Herdeiros de Illea
3 Cory?
Notas iniciais
POV's Gregory Schreave
– Ora, mamãe, tenho certeza que a senhora conseguiria. Se ao menos tentasse falar com ele...
Estávamos na sala de música a quase uma hora e eu não havia obtido nenhum progresso.
– Greg, escute-me, estou tão empolgada quanto você com a noticia, mas, veja, seu pai já tratou de enviar as cartas as gatotas e garotos de Illea.
Enquanto falava, ela dava alguns suspiros pesados e olhava pela janela. Uma chuva fina caía, o que nos impedia de sair.
Alguns dias haviam se passado desde a ultima gravação do Jornal Oficial. O escândalo que Juliette deu após acordar deixou meus pais um tanto arrependidos por não terem nos contado antes.
– Mas, mãe, eu não entendo. — falei, percebendo que não conseguiria mudar nada do que já tinha sido decidido — Nós dois iremos governar?
Minha mãe riu. Seu riso era idêntico ao som que saía de seu violino, e a deixava mais jovem. Não que ela aparentasse ser uma senhora. Era uma mulher por quem muitos homens matariam e morreriam. por sorte, Mason Calix Schreave, meu pai (e rei), foi mais rápido.
– Não, querido. Mas, os dois merecem a chance de encontrar seu par, não acha?
– Precisa mesmo que todos os habitantes de Illea me vejam encontrando meu par?
Ela abriu a boca para argumentar, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, ouvimos uma leve batida na porta.
– Entre.
Ao comando da voz doce de minha mãe, uma criada entrou na sala. Com um olhar curioso, disse-nos que o rei exigia nossa presença no seu escritório. Também nos avisou que ele não parecia muito feliz, e que havia encontrado Juliette chorando.
Eu e mamãe nos entreolhamos, e corremos em direção ao escritório.
– Você perdeu a cabeça se acha que vou permitir que isso continue — meu pai gritava. Dava para ouvir seus berros ao virar o corredor.
Ao entrarmos, Juliette estava em uma pose protetora, a frente de Cory, que sentado em uma das poltronas, tinha o rosto nas mãos. Aspen parecia concordar com meu pai. Pelo menos era o que sua expressão mostrava. Ele parecia repreender algo que seu filho havia feito.
Eu não sabia que Cory, o filho de Aspen, estava no palácio. Mas, para minha surpresa, estava. Se ele estava ali, Stacy, sua irmã, e minha melhor amiga, também estava. Precisava encontra-la. Mas, assim que olhei para o garoto, me obriguei a procurar explicações para sua aparência.
Ele parecia se encolher ao ver meu pai apontar o dedo em sua cara. Então, olhei para Juliette, e, antes que alguem pudesse me explicar, eu entendi o que tinha acontecido. Sabia que ia acontecer.
– O que esta havendo aqui, Maxon? — minha mãe falou.
– Meri, antes de tudo, peço desculpas pelo meu filho, não tinha conhecimento do que estava acontecendo, e...
Antes que Aspen pudesse continuar, meu pai o interrompeu.
– America, um dos guardas do palácio pegou Juliette e Cory aos beijos no quarto de Juliette. — meu pai berrava.
Mamãe fez um "oh" surpreso, e levou a mão a cintura. Estava irritada, e dava para ver isso.
– Mamãe, eu tentei explicar. — Juliette andou até ficar a alguns metros de mamãe — Por isso não queria uma Seleção. Já tenho meu pretendente. Já tenho meu par. Estou apaixonada. Porque não podem aceitar isso?
Cory ficou vermelho de uma hora para outra, e parecia estar sufocando. Tudo que consegui fazer foi segurar o riso. Era hilário, e parecia que todos na sala estavam prestes a desmaiar. Meu pai parecia ter ficado tonto de repente, e sentou-se. Aspen arregalou os olhos, e segurou mais firme na bengala. Minha mãe abanava-se compulsivamente, olhando de papai para Aspen.
– Qual o problema com vocês? — Juliette sussurrou, ao passo que só eu e Mamãe, que estávamos mais próximos dela, conseguimos ouvir.
– Você está o que? — meu pai falou, mas seus olhos estavam distantes.
– Apaixonada? — Aspen falava, olhando para Cory, como se quisesse matar o garoto.
– Ora, Juliette, isso é inaceitavel!
Mamãe ia explodir a qualquer momento. Resolvi me intrometer, antes que aquilo ficasse mais sério.
– Gente, gente. Que escândalo. Vocês não acham que...
– Cale a boca por um momento, Gregory — Juliette gritou. Então, virou-se para papai. — Certo. Foi errado, e eu peço sinceras desculpas.
– Claro que foi errado. — ele respondeu — e suas desculpas não irão mudar o fato de que...
– Ainda não terminei, papai. — ela continuou — Tenho uma proposta.
Meu pai suspirou, cansado.
– Se acha que irei anular a sua seleção apenas porque...
– Não, não. Nada de anular a Seleção.
Cory virou para Juliette, confuso. Eu também estava, aliás. A garota tinha acabado de dizer que estava apaixonada pelo garoto em pânico na sala, e agora concordava com a Seleção?
– Minha proposta é: A seleção continua. Desde que Cory possa ser um dos meus 35 candidatos.
Um silêncio profundo atingiu o escritório. Meu pai nem piscava, ao passo que Aspen e minha mãe olhavam para Juliette como se ela estivesse louca. Eu achei que estava. Cory apenas se ajeitou na poltrona e ficou observando, atento, a reação de papai.
– America, Juliette, quero falar com vocês. Os outros podem se retirar — ele falou, por fim.
Apressei-me em arrastar Cory para fora. Fomos ao Salão Principal, e o garoto tinha passado do vermelho ao verde.
– Onde estava com a cabeça? Ficou maluco? — falei, jogando-o no grande sofá.
Logo depois percebi que uma pequena plateia estava observando tudo. Virei-me e dei de cara com Marlee, Carter, Lucy, Stacy e Rachel estavam pálidos do outro lado da sala. Aspen descia as escadas com os olhos grudados em Cory. Ele iria matar o menino. Eu tinha certeza.
– Cory, querido, como foi que isso aconteceu? — Marlee falou. Carter apenas o olhou, preocupado.
– Ora, não lhe ensinei nada? — Lucy, mãe de Cory, olhava-o, irritada.
– Espere só chegarmos em casa, Cory. — Aspen falou, descendo o ultimo degrau, e vindo ao nosso encontro.
Foi então que vi, um lampejo nos olhos de Cory. Ele se levantou, e olhou diretamente nos olhos de Marlee.
– Festa de Halloween, a 19 anos atrás. os guardas a pegaram de amassos com Carter. Se Maxon não tivesse interrompido, vocês estariam mortos. Não é porque continuam aqui, não é porque tudo deu certo no final, que aquilo que fizeram foi certo.
Marlee encolheu-se ao lado do marido, e Rachel, a filha dos dois, parecia perplexa. Cory, então, virou-se para sua mãe.
– Demonstrar seu amor por alguem é algo errado, mas ficar de beijinhos escondidos com um dos guardas do palácio é totalmente aceitável? Ora, mamãe. Não acho que seja assim.
Lucy cubriu a boca com a mao, e seus olhos se arregalaram. Cory, com os olhar sombrio, olhou para Aspen.
– Bom, papai, não acho que deva relembra-lo dos seus encontros as escondidas com a garota ruiva da Seleção, dona do coração do príncipe Maxon.
Eu estava assustado. Não só por nunca ter visto Cory, o garoto calmo que, eu sabia, era apaixonado por minha irmã, se rebelar daquele jeito, mas por medo que ele tivesse uma historia dessas sobre mim.
– Não, Cory. Não precisa lembrar seu pai de nada.
Uma voz assustada, que vinha das escadas, falou. Virei-me e lá estavam meu pai, minha mãe e Juliette. Todos eles com expressões surpresas no rosto. Juliette era a cara do horror.
Desceram as escadas a passos largos.
Cory apenas bufou e ia saindo do salão, quando Juliette o chamou.
– Cory, venha ca por um minuto.
Ele deu meia-volta, olhou para ela daquele jeito doce que apenas os apaixonados podiam expressar, e eu vi a duvida formar-se em seu rosto. Ela apenas assentiu com a cabeça, fazendo-o voltar ao lugar onde estava parado, bem ao meu lado.
– Bem, — meu pai começou — conversei com Meri e com Juliette, e, se Aspen e Lucy estiverem de acordo, adoraria pôr o nome de Cory entre um dos selecionados.
Aspen olhou para papai como se ele fosse louco. Rachel deu um de seus "tsc tsc" e saiu da sala, a passos largos.
– Majestade, você tem certeza disso? — Lucy questionou.
– Não — meu pai falou, sorrindo de canto. Então olhou para Juliette, e então olhou para mamãe — Mas sei como é estar apaixonado, e sei como doi ficar longe de quem se ama. Não quero proporcionar este sofrimento a minha filha.
Mamãe contornou a sala e veio até onde Aspen estava.
– Haverão algumas regras, é claro. — ela ditava, como se, de repente, tivesse pego a autoridade de papai, o que acontecia com frequencia — Juliette não deverá mostrar preferência por Cory, e deverá dividir seu tempo igualmente entre os 35 selecionados.
Aspen assentia, tentando esconder o sorriso. Já não parecia tão irritado como antes.
– E, para ser justos, papai e mamãe concordaram que Greg também poderá escolher uma candidata.
Olhei, pasmo, para Juliette. Seu sorriso de orelha a orelha aparentava querer saltar de seu rosto.
– Esperaremos um nome até amanhã, Greg. — papai falou, olhando-me — Por enquanto, quero falar com a familia Leger. Se não se importam.
Aspen, Cory, Lucy e Stacy pediram licença e se retiraram, junto com meu pai. Juliette subiu as escadas de dois em dois degraus, arrastando minha mãe. Marlee e Carter foram ao quarto que sempre era deles quando vinham nos visitar.
Eu estava surpreso. Tanta coisa já havia acontecido e nem meio-dia era ainda.
Passei alguns minutos revirando rostos e mais rostos de garotas, decidindo. Nenhuma me agradava. Então, como se lesse meus pensamentos, Rachel entrou na sala, sorrindo, com o olhar distante. Seus cabelos, loiros como os da mãe, balançavam suavemente enquanto andava.
Naquele momento eu soube qual seria minha escolha.
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