Hell Between Us

18 Capítulo 18 - Bem-vindos as tumbas


Notas iniciais
Olá pessoas! Todos bem? Mais um capítulo, espero que gostem e se puderem leiam as notas finais.

Pov – Abby

Merle morto. É estranho pensar sobre ele e o que fez, mas o fato é que ele fez e foi grande, nunca vi ninguém se doar tanto e sair de cena de modo tão grandioso, não desde que o mundo acabou, é estranhamente bonito.

Os muros da prisão se anunciam e o Daryl cabisbaixo da lugar ao velho guerreiro, ele muda, se ergue mais, assume o velho andar decidido, ergue a cabeça, passa a mão pela tira que prende sua besta, é uma de suas manias, ele fica alisando aquele pedaço de fita que de vez em quando parece mais uma extensão de quem ele é, Daryl é o cara da besta, aquele que caminha sempre uns passos à frente, o que se dispõe a tomar o primeiro tiro, a primeira mordida.

Está cheio de zumbis e chegar até os portões dá um certo trabalho e exige alguma concentração, mas então entramos, o grupo está reunido a nossa espera, nos encarando apreensivos, Michonne entre ele felizmente.

Sam corre para mim e me abraça, correspondo e me afasto tudo ao mesmo tempo, mas é o Sam, ele não se importa.

─Que medo! – Ele diz – Que bom que voltaram, cadê o Merle? – Me pergunta olhando de mim para Daryl, todos à espera da resposta.

─Ele não conseguiu! – Daryl empurra as palavras para fora juntando todas as suas forças, sinto meu coração se apertar um pouco, o que ele me faz sentir me confunde.

─Merle fez uma saída apoteótica, levou oito homens do Governador com ele, saiu em grande estilo, deve ter sido um belo show – Olho para Daryl ele encarava o chão, a mão presa na tira de sua besta, me olha de lado, admirado, talvez quase orgulhoso – Acho que já podem agradecê-lo, gostem ou não, o cara foi o herói da prisão!

─Sinto muito Daryl! – Sam diz e sei que é sincero, ele gostava mesmo daquele palhaço, Daryl apenas assente e por fim, todos fazem o mesmo.

─Decidimos ficar e lutar! – Rick anuncia – Contei a todos o que aconteceu, esse lugar é nosso e vamos lutar por ele, está dentro Abby?

─Nunca estive fora xerife! – Respondo de queixo erguido, Daryl me encara, devolvo o olhar e não sei bem o que significa.

─Certo, acho que depois do que aconteceu não temos muito tempo até as coisas se complicarem, ele deve estar a caminho, então vamos decidir como fazer isso.

─Em primeiro lugar deixar o bebê a salvo! – Eu aviso olhando para Beth que segurava Judith nos braços, a pequena não tinha nada que carregar o nome da minha mãe, as coisas já estavam bem complicadas sem isso, seu nome só me fez prestar mais atenção a ela.

─Pensei que eles podiam ficar na floresta nos carros e minha moto, levamos tudo que temos, tudo que importa, deixamos a prisão limpa como se não estivéssemos mais aqui, se ela cair mesmo, se não tiver jeito, os que restarem se encontram com Beth, o bebê – Daryl diz agora mais firme, olha para Hershel – Hershel, e cai na estrada, se vencermos voltamos para casa! – Ele aponta o prédio.

─Carl vai ficar com eles! – Rick avisa e o garoto revira os olhos, suspira de má vontade, tem muita coisa escondida por trás daquele olhar.

─E nós? – Maggie questiona – Como vamos nos posicionar?

─Um grupo nas tumbas, a espera deles, com bombas e armas, dois ou três nas passarelas, para atirar nos que conseguirem sair de lá.

─Rick está certo, se entrarem nas tumbas, bom, com os zumbis, o barulho e a escuridão, aquilo é o inferno, não vão conseguir.

Sorrio com a ideia, quero estar lá para ver o pânico, aquele pedaço de inferno não é para os fracos, ninguém os convidou, mas já que estão a caminho vamos recebe-los com o que temos de melhor.

─Bom, então sejamos rápidos! – Rick diz firme – Maggie e Glenn usam aquelas roupas de soldados e ficam nas passarelas, derrubem qualquer um que sair, não vamos dar chance de voltarem.

─Sam fica junto, ele já atira bem, lá em baixo vai se atrapalhar e me atrapalhar.

─Às vezes acho que queria que eu fosse um bebê para caber no seu colo! – Sam resmunga.

─Ou quem sabe ele fica com o Hershel e a Beth? – Eu o desafio e ele faz careta, se comporta como alguém que devia caber num colo ainda.

─Já entendi X! – Ele reclama.

─Glenn é seu líder se desobedece-lo eu...

─Corta minhas orelhas, eu sei!

Entramos e começamos a recolher nossas coisas, sigo até minha cela, e apenas ergo minha mochila encostada ao lado da cama, é isso, apenas isso, essa sou eu, meu mundo cabe numa mochila que levo nas costas, não junto coisas, não guardo nada porque não tem mais nada que valha o esforço, você dobra uma esquina e tudo que tinha perde a importância, então o que tenho carrego dentro de mim.

Na cela de Sam ele juntava coisas, me faz sorrir, tão pouco tempo e o garoto tem agora todo tipo de coisas inúteis que não pode se desfazer, ele me sorri.

─Já juntou tudo? – Balanço a mochila, ele me olha triste – Sempre pronta para partir.

─Sempre pronto para ficar! – Eu digo apontando suas coisas.

─Sabe o Rick falou com a gente, ele disse que de agora em diante isso será uma democracia, que ele quer que todo mundo decida tudo junto, não quer ser nosso governador.

─Nunca foi o meu.

─Ninguém governa esse seu espirito livre não é X?

─Ninguém.

─Me ajuda aqui! – Ele me estende uma sacola, pego de má vontade enquanto ele ergue o resto de suas coisas – O que quero dizer é que isso deixa as coisas mais fáceis para você agora, não tem um líder, é só um grupo de pessoas tentando viver juntos.

─Um grupo de pessoas é que é o problema para mim Sam, vamos? – Eu o convido e descemos as escadas juntos.

─Posso deixar minhas coisas junto com a de todos? Quer dizer, no carro onde estão guardando tudo?

─Deve! – Digo o fazendo sorrir ─De preferência junto com as da sua Beth!

─Boa sugestão! – Ele sorri, chegamos ao pátio, Daryl arrumava as coisas dele na moto.

─Abby! – Me chama e aquilo é uma merda, meu corpo não devia reagir a um raio de um simples chamado, me aproximo.

─Ganhei um poncho desses uma vez, feito por índios canadenses, toco a lã grossa e trabalhada em desenhos geométricos.

─Perdeu? – Ele me pergunta parando a minha frente.

─Ficou no passado.

─Obrigado! – Ele diz me aprisionando mais uma vez nos olhos azuis – Por ter ido até lá comigo, pelo resto, o que disse aqui, eu...

─Sei disso. – Será que um dia vou poder falar com ele sem sentir meu corpo em ebulição, sem minha mente aprisionada, sem meias palavras e seus milhões de significados?

─Se não der certo agora, se... você sabe, acabar, eu...

─Sem despedidas Dixon! – Eu o corto, fugindo do que quer que ele estivesse tentando sinalizar com mais meias palavras.

─Está certa, não gosto mesmo de despedidas.

Quando tudo está pronto Rick e Daryl saem para levar as pessoas, antes assisto um longo e terno abraço entre Beth e Sam, um beijo suave, e um longo olhar melancólico, depois ela parte e Sam estufa o peito, caminha para mim com um rifle na mão, sorri cheio de si.

─Diga! – Ele me olha.

─Não te chamei Sam.

─Mas ia, para me dar mais uma dúzia de recomendações e ameaças, estou aqui.

─Fique vivo garoto, é tudo que eu quero.

Dessa vez sou eu quem o puxa para um abraço, ele corresponde, se for a última vez que abraço alguém é bom que seja ele, depois nos afastamos.

─Outro selinho Sam, podia ter caprichado mais na despedida.

─Com esses caras todos armados? Não quis arriscar.

─Certo, vai para o seu posto, não seja um herói, apenas fique vivo.

─Beleza X! Boa sorte!

Ele segue Maggie e Glenn, eu e Maggie nos encaramos e faço um pedido mudo para que cuide dele, ela sorri em resposta, então entro com Rick, Daryl, Michonne e Carol.

─Eu vou com a Carol para os geradores, assim ligo o alarme quando for a hora, vocês três se espalham nas solitárias e quando estiverem aqui atacam.

Rick anuncia e então entramos nas tumbas escuras, vamos juntos por alguns corredores, preferia mil vezes minhas duas Sai, mas elas repousam em minhas costas, inimigos astutos merecem armas de grosso calibre.

Michonne acena de leve virando um corredor, some em meio a escuridão, depois Rick e Carol fazem o mesmo e me vejo seguindo com Daryl, os dois silenciosos.

─Aqui está bom não acha? Eles não vão ter tempo de entrar mais fundo – Daryl me diz mostrando uma solitária, pouco mais a frente, a grade que nos separava da parte das tumbas que ainda não estava limpa.

─Está ótimo, hora de soltar os cachorros! – Eu sorrio.

─Parece estar gostando.

─Acha que eles pensariam duas vezes em matar Judy? Sua Bravinha seria atirada aos zumbis sem qualquer pudor, sim, eu estou feliz por me antecipar.

Daryl dá de ombros e me olha com a mão na grade, afirmo, ele da algumas batidas nas grades com o cabo da besta, o som ecoa pelos corredores é como balançar um bife diante de dobermanns, depois abre a grade e vem em minha direção, nos fechamos a tempo de ver o primeiro corpo surgir dos corredores escuros.

Agora é questão de tempo, espero que não muito, esperar não é meu negócio, meia hora, talvez mais, uma droga de silencio irritante, apenas os pés arrastados, os gruídos constantes, a porcaria de sempre, vez por outra trocamos um olhar, sinto seu tédio tanto quanto o meu.

─Isso é bem irritante.

─Devia ter trazido um livro, o cara foi se maquiar é isso? – Daryl sorri.

─Colar um olho de vidro! – Brinca e então ouvimos um estrondo, o primeiro deles, depois mais um.

Então podemos ouvir uma sucessão de tiros, estão derrubando os zumbis, penso em Sam escondido na passarela, espero que respeite o combinado e espere sua vez de agir.

O silencio volta a dominar o ambiente e preparo a arma enquanto Daryl pega as duas bombas de gás, nos posicionamos.

─Hora do show! – Ele diz com uma mão na porta, esperamos, não temos escolhas, só nos resta torcer para o lunático convencer seus homens a descer.

Os zumbis se agitam, Daryl abre uma fresta, depois me olha sussurrando.

─Sentiram eles, estão todos caminhando em direção ao Governador.

─Ótimo!

Daryl desarma a primeira bomba quando vemos as primeiras lanternas, atira e logo prepara a segunda enquanto a primeira explode, Michonne faz o mesmo do outro lado e então o alarme dispara, tudo o confunde e podemos ouvir os gritos e disparos de metralhadoras e outras armas.

O caos se instala, deixamos a solitária atirando um ao lado do outro, mas talvez nem fosse preciso, eles derrubavam os zumbis e seus próprios companheiros desesperados demais.

As ordens eram contraditórias e logo todos corriam para deixar as tumbas, Daryl derruba um zumbi e junto com ele um homem que tentava se livrar da boca podre em seu ombro, vamos atirando, ao mesmo tempo que somos ajudados pelos zumbis a espantarem os intrusos.

As tumbas silenciam, deixo a arma de lado e pego as espadas, agora temos que correr e o melhor é apenas acertar os zumbis pelo caminho, um homem vira um corredor tentando escapar, uns segundos depois ouvimos seus gritos.

O tiroteio recomeça lá fora, agora são Glenn, Maggie e Sam fazendo a parte deles, Michonne surge com a espada suja de sangue, seguimos os três, no bloco encontramos Rick e Carol, corremos para fora a tempo de ver o Governador e seus homens fugindo assustados.

─Conseguimos! Expulsamos todos eles – Rick diz parecendo aliviado, mas isso ainda não acabou e antes que dissesse algo Michonne se pronuncia.

─Devemos ir atrás deles, acabar com isso de uma vez.

─Chega disso, ela está certa! – Daryl avisa decidido, me animo, não pretendia deixar que apenas partissem.

─Saíram daqui apavorados, já acabou – Maggie rebate, a doce inocência dos Grenne.

─Eles vão se reagrupar! – Aviso.

─Não podemos parar, ele não vai desistir – Glenn ainda não esqueceu o que houve e Maggie é voto vencido.

─Da última vez quase não deu para voltar! – Ela faz sua última tentativa.

─Que se dane – É a resposta de Daryl e voltamos para dentro, é hora de saber dos outros, Sam está ansioso por Beth, ao mesmo tempo quer me acompanhar.

─Vou junto Abby, não pode me impedir, eu acho que fiz bem meu trabalho.

─Você fica, a prisão precisa de proteção, e se ele volta?

Sam me olha orgulhoso, então Beth entra e ele corre para ela, Hershel e Rick debatem sobre Carl e algo que o garoto fez lá fora, não se põe uma arma na mão de uma criança se não quer que ela dispare, não perco tempo com aquilo, arrumo minhas armas.

─Viu quantos sobraram? – pergunto a Michonne que limpava sua katana, enquanto eu fazia o mesmo com minhas espadas.

─Um bom número pelo que pude ver, mas está certa sobre o Merle, ele pegou os mais preparados, os soldados do Governador, ele teve que trazer seus moradores e isso nos deu uma boa chance.

─Bom, então vamos de uma vez! – Digo em voz alta, saímos de novo para o pátio, Maggie e Glenn decidem ficar e Sam faz aquele olhar de pidão, nego, se vamos em menor número não vou arriscar a vida do garoto.

Deixamos a prisão, Daryl vai na frente em sua moto, adoraria estar com ele, seria bom um pouco de ar, liberdade, mas o que estou pensando? Eu e ele na moto? O que afinal está acontecendo comigo? Merda!

Tem carros na estrada, zumbis devorando corpos, parece o grupo do governador, descemos, Michonne passa sua Katana em duas cabeças, Daryl acerta uma flecha, pego mais um, Rick outro e paramos para tentar entender a carnificina.

Uma mulher bate no vidro do carro, nos deixa em alerta, Daryl abre a porta e a faz descer, ela não esconde o pavor.

─Quem é você? O que aconteceu aqui? – O tom urgente de Rick não dá chance para mentiras.

─Meu nome é Karen, ele ficou maluco quando deixamos a prisão, ele... Deus nos fechou na estrada queria que voltássemos, atirou em todos, matou todo mundo, fugiu com sei lá, acho que dois homens.

─E Andrea? Onde ela está, veio nos atacar? Ficou? – Michonne dá um passo em direção a Karen, a mulher se encolhe um pouco, os olhos arregalados.

─Ela devia estar com vocês, pulou o portão, fugiu, não chegou?

Um silencio pesado recai sobre todos, Andrea não chegou e embora não a conheça acho que ela tem muita importância para todos.

─Quantos ficaram em Woodbury? – Eu pergunto, se vamos até lá é bom saber o que nos aguarda.

─Só velhos, crianças, adolescentes, não muitos, apenas os que por algum motivo não podiam lutar, Tyresse e Sasha ficaram para protege-los, os dois se recusaram a vir.

─Ótimo. Vamos de uma vez, você vem conosco! – Rick puxa a mulher pelo braço, empurramos os corpos retirando do caminho e seguimos pela estrada, Daryl ainda na frente.

─Ele não voltou, não faria isso, depois de tudo que fez, acho que o Governador saiu de cena! – Karen avisa, do jeito que é maluco pode ter feito isso.

Paramos menos distantes dessa vez, depois seguimos a pé, quando nos aproximamos somos recebidos a bala, nos escondemos atrás de um carro, Karen se apresenta, convence Tyresse e a irmã ao que parece, e Rick decide se render, odeio a ideia de baixar a guarda, simplesmente não sei fazer isso e uma mão fica pronta na espada.

Rick pergunta por Andrea, não tem resposta, os coitados não têm a menor ideia do que acontecia naquele lugar, vamos pessoalmente em busca de seu rastro.

Como Karen afirmou, o infeliz não voltou, chegamos aos galpões onde Glenn, Maggie e Daryl já estiveram rendidos, o lugar é sinistro, uma possa de sangue sob a fresta de uma porta anuncia a tragédia antes que o grupo junte forças para abrir, me ponho mais atrás, aquilo não me diz respeito, não são minhas perdas e apenas assisto a porta se abrir, um zumbi abatido está estirado no chão.

─Andrea! – Michonne se ajoelha a seu lado – Está com febre! – A mulher mostra uma mordida na altura do pescoço, está no chão, encolhida, fala sobre seus desejos, sobre querer manter todos vivos, Michonne chora, eu apenas assisto sua despedida.

Não tem como manter todos, é tempo de escolhas, é preciso ficar de um lado, ela se perdeu nesse ponto e então acabou ali, mas tem fibra, pede para fazer sozinha, admiro isso, deixo a sala e todo o resto, ganhava as ruas de Woodbury quando ouço o disparo, mais um final precipitado, outra morte inútil, outra vez uma história ganha um final antecipado e trágico, se ela tivesse mais tempo, se tivesse sobrevivido que histórias poderia contar? E Merle? Até onde aquelas pessoas iriam? Nunca vamos saber.

Logo estão todos lá fora, fechados em sua dor silenciosa, agora apenas silenciamos, ninguém mais grita, esperneia, aceitamos apenas, acomodamos e seguimos em frente.

É noite quando nos reunimos num círculo no meio da rua principal, e no fim a arrogância do homem o derrotou realmente.

─Vamos para casa! – Daryl pede, os olhos fixos no chão.

─Eu sei que já fomos expulsos uma vez, mas não podem dar as costas a essas pessoas – Tyresse pede com a irmã a seu lado – São completamente despreparados, não podemos fazer isso sozinhos, não lutamos contra vocês.

─Só estamos tentando sobreviver! – Sasha diz suplicante – Deixe que todos sigam com vocês, lá é seguro, podemos trabalhar, lutar, mas se nos derem as costas estão nos condenando a morte!

Péssima ideia, não posso, simplesmente não consigo, não sei viver assim, tenho tentado me adaptar, mas para mim é impossível.

─Não podemos mais deixar ninguém para trás! – Daryl pede a Rick.

─Não, não podemos – Rick me encara, depois olha para Michonne.

─Michonne?

─Tudo bem! – Ela responde abatida demais por sua perda.

─Abby?

─Eles precisam de vocês, é melhor leva-los.

Sasha e Tyresse se juntam a Karen e começam a preparar as pessoas e recolher tudo que podem, Michonne busca o carro, Daryl a moto, eu me sento nos degraus de uma porta, assisto enquanto Rick organizava as pessoas em um ônibus adaptado.

─É hora de pegar a estrada Abby Coleman, isso é muito para você.

Assisto o sol surgir sentada no banco de traz do carro de Rick, Sam vai ficar bem, encontrou uma família, eu só preciso partir sem que ele me note, não sirvo para essa vida, não combino com nada disso, estava tentando me enganar apenas, toda essa gente vai morrer, as crianças, os velhos, é tolice, uma grande tolice acreditar, deixar que entrem e depois perder.

Já tenho minhas dores, eu as carrego todas, não preciso de mais nenhuma, os portões se abrem, entramos e assisto o olhar perplexo do grupo quando as pessoas desciam do veículo, vejo os olhos amorosos de Beth e Carol, Hershel com aquele ar de sabedoria, Carl na sua pequena fúria interior, tão parecido comigo.

Sam caminha em minha direção, me abraça, sinto culpa, é o último abraço, não conto a ele, não posso quando ele me sorri de olhos brilhantes.

─Esse vai ser um grande lugar Abby, um dia vai parecer que o mundo nem acabou.

─Vai! – Digo num fio de voz, ele passa um braço por meu ombro.

Meus olhos seguem até Daryl que assistia as pessoas sendo levadas para dentro, ele sente meu olhar e me encara, me despeço sem palavras, sinto o gosto dos seus beijos mais uma vez, a mão firme em minha cintura, seu cheiro, não, eu não posso ficar aqui, desvio meus olhos e quando todos entram vou até o carro de Rick, pego minha mochila e caminho para as grades, esse é um bom momento, estão todos envolvidos em receber os novos moradores, ninguém vai notar minha partida.

Não olho para trás, sou covarde, uma grande covarde é o que eu sou, deixo a prisão e me enfio na floresta.

─Então é isso Abby, está sozinha de novo, como sempre foi.

Notas finais
Então, gostaram? Acho que perceberam que aqui termina a terceira temporada, meu objetivo era retratar esses acontecimentos de modo fiel enquanto ia apresentando a vocês, meus personagens originais, Abby e Sam, não pretendia mudar nada do que aconteceu, gosto de usar o recurso visual das memórias do que assitiram uma dezena de vezes, se forem como eu, agora a fic segue seu prórpio rumo, por um tempo ou para sempre, não sei, não costumo pensar muito a frente, gosto de deixar a história correr solta. Adorava Andrea, talvez nem tanto, acho que o que gosto mesmo é da Andrea da HQ, essa da série era uma sombra do que Andrea é nos quadrinhos, mas sinto sua morte e recebi pedidos para que ela vivesse, mas a fic se baseia na série, não nos quadrinhos ou livros, e na série sua morte desencadea acontecimentos, a caçada de Michonne pelo Governador, a culpa mais tarde de Daryl por não ter dado ouvidos a Michonne e seguido com ela, então mantive mais essa morte, sinto muito se desapontei alguns, mas essa é uma história sobre Abby e Daryl, os outros todos são secundários. Beijos!!!