O mar estava um pouco agitado, o vento soprava ininterrupto, me sentei sobre uma rocha que parecia se debruçar sobre o mar, com os pés um pouco acima da água fiquei observando as ondas se chocarem. Ali, viajando em meus pensamentos lembrei-me da primeira vez que Sophie me levou até aquele lugar, eu estava assustado com aquela imensidão misteriosa que se estendia a minha frente: “Não precisa temer o mar Adrian” Disse Sophie acalmando-me “Ele faz parte de nós e nós fazemos parte dele, nosso pai é a personificação do mar e nós, de certa forma, também, nós temos nossos mistérios, não podemos ser contidos, nós somos os herdeiros do mar não há nada nele que você deve temer”. As palavras dela ecoavam na imensidão. Estava perdido com meus pensamentos quando percebi uma sombra próxima:

–Sente muita falta dela não é?- pergunta a sombra.

–Ela é minha única família- respondo. A sombra caminha mais para a luz da lua, é uma menina pálida com cabelos tão negros q se misturam com o negrume do céu noturno, seus olhos cor de âmbar me olhavam com atenção.

Brienne vestia uma blusa roxa com shorts jeans, seus cabelos longos estavam presos em uma enorme trança, ela levava as sandálias de couro na mão:

– Eu sei- Ela disse se sentando ao meu lado- Eu só estou com um mau pressentimento.

Por um momento o som das ondas quebrando na praia quebrava o nosso silencio:

–Nossa essa conversa está fica muito depressiva- Ela se levantou e estendeu a mão- Venha, vamos dar uma volta, os filhos de Apolo vão fazer um ultimo concerto no Golden Castle eu quero rir das filhas de Afrodite tentando seduzir alguém.

O Golden Castle era o lar dos filhos de Apolo, uma construção parecida com um castelo dourado com um anfiteatro na lateral. Apesar do ar de guerra ainda pairar sobre nos o anfiteatro estava lotado. Achamos lugares bem no alto da arquibancada, bom estar junto de uma filha de Hécate com poderes mágicos de persuasão tem suas vantagens:

–Presta atenção, oferecia as nove horas- ela disse apontado para o lado do palco onde Victoria estava falando com um filho de Apolo mexendo excessivamente a cabeça fazendo os cabelos castanhos balançarem- o que você acha que ela está dizendo?

–Nossa acho q estou com sérios problemas no pescoço não consigo parar de mexer a cabeça- eu disse imitando a voz de Victoria.

Brienne riu

–Ou quem sabe “ você acha que eu devo usar mais maquiagem ou minha cara já esta artificial o suficiente”- Ela era muito melhor imitando ela do que eu- O Victoria já chega, ele não está afim- ela gritou para a filha de Afrodite que respondeu com um gesto não muito amistoso quando o filho de Apolo foi se juntar aos irmão para o conserto.

Não ficamos até o final do concerto pois consideramos dar uma passada na casa dos filhos de Dioniso, eles festejam quase todas as noites.

Quando chegamos lá Mégara estava em cima do palco cantando e dançando, seus cabelos castanhos avermelhados exibiam mechas roxas:

–Ela canta muito bem- Eu disse quando Brienne voltou com dois copo.

Eu olhei para os copos e olhei para ela:

–O que?- ele disse ao perceber meu olhar- É sem álcool, eu não sou doida de te dar vinho de novo.

–Nem me lembre disso, as filhas de Afrodite não ficaram nem um pouco felizes quando eu inundei o closet delas.

–Mas como você foi para lá mesmo?- Ela me perguntou.

Felizmente os gritos da multidão que aplaudia Mégara interrompeu nossa conversa:

– Adryn- disse Mégara ao microfone- venha aqui cantar comigo.

Todos os olhares se voltaram para min:

–Acho melhor não Mégara, posso precisar do Sirena amanhã- Respondi, então Mégara voltou a cantar sozinha.

–Sirena?- Perguntou Brienne.

– É uma habilidade dos herdeiros de Poseidon- comecei a explicar- é como o canto das sereias, hipnotiza quem ouve, o da Sophie é mais forte que o meu, ela consegue hipnotizar qualquer um mas eu somente as mulheres.

– Que safadinho- ela riu.

– Olha eu bem que queria ficar aqui falando sobre minhas habilidades mas eu realmente tenho que ir arrumar minhas coisas para amanha.

O rosto dela ficou sombrio:

–Tudo bem mas pelo menos venha comigo até em casa ok?- ela disse piscando os olhos excessivamente.

–Tudo bem- Não tinha como negar com aqueles olhos dourados me olhando.

A casa dos filhos e filhas de Hécate era uma enorme mansão com pesadas colunas me mármore negro cobertas, assim como resto da casa, por runas verdes brilhantes:

–Olha fique com isso- eles estendeu um colar de couro com um pesado pingente de bronze em forma de medalhão abrindo havia um espelho- é encantado você pode contatar o meu- ela tocou o próprio pescoço mostrando um igual.

–Eu chamo se precisar- disse- Até logo Brin.

Me virei para voltar para casa:

– Adrian- ela chamou.

Me virei a tempo de ver a Filha de Hécate lançar os braços em volta do meu pescoço e colar seu lábios nos meus:

–Volte vivo Adrian- ela desapareceu pela porta.