuar aquele ataque ao seu coração. Riu da cara que Ciborgue fizera ao ter fugido tão repentinamente daquela conversa tediosa.
O veterano aborrecido Stone poderia ter alcançado facilmente o rapaz, se não fosse a sua total falta de vontade de se intrometer nos assuntos dos vigilantes de Gotham. Passava tempo demais atrás de heróis temperamentais e precisava se preocupar apenas com a chegada prematura dos novos integrantes da equipe. Pensou que realmente precisava de umas férias. Bufou cansado de tanto drama adolescente e a única ação que se deixou tomar para tentar impedir o pior foi entrar em contato com o outro veterano responsável por esses “moleques”.
– Eu sei que você disse que daria um tempo da Torre, mas a situação pede a sua atenção.
– Ok, Vic, eu estou ocupado agora, sei que pode cuidar disso sozinho.
– Jason Todd acabou de pousar na torre e está indo atrás de Timothy neste exato momento.
Desligou o comunicador e voltou a sentar em sua poltrona, colocando os fones de ouvido para ouvir algumas músicas que Mutano havia selecionado.
Realmente estava saturado daquela novela.
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Dick, que estava em São Francisco em uma investigação sobre um traficante de armas que ousara vender sua mercadoria em Gotham, mal pode registrar o que fora dito e já desistia de procurar as pistas que já estavam levando a lugar nenhum. Pensou em entrar em contato com Jason, buscando sua ajuda no caso. Mesmo que suas estratégias de investigação fossem tão divergentes, os dois formavam uma grande dupla. O próprio Batman já havia lhes dito isso. Um elogio raro de se ouvir do morcego.
Porém, desde o último encontro, os dois não se esbarraram mais. Richard continuava em seu apartamento, mas o Capuz Vermelho nunca estava presente. Tinha certeza que estava sendo evitando e não fazia ideia do motivo.
A insensibilidade de Richard era nítida. Era claro que ele lembrava que Jason, talvez em meio ao fervor de um orgasmo recente e (sorriu sacanamente ao pensar) forte orgasmo, havia se declarado com todas as palavras certas e muito claramente pronunciadas.
– “Amo você”. – Asa Noturna repetiu quando se lembrou de tal cena, que na verdade passava em looping na sua cabeça, mas convenceu-se de que não tinha tempo para pensar em tal caso. Mesmo que tenha se sentido culpado por não ter ido atrás de Jason e ter saído no dia seguinte, logo de manhã, em um horário que sabia que não encontraria Jason, considerava que nada havia feito de errado para com o amante.
– Nós dois temos nos evitado...
E não deixava de ser verdade.
E lá estava o primeiro Robin com um sorriso no rosto indo ao encontro de seu parceiro, não atentando-se ao fato de que tudo tinha uma grande chance de terminar em mais uma cena que resultaria em muitas e muitas fofocas.
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Bart e Garfield voltaram do cinema e andavam lado a lado pelos corredores que levavam aos aposentos de cada um. Mutano incomodava o jovem Kid Flash como era o costume, com cutucadas e beliscões, mas estacaram o passo ao ver Jason correndo em direção do salão de treinamento. Passou pelos rapazes descontraídos, sorrindo divertidamente e gritando:
– QUE CASALZINHO MAIS FOFO!!! – Tornou a prestar atenção no caminho que fazia durante a corrida, demonstrando o descaso de alguém que só abria a boca para iniciar alguma intriga.
O rosto verde de Mutano, de alguma forma, tornou-se avermelhado e Bart pode ouvi-lo soltar algo como um rosnado.
– Aquele era o Capuz Vermelho? – Bart perguntou não parecendo ter se incomodado com o comentário zombeteiro de Jason.
– Ache o Robin, eu vou reunir os Titãs! – Gar esbravejou, mais vermelho ainda, realmente rosnando quando tornou-se um tigre e fez menção de sair em disparada atrás de CV.
– Eu realmente curto quando você vira um tigre verde grandão. É meio assustador, mas é tão maneiro... – O moreninho comentou inocentemente, não notando a urgência no pedido de Mutano, admirando a pelagem esverdeada do Mutano transformado naquele magnífico animal. O teria acariciado se Garfield não tivesse deixado claro a sua urgência:
– VAI, LIGEIRINHO!!!
Assustou o jovem velocista, que finalmente entendeu que era para usar sua super velocidade para achar seu líder.
–----x-----
continua
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