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4 A escultura de pedra brilhante
Notas iniciais
Aquela horrorosa escultura de pedra começou a brilhar inesperadamente diante de nossos olhos esbugalhados. Ela mudou de forma bem na nossa frente! Imagine nossa cara de espanto, vendo aquela coisa fazer aquilo! Meu cérebro não queria acreditar de maneira alguma naquele acontecimento. E outra coisa maluca aconteceu.
Cinco pequenos pontos de luz saíram voando daquela pedra e caíram nos nossos pés. Não conseguíamos desviar nossa atenção daquele fenômeno sobrenatural. Daí, Trevor teve coragem de pegar a pedra do pé dele.
– Mas o que é isso? Parece um tipo de colar.
E era isso mesmo. Cinco colares com pedras de cores diferentes. Cada um pegou o seu. Mas que droga significa isto?
Vermelho, para mim;
Azul claro, para Willow;
Branco, para Alice;
Marrom, para Ethan;
E Azul escuro, para Trevor.
Ficamos abismados com aquilo. Por que nós? Será que a escultura só reagiu quando especificamente nós cinco estivemos ali?
Então Alice falou:
– E agora, o que a gente faz? Deixamos isso aí mesmo?
– E eu sei lá! Vamos embora daqui, por favor? – Disse Willow
– Surreal! – É só o que Ethan conseguia dizer.
– Precisamos raciocinar. O estrago já foi feito. Devem ter câmeras de segurança por toda parte. A polícia poderá nos ver e é só questão de tempo pra nos achar. Vamos levar isso com a gente. Agora ninguém deve contar nada. Nem pra família. De qualquer jeito, parece que esses colares são nossos. – Falou Trevor, parecendo preocupado.
– Estou com medo! Quero ir pra casa! – gritou Alice.
– Concordo com o Trevor. Vamos embora sem levantar suspeitas. Amanhã nos reunimos e discutiremos o que fazer ok?
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– Não posso ser visto com vocês, se não minha reputação vai por água abaixo – esbravejou Ethan.
– Não interessa sua reputação, cérebro de minhoca! – Rebati na mesma hora, sem paciência. Estamos preocupados com o que vai acontecer daqui pra frente! Nos reunimos amanhã na despensa da escola, no intervalo. Estejam lá e não se atrasem tá legal? Vamos resolver isso.
– Tá bem – disse Alice.
– Ok – disse Trevor.
– Pra mim tá bom, mas não quero ficar muito perto de vocês. Posso pegar breguice – resmungou Willow.
– E você, Ethan? Estará lá?
– E quem disse que vou obedecer a suas ordens, canguru? E melhor que isso acabe logo, ou você vai ter sérios problemas!
– Se você fosse inteligente, saberia que é mais sensato colaborar, seu inútil cheio de esteroides! Mas eu esqueci que é mais burro que uma porta! – soltei.
– Quer que eu te mande pro espaço? – Ethan cerrou o punho pronto pra me dar um soco, mas Trevor interviu:
– Parem com isso vocês dois! Chega de idiotice! Vamos tentar esquecer isso, pelo menos por enquanto.
E voltamos pro ônibus sem comentar nada.
Não consegui dormir nessa noite devido ao ocorrido em Greenwich, e aposto meus mangás que os outros também não. Fiquei pensando em tudo: a escultura mudando de forma, a luz incandescente, os colares com as pedrinhas. Por curiosidade, peguei o colar vermelho da gaveta da escrivaninha e fiquei admirando ele. Ele meio que brilhava na minha mão. Que sensação estranha! Nunca tinha me sentido assim, com tanto assombro. Ah, esquece! Tenho que dormir pra ir a aula amanhã. O bom é que acabei pegando no sono.
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No dia seguinte, no intervalo, fui o primeiro a chegar à despensa. Abri a porta sem ninguém notar e entrei pra esperar os outros. De repente, alguém bate a porta. Levei um baita susto.
– Somos nós, deixa a gente entrar!
Era a voz de Willow.
Quando entraram, além de Willow, estavam Alice e Trevor a espreita.
– Cadê o ogro do Ethan? Não vem participar da festa? – disse com tom sarcástico.
– Quer parar de criancice? – disse Willow, emburrada.
– Vamos esperar o brutamonte ou começar sem ele? – olhei pra Trevor
– Não importa. Temos que ser rápidos. O zelador vai vir pra cá daqui a pouco.
Quando Trevor ia começar a falar, batem na porta.
– Sou eu, Ethan, abram logo, idiotas!
Ele entrou e fechou a porta rapidamente.
– Tenho pouco tempo. Depois do intervalo tenho treino. Vamos logo com isso!
– Bom, pessoal – comecei a reunião – Temos que descobrir uma maneira de consertar essa situação. Não podemos ficar com esses colares. Pode ser perigoso.
– E qual é a sua ideia, gênio? – Ethan fitou Trevor, que estava pensativo.
– Tentei pesquisar sobre esses colares e não achei nada na internet, nem em livros antigos. Não tem nada relacionado que tenha sido documentado na história.
– Fale nossa língua, nerd. – rosnou Willow.
– Resumindo, ou alguém apagou os registros dessas coisas...
– Ou nem tiveram tempo de descrevê-las com o passar dos anos – falou Alice pela primeira vez desde que tinha chegado. Olhei seu rosto, e ela estava com olheiras.
– Você está bem, Alice? Não dormiu essa noite, né? Eu também não. Sinto muito.
– Sente por quê? Não foi culpa sua. – disse tentando me acalmar.
– Droga! O que faremos agora? – reclamou Ethan.
– Só tem um jeito. Vamos usar esses trecos e se alguém perguntar diremos que foram herança de família. – eu disse.
– Não vai funcionar – tentou Trevor – Somos de grupos sociais diferentes. Provocará uma revolução na escola se andarmos juntos por aí.
– Nisso ele tem razão – observou Willow, olhando pra Trevor com cara de orgulhosa.
– Percebi uma coisa enquanto estava com ele ontem à noite – disse Alice – Quando mais próxima eu ficava dessa pedra mais brilhava e eu me sentia diferente.
– Aconteceu comigo também – eu disse
– E comigo – disse Ethan
– Então aconteceu com todos nós – disse Trevor – Parece que esses colares se ligaram a gente. Vamos colocá-los juntos e ver o que acontece.
– Certo – repetimos em uníssono.
Então pegamos os colares e colocamos nos pescoços.
O que tinha acabado de acontecer nos deixou mais impressionados do que nunca.
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