Hell Between Us

26 capítulo 26 - Sociopata


Notas iniciais
Olá pessoas lindas, aqui mais um capitulo o próximo deve sair na segunda-feira, espero que gostem.

Pov – Selena

─Selena posso ir lá no pátio com as outras crianças? – Mas que inferno ter que aguentar esse pequeno infeliz, eu o olho, ele entende na mesma hora, se tem uma coisa que detesto é criança.

Detesto todo tipo de fraqueza e crianças são a materialização da fraqueza humana, me dão asco, as psicólogas do reformatório tinham um nome para mim, sociopata, foi meu diagnóstico, me fez rir por semanas.

─O que foi que eu te disse sobre me chamar de Selena? – Ele me olha com os grandes olhos verdes, assustado como todo pequeno covarde – Eu disse o que eles fazem com crianças que não tem mãe, eles atiram do outro lado da cerca, quer que te joguem lá? Para os zumbis te devorarem? – Os olhos apavorados são a melhor resposta, medo sempre foi um bom caminho para convencer pessoas, com uma criança funciona perfeitamente.

─Não Se... Mãe, desculpe, de vez em quando eu me esqueço.

─Eu sou muito boa para você Mike, eu cuido de você há um bom tempo, te dou comida e não deixo os zumbis te pegarem não é? – Ele afirma – Aqui é como em Woodbury, só aceitam crianças que tem mãe ou pai, ninguém quer cuidar de crianças, então eles atiram para os zumbis, ninguém pode descobrir que não é meu.

─Vou tomar cuidado.

─Ótimo! – Não vejo a hora dessa merda toda acabar e eu poder finalmente mandar esse pequeno irritante para o inferno – Agora me escute – Me abaixo para fazê-lo prestar atenção em mim – Eu vou sair um pouco, você tem que ficar aqui na cela, não pode andar por ai.

─Sozinho?

─Mike não tem zumbis aqui dentro, tome – Estendo um pacote de biscoitos e uma garrafa de água para ele – Isso é para você, fica aqui até eu voltar, entendeu?

─Porque?

─Não é da sua conta, mas todos têm que pensar que estou aqui com você, se te virem por ai vão fazer perguntas.

─Acha que um dia minha mãe de verdade volta?

─Você é estupido, é isso? Viu muito bem o que aconteceu com ela, então esquece, só o que tem sou eu.

─Vai demorar?

─Chega Mike, senta ai e me espera, se alguém perguntar estou ajudando por ai e já venho.

Deixo a cela, aquilo me irrita, se não tivesse certeza que meu plano pode dar certo já teria mando esse pequeno infeliz para o inferno e caído na estrada, mas sei que posso ter tudo, eu mereço ter tudo.

Caminho com um ar natural, mais do que ser, o que importa é parecer, sigo em direção as grades onde já observei existe uma passagem para o lado de fora, passo por ela de modo tranquilo, as pessoas estão ocupadas com seus afazeres e ninguém parece se importar com quem entra ou sai, a menos é claro que seja um dos donos desse lugar, a família feliz e de bom coração que abrigou os órfãos de Woodbury.

Puxo minha pistola quando começo a me afastar, espero que o imbecil do Steve esteja no lugar marcado, não posso levantar suspeita sumindo por muito tempo, escuto passos arrastados a minha volta, mas como não vejo nada eu apenas sigo em frente, caminho por uma hora, acho que ninguém vai para tão longe dos muros da prisão, a clareira está vazia quando chego, tenho certeza que foi aqui que marquei, paro com a pistola na mão, olho em torno em busca de um sinal de Steve, então sinto uma mão na minha boca, me debato.

─Calma lunática! – Steve me solta – Sou eu, finalmente chegou, estou a meia hora aqui, já estava decidido a desistir.

─Idiota! – Eu o empurro para longe – Odeio quando põe essas suas mãos podres sobre mim.

─Ei, estamos do mesmo lado! – Steve diz acendendo um cigarro – Mas vamos ao que interessa, quando vai ser, o que descobriu?

─Calma Steve, ainda é muito cedo para um ataque, não descobri quase nada, isso pode dar muito errado.

─Selena eu tenho quinze homens acampando na floresta, eles estão cansados, não é fácil controla-los, tínhamos um bom plano para tomar Woodbury, não deu em nada, acha que posso segura-los por muito mais tempo?

─Estava tudo indo bem em Woodbury, dormi com aquele infeliz do Martinez semanas, aquele nojento se divertiu o quanto pode, mas nos deu tudo que precisávamos, como eu ia saber que de uma hora para outra o canalha do governador iria enlouquecer e acabar com tudo?

─É não podia prever, mas foi o que aconteceu, o cara não só enlouqueceu como pôs fogo naquela merda toda.

─Mas acredite, a prisão é mil vezes melhor, mais segura, afastada, faz Woodbury parecer um bosque aberto.

─Acho bom que seja, mas afinal, o que descobriu?

Ele olha em volta, um zumbi sai do meio de umas arvores, Steve puxa sua faca, faz mira e atira, ela gira no ar e acerta o zumbi, mas apenas atravessa uma parte do seu rosto e ele continua a caminhar com a faca cravada no maxilar.

─Merda! Estou treinando ainda! – Ele ri, caminha até o zumbi, segura seu pescoço, tira a faca e acerta na testa, o zumbi cai e ele caminha de volta para mim.

─Acabou a brincadeira? – pergunto de mal humor, ele da de ombros despreocupado.

─Sim, vá em frente, o que descobriu?

─Eles são um bom número, fortes e unidos, saem em missões de busca quase sempre, tem começado um estoque de comida e uma horta, a maioria é de velhos e crianças, gente indefesa que eles protegem, mas os que lutam tem muitos talentos.

─Como se defendem?

─Vigia, dia e noite, na torre e em terra, não será fácil não serem vistos e por isso preciso de mais tempo, quero descobrir quando ficam mais indefesos, é o tipo de gente que dorme com um olho aberto sempre.

─De quanto tempo estamos falando?

─Sete dias e volto aqui com um plano em mente, então atacam, vou ver o que posso conseguir para ajuda-los pelo lado de dentro.

Steve me olha desconfiado, afirma com um movimento de cabeça.

─Não quero muito barulho, nosso objetivo é o lugar inteiro, não quero zumbis no meio disso, então pense em algo criativo.

─Vou pensar, o que andaram fazendo? Chegaram umas pessoas por lá, em busca de abrigo depois de um ataque, foram vocês?

─Precisamos de comida não é? Armas e diversão, os caras estavam no nosso caminho, fizemos o que tinha que ser feito, pegamos o lugar.

─Isso pode chamar atenção, deixar todos lá mais atentos, então se querem diversão vão para longe! – Eles são mesmo muito idiotas, quinze imbecis, é isso que são.

─Acha que manda Selena? Temos um acordo, um acordo, não somos seus soldados, apenas temos objetivos em comum, se acha que depois de tomarmos a prisão vai ficar de chefe está errada.

─Não seja idiota, não quero ser chefe de nada.

─Ótimo, não é fácil controlar esses caras! – Steve me avisa e adoraria não precisar deles, mas não é um mundo onde se possa abrir mão de força física – E o garotinho, ainda funcionando?

─Agora mais do que nunca, ele é o que me mantem viva, acredite.

─Selena e seu jeito especial de fazer amigos, como foi o encontro com a mulher das espadas? Parece que tem uma boa cicatriz de boas-vindas! – Ele ri a ponto de se dobrar.

─Como tinha que ser, você avisou seus homens não é? Ela é minha, vão ter garotas o bastante para eles se divertirem quando chegar a hora.

─Sabemos disso, e o que vamos fazer com os velhos?

─Sei lá, isso é com você, mas tem uma coisa – Ele me olha acendendo outro cigarro, solta a fumaça no meu rosto e me afasto ─ O caçador, vai reconhece-lo logo, ele vai estar na linha de frente, tem uma besta, quero que seja dele a primeira bala.

─Um inimigo pessoal?

─Ele tem algo que me pertence e quero de volta. Vou ter de volta!

─Certo, por mim tudo bem, vamos pegar todos eles mesmo, tanto faz a ordem das coisas e a intocável é sua, só não sei como vai mantê-la.

─Temos celas Steve, um tempo em uma delas e ela aprende quem manda, ela é ainda a mesma de antes, quebro aquela casca e ela volta a ser a garotinha assustada de sempre.

Puxo minha pistola mais uma vez, aceno para ele que me devolve com um sorriso amarelo, é o tipo patético e truculento, um idiota manipulável.

─Nos vemos aqui em sete dias, mantenha seus homens longe de problemas.

─Me traga boas notícias ou desista, é seu último prazo!

Começo meu caminho de volta, vou ter a prisão, vou ter Abby, mereço, fiz por merecer, uma vez a vida me tirou ela, mas agora o apocalipse a trouxe de volta e não vou perder a chance de me vingar, aquela vadia vai estar nas minhas mãos de novo e não demora.

Enquanto caminho minha mente volta para o passado, para os dias no reformatório, segue direto para o dia em que tudo realmente mudou. Ela estava como todos os dias, encolhida no cantinho dela, tinha sobre a mesa do refeitório sua bandeja, os olhos verdes encaravam o chão como de costume, linda e delicada como uma flor.

Tentava comer com a mão esquerda, a direita ainda mantinha o gesso até o cotovelo, se não tivesse se debatido tanto não estaria quebrada, eu caminho com Susan ao meu lado, sigo em direção a ela, ninguém me encara, até aquele dia ninguém ousava me erguer o olhar.

Puxo sua bandeja, aquele era um de seus castigos, tirar sua comida, as vezes por um ou dois dias, era só um bom jeito de manter meu cachorrinho domado, mas até os cães mais mansos um dia podem morder a mão do dono e o foi o que a maldita fez.

Abby segurou a bandeja, talvez tenha sido um lapso instintivo, talvez um lampejo de coragem, fiz o que tinha que fazer, eu a arranquei da maldita cadeira pelos cabelos, acertei seu rosto com um sonoro tapa, ninguém se moveu, ninguém faria isso, ela tropeçou nos próprios pés, era só uma garotinha tola e cheia de medo, atrapalhada e incapaz de lutar, quando caiu eu a chutei, pulei sobre ela, seria uma boa lição, para ela e quem nos cercava.

Acertei um soco, mas então ela teve um surto, não esperava por uma reação que não fosse os velhos gritos de socorro e sua voz doce implorando, por alguma razão ela se rebelou, me atirou ao chão, subiu em mim e senti o gesso acertar meu rosto, o primeiro golpe me deixou tonta, e depois daquele foram uma sucessão de socos com a mão engessada, senti o sangue escorrer por meu rosto, molhar minha roupa.

Ouvia os gritos das garotas, os urros de vitória, ninguém se moveu, um pouco antes de tudo se apagar as guardas a tiraram de cima de mim e ainda me lembro do peso de seu tênis sobre meu rosto quando tudo se apagou.

Pela primeira vez eu acordei numa enfermaria, o rosto desfigurado pelo inchaço, fiquei ali esperando o momento de dar o troco, e quando finalmente deixei o maldito lugar ela ainda estava feito o bicho que era presa na solitária, mas agora era tarde para mim, eu não era mais nada, não passava de mais uma interna, sem regalias, aliadas, apenas uma qualquer.

Ela deixou o reformatório um ano antes de mim, nunca mais nos vimos, até o dia em que aquelas pessoas chegaram em Woodbury, então eu sabia que um dia eu a teria em minhas mãos mais uma vez, que ela seria minha de novo, não importa o que pareça por fora, sei quem ela é afinal, apenas uma garotinha assustada, delicada demais para esse mundo, pronta para se submeter e é assim que eu a quero.

Me aproximo da prisão e visto de novo a máscara da moça comum e mãe de um garotinho, passo pela grade e caminho de cabeça baixa, ninguém parece notar ou se importar.

─Passeando pela floresta? – Ergo meu olhar e lá está ela, não posso negar que agora é uma figura altiva, está sozinha, mas vejo o caçador não muito longe, os olhos pregados nela, ele acha que a tem, ela acha que pode ser dele, mas não pode.

─Achei que era livre para ir e vir.

─E é, para ir principalmente, só fico pensando que tipo de mãe sai por ai deixando seu filho sozinho.

─Acha que pode me intimidar? – Eu a desafio – Acha que me assusta?

─Não, apenas não pense que acredito na sua inocente família, não acredito em você como mãe.

─Acho que não precisa ficar arrumando desculpas para se aproximar de mim Abby, eu sei que sente minha falta, ele dorme cedo, é bem vinda na minha cela! – Os olhos dela cintilam de ódio, ela fecha as mãos, se prepara – Sabemos que não vai fazer isso, então porque gastar tanta energia? Vou ver meu filho.

Eu deixo Abby sozinha ali, no meio do pátio, não é bom apressar as coisas, vamos ter nosso momento, por enquanto é bom que pense que eu não posso me defender.

Mike está exatamente onde mandei que ficasse, ele me abraça quando me sento, eu o afasto, a mãe era bem interessante, um tanto covarde, só mostrou força uma vez, uma estúpida vez, quando se atirou aos zumbis para salva-lo, estávamos juntas há seis meses e tudo acabou ali, na boca de um zumbi, mas já estávamos perto de Woodbury e o garotinho foi um bom jeito de entrar, uma mãe e seu pequeno sempre toca os corações, claro que Philip Blake não acreditou muito, mas me recebeu e teria terminado em sua cama se Andrea não tivesse chegado antes, Martinez serviu para os meus planos e nem tive que me esforçar muito.

─Podemos ir lá fora, mãe?

─Estou cansada, vá sozinho! – Me deito e ele fica parado me olhando – Vai menino, não queria ir brincar?

Ele caminha para longe e fecho meus olhos cansada, preciso melhorar um pouco isso, essa gente é mais esperta que os homens do governador, se falhar então será fatal, é só isso que Abby Coleman espera, um deslize, um único deslize.

Preciso organizar tudo, talvez entrar pelos fundos seja uma saída, mas antes preciso descobrir se é seguro, e preciso pensar numa maneira de tira-la da linha de tiro, Abby não vai me servir de nada se estiver morta.

Mas isso é fácil, é só apontar uma pistola na testa de Mike e ela fará qualquer coisa, duvido que vai arriscar a vida de um pobre garotinho, se Steve não for burro demais podemos tomar esse lugar, e de prêmio ainda fico com Abby Coleman.

Pov – Beth

Entrego Judy para Rick, ele beija a testa da filha, me sorri em gratidão, sorrio de volta, cada um tem aqui seu trabalho, cuidar dela tem sido o meu e gosto disso, talvez ainda não esteja pronta para enfrentar as coisas lá fora, mas um dia vou estar, até lá faço o que for melhor para minha família.

─Ela está limpa e alimentada, acho que vai dormir a noite toda.

─Obrigado Beth, nem sei como seria se ela não tivesse você.

Sorrio em gratidão, mas sei que outros poderiam ajudar, ninguém é realmente insubstituível, mesmo assim é bom saber que de algum jeito faço algo de bom para todos.

Rick entra para o bloco com Judy e me sento nos bancos que temos do lado de fora, algumas crianças ainda brincavam pelo pátio, esquecidas dos zumbis rosnando nas cercas, penso que tipo de pessoas vão se tornar quando crescerem, penso se um dia vão ter a chance de crescer.

─Oi! – Sam surge ao meu lado, me beija de leve e se senta, passo meu braço pelo dele e observo a movimentação.

─Cansado?

─Até que não, mas foi bom ficar envolvido com o trabalho o dia todo, e você, tudo bem? Parece triste.

─Estava apenas pensando, imaginando o futuro, só isso.

─Não penso muito nisso, normalmente fico deprimido, no momento só quero aproveitar o que temos.

─E o que temos Sam? – Eu o olho, ele me beija de leve, passa uns fios dos meus cabelos para trás da orelha, sorri.

─Eu podia dizer que temos teto, comida e alguma segurança, mas não é isso que me importa, então prefiro lembrar que temos pessoas, e ter pessoas é raro e importante, o que quer que seja esse vírus maldito ele veio para destruir isso, mas está falhando, ao menos sobre nós, então aproveito que tenho pessoas ao meu redor.

─Está certo, temos pessoas, gosto delas, de todas sabe, de poder ter meu pai e minha irmã por perto, mesmo sentindo saudade da fazenda e das pessoas que ficaram para sempre por lá.

─É a primeira vez que vivo com alguma segurança desde que o mundo acabou, mas não gosto de ficar aqui dentro, quero sair com o grupo e a Abby terá que aceitar isso.

─Eu gostaria também, mas acho que só preocuparia mais o grupo, se eles tem que me proteger eu os deixo fracos.

─Vou pedir a ela que te ensine uns truques, tem me sido muito úteis, mas antes seu pai tem que aprovar.

─Meu pai é protetor, mas não é um homem das cavernas, ele pode ser razoável, ao menos as vezes.

─Acha que esse lugar é para sempre? – Eu dou de ombros.

─Nada é para sempre, então não penso nisso.

─Aquele menino sozinho não é o filho da Selena? – Ele me pergunta quando assistimos o garotinho olhar um tanto afastado as crianças brincando.

─Sim, é ele mesmo, sabe Sam, tem algo nessa história, olho para os dois juntos e não os vejo como uma família, pode ser só o apocalipse e a doença que nos causa, a indiferença comum ao tempo perdendo e perdendo, mas pode ser mais que isso.

─Só sei que estou de olho na Abby, tenho medo dela não aguentar e sei lá, fazer o que prometeu, acho que se ela fizer algo assim aqui ficará insustentável ficarmos.

─Depois das coisas que me contou até entendo tamanho ódio dela, mas é bom prestar atenção, acho que se não fosse o Daryl ela já teria ido embora de novo.

Sam sorri, me abraça mais ele é sempre carinhoso, gentil e comportado e prefiro assim, mesmo sem saber quando tudo pode acabar não quero ter pressa.

─Acho os dois juntos bem engraçados.

─Porque? – Eu pergunto sem entender, acho fofo, nunca pensei ver Daryl com uma garota e gosto de vê-lo feliz, ele sempre faz tanto por nós, é o mais devotado membro do grupo e o tempo todo ele só perde, gosto de vê-lo ganhando um pouco.

─Eles não levam muito jeito, nunca vi um beijo, um abraço, uma palavra carinhosa, mas eles estão sempre se procurando e hoje mais cedo ela foi se trocar e pela primeira vez me expulsou da cela deles.

─Como é?

─Para Beth, ela é minha irmã, me dá até agonia quando alguém pensa algo diferente, a gente sempre ficou por ai sozinhos, dormindo em qualquer canto, sem nenhuma privacidade, então nos acostumamos um com o outro, mas agora ela se preocupa, depois que viu que ele não gostou.

─Nem eu gostei! – Reclamo, Abby é a mulher mais bonita que já vi, tem o corpo perfeito e não acho que alguém resistiria a ela.

─Boba! – Ele me beija todo orgulhoso, suspiro de má vontade, no fundo sei que é bobagem, eles são como irmãos e isso é tudo, mas ainda sou uma garota e ciúme é natural.

─Mike! – Eu chamo o garotinho, primeiro porque sinto pena de sua solidão, depois porque quero mudar o rumo da conversa, ele se aproxima, faço sinal e o pequeno se senta ao meu lado, vou descobrir tudo – Gosta daqui?

─Gosto! – Ele diz olhando ainda para as crianças, já estava anoitecendo, era estranho que Selena não tivesse vindo saber dele ainda.

─Achei que não gostava, ficou o dia todo lá dentro, nem te vi.

─A Selena me mandou ficar lá, quer dizer a minha mãe! – Ele arregala os olhos, fica vermelho, sinto sua tensão – Não conta que a chamei de Selena?

─Claro que não, ninguém pode saber que ela não é sua mãe não é? – Ele afirma muito sério, é tão fácil que me dá pena – Pode ficar tranquilo, ela não vai saber, ninguém vai.

─Obrigado Beth.

─Quer brincar com as crianças?

─Quero, mas eles não são meus amigos.

─Luke! – Chamo o pequeno que vem correndo a meu encontro, o rosto corado e suado pela correria, sorri atencioso como de costume, os cachinhos balançando.

─Oi Beth!

─Luke esse é o Mike, porque não leva ele para brincar e apresenta as outras crianças?

─Vem! – Luke o chama, Mike sorri e se afasta correndo ao lado de Luke, Sam me olha.

─Preciso contar a Abby.

─Nem pensar Sam, não ainda, vamos descobrir mais sobre isso, contar a Abby só vai servir para deixa-la furiosa e pronta para cumprir sua promessa, quer protege-la não?

─Quero.

─Vamos ficar de olho, falar por ai, tenho muito acesso aos novos moradores, vou descobrir mais sobre isso e depois decidimos, ás vezes Sam, força física não é tudo na vida, nem o único meio de se conseguir o que quer.

Notas finais
Agora sabemos um pouco quem é Selena e quais seus planos, se vão funcionar é outra história que o tempo vai dizer. Beijos