Hell Between Us
27 Capitulo 27 - Pequenos passos
Notas iniciais
Pov – Abby
Meu sangue ferve cada vez que eu a vejo, queria não ser tão afetada pela raiva, mas sou, mesmo conseguindo respirar fundo e me conter isso ainda me abala, estar de mãos atadas é o que me deixa mais furiosa, o não poder reagir, odeio isso.
Mas o fato é que estou certa sobre essa vadia, ela tem planos e não é apenas me tirar do sério, tem algo mais em seu comportamento, porque sair lá fora sozinha?
Porque deixar o filho aqui e simplesmente dar uma volta pela floresta cheia de mortos? Não, ela foi fazer algo especifico lá fora, claro que não se entregou, fez o que sempre faz, virou o jogo, me atacou e depois correu como a covarde que sempre foi por baixo da máscara de garota forte.
Puxo o ar com força, busco a porcaria do meu equilíbrio mais uma vez, depois solto lentamente e decido entrar, tentar pensar um pouco, me acalmar, qualquer coisa para esquecer a vadia e seus planos.
Já estava quase chegando ao bloco de celas quando penso nele, Daryl sempre me acalma de algum modo, mesmo que não tenha nenhuma intensão de fazer isso, posso seguir até ele e ficar lá um pouco, só ficar por perto e mudar o rumo dos meus pensamentos.
Dou meia volta, caminho em sua direção, Daryl mexia em sua moto, abaixado com uma ferramenta qualquer na mão, sei que me viu com Selena, deve ter ficado em alerta a espera de um ataque meu, mas não faria isso ali, no meio de todos.
Paro perto dele, me encosto na parede, as espadas comprimidas machucam um pouco minhas costas e apoio um pé na parede para diminuir a pressão.
Daryl ergue o olhar um instante, não diz nada, volta sua atenção ao trabalho, gosto de como ele não fica buscando conversas, é econômico com as palavras, se Daryl Dixon não tem nada a dizer ele fica calado, não inventa assunto e isso me faz bem.
Claro que as coisas são diferentes se é para me jogar verdades na cara, nesse caso ele fica eloquente. Ele pega um lenço no bolso, usa para limpar uma peça pequena.
─No que está pensando? – pergunta sem me olhar.
─Em você – Responde sem pensar, ele ergue o olhar sem parar o que está fazendo, me arrependo na mesma hora, que boca grande essa minha, dizer assim do nada que estou pensando nele? Ele volta seu olhar para o trabalho.
Olho em volta Sam está nas cercas ajudando a matar zumbis, ele gosta de fazer aquilo, vai entender a cabeça de um garoto.
─Sam! – Eu grito e ele me olha de longe – Usa o braço esquerdo! – Ele passa a barra de ferro para outra mão e continua seu trabalho, volto minha atenção para Daryl que me olhava – É para ele desenvolver o lado esquerdo também, minha mão esquerda era quase inútil, mas depois de anos de treinamento é tão boa quanto a direita, a perna também.
─É boa ideia, Herschel perdeu a perna, Merle a mão, nunca se sabe por quanto tempo vamos manter nossos membros.
─Ela quer mais do que tornar minha existência um inferno.
Eu digo a ele que me encara, depois deposita a peça que limpava sobre a moto e me olha pensativo.
─Eu sei, se puder viver com isso pego ela e o menino e coloco do lado de lá das grades agora mesmo, enfrentamos os olhares por uns dias e depois ninguém mais se importa, porque as pessoas querem mesmo é sobreviver apenas.
─Não, eu não posso viver com isso, com a ideia de dar as costas a uma criança inocente.
─Então só nos resta esperar seu próximo movimento.
─Que pode ser a morte de alguém. – Eu o lembro, ele volta a ficar calado, se abaixa mais uma vez, agora para colocar a peça de volta.
─Com fome? – Me pergunta do nada, franzo a testa – Não te vi comer hoje.
─Como pouco, eduquei meu estomago a viver com pouco.
─Treinou os movimentos, o estomago, mudou tudo em você.
Não gosto daquilo, me deixa de algum jeito triste, o tom é natural, mas parece uma acusação, pelo menos é assim que chega aos meus ouvidos.
─Acha que sou uma fraude? – Ele me olha sem entender, nega com um movimento de cabeça, se ergue limpando as mãos.
─Elogiei você Abby, disse que se treinou, se melhorou, isso é bom, não se contentou com quem era, com o que tinha, não foi uma crítica.
Dessa vez fico calada porque assim como ele se não tenho nada a dizer não invento, meus olhos passeiam pelo pátio, repousam sobre a torre e acabo me lembrando da noite que tivemos lá, foi mesmo incrível de muitos modos, me senti só uma garota, foi como se não tivesse um passado sombrio, só a lembrança agita meu coração e não sei entender o que aquilo significa.
─Ainda não gosta de lá? – Ele me pergunta e me dou conta que estou sendo observada por Daryl.
─Gosto! – Respondo sem encara-lo, penso em como é quando estamos na cela e mesmo a noite tendo sido perfeita ali, ainda prefiro a cela, parece familiar, como se fosse nosso lugar, como se tivéssemos algo juntos – Mas ainda prefiro na cela.
Eu disse isso em voz alta, mas que merda está acontecendo comigo? Na cela? Eu disse na cela, estou agora me insinuando para ele, é isso? A segunda vez em cinco minutos de conversa? Mas o que há comigo?
─Gosto mais da cela, da cela! – Digo meio rápido, meio confusa, olho para ele que guardava o lenço de volta no bolço, tinha um ar risonho, se divertia com minhas palavras e pior com a minha confusão momentânea, um grande idiota. ─ Vou... Vou cuidar... Eu vou indo.
Me afasto com pressa e confusa, que comportamento mais estúpido, que tipo de pessoa eu estou me tornando? Uma garotinha apaixonada, sou agora a nova Beth Greene?
─Te vejo depois, na cela – Ele enfatiza a preposição apenas para me atormentar o grande idiota.
─Va para o inferno Daryl Dixon! – Responde sem olhar para ele ou diminuir meu passo, deve estar rindo de mim, mas eu mereço, parece que fui até lá só para ficar jogando indiretas para ele, me sinto mortificada.
─O que foi? – Michonne me pergunta quando nos cruzamos no meio do pátio, puxo as espadas na mesma hora, que bom que ela surgiu, tenho que gastar energias.
─Vai Michonne, se mexe, vamos treinar.
─Ahm? – Ela me olha confusa, suspiro.
─Puxa logo essa katana, vamos treinar um pouco! – Ela sorri – Sua Katana contra minhas duas Sai.
Michonne não é o tipo que diz não a um desafio, ela sorri e puxa a espada, adoro o som do aço se chocando com a bainha quando a espada é retirada, é como música para mim.
Ficamos frente a frente, ela faz uma mesura, sorri de modo debochado, faço o mesmo, depois ela se prepara, ataco primeiro, eu sempre ataco primeiro, não sou o tipo que se defende apenas, eu sou o tipo que ataca.
Michone para minhas Sais com sua Katana, me empurra e passa a espada por sobre a cabeça, ela volta em minha direção e dessa vez uso as duas espadas para prender a ela, adoro o som que aquilo produz, me sinto de volta aos meus treinamentos, a cabeça vazia de qualquer outra coisa.
Ela puxa a espada por entre as minhas, a liberta e dessa vez me ataca por traz, uso uma das sai para proteger as costas, as espadas se chocam de novo e sou atirada para frente, dou dois passos antes de encontrar de novo equilíbrio e me virar, ela ri.
─Apelando? – Brinco com ela.
─Detesto perder! – Ela responde, me movimento giro as espadas em torno do corpo, isso sempre confunde um pouco o adversário, o deixa sem saber de que direção vem o golpe, então eu as cruzo em direção ao pescoço de Michonne, ela se abaixa a tempo, as espadas se encontram no ar, ela passa sua espada em direção a meus pés, pulo e a dela também encontra apenas o ar.
Ficamos mais uma vez frente a frente, dessa vez atacamos ao mesmo tempo, cansadas de errar golpes os movimentos começam a ficar mais frenéticos, mas é só metal contra metal o tempo todo.
─Muito melhor do que zumbis não acha? – Pergunto girando e acertando de novo apenas sua Katana.
─Definitivamente! – Ela responde com a voz entrecortada pelo cansaço, a luta já dura pelo menos dez minutos, já estamos no meio do pátio e nada de vitória.
Então num movimento elegante sua Katana acerta uma das Sais que voa de minha mão e cai uns metros de mim, fico com a outra, ela sorri.
─Agora sim, de igual para igual! – Ela brinca quando tenho que usar a arma para me proteger de sua Katana, meus ombros já queimam pelo esforço e acho que por hoje chega, então decido que não vou sair por baixo, uso minha força física e toda habilidade de anos de treinamento para prender a Katana com os dentes da Sai, a arma é arrancada de sua mão e cai uns metros ao lado.
─Isso aí X acabou com ela! – Eu me viro e lá está Sam aplaudindo feliz – Apostei em você! – Só então me dou conta que temos plateia, rimos as duas quando caminhamos para recolher nossas armas.
─Exijo uma revanche! – Ela me avisa já com sua Katana.
─Em qualquer lugar, há qualquer hora! – Respondo quando caminhamos para dentro.
─Isso foi mesmo incrível X! – Sinto a mão de Sam no meu ombro e me separo de Michonne.
─Foi bom me distrair um pouco, estava precisando me exercitar.
─Eu não sou um bom exercício? – Ele pergunta sabendo a resposta, não faço qualquer esforço quando treino Sam – Puxa X isso é frustrante!
─Quer parar de me chamar assim?
─Certo X, não te chamo mais de X, mas quando luta assim não resisto.
─Eu devia...
─Cortar minhas orelhas, eu sei, mas já que não vai fazer isso posso ir na próxima vez que sair?
─Não, ainda não Sam, mas juro retomar seu treinamento, vai ficar tão pronto quanto eu, mas agora se for e o grupo se meter em encrenca por sua causa só vai se sentir culpado.
─A gente sempre esteve lá fora X, Abby, quer dizer, eu sempre estive exposto ao perigo.
Paramos nas escadas, movimento os ombros que ainda ardem um pouco, encaro Sam.
─Primeiro não tínhamos escolha Sam, depois... bom éramos apenas nós dois, o que quer que desse errado só nós dois pagaríamos, agora é diferente, se um deles tentar te salvar e se der mal eu vou me sentir...
─Se o Daryl tentar me salvar e se der mal você quer dizer.
─Sam... – Ele está certo, não posso mentir sobre isso, é com ele que me preocupo – Me dá mais uns dias, não quero que fique aqui preso, não sou idiota, não acho que isso tudo vai durar muito e quero que fique pronto, mas me dá um tempo.
─Tudo bem, tem um tempo, mas não para sempre, não é certo eu ficar aqui sem fazer nada de útil.
─Está errado, te vejo trabalhando o tempo todo.
─Fazendo coisas que outros mais indefesos poderiam fazer.
Toco seu ombro, é como um pedido de desculpas, ele entende, sorri, e faço o mesmo.
─E aí como vai o namoro? – Pergunta mudando de assunto, meu ar tranquilo vai embora – O que brigaram?
─Não, eu... – Não sei como explicar a ele, mas não tem outra pessoa com quem falaria sobre mim – Eu meio que... Sam eu estou meio maluca só isso.
─O que foi, está toda atrapalhada! – Ele ri de mim, que inferno que é isso.
─Acho que meio que fiquei sei lá Sam, me atirando para ele, parecia que tudo tinha duplo sentido ou, eu não sei.
─X você namora o cara, como pode ser isso de se atirar para ele?
─Quer parar de ficar dizendo que namoro ele, que coisa irritante, e cuida da sua vida! Vou tomar banho.
Começo a subir a escada, mas o garoto é um carrapato.
─é sério Abby, me explica isso, entendo de relacionamentos! – ele me diz quando chegava em minha cela.
─Cala a boca Sam! – Pego a primeira muda de roupa que encontro e sigo de volta para baixo.
─Você pode se insinuar para ele, não tem nada errado nisso, é normal, são namo... Sei lá tem um rolo então... Mas o que disse?
─Nunca vou dizer, me deixa não quero falar disso.
Agora já chegávamos aos chuveiros e o garoto ali, me torturando.
─Acho que precisa dar uns passinhos sabe, quer dizer, não dói abraçar o cara de vez em quando, dar um beijo – A cada palavra fico mais assustada, ele só pode estar maluco se acha que vou me comportar assim na frente das pessoas – sentar com ele, sorrir, essas coisas, você elogia ele?
─Sam eu vou arrancar a roupa e depois vou contar a Beth que me viu tomando banho! – Aviso desabotoando a calça, ele faz uma careta deixando o ambiente.
─Covarde! – Grita antes de sumir da minha visão, só me faltava essa, Sam me dando lição de vida, eu mereço.
O banho é rápido, não podíamos desperdiçar agua, ela vinha do rio logo ao lado, mas não era fácil mantê-la e estava sempre faltando porque a droga da mangueira entupia e ainda não tínhamos um plano para resolver aquilo.
─O que faria se o garoto não fosse dela? – Dou de cara com Sam na porta me esperando assim que saio.
─Mandaria aquela vadia para o inferno antes do fim da noite.
─Sei, entendi, acha que isso... Quer dizer, será que é o jeito certo de resolver isso?
─Sam essa história termina com uma das duas morta, não tem outro modo, sinto muito, estamos aqui, gosto de estar, tenho mesmo tentado me adaptar, estou dando uma chance ao Daryl ou o que talvez eu sinta por ele, mas ainda sou eu, ainda é ela, e o passado está entre nós e isso não muda, não pode mudar e vou acabar com ela ou morrer tentando.
─Estou com você Abby, não importa o que aconteça eu sempre vou estar com você, e se fizer, bom vou aceitar, sei que as coisas foram bem difíceis para você.
─Ótimo, agora para de me seguir e vai caçar o que fazer.
─Eu vou... o Mike, o garotinho dela, ele não tem culpa de nada.
─Eu sei disso Sam, ela está viva por isso.
─Daryl ficou com a maior cara de orgulho quando estava treinando com a Mich, estava vidrado em você! – Ele me diz e sorrio, não posso negar que aquilo me causa algum orgulho.
Ele me deixa e me sento no refeitório, Beth ninava Judith com a irmã a seu lado, as duas conversavam despreocupadas, será que um dia eu poderia ser assim? Uma pessoa comum que joga conversa fora e não tem tantos fantasmas na cabeça?
─Oi! – Daryl surge ao meu lado, se senta e segue meu olhar – Ela é mesmo perfeita não? – Eu gosto de ver o modo como ele sempre está de olho em Judy, afirmo – Amanhã vamos sair cedo e dar umas voltas, quem sabe encontramos alguma pista de onde ela foi.
─Eu acho boa ideia.
─Vamos comer, esse negócio de comer tão pouco não é bom, nunca se sabe quando a comida pode acabar, melhor estar forte e foi uma boa luta mais cedo.
─Sam me disse que estava assistindo, foi um bom exercício.
Ele me sorri e depois se afasta, volta com duas tigelas com sopa, me faz sorrir, não quero pensar muito nisso, mas ele consegue ser o caçador mais gentil quando quer, me estende uma e volta a sentar.
Como meio mecanicamente, olhando o movimento a minha volta, no bloco C ficamos eu e Sam e a família de Daryl e isso deixa o ambiente leve, gosto de ver como se dão bem e sorriem uns para os outros, Beth e Sam estão perto um do outro, conversam baixinho com o bebê entre eles, sinto que estão dividindo um grande segredo, algo me diz que aquilo é encrenca.
Coloco a tigela na mesa de aço quando termino, a de Daryl já repousava lá.
─Vamos na cela! – Mais uma vez ele enfatiza a preposição, só quer me irritar.
─Quer deixar de ser ridículo?
─Foi impossível resistir! – Ele me diz e fico de pé, pego as tigelas e me afasto dele, deixo na pilha de louça suja, depois enrolo um instante, nunca vou me acostumar com aquilo, não tem jeito.
Mesmo achando estranho sigo de volta para Daryl e caminhamos para a cela, tomo o cuidado de não olhar para Sam, sei que ele é capaz de achar um jeito de me dar uma dica sobre relacionamento na frente de Daryl e me obrigaria a arrancar definitivamente aquela língua enorme.
Tiro minhas espadas das costas, as botas e me deito, Daryl fica me olhando.
─Que foi? – Pergunto quando ele caminha para a cama, Daryl se deita ao meu lado, ficamos nos olhando.
─Fico pensando se queria que eu fosse diferente, mais como o Sam ou o Glenn.
─Se fosse como um dos dois acho que não me interessaria por você, prefiro que seja como é, porque eu sou como você, sabe disso, mas talvez você queira ser como eles, é isso?
Sua resposta é um resmungo qualquer sem sentido, lá vão meus dedos tocar seu rosto sem que me dê conta, ficamos nos olhando.
─Porque prefere aqui? – Eu não queria responder aquilo, mas também não quero ficar guardando tudo, com medo de tudo.
─Parece mais pessoal, mais íntimo, lá é como... Uma aventura talvez.
Ele toca meus cabelos, os arruma para afastar do meu rosto.
─Gostei que foi ficar perto de mim depois de falar com ela.
─Você me acalma.
─Mesmo quando me manda para o inferno?
─Pura redundância! – Respondo e ele sorri, fica bonito demais e meu coração descompassa um pouco, me dou conta que senti falta dele o dia todo, que esperei mesmo sem querer admitir por esse momento.
Daryl me beija, parece ter entendido como me senti, queria dizer a ele que tive saudade, que gosto quando me toca, mas não consigo, então só o que posso fazer é me render e ser uma mulher, me entregar as vontades do meu corpo e com isso contar a ele como me sinto, Daryl é puro instinto e sei que entende.
Suas mãos entram por dentro da minha roupa buscando minha pele e gosto de sentir seus dedos me tocando, gosto de seus lábios percorrendo minha pele e de sentir sua respiração inconstante, me faz arfar e desejar mais, vamos nos despindo entre beijos, nos procurando, e sempre perco a noção de tudo a minha volta.
Parece que não posso me controlar e tudo fica confuso, urgente, acelerado, quando o sinto dentro de mim gemo, digo seu nome, procuro seus lábios porque gosto de sentir seu gosto, quando finalmente a tormenta da lugar a calmaria ficamos abraçados, imóveis, nos olhando, isso é estar em paz me dou conta.
─Seus olhos ficam mais claros.
Ele me diz e sorrio, talvez fiquem mesmo, me sinto inteira, feliz e isso não me deixa culpada nem com medo, eu o beijo de leve, afasto seus cabelos, toco sua pele.
─Gosta da cor?
─Gosto, parece que muda quando seu humor muda, vamos ver se podemos mantê-lo sempre assim.
─Quando estamos aqui, mesmo que não seja assim... Quando só estamos juntos, eles ficam claros.
Ele se move, se ajeita na cama pequena, mas me mantem em seus braços, fecho os olhos, Sam ficaria orgulhoso, foi quase uma declaração, o melhor que posso fazer, ele beija o topo da minha cabeça e aquilo é tão gentil, me emociona, me assusta, eu o abraço.
─Com frio?
─Não eu... Eu pensei que as coisas acabam, isso me assustou.
─Não pense então, vamos esquecer isso ao menos aqui.
─Esse é mesmo um bom plano, ao menos aqui.
Acerto minha respiração com a dele, é um bom jeito de relaxar e adormecer.
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