Notas iniciais
Escrevi e reescrevi este capitulo quinhentas mil vezes, e ainda assim não consegui exatamente o resultado que precisava. Queria apresentar Cory melhor para vocês. Mas, agora, acho que terão bastante tempo para conhece-lo. Espero que gostem. Boa leitura.

POV's Gregory Schreave

– Ora, mamãe, tenho certeza que a senhora conseguiria. Se ao menos tentasse falar com ele...

Estávamos na sala de música a quase uma hora e eu não havia obtido nenhum progresso.

– Greg, escute-me, estou tão empolgada quanto você com a noticia, mas, veja, seu pai já tratou de enviar as cartas as gatotas e garotos de Illea.

Enquanto falava, ela dava alguns suspiros pesados e olhava pela janela. Uma chuva fina caía, o que nos impedia de sair.

Alguns dias haviam se passado desde a ultima gravação do Jornal Oficial. O escândalo que Juliette deu após acordar deixou meus pais um tanto arrependidos por não terem nos contado antes.

– Mas, mãe, eu não entendo. — falei, percebendo que não conseguiria mudar nada do que já tinha sido decidido — Nós dois iremos governar?

Minha mãe riu. Seu riso era idêntico ao som que saía de seu violino, e a deixava mais jovem. Não que ela aparentasse ser uma senhora. Era uma mulher por quem muitos homens matariam e morreriam. por sorte, Mason Calix Schreave, meu pai (e rei), foi mais rápido.

– Não, querido. Mas, os dois merecem a chance de encontrar seu par, não acha?

– Precisa mesmo que todos os habitantes de Illea me vejam encontrando meu par?

Ela abriu a boca para argumentar, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, ouvimos uma leve batida na porta.

– Entre.

Ao comando da voz doce de minha mãe, uma criada entrou na sala. Com um olhar curioso, disse-nos que o rei exigia nossa presença no seu escritório. Também nos avisou que ele não parecia muito feliz, e que havia encontrado Juliette chorando.

Eu e mamãe nos entreolhamos, e corremos em direção ao escritório.

– Você perdeu a cabeça se acha que vou permitir que isso continue — meu pai gritava. Dava para ouvir seus berros ao virar o corredor.

Ao entrarmos, Juliette estava em uma pose protetora, a frente de Cory, que sentado em uma das poltronas, tinha o rosto nas mãos. Aspen parecia concordar com meu pai. Pelo menos era o que sua expressão mostrava. Ele parecia repreender algo que seu filho havia feito.

Eu não sabia que Cory, o filho de Aspen, estava no palácio. Mas, para minha surpresa, estava. Se ele estava ali, Stacy, sua irmã, e minha melhor amiga, também estava. Precisava encontra-la. Mas, assim que olhei para o garoto, me obriguei a procurar explicações para sua aparência.

Ele parecia se encolher ao ver meu pai apontar o dedo em sua cara. Então, olhei para Juliette, e, antes que alguem pudesse me explicar, eu entendi o que tinha acontecido. Sabia que ia acontecer.

– O que esta havendo aqui, Maxon? — minha mãe falou.

– Meri, antes de tudo, peço desculpas pelo meu filho, não tinha conhecimento do que estava acontecendo, e...

Antes que Aspen pudesse continuar, meu pai o interrompeu.

– America, um dos guardas do palácio pegou Juliette e Cory aos beijos no quarto de Juliette. — meu pai berrava.

Mamãe fez um "oh" surpreso, e levou a mão a cintura. Estava irritada, e dava para ver isso.

– Mamãe, eu tentei explicar. — Juliette andou até ficar a alguns metros de mamãe — Por isso não queria uma Seleção. Já tenho meu pretendente. Já tenho meu par. Estou apaixonada. Porque não podem aceitar isso?

Cory ficou vermelho de uma hora para outra, e parecia estar sufocando. Tudo que consegui fazer foi segurar o riso. Era hilário, e parecia que todos na sala estavam prestes a desmaiar. Meu pai parecia ter ficado tonto de repente, e sentou-se. Aspen arregalou os olhos, e segurou mais firme na bengala. Minha mãe abanava-se compulsivamente, olhando de papai para Aspen.

– Qual o problema com vocês? — Juliette sussurrou, ao passo que só eu e Mamãe, que estávamos mais próximos dela, conseguimos ouvir.

– Você está o que? — meu pai falou, mas seus olhos estavam distantes.

– Apaixonada? — Aspen falava, olhando para Cory, como se quisesse matar o garoto.

– Ora, Juliette, isso é inaceitavel!

Mamãe ia explodir a qualquer momento. Resolvi me intrometer, antes que aquilo ficasse mais sério.

– Gente, gente. Que escândalo. Vocês não acham que...

– Cale a boca por um momento, Gregory — Juliette gritou. Então, virou-se para papai. — Certo. Foi errado, e eu peço sinceras desculpas.

– Claro que foi errado. — ele respondeu — e suas desculpas não irão mudar o fato de que...

– Ainda não terminei, papai. — ela continuou — Tenho uma proposta.

Meu pai suspirou, cansado.

– Se acha que irei anular a sua seleção apenas porque...

– Não, não. Nada de anular a Seleção.

Cory virou para Juliette, confuso. Eu também estava, aliás. A garota tinha acabado de dizer que estava apaixonada pelo garoto em pânico na sala, e agora concordava com a Seleção?

– Minha proposta é: A seleção continua. Desde que Cory possa ser um dos meus 35 candidatos.

Um silêncio profundo atingiu o escritório. Meu pai nem piscava, ao passo que Aspen e minha mãe olhavam para Juliette como se ela estivesse louca. Eu achei que estava. Cory apenas se ajeitou na poltrona e ficou observando, atento, a reação de papai.

– America, Juliette, quero falar com vocês. Os outros podem se retirar — ele falou, por fim.

Apressei-me em arrastar Cory para fora. Fomos ao Salão Principal, e o garoto tinha passado do vermelho ao verde.

– Onde estava com a cabeça? Ficou maluco? — falei, jogando-o no grande sofá.

Logo depois percebi que uma pequena plateia estava observando tudo. Virei-me e dei de cara com Marlee, Carter, Lucy, Stacy e Rachel estavam pálidos do outro lado da sala. Aspen descia as escadas com os olhos grudados em Cory. Ele iria matar o menino. Eu tinha certeza.

– Cory, querido, como foi que isso aconteceu? — Marlee falou. Carter apenas o olhou, preocupado.

– Ora, não lhe ensinei nada? — Lucy, mãe de Cory, olhava-o, irritada.

– Espere só chegarmos em casa, Cory. — Aspen falou, descendo o ultimo degrau, e vindo ao nosso encontro.

Foi então que vi, um lampejo nos olhos de Cory. Ele se levantou, e olhou diretamente nos olhos de Marlee.

– Festa de Halloween, a 19 anos atrás. os guardas a pegaram de amassos com Carter. Se Maxon não tivesse interrompido, vocês estariam mortos. Não é porque continuam aqui, não é porque tudo deu certo no final, que aquilo que fizeram foi certo.

Marlee encolheu-se ao lado do marido, e Rachel, a filha dos dois, parecia perplexa. Cory, então, virou-se para sua mãe.

– Demonstrar seu amor por alguem é algo errado, mas ficar de beijinhos escondidos com um dos guardas do palácio é totalmente aceitável? Ora, mamãe. Não acho que seja assim.

Lucy cubriu a boca com a mao, e seus olhos se arregalaram. Cory, com os olhar sombrio, olhou para Aspen.

– Bom, papai, não acho que deva relembra-lo dos seus encontros as escondidas com a garota ruiva da Seleção, dona do coração do príncipe Maxon.

Eu estava assustado. Não só por nunca ter visto Cory, o garoto calmo que, eu sabia, era apaixonado por minha irmã, se rebelar daquele jeito, mas por medo que ele tivesse uma historia dessas sobre mim.

– Não, Cory. Não precisa lembrar seu pai de nada.

Uma voz assustada, que vinha das escadas, falou. Virei-me e lá estavam meu pai, minha mãe e Juliette. Todos eles com expressões surpresas no rosto. Juliette era a cara do horror.

Desceram as escadas a passos largos.

Cory apenas bufou e ia saindo do salão, quando Juliette o chamou.

– Cory, venha ca por um minuto.

Ele deu meia-volta, olhou para ela daquele jeito doce que apenas os apaixonados podiam expressar, e eu vi a duvida formar-se em seu rosto. Ela apenas assentiu com a cabeça, fazendo-o voltar ao lugar onde estava parado, bem ao meu lado.

– Bem, — meu pai começou — conversei com Meri e com Juliette, e, se Aspen e Lucy estiverem de acordo, adoraria pôr o nome de Cory entre um dos selecionados.

Aspen olhou para papai como se ele fosse louco. Rachel deu um de seus "tsc tsc" e saiu da sala, a passos largos.

– Majestade, você tem certeza disso? — Lucy questionou.

– Não — meu pai falou, sorrindo de canto. Então olhou para Juliette, e então olhou para mamãe — Mas sei como é estar apaixonado, e sei como doi ficar longe de quem se ama. Não quero proporcionar este sofrimento a minha filha.

Mamãe contornou a sala e veio até onde Aspen estava.

– Haverão algumas regras, é claro. — ela ditava, como se, de repente, tivesse pego a autoridade de papai, o que acontecia com frequencia — Juliette não deverá mostrar preferência por Cory, e deverá dividir seu tempo igualmente entre os 35 selecionados.

Aspen assentia, tentando esconder o sorriso. Já não parecia tão irritado como antes.

– E, para ser justos, papai e mamãe concordaram que Greg também poderá escolher uma candidata.

Olhei, pasmo, para Juliette. Seu sorriso de orelha a orelha aparentava querer saltar de seu rosto.

– Esperaremos um nome até amanhã, Greg. — papai falou, olhando-me — Por enquanto, quero falar com a familia Leger. Se não se importam.

Aspen, Cory, Lucy e Stacy pediram licença e se retiraram, junto com meu pai. Juliette subiu as escadas de dois em dois degraus, arrastando minha mãe. Marlee e Carter foram ao quarto que sempre era deles quando vinham nos visitar.

Eu estava surpreso. Tanta coisa já havia acontecido e nem meio-dia era ainda.

Passei alguns minutos revirando rostos e mais rostos de garotas, decidindo. Nenhuma me agradava. Então, como se lesse meus pensamentos, Rachel entrou na sala, sorrindo, com o olhar distante. Seus cabelos, loiros como os da mãe, balançavam suavemente enquanto andava.

Naquele momento eu soube qual seria minha escolha.

Notas finais
Se gostarem, dêem reviews, por favor. Preciso saber o que pensam a respeito da historia. Até a próxima ^^