O céu noturno era iluminado pelas estrelas e pela lua nenhuma nuvem ousou estragar aquele momento, graças ao vento eu podia esticar as asas e apenas planar:
–Bela noite para voar não?- olhei para traz e vi Ian me seguindo pelo céu, como ele não tem asas como eu me seguia manipulando as correntes de ar.
Os cabelos castanhos de Ian balançavam com o vento:
–Que tal uma corrida cabeça de vento?- ele me observou e pude ver uma faísca de eletricidade cruzar seus olhos cinzentos antes que ele disparasse na minha frente.
Não perdi tempo, recolhi as asas me lançando em um mergulho para pegar velocidade. Ian levou um susto quando eu passei por baixo dele e fui pousar embaixo de um grande carvalho:
–Você tem melhorado- eu disse quando ele pousou.
–Tenho uma ótima professora- ele disse me puxando para mais perto e cobrindo meus lábios com os seus- Vamos por terra agora.
Andamos de mãos dadas pela rua de mármore dos Jardins de Perséfone, ele estava vestindo uma camiseta azul escura com um jeans surrado, embora esboçasse um sorriso tinha um olhar distraído:
–O que que foi?- perguntei parando na frente dele
–Nada- ele respondeu.
–Você sabe esconder muito bem suas emoções- disse a ele- mas não consegue esconde-las de min.
–É só que eu estou meio preocupado com as ameaças humanas a Nova Grécia- confessou ele.
–Eu não levaria elas tão a serio- tentei tranquiliza-lo- eles não seriam estúpidos em atacar os herdeiros do Olimpo, nós podemos fazer coisas que eles nem imaginam.
–Eu sei mas, não sei se eu estou pronto para toda essa pressão- ele disse olhando para o céu noturno
–Não está pronto? O seu pai é o rei dos deuses, a liderança está no seu sangue e, tirando o seu voo, você é o mais poderoso de daqui- ele esboçou um tímido sorriso- Então pare de se lamentar.
– Selyna Parks o que eu faria sem você- ele me puxou para mais perto e me surpreendeu com um beijo.
Aquele beijo fez com que uma sensação de conforto se espalhasse pelo meu corpo, eu queira ficar ali, nos braços dele, para sempre. Senti uma mão me puxando, tentei me segurar naquele momento, mas a força que me puxava era mais forte:
–Anda acorde você tem trabalho a fazer- a vos áspera de Joliet me trazia para a realidade, deixando apenas a sombra daquele beijo.
Levantei e encarei a mulher, ao julgar pelas rugas no rosto e o cabelo branco desgrenhado ela devia ter, no mínimo, 50, seu uniforme do exercito estava sujo de substancias desconhecidas. Levantei-me e fui em direção ao banheiro:
–A onde você pensa que vai?- Perguntou Joliet bloqueando meu caminho.
–Tomar banho- disse em um tom irônico, me perguntando se ela sabia o que era banho.
–Não, o general quer ver você agora, se vista rápido.
Eu vesti meu uniforme dos soldados humanos, minhas assas passaram pelos buracos feitos na blusa.
O alojamento era uma simples construção de concreto com vários quartos, aquela construção deprimente a pintura fora literalmente jogada pelas paredes. O lado de fora era ainda mais deprimente a pintura estava descascando e toda rachada muito diferente do meu antigo lar em Nova Grécia. Uma imponente mansão pintada de negro na encosta de uma colina, as janelas cobertas por cortinas negras, a porta de aço negro, o piso de mármore negro polido que refletia a fantasmagórica luz esverdeada do candelabro, a mobília de madeira escura, as caveiras de prata que enfeitavam as maçanetas dos quartos.
Andava distraída entre os soldados humanos que corriam de um lado para o outro fazendo suas tarefas matinais ou cuidando dos feridos mas todos desviavam o olhar quando eu passava, já era de se esperar que eles tenham medo da filha do deus da morte.
O posto de comando era uma simples tenda de tecido grosseiro pintado de verde escuro, bem diferente da tenda de linho de Nova Grécia. O comandante estava no centro da tenda, ele era um homem robusto com o rosto anguloso cheio de cicatrizes, a idade estava visível nos cabelos relativamente grisalhos, tinha o cenho franzido em quanto estudava um mapa:
– O senhor mandou me chamar?
–Sim, entre- Ele disse sem levantar os olhos castanhos.
Ao passar olhei de relance para o mapa, ele mostrava os arredores de Nova Grécia. Um arrepio percorreu meu corpo, eu tinha fornecido as informações para aquele mapa:
– 20 navios de guerra foram afundados essa tarde na costa do território inimigo, nunca vimos nada como isso, o que você tem a disser?- ele ergueu os olhos castanhos do mapa.
Uma lembrança me arrebatou para longe daquele lugar. Eu estava na paria de Nova Grécia, o sol brilhava em um céu sem nuvens, ao meu lado uma menina de uns 17 anos de cabelos completamente brancos e com uma fileira de escamas prateadas em volta do ente braço direito observava um garoto que , ao julgar pelos cabelos também brancos, era seu irmão mais novo, com agua até os joelhos tentando provocar ondas no mar tranquilo:
–Sophie eu não consigo- protestou ele.
–Consegue sim- ela se levantou e foi até ele- feche os olhos- ele obedeceu- cinta o poder do mar, cinta a agua calma ao seu redor, agora force-a a se agitar formando ondas. Uma brisa marinha soprou os cabelos brancos dos irmãos, no mar ondas começaram a se formar, cada vez maiores:
–Viu, não disse que você conseguiria- ela disse ao irmão- Agora volte pra casa e se arrume você tem que encontrar Brienne daqui a pouco.
O menino se virou ele tinha os mesmos olhos esverdeados da irmã que tinham um brilho travesso:
–Então?- a voz do comandante me trousse para a realidade.
–Não senhor, não sei o que aconteceu, devem ter um novo tipo de arma- eu menti.
O comandante ergueu uma sobrancelha:
–Tragam a prisioneira- ele gritou para os soldados que estavam do lado de fora da tenda. Quando eles voltaram tinha entre eles uma menina inconsciente, ela tinha o rosto machucado e tinha as mãos e os pés acorrentados, seus cabelos desgrenhados pareciam um ninho de pássaro:
–Acha que eu sou burro garota?- Ele disse em um tom irritado- Acha que eu não sei o que sua espécie é capaz? Mais uma mentira -ele apontou para a menina- e ela morre.
Encontrei os olhos verdes de Sophie a filha de Poseidon.
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