Hell Between Us

29 Capítulo 29 - Visita


Notas iniciais
Oieee! Todos bem? Mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Abby

─Eu estava lá Abby, você sabia disso, que eu estava perto e de olho, tinha o cara em minha mira, se precipitou e não precisava, podia ter sido fatal.

Ele me diz e sei que ficou meio magoado porque me defendi sozinha, mas porque as pessoas não entendem o meu lado? O quanto tudo isso é difícil para mim? Porque tenho sempre que ficar me abrindo e explicando o tempo todo, quando ele mesmo nunca me diz nada sobre si?

─Não costumava ter gente lá nas horas difíceis Daryl, não estou acostumada com isso, não pensei que podia ter ajuda, quando algo está ruim para mim eu faço o que tenho que fazer, não peço socorro, não pensei em você na hora, só o que vi foi um homem armado me atacando e me defendi.

─Pode ao menos tentar mudar isso, se lembrar que alguém pode vir em seu socorro num momento assim? Que eu posso estar a caminho?

─Posso, se fosse ao contrário...

─Eu teria te esperado, estou acostumado a andar em grupo e contar com as pessoas, não foi sempre assim, mas agora é e aprendi.

E quer que eu aprenda também, não sei até onde posso ir com isso, tenho medo de esticar demais a corda e ela se arrebentar, tenho medo de acreditar cem por cento e acabar ferida, mais uma vez ferida, suspiro, gosto de me encostar nele e ficar sentindo seu peito subir e descer enquanto respira, tento me mover para fazer isso, a perna dói feito o inferno e desisto com uma careta, mas nenhum gemido, detesto a ideia de me sentir frágil.

─Que foi?

─Ia me virar para olhar para você, mas não dá, a perna incomoda.

─Dói você quer dizer! – Ele diz quando se move e fica de lado, apoia a cabeça na mão e fica me observando, dou de ombros, não quero admitir que sim, que dói, que o cheiro das ataduras e do iodo me lembra a enfermaria, que me machuca mais que o tiro e que tudo que queria no momento era me enrolar nele e ter uma crise de choro como quando vivia no reformatório.

─Logo estou de pé! – Digo sem olhar para ele, seus olhos sempre veem fundo em mim e quero me esconder um pouco.

─Uma vez quando ficamos na fazenda do Hershel, eu estava procurando por Sophia, sabe quem é?

─Sim, a filha da Carol que saiu do celeiro, eu sei – Evito a palavra zumbi, Beth já me disse que isso marcou muito Daryl.

─Bom, rolei um barranco, uma das minhas flechas atravessou meu abdômen, e fiquei bem mal, quando estava voltando, todo arrebentado, Andrea, você a viu.

─Sim, eu sei, a garota do Governador.

─Ela mesma, ela achou que eu era um zumbi e atirou em mim, pegou de raspão – Ele ergue os cabelos e vejo uma pequena cicatriz na têmpora, toco, sempre toco nele, nunca resisto muito tempo. – Fiquei bem mal, num quarto da fazenda me recuperando, sozinho e furioso, detestando precisar das pessoas, me sentindo inútil, Carol me levava comida e tentou cuidar de mim, mas eu era bem difícil.

─Aposto que ela tentou! – Não resisto a um tom de crítica, ele ergue uma sobrancelha, não esperava minha reação e se for honesta eu também não, me sinto ridícula e me calo.

─O que quero dizer é que sei que não é fácil precisar de ajuda, somos parecidos, mas precisa agora e não tem porque fingir que não.

─Achei que estava morrendo. – Conto, não sei porque, apenas deixo as palavras livres – Que bom que estava lá, que cuidou de tudo, eu... Foi bom, foi importante.

─Bom se o cara não tivesse chegado eu teria que carregar o cervo de qualquer modo, não foi muito diferente! – Ele brinca e sorrio.

─De novo essa comparação, não sei, acho que peso menos, era um cervo adulto!

─Acredite, não é nem um pouco leve.

─Sabe Dixon, mesmo num apocalipse, garotas não gostam de ser chamadas de gordas.

─Não tem nada errado com seu corpo, muito pelo contrário! – Seus olhos me devoram e meu coração dispara. – Está mais corada! – Escondo o riso, aquilo foi bem inocente, estou ardendo por ele mesmo no meio dessa confusão de dor e medo, como podia não estar corada? ─ Do que está rindo?

─Nada! – Me apresso – Eu me sinto melhor, só isso.

Ele afasta meus cabelos, acho que faz isso só para me tocar. A mão quando faz isso sempre desliza por meu rosto e gosto, queria que fosse mais explícito, que ele só me fizesse um carinho como eu as vezes faço, mas Daryl não está tantos passos a minha frente como quer parecer e sei que não sabe como fazer isso.

─Que bom! – Ele sorri, não um sorriso largo, quase não o vejo fazer isso, é um sorriso meio guardado, os olhos parecem sorrir mais, a expressão apenas suaviza e isso é o que de mais perto ele chega de sorrir, mas o fato é que o deixa muito mais bonito – Se te beijar acha que...

─Não! – Que ideia, tomei um tiro na perna, porque doeria se ele me beijasse?

Daryl toma meus lábios finalmente, passo meus braços por seu ombro, adoro aquilo, achei que ia morrer e agora estou realmente viva e em seus braços, isso é como renascer, é um longo beijo, me envolve, me faz querer mais e o puxo mais para perto, ele esbarra em minha perna e vejo estrelas, Daryl se afasta.

─Desculpe! – Ele diz preocupado – Te machuquei?

─Não, foi um babaca na floresta que atirou em mim! – Quero mais daquilo, não quero parar isso e já que estamos assim, perto um do outro e sozinhos eu volto a beija-lo.

Depois ficamos ali, trocando alguns beijos, nos olhando, se estamos sozinhos ele sempre fica mais gentil, eu também fico diferente, é meio da tarde já, sinto fome, queria um banho, trocar aquela roupa e me sentar um pouco, o Sam bem que podia aparecer para me ajudar.

─Acho que vou te deixar dormir um pouco e descer para ajudar.

Afirmo, não vou obriga-lo a ficar comigo, mas bem que preferia que ele ficasse aqui, sozinha já sei para onde minha mente viaja.

Daryl se levanta, pega a besta encostada na parede.

─Pode chamar o Sam, por favor? – Preciso muito comer, e me ajeitar, ele me fuzila com o olhar, me assusta um pouco, o que foi que fiz de errado? Me pergunto olhando para ele.

─Para que quer o Sam?

─Comer, me ajeitar um pouco – Respondo meio sem jeito, mais pelo tom severo em sua pergunta que por vontade de informa-lo.

─E passou quase a tarde toda com um estranho, agora precisa de alguém próximo para te ajudar – Ele tem um tom tão pesado na voz que me machuca, magoa, hoje não é um bom dia para ser confrontada – Estamos juntos nessa ou não Abby? Porque eu não entendo o que é isso.

Ele aponta de mim para ele, não sei porque ficou tão bravo, nunca sei porque ele explode as vezes, e porque isso sempre recai sobre mim?

─Você não é um estranho, eu só... eu não sei, eu... Você disse que não tinha a gente, você, não eu, eu passei por cima de um monte de coisas e fui na torre dizer que queria que tivesse a gente, você não disse que tinha.

─Inferno mulher eu não disse? Eu não te deixei sair de lá, o que queria, palavras?

─Não sei ler mentes Daryl, sim, eu queria palavras, você me acusa o tempo todo, mas eu me esforço, estou tentando, disse que faria bobagem, que uma hora seria a gota d’agua para você.

Odeio ficar assim, deitada, sem conseguir me mover enquanto ele fica ali, dominando todo ambiente com seu andar e gestos, me sinto ainda mais indefesa, fraca e odeio isso.

─Então quer palavras? Não é a maldita gota d’agua, não está sozinha, estamos juntos e eu não vou disputar você com aquele garoto!

E agora a prisão toda sabe disso porque ele não consegue controlar essa raiva que vem e o domina algumas vezes, ele me encara ali, muda e confusa, tira a besta das costas, encosta de novo na parede.

─Vou buscar algo para você comer.

Assim, do nada, o tom muda, ainda é aquela voz rouca, grave, mas o tom é suave e fico perplexa, ele me da as costas e some pelo corredor queria muito saber o que foi aquilo, mas não tenho a menor ideia.

Suspiro, eu nunca consigo entender nem a mim, como vou entender esse homem? Junto minhas forças e me sento, lateja muito, até a ferida fechar realmente será um inferno, mas não acho que essa dor toda vá além de hoje, dor nem é algo que me destrua, eu a conheço bem e posso conviver.

Vasculho a cela, minhas duas sais estão ali, perto da cama, a mochila não está longe e puxo com cuidado e esforço, preciso de uma roupa limpa, olho para a calça, completamente inutilizada, tenho mais uma, mas acho que meu shorts jeans é melhor até fechar essa droga.

Daryl para um pouco na porta quando me vê mexendo na mochila, não sei o que pensa, mas decido esclarecer.

─Quero tomar um banho depois de comer.

Ele me entrega a comida e se encosta na parede, fica me olhando, parece ser uma sopa de ervilha, milho e sei lá mais o que boia naquela agua grossa, não me importo muito, apenas tomo tudo, a fome estava mesmo grande.

─Obrigada!

─Vou te ajudar, vem! – Ele me apoia, fico de pé, me recuso a demonstrar fraqueza, começo a caminhar apoiada nele, três passos e ele resmunga qualquer coisa e me pega no colo – Isso vai demorar uma semana!

Me leva até os chuveiros, me deixa ao lado de um, apoia minhas roupas numa pia, depois me dá as costas, me lembra o Sam correndo de mim, tirar a calça é uma luta, penso em chama-lo uma dezena de vezes, mas desisto, tomo um banho, lavo os cabelos e adoro sentir a agua caindo pelo meu corpo, o curativo molha e o retiro, arde quando lavo, mas pelo menos evita uma futura infecção.

Me seco e quase morro de dor para me vestir, que bela ajuda a dele, jogo a calça no lixo, uma pena, junto minhas coisas e me sinto muito melhor, começo a andar, talvez Hershel tenha a porcaria de uma muleta extra.

Certo, eu sei que ele está no corredor me esperando, é melhor assumir que hoje eu ainda não consigo e pedir ajuda.

─Daryl pode me ajudar aqui? – Digo em voz alta, logo ele surge, vem todo cheio de si, me pega mais uma vez no colo – Daryl eu realmente posso andar, não é para tanto.

─Mas não sou o tipo capaz de esperar seus passos lentos.

Passamos por algumas pessoas que me sorriem, de onde essa gente que quase não conheço tirou que vou ficar por ai sorrindo? Prefiro me encostar nele e fechar os olhos, assim evito a falsidade de sorrir para estranhos.

Ele me põe de volta na cama, respira cansado.

─Já sei, mais pesada que um cervo!

─Muito mais! – Faço uma careta – Eu vou ver como estão as coisas, depois quero conversar um pouco com o Rick, ver se chegamos a uma conclusão sobre o que vamos fazer com o que vimos hoje.

─Tudo bem, vou ficar deitada, talvez eu durma um pouco – Queria pedir a ele que chamasse o Sam, mas não me atrevo, o garoto me abandonou.

Nem cinco minutos depois de ficar sozinha Sam e Beth entram rindo, se sentam no chão de frente para mim.

─Chegamos, a gente estava vindo antes, mas estavam no meio de uma briga! – Sam brinca – E eu que não estou nessa disputa que ele falou, Deus me livre!

─Veio me ver ou rir de mim?

─Os dois!

─Está melhor? Quer alguma coisa? – Beth pergunta – A gente veio antes, estavam namorando, saímos sem que nos vissem, depois voltamos para oferecer ajuda, mas então estavam brigando e achamos melhor esperar o Daryl sair.

─Estou bem, não foi bem uma briga, foi... a gente está se acertando.

Beth e Sam trocam um olhar risonho.

─A gente se acerta com menos gritos! – Sam avisa – Dói?

─Muito! – Beth olha o ferimento.

─Vou fechar para você Abby! – Ela deixa a cela em busca de curativos.

─Sam, pega ali minha pistola! – Ele obedece, me entrega e coloco sob o travesseiro.

─Pensando em matar seu namorado enquanto ele dorme?

─Cala a boca Sam!

─Fiquei com pena dele, ele ficou super assustado, eu também fiquei, achei que ia morrer, mas o Hershel disse que estávamos exagerando.

─Não foi nada, só perdi muito sangue e fiquei meio confusa, mas estou ótima.

─Estou vendo.

─Pega as espadas Sam, põe do meu lado.

─Que coisa Abby, o que pode acontecer aqui com o Daryl em volta de você o tempo todo?

─Só quero estar pronta.

─X, quando melhorar pode ensinar a Beth? – Sam me pergunta quando Beth retorna com curativos.

─Meu pai disse que tudo bem e acho que realmente preciso aprender.

─Claro que posso, começamos amanhã.

─Eu espero se sentir melhor.

─Estou ótima, fecha bem isso para não abrir quando me movimentar, não tenha medo de apertar.

Beth termina o curativo, os dois ficam ali comigo um pouco, me fazendo contar como tudo aconteceu e como chegamos a prisão, depois sinto sono, muito sono e acabo adormecendo no meio de uma conversa.

Acordo de um sono profundo, demoro uns segundos para me lembrar o que está acontecendo, minha perna lateja tanto que mal consigo me mexer, parece que tem um dedo dentro da ferida, mordo o lábio tentando não gemes, abro os olhos, está escurecendo.

─Visita! – Olho para o lado e Selena está lá, encostada na parece me sorrindo com aquele ar cínico que odeio – Esperei que ficasse sozinha o que custou é claro, mas não podia deixar de vir.

─Saia daqui.

─Fiquei preocupada sabe, quem ousaria ferir meu brinquedo preferido?

─Já disse para sair daqui.

─Calma linda, só vim dizer que estou aqui, que sempre vou estar, não consegui resistir, achei que sentiria minha falta.

Selena caminha para perto de mim, fixa os olhos nas espadas, tem medo delas eu sei, mas acha que estou fraca demais para feri-la

─Sabe que todo esse seu jogo é inútil não é? Vou matar você Selena, vou fazer isso em breve.

─Vamos ver, não tenho tanta certeza, talvez em breve você volte a ser a velha Abby de sempre, a patricinha mimada que implora, sabe que quando faz isso eu fico ardendo por você não sabe?

Essa mulher me causa asco, sinto ânsia de vomito só de vê-la, ela se senta a beira da cama, realmente me subestima, toca minha perna, sua mão desliza por minha pele.

─A pele continua de seda, mas claro que agora as pernas estão muito mais torneadas.

Com um movimento rápido pego a pistola sob o travesseiro e miro sua cabeça.

─Você me subestima vadia!

─Mike! – Ela diz em voz alta quando com cuidado se afasta da cama, o garotinho entra tímido – Venha querido, essa é minha querida amiga Abby!

─Oi! – Ele diz, escuto sua voz, mas não olho para ele, ainda aponto a arma para ela, ainda miro sua cabeça.

─Como pode ver eu não te subestimo! – ela ri, trouxe o garoto como escudo, é uma vadia sem qualquer pudor, nada nem ninguém é sagrado para ela.

─Saia garoto, agora mesmo! – Minha voz é fria como gelo, o menino se move para deixar minha cela, mas ela o segura pelo ombro.

─Ele fica, nós ficamos, vamos Abby, porque é tão difícil admitir que sente algo por mim? Eu sei que sim, aposto que pensa em mim.

─Você é doente! Saia daqui.

─Eu era como uma rainha naquele lugar, você me tirou isso, acha que pode reinar na prisão? Acha que vou me conformar?

Eu quero que se dane, odeio essa mulher, odeio como ela pensa que pode me ferir, se ela não se importa de usar o próprio filho para me coagir eu também não vou protege-lo, miro o chão, um metro dos pés de Selena e atiro.

O garoto deixa a cela gritando, ela me olha cheia de fúria quando a arma volta a apontar sua cabeça, então dá meia volta e desaparece pelo corredor.

Uns instantes depois Daryl entra correndo, seguido por Rick e Sam, na porta mais alguns deles.

A arma continua em punho e o braço erguido como se ainda fizesse mira, Daryl se aproxima e tira a arma da minha mão.

─Está bem? Eu a vi saindo daqui, o que ela fez?

─Abby? – Rick me chama, fico imóvel, tentando controlar a raiva.

─X o que ela te fez, porque atirou? – Sam pergunta, eu os escuto todos, apenas não consigo controlar a raiva que me corroí e cala.

─Abby, o que aconteceu? – A voz de Daryl, sua mão segurando a minha que antes carregava uma arma me acalma um pouco.

─Mandei ela sair, disse que não a queria aqui, ela usa aquela criança como escudo, não vou me deixar enredar por esse caminho, dei um susto nela, mirei o chão.

Rick e Daryl trocam um olhar, não me importo com o que aquilo significa, só quero parar de sentir dor, só quero sair dessa maldita cama e acabar com aquela vadia infeliz.

─Ela está bem, melhor deixar que descanse.

Daryl diz e todos vão saindo, Sam é o último, me dirige um olhar solidário e sai de mãos dadas com Beth, então me dou conta que aperto a mão de Daryl, solto no mesmo instante, olho para ele.

Não quero responder a nenhum interrogatório, só quero que me abrace e fique por perto, ele me ajuda a deitar, se deita ao meu lado, me encosto nele, a perna lateja muito, não me importo, que arda até cair, não vou sair daquela posição.

─Aquilo que te pedi na floresta, para cuidar de Sam, pode fazer isso?

─Abby...

─Por favor, isso vai ter um fim Daryl, será eu ou ela, talvez as duas, mas vai acabar.

─Então vai ser ela! – Ele me diz me apertando em seus braços, fecho os olhos, tento buscar algum controle, acalmar o coração e a respiração, aos poucos vou me sentindo melhor, mas não há meio de arrancar dele uma promessa, não queria deixar o Sam desamparado.

─Já estou melhor! – Aviso para deixa-lo despreocupado – Seu grupo me acha uma maluca não é? Devem rezar para eu pegar minhas coisas e sumir daqui.

─Ainda isso? Nosso grupo acha que essa mulher é o problema, nosso grupo se lembra que ajudou a limpar a prisão, nosso grupo se lembra que foi atrás da Maggie e do Glenn, nosso grupo se lembra que ficou e lutou contra o Governador caolho, nosso grupo não quer que vá a droga de lugar nenhum.

─Você não me dá um desconto! – Reclamo, só uma vez na vida ele podia não rebater tudo que digo e só cuidar de mim.

Sou uma garota, gosto de gentileza e cuidados, não sei mostrar isso, dizer isso, mas sinto essa necessidade e não tenho vergonha disso, não quero ser um cara, como ele me chamou uma vez, me lembro disso e ergo a cabeça para olhar para ele.

─Se lembra quando me chamou de cara? – Ele me olha sem entender como fui chegar nisso o que só prova que sou uma garota, garotas deixam a cabeça ir longe e pensam em tudo e fazem isso ao mesmo tempo.

─Essa sua memória é um pouco irritante, a gente teve um começo bem complicado, mas meio que já foi, não devia ficar voltando lá toda hora, eu sei que não é um cara, já sabia naquela época, foi força de expressão, o que afinal quis dizer com isso?

Me encosto nele mais uma vez, não vou prolongar isso, mas a imagem de Selena me tocando volta a minha mente, meus olhos marejam, jurei que ela nunca mais faria isso, tento secar as lagrimas de modo discreto, mas ele nota.

─O que ela fez?

─Ela... essa droga de tiro na perna, me senti um tanto indefesa deitada aqui.

─O que ela fez? – Ele repete a pergunta.

─Tocou minha perna, daquele modo lascivo, eu tinha que expulsa-la daqui.

─Talvez eu mesmo mate aquela maldita! – Ele me diz – Até ficar de pé de novo e poder cortar a cabeça dela não vai mais ficar sozinha aqui.

─Posso me defender dela!

─Pode eu sei, deixa de ser chata! – Rio por entre as lágrimas, olho para ele, a perna doendo e eu sem querer mudar de posição, me dou conta do que sinto por ele, é mais que... é grande... é... meu coração bate assustado, será? Será que amo Daryl Dixon? – Vai ser do meu jeito! – Sorrio de novo e ele me beija, um longo beijo que só comprova que definitivamente eu me apaixonei por esse homem.

Notas finais
Comentem!!!!!!!!! O próximo no domingo! Beijos