Notas iniciais
"From the sky she watched the life She'd known she would leave behind Said goodbye and gave her people Life through her sacrifice" (Daughter Of The Moon - Adriana Figueroa)

Rey estava lá dentro, infiltrada na Primeira Ordem, ou pelo menos tentava acreditar nisso.
A base fora reerguida a partir de suas cinzas. Era tudo novo, não estava completo, mas era novo. Eles se instalaram em um outro planeta, longe do sistema Hosnian, mas ainda possuíam enorme influência sobre diversos outros.
O líder supremo parecia ter aceitado sua oferta, se aliaria aos sith para proteger seus amigos. Era a única condição, era óbvio que proteger a Resistência não estrava no jogo de Snoke, mas pelo menos algumas pessoas ela poderia pedir por proteção. Como Finn e Poe.
A general Leia Organa orquestrou tudo perfeitamente. Rey daria todo seu esforço para conquistar Kylo Ren ao lado da luz. Leia sabia que não poderia destruir a Primeira Ordem sozinha, que precisava de seu filho, sem ele não seria possível.

"General, o que me pede é algo de magnitude imensurável. Eu não sei se posso dar conta." Ela sussurrou por debaixo de suas mãos. As palmas de leia estavam posicionadas em cada lado do rosto de Rey. "E se eu não aguentar? E se ao invés de persuadi-lo, ele me levar ao lado sombrio? E se eu não resistir à tentação dos Sith? Snoke, Kylo, os cavaleiros de Ren! São todos muito mais habilidosos do que eu!" As mãos de Rey repousavam sobre as da general.
Fora uma longa conversa, Rey e Leia discutiam sobre a morte de Han. Leia lhe dizia o quanto seu filho houvera se perdido no lado das trevas, mas que apesar de tudo ela o perdoava, e que Rey precisava perdoa-lo também, uma vez que aquele não era seu filho Ben Solo, mas sim Kylo Ren, uma invenção de Snoke.
"Você possui algo que eles não possuem, Rey, luz! É a resistência ao lado sombrio, é uma característica marcante dentro de você!" Leia apertou os olhos. "E Luke estará em seus pensamentos sempre que precisar, não deixaremos você ser seduzida, jamais!" Leia tentava acreditar nas próprias palavras. "Fizemos isso uma vez, faremos sempre que possível. Oh Lord, faremos sim!" Suas palavras saiam como um sussurro.
"Como assim já fizeram isso uma vez?"
Rey perguntou agora olhando nos olhos da general mas fora interrompida pela chegada de Poe e Finn com novas informações sobre a reconstrução da Primeira Ordem.

As lembranças daquela noite na resistência, da sua conversa com a general invadiam os pensamentos da garota, agora inundada pelo sentimento sombrio que a Primeira Ordem lhe proporcionava.
Desde que chegou à nova base, pôde apenas se comunicar com Snoke e o General Hux. Ele lhe providenciou tudo o que precisava, e pela primeira vez, o ruivo, a tratou com o mínimo de dignidade que ela merecia. Mas, claro, tudo aquilo provinha de sua recente união ao lado deles.
"Caso precise, pode procurar diretamente por mim." Seus olhos profundos e verdes se encontraram com os olhos de avelã da garota, lhe entregando uma muda de roupa. "Lord Ren foi quem pediu que eu lhe providenciasse tudo logo hoje, pra que vocês possam começar amanhã."
"Obrigada." Respondeu, e um arrepio subiu por toda sua coluna. A ideia de voltar a ter contato com aquele que outrora fora sua sentença final lhe causava arrepios. A preocupação tomava conta de seus pensamentos.

Hux a conduziu diretamente para a câmara que serviria de quarto. Rey o seguiu, entrou no pequeno espaço e se conduziu até a cama, deixando em cima dela a muda que estava em suas mãos. Do outro lado havia uma porta cor mogno onde acreditou que se encontrava o lavabo. Sua hipótese foi confirmada pelas palavras de Hux logo em seguida.
"Eu a aconselharia a se lavar essa noite, se alimentar, se manter em uma boa aparência. Acredito que Lord Ren não queira presenciar mais nenhum resquício da Resistência em você." Disse com uma voz clara e direta e logo pediu licença saindo da câmara.
Rey olhou para baixo, as palavras de Hux entraram em seus ouvidos como agulhas. Toda vez que ele se referia à Ben Solo como Lord Ren seu estômago revirava. Claro, ela não teve a chance de conhecer Ben Solo, mas pelas conversas que teve com Leia pôde perceber o quanto aquele garoto tinha potencial para ser um grande Jedi, uma grande conquista para o lado da luz. Seria uma pena tamanho potencial ser sequestrado pelo lado sombrio. E foi.
No lavabo havia uma banheira, pensou no tamanho no luxo que contrastava com a construção fria e objetiva da base. Deixou a água correr, até que fosse possível entrar e descansar naquela imensidão morna.
Ela se olhou no espelho. Seus olhos pareciam cansados, sua pele tinha marcas roxas ainda da luta na floresta. Rey não se olhava muito no espelho, desde que chegou em Jakku não tivera tantas oportunidades. Era estranho ver sua figura refletida, seus olhos avelã, seus cabelos escuros. Ela podia ver sua pele um pouco dourada por conta do sol.
Rey então entrou na banheira. O volume de água ia subindo a medida que sua área era ocupada pelo corpo da mulher.
Fechou os olhos, se deixou irradiar de todo aquele sentimento de culpa.
Culpa, era a única coisa que passava por sua cabeça. Ter sucesso na missão da general talvez seria sua única maneira de sair desse sentimento horrível que mal conhecia mas já lhe dominava. A culpa em ter abandonado Jakku enquanto que sua família poderia a qualquer momento voltar. A culpa por deixar Han Solo morrer nas mãos de seu próprio filho. A culpa de não estar na Primeira Ordem por vontade própria. A culpa de que, apesar desse sentimento, não poderia fazer nada para contornar a situação. Culpa, culpa, culpa...
Seu corpo imergiu sob a água. Rey sentiu uma leveza enorme. Seu corpo flutuava. Tamanha quantidade de água para ela era tão imprescindível. Em Jakku a luta por água era constante. Muitas vezes lutava por espaço até com animais. A vida naquele planeta nunca fora fácil.
Sentia seu cabelo flutuar sobre a água, soltos, com o caminho livre. Há muito tempo seus cabelos não eram soltos, não sentia a brisa leve do vento batendo em suas mexas. Ela buscava sempre pelo mais prático, sempre. Nada que lhe pudesse atrapalhar.
Alguns minutos depois Rey já estava fora daquela água. Agora com as toalhas envolvendo seu corpo. Continuava a analisar no espelho as marcas roxas em suas costas. Seus dedos as tocavam, já não doíam mais, mas as marcas psicológicas ainda estavam lá.
Rey prendeu o cabelo em um coque simples e vestiu a roupa de dormir que lhe fora entregue junto com o uniforme.
Era como um novo mundo. Ter uma cama confortável para dormir soava incrivelmente extravagante, diferente de tudo que conhecia. Se sentia tão amparada dentro das peculiaridades de sua existência. Se sentia culpada por isso também.
Foi em direção à cama e se deitou, e então dormiu. Dormiu, dormiu e naquele finito devaneio pôde se sentir finalmente desprendida da realidade, foram curtas 8 horas que lhe proporcionaram certa renova. Era outra pessoa a partir de agora.

Notas finais
Não esqueçam de deixar reviews sobre os capítulos, pessoal. Isso nos ajuda, e muito, a ter motivação para continuar escrevendo! ♥