"Se eu lhe contasse tudo, você ainda me chamaria de meu amor?
Se eu lhe contasse tudo, você me chamaria de louco?"

(Dark Star — Jaymes Young)

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Gesin, 5 anos atrás.

Demorou alguns meses até que alguém fosse finalmente conhecer a nova vida de Ben e Rey.

Isolados do mundo, o único que poderia ter alguma informação era Luke, e a partir disso, Ben se perguntava se o tio pudesse ter espalhado a notícia pelo Conselho, ou, ainda pior, ter dito a seus pais.

Era sempre uma incerteza. Quando ouvia algum ruído diferente do comum, corria para a janela, na esperança de que tudo continuaria normal e não seria nenhum conhecido chegando ao planeta. Mas após vários meses casados e tentando consolidar uma família, algo ocorreu para tirar o sossego de Ben.

No fim da tarde daquele dia, quando as folhas das árvores começaram a cair anunciando a chegada breve do outono, Ben sentiu um calafrio muito forte invadir seu corpo. Era a Força tentando lhe informar a presença de um conhecido.

Não estamos esperando visitas, concluiu. E logo após alguns minutos ouviu três batidas na porta. Leia. Pensou.

Seu coração pulou e ele procurou por Rey num instinto. Ela estava no quarto deitada com a bebê, algo que costumava fazer muito agora que não possuíam muita coisa a fazer além da paternidade.

Quando as viu decidiu que as pouparia daquele fatídico possível acontecimento. Ben resolveu encarar sozinho então. Lentamente andou até a porta, engolindo em seco na tentativa de se livrar do nervosismo. Ele encostou sua testa na madeira e fios de cabelos negros lhe caíram sob os olhos.

Pensou, hesitou, segurou a respiração e, quando finalmente a abriu, teve uma grande surpresa. Não era sua mãe do outro lado, mas sim Dana, sua antiga mestra.

Quando se olharam pela primeira vez depois de todo aquele tempo, não precisaram dizer nada para que decifrassem o que cada um estava pensando. Ben temeu que Dana ficasse agressiva, mas para sua surpresa ela permaneceu imóvel.

"O que quer aqui?" Disse ríspido, fechando a porta atrás de si.

"Eu vim em paz." Respondeu serena, o que surpreendeu Ben, contando que ele a conhecia muito bem para esperar um cascudo na hora que ela o encontrasse. "Vim para conhecer a menina."

"Foi Luke quem a mandou? Não está satisfeito? Precisa que você venha me dar um sermão também? Afinal é só isso o que fazem agora. Parece que os outros sempre sabem cuidar da minha família melhor do que eu."

"Se controle, Solo!" Disse ríspida, dando um passo à frente em direção à seu antigo aprendiz. "Eu só quero ver com os meus olhos, quero conhecê-la."

"Nós dispensamos!"

Ben virou-se, seguindo em direção ao interior da casa. Ele rolou os olhos quase fechando a porta quando ouviram a voz de Rey vindo de dentro da habitação.

"Ben!? Que barulho é esse?" Então ela foi em direção à porta receber a mulher. "Mestra Dana!" Exclamou em surpresa. "O que faz aqui!?"

"Será que posso entrar?" Ela perguntou.

Rey respirou fundo mas se forçou a lançar um breve sorriso, em seguida afirmou com a cabeça e guiou Dana pelos ombros até o interior de sua humilde habitação. Os olhares de Ben, porém, não eram os melhores. Ele fitou sua esposa a repreendendo, mas ela seguiu firme, ignorando o esposo.

"Amigos são sempre bem-vindos." Rey novamente forçou um sorriso. "Veio para conhecer... hm..." Ela pigarreou. "Nossa..."

"Filha." Ben completou a frase da jovem, agressivo. "Sim, ela veio conhecer Kira." Ele virou o rosto na direção de sua esposa.

"É um belo nome." Dana sorriu para si mesma.

"Eu vou pegar a bebê para que você a conheça, mestra Dana." Rey então foi em direção à Kira que brincava sozinha na cama com um boneco de algodão, algo parecido com um piloto, costurado por seu próprio pai. Ela pegou a bebê no colo e voltou até Dana, que deixou seus olhos brilharem contra todos os seus princípios.

"Não!" Ben exclamou, posicionando-se a frente de Rey e ficando entre as duas mulheres quando sua esposa sugeriu que a moça pegasse a bebê no colo.

"Ben..." Rey disse pouco mais alto que um sussurro.

"Eu não posso deixar..." disse com a voz cansada, o olhar perdido nos olhos de Rey. Em seguida ele virou o rosto, olhando para Dana com determinação. "Veio para matá-la?"

"Não seja desagradável, Ben." Rey rosnou. "Desculpe-me Dana, Ben anda falando umas coisas toscas ultimamente. Está com mania de perseguição." Ela virou os olhos.

Ele cerrou os punhos e Rey saiu de trás dele.

"O garoto sempre foi abusado mesmo, pensa que ligo pro que ele fala? Se fosse em outros tempos já tinha dado uma 'coça' nele." Ela deu um riso irônico e foi retribuída por Rey.

Então Dana paralisou quando a bebê tocou em seus cabelos formados por dreads púrpura, analisando a textura e comprimento, então seguindo com a mãozinha até o rosto da mulher. Dana, que era uma pessoa meio fechada, conseguiu sorrir feliz ao ato da criança.

Sua mãe, num gesto singelo, permitiu que a antiga mestra de Ben Solo segurasse sua filha no colo. Ainda parecia não saber o que fazer, como se portar. Mas aos poucos Kira foi se adequando ao seu colo e logo encostou a cabeça em seu peito.

"Olá Kira!" Disse num tom suave, Dana a aninhava enquanto acariciava de modo desajeitado os cabelos da bebê, tentando ser agradável com a criança. "Conheço teus pais há tanto tempo. Chega a ser irônico tê-la aqui." Ela olhou para Ben, que media cada uma de suas ações. "Carrega o universo nas costas, não é mesmo?" Agora ela suspendeu a criança no ar, a fazendo ficar de frente com seu rosto, de olhos bem abertos. Kira fixou-se novamente nos dreads coloridos da mestra. "Kira Solo... e Kenobi... e ainda Organa... carrega uma grande linhagem no sangue, uma Skywalker... Amidala... e o outro nome, como se pronuncia mesmo?"

"Okay, já chega." Ben interrompeu se aproximando de Dana enquanto tentava tirar Kira de seu colo. "Já é o suficiente, vou colocá-la para dormir."

Dana virou o corpo para a direita, impedindo que Ben pudesse pegar a menina, avançando alguns passos para o lado e fitando Ben, que ficou furioso.

"Não, Ben!" Rey segurou seu braço. "Dana está indo muito bem, deixe!"

Ele então parou e voltou a sua posição, mesmo contrariado. Mais um tempo se passou enquanto Dana tentava entender toda aquela situação, a menina, aqueles dois jovens que para ela eram apenas duas crianças com um bebê para cuidar. Teve uma leve tontura ao se lembrar dos anos que levou treinando Ben, e a tudo que dedicou pra que ele fosse grande na Ordem Jedi.

Quando percebeu que iria cambalear foi em direção à Ben e lhe entregou a bebê. Rey percebeu o seu mal estar e lhe orientou a se sentar.

"Ela... tem... você sabe, algum tipo de poder!? Sente alguma cosia?" Dana perguntou, um pouco cansada, tonta, enquanto Ben lhe trazia um copo d'água.

"Eu não..." Rey começou a respondê-la virando a cabeça em negação. "Eu não sei. Eu não consigo entender. Sinto algo diferente nela. Ben também sente..." ela olhou para o esposo, que lhe lançava um olhar descontente. "Não é como luz ou trevas, como nada que sentimos quando estamos perto de sensitivos da força, é... diferente de tudo que já vi."

"Talvez porque ela simplesmente seja normal, apenas um bebê. Espero mesmo que ela não tenha nada de especial, esteja segura de toda esta baboseira." Ben soltou as palavras no ar, nervoso e ao mesmo tempo exausto. O silêncio tomou conta do ambiente até que Ben se recompusesse e percebesse o estado em que estava. "Vamos tomar um chá." Tentou quebrar o clima. Por fim ele respirou.

Em seguida eles foram até a cozinha e se sentaram à mesa. Rey serviu o chá que estava preparando ainda sob os olhares de reprovação de seu esposo.

"Luke ficou realmente abalado. No início não quis me contar, mas eu sabia que nada estava bem. Certo dia ele comentou sem querer que vocês haviam voltado fazia algumas semanas e eu perguntei por que ele não me avisou. Então ele me contou tudo, ainda muito hesitante." Ela pausou para dar um gole no chá. "Ele se culpa muito..."

"Mas a culpa não é dele." Rey interrompeu. "Pode dizer isso a ele?"

"Eu já disse, Rey. Mesmo sabendo de tudo isso ele continua se culpando. Mas não posso julga-lo. Eu fiquei muito nervosa quando descobri tudo. Fiquei com muita raiva de vocês. Duvidei da minha própria maestria." Ela olhou para Ben. "Mas eu disse então que não tínhamos como saber, que mesmo eu, naquele período, sentindo algo estranho rondando o seu corpo, não consegui identificar. Me abdiquei da culpa. Mas ele..."

"Ele contou para mais alguém?" Ben interrompeu.

"Está querendo saber se ele contou a sua mãe?" Ben baixou o olhar. "Ele não contou, eu disse que quem deveria contar era você. E deve." Lançou lhe um olhar severo.

"Não devo ocupar a cabeça dela com essas coisas, ela tem muito com o que se preocupar."

"Antes de tudo ela é sua mãe. Gostaria de saber, eu tenho certeza." Ela levantou a voz aproximando-se de Ben, que aos poucos cerrava os olhos. "E isso não é um assunto para enchê-la a cabeça. Isto é a sua família agora, a família dela, ela precisa saber, é uma questão de necessidade."

"Nós ainda não decidimos o que vamos fazer, Dana." Rey entrou no meio do diálogo. "Também tem meus pais, que eu nem sei onde estão... é só o tempo de decidirmos onde iremos ficar. Ben está buscando ajuda em Coruscant, conhece uma pessoa que pode nos ajudar."

Dana revirou os olhos ao constatar quem estava nos planos de seu antigo aprendiz.

•••

Base da Primeira Ordem.

O silêncio que se formou no recinto lhe trouxe um certo calafrio à espinha. Sua voz ecoou quando respondeu ao líder supremo, e o fato de ninguém naquele local tê-la interrompido ou feito qualquer comentário impertinente, como comumente Mera faria, trouxe à ela uma estranha sensação de que todo aquele circo e acontecimento era mais do que real.

Ela seria um membro da Ordem, e o fato de conhecer o perigo daquela decisão a fazia hesitar, dando ao seu corpo uma sensação de fervor que vinha de seu sangue, tornando suas bochechas rosadas, e o suor tentando se formar em suas têmporas.

Contudo, ela não podia voltar atrás. Quando chegou à Primeira Ordem meses atrás não imaginou que sairia de lá como oitava na formação dos Cavaleiros de Ren. As coisas deveriam ter sido mais simples, ela pensou, não fazia parte de seus planos e dos planos da Resistência que ela fosse tão longe. E no fundo, o que ela mais temia, era o fato de gostar da sensação. Havia uma parte dela que ansiava por isso e se sentia acolhida na escuridão.

"Aproxime-se." A voz de Snoke era tão clara quanto rouca, agressiva. Obviamente Rey se sentiu desconfortável, todas as vezes na presença do líder supremo ela se sentia daquela forma, e sabia que devia controlar essa sensação, acabar com esse sentimento. Afinal, este fato seria ainda mais corriqueiro agora.

Ela rolou seus olhos para Kylo, que acenou em afirmação com a cabeça, e só em seguida ela se aproximou do grande mestre.

O silêncio continuou e agora eram seus passos que ecoavam no piso laminado e refletor do grande cômodo. Quando chegou mais próximo baixou-se em um de seus joelhos, evidentemente o reverenciando.

"Está sendo admitida como parte da Ordem dos Cavaleiros de Ren." Kylo Ren começou seu discurso mas a jovem permaneceu seu olhar fixo em seu Líder Supremo, que fazia o mesmo. "Sabe o que isso implica?"

"Sim." Rey o respondeu ainda olhando para Snoke.

"Deve sua total devoção ao lado sombrio agora, e sua lealdade ao nosso Líder Supremo Snoke. Qualquer atitude impensada ou qualquer coisa que tente contra o Senhor ou contra a ordem será interpretada como traição. E a punição será com a morte." Kylo completou, no fim de sua sentença umedeceu os lábios secos de nervosismo.

"Vejo que Kylo Ren fez um belo trabalho. Posso sentir, ah..." o líder supremo suspirou fundo, sorrindo pelo canto do lábio ao fechar os olhos. "Ah sim, eu sinto em você. A escuridão... está crescendo."

Rey finalmente olhou para Kylo, que mais uma vez afirmou com a cabeça tentando lhe dar conforto. Ela voltou a olhar para Snoke e sorriu malignamente, um sorriso tão pequeno e disfarçado que somente ela poderia ter percebido.

"Sim, mestre. Eu também sinto." Ela encarou cada membro da Ordem, analisando cada face até parar em Mera. Lançou-lhe um sorriso ainda mais perverso e em seguida voltou à sua principal atenção.

"Deverá cooperar com a Primeira Ordem totalmente agora. Isso significa destruir qualquer inimigo da Ordem, até mesmo seus amiguinhos da Resistência." Kylo disse com desdém.

"Não falharei." Ela respondeu.

Novamente o silêncio tomou conta do ambiente até Snoke pedir que Rey se aproximasse. A jovem se levantou e seguiu em passos firmes até seu líder supremo. Quanto mais próximo chegava, mais o desconforto tomava lugar em seu estômago. Pela primeira vez não lutou contra aquele sentimento, contra a ardência que sentia em cada veia de seu corpo, faria aquilo até aceitar a sensação, mesmo que fosse ruim.

A dor precisa ser sentida.

E a dor estaria ali para lhe dar forças, para entrar de cabeça naquilo tudo e conseguir crescer perante à Primeira Ordem. Precisava crescer perante à Kylo Ren, só desta forma poderia entender o lado sombrio que insistia em sugar a alma de Ben Solo.

Ela faria, mesmo que precisasse deixar seus demônios tomar conta de sua mente, corpo e alma. Ela estava ali por ele, e só sairia de lá com ele, mesmo que para isso fosse necessário ceder à morte.

Segundos depois o líder declinou-se em seu trono, inclinando seu torso na direção da jovem, levando sua mão até o rosto daquela sucateira de Jakku, que agora era seu mais valioso investimento. Ele a tinha nas mãos, e ela era tudo o que ele mais queria.

Rey fechou os olhos quando os dedos pálidos e gélidos do velho lord finalmente lhe tocaram a pele quente das bochechas. Focou toda sua energia em suas ações para que não demonstrasse qualquer sinal de nojo com o ato. Apenas permaneceu quieta e engoliu um em seco antes que ele pudesse finalmente dizer:

"Tenho grandes planos para você, Esme Ren."

•••

Gesin, 5 anos atrás.

O tempo gélido daquela noite de início de outono convidou Ben a se sentar perto da lareira. Como já estava muito escuro, a única companhia do que homem além do fogo era a luz da lua, que adentrava à habitação dando-lhe um tom alvo misturado com o alaranjando das chamas.

Ele estava sentado na poltrona com o braço apoiado no encosto enquanto a mão sustentava sua testa e ele apertava os olhos ao pensar. Em sua outra mão havia um copo, preenchido de alguma bebida que pudesse tranquilizar sua cabeça enchendo-a de álcool. Talvez não a melhor solução, mas a única que encontrou naquela situação.

Por sua vez, Rey já repousava em sua cama após um longo dia ajudando as mulheres de Gesin a colher o que sobrou da primavera antes que a neve cobrisse toda a porção de terra da ilha.

Ben estava tão cansado. Todo aquele acontecimento de mais cedo fez suas paranoias voltarem a tona. A vinda de Dana não fez nada bem à sua consciência. Agora ele se sentia mal por saber que Luke se culpava pelo fato de Kira existir. Também lhe assombrava a necessidade de contar aos seus pais que agora ele não seguiria mais o caminho que houveram escolhido para ele. Lhe assombrava o fato de se sentir responsável por duas vidas além da sua agora e também por se sentir incapaz de trazer uma boa vida à sua família.

Todo aquele tempo em Gesin se tornou um inferno para sua sanidade mental.

Ben não conseguia se contentar com pouco, com a vida pacata que o planeta lhes oferecia. Ele, Ben Solo, que de certo modo houvera nascido na realeza, em sua cabeça não aceitava a vida simples que estava levando. Ele queria levar as duas com ele, ver Kira crescer em meio à exuberância dos planetas em que ele cresceu antes de ir para a Academia. Nada do que a calma de Gesin lhe oferecia parecia ser o suficiente. E o sentimento de incapacidade era o que mais lhe corroía.

Após um tempo Ben ouviu um murmurar vindo do quarto de sua filha. Ele levantou a cabeça olhando ao redor, sendo atingido por uma leve tontura. Depois de se recuperar, o homem se levantou, e em passos calmos foi até o quarto da criança.

Ben encontrou Kira sentada dentro do berço, com o boneco do piloto em suas mãos, um parceiro inseparável, e por fim as bochechas rosadas devido à força de seu choro. Ela já estava cansada, pelo que parecia, o que fez Ben se perguntar por quanto tempo a bebê houvera chorado sem que ele percebesse.

Ele então a aninhou em seu colo, naturalmente fazendo com que a garotinha parasse de chorar. Ela tocou o rosto de seu pai e em alguns segundos lágrimas surgiram nos olhos do homem, caindo em direção à suas bochechas e cobrindo a mãozinha da menina.

Ela sorriu ao dizer: papa!

Ele não queria chorar, mas a pressão em sua cabeça era tanta que não podia mais se segurar. Por meses tentou se conter, parecer forte para que sua família confiasse nele, mas, naquela noite em particular, aguentar a súplica de seu coração foi impossível.

Ben continuou a observar a menina, andando em passos lentos até a janela. Com a garotinha agarrando seus braços, Ben a colocou de frente para o vidro, olhou para as estrelas induzindo que sua filha fizesse o mesmo e então começou a falar:

"A galáxia é muito maior do que você pode imaginar, Kira." Ele sorriu entre as lágrimas que deslizavam em seus lábios. "Vou levá-la para conhecer cada planeta deste universo, você merece muito mais do que Gesin pode lhe oferecer." Ele apertou as pálpebras e beijou a bochecha da garotinha. "Farei tudo por você e sua mãe, fortalecerei a nossa família." Ben girou Kira em seu colo a fazendo olhar em seus olhos, quietinha, como se as palavras de seu pai fossem claras para ela. "Eu vou te dar o universo, Kira. Eu prometo."

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