Hell Between Us

6 Capítulo 6 - Morte e vida


Notas iniciais
Olá pessoas! Esse é para a THAATY!!!!! OBRIGADA! acabo de receber sua recomendação, não se cansa de ser linda e perfeita? Adorei sua recomendação! Essa dupla vai longe! Sua linda, faz capa, recomenda, nunca consigo agradecer o bastante o carinho de vocês comigo, parece que sempre é pouco. Obrigada!

Pov – Daryl

Estamos há uma semana nesse lugar, trabalhando dia e noite para deixa-lo habitável, e cada dia parece mais seguro e garantido, poucos zumbis no entorno, a floresta para caçar quando as coisas aqui estiverem em ordem.

Hershel está melhor, ainda não saiu da cama, mas o velho é forte e logo vai estar por ia com aquele olhar que nos atravessa, não que dê a ele muita chance para usá-lo comigo, não dou muita chance para ninguém na verdade, são minha família, uma família muito diferente da que tive, mas nem isso é o bastante para me fazer ficar rindo por ai de papo com todos.

Abby caminha com seu shorts jeans, suas botas e aquele ar de rainha do novo mundo, faço um esforço para desviar meus olhos dos dela, sempre que eles se encontram fico preso ali e é constrangedor e ridículo.

Não consigo esquecer dela ensinando Sam a se defender, da elegância dos seus movimentos, da precisão e leveza, de como ela é aberta a ele, de como o garoto tem livre acesso enquanto o resto de nós parece não ter qualquer importância para ela, que se dane, não quero ser importante para ninguém, quanto mais para a intragável Abby e suas espadas em forma de x.

Rick entrega as chaves da prisão toda noite para ela, não entendo isso, porque ela faz tanta questão de ficar com elas, porque Rick cedeu tão rápido, queria perguntar, mas acontece que não quero ninguém pensando que estou interessado naquela mulher, já baste eu ter essa maldita impressão noite e dia, com aquele rosto invadindo minha mente antes de dormir ou quando acordo sem autorização ou piedade, não gostamos um do outro, isso é tudo.

Ela me acusou de ter tratado ela como um cara, não me lembro de ter feito isso, não sou todo sensível como o Glenn, não vou tratar a garota feito uma princesinha se ela se comporta feito o demônio de shorts só para me atormentar.

O dia mal começou, mas sei que vai ser longo e duro como todos os outros, seguimos para os pátios, ainda tem corpos para queimar, coisas para arrumar, tanto a ser feito que me sinto animado, não gosto de ficar parado, isso me faz pensar em como as coisas são agora e detesto me lembrar disso.

─Vamos trazer os carros para dentro, e queimar os corpos lá em baixo.

Rick diz enquanto caminhamos para o trabalho.

─Cadê o Glenn e a Maggie, eles bem podiam ajudar. – Carol pergunta, Abby olha para a torre, o casal está lá desde ontem e quem pode culpa-los por isso?

─Estão na torre de vigia! – Aviso a Rick.

─Eles não estavam lá ontem à noite? – O inocente xerife pergunta.

─Glenn! Maggie! Glenn! – Grito por eles e Glenn surge abotoando as calças, todos rimos, até Abby arrisca um sorriso, posso notar – Vocês não vêm? Precisamos de ajuda.

─Tá! Estamos indo! – Glenn responde com Maggie logo atrás dele, rimos mais uma vez e voltamos ao trabalho, mas então os presos surgem, sabia que não aguentariam muito tempo ali.

Querem ficar, entendo isso, por mim eu os aceitaria, passei minha vida com gente como eles, mas temos mulheres entre nós, nunca se sabe e Rick é irredutível, ou ficam do lado deles, ou vão embora.

T-Dog quer argumentar e posso entender isso, de todos ele é talvez quem tem de algum jeito a história meias próxima a minha, vem dos guetos como eu, das ruas e seus códigos de honra.

Axel me dá pena, não acho muito digno o cara ficar ali se humilhando implorando, até Oscar se irrita, acho que se envergonha da submissão do amigo, eles decidem partir, ganhar o mundo e acho que é assim que tem que ser, que tentem a sorte lá fora como todo mundo que está aqui, Abby o tempo todo está com sua espada em punho, seu jeito ameaçador inibe os dois, mas acho que é só sua proteção, intimida por que no fundo é ela que está com medo.

Levo a moto para dentro com Axel fazendo de tudo para nos convencer, humilhante! Depois saímos eu, Rick e Glenn, Abby se envolve no pátio ajudando a levar os carros e deixá-los de modo que facilitasse uma saída repentina e não chamasse tanta atenção para a prisão, nunca estamos confiantes o bastante, Sam que agora eu entendo, não é seu cachorrinho, mas seu fiel escudeiro está lá dentro paparicando Beth.

Recolhemos madeira, quando estávamos voltando vejo Hershel dar seus primeiros passos apoiado em muletas, o velho é uma muralha de força e dignidade.

─Olhem aquilo! – Rick e Glenn soltam as madeiras no chão, ficamos os três ali, sorrindo e admirando a esperança se erguer em cabelos brancos e barba longa.

─Ele é duro na queda! – Glenn diz orgulhoso. – Mandou bem Hershel! – Ele grita.

─Comemora baixo! – Aviso apontando os zumbis que caminhavam em direção as nossas cercas convidados pelo barulho.

─Cara a gente não pode ter um dia bom? – Não, os dias bons se foram, agora são só dias e mais nada.

Ficamos todos em silencio, tudo paralisa por um instante quase perfeito de leveza, esperança e talvez alguma fé, ele conseguiu, pode dar certo, podemos vencer.

Meus olhos procuram por ela, Abby, ela está parada, olhando para ele assim como nós, os olhos brilham posso notar mesmo tão distante, tem um quase sorriso no rosto, mas então a expressão fica grave, o sorriso some e ela puxa as espadas num movimento elegante que denota problemas a vista, é estranho saber tanto sobre ela quando mal nos conhecemos, mas estranho ainda pensar nisso num momento como esse.

─Zumbis! – Ela grita junto com Carl e eles começam a ficar cercados por corpos caminhantes que não sei de onde vem, corremos, corremos feito loucos com Rick gritando por Lori e Carl, Maggie atirando, Lori também, Abby cortando zumbis, mais em perigo que os outros porque nesse ponto ela parece simplesmente não ter medo.

─Sai daqui Sam! – Escuto seus gritos, o desespero de todos e todos aqueles portões trancados, correntes e a droga da chave com Glenn uma correria sem freios, uma irritação de não poder fazer nada, acabamos por soltar os presos que se aproximam junto conosco.

─Onde estão todos? – Rick pergunta a Beth e Hershel fechados entre grades e a entrada do bloco – Cadê a Lori e o Carl?

─Abby ajudou, Lori entrou com Maggie e Carl, Sam está com eles, Abby e Carol entraram também pela outra porta com o T.

─O que aconteceu?

─Os portões estavam abertos!

Olhamos os presos depois de limparmos o pátio com meia dúzia de zumbis.

─As correntes não quebraram sozinhas, meteram um machado. Acha que foram eles? – Glenn questiona.

─Quem mais?

Estamos sem direção, precisamos achar todos, limpar mais uma vez o lugar, então como se toda essa merda não fosse o bastante, os alarmes disparam, o som chamaria zumbis de todo maldito condado.

─Só pode ser brincadeira! – Aquilo não para de piorar.

Oscar explica o funcionamento dos alarmes, Rick o arrasta conosco em direção aos blocos, temos que achar a droga dos geradores e desligar aquele maldito sino que só faz anunciar aos zumbis que o jantar está servido e hoje é um banquete de desesperados perdedores.

Tem zumbis para todo lado no nosso bloco, alguém abriu tudo e eles invadiram a porra toda, nem sinal de Lori ou qualquer outro, penso em Abby, a mulher é maluca, vai se matar lá dentro tentando salvar o garoto.

─Alguém está brincando com a gente! – Rick grita. – Vamos nos dividir e quem achar o gerador desliga tudo, temos que achar os outros.

O lugar está um inferno, o som deixa os zumbis num frenezi que é impossível de conter, achamos a sala, eu, Rick e Oscar, prendo a porta enquanto Oscar vai ajudar Rick, mas eles forçam, sinto uma confusão atrás de mim, uma luta entre Rick e mais alguém, meus pés escorregam por conta da porra do piso, é impossível conte-lo e deixo que a porta se abra, acerto uma flecha, depois uso a faca para pegar mais um e consigo fechar a porta, quando chego Rick e Andrew estão de mãos erguidas enquanto Oscar aponta a arma de Rick, eu pego a faca, caminho devagar.

─Acerta ele, vamos pegar a prisão de volta! – Andrew pede e me faz lembrar de Abby duvidando da morte dos presos, devia ter lhe dado ouvidos, mas não dei e ele está de volta – O que está esperando?

Oscar atira e Andrew cai, fico aliviado, e quando o som enlouquecedor dos alarmas cessa quase me acalmo, agora era reunir o grupo e tomar o lugar mais uma vez, podemos fazer isso.

─Vamos! – Não dá tempo de pensar muito.

Seguimos em silencio, caminhando pelos corredores com nossas lanternas, uns instantes depois Axel e Glenn surgem, nos juntamos em silencio, caminhando juntos, virando os corredores devagar, com medo do que viria.

Paramos todos antes de virar um corredor, ouvimos sons e gemidos e ficamos atentos, olhamos e eu realmente fico paralisado, Abby está sozinha, a sua volta corpos dilacerados, ela está toda suja de sangue, mas não para, passa uma das espadas no pescoço de um, a outra decepa apenas parte de uma cabeça, os corpos vão caindo a sua volta e então acabou, ela para com as espadas em ângulo agudo, se vira em nossa direção quando percebe a presença de cinco homens boquiabertos, o peito sobe e desce rápido pelo cansaço é a mulher mais bonita que já vi.

Pov – Abby

O dia estava vivo, claro e esperançoso, em dias assim sempre fico em alerta, eles costumam acabar em sangue e morte, ao menos desde que o vírus se instalou dentro de todos nós sorrateiro.

E dessa vez não é diferente, no momento em que a esperança se derrama sobre todos diante dos passos de Hershel o inferno abre mais uma fresta, o demônio tem seus requintes, não basta vir nos buscar, ele gosta de entradas triunfais, com coros de gritos e tiros ecoando, se diverte com o desespero de pedidos de socorro.

Grito avisando sobre os zumbis, começo a fazer o que a vida me ensinou, eu mato zumbis, faço isso desde o tempo que eles se disfarçavam dentro dos corpos de vivos, quando ainda não era preciso morrer para que viessem à tona.

Os portões foram abertos, alguém brinca com nossas vidas como se não fossem importantes e talvez não sejam. Grito para Sam, exijo que se proteja, Hershel e Beth se trancam, vamos ficando cercados, parte do grupo está do outro lado das grades e tem dificuldades para chegar até nós, Lori vai ter um bebê, precisa de proteção.

Vou derrubando os zumbis e ajudando Maggie a abrir caminho para ela e Carl, Sam segue com eles para dentro do bloco, eu pretendia fazer o mesmo, mas então vejo T-Dog lutando com um portão aberto, tento correr até ele, mas um zumbi o morde, ele derruba o zumbi, Carol está próxima, derrubo mais dois zumbis e com T-Dog e Carol entramos para os corredores escuros da prisão.

─Sam! – Preciso achar o garoto, ele ainda não está pronto – Sam!

─Eles devem estar no nosso bloco! Vamos!

─Foi mordido, precisa de...

─De nada, vou levar a Carol, deixa-la em segurança.

Vamos caminhando, eu vou na frente, T vai junto com Carol, zumbis se aproximam, são quatro e paro para pega-los, não dá tempo de ficar mudando de caminho, as pessoas estão por ai, perdidas, Lori pode ter o bebê a qualquer momento, derrubo os quatro, o último preciso chutar quando sinto sua mão a um centímetro de mim, mas então acabou.

─Vamos! – Olho para trás e estou sozinha – Merda!

Eles fugiram, isso é uma merda, tento voltar, não encontro sinal de T ou Carol, ele não vai aguentar muito, Carol vai acabar sozinha aqui, ela precisa de ajuda para pegar uma porra de um zumbi na maldita cerca, claro que não pode ficar aqui em baixo sozinha.

Vou virando corredores, voltando algumas vezes, o som do alarme me deixando confusa, então acabo de novo em nosso bloco, agora tem corpos espalhados pelo chão, nada de Sam, Carol, Lori, ninguém, não posso ficar parada, volto para as profundezas da prisão, Sam precisa ficar vivo.

Agora sem alarme as coisas ficam melhores, alguém deve ter conseguido desliga-lo, não sou a única pessoa viva nessa droga, não quero ser, não quero ser a única mais uma vez, eu não consigo mais.

Acerto um zumbi com uma das espadas, tropeço nele, e me enrosco, quando fico de pé um grupo de zumbis vinha de um lado, me viro, mas outros caminhavam.

─É isso, se querem brincar estou dentro! – Digo puxando o ar com força, soltando lentamente, limpando a mente, agora não existe mais nada, apenas meus alvos, firmo os punhos, respiro mais uma vez, mantenho o foco, os sentidos todos em alerta, eu sou dona do meu destino, não me rendo sem uma boa briga, não me encolho mais choramingando, agora eu bato.

Vou derrubando um por um, sentindo o sangue espirrar em minhas roupas, bater nas paredes e lambuzar o chão, a morte em seu mais sublime bailar, então acabou, sou de novo apenas eu ali e o silencio que vem depois disso, mas escuto passos me viro e ele está lá, de pé, paralisado a me encarar, aprisiona meus olhos mais uma vez, perplexo e confuso com o que assistiu, não sabe lidar com o fato de que não preciso de sua besta a me manter viva.

─Viram o Sam? – Pergunto com medo do que vem depois, eles negam sem se mover, afirmo com a cabeça – Vou continuar procurando ─ Dou um passo por entre os corpos, num segundo Daryl está ao meu lado, me segura pelo braço, nunca preciso olhar para saber, conheço seu toque como se tivesse um registro especial sobre ele em meu cérebro, uma memória de outras vidas.

─Vem, vamos fazer isso juntos, vamos encontrar todo mundo.

Sigo com eles e encontramos o corpo de T-Dog, é tudo silencio por mais um instante, os zumbis que o devoravam estão agora mortos pelas balas de Rick, Daryl se abaixa, o lenço de Carol, eles não deviam ter se afastado de mim.

Sinto raiva, detesto perder, detesto que eles sempre vencem, que estão sempre arrastando alguém com eles, que ser forte nunca é o bastante.

─Vamos! – Rick convida a deixar as tumbas, não me movo, não saio sem o Sam, não deixaria o garoto ali dentro.

─Vamos apenas saber se está lá fora Abby! – Glenn convida.

Posso fazer isso, sigo com eles, lá fora só Hershel e Beth no mesmo lugar, perguntando sobre sobreviventes, tem sempre alguém questionando isso, quem viveu, quem sucumbiu, tem sempre alguém que acaba na boca faminta de um mensageiro do inferno.

Vou voltar para dentro com ele, cheia de uma fé que nem sabia existir, mas o ambiente muda, a primeira coisa que escuto é o choro de um bebê, demoro a compreender, me viro e Maggie saia carregando uma criança, ao seu lado vinha Carl com a arma em punho, os dois choravam e sinto pela primeira vez minhas pernas falharem, um medo me domina de modo completo, como quando tinha quinze anos e era só uma menina tola construindo castelos de areia.

Quando sinto que não posso mais me manter de pé, Sam surge com as mãos sujas de sangue e o rosto coberto por lágrimas, meu coração volta a bater, ele para ao meu lado e adoraria ameaça-lo com a retirada de uma orelha, mas tem algo grande acontecendo aqui, a maior de todas as perdas, Lori, mães deviam ser sagradas, as mães não deviam morrer e deixar seus bebês indefesos e sozinhos.

Rick chora, Maggie também, a tristeza daquele momento quase pode ser tocada, não importa o quanto lutemos, sempre acaba assim, por isso ninguém mais entra, por isso é só a velha dor que conheço, a que me acostumei a carregar, Glenn abraça Maggie, esse é outro jeito de passar por isso, dividindo o peso, mas não sei fazer isso.

O bebê chora num lamento angustiante, me arrebata, domina meus sentidos e não posso fazer nada se não me render a ele e tudo que representa, é a vida forçando seu espaço, Deus nos pedindo para continuar a luta, é hora de fazer uma escolha, em que mundo quero viver, é entre vida e morte, escolho a vida, aquela criança acaba de vencer o demônio, posso fazer o mesmo.

Notas finais
Espero que tenham gostado, o próximo só posso postar na segunda de noite, desculpem! Sabem que de fim de semana as coisas sempre ficam confusas para mim. Obrigada!!!!