Hell Between Us
30 Capítulo 30 - Descoberta
Notas iniciais
Pov – Beth
Abby ficou mesmo transtornada, desço as escadas de volta ao refeitório com a cabeça cheia de coisas, o garotinho passando gritando logo depois do tiro e o rosto lívido de Abby quando entrei em sua cela me deram a dimensão do quão grade isso pode se tornar, e mais do que isso, da importância da informação que guardo e exijo que Sam guarde, isso é mesmo sério, preciso fazer algo.
─Que cara é essa Beth? – Maggie me pergunta quando nos encontramos no refeitório.
─E o Mike?
─Está com a Carol, ela o levou para brincar com as outras crianças, a mãe dele nem para acalmar o garoto, foi para o bloco D e nem ligou para o menino, mulher irritante, Abby devia ter acertado o pé dela, no mínimo, espero que ela não entre mas aqui.
─Acho que ela aprendeu a lição, eu vou até lá fora ficar com o Sam, a Judy está dormindo, se ela chorar...
─Dou uma olhada nela, o Rick já está vindo, acabamos por hoje, já está escurecendo.
─Obrigada – Sorrio para Maggie e sigo ao encontro de Sam, ele olhava as grades pensativo, seguro sua mão, ficamos em silencio porque acho que é isso que ele quer no momento.
─Ela não vai aguentar, Abby não vai conseguir ficar aqui.
─Quer contar a ela sobre o Mike? – pergunto acompanhando seu olhar, o zumbi de uma mulher caminhava sem rumo em torno da prisão, os passos lentos, os cabelos longos e escuros, suja e rasgada, era hipnotizante assistir a morte caminhar, gemer e assombrar os vivos.
─Não. Se contar ela mata a mulher, mas depois as pessoas vão olhar diferente para ela, Abby teve uma vida disso e de algum modo também não vai conseguir ficar.
─Selena vai aprontar alguma e ser expulsa, morta ou mesmo partir, Abby só tem que dar tempo ao tempo.
Me encosto em seu ombro, Sam puxa o ar com força, solta lentamente e sorrio, já vi Abby fazer isso inúmeras vezes, eles cada dia ficam mais parecidos, são como irmãos agora, como eu e Maggie, talvez ainda mais próximos.
─Não sabe o que estamos pedindo a ela, não sabe o que é que exigimos de Abby, o quanto ela tem sido forte por ainda estar aqui, por ainda não ter feito, mas sinto que ela está se quebrando.
─Daryl está com ela agora, ele pode ajudá-la a passar por isso.
─É por ele que ainda estamos aqui Beth, pelo que ela sente, e por você, porque Abby sabe que vou com ela e ela não quer nos separar.
Sorrio, por isso gosto dela, por acreditar em mim, mais do que qualquer outro, por respeitar meus sentimentos e os de Sam, ele passa o braço por meu ombro, envolvo sua cintura.
─Abby tem muita sensibilidade, ela fica se fazendo de durona, mas aos poucos vai revelando sua doçura.
─Isso é algo que pode destruí-la, Abby se protege na máscara de forte e decidida, de fria e até arrogante, mas essa não é ela, acho que o jeito como ela gosta do Daryl está confundido ela, deixando a garota que ela era antes aparecer mais e aquela garota não pode lidar com Selena.
─Entendo.
─Daryl não sabe o que está fazendo, acho que ele ainda mantém um pouco a barreira, ela tenta mais do que ele.
─Acha? – Fico pensando sobre isso, só conheço o Daryl calado e distante, o mais corajoso e prestativo sobrevivente, mas não sei nada dele e tenho visto ele mais leve, a expressão suave, podia até dizer que estava feliz.
─Isso é o que vejo, Abby nunca esteve tão fraca como agora.
─Só por causa da Selena? – Aquilo parece um pouco de exagero, junto as sobrancelhas, olho para ele demonstrando minha incompreensão, Sam me olha um instante, decidindo até onde pode ir.
─No reformatório que a Abby viveu ela sofreu muito.
─Da para ver só de olhar para ela, ela é muito fechada e sempre está na defensiva.
─Beth a Abby sofreu todo tipo de abuso, incluindo... não conta por ai – Faço um movimento negativo com a cabeça, nunca falaria nada – Incluindo abuso sexual, e tudo isso foi praticado por esse monstro, entende o que estamos exigindo da Abby? Que ela more com seu estuprador.
Meu coração quase para de bater por um momento, um interminável momento, imagens monstruosas se formam em minha mente e meu coração se aperta, sinto pena e ao mesmo tempo respeito por sua história, sinto vergonha por ter dado tão pouca importância ao que está acontecendo.
─Isso é... Sam, como podemos permitir isso?
─Vê porque tenho medo, como se não bastasse ela tem esse maldito tiro na perna, fica fraca e dependente e ela odeia isso.
─Daryl sabe disso?
─Sim, ela contou, eu sei que ele gosta dela, está lá agora com ela, vai proteger a Abby, mas acho que ele podia ser mais carinhoso, não exigir tanto dela.
─Você está certo, eu vou falar com ele.
─Ele pode não gostar.
─Daryl e eu temos uma boa amizade, mesmo que ele odeie nunca vai deixar de me ouvir ou me maltratar.
─Sei lá, não sei nada sobre ele, só quero que ela fique bem e que eu possa me sentir em casa, estou sempre com medo de perder você, de um dia ter que dar adeus.
Meus olhos ficam marejados, acho que não consigo dizer adeus a ele, não estava querendo me entregar assim a esse sentimento, perdemos tanto e sempre, mas Sam não me deu escolha, quando me dei conta era tarde para fugir.
─Sam me ajuda a fazer uma coisa?
─O que?
─Enganar Selena, sabe arrogância as vezes cega as pessoas, ela me acha uma tola, todo mundo acha que não fui feita para esse mundo porque sou fisicamente fraca, e por outras coisas, mas posso ser inteligente, posso enganar Selena e fazer ela confiar em mim.
─Ela é perigosa Beth, não é boa ideia.
─Me ajuda, vamos brigar, vou fingir ciúme da Abby, fazer parecer que não gosto dela, quem sabe ela confia em mim?
─Vamos brigar do nada na frente dela? Ela vai perceber.
─Não, vamos brigar escondidos, ela vai ouvir sem querer, ela está lá nos fundos agora, não quero que nos veja, quero que nos ouça.
Eu o puxo pela mão, ele me segue sem muito ânimo, me sinto forte para ajudar Abby, ela defendeu nosso namoro, me ensinou coisas, me prometeu ensinar mais, não me trata como uma criança, me enxerga e quero retribuir.
Sei que Selena está sentada nos fundos do bloco D porque sempre fica lá fumando quando anoitece, a escuridão é bom, faz com que ela fique nas sombras e por isso vai parecer que não a vimos.
─Não adianta me seguir Sam, não quero ficar com você assim, não vê como é humilhante para mim essa sua obsessão por Abby?
─Você está errada, ela é só minha amiga.
─Corre para ela feito um cachorrinho, você e o Daryl, ela manda e desmanda, quer saber, espero que aquela Selena de fim a isso logo.
─Como pode dizer isso, Abby foi legal com você, quer te ensinar a se defender e nos salvou na floresta.
─Uma heroína como sempre, achei uma pena Selena não ter aproveitado que ela estava na pior na cela para dar um jeito nela, estou cansada de tudo, desse lugar, dessas pessoas, de tudo, me tratam como uma tola, quero ser dona da minha vida e quero que fique longe da Abby ou de mim.
─Ela é como minha irmã e eu gosto de você, não pode me pedir isso.
─Me deixa sozinha Sam, quero pensar um pouco, por mim, a Abby morria de uma vez e mais, alguém forte de verdade tomava posse desse lugar.
─Está sendo boba, o que quer começar, uma rebelião?
─Podíamos!
─Não conte comigo! – Ele me dá as costas quando percebe um sinal sutil que faço a ele, me movo uns metros mais para dentro da escuridão, dou de cara com Selena.
─Selena? – Faço a cara mais assustada do mundo – Está ai há muito tempo?
─O bastante.
─Eu e o Sam... não leve a sério o que ouviu, eu não... foi só uma briguinha de namorados.
─Se te tranquiliza eu concordo com tudo que disse, fico feliz de não ser a única a pensar assim.
Ela tinha os olhos ávidos por mais, mas eu seria cautelosa, vamos deixar que pense que não confio nela.
─Mas ninguém me daria ouvidos, é melhor eu ir, não se importe com as minhas palavras, por favor.
─Eu te dou ouvidos Beth, e quem sabe um outro dia não falemos mais sobre isso? Você não está sozinha.
─Eu já vou, não conte que nos ouviu, por favor, eu teria sérios problemas.
─Não se preocupe, pode confiar em mim.
Afirmo e depois corro para longe dela, era assim que me comportaria se quisesse fugir de alguém que não confio, alguém que guarda um segredo meu e que me assusta, lancei a isca, vamos ver como ela reage.
Sigo direto para minha cama, é noite, todos já estão se recolhendo e preciso ter calma, Sam me esperava na escada, aceno, ele sorri aliviado e vai para cama.
Pov – Daryl
Foi um susto, ouvi o tiro e sabia que vinha da minha cela, cheguei a ter a ideia absurda que Abby podia ter cometido uma loucura, quando vi Selena no corredor não sabia se acertava uma flecha em sua testa ou se corria para saber de Abby, saber dela foi mais importante.
Meu coração doeu um pouco quando vi ser transtorno, nem de longe lembrava a guerreira e suas espadas, talvez porque estava pálida e com dor, deitada numa cama, indefesa como nunca pensei que a veria, me senti importante, ela me faz sentir imprescindível, só ela me faz sentir isso.
Ela geme mais uma vez, seu sono confuso, deitada em meu peito cheia de dor posso notar mesmo dormindo, está com o peso do corpo sobre a perna ferida e isso deve pressionar e causar a dor.
─Abby, você precisa se virar para o outro lado.
─Não preciso – Ela me responde sem nem ao menos abrir os olhos.
─Abby, acorda, está com dor, precisa se virar para sair de cima da perna – Tento ser gentil, falo baixo, toco de leve suas costas.
─Quero ficar assim mesmo – Que coisa, ela não consegue acordar, dei dois comprimidos para dor, Hershel disse que um bastava, mas achei que ela estava muito pálida e achei que dois era melhor, agora ela nem consegue abrir os olhos, ela geme de novo.
─Abby, está com dor, vira para a parede! – Ela se vira, resmunga feito a princesinha republicana que sei que mora lá dentro, fica sobre meu braço, apoio a mão em sua cintura para tentar me arrumar.
─Nunca entende o que eu quero! – Ela diz ainda de olhos fechados a voz chorosa que me faz achar graça.
─O que quer? – Ela fica muda – Está acordada?
Abby puxa minha mão que ainda descansava em sua cintura, traz para perto de seu queixo, cola seu corpo ao meu, é como um contorno de mim, se aconchega, fico todo enrolado nela.
Definitivamente está dormindo, nunca faria isso acordada, o fato é que realmente gosto disso, de sentir todo seu corpo de encontro ao meu, de afundar minha cabeça em seus cabelos espalhados pelo travesseiro.
Ela dorme com a cabeça sobre meu outro braço, logo ele vai formigar, depois o sangue vai parar de correr e fico pensando se consigo manejar a besta com um braço só, que se dane, não me importo se Rick tiver que amputar meu braço pela manhã, não vou me mover, é muito bom estar assim, colado a ela, sentindo seu perfume e acompanhando sua respiração suave.
Fico pensando nas coisas que me disse, nessa história de não ser um cara, de dizer que nunca entendo o que quer. O que afinal ela quer? O que espera de mim?
Porque ela não diz, seria tão mais fácil, certo eu também não sou o cara mais articulado do mundo, mas ela... suspiro, ela não é nem um pouco diferente de mim, eu também nunca exponho meus sentimentos, guardo tudo e isso é uma droga. Sem saber muito como resolver tudo isso eu pego no sono, pela manhã ela ainda dormia na mesma posição, nós dois aliás, meu braço dormente, me movo com o máximo de cuidado, ela não acorda, Hershel vai me matar quando souber que dopei Abby.
Merda, eu não devia ter feito isso, mas ela estava com dor e tão abalada, só queria acabar com aquilo logo, não serviu muito, ela teve dor do mesmo jeito, mas arrumamos um novo jeito de dormir e foi bom, não que tê-la dormindo em meu peito seja ruim, na verdade é muito bom.
Deixo Abby dormindo e saio, o grupo estava reunido conversando na frente da cela de Rick, me junto a eles.
Sam me vê e caminha para a escada, seguro seu braço.
─Ela está dormindo Sam, deixe que descanse, está bem, não se preocupe.
─Certo! – Ele aceita e voltamos para a reunião, decidir como vai ser o dia, quem vai fazer o que e o que fazemos sobre as coisas lá fora.
Rick quer sair, fazer uma busca e ter certeza que o tal grupo não está por perto, Hershel e Glenn acham perigoso, deixa o grupo sem proteção, Sasha não quer ser pega desprevenida, mas também não acha boa ideia sair em uma caçada, Michonne está muda, eu pensativo.
─Que acha Daryl? – Rick me questiona, minha mente ainda em Abby, aquela Selena tem grandes planos, isso é meio confuso, quero ir lá fora e cuidar das coisas, esse é meu jeito, mas não quero deixar Abby aqui, acho que Sam é um bom garoto, gosta dela e são como irmãos, mas ele não pode protege-la, nem segura-la.
─Acho que podemos arrumar um meio termo, posso ir lá fora, encontrar o rastro dos caras, ou tentar ao menos, observar se encontra-los, depois decidimos.
─Sozinho? – Rick pergunta sem gostar muito da ideia.
─Michonne pode ir comigo.
─Adoraria, sabem que tenho planos de encontrar o infeliz, é um jeito de fazer os dois.
─Pode ser, mas pensei que poderia ser amanhã, temos um número bom de zumbis nas grades, temos o portão arrebentado que precisa ser terminado, se corremos risco de um ataque fortalecer a prisão é muito mais importante.
Isso me contenta, ficaria mais hoje perto de Abby, amanhã ela vai estar mais forte e mais calma, então vou sair sem preocupação, ao menos não como hoje, melhor seria ela estar bem o bastante para me acompanhar.
Sam sorri, acompanho seu olhar e Abby surge na ponta da escada, os cabelos soltos, usando shorts jeans, camiseta, e aquelas botas de cano longo, as espadas já nas costas, sua pistola no coldre preso a cintura modelada, é a rainha do apocalipse, sua figura é poderosa, principalmente parada ali no alto, nos observando abaixo dela, somos como súditos, mas seu rosto pálido, as pequenas olheiras, o ar abatido, a visível luta contra a dor deixa a rainha adormecida e só enxergo a garota frágil que mora dentro dela.
Abby encara os degraus, depois o grupo, estamos todos meio parados olhando para cima, ela aperta o corrimão com força, sei que dói.
─Daryl pode me ajudar? – Daryl, não Sam, Beth ou qualquer outro, eu, ela me escolheu e não é sobre descer escadas, eu sei, ela sabe, acho que todos aqui já entenderam isso.
Eu não sou um cara, preciso que seja gentil, você nunca entende o que quero. Todas as frases de Abby dançam e minha mente e do nada, com aquele simples pedido de ajuda eu entendo tudo, é a garota me pedindo carinho, não a rainha do apocalipse, é apenas a garota Abby, que passou todo tipo de sofrimentos e que me pede cuidados, eu não faço isso, pressiono o tempo todo e dou muito pouco de volta, ela tenta muito mais que eu.
Caminho em sua direção sem desgrudar de seus olhos, não sei como dar isso a ela, nunca tive nada disso, não aprendi, mas posso tentar, preciso, antes que ela desista de mim, como posso ter sido tão cego sobre o que ela estava o tempo todo querendo me dizer?
Paro diante dela, toco seu ombro, deixo minha mão descer ao longo do seu braço, sinto a pele macia, nossas mãos se encontram e seguro a dela, Abby me olha muda.
─Está melhor? – Pergunto sem soltar sua mão, espero que ela esteja entendendo o que isso significa, ela afirma com a cabeça, muda de surpresa, toco seu rosto, não uso nenhuma desculpa para isso – Ainda está um tanto pálida.
De novo silencio, só os grandes olhos fixos em mim, confusos com minha tentativa de carinho.
─Dopei você ontem.
─Eu sei, conheço aquele remédio, sabia que era muito forte, mas achei que era boa ideia.
─Justo você que gosta de engolir a vida a seco?
─Foi uma emergência – Ela sorri, fica bonita sorrindo, meu coração acelera e compreendo, simplesmente a verdade me atinge em cheio, eu me apaixonei por Abby Coleman.
Nunca tinha acontecido, nunca achei que aconteceria e não tenho a mais leve ideia de como se lida com isso, decido não pensar nisso ainda, ergo Abby em meus braços.
─Não precisa me carregar no colo – Quando termina está no chão, diante do grupo ainda reunido – Obrigada.
─Decidimos que Daryl e Michonne vão tentar rastrear o grupo amanhã, enquanto nós nos preparamos para um possível ataque.
Rick avisa a Abby, ela afirma.
─É um plano razoável, se muitos deixam a prisão ela fica desprotegida, apenas acho que os dois não podem conter um grupo como eu acho que é aquele.
─Não é essa a ideia, vamos apenas observar.
Mich comunica, ela parece aceitar, depois Hershel quer refazer seu curativo, eles seguem para o refeitório e ficamos mais uns minutos acertando as coisas, então Rick quer conversar sobre não tentar nada sozinho, não escuto metade do que ele diz, quero saber se a perna de Abby melhorou, mas prometo não fazer bobagem.
─Preciso que descubra qualquer coisa e volte, sabe que isso é o que precisa fazer.
─Vou estar com a Michonne Rick, não vou arriscar a vida dela a toa, olhamos e voltamos, no caso de encontrarmos o tal grupo, é claro.
Me despeço dele e rumo para o refeitório, Mich e Abby conversavam.
─Sabe que não tem problema eu estar sozinha lá fora com ele não é? – Mich dizia e diminuo o passo, será que tenho que me preocupar com esse tipo de coisa agora? Que Abby pode pensar... Mas que droga, não sei nada disso de relacionamentos. – Ele não é meu tipo.
─A solidão era meu tipo e olha eu aqui no meio de toda essa gente! – Abby diz com a voz cansada – Mas não estou pensando nada samurai.
─Ótimo ninja! – Ela se levanta e me aproximo.
─Como foi? O que o Hershel disse?
─Que eu podia processa-lo por tentativa de homicídio.
─Então seria suicídio, você sabia o que estava tomando, mas é sério o que ele disse?
─Tudo bem! Está como deveria estar.
─Mas teve uma noite difícil, gemeu e disse coisas – Ela me olha assustada, escondo o riso o que tem medo de ter dito?
─O que quer que tenha dito foi efeito do remédio.
─Não se preocupe, não disse nada comprometedor, só resmungou mesmo, não entendi uma palavra.
Estou sendo legal com ela, merecia um agradecimento e ela sorri.
─Vou ficar lá fora com o Sam um pouco, tomar ar.
Eu a ajudo, tenho mesmo que trabalhar um pouco, quanto mais seguro estiver esse lugar melhor. Fico ocupado de um lado para outro toda manhã, vejo ela com Sam, sorri vez por outra, depois com Beth e Judy, nesse caso ela evita o contato com a Bravinha, foge dela, então Sam a ajuda a ir para dentro e odeio não ter feito isso.
Me reúno a ela na hora do almoço, sento a seu lado com um prato, ela tinha um diante dela que não parecia interessa-la.
─Está bem?
─Tudo bem.
─Acho que eu merecia mais do que uma resposta padrão.
─Minha perna não para de latejar, estou irritada por me sentir assim, triste por não poder fazer nada de útil e me sentindo humilhada por depender da bondade alheia para quase tudo e para encerrar desejo desesperadamente matar a vadia, está bom assim?
─A perna vai melhorar, nunca esteve nem perto de ser uma inútil, não depende da bondade de ninguém, as pessoas que te ajudam fazem porque gostam de você, e a vadia como disse terá vida curta, acredite.
─Muito consolador! – Ela empurra o prato para longe, empurro de volta.
─De estomago vazio não vou poder dopar você de noite.
Ela pega o garfo e se obriga a umas garfadas, depois fica ali com o olhar perdido, deve mesmo ser um inferno para ela, só Sam tem livre acesso a Abby, só para ele não há restrições, ficar assistindo os outros solitária deve ser irritante.
─Vamos ficar um pouco na cela! – Eu digo ajudando Abby a ficar de pé, ela não reclama quando a ergo nos braços, sabe que não gosto nada de caminhar naquele passo lento enquanto sei que está sentindo dor.
─Não tem trabalho?
─Não se preocupe, não corro risco de perder o emprego.
Coloco Abby na pequena cama que dividimos, ela sorri quando me deito com ela, fica olhando o estrado da cama decima, me lembro que tenho que demonstrar um pouco de carinho e me sinto um completo idiota por não ter ideia de como se faz isso, caçar e protege-la devia ser o bastante.
Mas gosto quando ela me toca, sorri, ou me olha languida, posso tentar devolver um pouco disso, seguro sua mão.
─Vai tomar cuidado lá fora?
─Vou – Me movo para poder olhar para ela, afasto seus cabelos – Vai se proteger aqui dentro?
─Sim, é o que pretendo, não está nos meus planos atirar no chão novamente.
─Ótimo! – Ela toca meu rosto.
Beijo Abby, sinto falta de poder me entregar mais, sinto falta do sabor de sua pele, de sentir seu calor e ouvir meu nome sussurrado entre seus delírios, ela se cola a mim, sente também, mas acho que ainda não é o momento e a cela no meio do dia é péssima ideia.
─Sinto falta... eu...
─Também sinto, mas podemos esperar mais uns dias.
─Não temos escolha – Ela diz ainda mais corada – O que eu disse dormindo?
─Nada, não se preocupe com isso, você não disse nada.
Volto a beija-la, que se dane tudo, não vou voltar ao trabalho, vou passar a tarde com Abby em meus braços, foi uma grade descoberta hoje, não sei o que fazer com ela, se devia dizer ou se apenas guardo para mim, decido manter a boca fechada, isso vai assusta-la demais e me fazr parecer um idiota, me apaixonei por Abby Coleman, eu a tenho em meus braços e só isso importa agora.
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