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76 Capitulo setenta e três (FENE)


Notas iniciais
É com grande orgulho e melancolia que eu apresento a vocês... O antepenúltimo capitulo!!

Risos. Ele riu! Como ele pôde rir quando eu estava tendo um ataque cardíaco aqui?!
Mesmo assim, ele quase se dobrou de tanto rir.
— Isso foi uma reação gloriosa!
— O que você está fazendo aqui? Caio está roubando sua...
— Não! — gritou meu irmão vindo rápido pelo corredor.
Então ele ficou sério de repente.
— Você não falou para ele?
— Eu estava falando quando você chegou.
— Falar o quê? — perguntei olhando os dois.
— Eu não vou sair com Amanda, eu vou sair com Samuel.

JUNE
Falar que Felipe ficou boquiaberto seria pouco.
Se eu sabia? Claro que eu sabia.
Caio tinha me pedido o beijo naquele dia para ter certeza do que queria. E era isso o que eu quis explicar para Felipe por tanto tempo, mas não insisti tanto para não invadir a privacidade de Caio, afinal, ele deveria dizer para o irmão e não eu.
Então, de repente, Felipe começou a rir. Pensei que ele estava achando que era piada, mas então ele andou até Samuel e falou:
— Cara, sério — ele segurou o ombro do outro e parecia apertar forte, pois o Valdeva fez uma careta. Então Felipe sussurrou alguma coisa que fez Samuel sorrir e assentir.
Então ele se virou e encarou o outro Sarazate. Então sorriu e disse:
— Eu sempre soube.

FELIPE
Eu não sou idiota. Meu irmão teve poucas namoradas e nunca demonstrou nenhum interesse maior nem nelas e nem em qualquer outra garota que tenha dado em cima dele (e nunca foram poucas).
— Como assim você sempre soube? EU nunca soube.
— Quando a gente gosta muito de uma pessoa, nós passamos a conhecê-la como a palma da nossa mão, mesmo que ela mesma não se conheça tão bem.

JUNE
Era quase o que Amanda tinha me dito. Por algum motivo, eu sabia que ele tinha dito isso para ela.
— Vamos? — perguntou Samuel.
— Vamos.
— Até mais.
— Tchau Samuel, tchau Caio.
Então a porta se fechou e eles saíram.
Felipe então se virou.
— Você sabia?
— Sim.
— E aquele beijo?
— Nós queríamos ter certeza.
— E na aula?
— A Amanda chegou e...
— E?
— Eu pensei...
— O quê?
Fechei os olhos e...
— Eu não quero ter um relacionamento agora.
Olhei para ele e vi sua boca aberta e as sobrancelhas estendidas.
— Quê?

FELIPE
Um nó se formou em meu cérebro. Toda a insistência, nosso quase beijo, as decepções... e ela na verdade não queria nada. Nunca quis.
— Eu não quero um relacionamento agora.
— Então você estava só frescando com a minha cara, é isso?
— Não! Eu gosto de você, Felipe, gosto mesmo, mas depois de pensar um pouco, eu acho que tenho que ficar um tempo sozinha, para me conhecer melhor.
As engrenagens giram em minha cabeça, eu não entendia mais o que estava acontecendo, eu não entendia o que ela queria e nem o que eu mesmo queria.
Mas eu respeitava, e depois de tudo o que tinha passado, eu aceitei.
— Ok.
— Sério?
— Sim.
— Pensei que fosse ficar com raiva.
— Nós dois precisamos de um tempo. Precisamos nos conhecer melhor antes de decidir qualquer coisa.
Ela sorriu e assentiu.
— Sim. Obrigada.
— Mas... June?
— Sim?
— Eu vou te esperar.
E essa era a única certeza que eu tinha naquele momento. Eu esperaria June, não importando quanto tempo ela precisasse.