Hell Between Us
19 Capítulo 19 - Confissões
Notas iniciais
Pov – Daryl
Forço a visão para ter certeza do que estou vendo, levo uma mão a testa tentando impedir que o reflexo do sol atrapalhe minha visão, porque ela está fazendo isso?
Abby está deixando a prisão, leva sua mochila nas costas, suas espadas e mais nada, é isso mesmo? A garota está indo embora escondida?
Glenn passava por mim carregando umas caixas vindas de Woodbury, eu o puxo pela camisa, ele me olha confuso, de vez em quando o coreano é bem desajeitado.
─Olha! – Aponto, ele aperta os olhos, Abby saia pela última grade, puxa suas espadas, passa pela cabeça de um zumbi e segue em frente.
─Ela sabe se cuidar, deve ter ido dar uma volta.
─Não, ela foi embora, levou a mochila – Digo um tanto urgente, aquilo me tirando do sério.
─Então ela esqueceu o Sam?
─Não Glenn, ela o deixou para trás.
─Daryl ela vive dizendo que a prisão é dela, lutou com a gente, mais de uma vez, porque daria as costas a tudo assim, do nada?
─É isso que vou descobrir, fica de olho em tudo e avisa que fui atrás dela.
─Sério mesmo? Quer dizer, a gente não descansa a sei lá quantos dias, vai sair de novo?
─Parece que sim! – Não tenho tempo a perder, pego uma arma na traseira do carro, minhas flechas e a besta e sigo pelo mesmo caminho que ela, não vai ser difícil encontra-la, ela não espera ser rastreada.
Abby deixou Sam e o garoto vai ficar muito triste, talvez saia atrás dela e pode se meter em encrenca, ela devia ao menos ter se despedido, dito o que tinha em mente, assim daria uma escolha a ele, só por isso vou atrás dela, quero que me diga porque está fazendo isso, não fosse pelo menino eu a deixaria ir e pronto, seria muito melhor para nós dois.
Aquilo me parece uma boa desculpa, talvez meio sem sentido já que nunca troquei mais do que meia dúzia de palavras com Sam e ele realmente não me preocupa, mas é o que tenho para me convencer no momento.
Encontro seu rastro em minutos, ela não só deixa marcas no chão como cabeças e membros, a garota é uma matadora e isso ninguém pode negar.
Da tal princesinha republicana como Merle a chamava a uma matadora de zumbis não deve ter sido um caminho fácil, mas é o que se tornou e também é o que a afasta do restante da humanidade, mas se eu posso viver em grupo ela também pode.
Eu a vejo caminhando muito mais à frente, podia chamar por ela, dizer umas verdades ali mesmo na floresta e voltar para casa, mas não consigo, simplesmente não quero perder a chance de convencer essa mulher complicada a voltar para casa comigo.
Ela parece saber onde vai, tem um caminho especifico que percorre, desde que a rastreei já a vi derrubar cinco zumbis sem sair do caminho, já eu me concentro em desviar deles, fazer silencio e não perder seu rastro.
No meio da manhã, depois de pelo menos duas horas de caminhada ela para na beira do rio, sinto sede só de vê-la formar uma concha com as mãos e beber água, depois ela lava o rosto, a nuca, prende os cabelos, fica uns minutos ali, olha para o nada, parece pensativa, abatida.
Quando penso em seguir até ela, Abby se ergue e volta a caminhar, vou até o rio, me molho um pouco, bebo uns goles de água e volto a segui-la, odeio essa maldita umidade da Geórgia.
Pelo visto ela não vai parar de caminhar antes da Carolina do Sul, estamos agora bem longe de casa, não me reconheço fazendo aquilo, seguindo Abby feito um paspalho, desesperado por um modo de convence-la a voltar comigo, como se dependesse dela para alguma coisa, aquilo é ridículo, eu sou ridículo.
Devia dar meia volta e retornar enquanto ainda acho um modo de chegar em casa antes do anoitecer, mas simplesmente não consigo fazer isso, meu corpo se recusa a obedecer minha razão e sigo em frente.
Quase uma hora depois finalmente ela para, vejo por entre as árvores uma cabana na floresta, é pequena, feita de madeira, fico ali escondido um instante me decidindo o que fazer, mas então um gemido logo atrás de mim resolve a indecisão, acerto o cabo de minha besta na cabeça oca que geme próximo a mim, ele despenca ao meu lado espalhando fluidos podres por minha volta, dou as costas a ele e percorro a distância entre mim e Abby com passos decididos, vim até aqui, não posso simplesmente voltar agora.
Me aproximo e ela está sentada na pequena varanda de madeira, o olhar que por uns segundos pareceu perdido logo demonstra surpresa, mas apenas no olhar, ela não se move, continua sentada no mesmo lugar.
─Está longe de casa caçador.
─Bastante! – Paro em frente a ela nos degraus da pequena varanda, olho em volta, deve ter um cômodo apenas.
─Perseguindo um cervo? – Ela sorri.
─Eu não chamaria de cervo.
─Não. Definitivamente não.
Olho para o galpão ao lado, uma pequena porta de madeira o mantinha fechado, aquilo é tão lugar comum para mim, não gosto de estar naquele lugar, queria puxa-la pela mão e sumir dali para sempre.
─Bebida ilegal! – Ela me diz e volto a encara-la, nem era preciso dizer, eu saberia que sim – Sam tomou um porre aqui uma vez, teve três dias de dor de cabeça, aquilo foi bem feito!
─Não bebeu com ele? – Pergunto sabendo que não estamos chegando em lugar nenhum com aquela conversa amena, Abby se ergue, puxa o ar com força, depois me olha soltando devagar, ela sempre faz isso.
─Aprendi a engolir a vida a seco, poupa a ressaca ao menos, entre, vou ter servir um café, não repare a bagunça – Ela caminha para a porta e eu a sigo – Andei ocupada!
O lugar é exatamente como sabia que era, um cômodo imundo e cheio de tralhas, cheirando a madeira podre e umidade, ela para de pé quando fecho a porta atrás de mim.
─O que quer Daryl? – Me diz por fim.
─Que volte comigo.
─Sam te indicou esse lugar?
─Não, segui você, rastreei no começo, depois apenas segui você de longe.
─Não percebi. Os perigos desse novo mundo.
─Se partirmos agora chegamos antes do anoitecer.
Ela morde o lábio, desvia o olhar, começa a ficar tensa, a brincadeira acabou eu sinto, melhor assim, detesto formalidades gentis de gente sem nada na cabeça.
─Não vou voltar, vou passar a noite aqui e amanhã eu... Amanhã... – Ela não sabe o que dizer.
─Amanhã? – Insisto encarando Abby, a mão na tira da besta, gosto de sentir que ela está comigo, depois que o mundo acabou ela me dá segurança, faz parecer que posso vencer qualquer coisa.
─Não sei, talvez apenas me sente na varanda e espere um deles chegar, eles sempre chegam afinal, eu não sei! – Ela se irrita, dou uma olhada em volta, acho um bom pedaço de madeira, uso para prender a porta, encacho bem abaixo da fechadura – O que está fazendo?
─Disse que vamos passar a noite aqui, estou cuidando da nossa segurança.
─Vamos? – Ela pergunta.
─Eu não vou voltar sem você! – Digo com todas as letras, sai sem que controle e fico meio confuso, desvio mais uma vez os olhos, estou cansado de nossas meias verdades, aquilo já foi longe demais.
─O que quer de mim? O que espera que eu faça? – Abby diz com a voz embargada, algo nela se quebrando diante de mim.
─Que volte para o lugar que ajudou a manter, que venha comigo antes que o Sam saia atrás de você.
─Ele tem a Beth agora.
─Isso não quer dizer que ele possa abrir mão de você.
─Eu não posso voltar, não entende? Não é boa ideia para mim, todas aquelas pessoas, eu não consigo!
Odeio como ela mexe comigo, me provoca todo tipo de sentimentos, me irrita que seja tão fechada, que não me deixe chegar perto, me irrita querer chegar perto, ando de um lado para outro naquele pequeno pedaço de passado me sentindo de novo aquele garoto que vivia com medo.
─Rick pergunto se estava tudo bem leva-los, disse que sim! – Falo alto, ela está paralisada, me encarando com os dois pés firmes no chão, parece pronta para se defender.
─Velhos, crianças, doentes, o que queria que dissesse? Eles precisam de vocês, são fortes, podem proteger e alimentar aquelas pessoas, vocês vão conseguir, por um tempo vão conseguir.
─Por um tempo?
─É! – Ela grita – Depois eles vão morrer, eu vou, você vai, Sam, Judy, todos, isso é tolice, acabou, acabou e não quero... Não quero mais nenhuma dor, eu tenho as minhas!
─Você não faz nenhum esforço para se livras delas não é, tudo isso que está ai dentro? – Aponto Abby, me movo o tempo todo, irritado demais para não demonstrar em gestos e movimentos.
─É tudo que eu tenho! – Abby grita mais uma vez, mas não se move do lugar – A dor é a única coisa real.
─Talvez! – Eu concordo, mas isso não pode ser o bastante, ela não pode achar que vai ficar por ai sozinha e não vou fazer nada.
─Vai embora, me deixa aqui, eu não quero enfrentar nada daquilo, eu não consigo!
─Ninguém vive sozinho! – Eu grito, ela só pode estar louca.
─Eu vivo, não tive escolha! – Agora seus olhos começam a marejar e não sei como lidar com aquilo, com o quanto aquilo me mata por dentro.
─Mas tem agora!
─Você quer saber não é? Seja honesto, foi atrás disso que veio, quer saber quem eu sou, quer saber porque – Ela diz chorando – Está certo, vamos a verdade!
─Abby eu não...
─Não! Você quer saber, todos querem, vai ouvir – Ela puxa as espadas das costas, coloca sobre uma mesa de canto, sua mochila está ao lado, depois me olha por entre suas lagrimas – A princesinha republicana, não era assim que Merle me chamava? Eu era mesmo apenas isso, iria se impressionar com minha inocência se me visse, faria Beth Greene parecer uma grande vadia! – Ela soluça – Odeio isso! – Diz quase para si mesma, mas não me olha, encara um ponto qualquer da sala, a janela talvez – Perdemos tudo, se meu pai foi um covarde e deu um tiro na própria cabeça sem se preocupar comigo, meu irmão foi mais longe, ele deu um tiro na minha cabeça, foi isso que aquele grande canalha fez.
─Você não precisa... – Tento dizer, mas ela continua me ignorando.
─Fomos morar numa casinha pobre no meio de um lugar barra pesada, não tem ideia como aquele filho de político acostumado com carros importados e roupas de marca se deu bem, ele estava mesmo em casa, logo ficou amigo de tudo que não prestava, todo dia tinha um vagabundo diferente dormindo no meu sofá, eu me trancava no quarto porque não tinha escolha, mas continuava firme, tentando ser uma boa menina, dava aulas de piano na sacristia da igreja, quanta tolice – Ela diz entre rindo e chorando – Ia a missa todos os domingos, cheia de esperanças, mesmo sob todos os olhares de “Olha a filha do safado e corrupto, a garota dos jornais”, eu insistia, sonhava.
─Imagino que foi difícil sozinha. – Ela afirma.
─Um dia eu cheguei de minhas aulas para crianças carentes e tinha uma festa na minha casa, uma grande festa com todo pior tipo de gente que pode imaginar e eu sei que sabe do que estou falando, adolescentes, vagabundos, bebendo, se drogando, um casal fazendo sexo na cozinha, subi as escadas correndo para meu quarto, só queria me trancar lá e esperar acabar, abri a porta e tinha uma garota na minha cama, primeiro fiquei furiosa, me aproximei e ela estava pálida, chacoalhei a garota, senti a pele fria e me dei conta que ela estava morta, tinha uma seringa no braço, então eu fiz o que toda garota inocente faz, liguei para a polícia, eu, entende? Eu mesma fiz isso.
─E seu irmão foi preso? – Ela ainda chora, mas são apenas lágrimas livres escorrendo por seu rosto, e embora a história me convidasse a ouvir mais, no fundo só queria que ela esquecesse.
─No fim da noite estava diante de um delegado, ele me forçava a uma confissão enquanto eu dizia que não sabia de nada, depois meu irmão ficou sozinho comigo, disse que assumisse tudo ele não iria preso e podia cuidar de mim, que eu passaria uns meses num reformatório, me fez acreditar que era o melhor para nossa família.
─E foi o que fez? Assumiu tudo?
─Tudo, disse que dei a festa, que levei as drogas, os menores, tudo.
─E foi culpada pela morte da garota também?
─Ela era maior de idade e viciada, no julgamento me consideraram inocente sobre isso, mas para a imprensa isso não fez a menor diferença.
─E foi para o reformatório?
─Quatro anos, nenhuma única visita, nenhuma palavra de quem quer que fosse, nunca mais vi meu irmão, quando entrei naquele lugar as portas do inferno se abriram, o demônio me puxou pela mão e eu conheci o ser humano e a besta que dorme dentro dele.
─Sinto muito!
─Eu não. Eu não sinto mais droga nenhuma! – Não é verdade, isso é o que ela quer acreditar e ninguém melhor que eu, sabe disso. ─ Fui espancada na segunda noite, Selena Gonzalez e sua trupe, a rainha do lugar, o cão em pessoa, foram minhas boas-vindas! – Agora a voz perde a potência, ela se apoia na mesa, o gigante começa a desmoronar diante de mim e não sei como parar aquilo – Amanheci na enfermaria e fiz o que garotas tolas e inocentes fazem, entreguei todas elas, o dedo duro do reformatório, não preciso dizer o que isso significa não é?
─Você estava sozinha, não entendia todos aqueles códigos, não pode se sentir culpada.
─Eu apanhei durante três anos, eu tive todos os malditos ossos do meu corpo quebrados, eu não dormia, eu não falava, eu apenas me escondia e elas me encontravam e eu... eu me encolhia e chorava, e implorava, eu quase morri cinco vezes e quando eu recebia alta da maldita enfermaria eu odiava Deus e todo aquele inferno – Abby mal suporta ficar de pé, aquela dor parece me atingir e não sei o que fazer, não sei consolar pessoas, não sei fazer parecer melhor, não consigo me aproximar porque carrego as minhas dores e naquele momento ela parece apenas uma garota, frágil e sozinha e isso me deixa assustado ─ Garotas podem ser cruéis Daryl, de um jeito que nem imagina, elas.... elas podem fazer coisas... –O que quer que seja não quer sair, trava dentro dela, corrói, Abby se dobra um pouco, dou um passo para trás – Quando um homem abusa de uma mulher, sabe do que estou falando não é? Quando ele faz isso quer se satisfazer, é por ele, por seu desejo, quando uma mulher faz isso, quando garotas se juntam para isso, o que elas querem é ferir a vítima, é apenas crueldade, é só a besta mostrando suas garras, você nunca mais se recompõe.
─Abby eu...
─Agora sabe o que passei naquele inferno, mas acredite Daryl Dixon eu fiquei de pé, um dia eu simplesmente quis sobreviver e fiquei de pé, espanquei aquela maldita vadia até quase matá-la, passei uma semana numa solitária, ninguém sabe como é isso até estar naquele lugar, sem luz, sem vida, quando saí de lá eu nunca mais me dobrei, nunca mais chorei, e nunca mais deixei ninguém me machucar, Selena Gonzalez perdeu seu posto, eu era a pessoa mais temida daquele lugar, fiquei mais um ano lá dentro e nunca troquei uma palavra com quem quer que fosse, a princesinha morreu, sobrou isso que está diante de você.
─As pessoas na prisão, elas não podem te machucar, são só pessoas, com medo e solitárias.
─Eu não consigo! – Ela desaba, se desfaz em mil pedaços, em algum momento caminhei até ela, abraço Abby, mas ela se fecha, se recusa, tenta se libertar e me mantenho firme, é só instinto, não sei porque insisto, apenas acho que ela precisa e então ela se rende, se encosta em mim, me deixa envolve-la e se entrega.
Abby chora por muito tempo, eu a faço se sentar, é só uma poltrona velha, mas ela se encolhe ali, agarrada a mim, entregue a dor, é um choro guardado há muito tempo, a dor que jamais pode dividir com alguém, me sinto grande ali, ela me faz sentir necessário, eu que sempre me senti um lixo, ganho um poder que não sabia que tinha, e só quero traze-la de volta da escuridão.
As lágrimas somem, mas ela não se afasta, permanece em meus braços, não me encara, só fica ali, um tanto esgotada, rendida, meu coração parece vivo como nunca esteve.
─Saí daquele lugar sem rumo, direção, dinheiro, apenas abriram a porta e se livraram de mim, feito um saco de lixo que se põe para fora a espera do caminhão do lixo, perambulei uns dois dias, então no terceiro eu me meti numa briga com prostitutas, eu estava por ali e elas acharam que eu queria o lugar delas, bom, agora eu sabia bater e batia bem. Um homem nos separou, disse que eu levava jeito, ele tinha uma escola de artes marciais, era um senhor simpático, bom, me deu um emprego e um quarto nos fundos, foi lá que aprendi a usar as espadas, ele me ensinava todo dia um pouco e quando ficava sozinha eu treinava.
─Um mestre Ioda? ─ Brinco com ela que afirma sem se afastar de mim, ainda não me olha.
─Não ficamos amigos, ele não me dava conselhos enigmáticos, eu só... ficava por lá, ganhava algum dinheiro e aprendia artes marciais – Uma de minhas mãos descansava em suas costas, a outra ficava dançando sem direção, hora na boca, hora nos cabelos, hora brincando com os buracos do tecido vermelho e puído – Então os mortos se levantaram e cai na estrada, não fez diferença para mim, não perdi nada, só continuei.
─Nós vamos passar essa noite aqui e quando amanhecer vamos voltar para a prisão – Eu aviso decidido, só então ela ganha forças para erguer os olhos e me encarar, não devíamos estar assim tão perto, não é definitivamente boa ideia para nós, seus olhos brilham de modo suave.
─Eu não posso Daryl! – Ela me diz sem qualquer convicção, é quase um pedido.
─Pode, a princesinha republicana ainda mora ai dentro, eu posso vê-la agora.
A mão que estava sem posição desesperada em busca de um lugar segue para seu rosto, ainda estão úmidos pelas lágrimas, afasto seus cabelos, são finos e gosto da textura, seus lábios se abrem num leve convite que aceito sem pensar muito, beijo Abby.
Não é como os outros beijos, agora eu a conheço, a mulher que tenho em meus braços tem muitos lados, e um mundo de coisas dentro dela, coisas que conheço, que me afogam na mesma solidão e quero me libertar, somos iguais.
─Daryl... – As palavras morrem em seus lábios quando nos olhamos, volto a beija-la, é urgente, necessário e Abby sabe disso, se entrega.
Me deixo livre para sentir seu corpo, tocar sua pele, acariciar Abby como sempre quis fazer e jamais admiti, ela se move em minha direção, não foge, minha mão entra por dentro do tecido fino se sua blusa e posso sentir a pele quente e suave, seus dedos vão em busca dos botões da minha camisa.
Eu a carrego comigo e então estamos no chão sujo da cabana, nos beijando longamente, eu a ajudo a se livrar da minha camisa, seus dedos tocam meu peito, descem suaves, vão deixando seu rastro de prazer, sem pressa volto a beija-la, tiro sua blusa e assim como ela toco sua pele, ela se encaixa a mim, nossos corpos combinam e nunca sequer havia pensado sobre isso, meus lábios fazem o caminho das mãos, sinto seu sabor e gosto, desejo, preciso.
─Quero você! – Digo antes de tomar seus lábios mais uma vez, exploro sua boca, aprendo sobre ela, ela geme de encontro a mim, as mãos passeando por mim, acordado meu corpo adormecido desde que o apocalipse começou, não é só querer, eu preciso dela.
─Daryl... – Meu nome entre seus gemidos só me faz arder ainda mais – Entende que preciso que seja gentil? – Meus olhos capturam os seus quando nos afastamos por um momento.
─Sei disso, é como vai ser.
Deixo que se acalma, que se acenda ainda mais, afastando as roupas, beijando sua pele, acariciando, apreciando, aquela mulher me faz ser outra pessoa, nunca estive assim, inteiro com alguém, preocupado, ardendo e ao mesmo tempo terno.
Só quando ela relaxa e se deixa guiar eu invado seu corpo, beijo Abby longamente, seus dedos me puxam para ela, cravam em minhas costas, os movimentos são lentos, não quero que acabe, não quero que se assuste, vamos nos movimentando juntos.
Gosto do seu perfume, meu rosto acaricia o dela, nossos lábios se tocam, se afastam, seus olhos brilham, a luz do dia vai nos deixando, sentimos pressa, urgência, e o inferno que nos separa se fecha num instante perfeito, nada mais existe.
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