Notas iniciais
Me desculpem, me perdoem de verdade. Essa estória terá um fim sim, os capítulos já estão prontos então se puderem continuar acompanhando garanto que valerá a pena! Obrigada pessoal.

Base da Primeira Ordem

Aquela era mais uma fatídica noite que acabara em vinho, apenas Rey e ela mesma em seu quarto, saboreando daquela maravilha divina da qual teve conhecimento quando chegou na ordem. A bebida dos deuses, era incrível o gosto e como rapidamente subia à sua cabeça e a fazia esquecer das dores. Uma felicidade amarga lhe fazia ferver o sangue, a fazendo rir de qualquer coisa, mesmo que sozinha ou sem um motivo aparente.

Ela era uma oitava, repetia isso para si mesma diversas vezes todos os dias, convencendo-se de que as coisas precisariam mudar e que ela devia seguir a risca os preceitos de seu novo líder se quisesse chegar a algum lugar com toda aquela farsa.

Ficou definido que Rey continuaria seu treinamento com Kylo Ren, a única diferença é que teria sessões extras com o mestre Snoke, afim de despertar os sentimentos das trevas mais ainda em seu interior. E assim foi.

Achava tudo isso de certa forma patético, tinha para si que era impossível que a escuridão fosse maior que a luz. Convicta de que seu lugar era ao lado da Resistência, jamais reivindicaria de seus ideais afim de seguir uma Ordem Absolutista e desprovida de qualquer justiça social.

Ela não faria parte na ascensão de um ilusório Império.

Um considerável tempo então se passou, e a jovem agora possuía sua própria posição dentro da Ordem, assim como um traje próprio, exclusivamente pensado para ela, e pelo menos três vezes na semana tinha de se apresentar à Snoke, reuniões que lhe faziam tremer a espinha. Era sempre uma surpresa, ora uma simples conversa, ora uma sessão de tortura mental.

Duas batidas abafadas entraram em sua cabeça alta pelo álcool, fazendo-a sibilar com a dor que sentiu. Logo foi a voz que a incomodou.

"Rey, o que está fazendo?" E aquela voz era insuportavelmente familiar.

Era Kylo Ren adentrando seu quarto, agora oficialmente um quarto adequado a um membro da Ordem de Cavaleiros de Ren. Ele a encontrou embalada em um lençol, sentada no chão, fleumática. Seus cabelos completamente bagunçados e, ao lado esquerdo, a garrafa de vinho caída no chão.

Assim como quando chegou ao quarto, continuou com a visão da jovem com o olhar fixado na janela, completamente entretida com a imagem do planeta que orbitavam lá fora. Não fosse pela ressaca, talvez ela nem o teria percebido ali.

"Onde encontrou isso?" Ele se aproximou dela, abaixando-se até alcança-la no chão. Ele pegou a garrafa de vinho pela metade e ela finalmente o olhou. "Se te pegam bebendo..."

"O que?" Forçou para que as palavras saíssem, sendo quase impedida pela enxaqueca. Então Kylo a segurou pelos braços, tentando ajudá-la a se levantar, mas viu que seria inútil no segundo em que ela cambaleou.

Resolveu carregá-la no colo e levá-la até sua cama, foi então que seus olhos se encontraram e ele viu a face cansada de sua aprendiz, olheiras fundas como quem não estivesse conseguindo dormir por dias. Ele sabia o que significava, já tinha visto aquela expressão antes, em seu próprio rosto, no espelho.

"O que estão fazendo com você?" Ele sussurrou horrorizado, mas ela não respondeu, sua cabeça pendeu para o lado, seus olhos se fecharam em cansaço.

Ele então a depositou sobre os lençóis e permaneceu por um tempo a contempla-la. Ele a cobriu e então ela segurou suas mãos por debaixo das dela, em seguida fechou os olhos e soltou um suspiro.

Vê-la sofrer corroía sua alma.

Após um tempo ele tentou se levantar mas ela o impediu o segurando pela mão. Ele a obedeceu, mas algum tempo depois tentou novamente pedindo que ela tentasse dormir pois o próximo dia seria cheio, e traria consigo diversas obrigações. Desta vez ele não iria ficar como das outras, ela precisava passar por aquilo.

No dia seguinte a dor continuou, e assim seguiu com ela. Rey foi direcionada até a sala do líder supremo para ter finalmente seu primeiro desconforto do dia. Desta vez acompanhada de Ren.

Quando adentraram ao salão, avistaram o líder sentado em seu trono, pretorianos ao lado fazendo sua guarda e Mera o mais próximo do mestre finalizando uma conversa.

"Daremos prioridade ao resgate da menina. Estarei partindo em missão a Jakku e irei encontrá-la. Com licença." Mera o reverenciou por fim e virou-se, seguindo até a porta e cruzando o caminho com Rey e Kylo.

As duas se olharam, e Rey preparou um bloqueio mental para enfrentar qualquer imbecilidade de Mera. Mas não veio. Pelo contrário, a jovem a olhou e abaixou a cabeça, aparentemente em demonstração de respeito. Ela continuou seu caminho e então saiu da sala.

"Esme Ren! E seu fiel mestre Kylo Ren..." Exclamou contente, quase eufórico. "É ótimo recebê-los logo no início do dia."

Eles se abaixaram em seus joelhos, o reverenciando. Kylo pôs-se à frente de Rey.

"Solicitou nossa presença." Respondeu Kylo. "Não pude deixar de ouvir. Mera está indo a Jakku? Algum problema?"

"Nada com que deva se preocupar. Só alguém que queremos trazer a bordo." Então Snoke levantou-se de seu trono, aproximando-se da dupla e fazendo um gesto para que eles se levantassem. "Ficarão feliz em conhecê-la. Kira. A nossa princesa."

Snoke terminou a sentença sorrindo e andando lentamente em direção à garota, Rey quase podia sentir sua respiração. Ela se sentiu enjoada, provavelmente efeito da presença de Snoke... provavelmente.

"Então acharam a princesa de que tanto falavam?" Kylo perguntou, tentando desviar a atenção de Snoke.

"Sabe o que significa este nome? Já o ouviu antes?" Ele se aproximou do ouvido de Rey, falando grosso demais para uma pergunta convidativa.

Os guardas continuaram parados, observando, enquanto Rey analisava cada componente da estrutura daquela sala, procurando uma saída de escape. Ela retornou seu olhar ao velho lord e então o respondeu, meio desnorteada:

"Devo ter escutado algumas vezes."

"Pois bem. Há um belo significado por trás deste nome. Na verdade ele possui diversas origens e significações." Ele lançou um olhar para Kylo, provocativo. "Uma das mais conhecidas é a explicação de que o nome remete a algo de plena autoridade, dando ao portador deste nome a filosofia de que ele possua alguma posição..."

"...superior a qualquer outro indivíduo. É, minha mãe sempre achou este nome bonito." Kylo o interrompeu, corajosamente. "Por que estamos falando disso?"

"Exato." Ele sorriu para Kylo "Tem boa memória, meu caro aprendiz." Voltou sua atenção à garota. "Há ainda lugares que explicam a origem do nome como uma adaptação da palavra Rei em algumas línguas espalhadas pela galáxia, assim como Rey."

"Assim como Rey..." Kylo sussurrou para si mesmo e então Snoke o repreendeu com o olhar, fazendo com que ele agora pusesse toda sua atenção no chão.

Ela meneou a cabeça, prestando atenção mesmo sem saber do que eles estavam falando.

"E de fato a portadora deste nome possui uma grande relevância, mesmo que seja tão nova. E a realeza está mesmo em seu sangue."

Ele finalmente se sentou.

"Sabe por que lhe nomeei desta forma? Como Esme Ren?"

Kylo movimentou apenas os olhos, agora interessado nas palavras de Snoke.

"Não, meu líder."

"Esme é como uma metáfora. Traz uma denotação de algo valioso, literalmente significa pedra preciosa, e é exatamente o que você significa para a ordem. Ter você entre nós nos custa muito, e é essencial na criação de uma nova ordem, sinto-me tolo por não ter percebido antes."

"Não entendo como posso ser tão importante para a Ordem."

"Ficará feliz em conhecer a jovem Kira, pretendemos trazê-la o quanto antes pudermos." Ele se levantou novamente, agora se aproximando. "Vocês são tão parecidas! Ela também não me deixa entrar na mente dela."

E então ela continuou sã por apenas um segundo. Todo e qualquer som que pudesse existir naquela sala, como a voz de Snoke, ou a respiração de Kylo, até mesmo o som de seus próprios pensamentos se esvaíram, e ela se viu numa situação de impotência tão grande que todos os seus sentidos pareceram desaparecer.

Ela não ouvia, assim como não podia falar, ou até mesmo enxergar. Não sentia mais a temperatura do ambiente em sua pele, e não podia responder aos estímulos de seu cérebro. Seu corpo flutuou, inundado por dor, ardência e desespero. Ela estava sufocando enquanto Snoke depositava nela apenas parte de toda sua força.

Ela estava imobilizada e sua agonia crescia a cada segundo. Lentamente foi recuperando seus sentidos, e assim seus ossos pareciam querer rasgar a carne de seu corpo, seu sangue parecia corroê-la como ácido e seus pulmões pareciam que iriam explodir a medida que ela tentava inspirar. O que lhe restou fazer foi gritar. Um grito ensurdecedor, provido de uma tortura mil vezes pior que a primeira vez que ele a fez sentir algo como aquilo.

Seu grito fez com que Kylo se levantasse, mas Snoke estava tão entretido com aquilo que fazia que não percebeu a ação do aprendiz. O jovem tendeu a se aproximar no corpo de Rey, mas repreendeu-se antes que aquilo pudesse piorar as ações do velho.

Lá, imóvel, ele via o corpo da jovem levitando, banhado ao desespero. Seus dentes rangiam a medida que ele tentava se controlar, as veias de seus pulsos saltadas em razão da força com que cerrava os punhos. Ele queria pará-lo.

Aquilo tudo durou apenas 5 segundos, mas para Rey pareceu uma eternidade. Apenas percebeu que estava livre quando seu corpo se chocou bruscamente com o chão, fazendo sua cabeça quicar. Segundos depois ela tentou se levantar, tossindo pela falta de ar e inspirando desesperadamente.

"Devia me agradecer por eu tê-la deixado viva. Não quero menos que sua total devoção. Estarei de olho em você." Ele disse num tom ameaçador. "Quero vê-la novamente amanhã, e não deixe de treinar com Kylo Ren. Quero te tornar a melhor daqui."

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