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5 A viagem no tempo
Notas iniciais
Era lindo e ao mesmo perturbador. Os colares começaram a brilhar muito mais intensamente que na primeira vez, e quando demos por vista estávamos num túnel sem fundo, caindo com uma velocidade surpreendente. Pensei que Ethan ia vomitar. As garotas gritavam. Eu só conseguia pensar em ajudá-las. Pelo visto Trevor pensou a mesma coisa e logo pegou Willow, que estava mais próxima, nos braços. Fiquei com ciúmes, mas tinha outra garota caindo. Alice. Não queria que nada acontecesse a ela. Era minha melhor amiga. Então eu a agarrei e continuamos caindo. Então ficou tudo escuro.
Quando acordei, a primeira coisa que pensei foi em Alice. Daí percebi que não estava mais no colégio, e sim numa... Numa... Floresta? Os outros estavam caídos em pontos diferentes, mas dava pra ver cada um. Verifiquei se não estavam machucados.
– Galera, acordem! Não estamos mais no colégio! Levantem! Temos que voltar!
Ainda se orientando, Willow olhou ao redor, e percebendo onde nós estávamos saiu berrando desesperada:
– AHHHHHH! O que a gente tá fazendo aqui? Como viemos parar nessa floresta!
Trevor, vendo aquela situação constrangedora, segurou com força nos ombros dela e lhe deu uma tapa no rosto.
– Pare de gritar, sua patricinha maluca! Quer que algum animal nos ache aqui? Deve ter alguma saída daqui, ou pelo menos uma estrada, casa abandonada, qualquer coisa!
Ela olhou aqueles olhos verdes vibrantes e ficou calada.
– É melhor você pensar em algo pra a gente sair daqui rapidinho, canguru, ou vou moer os seus ossos! – rosnou Ethan, quase salivando de raiva.
– A culpa não é minha. E cale a boca. Temos que ficar calmos e raciocinar o que aconteceu.
– Você tem razão, Flint. – Falou Alice – Só viemos parar aqui porque colocamos esses colares lembram? Deve ter alguma explicação razoável pra estarmos aqui.
– Primeiro vamos sair dessa floresta e procurar um lugar pra passar a noite. Está escurecendo e vai ficar sinistro aqui. – Disse Trevor.
– O quatro-olhos até que é esperto. Vamos logo.
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Sem água ou comida ou experiência em sobrevivência, andamos fundo por aquela floresta que parecia assombrada por umas duas horas direto. Eu olhava para os outros atrás de mim e vi que eles estavam passando mal. E eu também.
– Vamos parar pra descansar, Flint. Estamos andando faz horas e meus pés não aguentam mais – disse Alice, muito cansada.
– O que acham de uma pausa? – falei.
– Seria uma boa – disse Ethan.
– Então só quinze minutos. Está quase de noite.
Enquanto refletíamos, Willow de repente falou:
– Gente, to sentindo um cheiro estranho.
– O que? – eu disse.
– É sério, meu olfato é apurado. Tô sentindo cheio de algo queimando.
– Vejam – disse Trevor – No topo das árvores!
Quase não dava pra ver, mas tinha fumaça ali por perto. E fumaça significa fogo, e pelo formato e cor, era de uma chaminé!
Tivemos forças pra correr em direção àquela fumaça e pra nossa alegria, vinha de uma casa! Trevor, que estava a nossa frente, inesperadamente colocou a mão pra a gente parar.
– Shhhhhh. O que é aquilo? Vamos com calma.
Era uma casa muito simples que a gente vê nos contos de fada, com primeiro andar, feito de argila e palha. Na frente da casa estava uma jovem lavando roupa e um idoso numa cadeira de balanço. Eles estavam conversando. Para nossa surpresa, o velho apontou o seu cajado e disse com sua voz rouca:
– Eu sei que estão aí. Podem sair. Não vamos machucá-los. Venham, não tenham medo.
Impressionados, saímos da moita e nos aproximamos.
– Olá, quem são vocês? E que roupas estranhas são essas?
– Bom, meu nome é Flint, e esses são Alice, Willow, Ethan e Trevor.
– Prazer em conhecê-los. Meu nome é Fausto. Essa é Diana, minha neta.
Diana fez uma reverência.
– O que fazem aqui?
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– Estamos perdidos. Poderia nos deixar ficar aqui por essa noite? Estamos cansados e com fome. – disse Trevor
O velho nos encarou.
– Vejo em seus olhos que vocês não são más pessoas. Podem ficar. Têm quartos lá em cima e Diana vai preparar algo pra comer. Descansem. Fiquem á vontade.
– Podemos tomar banho antes? – Disse Willow.
– Certamente. Arrumarei roupas limpas. – disse Diana
– Onde fica o banheiro? – Perguntou Ethan.
– O que é banheiro? – Perguntou o velho.
– Vocês não sabem o que é banheiro? – Perguntou Willow, incrédula.
– É pra comer? – respondeu o velho, rindo.
– Em que século vocês estão? – rebateu Willow.
– Século XIV. Ano de 1350. Vocês nem tem ideia de onde estão?
O que ela falou nos deixou de cabelo em pé. Ficamos silenciosos até absorver a nova informação. Não estávamos simplesmente perdidos. E sim perdidos em outra época. “Vocês só podem estar brincando?!”, pensei. Mas pela cara que Diana fez, não era brincadeira coisa nenhuma.
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