Herdeiros do Império - (Reylo)
3 Recomeço
"Though the world may try to define you
it can't take the light that's inside you.
So don't you dare try to hide,
let your fears fade away"
(Wanderer's Lullaby — Adriana Figueroa)
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"Querida criança, você já sabe a verdade, eles nunca irão voltar" As palavras de Maz Kanata invadiam o coração de Rey sem pedir permissão, um aperto profundo se instalou dentro dela. "Mas há alguém que ainda pode!"
"Luke?" Rey solta como um sussurro, a única pessoa que viera a sua mente.
"Qualquer que seja a coisa que você está procurando, isso não está atrás de você, mas na sua frente!"
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"A garota da qual eu tanto ouvi falar." A criatura em trajes completamente escuros fala e sua voz é dissipada por dentro da mascara, filtrada.
Rey sentiu um frio na espinha, estava completamente paralisada, não conseguia mover nada além dos olhos e suas expressões faciais. Ele se aproximava a analisando, parecia procurar algo nela, algo que ela não poderia decifrar. Quanto mais perto ele estava, mais amedrontada se sentia, mas não por culpa dele, e sim por algo que gritava dentro dela, algo que procurava lhe revelar quem era tal pessoa.
"Esqueçam o droid, nós já temos o que precisamos." Foram as ultimas palavras que escutou, apagou caindo nos braços da misteriosa criatura.
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Rey acordou, hoje seria seu primeiro dia de treinamento. Levantou-se indo em direção ao lavabo.
Lavou o rosto, fez sua higiene pessoal e tornou a se olhar no espelho.
"Lord, por quê?" Clamou. Sem resposta, uma lágrima começa a querer sair de seu olho esquerdo. Ela a segura. Sua angústia estava no fato de estar presa na Primeira Ordem, instalada em um novo planeta, ainda se reerguendo, mas tamanho poder lhes ocasionaram até agora uma admirável construção apesar do fato de a antiga Primeira Ordem ter sido destruída.
Fechou a porta do lavabo seguindo em direção às suas novas roupas. Trajes cinzentos para diferenciar os cavaleiros de Ren de seus aprendizes e, ela, atipicamente, seria treinada pelo próprio mestre dos cavaleiros de Ren, Kylo Ren.
Atravessou o corredor, apertando os olhos, tentando não pensar, mesmo que impossivelmente, que enfrentaria, pela primeira vez depois de sua batalha na antiga base da Primeira Ordem, Kylo Ren. Foi acompanhada por um Stormtrooper que a guiava até o grande salão onde se alimentaria pela manhã.
O salão era realmente muito grande, e havia lá dentro diversos Stormtroopers. Ela percebeu que aquele refeitório só servia para eles e para outros aprendizes de cavaleiros de Ren, ela os identificou pelos uniformes cor cinza como o dela.
Quando se aproximou tomou conhecimento dos sussurros e múrmuros. Ela soube naquele instante que era devido à sua presença todo aquele caos. Os olhares deslizavam entre medo e chacota. Rey preferiu ficar calado. Se sentou ao lado de uma garota, também vestia os trajes cinza. Quieta, Rey pega uma maçã que repousava em sua frente.
"Não liga não." A garota do seu lado começou a falar, baixo para que apenas Rey a pudesse ouvir.
"Desculpa?" Rey respondeu olhando de volta para a face da garota. Seus olhos eram muito escuros, sua pele também era escura. Reluzia a luz em sua pele, aquele efeito deixou Rey deslumbrada, achou incrível. O cabelo era num tom castanho médio e caía sobre seus ombros em cachos muito bem definidos. O cabelo era volumoso, totalmente diferente da falta de movimento nos lisos cabelos de Rey.
"Sabe, eles... Só estão te encarando assim porque é nova, e porque é mulher!" Ela sorriu, "Eles fazem isso com todas as garotas que chegam, e no fim, eles acabam no chão com a nossa força." Ela assoprou um cacho que caia sobre sua testa. "Ou talvez seja apenas inveja por você ser a escolhida do mestre Kylo Ren." Ela sorriu, e seus olhos se cruzaram mais uma vez com os de Rey. "Meu nome é Eleonora VanHale, mas pode me chame de Hale."
A garota estendeu a mão para Rey em um cumprimento, ela a cumprimentou de volta.
"A escolhida do mestre? Isso é importante?" Respondeu, dando uma mordida na maçã.
"Bem, você sabe, nós sempre somos escolhidos pelos melhores, os cavaleiros escolhidos por Ren, mas nada como ser treinada pelo próprio Ren! O mais forte e sábio de todos." Ela sorriu e logo foram interrompidas por um sinal que informava o término do café. Rey mal havia comido. "Foi um prazer te conhecer, é..."
"Rey" complementou, "Me chame de Rey!"
As duas de despediram e Rey foi levada a outra direção, diferente dos demais.
"Você fica por aqui." A voz mecanizada de um stormtrooper sai pelo capacete. Logo uma porta se abre automaticamente a sua frente e então ela entra.
Rey se sente deslumbrada, analisa cada centímetro da câmara que mais se parecia com um grande salão. Seguiu em direção ao centro, o local era cercado de vigas metálicas. Dava para se entender que tudo aquilo fazia parte da nova e futura construção. Rey olhou mais a fundo, tendo então a confirmação de que, infelizmente, ela estava sozinha, o que significava que só haveria ela e Kylo Ren naquela sala em segundos. Se perdeu em seus pensamentos, todo aquele espaço lhe causava um sentimento de solidão, tanto que ela mal percebeu quando seu mestre entrou na sala. Quieto, sério, sem esboçar nenhuma reação.
Ele se aproximou por detrás dela.
"Você veio!" Exclamou o rapaz, ou melhor, seu mestre, e o sussurro em forma mecanizada estremeceu nos ouvidos da mulher. Rey levou um susto logo se tornando num pulo para encarar Kylo, ainda de mascara. Ela não o via desde que voltou à resistência, onde então decidiu que auxiliaria Leia Organa na busca pelo seu filho, Ben Solo. "O líder Supremo me comunicou sobre sua decisão. Confesso que a principio me surpreendi".
Rey se afastou, quebrou a proximidade de Ren. Andou até o centro novamente, e de costas pra ele começou a falar:
"Qual o motivo de tamanha surpresa..." sentia um nó enorme da garganta. Abaixou os olhos, agora vira em direção ao cavaleiro, e, sem receber uma resposta, completou: "Mestre?".
Kylo deu curtos passos em sua direção, construindo a proximidade novamente. Sua respiração estava lenta. No fundo, o rapaz mal acreditava que Rey havia aceitado ser treinada por ele, no lado sombrio.
"Eu sempre soube que você tinha capacidade para o lado sombrio, catadora de lixo." Murmurou.
"Se me permite mera observação, eu gostaria de ser chamada de Rey a partir de agora". Ele parou a fitando por debaixo da mascara, Rey podia sentir. "Não sou mais aquela catadora de lixo, senhor."
"O que lhe faz pensar que não é mais apenas aquela garota?" Rey pôde ouvir a risada irônica por debaixo do capacete. "Se acha tão especial assim?"
Rey engoliu a seco, mas não respondeu. Qualquer tentativa de amenizar a situação entre os dois era bem-vinda para a garota.
"Bom, vamos começar por uma simples lição. Mostre-me sua habilidade com o sabre." Ele agora se aproximou lhe entregando um sabre que pertencia ao lado sombrio. A garota hesitou, mas o pegou em sua mão. "Ora, vamos! Você me derrotou uma vez, não deve ser difícil usar o sabre novamente." Kylo soltou um novo riso, deixando Rey cada vez mais intrigada.
"Eu não derrotei você." As palavras saíram num tom médio da boca de Rey. "Você, apenas..."
"Apenas o que?"
"Apenas se deu por vencido." Rey olhou para o chão, esperando uma reação agressiva de seu mestre, mas ele apenas a continuou observando. "Nós dois sabemos que você é muito mais forte e habilidoso do que eu... Como você mesmo disse, eu sou apenas uma catadora de lixo." Rey disse quebrando o silêncio.
"Você tem toda razão." Ren assentiu, por alguns minutos encarou a garota, agora sua aprendiz. "Bem, eu apenas lhe dei uma chance, não valeria a pena te matar naquele momento" Riu "sempre soube que haveria coisas melhores para fazer com você, e olha só, agora você está aqui. Eu tive razão."
Rey assentiu, apunhalou o sabre e com seus finos dedos o acendeu. Era vermelho, tudo vermelho. E quando aquela luz passou por sua pupila, um sentimento de solidão e tremor lhe inundou. Era como se houvesse tocado naquilo antes, como se soubesse exatamente os movimentos que deveria fazer. Mas, não, ela nunca houvera sequer visto um sabre naquela cor antes, a não ser o de Kylo, do qual precisou se esquivar por muitas vezes. A fúria de Kylo naquela noite era imensa, ela tinha certeza de que seria morta, o que lhe fez se surpreender pelo fato do rapaz, no fim, ter sido derrotado, caído no chão enquanto a observava, naquele momento ela percebeu que seu olhar mudou, que ele simplesmente não aodiava mais, não havia mais aquela raiva em seus olhos.
Kylo tirou o sabre de seu cinto, aquele sabre enorme, como um tridente. O acendeu. Rey estremeceu naquele segundo, mas se conteve. Assim como no dia na floresta, avançou sobre Kylo com seus golpes frágeis, nada muito habilidoso. Kylo se esquivava sempre, ao mesmo tempo em que a golpeava com a força. Por fim Rey foi empurrada para metros longe de onde eles estavam, caindo no chão enquanto seu sabre se apagava. Dor tomou conta de seu corpo em razão do choque contra o solo.
Kylo soltou alguns risos irônicos e pela primeira vez naquela manhã suas mãos se aproximaram do capacete, o tirando. Os cabelos negros do rapaz lhe caíram sobre os ombros, Rey pôde ver sua face pálida, com uma cicatriz no seu lado direito, indo da boca até sua testa. A cicatriz já não estava tão exposta como no dia em que lhe fora dada, mas mesmo assim ainda se encontrava a mostra. Era a primeira vez que Rey via aquela face depois da luta na base da Estrela da Morte.
Seus olhares se encontraram novamente, Rey sentiu um calafrio subir por sua espinha, era como se aquela face fosse mais familiar do que ela realmente era, era como se ela conhecesse cada detalhe. Os olhos frios de Kylo continuavam os mesmos, mas, pela primeira vez, ela pôde sentir que as coisas estavam mudando, ele já não a queria mais morta, mas sim, ao lado dele.
Kylo se aproximou da garota, ainda com a malícia nos lábios, rindo das falhas tentativas de tentar lhe derrotar. Naquele momento ele sabia que ela era habilidosa, talvez seu má desempenho tenha relação com sua instabilidade emocional naquela manhã. Contudo, o rapaz sabia que ela precisava, com certeza, de um bom treinamento, treinamento que ele estava disposto a lhe dar.
Ren se aproximou da garota caída no chão, lhe estendendo a mão. Rey cedeu. Quando seus dedos se tocaram foi como se um choque tomasse conta do corpo dela. Esse contato foi destruidor. Ela se sentiu tão leve quando fora puxada por ele para se levantar. Ele era tão alto, e forte. Pela primeira vez pôde comparar sua altura com a dele. Ela parecia infinitamente menor a não ser por sua sede de grandiosidade.
"Você não está preparada pra isso!" Ele sussurrou, perto demais de seus ouvidos. "Vamos fazer algo melhor para o seu nível!" Ele se afastou, se virando de costas. Ela se reerguia ajustando suas roupas amassadas.
"Meu nível, senhor?" Cada vez que o chamava de mestre ou senhor, algo arranhava sua garganta. Algo queria gritar de dentro do seu peito, era tão ofensivo para ela.
"Sim." Sua voz se tornou mais grave, retomando sua atenção a ela. "Você precisa aprender mais sobre a força. Não podemos simplesmente começar com suas habilidades corporais." Ele soltou um riso, agora ela realmente podia confirmar a ironia em seus lábios. "Aquilo foi só uma demonstração, para você perceber o quanto estava sendo patética achando que já sabia muita coisa."
"Eu não estava achando isso." Disse sendo interrompida por ele.
"Volte à sua câmara, iremos dar início ao seu treinamento realmente amanhã. Descanse bem, hoje foi só uma reunião para que eu lhe analisasse melhor." Ele se virou, tornando a vestir a máscara. Era como uma forma de se proteger e não demonstrar emoção alguma.
Ela foi sozinha até a porta, deixando ele dentro da câmara.
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