Herdeiros do Império - (Reylo)
4 Pesadelo
Rey despertou. Sua visão lhe revelava um ambiente escuro, embaçado. Logo se deu conta, fora raptada por aquela criatura. Sua mão e pernas estavam presas, lhe revelando a impossibilidade de fuga, e, logo a frente, um homem, agachado no chão com as mãos sobre os joelhos a observava.
"Onde estou?" Fora sua primeira pergunta, uma tentativa desesperada de manter contato e chegar logo ao fim das encaradas.
"É minha convidada!" A voz mecanizada saíra pelo capacete.
"Onde estão os outros?"
"Quer dizer os assassinos, traidores e ladrões que você chama de amigos?" Pausou. "Ficará aliviada ao saber que não faço ideia." Aquela criatura em trajes escuros virou a cabeça levemente para a esquerda. "Ainda quer me matar."
"Acontece quando você está sendo perseguido por uma criatura com uma mascara." Rosnou. Seus olhos então se voltaram para o homem agora com as mãos no capacete, se levantando, revelando seu rosto. Era um homem bem pálido, com cabelos e olhos bem negros, aquele contrate era tão singular, tão único.... Era tal como familiar.
Ele se aproximou, a medida que chegava mais perto o coração de Rey se tornava mais veloz. Era tão assustador, tão grande, tão... Humano.
"Me fale sobre o droid."
"É uma unidade BB, com propulsor de selênio e hiperscanner" Pensou tão rápido, jogou tudo no ar antes de ser interrompida pelo homem completando as informações.
"Carrega uma parte de um mapa de navegação." Ele olhava para o horizonte, nadando em seus pensamentos. "Nós temos o resto, recuperada de arquivos do Império, mas precisamos da peça final. Aquela que convenceu o droide a lhe mostrar. Você." Ele agora a encarava e ela o fazia de volta. "Uma catadora de lixo." Pausou, se aproximou. "Sabe que consigo tudo que quero." Ela tremeu a medida que seu rosto começou a se aproximar do dela, ela virou sua face para o outro sentido, evitando contato visual. Naquele instante a criatura entrara em sua mente. Era incrivelmente dolorosa a forma com que sugava seus pensamentos mais profundos de dentro de sua memoria. Ela gemia. "Você é tão solitária." Agora ele falava mais baixo, perto o suficiente de seu ouvido esquerdo. "Com tanto medo de partir..." À medida que as palavras lhe alcançavam memorias de sua vida em Jakku vinham a tona. Era tão doloroso lembrar-se daqueles dias no deserto. "A noite, desesperada para dormir, você imagina um Oceano." Rey nunca em sua vida vira um Oceano, mas em sua mente essa visão era bem clara. Como aquele Oceano houvera surgido em sua memoria? "Eu vejo, eu vejo a ilha." Nesse segundo imagens distorcidas apareciam em sua cabeça. Era tão estranho esse sentimento. "E Han Solo" Ele sorriu timidamente, sarcástico. "Sente que ele é o pai que nunca teve!"
"Saia da minha cabeça." A garota rosnou, e ele imediatamente se afastou. Aquele momento foi uma luta entre os dois, palavras iam e vinham. Kylo Ren a tentava convencer de que ele conseguiria tirar dela o mapa, a localização de Luke Skywalker. Foram longos segundos até que Rey mal pudera acreditar, ela o estava bloqueando, ela se perguntou se era aquilo que chamavam de força, e, logo, os pensamentos do jovem Ben Solo entraram em sua mente, com dificuldade, mas entraram. "Você, você tem medo!" Ela começou a falar e ao mesmo tempo se perguntava se aquilo não era muito arriscado. "Tem medo de nunca ser tão forte como Darth Vader." Ele paralisou, e sua força sobre a mente da garota se esvaiu, ele se tornou fraco. Os dois permaneceram quietos, se encarando, Kylo mal podia acreditar no poder que vira na garota, uma simples sucateira que, até então, não conhecia a força.
***
A luz da lua entrava pela janela da habitação onde Rey se localizava. Era incrível a vista de fora por dentro da base. Aquele sistema abrigava uma imensidão de estrelas, todas novas. Havia sido um longo dia. Kylo Ren a intimidou por mais uma vez e, ela, como em todas as vezes, se rebaixou diante dele, confusa, com medo talvez. Suas costas estavam molhadas agora após o longo banho que se permitiu tomar. Os cabelos caiam em mechas molhadas sobre seus ombros. Estava tarde e, incrivelmente, o sono não estava presente apesar do longo dia que tivera.
"Eu tenho que resolver logo isso!" Ela falou para si mesma. "Mas não sei nem por onde começar, Kylo está consumido totalmente pela escuridão." Falava apertando a ponta de seus dedos contra suas têmporas, sentada na cama quando fora surpreendida por uma batida na porta. Perguntou quem era, e recebeu a resposta que não queria naquela noite, Hux. Ela abriu a porta, o recebendo com um olhar de indagação.
"O que faz aqui?" Perguntou com os olhos cerrados, fingindo estar com sono.
"Me desculpe pela hora senhorita Rey." Ele disse com toda a classe que possuía. "Mestre Kylo Ren pediu para que eu viesse pessoalmente lhe informar sobre o baile de iniciação que ocorrerá daqui duas luas."
"Baile de Iniciação?" Perguntou confusa. "O que quer dizer?"
"Ah, me desculpe. É um baile que sempre ocorre quando uma nova remessa de aprendizes de Ren chega. Eles são apresentados ao líder supremo Snoke e recebem informações sobre como será o aprendizado."Snoke, pensou, e um calafrio subiu por seu corpo. Fora tomada então pelo aroma do rapaz, tão suave, inconfundível, a distraiu por um momento. "Eu lhe trouxe um vestido enviado diretamente de seu mestre, ele sabe que você não veio com nada para cá" Finalmente depositou em suas mãos uma caixa dourada com uma fita vermelha que a embrulhava. "Depois da fala de Snoke acontecerá uma comemoração para que vocês se sintam mais a vontade. Com licença." Finalizou, mas Rey o segurou pelo braço e ele retomou seu olhar à mulher.
"Kylo Ren estará lá?" Perguntou ríspida e direta. Era obvio que, a aquela altura, ela sabia a resposta.
"Com toda certeza." Respondeu e novamente pediu licença, ela fechou a porta do quarto e se moveu em direção à cama depositando aquela caixa em cima da mesma. A abriu com toda sua delicadeza se deparando com um tecido em cores escuras. Ela o tirou da caixa o deixando cair em finas camadas.
Era um vestido preto com flores cor púrpura, ia até a altura de seu tornozelo. Era lindo. Acompanhado do vestido estava um par de sapatos cor preta. No fundo da caixa havia um cartão branco com escritas cor de ouro. Ela leu as palavras:
"Para aquela que me derrotou uma vez e que derrotará o mais sábio de todos os jedis vivo hoje."
De seu mestre, Kylo Ren.
Rey jogara aquele bilhete longe, com raiva. Sabia que falava de Luke, aliás, ele era o único jedi vivo na história. Levou como um tremendo desaforo, o vestido, o convite, o bilhete. Tudo. Respirou fundo e pensou consigo mesma que não poderia demonstrar esse tipo de sentimento perto dele, não poderia parecer fraca. Decidiu que iria ao baile.
Rey acordou no dia seguinte com certa determinação. No momento, enfrentar Kylo era tudo o que ela mais queria, mas, ao mesmo tempo, sabia que não o faria. Ela se direcionou como na manhã seguinte ao grande salão para fazer sua primeira refeição do dia. Rey se sentou novamente ao lado de Hale, que nesta manhã permanecera quieta. Pensou se aquilo tinha algo a ver com o treinamento que recebera no ultimo dia ou se fora algo que de dentro dela já a incomodava, preferiu não perguntar. As duas se separaram novamente. Kylo estaria sozinho novamente com ela. Cada cavaleiro de Ren ficava confinado em uma sala com seus novos aprendizes, menos Kylo, ele não tinha aprendizes até então, o que fez com que Rey fosse a única pessoa presente naquele lugar.
A porta automática se abriu diante dela, ela analisou o local mais uma vez, tentando mapear em sua cabeça possíveis métodos de escapar dele em uma situação de risco. Rey era mais forte do que previa, era mais forte do que Kylo imaginava que ela seria. Ela só mantinha isso dentro de si, como uma defesa para que não explorassem seu potencial, mas não estava dando tão certo. Ela se aproximou do centro, onde, mais uma vez, encontrou Kylo Ren e, dessa vez, ele não estava com a máscara como de costume, ela estremeceu por conta disso.
"Mestre?" Ela quebrou o silêncio. Kylo Ren estava de costas para ela, com o capacete nas mãos, observava a galáxia acima dele por um teto de vidro que não estava alí no ultimo dia. Ela presumiu que aquele teto fosse automático, que poderia se abrir revelando a beleza daquela escuridão. Ele se virou na direção da garota, ela o evitou, desviou o olhar.
"É incrível não é?" Ele disse se referindo às estrelas.
"Maravilhoso, senhor." Ela respondeu em um tom de voz baixa.
"Sabe Rey, eu estive pesando em como começaríamos o seu treinamento ao lado sombrio. Obviamente que a opção de despertar cada vez mais a raiva em você foi muito tentadora mas, ao conversar com o líder supremo, tive outra ideia." Ele disse em tom sarcástico.
"Qual ideia, senhor?" Ela respondeu, agora olhando para o chão.
"Bem, eu admito que fiquei surpreso com sua capacidade de entrar na minha mente naquele dia na interrogação. Sabe, tão profundo." Ele riu. "Talvez pudéssemos começar testando esse seu limite. Vamos ver o quanto você pode aguenta... bloquear-me."
Ela estremeceu mas assentiu com a cabeça. Ele estava lhe propondo algo que ela não sabia se conseguiria.
"Sabe, os outros cavaleiros, eles começam do básico com seus aprendizes, mas, você, obviamente, não precisa disso." Agora ele andava a cercando, circulando sua posição, ela permanecia imóvel, olhando para o longe, para as estrelas talvez. Ela sentiu medo, uma aversão incontrolável àquela proposta.
Ele se aproximou mais ainda, ergueu uma das mãos e Rey pôde sentir a dor invadir seu cérebro. De novo, pensou. Ele não estava, porém, com a mesma raiva de antes, a mesma sede de antes. Ele só estava a testando, e ela o permitiu.
"Ande, me bloqueie!" Rosnou, "Ora, não seja fraca!" Ele continuava com a rispidez na fala e a cada segundo a dor dentro de Rey aumentava. Ela soltou uma lágrima do olho esquerdo, ele então parou. "Pare de ser tão tola, não conseguirá desse jeito, jamais estrará para o lado sombrio com toda essa faqueza!" Ele se afastou dela, ela se recompôs.
"Por favor, vamos tentar de novo." Ela suplicou, ele se aproximou dela novamente.
"Me mostre o melhor que você consegue, como naquele dia, você fez com que a dor voltasse contra mim, faça de novo Rey, é para o seu bem." Ele sussurrou limpando a lágrima de sua bochecha. Aquele toque foi como uma ofensa. Ela se afastou e ele tentou novamente.
A dor era mais forte agora, a sede por vingança havia aumentado. Ela caiu de joelhos no chão tentando impedir a dor. Ela segurava o grito enquanto ele continuava com toda sua força. Rey resistia, não desistia. Ela começou a se levantar novamente, tentando amenizar aquele sofrimento, tentando se tirar daquela situação, e ela conseguiu. Rey finalmente estava de pé e aquela dor agora era mais fraca, Kylo foi se afastando, foi indo para trás mas ainda mantinha sua concentração na mente da garota.
"Pare!" Ela rosnou com determinação, e ele a obedeceu. Ela o empurrou com a força para trás fazendo com que ele caísse no chão. Ela se aproximou de seu corpo caído e lhe estendeu a mão, o ajudando a levantar.
"Foi boa, sucateira." Ele exclamou. "Mas você sabe que eu poderia ter ido mais longe, sabe que em uma situação verdadeira você estaria morta, você precisa ser mais rápida." Ela assentiu, desviando novamente o olhar.
Algumas horas se passaram e eles continuaram a fazer esse treinamento. Kylo mostrara a Rey todas as táticas que ela poderia usar para bloquear a invasão dele em seus pensamentos. No fim, naquela tarde, Kylo não conseguira roubar nenhuma memória da mente da garota. Antes que ela pudesse se livrar da dor que ele lhe causava, a força dentro dela impedia que seus pensamentos saíssem de sua cabeça, ou seja, ele não tinha mais acesso à seus pensamentos, e isso o causava tremenda raiva. Ele não entendia.
Já era consideravelmente tarde, o dia havia passado muito rápido para eles no treinamento. Kylo a liberou e eles seguiram por caminhos diferentes naquela noite. Ele, provavelmente, fora dar suas preciosas informações sobre a garota para seu mestre Snoke. Ela, se dirigiu para seus aposentos novamente. Tomara um banho e adormeceu, e sonhou.
Rey se viu imersa por água, caia do céu. Era muito escuro onde estava e havia chuva, muita chuva. Ela olhava para todos os lados e só conseguia ver morte e destruição. Era uma aldeia onde se encontravam diversos tipos de habitação, das menores às maiores possíveis, muitas incendidas.
Ela ouviu o grito de uma criança e naquele momento seu coração se apertou. Ao longe haviam homens em preto, eles estavam todos unidos e ela percebeu que eles eram os comandantes daquela degradação.
Ela estremeceu e começou a correr, sem rumo, até tropeçar e cair no chão. Ninguém a estava vendo alí, ela gritava por ajuda, ela tentava achar alguém, mas todos passavam por ela e não respondiam. Seu corpo paralisou quando ela viu a criatura, aparentemente semelhante à Kylo Ren, não sabia se era ele, não tinha certeza disso. Ele estava matando alguém, enfiava seu sabre nas coluna de um homem, o atravessando, o homem parecia fazer parte do lado sombrio mas ele o matara, protegendo alguém.
Uma mulher, caída no chão.
Todo aquele cenário fora substituído por uma visão mais clara, ensolarada. Ela estava sentada na areia, e, ao fundo, havia uma ilha, e o oceano, o oceano cobria tudo aquilo. Havia muitas pessoas lá também, desfrutando um dia de sol perto do oceano. Ao fundo, na beira do mar, um homem trajado em roupas claras brincava com várias crianças. Eles corriam todos, caiam na água, riam. Ela sorriu por um momento. Ela não pôde ver a face daquele homem mas ela se sentiu bem, imersa de felicidade. No seu colo havia uma criança, cabelos escuros e olhos bem verdes. Era um bebê. Ela entrou em pânico quando de repente Snoke aparece no meio do Oceano acompanhado por diversos stormtroopers. Todos estavam correndo agora, o homem na beira do mar agora estava morto, e sua morte encheu seu coração de triste e ódio. Ela tentou se levantar para correr em direção do homem numa falha tentativa de buscar vida em seu corpo mas, antes que pudesse se levantar, a criança em seu colo se transformava em pó, em areia que caia de seus braços, ela gritou.
Rey despertou desesperada, dando finalidade ao grito do sonho. Seu coração pulava e um calafrio subiu por todo seu corpo, fora tão real, toda aquela perspectiva, fora como se ela tivesse assistindo a tudo aquilo, como se ela não estivesse alí ao mesmo tempo que ela sentia fazer parte daquilo. Ela se recompôs, lavou o rosto e por um longo tempo tentou dormir de novo, e conseguiu. Adormeceu esperando para a chegada de um novo dia, uma nova esperança.
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