Hell Between Us
5 Capítulo 5 - Lições
Notas iniciais
Pov – Abby
As pessoas se levantam em direção ao trabalho, faço o mesmo, Carol me acena, paro para espera-la, ela sorri.
─Pode me ajudar mais uma vez, preciso de outro corpo.
Aquilo é bem sinistro para dizer o mínimo, mas quem sou eu para reclamar, acho até bonito esse empenho que eles têm em se ajudar, afirmo com um movimento de cabeça e seguimos em direção as grades.
─Não seria uma médica ou algo assim seria? – Ela me pergunta, nego, puxando minha espada quando nos aproximamos.
─Sabendo o quanto estão preocupados com Lori eu já teria dito se fosse.
─Claro, isso é fato, não duvidei nem nada, só pensei em puxar assunto, falar um pouco do passado.
─O passado não importa, não mais não acha Carol? Aposto que tem coisas que não gosta de lembrar.
─Sim, acho que não quero mesmo, como você, como todos.
─Já escolheu? – Pergunto a ela enquanto meia dúzia de zumbis se aglomeravam a nossa frente, os dedos tentando passar pelas grades, sujos, dilacerados em sua maioria, quem eram? O quanto lutaram? Isso deixou de importar há tanto tempo, em algum momento paramos de sentir mesmo pena, agora é só asco, medo.
─Essa! – Ela aponta o zumbi de uma mulher jovem, enfio minha espada em seu olho, um movimento rápido, ela volta suja de sangue enquanto o corpo vai escorregando pelas grades até o chão. – Afaste-os eu recolho o corpo! – Ela sempre quer fazer isso, acho que de algum jeito entendo, é seu modo de assumir a responsabilidade pelo que fez, então uso a espada para atraí-los para longe, batendo nas grades, eles me seguem alucinados pelo barulho, mais um surge saindo da floresta.
Por mim derrubava todos e pronto, mas eles acham que deixar alguns ajuda a manter a segurança, como se fossem cães de guarda, pelo que já percebi um zumbi acaba sempre atraindo o outro, quando se vê é uma horda.
Carol fecha a grade e volto até ela, ela encarava o corpo diante dela, depois me olha, é desconcertante estar diante daquilo, uma massa cinza, de pele viscosa e grosseira, dentes podres numa boca semi aberta.
─Obrigada Abby, eu não queria ter que fazer isso, mas Lori precisa que alguém esteja pronto, pode ser a qualquer momento, estamos bem agora, mas Hershel não tem condições de ajudar.
─Ela vai conseguir, vocês todos vão, são fortes, posso notar.
─Perdemos boas pessoas no caminho Abby, como acho que você perdeu, mas não deixamos de acreditar, devia fazer o mesmo.
─O apocalipse não me tirou nada Carol, não temos a mesma história, mas se não acreditasse não estaria aqui, já teria me deixado morrer há muito tempo.
─Pode ser que esse lugar te conquiste, essas pessoas, pode ser que encontre algo especial aqui, alguém bom.
─Ou pode ser que apenas não encontre, não trabalho com hipóteses, eu apenas sigo em frente, agora que eles caminham se você para, eles te alcançam, então só sigo em frente – Eu aceno – Vou indo, se precisar de algo.
─Obrigada!
Me viro e sigo em direção ao trabalho, a caminhonete estava cheia de corpos para serem queimados do lado de fora, eles decidiam como fazer isso, me junto ao grupo.
─Abby posso ir lá fora ajudar a queimar os corpos? – Sam me pede, ele não sente nenhum constrangimento em se portar como um garotinho na frente de todos, eu não sinto nenhum constrangimento em trata-lo do mesmo modo.
─Fica aqui ajudando na limpeza que eu vou, não luta muito bem com a faca e armas de fogo só atrairiam mais deles.
─Está certo, Daryl a Abby vai com você! – Merda, porque ele não disse que era justamente com o intragável que eu teria que ir? Nos olhamos, nenhum dos dois feliz com isso.
─Vamos de uma vez então, vai levar dias até terminarmos isso, não dá para queimar tudo de uma vez porque chamaria atenção, queimamos os que estão no carro e amanhã faremos o mesmo.
─Estou pronta! – Digo de má vontade.
Seguimos em direção ao carro me sento ao lado dele que sem uma palavra dá partida.
O portão é aberto por Sam que me acena como se eu estivesse saindo em um domingo de sol para um almoço em família, ele é tão irritante que me arranca um sorriso torto, não devolvo o aceno, Daryl dirige por três minutos, um silencio ensurdecedor dentro o carro, quando para salto aliviada.
Não sou de conversa, principalmente quando se trata dele, então vou direto para carroceria, nos olhamos um instante, decidindo como fazer.
─Pega de um lado que eu pego do outro! – Ele avisa, me irrita receber ordens, me irrita mais ainda por vir dele.
─Vai logo com isso, não temos o dia todo! – Ergo os pés do corpo que estava em cima, ele pega as mãos, arrastamos, e então pegamos o outro, depois mais um.
A pilha vai aumentando fora da caminhonete, enquanto carregava os corpos olhava o tempo todo para ver se zumbis não se aproximavam, Daryl fazia o mesmo, faltavam dois corpos quando dois zumbis saem do meio das arvores e caminham em nossa direção, solto o corpo que despenca e quase leva Daryl ao chão.
─Cara quanta estupidez! – Ele reclama quando puxava minhas duas Sai e começava a caminhar, mas paro diante dele.
─Cara? Não tem nenhum cara aqui! – Aquilo me magoa, não gosto que me trate como um homem, não é isso que sou, ele me olha sem entender – Sou uma mulher!
Dou as costas a ele caminhando para os zumbis, a cada segundo só quero mandar tudo para o inferno e cair na estrada, me acostumei a lutar e correr e está na cara que essa merda nunca vai dar certo.
─Pare de se comportar como um cara que eu paro de te tratar como um! – Os zumbis estavam a um metro de mim, mas me dou ao luxo de me virar para encara-lo, ele ergue a besta assustado com a proximidade dos zumbis justo quando dou as costas a eles.
─Vá para o inferno seu babaca! – Me viro, cada espada entra na testa dos zumbis com a sincronia precisa de quem fez aquilo um milhão de vezes, depois voltam as duas ao mesmo tempo, mais um zumbi caminhava, vindo pela direita, eu estou furiosa, precisaria de pelo menos uma dúzia deles para extravasar a irritação, passo a arma com força e rapidezes, a cabeça sobe uns metros enquanto o corpo despenca e chega a seu lado uns segundos depois, então rola uns metros para longe, vou até ela a boca abria e fechava tão desejosa de carne quanto quando ainda tinha um estomago, cravo a espada, giro um segundo, só um pequeno e superficial prazer mórbido, depois caminho de volta.
Daryl está parado com a besta em punho e os olhos fixos em mim, não se dá conta que me mantem em sua mira.
─Se vai atirar essa merda faça de uma vez, se não vamos terminar essa porra e voltar logo.
Ele se dá conta, baixa a besta, ela volta para suas costas e então atiramos os últimos dois corpos, ele pega um galão de combustível, derrama sobre os corpos e acende um fosforo, ateia fogo e damos as costas ao pequeno foco de incêndio controlado.
─Devia parar de me mandar para o inferno, já estamos nele se não notou! – Daryl me diz.
─Vou pensar em algo pior então, obrigada pelo lembrete.
O caminho de volta é tão silencioso quanto a ida, nenhuma única palavra e logo Sam abria o portão sorrindo, eu desço tão rápido quanto um raio, o modo como ele me tratou martelando na minha cabeça, não sabe quem eu sou e o que me custou ficar forte o bastante para sobreviver, detesto aquela arrogância toda que ele tem de achar que sabe quem eu sou.
─Encontrou muitos? – Sam me desperta, olho para ele sem entender o que está dizendo – A espada, as duas tem sangue nelas.
─Não, nada demais Sam, uma bobagem, nem deu para cansar.
─Quando é que você cansa? – Ele ri – A gente pode treinar um pouco agora, quer dizer sei que tem muito trabalho, mas nunca vou ficar pronto sem treino.
─Sam, acaba de salvar meu dia! – Isso seria mesmo bom, limparia minha mente um pouco, era o que precisava. – Vem, está com as facas?
─Aqui! – Ele puxa as duas do coldre com elegância, isso ele aprendeu, passou horas treinando.
─Vem! – Eu o puxo pela camisa, ela fica toda torta, ele logo se arruma. – Garoto vaidoso.
─É o que sempre digo, ela pode estar em qualquer lugar, surgir do nada, tenho que estar apresentável.
─Lá vem você com esse papo de encontrar a garota certa, e se ela já foi devorada?
─Pessimista! – Ele ri. – E se ela está bem perto e nem me dei conta?
─Hum! Senti um fundo de esperança ai, aposto que é a loirinha, como é mesmo o nome dela?
─Beth, é bonita não acha?
─Conversou com ela e se encantou? – Paramos no meio do pátio, ele me olha, os olhos de Sam sempre sorriem, gosto disso nele.
─Não trocamos nenhuma palavra até agora, mas com o tanto de irmãos que ela tem, ando meio com medo.
─Os covardes sempre apanham Sam, de um jeito ou de outro, então se mexe.
─Esquece isso, não começa a me irritar X, vamos treinar.
─Vamos começar treinando como defender suas orelhas no caso de um ataque de Sai! – Ele ri.
─Olha ai você querendo me arrancar orelhas, vamos o que vai ser hoje?
─Bom, sabe como segura-las firme, tem que pensar que não é só a boca, essa é um perigo, mas um arranhão já pode acabar com tudo, então tem que se preocupar com isso.
─Você também devia, fica com esses seus shorts ai e depois o Daryl fica lá querendo saber se eu e você temos coisas...
─Cala boca Sam! Ele não tem esse tipo de interesse, felizmente.
─Tem sim! – Sam ri – A questão é se você tem?
─A questão é, ouvir é importante para você?
─Parei! – Ele ergue as mãos se rendendo.
─Você tem que limpar a mente Sam, não pode pensar em nada além de um jeito de vencer.
Caminho para ele, seguro seus braços junto ao ombro, ele me olha, toda vez é igual, fica sem reação, não sabe como se livrar.
─Vou te morder garoto, não vai usar suas facas? Tem pernas, força física, faça algo, a Beth vai ficar decepcionada.
Sam me empurra usando a força do corpo, depois ergue a faca da mão direita, sorrimos os dois.
─Viu, começo a achar a loirinha cheia de irmãos boa influência.
─Quase te matei X, melhor não me provocar.
─Sam, não precisa matar todos, só precisa abrir espaço para correr, ou puxar alguém, pode empurra-los, chutar para longe, pisar...
─Nem pensar, esse negócio de esmagar pisando na cabeça como você eu não faço.
─Então seja mordido, o que eu tenho com isso?
─É nojento Abby, mas se tiver que fazer eu faço, juro, feliz?
─Muito, talvez de uma festa para comemorar.
Continuamos o treino, esqueço de todo o resto, fico ali, avançando sobre ele, sendo rebatida, mostro movimentos que ele repete, as vezes certo, outras errado, não sei quanto tempo ficamos ali, mas no fim estamos muito cansados, ofegantes e me sinto mais calma.
Me viro para seguirmos para dentro, meus olhos caem direto nos dele, me aprisionam como de costume, não sei quanto tempo estava ali nos olhando, mas ele não faz nenhum movimento para negar que estava nos observando, não desvia os olhos de mim, não se move, não me liberta.
Felizmente Sam tem a sensibilidade de um rinoceronte e me puxa pelo braço quando não respondo ao que quer que ele estivesse dizendo.
─Em X, agora estou pronto? – Eu o olho, penso um instante, do que afinal aquele garoto está falando?
─Não! – Seja lá o que for a resposta é não, ele resmunga qualquer coisa e seguimos para dentro.
─Mulher você é mesmo boa nessa coisa com facas e espadas, acho que quero umas aulas também.
─Acho que você não precisa Maggie, já lutamos juntas e o que vi foi alguém completamente pronta. – Ela sorri de modo amplo, Maggie tem esse sorriso largo que faz tudo parecer melhor do que realmente é.
─Acho que deve ser um elogio! – Ela diz feliz.
─E seu pai, como está?
─Bem, ele é durão, vai sobreviver e vamos dar um jeito, é só isso que fazemos não é, ir dando um jeito?
─Parece que sim, mas acho que pode melhorar agora.
Sigo para um banho, depois me junto ao resto deles que começavam a comer, escuto o barulho das grades sendo fechadas, dói na alma ouvir aquilo, detesto as memórias que me trazem, estão todos no chão, sentados em volta de algumas velas.
─Abby! – Rick me estende o molho de chaves – Como o combinado, elas são suas de noite quando trancamos tudo.
─Obrigada! – Ele caminha para perto de Carl que olhava para lugar nenhum, prendo as chaves junto ao coldre com minha pistola.
Sam se senta comigo, comia milho enlatado e macarrão cozido, ele me entrega o outro prato que carregava e meus olhos procuram Beth, ela estava ao lado de Carol, olho para Sam que fica sem graça, sorrimos.
─Porque não vai lá?
─Porque ainda não sabemos se quer mesmo ficar e se resolver partir não quero que nada me segure aqui.
─Sam...
─Sou um carrapato Abby, você bem disse, estamos juntos nessa droga de fim de mundo, não pode se livrar de mim por mais que queira.
E eu queria, porque já perdi tudo que tinha para perder e não tem mais nada aqui que não seja a dor e o esgotamento, mas ele não deixa que me livre dele, e vai ficando, sempre ali, me fazendo ficar forte para mantê-lo de pé.
Acho que essa gente pode ajudar, não tenho mesmo nada, então posso fazer isso por ele, dar uma chance ao garoto.
─Então vá Sam, não vamos a lugar nenhum.
Ele sorri, me dá um leve empurrão com o ombro, eu o empurro de volta, depois me levanto e sigo para cama, não me despeço de ninguém, pela manhã vão estar todos lá.
Apago de imediato, pela manhã quando desço não encontro ninguém ali, estavam todos ocupados no trabalho, caminho para encontra-los.
─Abby! – Hershel me chama quando passava na porta de sua cela, sorrio quando entro na cela.
─Precisa de algo, quer que chame alguém?
─Não, apenas gostaria de sentar um instante, pode me ajudar?
─Sim! – Eu o ajudo e ele se senta, apoio um travesseiro em suas costas.
─Isso dói como o demônio em chamas! – Ele diz aponta a garrafa de água e eu entrego a ele.
─Imagino que sim.
─É bom não ter que fingir que está tudo bem, que bom que com você posso gemer de dor.
─Á vontade! – Digo de pé olhando para a porta.
─Louca para fugir!
─Não, eu apenas preciso ajudar.
─Vai ficar, dar uma chance a nós?
─Sim, estou aqui não é? Vou ficar.
─Mas estava na dúvida.
─Como sabe?
─Perdi a perna, a minha audição melhorou! – Ele diz rindo.
─A perna Hershel, não ficou cego.
─É a mesma coisa, mas no fim vai ficar mesmo, o grupo precisa de você.
─Tem muita gente forte aqui, capaz de matar zumbis, eu não acho que seja assim importante, mas vou ficar, o Sam gosta daqui.
─Não estou falando de matar essas coisas, digo que precisamos de você porque é forte, justa, honrada, foi muito bom termos nos encontrado.
─Obrigada, acho que está exagerando, só quero mesmo salvar o Sam, essa coisa de justiça e honra eu deixo para o cinema!
─Pois eu acho que pode salvar alguém que precisa mais do que o seu garoto, mas isso ainda vai ver com seus próprios olhos.
─Hershel eu não curto muito essa coisa de guru de barba branca e metáforas!
Hershel não se ofende, pelo contrário, ri com gosto, me deixa um pouco irritada, mas então Beth entra, vê o pai feliz e abre um largo sorriso, acabo me acalmando, ela se senta com ele, segura sua mão e eu aproveito para fugir dali, não quero ninguém me analisando, sou quem sou e é isso, estou aqui pelo Sam e só para isso.
Sou eu quem dou as lições e elas se restringem a como se defender dos mortos, dos vivos só sei me esconder e não quero aprender mais do que isso.
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